15 de junho de 2014

Mundial de futebol

Ou aquela altura de quatro em quatro anos em que eu torço por uma equipa onde joga o Messi. Até a Catarina está espantada.

Felicidade dominical

Pirlo

Livre. Bola para um lado. Guarda-redes para o outro. Um penalty com barreira, a alguns vinte e cinco metros da baliza. Termina na barra, não foi golo mas foi espectáculo, como disse Gabriel Alves um dia num lance de Pelé, numa cassete que eu via com os resumos dos mundiais. Este mundial podia ser só Pirlo. Está perdoado das merdas que disse do Benfica. E isso é dizer tudo.

13 de junho de 2014

Já ganhou, senhor comentador da RTP

"A única me imagem que me ocorre é uma velhota a ser atropelada por um carro em excesso de velocidade."

Clockwork orange

So far, so good. Uma Holanda que pouco joga a dar 4-1 à Espanha. Nada mal. E aquele penalty? Qual? Pois.

Ao contrário da crença popular

Ontem foi um óptimo dia para ir à Hora H na Feira do Livro. A maior parte dos stands tinha poucas ou nenhumas pessoas, deu para passear, conversar e até, veja-se bem, para a Catarina comprar dois livros. É a loucura. Ouvi coisas como "estás gordinho" e "estás com bom aspecto" e "estás com um óptimo ar", o que me deixou algo confuso, e ouvi muitas vezes coisas como "deixa-me só ver ali a Relógio / Cotovia / Tinta-da-China prometo que é a última" e, quando dei por isso, todo eu era sacos, em duas visitas e meia a senhora comprou dezassete livros. Não sei para que é que as pessoas levam carrinhos para a feira quando podem levar os namorados. Talvez os carrinhos se queixem menos. 

12 de junho de 2014

Boa Alive, boa, Libertines, a sério?

Quem é que são os cabeças de cartaz do terceiro dia? Libertines. Eu até gosto do primeiro álbum, gostava de vê-los no Alive mas nunca como cabeças de cartaz. Não tinham mais bandas e foram ao centro de desintoxicação ver quem estava disponível? Bem sei que o Alive é um bocado a bitch da NME e uma pessoa sabe como é que estes ingleses são com as bandas deles, os Libertines eram a coisa mais espantosa desde os Beatles, quando apareceram, e os Arctic Monkeys eram a coisa mais espantosa desde os Libertines, e os Palma Violets eram a coisa mais espantosa desde os Arctic Monkeys, e por aí fora. Resta saber se o Pete Doherty aparece em condições. Ou se aparece. 

11 de junho de 2014

A não perder, durante o Mundial

Tradição familiar

O Little Big Planet 1 e 2 foram os primeiros jogos que eu e a Catarina jogámos do princípio ao fim, em modo cooperativo. Rimos, discutimos, trabalhámos em conjunto para atingir as metas, resolvemos puzzles com a ajuda um do outro. Agora, em Novembro, sai o Little Big Planet 3 e vai ser a loucura. Isto se ela não ficar proibida de tocar na PS4 até ao fim da vida, depois de ver as notas dela.



9 de junho de 2014

O John Oliver apresenta-vos a FIFA, essa organização sem fins lucrativos

Money is the reason we exist, everybody knows it, It's a fact (kiss, kiss)


O Herberto Hélder é o nosso salvador, está visto, o homem faz mais pela economia que todos os ministros juntos, ponham o homem a escrever livros todos os dias subsidiado pela união europeia e, com o mercado paralelo, vamos erguer Portugal graças a livros que pouca gente irá, na realidade, ler. 

Não te vou vender, amiguinho.


Começa a palhaçada: o livro está à venda na feira do livro, por exemplo


Tristeza.

"Não costumo por norma dizer o que sinto / mas aproveitar o que sinto para dizer qualquer coisa"

Passei a noite a adormecer profundamente para acordar poucos minutos depois, uma e outra e outra e outra vez, com a sensação de sono e de estar, na verdade, sempre a dormir, mesmo estando acordado: o meu corpo dizia tenho sono e a cabeça dizia VAMOS FAZER CENAS E PENSAR E ESCREVER A MADRUGADA É PARA MENINOS SIGA PARA BINGO HEI JÁ PENSASTE COMO SERÁ O INFINITO MESMO FIXE MEU PENSA LÁ, e assim uma pessoa não dorme mas também não faz nada de jeito, depois levanta-se e lê coisas como o que está ali em cima, do Ruy Belo, e chega a muitas conclusões que me fazem sentir muita coisa, mas, ironia, não me dão vontade de escrever nada.

8 de junho de 2014

Nota-se muito que quero acabar de ler a Trilogia da Fronteira?

Ler uma frase, pensar isto parece coisa do Paulo Faria, voltar atrás, ler "tradução de Paulo Faria". Boa, pensei eu, agora já ias traduzir o Cities of the Plain do McCarthy, em vez de andar a brincar com a Granta. 

Estou a portar-me muito bem... Ou a fingir, pelo menos.


Não percebo

Tenho vinte amigos em comum com a Chiado Editora. Se isto não faz uma pessoa reflectir nas nossas companhias não sei o que fará. E depois gostam de imagens que a Chiado posta, daquelas imagens ridículas com dizeres muito importantes e que deixam uma pessoa sensibilizada. Estas pessoas sabem o que raio é a Chiado Editora? Como é que se movimenta no mercado? O que faz aos seus "autores"? Certamente que não. 





A gente diverte-se imenso

Siri Hustvedt, até agora a estrela maior da Granta III.

6 de junho de 2014

Homem Duplicado, em inglês Enemy (em tradução literal, claro)

Vou ver o filme. "Ah, mas o livro e não sei quê". Não me interessa. Felizmente li o livro e gostei, não tanto como o Ano da Morte de Ricardo Reis (nem creio que leia outro livro do Saramago que me agrade tanto...), talvez mais do que A História do Cerco de Lisboa. Tendo em conta os prognósticos iniciais de desgraça, os setenta e cinco porcento com que está no rotten tomatoes são uma surpresa. Claro que me chateia a troca dos nomes, tal como pequenos (pelo menos pelo trailer) pormienores que estão diferentes. Mas desde que li o livro que pensei que daria um bom filme. No dia dezoito logo se vê.

