23 de setembro de 2014

They don't love you like I do, but I don't know you like them, they don't love you like I do, they love you better, I know you best

Estou com sérias dificuldades em acabar o Retrato do Artista Quando Jovem, uma dificuldade de uma dimensão com a qual nunca me tinha deparado enquanto leitor, devia pegar noutro livro e ir terminando este, mas nem sei bem o que vou ler a seguir, estava a pensar num Aquilino mas é melhor estar quieto, o Submundo está a chamar-me há demasiado tempo, o Demónios também, depois tenho as crónicas do DFW, a abundância de escolha dificulta tudo (vide as mulheres no clássico não tenho nada para vestir).

19 de setembro de 2014

Devia ser proibido

Os sites de venda de imóveis não terem a morada dos imóveis listados. Que não tenham fotografias do exterior ainda se deixa passar... Uma pessoa vê um imóvel que até agrada, perto de tudo e mais alguma coisa segundo os anunciantes, mas depois vai-se a ver e é por trás do sol posto atrás de um terreno baldio virado para uma lixeira. Tempo é uma coisa que não assiste a muita gente? E sabem o que acontece por os anúncios não terem a morada? Perde-se o tempo, o que, parecendo que não, é chato porque o tempo não volta. Nem o tempo, nem a paciência. Pior que isso, só gajos que pedem valores por metro quadrado na zona da Parede como se estivessem no Chiado. 

18 de setembro de 2014

Tema do próximo número da revista Detectives Selvagens

Pela primeira vez vamos ter um tema fixo para a revista. Podem votar aqui. Agora é que eu quero ver no que isto dá.


17 de setembro de 2014

Last of Us, a Estrada, o medo



Ando a jogar o The Last of Us. Ando mais ou menos, na verdade quem passa mais tempo com o comando é a senhora que me ofereceu a edição especial do jogo, eu, como bom homem, sou chamado a intervir nas situações mais complicadas. Talvez por poder observar durante alguns períodos de jogo, essencialmente de exploração, tem sido uma experiência diferente ao nível dos videojogos: consigo pensar em coisas que, se estivesse concentrado a jogar, talvez não pensasse. Ao passear pela paisagem desoladora do jogo não consigo deixar de traçar diversos paralelismos entre este jogo e a Estrada, do Cormac McCarthy: a sensação de abandono e, muitas vezes, de desespero, atravessam ambas as obras (o jogo é uma obra de arte, lidem com isso), o facto de viajarmos por um cenário pós-apocalíptico acompanhados de um menor (o filho no livro, aqui uma rapariga) e o encontrarmos grupos de sobreviventes com más intenções são também pontos em comum. A Time colocou um fotógrafo de guerra a jogar o jogo (este tem um modo de fotografia que podemos usar a meio da acção) parar tirar umas fotos do jogo e o homem sentiu-se desconfortável no papel do protagonista, pela violência das acções dele, e não conseguiu jogar mais, teve de pedir a um colega que jogasse por ele, o mariquinhas. Nos longos períodos que passamos a explorar não consigo deixar de pensar no livro do McCarthy, nas relações entre as pessoas, na confiança que devemos depositar ou não em quem nos rodeia, em como seria triste um mundo pos-apocalíptico sem coisas essenciais como jogos do Benfica. Quando recebi o jogo pensei que ia passar o tempo a disparar sobre hordas de zombies. Não podia estar mais enganado. Os zombies não são sequer a maior ameaça: servem, aliás, para tornar o jogo mais leve. As cenas mais violentas e que mexem mais connosco são as que se passam entre os humanos sobreviventes. Conheci pessoas que só gostavam de jogar “jogos de tiros”, como muita gente os apelida, se os inimigos fossem máquinas ou seres extra-terrestres ou zombies. Tudo menos humanos. Confesso que na altura ficava algo perplexo. Hoje em dia, e tendo sempre em mente a máxima “isto é só um jogo”, consigo perceber bastante bem a perspectiva deles. Para mim não existe uma linha que devamos traçar em termos de violência e terror numa obra, seja de que género for: depois cada um é livre de escolher o que faz com a obra. Até ignorá-la. 


