17 de fevereiro de 2015

Sim, se fosse com o Artur não me importaria à mesma

Não percebo o drama: uma marca escolhe fazer um vídeo humorístico (de mau gosto para alguns) e é o fim do mundo. Se a marca escolhe publicar algo que a pode prejudicar junto de uma parte do público, é lá com eles. Já a reacção do Bruno de Carvalho, mais uma vez a mencionar o glorioso, foi triste. Santa obsessão do homem, que complexo é esse com o maior de Portugal? Por mim a Sagres e a Superbock e o Champômi podem gozar com o Artur e com o Jesus e com o Lima e com Orelhas todos os dias, a toda a hora. Nenhuma marca que fizesse uma piada com o Benfica me faria deixar de consumir a marca ou ficar com um ódio visceral à marca. Se a piada viesse de uma instituição como a FPF ou a Liga ou a Sporttv, eu até podia perceber o drama, agora, aquilo é uma peça claramente humorística (que nem considero insultuosa...) de uma marca de cervejas. Sejam crescidinhos, lidem com isso. 

9 de fevereiro de 2015

4 de fevereiro de 2015

Walking in their shoes

Se há banda que tem covers bem jeitosas das suas músicas são os Depeche Mode:


Os Ghost têm um ambiente que combina bem com a música.


Quem conhece o original repara logo que falta ali o "down to the bone", no refrão. O Till, dos Rammstein, pára no "Let me see you stripped" porque, e isto é verídico, não conseguia dizer o resto. 


Versão muito apropriada e apreciada.


Aqui em versão do Johnny Cash, ainda melhor.


Para quem não conhece a discografia dos Moonspell isto pode ser uma surpresa, mas a influência dos Depeche Mode nota-se, especialmente no Sin / Pecado. 


Juntar Depeche Mode e Deftones é quase batota.


Quando os Smashing faziam cenas fixes.


Cover de um clássico por uma banda genérica do nu-metal. Ainda assim bastante bom.


3 de fevereiro de 2015

Da raça humana

Tens uma reunião com um potencial autor, indicas claramente os dados e ficheiros que precisas. Repetes. E repetes outra vez. E mais uma vez, só por via das dúvidas. Resultado: recebes metade do que pedes, e a outra metade vem incompleta. 

Isto


21 de janeiro de 2015

Espero que seja um até um dia, mas não me parece...

Como é que deixam isto acontecer? Espero que não acabemos como os vizinhos da segunda circular, fadados a festejar apenas o sucesso dos jogadores da formação lá fora. Dia triste para os benfiquistas no geral, e acredito que para o benfiquista Bernardo Silva em particular. 

14 de janeiro de 2015

It will be fun, they said

Uma pessoa quer que ela experimente o Destiny (já que pai e respectiva filha não falam de outra coisa, é preciso ter paciência para gente como nós) e ela, depois de alguma insistência (dois meses, vá), acede. E o resultado de alguém com um avatar feminino e nome marcadamente feminino no meio dos machos? Na falta de meios de comunicação convencionais, eles dançam e apontam e saltam à volta da primeira fêmea que apanham. Até recebeu uma mensagem de incentivo a dizer que ainda tinha "muitas horas pela frente para por a persona toda grossa e cheia de veias". É ver pelos próprios olhos.






E ela até nem se safa mal a jogar, no jogo propriamente dito.

12 de janeiro de 2015

Como é que isto me passou ao lado em 2014?


A banda nova do Cedric e do Omar dos At The Drive-In e Mars Volta.


É sempre bom descobrires uma banda porque a mesma acabou. O Bisonte.



Marmozets, Catita.


9 de janeiro de 2015

Um conselho

Se estiverem a jogar GTA V e quiserem ir buscar um copo evitem passar o comando à vossa namorada, acompanhando este gesto com frases como vá lá, é só enquanto vou a cozinha ou é só seguires a linha roxa tipo gps. O resultado é estares na cozinha e ouvires risos descontrolados, não perceberes porquê, e chegares à sala e olhares para a televisão e veres um rasto de caos e destruição que a senhora decidiu deixar na sua passagem, tendo havido, inclusive, alguns atropelamentos. Devia ter desconfiado quando ela perguntou como é que se acelerava mas não perguntou como se travava. 

8 de janeiro de 2015

Estar a pedi-las

Acho graça às pessoas que apontam o dedo aos jornalistas que morreram porque "estavam a pedi-las". Vão ler sobre o Estado Islâmico (ou outros grupos extremistas): todos nós, ocidentais, com as nossas crenças e estilos de vida, estamos a pedi-las. São feministas? Estão a pedi-las. Acham que por não usarem burca não estão a pedi-las? Temos pena, mas estão. Gostam de ir à missa? Estão a pedi-las. Vêem filmes e ouvem musicas americanas? Estão a pedi-las. Defendem o direito à livre orientação sexual? Estão a pedi-las. Gostam do Obama? Estão a pedi-las. São contra as decapitações e todos os crimes que os extremistas islâmicos levam a cabo? Estão a pedi-las. O terror chegou mais perto. Não pensem é que foi porque eles estavam a pedi-las.

7 de janeiro de 2015

Gentleman, start your wallets

Ora bem, três concertos seguidos a tocar álbums na íntegra (faltam-me ver duas ou três músicas do Casa Ocupada e do Marsupial para ter visto toda a discografia ao vivo...), acompanhados de respectivas reedições dos esgotadíssimos Olhos de Mongol, Linda Martini e Marsupial (em vinil e CD, ainda por cima). Receber uma notícia destas logo pela manhã é coisa para conquistar logo um homem para a vida. Ainda por cima, já vi que o Bebé foi emprestado ao Córdoba. Está a ser um bom dia, até agora.

2 de janeiro de 2015

E eu achava que o nosso presidente era mauzinho...

Toda esta novela do Bruno de Carvalho / José Eduardo / Marco Silva faz nos pensar que podíamos estar bem pior.