Já não há castigos que cheguem para a criatura, mais um mail da directora de turma

Sugestões para castigos precisam-se. Coisas criativas e úteis.

5 de junho de 2014

Depois do castigo

Vai ser o meu primeiro fim-de-semana, em muito tempo, sem pulseiras de elástico e respectivos gadgets e sacos cheios de elásticos pela casa. Devido às pulseiras conheço todas as lojas do chinês aqui da zona agora. Parece que este fim-de-semana descanso nessa vertente. Mas também só acredito quando vir a criatura entrar no carro de mãos a abanar. 

#freethenipple

Está o circo montado, tudo porque o instragram bloqueou uma foto da filha do Bruce Willis onde se viam os mamilos dela. Os mamilos masculinos são permitidos, os femininos não. Os defensores do #freethenipple advogam que anatomicamente são a mesma coisa: e são. "Ah, mas no instagram as crianças podem ver os mamilos das senhoras e ficar depravadas", pois, mas porque raio as crianças andam no instagram? E quando vão à praia há sempre pelo menos uma senhora a fazer topless. Qual é a diferença? Ao vivo tudo bem, nas fotos não? Onde é que se traça um limite? "Ah, se fosse a tua namorada não gostavas", o corpo é dela, ela é que sabe, eu gosto sempre de vê-la, seja onde for. No instagram devia ser a mesma coisa: cada um sabe de si, querem mostrar mamas? Elas é que sabem. Agora, espero que ninguém tenha a ingenuidade de pensar que, se andar a mostrar as mamas no instagram, não irá aparecer um tarado qualquer a dizer / fazer coisas inapropriadas. 

4 de junho de 2014

A melhor prosa poética que li até hoje



Não percebo como lhe escapou o prémio Camões. Fora de brincadeiras, eu tinha alguma esperança neste gajo, mas depois foi ganhando uns jogos e tornou-se nisto. Enfim.

É a cultura, estúpidos

A Bárbara Bulhosa, no seu facebook, alerta para "Mais um golpe nas livrarias independentes. Novo livro de Herberto chega apenas a "alguns grandes grupos" e "às livrarias que a Administração decidir".", dando voz a uma livreira de Évora que mostra o seu desagrado e desencantamento perante esta decisão da editora. Estavam à espera do quê? A editora, com este livro, vai imprimir dinheiro, tão simples como isto: não é poesia, não é arte: é dinheiro. E cada um trata do seu dinheiro como bem entender.
A edição única e limitada (não se sabe ao certo quantos exemplares sairão efectivamente para o mercado) não só não ajuda como também depois alimenta negócios paralelos. Podem limitar a compra à vontade a dois exemplares por cliente: eles vão lá várias vezes, vão a várias livrarias. No entanto, sou totalmente a favor quanto ao respeitar da vontade do autor: quer no número de edições, quer no número de exemplares, quer na chancela que ele escolhe:  há depois especulação quanto à "vontade expressa" do autor em mudar da Assírio & Alvim para a Porto Editora. É normal achar estranho, até porque a Assírio pertence ao grupo Porto Editora. Os puristas estão de cabelos no ar. 
Diz que é a cultura.


3 de junho de 2014

O que é que estás a fazer? Não estou a incomodar, pois não?


Ora essa, cinquenta quilos de cão em cima tornam sempre tudo melhor.

Lazaretto


Até agora estamos a ir bem, Jack White.

Novo Herberto Hélder

Na Porto Editora, não na Assírio, segundo dizem a pedido próprio. Sessenta e quatro páginas, vinte e dois euros. Um cd com cinco poemas lidos pelo próprio. Vinte e dois euros. Edição única, como de costume. Vamos ver como corre. Provavelmente vai ser outra corrida às livrarias, para depois estarem livros à venda a preços ridículos no OLX. Enfim. 

2 de junho de 2014

Prémio PT de Literatura


Se ganhasse o Gastão Cruz na Poesia, o Lobo Antunes no romance e o M. Tavares no conto eu ficava muito, muito contente.

Granta III


Desconhecia a Teresa Veiga, gostei. Mais um conto bastante bom do Valério Romão (esperemos que na quarta Granta venha o terceiro). Li, finalmente, Murakami. Uma tradução do inglês. Será que se perde muito? Não conheço a prosa dele para sequer conjecturar, de qualquer forma deixou-me curioso para ler o Underground. A seguir é a Susana Moreira Marques e estou num pequeno dilema: por um lado, quero muito ler e quero ler depressa, por outro temo que o conto fique bastante aquém do Agora e Na Hora da Nossa Morte

Quando a nossa cara se gastar



Tão bom. Especial atenção para o Juventude Sónica aos 14:18, por favor.

1 de junho de 2014

Arcade Fire

O que se viu na televisão não fez justiça ao que se passou naquele sítio, durante aquelas duas horas. Estiveram à altura das expectativas: isto vindo de um gajo como eu quer dizer tudo.

Feira do livro

Onde as pessoas vão comprar livros baratos. Onde eu vou comprar livros baratos e receber muitos abraços.

Afinal até nem foi mau

Apesar da desconfiança inicial, o concerto da Lorde nem foi assim tão mau.

