10 de outubro de 2014

First world problems

Queria jogar Destiny com pessoas conhecidas mas ainda nenhum dos meus amigos viciados tem PS4.

9 de outubro de 2014

Triforce


Já não falta tudo

Por falar em literatura

O Retrato do Artista, do Joyce, já foi atirado para trás das costas, é quase um crime tê-lo na estante ao lado do Ulisses. Depois da travessia no deserto que foi o livro, ler os ensaios / crónicas  do David Foster Wallace é regressar ao prazer de ler, poder encontrar tiques e marcas do autor que me lembram o Piada Infinita. Este ano sai o Pale King, o romance incompleto. Embora seja contra este tipo de edições (pelo menos na maior parte dos casos...), parece que vou ter de dar uma vista de olhos.

Uma pessoa acha que se dizem barbaridades nas caixas de comentários de notícias de futebol

As de notícias da literatura não lhe ficam atrás.

8 de outubro de 2014

Pessoal que está a dar convites para a Ello

Lanço-vos um apelo: se conhecem pessoas que nas redes sociais:
- Colocam imagens manhosas com frases ainda mais manhosas
- Acham que o Fernando Pessoa disse realmente aquelas merdas
- Partilham coisas como "a tua mãe é a melhor coisa do mundo, dá um gosto se concordas, ignora se a queres ver a arder no inferno para toda a eternidade"
- Colocam citações partilhadas da Chiado Editora
- Partilham "frases inspiradoras" do Pedro Chagas Freitas (ou entram nos cursos dele ou têm o mínimo contacto com ele)
- Gostam e comentam SOZINHAS as próprias publicações
Por favor, não as convidem. Não estraguem aquilo aos homens, com gente assim aquilo não vai lá.

Nobel da Literatura

Não se excitem, é só amanhã. Mais uma vez o Murakami está no topo das apostas, uma escolha que acho que não choca ninguém. Se dessem ao Kundera também ninguém se chatearia muito. Já ao Roth, por ser um americano, ficaria surpreso. Depois aparecem aqueles nomes que evidenciam a nossa ignorância: Ngugi Wa Thiong'o, Svetlana Aleksijevitj e Adonis (?!), tudo nomes que aparecem bem cotados nas casas de apostas. Andam por lá também os crónicos candidatos Margaret Atwood, Don DeLillo, Amos Oz, Tommas Pynchon. Só há dois nomes que me fariam festejar efusivamente como se uma vitória do Benfica se tratasse: Cormac McCarthy e António Lobo Antunes.

6 de outubro de 2014

Serviço público

Nove minutos do meu jogador preferido ainda em actividade. O maior.


2 de outubro de 2014

Dois anos

"ah e tal tu és um cabrãozinho, ah e tal ela é nova, ah e tal assim que ela perceber como és põe-se a milhas, ah e tal...", dois anos depois, cá estamos, as pessoas gostam muito de arranjar problemas onde eles não existem, de julgar pela superficie e de prever fins e desastres. Nada a que uma pessoa não se habitue. Dois longos anos, com mudanças a nível pessoal e profissional, algumas delas complicadas, e cá estamos, os quatro (coitada dela que ainda levou com uma semi-adolescente a cair para o insolente e um cão peludo de proporções mastodônticas por arrasto), para o que der e vier. Ela chateia-se com as respostas da Catarina e a sua tendência irreprimível para a irresponsabilidade típica da idade, enerva-se com os pêlos do Link por todo o lado, passa-se quando ele pousa a cabeça na mesa enquanto estamos a almoçar, mas, no fundo, acho que ela não trocava nada disto. Acho eu. Se calhar é melhor não perguntar. E uma coisa muito importante, nestes dois anos o Benfica ganhou quatro troféus e foi a duas finais europeias. Se isto não é uma relação de sucesso não sei o que será. Obviamente que ela merece o céu por me aturar. 

