26 de maio de 2014

Continuando a conspiração

Sérgio Conceição apresentado no Braga. Jesus para o Milan e Nuno Espírito Santo na Luz?

Acho que estou convencido


Por outro lado

Ouvi uma senhora analista, uma paineleira do costume, dizer que os que não votaram estão contra o "establishment". É, é isso. Eles até sabem todos o que isso quer dizer. 

As coisas que se aprendem na rádio.

Barsil. O mundial é no Barsil. A selecção vai primeiro aos Estados Unidos antes de ir para o Barsil.

24 de maio de 2014

Nuestros hermanos e tal, mas...

Se eu ouço um mais espanhol a dizer "no intiendo" quando perguntam "como foi a exibição?" e a responderem perfeitamente quando lhes perguntam "la exibicion?" eu juro que se acabam já os festejos e é mandar tudo para casa e a taça fica cá e estão proibídos de passar a fronteira nos próximos dez anos (a não ser que seja para virem gastar milhões disparatadamente em gajos duvidosos do Benfica).

22 de maio de 2014

Link, first of his name, king of the andals and the first men, lord of the seven kingdoms, and protector of the realm


O ataque epiléptico como forma de diversão

App do demónio

Abstenção

Até me admiro como é que, à semelhança da factura da sorte, não há um "voto da sorte", votavam e entravam num sorteio para ganhar um carro. É que ganhar um país melhor aparentemente não é um motivo assim tão válido para ir votar. 

Xadrez

Se o Marco Silva está em Alvalade e o Espírito Santo no Braga, o Couceiro no Estoril e o Pedro Martins no Rio Ave, o Lopetegui (quem?) no Porto, o Jardim no Mónaco (só me apraz dizer LOL, o dono do clube até já se separou e tudo), quo vadis Jesus? Fica e carrega, como tão bem sabes, mais um aninho.

21 de maio de 2014

O primeiro parecia ir tão bem, depois o segundo trouxe-me dúvidas, o terceiro despertou-me medo


Estas próximas horas vão ser bonitas

O Sporting com uma conferência de imprensa marcada para o fim da tarde. Marco Silva? Nuno Espírito Santo? Jesus? 

Este jornalista do Disco Digital é um amor

Depois de ter dado uma estrela ao disco de PAUS (aqui até se compreendia uma pontuação baixa, mas o tom da crítica...), dá duas estrelas ao disco de Black Keys. Mais uma vez, o tom da crítica é bastante negativo. Se formos ver a Metacritic do disco, está numa aceitável média de setenta e quatro por cento, baseada em trinta e três críticas (a pontuação dos leitores é de setenta e nove por cento). O Allmusic dá quatro estrelas. Talvez o senhor jornalista devesse ler outras publicações para perceber que se pode dar más pontuações a discos que não se goste, sem ser necessário usar termos como "rodapé de carreira decepcionante" ou "gesto precoce de meia idade". Gestos sobranceiros de tenra idade. 

20 de maio de 2014

A nova época promete

Quero ouvir o Jesus a dizer Davidowicz.

Esta selecção

É mais fraquinha das últimas competições a que fomos, sem dúvida a mais desequilibrada em termos de valores dentro do plantel, tanto jogador a roçar o mediano e depois o melhor do mundo. E os avançados? Quais avançados? Pois. 

Detectives selvagens

Jovens autores, preparem-se. Em breve falaremos.

19 de maio de 2014

Hey goo what's new?

Depois de Guns, Ramones, Misfits e Iron Maiden, agora é Sonic Youth nas t-shirts para miúdas. Temo o que possa vir a seguir. Os designers das marcas estão a ficar sem ideias de frases fofinhas?
- então Toni, que achas desta: Keep calm and sê um unicórnio?
- epá, muito batida...
- não tenho mais nada..
- já sei, abre o spotify ao calhas e mete a primeira capa de disco que te aparecer.

18 de maio de 2014

16 de maio de 2014

If you have ghosts

Então a Granta cancelou o concurso para os jovens escritores, uma pena. Antigamente ainda havia o DN Jovem, tantos escritores hoje conceituados que por lá passaram. Ainda houve uma coisa parecida na LER, mas era mensal (agora trimestral...). O DN era semanal, era um incentivo bastante forte para escrever. Cortem na formação e depois temos que andar a escolher pontas de lança entre Hugo Almeida, Postiga e Éder. Fica a analogia para reflectirem durante o dia de hoje.

15 de maio de 2014

Os portugueses devem ter sido portugueses nas vidas passadas para merecerem isto

"As memórias de vidas passadas podem interferir na saúde e a limpeza dessas memórias pode ajudar". Alexandra Solnado na Assembleia da República? Não me espanta assim tanto, às tantas passa por deputada, esta trata de vidas passadas, os outros lixam as vidas futuras, é quase a mesma coisa.

"quanto mais experientes a gente estejamos, mais conhecimento tamos, melhor também estamos"

Experiência, Jesus? O que te diz a experiência em relação ao binómio Cardozo - pontapés da marca de grande penalidade? Sim, o Beto avançou muito e houve penalty sobre o Lima. Mas sabes o que se chama a estes acontecimentos? Adversidades. E tu, que tens co-nhe-ci-mento derivado da experiência, deverias saber que os vencedores vencem as adversidades. Junta lá esta ao saco da experiência e não me ponhas a merda do Cardozo a marcar penalties outra vez, por favor. Obrigado.