31 de maio de 2014

Ser pai é fodido

Hoje íamos três ao rock in rio: afinal vamos só dois. A semana que antecedeu o concerto que a criatura mais pequena cá de casa tanto ansiava começou bem, embalada na segurança do quotidiano: levei-a à escola, ela falava do concerto, teve o desplante e a segurança e a razão de me corrigir no nome de uma música de Arcade Fire, sempre com aquela voz de expectativa crescente. Mas eis que a semana passa do sonho ao pesadelo: a menina Catarina consegue, num par de dias, estragar todo o esforço que tinha vindo a fazer no sentido de melhorar o comportamento e as notas na escola. Mas, pior do que uma ficha de português feita sem pés na cabeça, muito longe do que ela pode e sabe, pior do que ter voltado ao mau comportamento e ter sido fortemente repreendida e ter ido apanhar ar a meio da aula, foi ter ocultado dos pais, primeiro a ficha, sob o pretexto de que se a mãe soubesse não a deixaria ir ao concerto (erro tão ingénuo), depois todo o mau comportamento que nos chega sob forma de e-mail da directora de turma, num tom fofinho como se pode imaginar. Posto isto, não nos restou alternativa senão castigá-la: não vai ao concerto, fica sem computador ao fim-de-semana, bicicleta idem, prendas do dia da criança nem pensar. Se não fosse pela Xana até o meu bilhete vendia. Agora a Catarina tem até ao fim do ano para se redimir (vendemos o bilhete dela, se ela se portar bem vai ao Alive ver Arctic Monkeys, mas é surpresa). A pessoa que mais sofreu com isto tudo fui eu: há meses que sonhava com o dia de hoje. O concerto vai ser mágico, tenho a certeza, e era daquelas coisas que ela ia guardar no coração: o dia em que foi ver Arcade Fire pela primeira vez com o pai, naquele concerto mágico do dia trinta e um de maio, quando tinha onze anos. Passei tanto tempo a sonhar com isto e agora ela faz uma coisa destas na semana antes do concerto... A educação dela está em primeiro lugar: por muito que me doa ouvi-la chorar, por muito que me custe, por muito que me apetecesse ir imediatamente buscá-la a casa da mãe e arrastá-la contra tudo e todos para o concerto. Mas ela tem que perceber. E eu tenho que perceber, também. Ela tem que meter na cabeça de uma vez por todas que tem de mudar o comportamento e não pode continuar a ser recompensada como se nada fosse. Hoje íamos três ao rock in rio: afinal continuamos a ir três: eu, a Xana e o meu coração partido. Ser pai é fodido, não sei se já vos disse.

30 de maio de 2014

Granta III

Começar logo com a Alexandra Lucas Coelho: confesso que não morro de amores mas dou-lhe uma hipótese, como se fosse eu um qualquer deus da literatura. Não morro de amores por ela, eu que tendo a apaixonar-me por todas as mulheres que escrevem bem. A Susana Moreira Marques e a Hélia Correia chegam daqui a pouco com a segurança de serem paixões passadas. Acabo de ler a Alexandra Lucas Coelho: continuo sem morrer de amores mas gostei do texto, é daquelas coisas que não se explicam. Acho que traí as vírgulas pelos pontos finais. Vou continuar a ler, agora será a Teresa Veiga. 

Prémio Camões

Hélia Correia? Almeida Faria? Ruben Fonseca? Gonçalo M. Tavares?

29 de maio de 2014

O Eça de Queiroz de certeza que não guardava uma substituição para o minuto 118 do prolongamento



Am I cool enough for you?

Se tudo correr bem será algo do género:

Reflektor
Flashbulb Eyes
Neighborhood #3 (Power Out)
Rebellion (Lies)
Joan of Arc (w/ 'My Body Is a Cage' acapella intro)
Month of May
The Suburbs
The Suburbs (Continued)
Ready to Start
We Exist
Neighborhood #1 (Tunnels)
Intervention (w/ '(Antichrist Television Blues)' outro)
Haïti
Afterlife
It's Never Over (Oh Orpheus)
Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)

Encore:
Normal Person
Here Comes the Night Time
Wake Up

Podiam abrir com a Normal Person como noutras ocasiões, mas se for assim ficamos felizes na mesma.

28 de maio de 2014

Agora não sei outra vez


Com a caligrafia de Álvaro Siza Vieira, Armando Baptista-Bastos, Eduardo Lourenço, Dulce Maria Cardoso, Gonçalo M. Tavares, Júlio Pomar, Lídia Jorge, Mário de Carvalho e Valter Hugo Mãe. Não sei. Estou indeciso. Curtia que me convidassem a mim para caligrafar o título de um dos livros. Imagino a reacção dos leitores: "ah, não sabia que o Saramago tinha um título em russo". 

27 de maio de 2014

Sugestão para a próxima sondagem da TVI



Acho que este tipo de sondagem vai no bom caminho mas ainda não toca nos pontos verdadeiramente fracturantes da sociedade. Sugiro as próximas questões:
- A quem é que pedia para lhe raspar os calos?
- Quem é que convidava para uma ménage?
- De quem é que aceitava boleia numa noite escura no IC19 às quatro da manhã?
- Com quem deixava o seu filho, se decidisse emigrar e iniciar uma vida de crime no Luxemburgo?

26 de maio de 2014

Continuando a conspiração

Sérgio Conceição apresentado no Braga. Jesus para o Milan e Nuno Espírito Santo na Luz?

Acho que estou convencido


Por outro lado

Ouvi uma senhora analista, uma paineleira do costume, dizer que os que não votaram estão contra o "establishment". É, é isso. Eles até sabem todos o que isso quer dizer. 

As coisas que se aprendem na rádio.

Barsil. O mundial é no Barsil. A selecção vai primeiro aos Estados Unidos antes de ir para o Barsil.

24 de maio de 2014

Nuestros hermanos e tal, mas...

Se eu ouço um mais espanhol a dizer "no intiendo" quando perguntam "como foi a exibição?" e a responderem perfeitamente quando lhes perguntam "la exibicion?" eu juro que se acabam já os festejos e é mandar tudo para casa e a taça fica cá e estão proibídos de passar a fronteira nos próximos dez anos (a não ser que seja para virem gastar milhões disparatadamente em gajos duvidosos do Benfica).

