Hoje tinha uma t-shirt de Nirvana. Diz que se fartou de ouvir o Smells Like Teen Spirit nas duas semanas que esteve em casa, doente. Eu digo que é estranho, que tenho a discografia toda de Nirvana em casa e que ela nunca ligou nenhuma e ela responde que isso era dantes e que agora gosta muito e vai ouvir. Estou para ver. Tenho uma filha com uma t-shirt de Nirvana. Algo que eu ouvia com a idade dela. Não sei bem o que pensar disto.
4 de maio de 2015
18 de abril de 2015
16 de abril de 2015
Melhor. Reunião de Trabalho. De SEMPRE
Imperdível. E eu fui sozinho. No escuro, pelos corredores: sozinho. Não é sozinho com um grupo de pessoas que não conheço. É SOZINHO tipo eu e o meu medo. O dono do espaço, pessoa que sente e vive isto como ninguém, insistiu para que experimentasse e eu não, deixe lá que eu tenho uma reunião às dezoito horas, e ele ah, mas tem de experimentar isto antes de ir, e eu, deixe lá que eu prometo que volto, e ele não, não, aqui está o bilhete e deixou-me com o segurança e a Inveja e mandaram-me lá para dentro, o segurança com ar de pena de mim, a mostrar-me a Wall of Shame das pessoas que desistiram. E foi brutal. Lisboa tem agora uma casa do terror de nível internacional. Não sejam maricas e vão que vale bem a pena. Eu volto lá em breve.
Os últimos segundos não me deixaram de lágrima no canto do olho, isto é alergia ou algo assim
Han Solo e Chewbacca, algo que eu nunca mais pensei ver num cinema.
7 de abril de 2015
Há um ano, mais dia, menos dia
A minha vida ficava em suspenso e com ela uma década de dedicação ao ofício de vender livros nas suas mais variadas vertentes e em locais diversos, três livrarias em Cascais, uma em Lisboa, e mais do que suspender a minha actividade profissional, suspendi a vida de algumas pessoas que gostam de mim mais do que mereço, arrastando-os comigo numa travessia do deserto, uma espécie de noite longa e fria que parecia não ter fim. Nunca cheguei a bater no fundo: o fundo nunca chegou, as coisas iam se afundando mais e mais, eu ia ficando mais preso dentro de mim, em sítios piores e mais escuros e, por vezes, asssustadores, e eu a arrastá-la comigo, com ela sem saber o que me fazer. Mas também iam se sucedendo as pequenas esperanças, coisas que me mantinham de cabeça erguida e coração aberto. Faz um ano, parece que passou uma vida. Parece que foi ontem. Parece que ainda sinto um temor constante, um tremer interno que me impedia de viver (acontecem coisas estúpidas agora, como ouvir uma música que comecei a ouvir nessa altura e ela parecer-me completamente diferente, como se a não ouvisse toda ou tão fundo em mim), mas também parece que não se passou comigo: que não era eu. E, na realidade, não era. A Xana mudou-se, fruto de uma quantidade de circunstâncias, para minha casa no já relativamente perto do fim do pesadelo mas, no entanto, parece-me que ela sempre cá esteve, por muito que os factos me provem o contrário. Não tenho memórias de não a ter comigo, de estar sozinho: acho que, na verdade, nunca estive sozinho.
6 de abril de 2015
Finalmente
Descobri isto graças à Madalena, e não caibo em mim de contente: finalmente vou acabar de ler a trilogia do McCarthy, desta vez juntando o Billy Parham da Travessia e o John Grady Cole do Belos Cavalos.
30 de março de 2015
13
E eis que chego às treze vezes que vejo a minha banda preferida ao vivo. Acho que às vezes as pessoas não percebem a dimensão da coisa: vi os a tocar na íntegra, pela segunda vez, o Olhos de Mongol e, finalmente, o Casa Ocupada. Vê-los a tocar o Casa Ocupada, do princípio ao fim, equivale a alguém que seja fã ver os Nirvana a tocar o Nevermind, os Pearl Jam o Ten, os Sonic Youth o Daydream Nation e por aí fora. Agora sim, posso dizer que já os vi tocar as quarenta músicas da discografia (dois EP e três discos), mais umas cinco ou seis covers. Agora venham mais discos.
25 de março de 2015
Isto acaba por ser uma metáfora para uma quantidade de coisas que eu agora não tenho tempo nem paciência para explicar
Numa FNAC, algures sul, não conseguia encontrar um livro específico (degradante, para uma pessoa como eu) e lá fui perguntar ao rapaz de óculos de ângulos rectos que se encontrava empoleirado numa pata de elefante a arrumar livros de direito. O rapaz, simpático, encontrou o livro que queria sem grande dificuldade (estava atrás de outros, num sítio onde andei a ver, vergonha) e eu não pude deixar de demonstrar o meu espanto com o facto de não terem nenhum destaque às obras do Herberto Helder, nem sequer na poesia. A resposta dele foi sintomática: "ah, ainda não recebemos qualquer ordem lá de cima". E assim vai uma das maiores cadeias de livrarias (?) do país: um local onde morre o maior poeta vivo e não há qualquer homenagem à sua obra (eu já para nem falo de estarem a perder vendas...). Claro que mesmo que um dos livreiros se lembrasse de o fazer provavelmente seria admoestado por isso, agora cá a pensar pela própria cabeça, onde é que já se viu.