31 de dezembro de 2014

2014

Nunca recebi tão poucos desejos de bom natal e ano novo, não me cortei a embrulhar três mil, quinhentos e vinte e nove livros, não almocei pó e jantei cansaço, não vivi com o risco de morrer soterrado em pilhas dos vários volumes das Cinquenta Sombras de Gray, mas senti uma falta tremenda disto tudo, especialmente dos meus livreiros, só dos meus, dos outros nem por isso, só faz falta quem cá está e o meu coração não dá (nunca deu) para todos. Perdi amigos. Perdi uma livraria. Perdi um avô. Ganhei uma nuvem negra que me parece acompanhar mas tenho lidado (quase sempre) bem com isso, com a ajuda certa. Perdi a vontade de fazer prognósticos para dois mil e quinze. Apenas dois desejos: saúde para mim e para os que nunca me abandonam. E se eu, às vezes, faço por isso. Tive a sorte dela ter aceitado partilhar uma casa e uma vida comigo, quando claramente eu não sou nem fui a melhor das companhias este ano. A Catarina cresceu mais um ano, está uma adolescente, não há volta a dar. Escrevi algumas coisas este ano, pouco no blog, parece que cada vez menos consigo escrever. Às vezes leio textos antigos meus e parece que foi outra vida, não me sinto capaz de escrever assim outra vez. Sei que isto não parece mas isto é um texto positivo: estamos a ultrapassar tudo, juntos, e eu desejo um feliz dois mil e quinze para todos os que passam por aqui, espero que para vocês, como para mim, seja um ano com um balanço positivo. Haverá novidades para breve. 

28 de dezembro de 2014

PSN, PSN...

Uma pessoa recebe a filha das garras da mãe e a PSN não funciona durante três dias, ou seja, não há jogos online para ninguém. A rede da Playstation foi atacada por hackers (sem comentários) e os engenheiros da Sony estiveram três dias para resolvar o problema. 


Apesar do transtorno, o facto da rede ter estado em baixo durante tanto tempo deu para unir as pessoas.


Já a Xana dizia que a rede ia voltar no dia em que ela voltasse dos Açores: acertou em cinquenta por cento. A rede voltou, mas ela não, por problemas de aviões e coisas que tais (que, como sabem, eu aprecio muito mas à distância e no chão). Já que não tínhamos rede, aproveitei para apresentar a Catarina ao inesquecível e indispensável mundo do Indiana Jones, algo que recomendo a todos os pais de crianças de onze anos. 
Agora a rede voltou e a Catarina já pode aterrorizar os viciados pelo mundo fora. Imagino se eles soubessem que era uma rapariga de onze anos que lhes fazia isto;



Feliz natal e boas festas. Com sorte temos um balanço do ano que passou. Ou então vejam um vídeo acima, sendo que a Catarina representa 2014 e os dois gajos lá do fundo sou eu).

19 de dezembro de 2014

15 de dezembro de 2014

Agruras de um pai de uma semi adolescente

Encontrar isto na porta, enquanto ela arruma o quarto:


E depois, entrar e encontrar isto:


Os One Direction ainda tolero, agora o Justin Bieber? Deus nos ajude a todos. 

Agora sim, terminam os concertos em 2014


Tenho, por vezes, dificuldade em perceber o que eu fiz de bom para merecer este tipo de coisas: além de me ter feito a surpresa com os bilhetes ainda se arrastou comigo para o Garage, para ver quatro (só vimos três, graças à facilidade de estacionamento em Alcântara...) bandas portuguesas que ela nunca sonhou em ver (ou tem facilidade em tolerar, vá). E ela aguentou, estoicamente, e gostou um bocado de More Than a Thousand de tudo. Já eu, gostei bastante e fiquei com a certeza de que eu e os meus amigos, há dezassete anos atrás, éramos gajos para termos tido aqui o concerto de uma adolescência, e eu bem vi na cara de alguns adolescentes que foi isso que aconteceu,

Estas demonstrações de espírito natalício emocionam-me


7 de dezembro de 2014

Serviço público


A Cotovia reeditou, finalmente, os clássicos de Homero na colecção de bolso. Maravilha.

5 de dezembro de 2014

Ainda dos concertos

Acho que este ano foi o melhor ano de concertos da minha vida: Arcade Fire, Black Keys, Arctic Monkeys, Linda Martini (só duas vezes...), Paus (duas vezes), Dead Combo (duas vezes), Diabo na Cruz (duas vezes) Parquet Courts, Libertines, Vicious Five, You Can't Win Charlie Brown, Filho da Mãe... Apesar de, claramente e para minha tristeza, faltar metal neste ano de concertos, foi um ano do caraças. Ainda vou a tempo de arrastar a Xana para More Than a Thousand no Garage, para acabar de vez com a audição e paciência dela. Outra coisa curiosa e que muito, muito me orgulha é que vi pelo menos onze concertos de bandas portuguesas. Cheguei ao décimo concerto de Linda Martini, num concerto mais curto que o habitual mas com uma setlist adequadíssima, o segundo concerto que vejo deles na ZDB, depois de dois no Ritz e outros seis em sítios tão variados como o CCB, Lux ou o Dolce Vita Tejo. Para o ano já sabemos que vai haver Muse, agora, senhores promotores, é trazer cá bandas do metal, se faz favor. Ainda me falta ver Iron Maiden das bandas clássicas e isso não pode ser.


Almas penadas


Foi ali, na primeira fila, que tivemos a sorte de assistir a este concerto, Xana de um lado, Catarina do outro. A Catarina ficou com uma baqueta do Alexandre Frazão, generosamente apanhada por uma senhora que, vendo a excitação da criança em apanhá-la, fez a gentileza de lha dar. Foi um concerto diferente do outro que vimos no Coliseu (dessa vez em que ficámos no palco). Não consigo dizer de qual dos dois gostei mais: a setlist foi mais variada neste, mas acho que a anterior me enchia melhor as medidas. Neste estávamos mais perto deles, no outro a dimensão da plateia era, talvez, dez por cento desta, muito mais intimista. Ontem tivemos um anão, instrumentos de sopro, cordas, percursão, teclas, vários músicos, até voz. No anterior eram apenas os dois. Acho que nos posso considerar sortudos por termos visto os dois. 

3 de dezembro de 2014

O Natal é quando chega o carteiro


Assim também eu

Está um gajo a falar na opinião pública da SIC, todo pomposo "ah e tal eu represento a empresa X que duplicou a faturação e agora vendemos para X países e etc". Pena é ele esquecer-se de mencionar que só contratam pessoas elegíveis para estágios do IEFP. E que um ano depois contratam outras pessoas elegíveis para o mesmo estágio. E por aí em diante.

28 de novembro de 2014

O dia porque todos* esperávamos


* por todos quero dizer os geeks como eu.

13 de novembro de 2014

Meu querido Ofício Cantante

O que raio é isto?


Porquê a mudança de nome? Porque não na Assírio? 

Separados à nascença



Isto vindo de quem tem o querido líder como presidente do clube tem ainda mais piada.