22 de maio de 2014

Link, first of his name, king of the andals and the first men, lord of the seven kingdoms, and protector of the realm


O ataque epiléptico como forma de diversão

App do demónio

Abstenção

Até me admiro como é que, à semelhança da factura da sorte, não há um "voto da sorte", votavam e entravam num sorteio para ganhar um carro. É que ganhar um país melhor aparentemente não é um motivo assim tão válido para ir votar. 

Xadrez

Se o Marco Silva está em Alvalade e o Espírito Santo no Braga, o Couceiro no Estoril e o Pedro Martins no Rio Ave, o Lopetegui (quem?) no Porto, o Jardim no Mónaco (só me apraz dizer LOL, o dono do clube até já se separou e tudo), quo vadis Jesus? Fica e carrega, como tão bem sabes, mais um aninho.

21 de maio de 2014

O primeiro parecia ir tão bem, depois o segundo trouxe-me dúvidas, o terceiro despertou-me medo


Estas próximas horas vão ser bonitas

O Sporting com uma conferência de imprensa marcada para o fim da tarde. Marco Silva? Nuno Espírito Santo? Jesus? 

Este jornalista do Disco Digital é um amor

Depois de ter dado uma estrela ao disco de PAUS (aqui até se compreendia uma pontuação baixa, mas o tom da crítica...), dá duas estrelas ao disco de Black Keys. Mais uma vez, o tom da crítica é bastante negativo. Se formos ver a Metacritic do disco, está numa aceitável média de setenta e quatro por cento, baseada em trinta e três críticas (a pontuação dos leitores é de setenta e nove por cento). O Allmusic dá quatro estrelas. Talvez o senhor jornalista devesse ler outras publicações para perceber que se pode dar más pontuações a discos que não se goste, sem ser necessário usar termos como "rodapé de carreira decepcionante" ou "gesto precoce de meia idade". Gestos sobranceiros de tenra idade. 

20 de maio de 2014

A nova época promete

Quero ouvir o Jesus a dizer Davidowicz.

Esta selecção

É mais fraquinha das últimas competições a que fomos, sem dúvida a mais desequilibrada em termos de valores dentro do plantel, tanto jogador a roçar o mediano e depois o melhor do mundo. E os avançados? Quais avançados? Pois. 

Detectives selvagens

Jovens autores, preparem-se. Em breve falaremos.

19 de maio de 2014

Hey goo what's new?

Depois de Guns, Ramones, Misfits e Iron Maiden, agora é Sonic Youth nas t-shirts para miúdas. Temo o que possa vir a seguir. Os designers das marcas estão a ficar sem ideias de frases fofinhas?
- então Toni, que achas desta: Keep calm and sê um unicórnio?
- epá, muito batida...
- não tenho mais nada..
- já sei, abre o spotify ao calhas e mete a primeira capa de disco que te aparecer.

18 de maio de 2014

16 de maio de 2014

If you have ghosts

Então a Granta cancelou o concurso para os jovens escritores, uma pena. Antigamente ainda havia o DN Jovem, tantos escritores hoje conceituados que por lá passaram. Ainda houve uma coisa parecida na LER, mas era mensal (agora trimestral...). O DN era semanal, era um incentivo bastante forte para escrever. Cortem na formação e depois temos que andar a escolher pontas de lança entre Hugo Almeida, Postiga e Éder. Fica a analogia para reflectirem durante o dia de hoje.

15 de maio de 2014

Os portugueses devem ter sido portugueses nas vidas passadas para merecerem isto

"As memórias de vidas passadas podem interferir na saúde e a limpeza dessas memórias pode ajudar". Alexandra Solnado na Assembleia da República? Não me espanta assim tanto, às tantas passa por deputada, esta trata de vidas passadas, os outros lixam as vidas futuras, é quase a mesma coisa.

"quanto mais experientes a gente estejamos, mais conhecimento tamos, melhor também estamos"

Experiência, Jesus? O que te diz a experiência em relação ao binómio Cardozo - pontapés da marca de grande penalidade? Sim, o Beto avançou muito e houve penalty sobre o Lima. Mas sabes o que se chama a estes acontecimentos? Adversidades. E tu, que tens co-nhe-ci-mento derivado da experiência, deverias saber que os vencedores vencem as adversidades. Junta lá esta ao saco da experiência e não me ponhas a merda do Cardozo a marcar penalties outra vez, por favor. Obrigado.

Nunca voltes a um sítio onde foste infeliz

Não existem superstições, diz a senhora das ciências biomédicas, devota do Santo Técnico e suas divinas matemáticas, eu mantinha a minha dúvida em voltar a ver uma final europeia no mesmo local onde, vinte e seis anos antes, um inocente Ricardo, de sete anos, via o seu Benfica perder uma final europeia em penalties (obrigado Veloso) e ia para casa a arrastar um coração destroçado, agarrado ao pai. Pois bem, vinte e seis anos depois, lá fui, não querendo fugir à maldição, com a minha filha e o meu pai ver uma final europeia exactamente no mesmo sítio. Cento e vinte minutos depois lá ia eu a caminho de casa, com a criança agarrada a mim com os dois braços, a apertar-me mais a cada passo, como se a cada metro que nos afastássemos o sonho fosse morrendo mais um bocadinho, e eu que pensava que perder uma final europeia custava: ver a Catarina com os olhos cheios de lágrimas depois do Cardozo e Rodrigo falharem, as duas mãos agarradas ao cachecol, sem arredar pé quando já muita gente tinha saído, acho que ela ainda acreditava, isso custou muito mais. Portanto, não só foi tão mau como da outra vez como foi muito pior. Lição a retirar: não voltaremos a ver finais europeias no Piper's (embora eu agora tenha sérias dúvidas que lá voltemos tão cedo...) e não dar ouvidos à namorada que diz que as minhas acções não têm influência no resultado. Até parece que ela não sabe que o mundo gira à minha volta. 