Nunca voltes a um sítio onde foste infeliz

Não existem superstições, diz a senhora das ciências biomédicas, devota do Santo Técnico e suas divinas matemáticas, eu mantinha a minha dúvida em voltar a ver uma final europeia no mesmo local onde, vinte e seis anos antes, um inocente Ricardo, de sete anos, via o seu Benfica perder uma final europeia em penalties (obrigado Veloso) e ia para casa a arrastar um coração destroçado, agarrado ao pai. Pois bem, vinte e seis anos depois, lá fui, não querendo fugir à maldição, com a minha filha e o meu pai ver uma final europeia exactamente no mesmo sítio. Cento e vinte minutos depois lá ia eu a caminho de casa, com a criança agarrada a mim com os dois braços, a apertar-me mais a cada passo, como se a cada metro que nos afastássemos o sonho fosse morrendo mais um bocadinho, e eu que pensava que perder uma final europeia custava: ver a Catarina com os olhos cheios de lágrimas depois do Cardozo e Rodrigo falharem, as duas mãos agarradas ao cachecol, sem arredar pé quando já muita gente tinha saído, acho que ela ainda acreditava, isso custou muito mais. Portanto, não só foi tão mau como da outra vez como foi muito pior. Lição a retirar: não voltaremos a ver finais europeias no Piper's (embora eu agora tenha sérias dúvidas que lá voltemos tão cedo...) e não dar ouvidos à namorada que diz que as minhas acções não têm influência no resultado. Até parece que ela não sabe que o mundo gira à minha volta. 

14 de maio de 2014

As marcas estão a ficar demasiado agressivas


A receber mensagens assinadas como Vanessa Oliveira a falar de uma conversa que eu devo recordar? É coisa para ir dormir para o sofá com o Link durante um mês. Devo confessar que quando atendi o telefone e ouço "olá, fala a apresentadora de televisão Vanessa Oliveira" pensei logo "foda-se, das duas uma: a minha irmã já me inscreveu num daqueles programas da manhã como eu tendo um problema qualquer ou então inscreveu-me numa daquelas chamadas para ganhar um prémio". Mas, não, afinal era só uma gravação a dizer que podia fazer um check-up ao carro. Agora não quero menos que isto: não pago o IMI enquanto não receber um telefonema da Maria Luís Albuquerque. 

O martelar continua

Novas hipóteses:
- tem um anão preso em casa a bater nas paredes
- é a Joana Vasconcelos e está a esculpir uma águia para oferecer ao Benfica
- viu o filme Noé e ficou inspirada e está a construir um navio

13 de maio de 2014

Música fria

Há um personagem com quem me cruzo todos os dias quando vou passear o cão, quando saio de carro, muitas vezes quando chego ao fim da tarde, por vezes quando passeio o Link à hora de almoço, às sete da manhã lá anda ele pela rua, parece espantado com alguma coisa, tem aquele andar de quem não espera nada de bom, cigarro meio fumado, chaves ao pescoço presos numa fita vermelha, sapatos de vela de quem anda mais do que a sua conta, rebentados em todos os lados. Apanho o por vezes quando está a sair de uma moradia perto de minha casa, fecha o portão enquanto se despede do cão, outras vezes está a sair de uma quinta ao fundo da rua, perto do parque, diversas vezes está na paragem do autocarro a conversar com quem lá está, claro que depois o autocarro passa mas ele fica, também já o vi a sair de uma moradia perto dessa paragem. O cigarro, sempre meio fumado: vejo o todos os dias e nunca o vi acender um cigarro ou apagar um cigarro, dá uma passa, puxa o cabelo branco para trás, segura o cigarro nos dedos, volta a dar uma passa mas o cigarro parece ficar sempre na mesma. 
Moro num sítio tranquilo, consigo imaginar facilmente o que seria esta zona há vinte anos atrás, antes da construção destas urbanizações: mesmo ao lado do meu prédio há uma pequena praça ladeada por ruas empedradas, estreitas, com um chafariz, há uma sociedade recreativa, o planeamento urbanístico era inexistente e as vivendas e ruas mal planeadas multiplicam-se por aí fora, tão típico do concelho de Cascais. Seria um sítio ainda mais silencioso (ainda hoje, por vezes, se ouvem os sinos das ovelhas), com apenas uma estrada, o mar ao fundo a servir de moldura, a serra nas costas a servir de encosto. Nota-se perfeitamente quem são os habitantes desse tempo: conhecem-se, cumprimentam-se, frequentam a sociedade recreativa, parecem amigos, afinal de contas passam a electricidade das casas de uns para os outros e partilham paredes enviesadas para anexos seguramente clandestinos. Como este gajo do cigarro há outros: há o gajo que está sempre a pintar as grades da casa, há o que trata da sociedade recreativa, há a mulher que lava as escadas e que sabe tudo de toda a gente (já a ouvi discutir com um vizinho os prós e contras de um homem hoje em dia ter namorada), há os reformados das moradias com piscina e cães de grande porte, tudo gente com perfil para ir falar à TVI em caso de desgraça. 
É uma fauna curiosa que por aqui anda. Não posso falar muito: aposto que para eles sou o gajo maluco que passeia o cão, diversas vezes ao dia, faça chuva ou sol, vento ou muito vento (aqui não há outra hipótese). Podia ser pior. 

Ninfa inconstante

A culpa. Quanto tempo dura o sentimento de um castigo sem crime?

Como é que sabes que tens uma filha de onze anos

Isto. Por todo o lado.


