6 de março de 2015

23 de fevereiro de 2015

O elefante na sala

A ler. "Nestas quase quatro décadas a viver para o oficio da escrita, António Lobo Antunes passou de um jovem, belo e promissor escritor a um homem envelhecido, descuidado com a sua imagem, como se aspirasse a fundir-se com o grotesco das suas personagens".

20 de fevereiro de 2015

Era fechá-los a todos em Évora

Quando passeio o cão costumo passar junto a uma casa em ruínas, diz que vai ser um museu ou coisa que o valha, isto a acreditar no cartaz que lá está há anos, cortesia da câmara de Cascais que deve seguramente estar à espera da fada madrinha ou algo do género para iniciar a obra. Junto à casa há um estacionamento (que, a julgar pela quantidade de pessoas que estaciona a ocupar dois lugares, deve ser o estacionamento mais complicado do mundo) onde várias pessoas, que vão deixar suas crias nas actividades lúdicas da sociedade recreativa, deixam os carros. Até aqui, tudo bem, nada contra, somos todos amigos. Agora, quando eu vejo um puto a sair de uma carrinha A4 e a atirar um pedaço de fruta meio comida para dentro da casa abandonada fico meio doente. Pior, a mãezinha ao lado e nada. No dia seguinte, enquanto passeava, vejo o mesmo carro. Fico atento quando vejo uma miúda a sair do carro e a ir depositar o lixo no contentor que se encontra a TRÊS metros do carro. Pensei que, vá lá, o mal é dos rapazes, enfim, o mundo não está perdido. Eis senão quando, no regresso, vejo o miúdo sair do carro, acompanhado da miúda e de um adulto, a receber da mão desse adulto um pedaço de fruta meio comida e a atirá-la novamente para dentro da casa, à frente do adulto, que, não contente, dá outro bocado de lixo à miúda que o atira também para dentro da casa em ruínas. Isto não era algo que eu esperava de alguém que até consegue acertar com a A4 dentro dos traços.

Só se te parecer bem

Uma pessoa parada à porta de uma loja de animais, repara num saco de comida parecido com o que costuma comprar para o seu excelso animal, bicho fino, bucho requintado, espreito mais de perto na tentativa de perceber o preço naquelas etiquetas de revista manhosa quando salta de dentro da lojinha um senhor de cabelo grisalho, apressado, a perguntar se precisava de ajuda e eu expliquei que estava só a tentar ver o preço, que geralmente mandava vir de Espanha. O que eu fui dizer. Filhos da puta dos espanhóis, filhos da puta, dizia ele, roubam-nos tudo, roubam, não roubam? E eu, roubam, roubam, e ele roubam tudo, e eu pois, obrigado, eu depois vejo na internet o preço e vejo se compensa comprar aqui, eu começo a andar pelo corredor e ele acompanha-me e diz, não, não, veja aqui no meu telefone, e eu não, não, estou atrasado, eu depois vejo, então veja mas não deixe que os filhos da puta dos espanhóis o roubem! E lá foi ele a falar sozinho de volta para a loja. Por acaso ele até tem razão, na loja dele é mais barato.

17 de fevereiro de 2015

Sim, se fosse com o Artur não me importaria à mesma

Não percebo o drama: uma marca escolhe fazer um vídeo humorístico (de mau gosto para alguns) e é o fim do mundo. Se a marca escolhe publicar algo que a pode prejudicar junto de uma parte do público, é lá com eles. Já a reacção do Bruno de Carvalho, mais uma vez a mencionar o glorioso, foi triste. Santa obsessão do homem, que complexo é esse com o maior de Portugal? Por mim a Sagres e a Superbock e o Champômi podem gozar com o Artur e com o Jesus e com o Lima e com Orelhas todos os dias, a toda a hora. Nenhuma marca que fizesse uma piada com o Benfica me faria deixar de consumir a marca ou ficar com um ódio visceral à marca. Se a piada viesse de uma instituição como a FPF ou a Liga ou a Sporttv, eu até podia perceber o drama, agora, aquilo é uma peça claramente humorística (que nem considero insultuosa...) de uma marca de cervejas. Sejam crescidinhos, lidem com isso. 

9 de fevereiro de 2015

4 de fevereiro de 2015

Walking in their shoes

Se há banda que tem covers bem jeitosas das suas músicas são os Depeche Mode:


Os Ghost têm um ambiente que combina bem com a música.


Quem conhece o original repara logo que falta ali o "down to the bone", no refrão. O Till, dos Rammstein, pára no "Let me see you stripped" porque, e isto é verídico, não conseguia dizer o resto. 


Versão muito apropriada e apreciada.


Aqui em versão do Johnny Cash, ainda melhor.


Para quem não conhece a discografia dos Moonspell isto pode ser uma surpresa, mas a influência dos Depeche Mode nota-se, especialmente no Sin / Pecado. 


Juntar Depeche Mode e Deftones é quase batota.


Quando os Smashing faziam cenas fixes.


Cover de um clássico por uma banda genérica do nu-metal. Ainda assim bastante bom.


3 de fevereiro de 2015

Da raça humana

Tens uma reunião com um potencial autor, indicas claramente os dados e ficheiros que precisas. Repetes. E repetes outra vez. E mais uma vez, só por via das dúvidas. Resultado: recebes metade do que pedes, e a outra metade vem incompleta. 

