23 de julho de 2014

Gente que pontapeou o vácuo e o infinito, saíram, bateram com a porta e foram à procura de si próprias.


2004 foi um ano, vá, bom, em termos musicais


Conforme referido pelo nosso caro bloganormalidade, em 2004 a dispersão em termos musicais é bastante maior que em 1994. Apareceram alguns "best of" (mencionou o Rearviewmirror, dos Pearl Jam, e muito bem) que faziam sentido, outros nem por isso. O meu itunes tem apenas doze álbums que destacaria em 2004, comparado com os vinte e quatro que destaquei em 1994. Curiosamente, tem cinco dos meus discos preferidos de sempre. (Funeral, Rubber Factory, Miss Machine, Leviathan e Three Cheers For Sweet Revenge). Assim sendo, referente a 2004, eu propunha:


Arcade Fire - Funeral
Black Keys - Rubber Factory
Converge - You Fail Me
Dead Combo - Vol. 1
The Dillinger Escape Plan - Miss Machine
Franz Ferdinand - Franz Ferdinand
Head Automatica - Decadence
Lamb of God - Ashes of The Wake
The Libertines - The Libertines
Mastodon - Leviathan
My Chemical Romance - Three Cheers For Sweet Revenge
The Used - In Love and Death

Depois apareceram realmente muitos best of: David Bowie, Helmet, KoRn, Marilyn Manson, NoFx, Pearl Jam, Pixies, Placebo, Pulp, Stone Temple Pilots). Alguém arrisca 1984?




22 de julho de 2014

1994 foi um ano do caraças para a música

Bad Religion - Stranger Than Fiction
Biohazard - State of The World Adress
Blur - Parklife
Bush - Sixteen Stone
Corrosion of Conformity - Deliverance
Cradle of Filth - The Principle of Evil Made Flesh
Green day - Dookie
Hole - Live Through This
Johnny Cash - American Recordings
KoRn - KoRn
Machine Head - Burn My Eyes
Marilyn Manson - Portrait of an American Family
Nine Inch Nails - Downward Spiral
Nirvana - Unplugged
Nofx - Punk in Drublic
Oasis - Definitely Maybe
Offspring - Smash
Pantera - Far Beyond Driven
Pearl Jam - Vitalogy
Portishead - Dummy
Primitive Reason - Alternative Prison
Sick Of It All - Scratch the Surface
Soundgarden - Superunknown
Weezer - Weezer

Há aqui álbums que me marcaram de maneiras que não sei bem explicar, há outros que só aprendi a valorizar mais tarde e me acompanham até hoje, e também há uns que ficam muito bem lá em mil novecentos e noventa e quatro, não envelheceram muito bem. Foi o ano em que nasceu a minha irmã mais nova. Estava no nono ano. Era tudo em bom, nessa altura. Até a música.

Nem de propósito

21 de julho de 2014

Filho de Deus


Mais uma pequena pérola do McCarthy, mais um personagem cuja maldade e decadência se tornam difíceis de descrever (a não ser para o próprio McCarthy, claro). Compreendo que os temas que o autor explora, a geografia dos seus romances ou a violência poética da linguagem não agradem a toda a gente. Para mim é quase perfeito. As paisagens do sul dos Estados Unidos, do início do século vinte bem como a fronteira com o México são os locais perfeitos para a escrita e histórias do autor. Neste livro temos um degenerado que vai perdendo a sanidade e aumentando a perversidade dos seus crimes. Coisa mais ou menos normal nos livros dele. Não vou detalhar a natureza dos crimes (apesar de vir anunciado na contra-capa... boa, Relógio d'Água), mas era coisa para deixar o Correio da Manhã a salivar. O que vale é que a prosa do McCarthy consegue tornar tudo terrível e maravilhoso ao mesmo tempo. 
O James Franco é um fã bastante obcecado pela obra deste autor, tanto que está sempre a falar em fazer um filme do Meridiano de Sangue. Missão quase impossível. Vai daí, fez um filme deste Filho de Deus. 



Não sei se serei capaz de ver. Vi a Estrada e já me custou muito. Este parece que é mesmo mauzinho. Depois descobri isto:


Pequena maravilha.


18 de julho de 2014

Estou a fazer um esforço tremendo

Para não falar do Benfica até à supertaça. É complicado, está a mexer muito com o meu sistema esta pré-época. Tanto que ainda nem sequer re-activei a Benfica TV e o Benfica joga hoje e tudo. 