12 de maio de 2014

O contorcionista dorme descansado


Hipóteses plausíveis

Para a minha vizinha estar há horas a martelar qualquer coisa:
- está a rachar lenha, sei que vem aí o verão mas isto com o tempo nunca se sabe.
- está a fazer aeróbica de saltos, a dançar zumba ou a correr a maratona na sala, há que manter a forma.
- está a fazer um biscate como ferreira, winter is coming, umas espadas dão sempre jeito.
- está a abrir uma janela nova para ver melhor a serra, ter a casa virada para este / oeste é uma chatice em termos de vista.
- está a construir uma cama de faquir, diz que é bom para as costas.
- A minha vizinha é, na verdade, o Vhils e está a fazer um retrato do Jorge Jesus na parede do quarto.

Devia pô-la a escrever sinopses

"A Violeta é uma rapariga estrábica que gosta de três rapazes e não se decide por nenhum deles."

10 de maio de 2014

Eu sei lá o que é o snapchat

"Pai! Não sabes o que é o snapchat?! Não tens snapchat?!" como se fosse o maior dos pecados, eu que pensei que nunca ia ser aquele pai que já não percebe nada dos miúdos de hoje em dia, e eu juro que às vezes tento, outras vezes acho que é melhor nem sequer tentar.

Gosto muito de Nine Inch Nails mas isto está muito bom


9 de maio de 2014

Turn Blue

Fui buscar a Catarina à escola, uma surpresa, levei o Link (portou-se lindamente), foi a loucura, ele mal a viu (já lá iam duas semanas sem vê-la...) começou logo a saltar para cima dela, a tentar por as patas nos ombros dela, os colegas dela a delirarem, lá tiveram a fazer festas ao animal, ela toda vaidosa do seu cão. Depois levei-a a comer um cachorro, junto ao mar, anda a portar-se bem, merece os mimos. No carro, a conversa do costume:
- Pai, fiquei em terceira nas provas de velocidade.
- Boa!
- Fomos a uma escola aqui perto, Matilde qualquer coisa.
- Rosa Araújo.
- Isso! Olha, estava lá o João Pedro da escola antiga.
- E como estava ele?
- Buééééééé giro, rapou o cabelo só de um lado e tem brinco, BUÉ giro!
- ...
Mas o melhor momento estava reservado para a visita à Bisavó paterna. A Catarina abriu a janela da sala para lhe dizer olá no mesmo momento em que o Link tenta apoiar as patas da frente na janela para espreitar. O resultado foi ela entalar-se na janela e soltar o mais sincero foda-se que eu já ouvi. Começou alto e foi a descer, até terminar num sussurro, qualquer coisa como:
FODA-SE
O ar de pânico dela valeu totalmente a pena. 

Por falar em crianças desaparecidas

Recomendo vivamente lerem o conto da Dulce Maria Cardoso, no livro novo dela, baseado no caso Joana Cipriano.

Sete anos depois

Buscas aéreas por Maddie. Nem dá para fazer piadas com isto. Então e todas as outras crianças desaparecidas? E o Palito, não há um helicópterozinho para fazer buscas aéreas para encontrar o homem quando ele for comprar pão outra vez? 

8 de maio de 2014

É música rock do diabo, senhor



Existe espaço (eu diria até necessidade) para o factor choque na música: se falarmos de certos tipos de música é quase um dado adquirido. Há o choque intencional que vem da vontade de chocar para chamar a atenção (o fim dessa atenção é depois discutível), e há o choque inevitável, quando chocam porque chocam porque são assim e não vão mudar e as pessoas não gostam, azarinho. A minha avó, em noventa e dois, ficava horrorizada com o Axl Rose em calçõezinhos de licra e lenço na cabeça e tatuagens, com o Slash a fumar enquanto tocava: aquilo para ela era o fim do mundo. Se lhe mostrasse Cradle of Filth provavelmente não tinha avó neste momento. 
Os Ghost B.C. entram aqui na categoria do sim, vamos chocar toda a gente. Acho piada quando as pessoas agem (chocadíssimas, lá está) como se isto não fosse planeado, como se não fosse o objectivo desde o início e como se, em toda a história do rock / metal não tivesse sido isto tudo feito milhares de vezes: Alice Cooper, Black Sabbath, Marilyn Manson. Só para nomear uns poucos. Há para todos os gostos, coisas mais ou menos extremas (black metal norueguês, é convosco, é) que extravasam todos os limites. 
Um gajo que se auto-intitula Papa Emeritus II e anda com um séquito de músicos que se chamam todos Nameless Ghouls (a questão da identidade dos membros é algo controversa, há quem diga que há gajos conhecidos lá pelo meio, diz-se que o Dave Grohl já tocou com eles e que supostamente o vocalista será este jovem) a cantar letras de índole satânica num palco que replica uma catedral? Não me choca. E não me faz confusão absolutamente nenhuma todo o teatro à volta da banda: porque há ali música por trás, porque há qualidade que suporta o resto. Geralmente as bandas mais ligadas a movimentos deste género costumam utilizar uma sonoridade diferente (geralmente mais extrema). O som dos Ghost é relativamente acessível: os homens até tocaram no Rock in Rio brasileiro, o que quer dizer tudo.
O que me choca são as pessoas que não percebem, que não vêem o lado humorístico e de sátira ao próprio movimento que parecem encabeçar. Veja-se a série de vídeos denominada Papaganda:



Obviamente que ele não tem este aspecto nem fala italiano. Eu também me choco: especialmente com pessoas que levam estas coisas demasiado a sério. 

A palavra escrita é uma cena lixada

Um gajo chama mentiroso, aldrabão e corrupto ao patrão, no facebook, pede para os amigos partilharem a mensagem, é despedido, vai a tribunal, perde, fazem uma reportagem na sic notícias sobre isso. Aprenderam a lição? Conseguem perceber onde está o problema? 