OOTD


Trinta e sete. O bicho calça o trinta e sete.

16 de setembro de 2014

Detectives Selvagens, número 1




Parece que foi ontem que saiu o número zero. Uma pessoa sente-se estupidamente paternalista com estas coisas. Ora bem, desta vez os ilustres convidados / participantes são:

Poesia: Júlio Ávila, Sofia Soares e Alexandre Carlos Mazony
Prosa: Madalena Serra, Diogo Serra, Jaime Lencastre, Inês Costa, Francisco Vilaça, Tiago Corte-Real e Marco Martins
Fotografia: Isabel Alves

Podem ler / sacar a revista aqui:

Revista
PDF
Goodreads

Foi, mais uma vez, uma mini-aventura. Já não sei como agradecer mais a esta gente toda. São os maiores.

A pré-adolescência tem coisas boas

O não querer saber da Violetta para nada é uma delas.

15 de setembro de 2014

Carrega

Uma pessoa pede vinte orçamentos, recebe um como resposta. Espectáculo. Ninguém deve precisar de negócios em Portugal. Quando eu recebia um pedido de orçamento respondia imediatamente a acusar a recepção do mesmo e a indicar o tempo que demoraria a dar o orçamento. Achava que era o mínimo. Aparentemente não. E isto enerva-me. 

12 de setembro de 2014

Ano escolar novo, vida nova

Hoje foi o dia de apresentação da criatura na nova escola. Mais do que a mudança de escola, entre o quinto e o sexto ano, preocupa-me a mudança do particular para o público. Está numa turma pequena, ponto positivo, tem sete repetentes, ponto negativo. Por um lado está mais perto da casa do pai e trabalho da mãe, por outro mais longe de casa da mãe e de casa das tias. A escola fica sempre bem classificada nos rankings. Tenho boas referências. Gostei do director de turma, as auxiliares de educação são o mais cliché possível, no bom sentido. Segunda começa a sério, vamos lá ver. 

VFNO, já ganhou

Numa reportagem da TVI: "parece que estamos numa capital qualquer europeia, acho óptimo".

11 de setembro de 2014

Novo selecionador

Mas porquê a insistência em gajos como o Fernando Santos e o Jesualdo? Ok, foram campeões... Pelo Porto, clube onde o Vítor Pereira foi bi-campeão. Não me lixem. Qualquer equipa de ambos é um grande bocejo no que toca ao futebol jogado. Alguém viu a Grécia a jogar no Mundial? Pois. E o Benfica de Fernando Santos? Era sofrível. O de Jesualdo... Sem comentários. Jesualdo e Fernando Santos no Sporting? Não vou comentar para não acharem que estou a gozar com os sportinguistas. 
Se fosse eu a mandar, primeiro que tudo, proibia o 4-3-3 na selecção. Ou o 4-5-1. Depois de termos um 4-4-2 à Jesus de 2014 ou à Jesus de 2010 como obrigatoriedade, era escolher um gajo que tivesse estaleca, não um gajo que fizesse adormecer plateias às primeiras sílabas. Porque não um estrangeiro? Deve haver aí uns desempregados jeitosos. Não há um gajo tipo Jurgen Klopp por aí disponível? 

Rejubilai, Paulo Bento foi à sua vida.

"A Federação Portuguesa de Futebol comunica que hoje, 11 de setembro, termina o vínculo contratual de Paulo Bento com a FPF e ao serviço das Seleções. Esta foi uma decisão tomada conjuntamente entre a Direção da FPF e Paulo Bento. Agradecemos tudo o que Paulo Bento fez pela nossa Seleção, nomeadamente pelo apuramento de Portugal para o EURO 2012 e para o Mundial 2014. A FPF já esta a trabalhar numa solução estruturada para dirigir as nossas Seleções e que será conhecida em breve. Mais uma vez obrigado ao treinador Paulo Bento."