10 de novembro de 2014

Sempre a bater no ceguinho

Gente idiota que fala em "golo anulado" ao Nacional. O árbitro apita antes (e mal, tão mal tirado esse fora-de-jogo) e os jogadores do Benfica deixam de se fazer ao lance. Não é um golo anulado. Na primeira parte deixaram passar um fora-de-jogo de um metro ao Nacional: se tivesse sido golo queria ver o que diziam as virgens ofendidas que agora reclamam. Já no golo anulado (este sim) ao Montero, o Slimani faz-se ao lance. Não percebo a dúvida dos sportinguistas. O Tozé, jogador do Porto emprestado ao Estoril, por precaução, não devia ir acima de Leira durante os próximos tempos: parecendo que não as rótulas dão jeito a um jogador de futebol. 

Pelo sim, pelo não, não me vou ligar à rede do restaurante


O recrutamento nas imobiliárias deve ser muito exigente

Boa tarde, estou a falar com o senhor Ricardo?
Sim.
Quer então marcar uma visita ao imóvel?
Visita? Não, eu não selecionei a opção "marcar visita", escolhi "pedir informações", apenas quero saber a morada.
Ah, não, a morada não damos.
Ok, nesse caso obrigado, mas não estou interessado em marcar uma visita sem saber a morada. Boa tarde, com licença.
Mas... Eu digo-lhe onde é, mais ou menos, Mas porque interessa a morada?
Mais ou menos já eu sei, interessa-me a morada porque não quero perder o meu e o seu tempo a marcar visitas a um imóvel que é numa rua que não me interessa.
Ah... Então este é numa praceta fechada, não lhe deve interessar... Vou enviar para o seu mail mais imóveis para ver.
...
Dois dias depois...
...
Oi, estou a falar com o senhor Ricardo? Fala X da imobilária Y. Viu os imóveis que enviei?
Vi, e como respondi no mail, não estou interessado.
Mas... Não tem pressa?
Alguma.
Então e não quer nenhum daqueles?
Não, obrigado.
Mas não tem urgência?
... Alguma, sim.
E não quer nenhum daqueles? Tem movimento, são bem localizados!
Não, obrigado, nehum dos imóveis está dentro do que pretendo.
Mas viu as fotos?
... Claro.
Ah, viu as fotos... Então e não quer nenhum?
... 

6 de novembro de 2014

Drugs are bad, hmmmmkay?



Não podia estar mais de acordo

Prémios PEN para as obras publicadas no ano de 2013, com o apoio da DGLAB
POESIA:
Gastão Cruz, Fogo (Assírio & Alvim), ex-aequo com Golgona Anghel, Como uma Flor de Plástico na Montra de um Talho (Assírio & Alvim)

NARRATIVA:
Ana Luísa Amaral, Ara (Sextante), ex-aequo com Bruno Vieira Amaral, As Primeiras Coisas (Quetzal)


Tenho os livros do Gastão e da Golgona com dedicatória, agora o Bruno não se pode cortar.

Tenho uma mini Chagas Freitas em casa (ou Deus castiga)




Vencedor das parabenizações via facebook


5 de novembro de 2014

.34

Não deixa de ser irónico que os trinta e três anos, com todas as piadas da idade de Cristo, tenham sido um calvário e o ano de uma crucificação. Mais do que reflectir sobre questões existenciais ou erros passados, acho que tenho de me sentir eternamente agradecido às pessoas que se mantiveram do meu lado. Não sou uma pessoa fácil quando estou bem. Em estando mal, torno-me insuportável. No entanto, há pessoas que, ainda assim, vão ficando e partilhando os momentos de felicidade e infelicidade. Portanto, hoje, no dia cinco de novembro de dois mil e catorze, aos trinta e quatro anos, sou uma pessoa grata pelas pessoas que se vão mantendo ao meu lado. Espero que sejam, um dia, de alguma forma, compensadas por todas as chatices que eu vou dando. E pelo chato que vou sendo. Eu é que faço anos, mas é a Xana que está de parabéns: sem ela não estaria de pé, hoje. E mais do que estar de pé, estou a caminho de coisas boas e cheias de livros. Alguns deles do Chagas Freitas, até. Uma pessoa tem de fazer pela vida, tenham paciência.

4 de novembro de 2014

Depois não me venham com a tanga do comércio tradicional

Gosto de comprar os meus discos e livros em locais físicos, só recorro à internet em caso de necessidade. Embora não faça grande questão em optar pelo comércio tradicional em detrimento de grandes cadeias, gosto de comprar em lojas de rua. Geralmente a minha decisão baseia-se no tipo de disco que procuro e na proximidade do espaço em si, seja o espaço de que tipo for. Ainda assim, prefiro comprar na Louie Louie do que na FNAC, às vezes estamos a falar de um preço mais alto, mas é gente porreira que percebe de música, algo que, para mim, é essencial. A questão é que, nesta última visita, a oferta de discos novos estava muito, muito fraquinha. Acabámos por não comprar nada e decidimos ir a outra loja de discos, ignorando a FNAC. Ora, nessa loja de discos fui confrontado com a má cara e má vontade de um dos donos do sítio. Primeiro, numa resposta típica do "isso não existe", sendo o "isso", isto. Que, incrivelmente, existe, eu que gosto tanto de inventar discos e bandas afinal estava a falar de um artigo real (ainda para mais quando lá tinham três eps da banda em questão.). Depois, ao perguntar por outra banda a resposta foi um simples e seco não. Só assim. Não. Não vamos procurar no sistema ou na internet ou no catálogo do fornecedor, saber se podemos encomendar. Nada. Uma vez perguntei por uma banda na Louie Louie e saí de lá com quatro discos encomendados. Já nesta loja o negócio deve ir muito bem para perder vendas assim. O resultado? Fui ao sítio menos provável, pelo menos para mim, para comprar discos: o El Corte Inglés. Nunca pensei comprar discos lá, mas, para meu espanto, a oferta era razoável e os preços, de longe, os melhores e onde o gajo engravatado da caixa ainda mostrou o seu apreço pelas obras em questão, apelidando as mesmas de clássico e elogiando as reedições que tinham à venda. Sendo assim, vieram três para casa (serão para prendas de anos, as pessoas são muito pacientes para comigo). E isto podia ter sido resolvido numa loja de rua, de comércio tradicional, não fosse a má vontade do homem. Quando trabalhava no atendimento, e num estabelecimento que não era sequer meu, eu esforçava-me por deixar satisfeito cada um dos meus clientes. De preferência que saíssem com um ou mais livros na mão. Mas, mesmo que não levassem nada, que deixassem uma encomenda, que descobrissem o livro que estavam à procura (mesmo que comprassem noutro lado).  É o mínimo. Resultado; não só não lá volto como não mando lá mais ninguém.