First world problems

O novo disco do Jack White tem duas músicas escondidas no centro do disco e a minha agulha não chega até lá. Mesmo que chegasse, uma delas é a 78rpm, o meu gira-discos não tem essa velocidade. Obrigadinho Jack White.


Para que fique registado, parte II

Afinal existe um cenário em que para mim é exequível a permanência do Jesus no Benfica, mesmo ganhando todas as competições em que está envolvido: vendemos meia equipa (Cardozo, Rodrigo, Gaitan, Garay, André Gomes, Ruben Amorim, por exemplo) e ele começa tudo de novo, talvez (e aqui surge a minha faceta de ingénuo sonhador) apostando na formação (vi os dois últimos jogos dos júniores para a Liga dos Campeões e há jogadores que têm tudo para ser excelentes). 

7 de maio de 2014

Não mordas a língua, ou os dedos, neste caso é escrito e não falado, mas vai dar ao mesmo

Por falar em Clarão, também não era preciso exagerar, Uma estrela? Em cinco? Mauzinho, mauzinho.

Clarão

Não há nada como um momento de implosão, uma destruição maciça pessoal, para perceber, efectivamente, quem joga do nosso lado, quem nos dá a mão, quem tem coragem de nos apontar o dedo para de seguida nos ajudar a levantar. Podemos contar com surpresas ou desilusões, mas em número bastante reduzido: no fundo, recebemos o apoio ou o silêncio de quem prevíamos que assim agisse. A tentação seria dizer que nada está perdido: estaria errado. Na realidade perde-se muito, mas a verdade, a verdade é que há muito, muito mais para ganhar.

Ui, os cruzeiros em Lisboa, esse happening

O David Foster Wallace conta como é.

Pronto, está dito

O novo disco de Black Keys não é o fim do mundo apocalíptico que parecia após ter ouvido os singles. Em abono da verdade, não é nada mau. Não é um Rubber Factory ou um Thickfreakness, mas também não tenta ser. Também não é um El Camino parte dois. É o Turn Blue e  ouve-se muito bem. 

6 de maio de 2014

Para que fique registado

Defendo que se o Benfica ganhar a Liga Europa o Jesus não devia ficar mais um ano.

Ter um filho com a irmã dá nisto

Voltei ao McCarthy (da obra traduzida só me faltam o Filho de Deus e o Guarda do Pomar, e, por tudo o que é sagrado, Relógio d'Água, amigos, vejam lá com o Paulo Faria para despacharem a tradução do Cities of The Plain, para terminar a Trilogia da Fronteira, por favor, obrigado) para ler Nas Trevas Exteriores. Chego facilmente à conclusão que gosto mais das primeiras obras dele (e eu que comecei pelo fim, Estrada e depois Este País Não é Para Velhos). Mais uma vez, o livro é uma viagem pelos recantos mais fofinhos de um desconforto permanente, em cada passo, em cada diálogo, estes livros dele são passeios na berma de um abismo, geram angústia, queremos que eles caiam de uma vez por todas para terminar com este sentimento. Mas depois o homem escreve de uma maneira única e todo aquele imaginário sulista / fronteiriço dos Estados Unidos, aquele tempo e aquele espaço, agradam-me sobremaneira. Claro que o McCarthy dá cabo de nós, com o desenrolar da história, ele define início, fim, tempo, acelera, demora-se, há uma sensação de impotência da parte do leitor: podemos torcer por quem quisermos, ele não quer saber, ele lá vai seguir o seu caminho: e geralmente esse caminho não é bonito de se ler. Repito: o homem dá cabo de nós: por isso recomendo-o vivamente.

Estas gentes da música não são de confiança

Li a Sonata de Kreuzer: fiquei um pouco desiludido: depois do anterior livro que li do Tolstoi a fasquia ficou obscenamente alta. Apesar de ter passagens bastante interessantes e ser relativamente intenso, especialmente tendo em conta o facto de ser um livro pequeno (cento e treze páginas), fica aquém dos outros livros que li dele. 

The blood is the life... and it shall be mine.

Transfusões de sangue jovem podem inverter envelhecimento. Sem querer descambar em distopias ou futuros de cariz orwelliano, vejo aqui todo um potencial de coisas nefastas. 

4 de maio de 2014

May the 4th


Feliz Star Wars Day, directamente da sala aqui do vosso caro. Gosto quando as pessoas se espantam com a minha cena com Star Wars. Realmente, para um gajo que tem um capacete do Darth Vader na foto de perfil (ou  que normalmente tem uma t-shirt do Empire Strikes Back na foto de perfil do facebook...), é uma surpresa.

Killer Be Killed, ou a apologia dos "supergrupos"


Inicialmente, quando confrontado com um "supergrupo" (termo que me causa tremenda comichão) composto por Troy Sanders (Mastodon), Greg Puciato (Dillinger Escape Plan), Dave Elitch (The Mars Volta) e Max Cavalera (se não sabem quem é nem vale a pena continuarem a ler, Sepultura, Soulfly, entre outros), pensei logo num desastre: três vocalistas, nenhum guitarrista particularmente dotado (embora aqui o Puciato surgisse como incógnita). No entanto, para meu espanto, a coisa correu bastante bem: é interessante ouvir o Puciato fora da tempestade aural dos Dillinger Escape Plan, por exemplo, ou ver o Max num plano mais contido e ter um Troy Sanders mais expansivo do que em Mastodon. Talvez seja o equilíbrio entre as partes que faz com que isto resulte. Por cada parte mais básica do Max Cavalera temos o Troy e o Puciato com partes mais ou menos melódicas consoante o contexto, é um triângulo que acaba por esconder bem a limitação vocal e lírica do Max. Sem ser um disco genial, recomenda-se vivamente para quem gosta destas coisas. Esperemos que não sejam outros Nailbomb e façam mais que um álbum. 