14 de maio de 2014

As marcas estão a ficar demasiado agressivas


A receber mensagens assinadas como Vanessa Oliveira a falar de uma conversa que eu devo recordar? É coisa para ir dormir para o sofá com o Link durante um mês. Devo confessar que quando atendi o telefone e ouço "olá, fala a apresentadora de televisão Vanessa Oliveira" pensei logo "foda-se, das duas uma: a minha irmã já me inscreveu num daqueles programas da manhã como eu tendo um problema qualquer ou então inscreveu-me numa daquelas chamadas para ganhar um prémio". Mas, não, afinal era só uma gravação a dizer que podia fazer um check-up ao carro. Agora não quero menos que isto: não pago o IMI enquanto não receber um telefonema da Maria Luís Albuquerque. 

O martelar continua

Novas hipóteses:
- tem um anão preso em casa a bater nas paredes
- é a Joana Vasconcelos e está a esculpir uma águia para oferecer ao Benfica
- viu o filme Noé e ficou inspirada e está a construir um navio

13 de maio de 2014

Música fria

Há um personagem com quem me cruzo todos os dias quando vou passear o cão, quando saio de carro, muitas vezes quando chego ao fim da tarde, por vezes quando passeio o Link à hora de almoço, às sete da manhã lá anda ele pela rua, parece espantado com alguma coisa, tem aquele andar de quem não espera nada de bom, cigarro meio fumado, chaves ao pescoço presos numa fita vermelha, sapatos de vela de quem anda mais do que a sua conta, rebentados em todos os lados. Apanho o por vezes quando está a sair de uma moradia perto de minha casa, fecha o portão enquanto se despede do cão, outras vezes está a sair de uma quinta ao fundo da rua, perto do parque, diversas vezes está na paragem do autocarro a conversar com quem lá está, claro que depois o autocarro passa mas ele fica, também já o vi a sair de uma moradia perto dessa paragem. O cigarro, sempre meio fumado: vejo o todos os dias e nunca o vi acender um cigarro ou apagar um cigarro, dá uma passa, puxa o cabelo branco para trás, segura o cigarro nos dedos, volta a dar uma passa mas o cigarro parece ficar sempre na mesma. 
Moro num sítio tranquilo, consigo imaginar facilmente o que seria esta zona há vinte anos atrás, antes da construção destas urbanizações: mesmo ao lado do meu prédio há uma pequena praça ladeada por ruas empedradas, estreitas, com um chafariz, há uma sociedade recreativa, o planeamento urbanístico era inexistente e as vivendas e ruas mal planeadas multiplicam-se por aí fora, tão típico do concelho de Cascais. Seria um sítio ainda mais silencioso (ainda hoje, por vezes, se ouvem os sinos das ovelhas), com apenas uma estrada, o mar ao fundo a servir de moldura, a serra nas costas a servir de encosto. Nota-se perfeitamente quem são os habitantes desse tempo: conhecem-se, cumprimentam-se, frequentam a sociedade recreativa, parecem amigos, afinal de contas passam a electricidade das casas de uns para os outros e partilham paredes enviesadas para anexos seguramente clandestinos. Como este gajo do cigarro há outros: há o gajo que está sempre a pintar as grades da casa, há o que trata da sociedade recreativa, há a mulher que lava as escadas e que sabe tudo de toda a gente (já a ouvi discutir com um vizinho os prós e contras de um homem hoje em dia ter namorada), há os reformados das moradias com piscina e cães de grande porte, tudo gente com perfil para ir falar à TVI em caso de desgraça. 
É uma fauna curiosa que por aqui anda. Não posso falar muito: aposto que para eles sou o gajo maluco que passeia o cão, diversas vezes ao dia, faça chuva ou sol, vento ou muito vento (aqui não há outra hipótese). Podia ser pior. 

Ninfa inconstante

A culpa. Quanto tempo dura o sentimento de um castigo sem crime?

Como é que sabes que tens uma filha de onze anos

Isto. Por todo o lado.


12 de maio de 2014

O contorcionista dorme descansado


Hipóteses plausíveis

Para a minha vizinha estar há horas a martelar qualquer coisa:
- está a rachar lenha, sei que vem aí o verão mas isto com o tempo nunca se sabe.
- está a fazer aeróbica de saltos, a dançar zumba ou a correr a maratona na sala, há que manter a forma.
- está a fazer um biscate como ferreira, winter is coming, umas espadas dão sempre jeito.
- está a abrir uma janela nova para ver melhor a serra, ter a casa virada para este / oeste é uma chatice em termos de vista.
- está a construir uma cama de faquir, diz que é bom para as costas.
- A minha vizinha é, na verdade, o Vhils e está a fazer um retrato do Jorge Jesus na parede do quarto.

Devia pô-la a escrever sinopses

"A Violeta é uma rapariga estrábica que gosta de três rapazes e não se decide por nenhum deles."

10 de maio de 2014

Eu sei lá o que é o snapchat

"Pai! Não sabes o que é o snapchat?! Não tens snapchat?!" como se fosse o maior dos pecados, eu que pensei que nunca ia ser aquele pai que já não percebe nada dos miúdos de hoje em dia, e eu juro que às vezes tento, outras vezes acho que é melhor nem sequer tentar.

Gosto muito de Nine Inch Nails mas isto está muito bom


9 de maio de 2014

Turn Blue

Fui buscar a Catarina à escola, uma surpresa, levei o Link (portou-se lindamente), foi a loucura, ele mal a viu (já lá iam duas semanas sem vê-la...) começou logo a saltar para cima dela, a tentar por as patas nos ombros dela, os colegas dela a delirarem, lá tiveram a fazer festas ao animal, ela toda vaidosa do seu cão. Depois levei-a a comer um cachorro, junto ao mar, anda a portar-se bem, merece os mimos. No carro, a conversa do costume:
- Pai, fiquei em terceira nas provas de velocidade.
- Boa!
- Fomos a uma escola aqui perto, Matilde qualquer coisa.
- Rosa Araújo.
- Isso! Olha, estava lá o João Pedro da escola antiga.
- E como estava ele?
- Buééééééé giro, rapou o cabelo só de um lado e tem brinco, BUÉ giro!
- ...
Mas o melhor momento estava reservado para a visita à Bisavó paterna. A Catarina abriu a janela da sala para lhe dizer olá no mesmo momento em que o Link tenta apoiar as patas da frente na janela para espreitar. O resultado foi ela entalar-se na janela e soltar o mais sincero foda-se que eu já ouvi. Começou alto e foi a descer, até terminar num sussurro, qualquer coisa como:
FODA-SE
O ar de pânico dela valeu totalmente a pena. 