(acho que ela quando me oferece estas coisas se esquece de que depois vai ter de ouvir os mesmos até à exaustão)



"José Rodrigues dos Santos, escreve sobre física quântica como se estivesse a falar com a sua avó"

Daqui. Eu se escrevesse um livro como se estivesse a falar com a minha avó havia de ser giro: às vezes, quando estou a falar com ela, ela ignora o facto de eu estar a falar e diz à minha mãe que não percebe o que eu digo, tendo chegado, uma vez, a dizer que parecia que eu falava espanhol. Força Zézinho, continua a mandá-los cá para fora que o mundo das livrarias bem precisa.

31 de outubro de 2014

Granta IV

Duzentas e vinte e três páginas depois, apenas tenho duas palavras para vocês: Taiye Selasi.

Gozamos com o Jesus mas...


O homem tem razão. O homem é criticado quando dizem que é o treinador do quase, que chega às grandes decisões com bom futebol mas depois não ganha. Agora, que ganhou quatro competições nacionais num ano (mais uma final europeia...) também criticam o homem e dizem que os troféus não são tudo. Em que é que ficamos? Como é que o Klinsmann ou Van Gaal ali estão? E o Mourinho que não ganhou nada na época passada? Para mim és o maior Jesus. A não ser que voltes a fazer a merda que fizeste em Braga e contra o Sevilla. Substituições: elas querem ser usadas.

E o resto é paisagem




29 de outubro de 2014

Vergonha

No século XXI, censura deste nível? Os graffiti estão aí, nas ruas, para serem vistos. O autor da peça não fez os graffitis. O director do ICS diz que é de "mau gosto e uma ofensa a instituições e pessoas que eu não podia tolerar". É, é isso, porque tudo o que os visados fizeram ao país nos últimos anos foi maravilhoso. 


27 de outubro de 2014

Ciclovia na marginal

As pessoas nunca, nunca, nunca estão contentes: se há loucos que querem fazer uma ciclovia na marginal (sem comentários), há os que acham uma abominação uma ciclovia no paredão que liga Cascais a S. João do Estoril. Nada contra os ciclistas, muito pelo contrário, mas uma ciclovia na marginal não faz qualquer sentido: estamos a falar de uma estrada fulcral no acesso às localidades da linha (a alternativa é uma A5 paga...) com bastante tráfego. Ainda assim, pior do que ciclistas fanáticos ou automobilistas retardados (daqueles que ao ouvirem falar em bicicletas conseguem disparar alarvidades a um ritmo impressionante) só mesmo as pessoas que andam a pé pelas ciclovias com a maior calma do mundo, não dando prioridade nem respeitando as bicicletas. A ciclovia que passa na Duque de Ávila é o paradigma disto: um passeio com largos metros de comprimento e onde andam as pessoas? Na ciclovia. 

Brains for dinner, brains for lunch, brains for breakfast, brains for brunch

Ela, por ordem alfabética de autor, depois poesia e bolso. Ele, poesia, russos, bolso, europeus, sul-americanos, americanos, portugueses, humor, divulgação científica. Quem tem mais livros? Ela, de longe.

Post patrocinado

A Multiopticas ou a Optivisão que se cheguem à frente: alguém ofereça uns óculos de ver ao perto ao Jorge Jesus. Talvez assim ele olhe para o banco e consiga ver que tem jogadores que podem e devem entrar no decorrer de um jogo. Parecendo que não, jogar contra os maiores caceteiros da liga portuguesa e arredores é coisa para deixar uns gajos cansados. Junta-se a isto o facto de o Sálvio não estar a jogar nada e talvez, talvez, fosse boa ideia fazer substituições. 

24 de outubro de 2014

"Novos" escritores portugueses

"Novos". Não vou pela questão da idade (quarenta e três do Afonso Cruz e cinquenta da Dulce Maria Cardoso), mas chamar "novos escritores" a um gajo que tem alguns vinte livros e a uma autora com vários livros premiados é esticar um bocadinho a coisa. O resto parece-me tudo muito bem e merecido. Ainda não li o Afonso Cruz (gajo que considero porreiríssimo e que parece que não se safa mal) e sou fã da Dulce, portanto, tudo de bom para eles e tudo e tudo. Agora náo me lixem e digam que são "novos" escritores. Cromos.

23 de outubro de 2014

Sabes que a tua namorada é dos Açores...

... quando vai comprar uns bilhetes à Flur e diz que está "a passar à frente daquela casa azul dos comboios". Ou Santa Apolónia, para os entendidos.

22 de outubro de 2014

Apocalypse, please

Um miúdo, depois da morte do pai e do desaparecimento da mãe, viaja da sua terra natal (Cachoeiras de Macacu) com uma almofada, um edredon e um livro, Enciclopédia Prática da Mágica e do Ilusionismo. Não sabe ler, mas quer fazer magia com cartas. Viveu durante uns dias numa árvore em Higienópolis, São Paulo. Foi encontrado pela mãe (que não tinha desaparecido, ao contrário do relato do miúdo). Andam gajos a inventar personagens para os seus romances e depois acontecem coisas destas na vida real.
Está demasiado calor para a época, já está toda a gente cansada de ouvir isso. A questão que me incomoda é uma neblina densa e escura que paira desde ontem sobre Lisboa, uma neblina que não me deixa ver o rio e o mar e o horizonte sequer. Segundo as medições, a qualidade do ar ontem era "fraca" (a segunda pior numa escala de cinco). Não vislumbro nenhum incêndio nos arredores, Sintra parece estar limpa. Estará a poluição assim tão alta?
Ainda há pessoas que não deixam tudo para a última hora: já recebemos um texto bastante jeitoso para novo número da revista Detectives Selvagens. Os restantes coninhas que se cheguem à frente agora.
Oeiras não tem comércio de rua. Ou então o comércio de rua em Oeiras é tão bom que não há lojas livres para alugar. Ainda não consegui perceber.
O novo álbum de Slipknot é surpreendentemente bom, mas estou mais viciado no novo de OFF!, e isto está tudo só a fazer tempo até ao novo de Machine Head.
Estou aqui estou a fazer anos, inserir aqui depressões e piadas relacionadas com o avançar da idade (e o recuar do cabelo).
Uma livraria só com livros de ficção e poesia é uma ideia estúpida não é? 
Diz que sim.