1 de maio de 2014

2 de abril de 2014

Cabrera Infante, you bastard

Começar bem o dia é levar com um homem que trazia um livro estragado, a teimar que comprou o livro na tua loja, quando o livro não era lá vendido desde... dois mil e seis, teimar que foi há um mês, ver reticências atrás, mostrar o canhoto que há dentro do livro, coisa que não se usa desde aproximadamente há uma porrada de anos, não é do meu tempo de livreiro, ter visto a léguas qual é o livro e comentar com um colega que talvez, só talvez, o senhor não esteja a perceber as artimanhas do Cabrera Infante, enviá-lo para a concorrência, a editora, afinal de contas, é deles, eles que arranjem ao senhor um livro novo ou resolvam a questão, o senhor insiste que quer a nova edição de uma nova editora que por acaso até é de boa gente de nossa casa, eu insisto para que ele vá lá abaixo, e isto não é uma metáfora, é mesmo para ir à concorrência, ele vai, ele volta, a concorrência, obrigado cabrõezinhos, diz que não, que nós, como vendedores, é que temos de resolver o problema ao senhor, apesar de, claramente, o livro não ter sido ali comprado, pelo menos nos últimos oito anos, e do mesmo já estar esgotado, então, em desespero, digo que falarei com nosso senhor Jesus o Cristo, se for preciso, para tentar resolver o assunto ao homem, e, só naquela, peço-lhe para-me mostrar o problema do livro: o problema, "problema", é que o Cabrera Infante tem muita piada e lembrou-se de imprimir uma página espelhada da página anterior, logo a seguir de várias páginas em branco, então disse-lhe que era mesmo assim, o homem pensou que estava a gozar com ele, fui buscar a nova edição, mostrei-lhe exactamente as mesmas páginas, ele conferiu ainda três vezes, apertou-me a mão, pediu desculpa pelo incómodo e foi à sua vida, e eu aqui devia ter ido à minha, mas, parecendo que não, a minha vida é isto.

29 de março de 2014

Odisseia

O Frederico Lourenço diz no prefácio da Odisseia que "é uma tradução para ser lida pelo gozo de ler." Intenção mais do que conseguida. Pensei que ia encontrar algo mais denso, hermético: estava enganado. No entanto, tem sido bastante melhor do que esperava. Agora vou por toda a gente a ler a Odisseia, tenham paciência.

Deves ter um Continental GT

Aquele bonito momento em que a tua namorada entra no teu carro para te levar à estação de manhã e solta um ensonado credo parece que estou no século XVIII, enquanto olha para o tablier... e o meu carro é de dois mil e onze. 

24 de março de 2014

Ribas

Quando entrei para a faculdade, um amigo, todo Linda-a-Velha Hardcore, via nos Tara Perdida uns inimigos, batata frita pala pala o que é essa merda, perguntava-se ele, e eu não sabia responder, enquanto eu e outros ouvíamos os dois primeiros álbums: a produção era manhosa, algumas das letras eram de cair para o lado de más, mas, aos dezassete anos chegava e sobrava para, o que era  para nós, a continuação dos Censurados, banda que me faz lembrar os punks que se sentavam perto da estação de Cascais, sim, é verdade, havia punks sentados na estação, todos os dias, lá estavam eles, cristas e tudo, e eu todo betinho, cabelo à tigela, a pensar para mim que ouvia muita música em comum com aquela gente, isto em noventa ou noventa e dois, havia um dos punks que tinha um casaco de ganga com um patch gigante dos Helloween nas costas, e nas mangas tinha escrito a caneta azul CENSURADOS, e eu soprava a franja dos olhos e pensava que quando crescesse ia ser assim. Falhei na previsão. Um dos hábitos que tínhamos na faculdade era combinarmos de manhã (só tinhamos aulas às duas da tarde) à porta do metro na baixa para irmos à Carbono, na Almirante Reis. Na altura não havia cá metro no Cais-do-Sodré, essas mordomias modernas. Então lá íamos em excursão à Carbono, comprar cenas do nu-metal que era o que ouvíamos na altura, gastar contos como se não houvesse amanhã. E das imagens que eu guardo do Ribas é ele sentado nas escadas do centro comercial Portugália, onde era a Carbono, com uma garrafa de cerveja ao lado, e nós a passarmos e a olharmos para ele, ele a olhar-nos de lado e nós olha o Ribas, olha o Ribas, e ele sem nos ligar nenhuma, e isto aconteceu diversas vezes. 
Entretanto desliguei-me de Tara Perdida (lembro-me de ver o clip do Nasci Hoje no Sol Música, mas não liguei muito) até cerca de 2008. A Catarina, então com cinco anos, queria ouvir música em português para conseguir cantar as letras. Então lá andei a pensar no que ela podia ouvir, surgiram algumas bandas candidatas e eu fui submetendo-a (com uma selecção prévia feita por aprovação maternal por causa das letras) a vários testes, e ela gostou muito de Tara Perdida (dos três últimos álbums, deixei os dois primeiros de fora). Das imagens que hei de guardar sempre será ela, a caminho da escola, de farda, de punho pequenino no ar, ainda com voz de bebé, a cantar coisas como "um conceito que me dê força de libertação, um sentido de viver uma razão, querer sempre acreditar que por mais que eu possa errar espero sempre encontrar solução, quero sempre encontrar solução, e hei-de sempre encontrar solução" ou "o sentimento é imaginação, promessas feitas só por ilusão, nunca mais eu vou ficar aqui". Em 2009 fui vê-los ao Coliseu e ela não foi: tinha seis anos, era demasiado pequena, ainda liguei para o Coliseu para saber se havia alguma hipótese de ela ir, ficávamos cá atrás sentadinhos, era o sonho dela, ver Tara Perdida, mas, não, o bilhete dizia maiores de doze ou lá o que era, nada feito, lá fui ao concerto e ela, durante muito tempo, não me perdoou. Foi um concerto muito arriscado, uma banda punk de Alvalade a tocar no Coliseu? Estavam doidos. O concerto foi muito bom, estava uma boa casa: recordo-me do espanto do Ribas a dizer eh lá, está compostinho, parece um concerto a sério.
Ainda há um mês estávamos ouvir de manhã na rádio, a caminho da escola, que os Tara Perdida iam entrar em digressão, passando pelo Garage. Apesar de ela já não ouvir com a frequência de antigamente e agora andar a ouvir outras coisas que, enfim, fazem parte da idade dela, não resistiu a perguntar se íamos. Podemos ir, respondi eu. Não podemos. 
Em 2006 deram um concerto do caraças no Incrível Almadense. Em jeito de homenagem, um obrigado e um adeus, ficam as boas memórias.