1 de outubro de 2014

Será medo, então


Ganhou o Medo. Agora quero ver o que é que estas mentes iluminadas vão escrever. Agora é que é a sério.

29 de setembro de 2014

O facebook como angariador de jantares grátis

Primeiro foram os banhos públicos, agora são as fotos de criança, as pessoas não conseguem arranjar mais desculpas para tentar extorquir jantares a outros? É tanto o desespero para um jantar grátis? E quantos desses jantares serão realmente pagos? Porque é que não mudam o texto para "eu decidi meter fotos minhas de criança porque era muito mais gira do que sou hoje e então arranjei aqui uma desculpa esfarrapada de um jantar ou não sei quê, mas isso agora pouco importa, vejam como era fofa"? Posso dizer, orgulhosamente, devo acrescentar, que ninguém me nomeou para uma ou outra coisa. Adoro vocês, gente não parva.

25 de setembro de 2014

Lu

Arrastaram-me para casa da minha mãe para receber uns sofás: a minha avó já vai com noventa e dois anos, coração fraquinho da perda recente do companheiro de uma vida, com uma audição terrível e, calculo eu, pouco dada a pagamentos em multibancos portáteis e coisas que tais. Lá fui eu, era para receber uns sofás mas acabei por redecorar a sala da minha mãe, tipo querido mudei a casa mas sem as teorias esbracejantes do Gustavo. Por motivos de razões e em virtudes de compromissos tardios algures pela vila de Cascais, durante a noite, acabei por ficar lá a tarde toda. Parece, cada vez mais, que serão as últimas tardes com a pessoa que me criou até ir para uma creche, aos dois, três anos. Ela diz constantemente que, se soubesse o que sabe hoje, teria-me estrafegado o pescoço. Não percebo bem porquê, mas a reacção das pessoas é geralmente acenar com a cabeça e dizer "hm, hm", num tom compreensivo, algo que eu compreendo ainda menos. Ela já não tem qualquer filtro: diz as coisas às pessoas, às vezes coisas mázinhas, às vezes embaraçosas ("tens o cabelo assim como o William de Inglaterra"), com a maior das naturalidades. Contou-me que ficava nervosa de ficar comigo em bebé porque sofre dos nervos e porque eu tinha muitas convulsões. Pensei que era por ser um bebé extremamente giro, diz que até me confundiam com uma menina. Isto aparentemente é um elogio. Ela vai puxando pela memória e, sem dificuldade nenhuma, vai contando histórias da minha mãe, do meu tio e do meu avô, histórias de filhos perdidos e dos primeiros tempos de casada, quando, a sortuda, morava na rua do Alecrim. E acaba por ser incrível perceber que uma pessoa que se enerva, desde que a conheço, com as mais pequenas coisas, que tudo e o seu contrário lhe fazem confusão, esta pessoa passou por certas coisas e descreve-as com uma segurança e uma força que lhe fogem da voz quando fala normalmente. Resta-me aproveitar e ouvir.

Isto é uma piada, certo? Engraçadinhos, estes gajos.



23 de setembro de 2014

They don't love you like I do, but I don't know you like them, they don't love you like I do, they love you better, I know you best

Estou com sérias dificuldades em acabar o Retrato do Artista Quando Jovem, uma dificuldade de uma dimensão com a qual nunca me tinha deparado enquanto leitor, devia pegar noutro livro e ir terminando este, mas nem sei bem o que vou ler a seguir, estava a pensar num Aquilino mas é melhor estar quieto, o Submundo está a chamar-me há demasiado tempo, o Demónios também, depois tenho as crónicas do DFW, a abundância de escolha dificulta tudo (vide as mulheres no clássico não tenho nada para vestir).