Por falar em crianças desaparecidas

Recomendo vivamente lerem o conto da Dulce Maria Cardoso, no livro novo dela, baseado no caso Joana Cipriano.

Sete anos depois

Buscas aéreas por Maddie. Nem dá para fazer piadas com isto. Então e todas as outras crianças desaparecidas? E o Palito, não há um helicópterozinho para fazer buscas aéreas para encontrar o homem quando ele for comprar pão outra vez? 

8 de maio de 2014

É música rock do diabo, senhor



Existe espaço (eu diria até necessidade) para o factor choque na música: se falarmos de certos tipos de música é quase um dado adquirido. Há o choque intencional que vem da vontade de chocar para chamar a atenção (o fim dessa atenção é depois discutível), e há o choque inevitável, quando chocam porque chocam porque são assim e não vão mudar e as pessoas não gostam, azarinho. A minha avó, em noventa e dois, ficava horrorizada com o Axl Rose em calçõezinhos de licra e lenço na cabeça e tatuagens, com o Slash a fumar enquanto tocava: aquilo para ela era o fim do mundo. Se lhe mostrasse Cradle of Filth provavelmente não tinha avó neste momento. 
Os Ghost B.C. entram aqui na categoria do sim, vamos chocar toda a gente. Acho piada quando as pessoas agem (chocadíssimas, lá está) como se isto não fosse planeado, como se não fosse o objectivo desde o início e como se, em toda a história do rock / metal não tivesse sido isto tudo feito milhares de vezes: Alice Cooper, Black Sabbath, Marilyn Manson. Só para nomear uns poucos. Há para todos os gostos, coisas mais ou menos extremas (black metal norueguês, é convosco, é) que extravasam todos os limites. 
Um gajo que se auto-intitula Papa Emeritus II e anda com um séquito de músicos que se chamam todos Nameless Ghouls (a questão da identidade dos membros é algo controversa, há quem diga que há gajos conhecidos lá pelo meio, diz-se que o Dave Grohl já tocou com eles e que supostamente o vocalista será este jovem) a cantar letras de índole satânica num palco que replica uma catedral? Não me choca. E não me faz confusão absolutamente nenhuma todo o teatro à volta da banda: porque há ali música por trás, porque há qualidade que suporta o resto. Geralmente as bandas mais ligadas a movimentos deste género costumam utilizar uma sonoridade diferente (geralmente mais extrema). O som dos Ghost é relativamente acessível: os homens até tocaram no Rock in Rio brasileiro, o que quer dizer tudo.
O que me choca são as pessoas que não percebem, que não vêem o lado humorístico e de sátira ao próprio movimento que parecem encabeçar. Veja-se a série de vídeos denominada Papaganda:



Obviamente que ele não tem este aspecto nem fala italiano. Eu também me choco: especialmente com pessoas que levam estas coisas demasiado a sério. 

A palavra escrita é uma cena lixada

Um gajo chama mentiroso, aldrabão e corrupto ao patrão, no facebook, pede para os amigos partilharem a mensagem, é despedido, vai a tribunal, perde, fazem uma reportagem na sic notícias sobre isso. Aprenderam a lição? Conseguem perceber onde está o problema? 

First world problems

O novo disco do Jack White tem duas músicas escondidas no centro do disco e a minha agulha não chega até lá. Mesmo que chegasse, uma delas é a 78rpm, o meu gira-discos não tem essa velocidade. Obrigadinho Jack White.


Para que fique registado, parte II

Afinal existe um cenário em que para mim é exequível a permanência do Jesus no Benfica, mesmo ganhando todas as competições em que está envolvido: vendemos meia equipa (Cardozo, Rodrigo, Gaitan, Garay, André Gomes, Ruben Amorim, por exemplo) e ele começa tudo de novo, talvez (e aqui surge a minha faceta de ingénuo sonhador) apostando na formação (vi os dois últimos jogos dos júniores para a Liga dos Campeões e há jogadores que têm tudo para ser excelentes). 

7 de maio de 2014

Não mordas a língua, ou os dedos, neste caso é escrito e não falado, mas vai dar ao mesmo

Por falar em Clarão, também não era preciso exagerar, Uma estrela? Em cinco? Mauzinho, mauzinho.

Clarão

Não há nada como um momento de implosão, uma destruição maciça pessoal, para perceber, efectivamente, quem joga do nosso lado, quem nos dá a mão, quem tem coragem de nos apontar o dedo para de seguida nos ajudar a levantar. Podemos contar com surpresas ou desilusões, mas em número bastante reduzido: no fundo, recebemos o apoio ou o silêncio de quem prevíamos que assim agisse. A tentação seria dizer que nada está perdido: estaria errado. Na realidade perde-se muito, mas a verdade, a verdade é que há muito, muito mais para ganhar.

Ui, os cruzeiros em Lisboa, esse happening

O David Foster Wallace conta como é.

Pronto, está dito

O novo disco de Black Keys não é o fim do mundo apocalíptico que parecia após ter ouvido os singles. Em abono da verdade, não é nada mau. Não é um Rubber Factory ou um Thickfreakness, mas também não tenta ser. Também não é um El Camino parte dois. É o Turn Blue e  ouve-se muito bem. 