22 de março de 2014

Quando disseram que íamos partilhar o palco os cabrões não estavam a mentir


(fotos daqui)

Épico. Até ponho um ponto final e tudo, eu que tenho a mania das vírgulas e dos "e" e do "stream of consciousness" e "das aspas", primeiro alguma confusão quanto ao sítio onde estávamos, e eu, eu avisei e tinha razão, estamos virados de frente para a plateia do coliseu, sentados nas traseiras do palco, e eles não acreditavam, pois, quando, na Elétrica Cadente, o pano se levantou (por favor que alguém tenha registado isso em vídeo...) e o Coliseu foi aparecendo, sombrio e vazio, nas costas deles, o espanto encheu a sala e marcou um dos momentos mais especiais de um concerto da vida de muita gente que ali se sentava, é isto, foi isto, dia quatro de dezembro haverá mais, desta vez da maneira convencional, e nós lá estaremos.



21 de março de 2014

Assim é batota



A Juventus tem o gajo do Ruptura Explosiva na comitiva, assim dá-lhes vantagem, o Bodhi é destemido e surfa à noite e salta de aviões sem para-quedas e bebe shots das mamas das gajas, o Benfica o máximo que tem é o Barbas e o gajo que se mascara de Papa, assim não vamos lá.

(sim, é o Patrick Swayze o gajo do filme, e sim, este é o Pavel Nedved)

19 de março de 2014

Caros senhores do Primavera Sound

Eu, pelo poder que me foi investido pelos senhores do Rock in Rio, proponho a troca da Lorde pelas Haim, sendo que ofereço, a título de bónus, o rapazito que toca antes e cujo nome não me apetece agora procurar no google. As raparigas cá de casa agradeciam. Eu não, nem tenho Haim no meu iPod. Aquilo é Slayer, está é mal escrito, deve ser um bug.

12 de março de 2014

... a tosse desaparece!

Considero que tenho no olfacto o pior dos meus sentidos mas isso não impediu que hoje, ao entrar no comboio, sentisse um cheiro que me levou de volta à infância, cada vez que inalava sentia uma nostalgia desenfreada e o pior de tudo é que não conseguia precisar a situação e a pessoa com quem eu relacionava o odor, uma coisa simples, rebuçados para a tosse, Dr. Bayard para ser mais preciso, pensei logo, claro, nas avós, no avental da avó materna com uma mola presa para não se esquecer de qualquer coisa, avental que, na minha memória, guardava rebuçados e outros bens de vital importância para os netos, fiquei na dúvida, pensei na avó paterna, penso muito na avó paterna, em recipientes de prata com rebuçados em cima de móveis antigos, sob o olhar tétrico de naturezas mortas ou cenas de caça inglesas, num rés-do-chão da rua de Santa Catarina a dois passos do Adamastor, onde muitas vezes fingi ser o Diamantino ou o Carlos Manuel, lembrei-me depois da farmácia A. Costa, em Cascais, de móveis escuros e pouca luz, continuo sem conseguir encontrar o momento, vou construindo recordações, a minha avó materna não devia guardar rebuçados no avental e a avó paterna não os tinha, certamente, naqueles recipientes de prata, penso nas malas da minha mãe, na paciência dela em intermináveis visitas ao médico por causa de anginas e amigdalites, não havia viroses naquela altura, em que tinha de aturar um fedelho que lhe testava a paciência de santa com perguntas de Calimero de vão de escada, falta muito, porquê eu, porque é que estou doente, porque é que não somos nós, quando é que vamos embora, porquê, quando, como, santa paciência a da senhora Teresa, e a farmácia, quando hoje lá entro é tudo tão claro e luminoso e os velhinhos de balcão substituídos por farmacêuticos novinhos e sorridentes, percebo que realmente não vou ter resposta para a minha questão e a sensação de conforto imaginário provocado pelo cheiro familiar é substituída pelo medo do que o tempo faz à memória e do quanto eu guardei de mim dos anos oitenta, noventa, como se eu ainda lá estivesse e como se tivesse a indelével certeza de que se o perder me perco também. 

Dá que pensar

Recebi por dois meios diferentes a notícia da morte do D. José Policarpo.