Granta, aqui vou eu III

África. 
A voz saiu dela como um idoso desorientado por uma porta de um lar aberta por esquecimento de uma funcionária que estava preocupada em não perder a reportagem CMTV sobre os homens do fato que burlavam idosos no Portugal profundo. 
África, confirmou ele. África. 
Que raio de tema para o número três da Granta, o que esta gente se havia de lembrar, pensou. Ajeitou-se na secretária, alinhou e arrumou os papéis pela quarta vez durante a manhã, abriu e fechou as gavetas, alt e tab entre folhas de excel, o mail da empresa e A Bola, nada de novo, o Jonas ainda não tinha assinado, decidiu então desligar o computador. 
Não sabia grande coisa sobre África. Pensou em fazer umas perguntas ao colega que tinha ido de férias para Moçambique, o facto de não ter paciência para ele fez com que rapidamente desistisse da ideia. Não sabia muito, mas sabia que a moda agora era o ébola. E o medo que ele tinha de apanhar o ébola: ainda uns dias antes, espirrou duas vezes e ligou para a linha saúde vinte e quatro para saber se tinha apanhado o ébola. Não achava piada nenhuma à doença, aliás, nunca tinha ouvido nada com tão pouca piada, o que, para alguém que tinha visto os três primeiros episódios do Sal, quer dizer muito. Era costume ligar à mãe, durante a noite, a dizer coisas como tossi muito ao adormecer, achas que tenho o ébola? Queria muito escrever sobre África, mas tinha medo de ficar doente. 
Tens a certeza, Teresinha, que o tema é África? Eu, Poder, Casa, África? É este o encandeamento dos temas? Parece um telegrama do Savimbi a dizer que hoje vai jantar a casa depois de uma visita à Europa.
Ela encolheu os ombros, eu não escolho as regras, disse, apenas estou a transmitir-te o tema da revista, se quiseres escreves, se não quiseres não escreves. 
Levantou-se da secretária, os colegas absortos nos seus qualquer coisa Saga da moda do facebook, Africa será, então, disse em voz alta, perante a indiferença de todos, Teresinha incluída. Fechou a pasta, bateu os calcanhares, disse meus senhores, bruxa, até um dia, e saiu pela porta, deixando Teresinha a questionar-se se o bruxa era para ela. 
Estas chuvas em setembro não tinham vindo a calhar, uma pessoa não consegue escrever sobre África com temperaturas abaixo dos trinta e cinco graus centígrados. Pensou passar numa discoteca e comprar um disco do Bonga, para ouvir como inspiração, mas o melhor que conseguiu arranjar foi o Lisboa Mulata. Não era africano o suficiente. Depois pensou em ler Agualusa, mas o que o safou foi o facto de se lembrar que gosta muito de boa literatura então desistiu. Uma pessoa faz sacrifícios por um bom texto mas também há limites. 
Chegou a casa, o continente negro na mente e no coração. Ligou o portátil, pôs o disco a tocar e disse para si mesmo, África, prepara-te, mete lá o ébola e essas coisas de lado, que aí vou eu. Ia batendo o pé ao ritmo da música, o cursor a piscar no ecrã, já tinha o título escrito. Releu o título, soa-me bem, bate lá isto, Mia Couto, disse, enquanto continuava a bater com o pé. 
Quando se preparava para o triunfal primeiro parágrafo, lembrou-se do professor Bambo e de como este daria um belo vilão para uma história de capa e espada passada nas profundezas africanas, onde uma protagonista loira e bem apessoada estaria feita refém de Bambo e dos seus esbilros, enquanto estes disparavam o ébola pelas suas fisgas feitas de ossos de dinossauro e coisas do género. Era o terror. Até que o herói, munido de instrumentos esterilizados e ostentando um daqueles fatos amarelos anti-nojo, a salvava das garras do temível Bambo, antes que este previsse que ela iria ser traída pelo marido e que já era vitima de mau-olhado pela vizinha do segundo esquerdo, sim, que ela nunca a enganou, bem que ela estava sempre a lavar as escadas quando ela passava, com os saltos meio tortos de tanto dançar em cima de uma coluna no Urban, bem que ela sabia que ela lhe rogava pragas em nome da nossa senhora da Venda do Pinheiro, ela nunca a tinha enganado, por isso é que ela se sentia enjoada quando via o Dança com as Estrelas, não era nada dos gritos da Cristina Ferreira como dizia a melhor amiga pelo whatsapp, era por isso que ela tinha dificuldade em arranjar namorado e de certeza, certezinha, que foi por isso que o Bambo a tinha raptado numa noite de lua cheia ali ao pé do largo do Carmo, assim como quem vai para aquela loja de produtos saudáveis ou lá o que raio é aquilo, que uma loja que não venda coca-cola não merece o espaço imobiliário que ocupa. 
Distraído pelos seus pensamentos, ignorou o telefone que tocava insistentemente. Bruxa, podia ler-se no ecrã. Estava na altura de mudar o disco de lado, pode ser que o segundo lado seja mais africano e eu consiga a inspiração necessária, pensou. Mudou o disco de lado e voltou a sentar-se, deixando o olhar demorar-se na janela: os prédios ao longe pareciam acalmá-lo, tão altos mas ao mesmo tempo parecendo tão frágeis. Pensou que poderia ter-se safado como construtor civil: via-se perfeitamente a andar de Mercedes tipo táxi mas em branco, terço branco que saía nos cereais pendendo hipnoticamento no retrovisor, camisa branca aberta até ao quarto botão, com jeitinho até conseguia que um ou outro pêlo do peito lhe saltasse para fora da camisa. Passaria a ser tratado pelo último nome (algo que sempre sonhou) e dar umas cachaçadas nas costas dos serventis, com piadolas como terceiro andar, a subir na vida não é Jeremias, seguido de riso alarve enrolado em bafo de bagaço de terceira categoria. 
A folha continuava em branco e o disco ia girando como se nada mais se passasse em todo o universo. Chegou à conclusão que tinha fome e que não podia escrever de barriga vazia. Rapidamente percebeu a ironia da coisa e riu-se um bocado. Foi quando pegou no telefone para sair e ir comprar qualquer coisa que reparou finalmente que tinha dez chamadas não atendidas da Bruxa e uma mensagem de voz. Ouviu a mensagem, empalideceu, deixou o cursor a piscar e saiu a caminho do hospital.