23 de março de 2015
Dos lobos
Tudo terá começado aqui:
Não me lembro com que idade vi esta peça da Disney, aqui numa maravilhosa versão narrada pelo David Bowie (existe uma versão portuguesa narrada pela Eunice Muñoz, embora na minha cabeça a narração era feita por um homem), mas tenho a certeza de que era muito novo e esta curta teve bastante impacto em mim, lembro-me de rever até a cassete ficar gasta e de ter medo, tinha medo disto, do Thriller do Michael Jackson e da derrotas do Benfica. Não deixa de ser curioso que, ultimamente, tenho conseguido encontrar, com bastante precisão, o motivo de certas situações ou lugares me trazerem um sentimento familiar, talvez a minha ligeira obsessão com os clássicos russos da literatura venha desta composição de Prokofiev.
E isto tudo para falar dos lobos, esse animal que tanto prezo e que sonho domesticar, tipo Jon Snow e o seu Ghost. Parece que não posso, diz que é ilegal. Talvez tenha um Husky, a seguir, se sobreviver emocionalmente à partida do meu cão.
Entretanto, comecei a ler isto, com expectativas demasiado altas para o meu gosto:
Uma reportagem sobre pastores e lobos, no interior português? Contem comigo. Estou a gostar, embora não tenha, para já, a riqueza literária de livros semelhantes como o Agora e Na Hora da Nossa Morte ou mesmo o Aleluia!. Mas até ver, e como tem o bónus dos lobos, vamos bem (tirando a parte do lobo ser um animal em vias de extinção).
Em termos de lobos nos livros, não podia deixar de mencionar esta maravilha:
Em termos de lobos nos livros, não podia deixar de mencionar esta maravilha:
Livro que muito prezo, e cuja primeira parte se centra na jornada do jovem Billy Parham até ao México para devolver uma loba que tinha capturado, depois de ter andado a sonhar com lobos. Se uma pessoa, para descrever o livro, utiliza a palavra lobo ou seus derivados mais que uma vez, então vamos no bom caminho. Sendo escrito pelo McCarthy, acho que conseguem desde já perceber que a coisa não vai correr pelo melhor na sua jornada. Toda a descrição da captura da loba, bem como dos seus movimentos, movimentações e instintos, são brilhantes. Sem querer entrar em terreno de spoilers, preocupei-me mais com o destino da loba do que de noventa por cento dos personagens de todos os livros que li. O McCarthy também menciona lobos noutras obras (com o Meridiano de Sangue à cabeça, claro), mas é neste que ele é mais forte e mais se alonga sobre o belo animal. "He said that men believe the blood of the slain to be of no consequence but that the wolf knows better. He said that the wolf is a being of great order and that it knows what men do not: that there is no order in this world save that which death has put there.”
O Sonhos e Comboios é um romance catita, pequeno, lê-se muito bem e, lá está, tem um lobo. Uma rapariga-lobo, "a creature God didn’t create. She was made out of wolves and a man of unnatural desires.", que depois se torna num lobo real.
Claro que um livro chamado Quando Os Lobos Uivam só podia estar destinado à grandeza: e é, sem dúvida, um livro do caraças. O linguajar das beiras pode provocar confusão a alguns mas não distrai da riqueza da obra (a passagem sobre a estadia no Brazil de uma personagem é dos melhores pedaços de literatura portuguesa que eu já li). Este livro tem lobos e dos bons, lobos da Beiras como deve ser. Mais uma vez, uma pessoa acaba por se afeiçoar ao bicho e depois já se sabe.
21 de março de 2015
20 de março de 2015
"Eu posso estar no escuro mas sei que as luzes se vão acender."
Foi em estações e comboios de um Portugal abandonado, num período de dois dias, em duas viagens, que li o Aleluia!. e gostei muito. Era agora que me daria jeito ter veia de crítico para esmiuçar a coisa, mas as minhas críticas são basicamente one-liners como não gostei, já li melhor, gostei, gostei muito. O livro para mim só peca por ser pequeno, podia ler muitas mais páginas sobre cada uma daquelas pessoas, pessoas que, provavelmente, debaixo de outra escrita não teriam o mesmo interesse, e é aí que reside, para mim, a melhor qualidade do livro.