10 de março de 2014

Bruno de Carvalho

Por muita razão que possas ter, e se tens, meu caro, se tens, o facto de não veres no clube que está acima de ti um justo primeiro lugar deita tudo por água abaixo, mas, deixa lá, estamos habituados, eu até já me habituei a não ir a lado nenhum sem ser ao colo de alguém, é só chato para a minha namorada mas de resto faz-se bem, pergunto-te, Bruno, se tu já viste o Benfica a sair a jogar, se já viste como o Fejsa desce para receber a bola, o Luisão e o Garay encostam às alas, o Maxi e o Siqueira colocam-se ao lado do Enzo e os extremos oram derivam para o meio para superioridades no centro do terreno ora avançam para desenhar um 3-3-4, pois, não viste, é normal, se tivesses visto talvez percebesses porque estamos em primeiro, vai ao youtube, procura "Markovic Guimarães" ou "Gaitan Belenenses" e vais perceber, aqui já nem digo para procurares "Markovic Sporting" ou "Gaitan Sporting", para veres como estou a ser simpático, vá, queixa-te como é teu direito e dever, pelo clube que orgulhosamente defendes, pelo clube que merece estar no topo e com quem eu quero voltar lutar por campeonatos, queixa-te porque tens razões para o fazer, mas, por favor, deixa-nos fora disso.

6 de março de 2014

Por falar em One Direction

Depois disto pensei que a minha relação com os One Direction, em termos de compras, tinha terminado, mas, com o intuito de comprar a prenda para a senhora mais crescida cá de casa oferecer à mais pequena, tive que ir ao inominável sítio onde algumas pessoas compram livros, a vergonha, para comprar o novo cd de One Direction, e basicamente essa visita resume-se a eu passar o tempo todo a tentar colocar o cd dentro do casaco do meu amigo sem ele dar por isso ou a arranjar desculpas banais do tipo "segura aí que tenho que apertar o sapato" ou "sou o teu chefe e tu fazes o que eu mando leva já isto à caixa senão ficas dois meses a sair às dez da noite" só para não andar a passear o cd lá pelo meio, e depois claro, levar com os sorrisinhos na caixa, do tipo "é para a tua filha, é *piscar de olho*".

Rescaldo do aniversário

Não percebo esta gente: tenho que aturar a senhora minha ex-sogra durante dez minutos ao telefone para escolher um telemóvel para a Catarina, isto já ignorando o facto de ir com a ideia de comprar um ipad mini, lá chegamos a um consenso no modelo do telemóvel, longe dos ipods, sim, eu sei que ela quer, sim, eu sei que para si gastar essa quantia num telefone para uma criança de onze anos é trigo limpo farinha amparo, mas, vamos lá ter calminha, vamos escolher algo mais adequado, e assim o fizemos, julgava eu, chega o aniversário e não há telefone para ninguém, eu que até mandei vir uma capa para o dito, resumindo, recebeu um ipod touch de trinta e dois gb, aquele akward moment em que a tua filha tem um ipod melhor que o teu (que, curiosamente, até é dela, já que o meu classic de cento e vinte gb morreu...), recebeu mil trezentas e trinta e duas coisas dos One Direction (sim, até duas pinças recebeu...) e recebeu o bilhete para o Rock in Rio (espero que toquem a Joan of Arc, Laika e No Cars Go, ela vai delirar) e uma assinatura de um ano no site Club Penguin, e isto quando visitou três quartos da família, falta o lado do avô materno.

5 de março de 2014

O carteiro é um porreiro


O senhor que se segue

Depois disto,


isto,


sei que posso estar a ser injusto em termos de ordem, mas o BVA certamente perdoa-me a falha.


4 de março de 2014

Opinião Pública

"Acham que sou comunista? Sou da Arrentela, Seixal, e os comunistas já me dão problemas suficientes", isto para falar da crise na Ucrânia.

Amanhã

A Catarina faz anos amanhã. O que é que se dá a uma criança que tem tudo e que não precisa de nada? Felizmente já me passou aquela vontade irreprimível de dar a melhor prenda, desisti, uma pessoa sabe lá se acerta, as crianças são imprevisíveis, e quando existem avós que são competitivos entre eles e têm outra capacidade financeira é para esquecer.

21 de fevereiro de 2014

O seu a seu dono

Os itálicos do post anterior daqui:


Havia uma versão com a Gisela João na voz, filmada no concerto da semana passada, mas não encontro isso em lado nenhum.



20 de fevereiro de 2014

Noite

Enquanto enrolava o cachecol à volta das mãos a dor nas articulações não me deixava esquecer as mesas 
a boca entre o corpo, soberbo sufoco
que acartámos e as gôndolas que arredámos, tento em vão encontrar uma posição melhor, sentado desconfortavelmente num comboio frio com as vinte e uma horas já atrás das costas e 
prenúncio de tudo no ar
sem um livro para ler, isto para quem acabou de sair de um sítio com setenta mil livros é, poeticamente falando, estúpido, assim
a forma é o gesto, contido e modesto
tenho tempo para pensar em como tenho tempo para pensar, e o pensamento é um bicho estranho e fugidio com vontades insondáveis, metamorfoseia-se em sonho ou pesadelo sem darmos conta, e eu, 
seguro o intento, prolongo o altar
que até sou gajo para me preocupar com merdas existencialistas e coisas de intrínseco valor, não deixei de lamentar a falta do livro, tinha lá o Infância, Adolescência, Juventude,
depois vai-se o jeito, despido a preceito
aninhado na minha secretária à espera de ir dar passeios à beira mar sobre carris enferrujados, a vista fica para outra altura,
vertigem em ombros de andor
as costas lembram-me que já não vou para novo mas o lançamento correu bem e não me resta, apesar de tudo, outro remédio senão sorrir, 
cabeça em saturno, se acordo ou se durmo
vendeu-se pouco mas foi bonita a festa, porreiro pá, o ex-primeiro a falar da Arendt e do Eichmann, ele há coisas do diabo,
seguro o intento, prolongo o altar
sinto alguma falta do espaço antigo de lançamentos, penso nas pessoas que conheci por trabalhar onde trabalho, actores, políticos, jornalistas e até, às vezes, escritores, estas doses de realidade ajudam a dar ânimo quando tudo parece enrolar num manto cada vez mais funesto, mas, a verdade, livraria que me amparas,
só eu te sei dizer
só eu te sei dizer.