20 de outubro de 2014

OCD

Por falar em agenda literária, ainda não toquei na Granta. Para quem é ligeiramente obsessivo-compulsivo isto mete-me nervos:


Parece que o trineto do Eça ganhou o prémio Leya

O vencedor (e os finalistas) do prémio Leya não costumam fazer má figura. Darei uma vista de olhos quando o livro sair e a minha apertada agenda literária o permitir.

15 de outubro de 2014

Uma pessoa sai de Lisboa dois dias

E é inundações por todo o lado, a Jéssica Athayde a ser chamada de gorda, Portugal a ganhar um jogo, está tudo louco. Deixei o cão no hotel e juro que só pensei nele uma vez... A cada dez minutos. Pelo estado do pêlo parece que ele apanhou a chuvada da vida dele. A senhora do hotel abriu-lhe a porta da box e ele saiu disparado a correr, primeiro enfiou-se debaixo das minhas pernas, depois desatou a correr pelo meio das outras boxes, colocando todos os cães no raio de um quilómetro a ladrar como se não houvesse amanhã. Depois foi a mini odisseia de enfiá-lo no carro: de um dia para o outro ganhou uma aversão a entrar no meu carro. Talvez não goste porque cheira a cão...

10 de outubro de 2014

First world problems

Queria jogar Destiny com pessoas conhecidas mas ainda nenhum dos meus amigos viciados tem PS4.

9 de outubro de 2014

Triforce


Já não falta tudo

Por falar em literatura

O Retrato do Artista, do Joyce, já foi atirado para trás das costas, é quase um crime tê-lo na estante ao lado do Ulisses. Depois da travessia no deserto que foi o livro, ler os ensaios / crónicas  do David Foster Wallace é regressar ao prazer de ler, poder encontrar tiques e marcas do autor que me lembram o Piada Infinita. Este ano sai o Pale King, o romance incompleto. Embora seja contra este tipo de edições (pelo menos na maior parte dos casos...), parece que vou ter de dar uma vista de olhos.

Uma pessoa acha que se dizem barbaridades nas caixas de comentários de notícias de futebol

As de notícias da literatura não lhe ficam atrás.

8 de outubro de 2014

Pessoal que está a dar convites para a Ello

Lanço-vos um apelo: se conhecem pessoas que nas redes sociais:
- Colocam imagens manhosas com frases ainda mais manhosas
- Acham que o Fernando Pessoa disse realmente aquelas merdas
- Partilham coisas como "a tua mãe é a melhor coisa do mundo, dá um gosto se concordas, ignora se a queres ver a arder no inferno para toda a eternidade"
- Colocam citações partilhadas da Chiado Editora
- Partilham "frases inspiradoras" do Pedro Chagas Freitas (ou entram nos cursos dele ou têm o mínimo contacto com ele)
- Gostam e comentam SOZINHAS as próprias publicações
Por favor, não as convidem. Não estraguem aquilo aos homens, com gente assim aquilo não vai lá.

Nobel da Literatura

Não se excitem, é só amanhã. Mais uma vez o Murakami está no topo das apostas, uma escolha que acho que não choca ninguém. Se dessem ao Kundera também ninguém se chatearia muito. Já ao Roth, por ser um americano, ficaria surpreso. Depois aparecem aqueles nomes que evidenciam a nossa ignorância: Ngugi Wa Thiong'o, Svetlana Aleksijevitj e Adonis (?!), tudo nomes que aparecem bem cotados nas casas de apostas. Andam por lá também os crónicos candidatos Margaret Atwood, Don DeLillo, Amos Oz, Tommas Pynchon. Só há dois nomes que me fariam festejar efusivamente como se uma vitória do Benfica se tratasse: Cormac McCarthy e António Lobo Antunes.

6 de outubro de 2014

Serviço público

Nove minutos do meu jogador preferido ainda em actividade. O maior.


2 de outubro de 2014

Dois anos

"ah e tal tu és um cabrãozinho, ah e tal ela é nova, ah e tal assim que ela perceber como és põe-se a milhas, ah e tal...", dois anos depois, cá estamos, as pessoas gostam muito de arranjar problemas onde eles não existem, de julgar pela superficie e de prever fins e desastres. Nada a que uma pessoa não se habitue. Dois longos anos, com mudanças a nível pessoal e profissional, algumas delas complicadas, e cá estamos, os quatro (coitada dela que ainda levou com uma semi-adolescente a cair para o insolente e um cão peludo de proporções mastodônticas por arrasto), para o que der e vier. Ela chateia-se com as respostas da Catarina e a sua tendência irreprimível para a irresponsabilidade típica da idade, enerva-se com os pêlos do Link por todo o lado, passa-se quando ele pousa a cabeça na mesa enquanto estamos a almoçar, mas, no fundo, acho que ela não trocava nada disto. Acho eu. Se calhar é melhor não perguntar. E uma coisa muito importante, nestes dois anos o Benfica ganhou quatro troféus e foi a duas finais europeias. Se isto não é uma relação de sucesso não sei o que será. Obviamente que ela merece o céu por me aturar. 

1 de outubro de 2014

Será medo, então


Ganhou o Medo. Agora quero ver o que é que estas mentes iluminadas vão escrever. Agora é que é a sério.

29 de setembro de 2014

O facebook como angariador de jantares grátis

Primeiro foram os banhos públicos, agora são as fotos de criança, as pessoas não conseguem arranjar mais desculpas para tentar extorquir jantares a outros? É tanto o desespero para um jantar grátis? E quantos desses jantares serão realmente pagos? Porque é que não mudam o texto para "eu decidi meter fotos minhas de criança porque era muito mais gira do que sou hoje e então arranjei aqui uma desculpa esfarrapada de um jantar ou não sei quê, mas isso agora pouco importa, vejam como era fofa"? Posso dizer, orgulhosamente, devo acrescentar, que ninguém me nomeou para uma ou outra coisa. Adoro vocês, gente não parva.