16 de julho de 2014

Este é mau, mas o outro não lhe fica atrás

Toda gente tem um amigo ou conhecido que nunca gosta de nada. Essas pessoas irritam-me solenemente. Pessoas que, numa discussão sobre qual dos concertos de Black Keys foi melhor, dizem que não gostaram do primeiro concerto porque o som era mau e não gostaram do segundo porque era só hipsters virados de costas para o palco. Eu já nem sequer questiono a validade dos argumentos, a atitude é que me causa alguma perplexidade. Todas as bandas novas são más, por alguma razão, as antigas venderam-se, todos os jogadores contratados são fracos e é este ano que não ganhamos nada outra vez, o novo álbum é mau e o anterior também é e de certeza que o próximo também vai ser mau, e aquele autor é mau, nunca li nada mas é mau, e o público no concerto é mau porque eram só pitas ou só hipsters ou só putos, e o Alive é mau porque é só pitas a tirar selfies e o Super Bock é mau porque é só drogadinhos e pitas e o Rock In Rio é mau porque é só tias e pitas. Aposto que se visse um concerto na companhia de mais duzentos gajos iguais a ele ia dizer "foi muito mau, era só gajos a queixarem-se de tudo e de nada".

14 de julho de 2014

Vocês são os maiores


O primeiro número já está online, com os seguintes colaboradores:
Poesia - Álvaro Reis, Efrem Miranda, Eliza Bradatian; 
Contos - Hugo Proença, João Neves, Lourenço Bray, Ninguém, Pedro Dionísio, Sérgio Mak Costa, Vânia Custódio.
Pode ser que reconheçam um ou dois nomes ali. Espero que leiam e divulguem e, já agora, participem também. Isto foi uma experiência que me deu um gozo tremendo e, sinceramente, fiquei bastante satisfeito com o resultado final. Vamos ver se isto agora tem continuidade ou não, e em que formatos. Obrigado a todos os que colaboraram e divulgaram, são todos os maiores.
Podem sacar aqui o PDF, o Ebook e ver a ficha no Goodreads.

13 de julho de 2014

Terceiro dia nos Alive

Ainda menos gente que no dia anterior. Deu para cruzar-me com conhecidos e amigos, alguns de forma verdadeiramente inesperada. A Holanda ganhava ao Brasil, dizia-me o livescore, tudo estava normal, portanto, fora do recinto. Lá dentro, deu para ver You Can't Win, Charlie Brown em lugar privilegiado, bom concerto para começar calmamente. Até PAUS ainda faltava muito portanto deu para passear (o preço dos discos no stand da FNAC é ridículo em alguns casos), comer outra vez descansados ao lado do palco secundário enquanto War On Drugs partiam aquilo tudo e ainda ir ver um pouco de Bastille (não conhecia, não vou conhecer mais). Depois, finalmente, PAUS. As músicas novas resultam melhor ao vivo do que em disco e desconfio que quem não conhecia não deve ter percebido bem o que se passou ali. As teclas e a voz deviam estar mais altas. Foi dos melhores concertos, ainda assim. É sempre bom ver o Hélio Morais a partir aquilo tudo, mesmo que não seja em Linda Martini. Tenho pena de não terem tocado o Lupiter Deacon, embora ache que o facto de a música ter sido utilizada num anúncio de tv não a tenha favorecido. Por fim, e para um terço da lotação de Arctic Monkeys (estou a ser simpático...), os Libertines. Bom concerto, as músicas são mais musculadas ao vivo, o que é sempre bom. Merecia mais gente. Ou pelo menos gente mais interessada. É o que temos. Para o ano há mais. Desta vez tentem não anunciar o terceiro cabeça de cartaz a menos de um mês do festival. Obrigado.


12 de julho de 2014

Dias dois nos Alive

Ah, o impagável privilégio de andar à vontade, pelo menos durante a maior parte do tempo. Menos gente neste dia, o suficiente para tornar a experiência mais agradável. Duas mil pessoas, talvez, a ver Vicious Five, deu para as despedidas. Seguimos depois para ver Parquet Courts (maravilha) e ainda chegámos a tempo de ver For Pete Sake. Por haver menos pessoas deu para jantarmos sentadinhos, sossegados, enquanto o Sam Smith fazia uma cover esquisita do Do I Wanna Know?, dos Arctic Monkeys. Foi o momento what the fuck da noite. Depois, e finalmente, os Black Keys. Escrever sobre um concerto dos Black Keys é sempre um momento de muita ambiguidade para a minha pessoa. Estamos a falar de uma banda que tem oito discos, sendo que os meus três preferidos pertencem à primeira metade da discografia. Adivinhem quantas músicas tocaram dos primeiros quatro álbums? Se a resposta foi zero, acertaram. Ainda assim, gosto muito do Brothers e gosto do El Camino e do Turn Blue. O álbum que menos gosto é o Attack & Release, mas, mais uma vez, surge a ambiguidade: é o disco que gosto menos mas tem a minha música preferida deles, que tocaram, como sempre, a fechar o concerto. Amigos, um aviso: eles não fecham os concertos com o Lonely Boy, escusam-se de ir já embora. Enfim. Posto isto, o que é que eu achei do concerto? Gostei de vê-los, é sempre bom ver o Dan a tocar solos e o Patrick naquele jeito esquisito dele a tocar bateria, mas não foi, para mim, um grande concerto. O som estava mau (será do sítio? Vi AM do lado oposto e o som estava muito bom, mas há pessoas a queixar-se...), abafado, mas nada que me chateasse por ali além. A setlist deve ter agradado a muito boa gente. Já eu, desisti de pensar num concerto de Black Keys que realmente me agradasse: a hipótese de ver os dois a tocar sozinhos, sem banda de apoio (como fizeram na última música), com uma setlist que englobe toda a carreira deles é tão provável como vê-los colaborar com o Jack White. E se eu gostava que isso acontecesse...