6 de maio de 2014

Para que fique registado

Defendo que se o Benfica ganhar a Liga Europa o Jesus não devia ficar mais um ano.

Ter um filho com a irmã dá nisto

Voltei ao McCarthy (da obra traduzida só me faltam o Filho de Deus e o Guarda do Pomar, e, por tudo o que é sagrado, Relógio d'Água, amigos, vejam lá com o Paulo Faria para despacharem a tradução do Cities of The Plain, para terminar a Trilogia da Fronteira, por favor, obrigado) para ler Nas Trevas Exteriores. Chego facilmente à conclusão que gosto mais das primeiras obras dele (e eu que comecei pelo fim, Estrada e depois Este País Não é Para Velhos). Mais uma vez, o livro é uma viagem pelos recantos mais fofinhos de um desconforto permanente, em cada passo, em cada diálogo, estes livros dele são passeios na berma de um abismo, geram angústia, queremos que eles caiam de uma vez por todas para terminar com este sentimento. Mas depois o homem escreve de uma maneira única e todo aquele imaginário sulista / fronteiriço dos Estados Unidos, aquele tempo e aquele espaço, agradam-me sobremaneira. Claro que o McCarthy dá cabo de nós, com o desenrolar da história, ele define início, fim, tempo, acelera, demora-se, há uma sensação de impotência da parte do leitor: podemos torcer por quem quisermos, ele não quer saber, ele lá vai seguir o seu caminho: e geralmente esse caminho não é bonito de se ler. Repito: o homem dá cabo de nós: por isso recomendo-o vivamente.

Estas gentes da música não são de confiança

Li a Sonata de Kreuzer: fiquei um pouco desiludido: depois do anterior livro que li do Tolstoi a fasquia ficou obscenamente alta. Apesar de ter passagens bastante interessantes e ser relativamente intenso, especialmente tendo em conta o facto de ser um livro pequeno (cento e treze páginas), fica aquém dos outros livros que li dele. 

The blood is the life... and it shall be mine.

Transfusões de sangue jovem podem inverter envelhecimento. Sem querer descambar em distopias ou futuros de cariz orwelliano, vejo aqui todo um potencial de coisas nefastas. 

4 de maio de 2014

May the 4th


Feliz Star Wars Day, directamente da sala aqui do vosso caro. Gosto quando as pessoas se espantam com a minha cena com Star Wars. Realmente, para um gajo que tem um capacete do Darth Vader na foto de perfil (ou  que normalmente tem uma t-shirt do Empire Strikes Back na foto de perfil do facebook...), é uma surpresa.

Killer Be Killed, ou a apologia dos "supergrupos"


Inicialmente, quando confrontado com um "supergrupo" (termo que me causa tremenda comichão) composto por Troy Sanders (Mastodon), Greg Puciato (Dillinger Escape Plan), Dave Elitch (The Mars Volta) e Max Cavalera (se não sabem quem é nem vale a pena continuarem a ler, Sepultura, Soulfly, entre outros), pensei logo num desastre: três vocalistas, nenhum guitarrista particularmente dotado (embora aqui o Puciato surgisse como incógnita). No entanto, para meu espanto, a coisa correu bastante bem: é interessante ouvir o Puciato fora da tempestade aural dos Dillinger Escape Plan, por exemplo, ou ver o Max num plano mais contido e ter um Troy Sanders mais expansivo do que em Mastodon. Talvez seja o equilíbrio entre as partes que faz com que isto resulte. Por cada parte mais básica do Max Cavalera temos o Troy e o Puciato com partes mais ou menos melódicas consoante o contexto, é um triângulo que acaba por esconder bem a limitação vocal e lírica do Max. Sem ser um disco genial, recomenda-se vivamente para quem gosta destas coisas. Esperemos que não sejam outros Nailbomb e façam mais que um álbum. 

1 de maio de 2014

2 de abril de 2014

Cabrera Infante, you bastard

Começar bem o dia é levar com um homem que trazia um livro estragado, a teimar que comprou o livro na tua loja, quando o livro não era lá vendido desde... dois mil e seis, teimar que foi há um mês, ver reticências atrás, mostrar o canhoto que há dentro do livro, coisa que não se usa desde aproximadamente há uma porrada de anos, não é do meu tempo de livreiro, ter visto a léguas qual é o livro e comentar com um colega que talvez, só talvez, o senhor não esteja a perceber as artimanhas do Cabrera Infante, enviá-lo para a concorrência, a editora, afinal de contas, é deles, eles que arranjem ao senhor um livro novo ou resolvam a questão, o senhor insiste que quer a nova edição de uma nova editora que por acaso até é de boa gente de nossa casa, eu insisto para que ele vá lá abaixo, e isto não é uma metáfora, é mesmo para ir à concorrência, ele vai, ele volta, a concorrência, obrigado cabrõezinhos, diz que não, que nós, como vendedores, é que temos de resolver o problema ao senhor, apesar de, claramente, o livro não ter sido ali comprado, pelo menos nos últimos oito anos, e do mesmo já estar esgotado, então, em desespero, digo que falarei com nosso senhor Jesus o Cristo, se for preciso, para tentar resolver o assunto ao homem, e, só naquela, peço-lhe para-me mostrar o problema do livro: o problema, "problema", é que o Cabrera Infante tem muita piada e lembrou-se de imprimir uma página espelhada da página anterior, logo a seguir de várias páginas em branco, então disse-lhe que era mesmo assim, o homem pensou que estava a gozar com ele, fui buscar a nova edição, mostrei-lhe exactamente as mesmas páginas, ele conferiu ainda três vezes, apertou-me a mão, pediu desculpa pelo incómodo e foi à sua vida, e eu aqui devia ter ido à minha, mas, parecendo que não, a minha vida é isto.