19 de setembro de 2014

Devia ser proibido

Os sites de venda de imóveis não terem a morada dos imóveis listados. Que não tenham fotografias do exterior ainda se deixa passar... Uma pessoa vê um imóvel que até agrada, perto de tudo e mais alguma coisa segundo os anunciantes, mas depois vai-se a ver e é por trás do sol posto atrás de um terreno baldio virado para uma lixeira. Tempo é uma coisa que não assiste a muita gente? E sabem o que acontece por os anúncios não terem a morada? Perde-se o tempo, o que, parecendo que não, é chato porque o tempo não volta. Nem o tempo, nem a paciência. Pior que isso, só gajos que pedem valores por metro quadrado na zona da Parede como se estivessem no Chiado. 

18 de setembro de 2014

Tema do próximo número da revista Detectives Selvagens

Pela primeira vez vamos ter um tema fixo para a revista. Podem votar aqui. Agora é que eu quero ver no que isto dá.


17 de setembro de 2014

Last of Us, a Estrada, o medo



Ando a jogar o The Last of Us. Ando mais ou menos, na verdade quem passa mais tempo com o comando é a senhora que me ofereceu a edição especial do jogo, eu, como bom homem, sou chamado a intervir nas situações mais complicadas. Talvez por poder observar durante alguns períodos de jogo, essencialmente de exploração, tem sido uma experiência diferente ao nível dos videojogos: consigo pensar em coisas que, se estivesse concentrado a jogar, talvez não pensasse. Ao passear pela paisagem desoladora do jogo não consigo deixar de traçar diversos paralelismos entre este jogo e a Estrada, do Cormac McCarthy: a sensação de abandono e, muitas vezes, de desespero, atravessam ambas as obras (o jogo é uma obra de arte, lidem com isso), o facto de viajarmos por um cenário pós-apocalíptico acompanhados de um menor (o filho no livro, aqui uma rapariga) e o encontrarmos grupos de sobreviventes com más intenções são também pontos em comum. A Time colocou um fotógrafo de guerra a jogar o jogo (este tem um modo de fotografia que podemos usar a meio da acção) parar tirar umas fotos do jogo e o homem sentiu-se desconfortável no papel do protagonista, pela violência das acções dele, e não conseguiu jogar mais, teve de pedir a um colega que jogasse por ele, o mariquinhas. Nos longos períodos que passamos a explorar não consigo deixar de pensar no livro do McCarthy, nas relações entre as pessoas, na confiança que devemos depositar ou não em quem nos rodeia, em como seria triste um mundo pos-apocalíptico sem coisas essenciais como jogos do Benfica. Quando recebi o jogo pensei que ia passar o tempo a disparar sobre hordas de zombies. Não podia estar mais enganado. Os zombies não são sequer a maior ameaça: servem, aliás, para tornar o jogo mais leve. As cenas mais violentas e que mexem mais connosco são as que se passam entre os humanos sobreviventes. Conheci pessoas que só gostavam de jogar “jogos de tiros”, como muita gente os apelida, se os inimigos fossem máquinas ou seres extra-terrestres ou zombies. Tudo menos humanos. Confesso que na altura ficava algo perplexo. Hoje em dia, e tendo sempre em mente a máxima “isto é só um jogo”, consigo perceber bastante bem a perspectiva deles. Para mim não existe uma linha que devamos traçar em termos de violência e terror numa obra, seja de que género for: depois cada um é livre de escolher o que faz com a obra. Até ignorá-la. 


OOTD


Trinta e sete. O bicho calça o trinta e sete.

16 de setembro de 2014

Detectives Selvagens, número 1




Parece que foi ontem que saiu o número zero. Uma pessoa sente-se estupidamente paternalista com estas coisas. Ora bem, desta vez os ilustres convidados / participantes são:

Poesia: Júlio Ávila, Sofia Soares e Alexandre Carlos Mazony
Prosa: Madalena Serra, Diogo Serra, Jaime Lencastre, Inês Costa, Francisco Vilaça, Tiago Corte-Real e Marco Martins
Fotografia: Isabel Alves

Podem ler / sacar a revista aqui:

Revista
PDF
Goodreads

Foi, mais uma vez, uma mini-aventura. Já não sei como agradecer mais a esta gente toda. São os maiores.