18 de março de 2015
E eu que sou um gajo que aprecia o conforto do lar
Interrogo-me sobre que motivo é que pode levar um homem, à beira dos setenta anos, a percorrer uma estação de comboios praticamente deserta, perante o olhar confuso de um gato, vezes sem conta, para trás e para a frente, e sobre o que me leva, eu que o observo na mesma estação decrépita e pontilhada de poças, bem a sul, a largar o meu livro, Aleluia! de seu nome, e ficar a observá-lo tentando descortinar um sentido naquele movimento pendular, panamá na cabeça e chapéu-de-chuva baloiçante na mão esquerda, chega à passagem de nível, atravessa até meio, volta para trás, percorre a plataforma toda, ignora o gato (como é que se ignora um gato daqueles, a apanhar sol, de olhos fechados até sentir uma presença repetida, sentado num degrau de um casebre que já viu melhores dias), repete, ignora o gato, e o comboio chega e ele desaparece nas escadas que dão acesso à estrada principal, enquanto eu me sento numa carruagem onde sou o único passageiro português e não reformado, e volto a ler sobre pastores e cultos e louvores, acho que nunca tinha reparado nesse tipo de igrejas por esse Portugal fora, e, como nestas coisas o destino não brinca, jantei ao lado de uma igreja baptista, eu e o dono sozinhos no restaurante a ver o Barcelona, e eu a ver a bola e a sentir-me como o gato no degrau, só me apetecia abrir os olhos quando sentisse uma certa presença.
9 de março de 2015
Detectives Selvagens - 2- MEDO
Desta vez temos:
Poesia: Ana Rita Paiva; Pedro Miguel Dias; Ricardo Paião de Oliveira
Contos: A.L.P.; Elia Peattie (tradução de André Mendes); João Neves; Luísa Rodrigues; Madalena Serra; Paulo Maia; Paulo Rodrigues Ferreira; Tiago Côrte-Real
Poesia: Ana Rita Paiva; Pedro Miguel Dias; Ricardo Paião de Oliveira
Contos: A.L.P.; Elia Peattie (tradução de André Mendes); João Neves; Luísa Rodrigues; Madalena Serra; Paulo Maia; Paulo Rodrigues Ferreira; Tiago Côrte-Real
7 de março de 2015
6 de março de 2015
23 de fevereiro de 2015
O elefante na sala
A ler. "Nestas quase quatro décadas a viver para o oficio da escrita, António Lobo Antunes passou de um jovem, belo e promissor escritor a um homem envelhecido, descuidado com a sua imagem, como se aspirasse a fundir-se com o grotesco das suas personagens".
20 de fevereiro de 2015
Era fechá-los a todos em Évora
Quando passeio o cão costumo passar junto a uma casa em ruínas, diz que vai ser um museu ou coisa que o valha, isto a acreditar no cartaz que lá está há anos, cortesia da câmara de Cascais que deve seguramente estar à espera da fada madrinha ou algo do género para iniciar a obra. Junto à casa há um estacionamento (que, a julgar pela quantidade de pessoas que estaciona a ocupar dois lugares, deve ser o estacionamento mais complicado do mundo) onde várias pessoas, que vão deixar suas crias nas actividades lúdicas da sociedade recreativa, deixam os carros. Até aqui, tudo bem, nada contra, somos todos amigos. Agora, quando eu vejo um puto a sair de uma carrinha A4 e a atirar um pedaço de fruta meio comida para dentro da casa abandonada fico meio doente. Pior, a mãezinha ao lado e nada. No dia seguinte, enquanto passeava, vejo o mesmo carro. Fico atento quando vejo uma miúda a sair do carro e a ir depositar o lixo no contentor que se encontra a TRÊS metros do carro. Pensei que, vá lá, o mal é dos rapazes, enfim, o mundo não está perdido. Eis senão quando, no regresso, vejo o miúdo sair do carro, acompanhado da miúda e de um adulto, a receber da mão desse adulto um pedaço de fruta meio comida e a atirá-la novamente para dentro da casa, à frente do adulto, que, não contente, dá outro bocado de lixo à miúda que o atira também para dentro da casa em ruínas. Isto não era algo que eu esperava de alguém que até consegue acertar com a A4 dentro dos traços.
Só se te parecer bem
Uma pessoa parada à porta de uma loja de animais, repara num saco de comida parecido com o que costuma comprar para o seu excelso animal, bicho fino, bucho requintado, espreito mais de perto na tentativa de perceber o preço naquelas etiquetas de revista manhosa quando salta de dentro da lojinha um senhor de cabelo grisalho, apressado, a perguntar se precisava de ajuda e eu expliquei que estava só a tentar ver o preço, que geralmente mandava vir de Espanha. O que eu fui dizer. Filhos da puta dos espanhóis, filhos da puta, dizia ele, roubam-nos tudo, roubam, não roubam? E eu, roubam, roubam, e ele roubam tudo, e eu pois, obrigado, eu depois vejo na internet o preço e vejo se compensa comprar aqui, eu começo a andar pelo corredor e ele acompanha-me e diz, não, não, veja aqui no meu telefone, e eu não, não, estou atrasado, eu depois vejo, então veja mas não deixe que os filhos da puta dos espanhóis o roubem! E lá foi ele a falar sozinho de volta para a loja. Por acaso ele até tem razão, na loja dele é mais barato.
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