10 de setembro de 2014

Feira do Livro é quando o homem quiser


(e cinco destes foram para oferecer...)

Se metessem Sonic Youth e Converge na bimby


O Orwell é que a sabia toda

Um homem de trinta e um anos foi detido e interrogado por ter colocado a letra de uma música de Exodus no Facebook. Imaginem que tinha posto um excerto do Lolita, por exemplo. Não há como não adorar aquele país que embandeira o direito à liberdade de expressão. Será que os polícias portugueses podiam fazer o mesmo a quem põe citações da Chiado Editora e do Pedro Chagas Freitas no facebook? 

Coerência

Franco Jara é tão bom a conduzir como a jogar futebol.

8 de setembro de 2014

Contra a diabolização das coisas

As pessoas adoram diabolizar tudo, quase sempre sem razão. Tenho assistido, via facebook alheio, em discussões acaloradas sobre as editoras de livros escolares onde, claro, as mesmas são diabolizadas até ao extremo. Às tantas parece que todo o mal do mundo advém das editoras de livros escolares. Se eu gostava de fazer disso a minha vida? Nem por isso. Se convidava editoras de livros escolares para jogar Fifa comigo? Nem pensar. Se levava editoras de livros escolares a passear à beira-rio? Nunca. Se acho que é um meio que roça o manhoso e às vezes que tem características de teor mafioso? Claro. Mas não são culpadas por tudo o que de mal acontece em Portugal. São um mal necessário, na pior das hipóteses. E, quando tudo corre bem, até são bastante importantes. E é isso que as pessoas não compreendem: bons são os países avançados que dão os livros de borla aos alunos, dizem eles. E quem é que produz os livros, oh artistas? O estado compra os livros aos editores. Vai dar ao mesmo. Haverá lobbys também, com toda a certeza. Depois temos os próprios estados que produzem os livros escolares. Têm mesmo a certeza que querem ir por aí? 


Agora imaginem isto mas com o Cavaco Silva. 

7 de setembro de 2014

Tragam as calculadoras

"Perdemos estes pontos todos!"