25 de setembro de 2014

Lu

Arrastaram-me para casa da minha mãe para receber uns sofás: a minha avó já vai com noventa e dois anos, coração fraquinho da perda recente do companheiro de uma vida, com uma audição terrível e, calculo eu, pouco dada a pagamentos em multibancos portáteis e coisas que tais. Lá fui eu, era para receber uns sofás mas acabei por redecorar a sala da minha mãe, tipo querido mudei a casa mas sem as teorias esbracejantes do Gustavo. Por motivos de razões e em virtudes de compromissos tardios algures pela vila de Cascais, durante a noite, acabei por ficar lá a tarde toda. Parece, cada vez mais, que serão as últimas tardes com a pessoa que me criou até ir para uma creche, aos dois, três anos. Ela diz constantemente que, se soubesse o que sabe hoje, teria-me estrafegado o pescoço. Não percebo bem porquê, mas a reacção das pessoas é geralmente acenar com a cabeça e dizer "hm, hm", num tom compreensivo, algo que eu compreendo ainda menos. Ela já não tem qualquer filtro: diz as coisas às pessoas, às vezes coisas mázinhas, às vezes embaraçosas ("tens o cabelo assim como o William de Inglaterra"), com a maior das naturalidades. Contou-me que ficava nervosa de ficar comigo em bebé porque sofre dos nervos e porque eu tinha muitas convulsões. Pensei que era por ser um bebé extremamente giro, diz que até me confundiam com uma menina. Isto aparentemente é um elogio. Ela vai puxando pela memória e, sem dificuldade nenhuma, vai contando histórias da minha mãe, do meu tio e do meu avô, histórias de filhos perdidos e dos primeiros tempos de casada, quando, a sortuda, morava na rua do Alecrim. E acaba por ser incrível perceber que uma pessoa que se enerva, desde que a conheço, com as mais pequenas coisas, que tudo e o seu contrário lhe fazem confusão, esta pessoa passou por certas coisas e descreve-as com uma segurança e uma força que lhe fogem da voz quando fala normalmente. Resta-me aproveitar e ouvir.

Isto é uma piada, certo? Engraçadinhos, estes gajos.



23 de setembro de 2014

They don't love you like I do, but I don't know you like them, they don't love you like I do, they love you better, I know you best

Estou com sérias dificuldades em acabar o Retrato do Artista Quando Jovem, uma dificuldade de uma dimensão com a qual nunca me tinha deparado enquanto leitor, devia pegar noutro livro e ir terminando este, mas nem sei bem o que vou ler a seguir, estava a pensar num Aquilino mas é melhor estar quieto, o Submundo está a chamar-me há demasiado tempo, o Demónios também, depois tenho as crónicas do DFW, a abundância de escolha dificulta tudo (vide as mulheres no clássico não tenho nada para vestir).

19 de setembro de 2014

Devia ser proibido

Os sites de venda de imóveis não terem a morada dos imóveis listados. Que não tenham fotografias do exterior ainda se deixa passar... Uma pessoa vê um imóvel que até agrada, perto de tudo e mais alguma coisa segundo os anunciantes, mas depois vai-se a ver e é por trás do sol posto atrás de um terreno baldio virado para uma lixeira. Tempo é uma coisa que não assiste a muita gente? E sabem o que acontece por os anúncios não terem a morada? Perde-se o tempo, o que, parecendo que não, é chato porque o tempo não volta. Nem o tempo, nem a paciência. Pior que isso, só gajos que pedem valores por metro quadrado na zona da Parede como se estivessem no Chiado. 

18 de setembro de 2014

Tema do próximo número da revista Detectives Selvagens

Pela primeira vez vamos ter um tema fixo para a revista. Podem votar aqui. Agora é que eu quero ver no que isto dá.


17 de setembro de 2014

Last of Us, a Estrada, o medo



Ando a jogar o The Last of Us. Ando mais ou menos, na verdade quem passa mais tempo com o comando é a senhora que me ofereceu a edição especial do jogo, eu, como bom homem, sou chamado a intervir nas situações mais complicadas. Talvez por poder observar durante alguns períodos de jogo, essencialmente de exploração, tem sido uma experiência diferente ao nível dos videojogos: consigo pensar em coisas que, se estivesse concentrado a jogar, talvez não pensasse. Ao passear pela paisagem desoladora do jogo não consigo deixar de traçar diversos paralelismos entre este jogo e a Estrada, do Cormac McCarthy: a sensação de abandono e, muitas vezes, de desespero, atravessam ambas as obras (o jogo é uma obra de arte, lidem com isso), o facto de viajarmos por um cenário pós-apocalíptico acompanhados de um menor (o filho no livro, aqui uma rapariga) e o encontrarmos grupos de sobreviventes com más intenções são também pontos em comum. A Time colocou um fotógrafo de guerra a jogar o jogo (este tem um modo de fotografia que podemos usar a meio da acção) parar tirar umas fotos do jogo e o homem sentiu-se desconfortável no papel do protagonista, pela violência das acções dele, e não conseguiu jogar mais, teve de pedir a um colega que jogasse por ele, o mariquinhas. Nos longos períodos que passamos a explorar não consigo deixar de pensar no livro do McCarthy, nas relações entre as pessoas, na confiança que devemos depositar ou não em quem nos rodeia, em como seria triste um mundo pos-apocalíptico sem coisas essenciais como jogos do Benfica. Quando recebi o jogo pensei que ia passar o tempo a disparar sobre hordas de zombies. Não podia estar mais enganado. Os zombies não são sequer a maior ameaça: servem, aliás, para tornar o jogo mais leve. As cenas mais violentas e que mexem mais connosco são as que se passam entre os humanos sobreviventes. Conheci pessoas que só gostavam de jogar “jogos de tiros”, como muita gente os apelida, se os inimigos fossem máquinas ou seres extra-terrestres ou zombies. Tudo menos humanos. Confesso que na altura ficava algo perplexo. Hoje em dia, e tendo sempre em mente a máxima “isto é só um jogo”, consigo perceber bastante bem a perspectiva deles. Para mim não existe uma linha que devamos traçar em termos de violência e terror numa obra, seja de que género for: depois cada um é livre de escolher o que faz com a obra. Até ignorá-la. 


OOTD


Trinta e sete. O bicho calça o trinta e sete.

16 de setembro de 2014

Detectives Selvagens, número 1




Parece que foi ontem que saiu o número zero. Uma pessoa sente-se estupidamente paternalista com estas coisas. Ora bem, desta vez os ilustres convidados / participantes são:

Poesia: Júlio Ávila, Sofia Soares e Alexandre Carlos Mazony
Prosa: Madalena Serra, Diogo Serra, Jaime Lencastre, Inês Costa, Francisco Vilaça, Tiago Corte-Real e Marco Martins
Fotografia: Isabel Alves

Podem ler / sacar a revista aqui:

Revista
PDF
Goodreads

Foi, mais uma vez, uma mini-aventura. Já não sei como agradecer mais a esta gente toda. São os maiores.

A pré-adolescência tem coisas boas

O não querer saber da Violetta para nada é uma delas.

15 de setembro de 2014

Carrega

Uma pessoa pede vinte orçamentos, recebe um como resposta. Espectáculo. Ninguém deve precisar de negócios em Portugal. Quando eu recebia um pedido de orçamento respondia imediatamente a acusar a recepção do mesmo e a indicar o tempo que demoraria a dar o orçamento. Achava que era o mínimo. Aparentemente não. E isto enerva-me. 