29 de março de 2014

Odisseia

O Frederico Lourenço diz no prefácio da Odisseia que "é uma tradução para ser lida pelo gozo de ler." Intenção mais do que conseguida. Pensei que ia encontrar algo mais denso, hermético: estava enganado. No entanto, tem sido bastante melhor do que esperava. Agora vou por toda a gente a ler a Odisseia, tenham paciência.

Deves ter um Continental GT

Aquele bonito momento em que a tua namorada entra no teu carro para te levar à estação de manhã e solta um ensonado credo parece que estou no século XVIII, enquanto olha para o tablier... e o meu carro é de dois mil e onze. 

24 de março de 2014

Ribas

Quando entrei para a faculdade, um amigo, todo Linda-a-Velha Hardcore, via nos Tara Perdida uns inimigos, batata frita pala pala o que é essa merda, perguntava-se ele, e eu não sabia responder, enquanto eu e outros ouvíamos os dois primeiros álbums: a produção era manhosa, algumas das letras eram de cair para o lado de más, mas, aos dezassete anos chegava e sobrava para, o que era  para nós, a continuação dos Censurados, banda que me faz lembrar os punks que se sentavam perto da estação de Cascais, sim, é verdade, havia punks sentados na estação, todos os dias, lá estavam eles, cristas e tudo, e eu todo betinho, cabelo à tigela, a pensar para mim que ouvia muita música em comum com aquela gente, isto em noventa ou noventa e dois, havia um dos punks que tinha um casaco de ganga com um patch gigante dos Helloween nas costas, e nas mangas tinha escrito a caneta azul CENSURADOS, e eu soprava a franja dos olhos e pensava que quando crescesse ia ser assim. Falhei na previsão. Um dos hábitos que tínhamos na faculdade era combinarmos de manhã (só tinhamos aulas às duas da tarde) à porta do metro na baixa para irmos à Carbono, na Almirante Reis. Na altura não havia cá metro no Cais-do-Sodré, essas mordomias modernas. Então lá íamos em excursão à Carbono, comprar cenas do nu-metal que era o que ouvíamos na altura, gastar contos como se não houvesse amanhã. E das imagens que eu guardo do Ribas é ele sentado nas escadas do centro comercial Portugália, onde era a Carbono, com uma garrafa de cerveja ao lado, e nós a passarmos e a olharmos para ele, ele a olhar-nos de lado e nós olha o Ribas, olha o Ribas, e ele sem nos ligar nenhuma, e isto aconteceu diversas vezes. 
Entretanto desliguei-me de Tara Perdida (lembro-me de ver o clip do Nasci Hoje no Sol Música, mas não liguei muito) até cerca de 2008. A Catarina, então com cinco anos, queria ouvir música em português para conseguir cantar as letras. Então lá andei a pensar no que ela podia ouvir, surgiram algumas bandas candidatas e eu fui submetendo-a (com uma selecção prévia feita por aprovação maternal por causa das letras) a vários testes, e ela gostou muito de Tara Perdida (dos três últimos álbums, deixei os dois primeiros de fora). Das imagens que hei de guardar sempre será ela, a caminho da escola, de farda, de punho pequenino no ar, ainda com voz de bebé, a cantar coisas como "um conceito que me dê força de libertação, um sentido de viver uma razão, querer sempre acreditar que por mais que eu possa errar espero sempre encontrar solução, quero sempre encontrar solução, e hei-de sempre encontrar solução" ou "o sentimento é imaginação, promessas feitas só por ilusão, nunca mais eu vou ficar aqui". Em 2009 fui vê-los ao Coliseu e ela não foi: tinha seis anos, era demasiado pequena, ainda liguei para o Coliseu para saber se havia alguma hipótese de ela ir, ficávamos cá atrás sentadinhos, era o sonho dela, ver Tara Perdida, mas, não, o bilhete dizia maiores de doze ou lá o que era, nada feito, lá fui ao concerto e ela, durante muito tempo, não me perdoou. Foi um concerto muito arriscado, uma banda punk de Alvalade a tocar no Coliseu? Estavam doidos. O concerto foi muito bom, estava uma boa casa: recordo-me do espanto do Ribas a dizer eh lá, está compostinho, parece um concerto a sério.
Ainda há um mês estávamos ouvir de manhã na rádio, a caminho da escola, que os Tara Perdida iam entrar em digressão, passando pelo Garage. Apesar de ela já não ouvir com a frequência de antigamente e agora andar a ouvir outras coisas que, enfim, fazem parte da idade dela, não resistiu a perguntar se íamos. Podemos ir, respondi eu. Não podemos. 
Em 2006 deram um concerto do caraças no Incrível Almadense. Em jeito de homenagem, um obrigado e um adeus, ficam as boas memórias.


22 de março de 2014

Quando disseram que íamos partilhar o palco os cabrões não estavam a mentir


(fotos daqui)

Épico. Até ponho um ponto final e tudo, eu que tenho a mania das vírgulas e dos "e" e do "stream of consciousness" e "das aspas", primeiro alguma confusão quanto ao sítio onde estávamos, e eu, eu avisei e tinha razão, estamos virados de frente para a plateia do coliseu, sentados nas traseiras do palco, e eles não acreditavam, pois, quando, na Elétrica Cadente, o pano se levantou (por favor que alguém tenha registado isso em vídeo...) e o Coliseu foi aparecendo, sombrio e vazio, nas costas deles, o espanto encheu a sala e marcou um dos momentos mais especiais de um concerto da vida de muita gente que ali se sentava, é isto, foi isto, dia quatro de dezembro haverá mais, desta vez da maneira convencional, e nós lá estaremos.



21 de março de 2014

Assim é batota



A Juventus tem o gajo do Ruptura Explosiva na comitiva, assim dá-lhes vantagem, o Bodhi é destemido e surfa à noite e salta de aviões sem para-quedas e bebe shots das mamas das gajas, o Benfica o máximo que tem é o Barbas e o gajo que se mascara de Papa, assim não vamos lá.

(sim, é o Patrick Swayze o gajo do filme, e sim, este é o Pavel Nedved)