Eu avisei

Antes de Smith, no mesmo palco Heineken, vimos o futuro do rock'n'roll e o seu nome é Parquet Courts. Exageramos, naturalmente, mas a hipérbole, a quente, justifica-se. A banda de Brooklyn, Nova Iorque, assinou o concerto mais entusiasmante do dia. Porque há neles uma sofreguidão pela vida e uma energia quase neurótica a que é impossível ficar indiferente. Porque ao ver o guitarrista Andrew Savage cantar, zangado, disparando palavras em golfadas, enquanto o outro guitarrista, Austin Brown, cobre o frenesim da secção rítmica com solos e melodias próprios de uns Television afogados em anfetaminas, sentimo-nos agitados e vivíssimos, despertos.As canções são curtas, quais comprimidos punk de efeito imediato (imaginemos que os Pavement haviam nascido entre Ramones, Patti Smith, Lou Reed e Tom Verlaine na Nova Iorque punk de final dos anos 1970). Os álbuns são três e o último, Sunbathing Animal, acabou de ser editado. Não os podemos perder de vista.

No Público.

11 de julho de 2014

Primeiro dia nos Alive

Demasiada gente. Não sei até que ponto o recinto suporta uma multidão daquele tamanho. E de quem é que foi a ideia de concentrar as bebidas apenas nas barracas da Heineken? Ir buscar comida a um lado, bebida a outro... Má ideia. De resto, tudo bem: os Arctic Monkeys voltaram a ser muito competentes. Tivessem trocado duas ou três músicas do AM (tocaram dez das doze do disco) por algumas mais antigas (até podiam ser alguns dos singles que toda a gente conhece) e a coisa tinha ficado mais equilibrada. De qualquer forma, é preciso ter confiança para abrir e fechar o concerto com três músicas do disco novo. Hoje há mais.

10 de julho de 2014

Em estágio


Parece que há quarta vez os meninos de Sheffield vão ter de se esforçar para dar um concerto ao nível dos outros. A setlist é a mais fraquinha dos últimos quatro concertos em Portugal (nove músicas do AM, a sério?). Os três concertos anteriores foram sempre em crescendo o que me devia deixar optimista, mas por outro lado esta setlist causa-me perturbações de diversa ordem. Logo se vê.

9 de julho de 2014

É só tamanho


Sais de casa cinco minutos para ir ao supermercado, quando voltas ele salta e bate na cancela, rebola no chão, mete-te as patas nos ombros e lambe-te a cara. Estás fora dois dias, vais apanhá-lo ao hotel dos cães e ele nada, calmo e tranquilo, sem ligar nenhuma. Tomou um banho, coisa que até não desgosta. Já secar o pêlo é que é pior (há sempre queixas dos tratadores) porque toda a gente sabe que os secadores são obra do demónio e é preciso ladrar para eles como se o mundo fosse acabar. 

8 de julho de 2014

Brasil - Alemanha

Os primeiros vinte minutos parece que foram jogados no FIFA'14 da PS4 por dois miúdos de onze anos com défice de atenção, com o botão de correr encravado.

6 de julho de 2014

As novas tecnologias ao serviço da pedinchice dos filhos


A criatura queria ver o filme, o pai não deixa. Ela aí virou-se para o livro, esperta, para ver se, como é para ler e tal, o pai se comovia mas isso também não resultou. Próximo passo lógico? Fazer pedidos pelo instagram para ver se comove a audiência para esta convencer o pai. Deus nos ajude a todos.

Bravo

A menina portou-se muito bem no seu espectáculo de ballet, dominou o galope e a polonaise (?). Nunca pensei ver a minha filha naquele palco. Nunca pensei ter a minha filha no ballet. Por outro lado, também nunca pensei ter uma filha. A partir daí já poucas coisas surpreendem um gajo.

2 de julho de 2014

Isto é sempre a piorar daqui para a frente


Aquele bonito momento em que a tua namorada te alerta para o facto de a tua filha ter comentado uma foto no instagram da Pipoca Mais Doce.