12 de setembro de 2014

Ano escolar novo, vida nova

Hoje foi o dia de apresentação da criatura na nova escola. Mais do que a mudança de escola, entre o quinto e o sexto ano, preocupa-me a mudança do particular para o público. Está numa turma pequena, ponto positivo, tem sete repetentes, ponto negativo. Por um lado está mais perto da casa do pai e trabalho da mãe, por outro mais longe de casa da mãe e de casa das tias. A escola fica sempre bem classificada nos rankings. Tenho boas referências. Gostei do director de turma, as auxiliares de educação são o mais cliché possível, no bom sentido. Segunda começa a sério, vamos lá ver. 

VFNO, já ganhou

Numa reportagem da TVI: "parece que estamos numa capital qualquer europeia, acho óptimo".

11 de setembro de 2014

Novo selecionador

Mas porquê a insistência em gajos como o Fernando Santos e o Jesualdo? Ok, foram campeões... Pelo Porto, clube onde o Vítor Pereira foi bi-campeão. Não me lixem. Qualquer equipa de ambos é um grande bocejo no que toca ao futebol jogado. Alguém viu a Grécia a jogar no Mundial? Pois. E o Benfica de Fernando Santos? Era sofrível. O de Jesualdo... Sem comentários. Jesualdo e Fernando Santos no Sporting? Não vou comentar para não acharem que estou a gozar com os sportinguistas. 
Se fosse eu a mandar, primeiro que tudo, proibia o 4-3-3 na selecção. Ou o 4-5-1. Depois de termos um 4-4-2 à Jesus de 2014 ou à Jesus de 2010 como obrigatoriedade, era escolher um gajo que tivesse estaleca, não um gajo que fizesse adormecer plateias às primeiras sílabas. Porque não um estrangeiro? Deve haver aí uns desempregados jeitosos. Não há um gajo tipo Jurgen Klopp por aí disponível? 

Rejubilai, Paulo Bento foi à sua vida.

"A Federação Portuguesa de Futebol comunica que hoje, 11 de setembro, termina o vínculo contratual de Paulo Bento com a FPF e ao serviço das Seleções. Esta foi uma decisão tomada conjuntamente entre a Direção da FPF e Paulo Bento. Agradecemos tudo o que Paulo Bento fez pela nossa Seleção, nomeadamente pelo apuramento de Portugal para o EURO 2012 e para o Mundial 2014. A FPF já esta a trabalhar numa solução estruturada para dirigir as nossas Seleções e que será conhecida em breve. Mais uma vez obrigado ao treinador Paulo Bento."

Granta, aqui vou eu III

África. 
A voz saiu dela como um idoso desorientado por uma porta de um lar aberta por esquecimento de uma funcionária que estava preocupada em não perder a reportagem CMTV sobre os homens do fato que burlavam idosos no Portugal profundo. 
África, confirmou ele. África. 
Que raio de tema para o número três da Granta, o que esta gente se havia de lembrar, pensou. Ajeitou-se na secretária, alinhou e arrumou os papéis pela quarta vez durante a manhã, abriu e fechou as gavetas, alt e tab entre folhas de excel, o mail da empresa e A Bola, nada de novo, o Jonas ainda não tinha assinado, decidiu então desligar o computador. 
Não sabia grande coisa sobre África. Pensou em fazer umas perguntas ao colega que tinha ido de férias para Moçambique, o facto de não ter paciência para ele fez com que rapidamente desistisse da ideia. Não sabia muito, mas sabia que a moda agora era o ébola. E o medo que ele tinha de apanhar o ébola: ainda uns dias antes, espirrou duas vezes e ligou para a linha saúde vinte e quatro para saber se tinha apanhado o ébola. Não achava piada nenhuma à doença, aliás, nunca tinha ouvido nada com tão pouca piada, o que, para alguém que tinha visto os três primeiros episódios do Sal, quer dizer muito. Era costume ligar à mãe, durante a noite, a dizer coisas como tossi muito ao adormecer, achas que tenho o ébola? Queria muito escrever sobre África, mas tinha medo de ficar doente. 
Tens a certeza, Teresinha, que o tema é África? Eu, Poder, Casa, África? É este o encandeamento dos temas? Parece um telegrama do Savimbi a dizer que hoje vai jantar a casa depois de uma visita à Europa.
Ela encolheu os ombros, eu não escolho as regras, disse, apenas estou a transmitir-te o tema da revista, se quiseres escreves, se não quiseres não escreves. 
Levantou-se da secretária, os colegas absortos nos seus qualquer coisa Saga da moda do facebook, Africa será, então, disse em voz alta, perante a indiferença de todos, Teresinha incluída. Fechou a pasta, bateu os calcanhares, disse meus senhores, bruxa, até um dia, e saiu pela porta, deixando Teresinha a questionar-se se o bruxa era para ela. 
Estas chuvas em setembro não tinham vindo a calhar, uma pessoa não consegue escrever sobre África com temperaturas abaixo dos trinta e cinco graus centígrados. Pensou passar numa discoteca e comprar um disco do Bonga, para ouvir como inspiração, mas o melhor que conseguiu arranjar foi o Lisboa Mulata. Não era africano o suficiente. Depois pensou em ler Agualusa, mas o que o safou foi o facto de se lembrar que gosta muito de boa literatura então desistiu. Uma pessoa faz sacrifícios por um bom texto mas também há limites. 
Chegou a casa, o continente negro na mente e no coração. Ligou o portátil, pôs o disco a tocar e disse para si mesmo, África, prepara-te, mete lá o ébola e essas coisas de lado, que aí vou eu. Ia batendo o pé ao ritmo da música, o cursor a piscar no ecrã, já tinha o título escrito. Releu o título, soa-me bem, bate lá isto, Mia Couto, disse, enquanto continuava a bater com o pé. 
Quando se preparava para o triunfal primeiro parágrafo, lembrou-se do professor Bambo e de como este daria um belo vilão para uma história de capa e espada passada nas profundezas africanas, onde uma protagonista loira e bem apessoada estaria feita refém de Bambo e dos seus esbilros, enquanto estes disparavam o ébola pelas suas fisgas feitas de ossos de dinossauro e coisas do género. Era o terror. Até que o herói, munido de instrumentos esterilizados e ostentando um daqueles fatos amarelos anti-nojo, a salvava das garras do temível Bambo, antes que este previsse que ela iria ser traída pelo marido e que já era vitima de mau-olhado pela vizinha do segundo esquerdo, sim, que ela nunca a enganou, bem que ela estava sempre a lavar as escadas quando ela passava, com os saltos meio tortos de tanto dançar em cima de uma coluna no Urban, bem que ela sabia que ela lhe rogava pragas em nome da nossa senhora da Venda do Pinheiro, ela nunca a tinha enganado, por isso é que ela se sentia enjoada quando via o Dança com as Estrelas, não era nada dos gritos da Cristina Ferreira como dizia a melhor amiga pelo whatsapp, era por isso que ela tinha dificuldade em arranjar namorado e de certeza, certezinha, que foi por isso que o Bambo a tinha raptado numa noite de lua cheia ali ao pé do largo do Carmo, assim como quem vai para aquela loja de produtos saudáveis ou lá o que raio é aquilo, que uma loja que não venda coca-cola não merece o espaço imobiliário que ocupa. 
Distraído pelos seus pensamentos, ignorou o telefone que tocava insistentemente. Bruxa, podia ler-se no ecrã. Estava na altura de mudar o disco de lado, pode ser que o segundo lado seja mais africano e eu consiga a inspiração necessária, pensou. Mudou o disco de lado e voltou a sentar-se, deixando o olhar demorar-se na janela: os prédios ao longe pareciam acalmá-lo, tão altos mas ao mesmo tempo parecendo tão frágeis. Pensou que poderia ter-se safado como construtor civil: via-se perfeitamente a andar de Mercedes tipo táxi mas em branco, terço branco que saía nos cereais pendendo hipnoticamento no retrovisor, camisa branca aberta até ao quarto botão, com jeitinho até conseguia que um ou outro pêlo do peito lhe saltasse para fora da camisa. Passaria a ser tratado pelo último nome (algo que sempre sonhou) e dar umas cachaçadas nas costas dos serventis, com piadolas como terceiro andar, a subir na vida não é Jeremias, seguido de riso alarve enrolado em bafo de bagaço de terceira categoria. 
A folha continuava em branco e o disco ia girando como se nada mais se passasse em todo o universo. Chegou à conclusão que tinha fome e que não podia escrever de barriga vazia. Rapidamente percebeu a ironia da coisa e riu-se um bocado. Foi quando pegou no telefone para sair e ir comprar qualquer coisa que reparou finalmente que tinha dez chamadas não atendidas da Bruxa e uma mensagem de voz. Ouviu a mensagem, empalideceu, deixou o cursor a piscar e saiu a caminho do hospital.