Isto


21 de janeiro de 2015

Espero que seja um até um dia, mas não me parece...

Como é que deixam isto acontecer? Espero que não acabemos como os vizinhos da segunda circular, fadados a festejar apenas o sucesso dos jogadores da formação lá fora. Dia triste para os benfiquistas no geral, e acredito que para o benfiquista Bernardo Silva em particular. 

14 de janeiro de 2015

It will be fun, they said

Uma pessoa quer que ela experimente o Destiny (já que pai e respectiva filha não falam de outra coisa, é preciso ter paciência para gente como nós) e ela, depois de alguma insistência (dois meses, vá), acede. E o resultado de alguém com um avatar feminino e nome marcadamente feminino no meio dos machos? Na falta de meios de comunicação convencionais, eles dançam e apontam e saltam à volta da primeira fêmea que apanham. Até recebeu uma mensagem de incentivo a dizer que ainda tinha "muitas horas pela frente para por a persona toda grossa e cheia de veias". É ver pelos próprios olhos.






E ela até nem se safa mal a jogar, no jogo propriamente dito.

12 de janeiro de 2015

Como é que isto me passou ao lado em 2014?


A banda nova do Cedric e do Omar dos At The Drive-In e Mars Volta.


É sempre bom descobrires uma banda porque a mesma acabou. O Bisonte.



Marmozets, Catita.


9 de janeiro de 2015

Um conselho

Se estiverem a jogar GTA V e quiserem ir buscar um copo evitem passar o comando à vossa namorada, acompanhando este gesto com frases como vá lá, é só enquanto vou a cozinha ou é só seguires a linha roxa tipo gps. O resultado é estares na cozinha e ouvires risos descontrolados, não perceberes porquê, e chegares à sala e olhares para a televisão e veres um rasto de caos e destruição que a senhora decidiu deixar na sua passagem, tendo havido, inclusive, alguns atropelamentos. Devia ter desconfiado quando ela perguntou como é que se acelerava mas não perguntou como se travava. 

8 de janeiro de 2015

Estar a pedi-las

Acho graça às pessoas que apontam o dedo aos jornalistas que morreram porque "estavam a pedi-las". Vão ler sobre o Estado Islâmico (ou outros grupos extremistas): todos nós, ocidentais, com as nossas crenças e estilos de vida, estamos a pedi-las. São feministas? Estão a pedi-las. Acham que por não usarem burca não estão a pedi-las? Temos pena, mas estão. Gostam de ir à missa? Estão a pedi-las. Vêem filmes e ouvem musicas americanas? Estão a pedi-las. Defendem o direito à livre orientação sexual? Estão a pedi-las. Gostam do Obama? Estão a pedi-las. São contra as decapitações e todos os crimes que os extremistas islâmicos levam a cabo? Estão a pedi-las. O terror chegou mais perto. Não pensem é que foi porque eles estavam a pedi-las.

7 de janeiro de 2015

Gentleman, start your wallets

Ora bem, três concertos seguidos a tocar álbums na íntegra (faltam-me ver duas ou três músicas do Casa Ocupada e do Marsupial para ter visto toda a discografia ao vivo...), acompanhados de respectivas reedições dos esgotadíssimos Olhos de Mongol, Linda Martini e Marsupial (em vinil e CD, ainda por cima). Receber uma notícia destas logo pela manhã é coisa para conquistar logo um homem para a vida. Ainda por cima, já vi que o Bebé foi emprestado ao Córdoba. Está a ser um bom dia, até agora.

2 de janeiro de 2015

E eu achava que o nosso presidente era mauzinho...

Toda esta novela do Bruno de Carvalho / José Eduardo / Marco Silva faz nos pensar que podíamos estar bem pior.

31 de dezembro de 2014

2014

Nunca recebi tão poucos desejos de bom natal e ano novo, não me cortei a embrulhar três mil, quinhentos e vinte e nove livros, não almocei pó e jantei cansaço, não vivi com o risco de morrer soterrado em pilhas dos vários volumes das Cinquenta Sombras de Gray, mas senti uma falta tremenda disto tudo, especialmente dos meus livreiros, só dos meus, dos outros nem por isso, só faz falta quem cá está e o meu coração não dá (nunca deu) para todos. Perdi amigos. Perdi uma livraria. Perdi um avô. Ganhei uma nuvem negra que me parece acompanhar mas tenho lidado (quase sempre) bem com isso, com a ajuda certa. Perdi a vontade de fazer prognósticos para dois mil e quinze. Apenas dois desejos: saúde para mim e para os que nunca me abandonam. E se eu, às vezes, faço por isso. Tive a sorte dela ter aceitado partilhar uma casa e uma vida comigo, quando claramente eu não sou nem fui a melhor das companhias este ano. A Catarina cresceu mais um ano, está uma adolescente, não há volta a dar. Escrevi algumas coisas este ano, pouco no blog, parece que cada vez menos consigo escrever. Às vezes leio textos antigos meus e parece que foi outra vida, não me sinto capaz de escrever assim outra vez. Sei que isto não parece mas isto é um texto positivo: estamos a ultrapassar tudo, juntos, e eu desejo um feliz dois mil e quinze para todos os que passam por aqui, espero que para vocês, como para mim, seja um ano com um balanço positivo. Haverá novidades para breve.