10 de setembro de 2014

Feira do Livro é quando o homem quiser


(e cinco destes foram para oferecer...)

Se metessem Sonic Youth e Converge na bimby


O Orwell é que a sabia toda

Um homem de trinta e um anos foi detido e interrogado por ter colocado a letra de uma música de Exodus no Facebook. Imaginem que tinha posto um excerto do Lolita, por exemplo. Não há como não adorar aquele país que embandeira o direito à liberdade de expressão. Será que os polícias portugueses podiam fazer o mesmo a quem põe citações da Chiado Editora e do Pedro Chagas Freitas no facebook? 

Coerência

Franco Jara é tão bom a conduzir como a jogar futebol.

8 de setembro de 2014

Contra a diabolização das coisas

As pessoas adoram diabolizar tudo, quase sempre sem razão. Tenho assistido, via facebook alheio, em discussões acaloradas sobre as editoras de livros escolares onde, claro, as mesmas são diabolizadas até ao extremo. Às tantas parece que todo o mal do mundo advém das editoras de livros escolares. Se eu gostava de fazer disso a minha vida? Nem por isso. Se convidava editoras de livros escolares para jogar Fifa comigo? Nem pensar. Se levava editoras de livros escolares a passear à beira-rio? Nunca. Se acho que é um meio que roça o manhoso e às vezes que tem características de teor mafioso? Claro. Mas não são culpadas por tudo o que de mal acontece em Portugal. São um mal necessário, na pior das hipóteses. E, quando tudo corre bem, até são bastante importantes. E é isso que as pessoas não compreendem: bons são os países avançados que dão os livros de borla aos alunos, dizem eles. E quem é que produz os livros, oh artistas? O estado compra os livros aos editores. Vai dar ao mesmo. Haverá lobbys também, com toda a certeza. Depois temos os próprios estados que produzem os livros escolares. Têm mesmo a certeza que querem ir por aí? 


Agora imaginem isto mas com o Cavaco Silva. 

7 de setembro de 2014

Tragam as calculadoras

"Perdemos estes pontos todos!" 

6 de setembro de 2014

Record a Day - 30 - Disco preferido


E pronto, chegámos ao fim. E que melhor maneira de terminar do que com o Humbug, dos Arctic Monkeys, disco que, desde 2009, toca mais perto do meu coração. Para trás ficam discos como o primeiro de KoRn, os Use Your Illusion de Guns n' Roses, o Casa Ocupada (e o Olhos de Mongol e o Turbo Lento...) de Linda Martini  ou o Three Cheers For Sweet Revenge de My Chemical Romance., entre outros. O nome deste blog vem de uma música deste disco. Se tivesse um filho ia chamá-lo Alexandre (nunca tinha pensado nisto até este momento, isto é genial). Curiosamente, este é geralmente o disco menos bem aceite pelos fãs da banda. Não percebem nada disto. O disco saiu há cinco anos mas parece que passaram dez. É nestas coisas que nós conseguimos ter um pequeno vislumbre do que é, na realidade, a passagem do tempo. Parece outra vida. E, em certas coisas, até é. Fica a música, sempre.

5 de setembro de 2014

Record a day - 29 - Disco que ouvi mais vezes


O primeiro álbum de System of a Down é, de certeza, o disco que ouvi mais vezes. Quando saiu uma notícia sobre eles numa Kerrang! qualquer perdida no ano de mil novecentos e troca o passo, ficámos todos expectantes e, quando o CD saiu, foi a loucura. Na altura tinha um minidisc e, durante o primeiro semestre da universidade, tinha lugar cativo. Diria que ouvi até à exaustão. Isto claro, tirando o facto de nunca me ter fartado e de ainda hoje o ouvir com algum entusiasmo. Esta edição em particular é me cara porque está autografada pelos rapazes, por ocasião do seu concerto no (saudoso) dramático de Cascais (com Sepultura, já sem Max, e Slayer).

4 de setembro de 2014

Vou precisar de uma caçadeira, está visto

Não sei se é do ballet, mas a criatura, com 1,50m, tem as pernas quase do tamanho das minhas... Medo.