19 de fevereiro de 2014

Seis estrelas


Dizem que não se deve reagir a quente, mas não consigo evitar, uma maravilha, eu também estive lá.

17 de fevereiro de 2014

Separados à nascença



Por separados à nascença estou a referir-me, claro está, aos "criativos" que criaram isto e à originalidade.

15 de fevereiro de 2014

Venda acrescentada

Cada vez mais me convenço que a Rua do Alecrim é um ser vivo, mutável, com vontade própria, tem o comprimento de um fechar de olhos ou de uma vida, conforme os dias, há dias em que, por muito que ande, por muito que pense, fico com a sensação de que poderia ficar a vida toda a subir a rua, que o Camões, se a Rua do Alecrim assim entendesse, não chegaria nunca.

9 de fevereiro de 2014

Lã de rocha

Sport Lisboa e Benfica, a educar as massas em matéria de construção desde 1904.

8 de fevereiro de 2014

Reacção ao post anterior

"Que raio de mensagem subliminar é essa, as pessoas ainda acham que vais acabar comigo." Um homem está a treinar a escrita e é isto que acontece. Mas também esta frase vem da pessoa que diz: "escritor? para seres escritor só te falta começar a escrever."

Sempiterno

Não percebes que ao tentares encontrar o princípio de um círculo estás também a marcar o seu fim.

31 de janeiro de 2014

Tenham paciência

Ele queria participar no concurso para jovens escritores mas disseram-lhe que o texto dele não era granta coisa.

27 de janeiro de 2014

22 de janeiro de 2014

Nada é sagrado

E é isto.
Isto é um daqueles casos em que poucos parecem dignos de o receber. A ver vamos no que isto vai dar.

20 de janeiro de 2014

Pelo menos no meu tempo era entre betos e chungas

Boas famílias. Adoro. "Boas famílias". Uma magistrada que não quer ser "importunada" devido aos problemas do filho. Repitam mais uma vez: Boas famílias.

18 de janeiro de 2014

Eu, livreiro

Uma manhã descansada, embalada pela leve chuva, passada a arrumar livros bons em estantes antigas, fez me lembrar porque cheguei ali e porque não o trocaria por nada.

15 de janeiro de 2014

O Maslow explica

Tinha tanto para dizer, mas vir aqui escrever? Está quieto.

8 de janeiro de 2014

Da Noruega, com amor



Música do ano, o ano passado. Desculpem lá Arctic Monkeys, Bring Me The Horizon, For The Glory, QOTSA e Linda Martini.

2 de janeiro de 2014

Devia ser desporto olímpico

Sou um mestre na arte de me fechar fora de casa, com ou sem cão (algo que aumenta sobremaneira a dificuldade da coisa), com ou sem chaves do carro para que me possa deslocar ao local onde tenho chaves suplentes (também aumenta o nível de dificuldade). Hoje foi a maravilhosa combinação sem chaves, sem carro, com cão. Isto depois de dez horas de trabalho. Vá lá que tinha o telemóvel. Por acaso essa nunca me aconteceu. Era coisa assim ao nível de um Houdini. 

31 de dezembro de 2013

Se as pessoas pudessem parar de apitar nos carros para alguém sair dos prédios era maravilhoso

O meu cão fica louco e ladra violentamente. E não queiram ver o meu cão a ladrar violentamente. Esta gente não conhece o conceito de dar um toque no telemóvel?

27 de dezembro de 2013

Força matemática, tu consegues


Prenda de Natal

Receberes uma carta da Ascendi com valores a pagar relativamente a passagens em SCUTS onde nunca estiveste na vida.

26 de dezembro de 2013

Boxing day

Férias no boxing day = Chelsea - Swansea e City - Liverpool.

25 de dezembro de 2013

Atrás do pladur havia uma porta, três anos depois a descobrir coisas novas


Lisbon blues

Trabalhar no dia vinte e quatro já é bom o suficiente, não era preciso adicionar uma chuva torrencial e um bêbado violento, eu que nunca tinha chamado a polícia na minha vida, nem nunca pensei sequer em fazê-lo, vi-me obrigado a ligar perante o bêbado, senhor que falava inglês e português, descalço no dilúvio, descalço na vida, a querer comprar um isqueiro, nós não vendemos, ele a insistir, um colega a dizer que lhe emprestava o dele mas que não o dava nem vendia, ele a querer dar um euro pelo isqueiro, a colocar um euro em cima de uma lata de cerveja por abrir, nós a recusarmos, ele a deitar-se no chão, na carpete suja, a cruzar as pernas, os pés descalços a sorrirem para o balcão, os olhares cruzados a olhar para ele, um colega começou a mandá-lo embora, ele praguejava em inglês, contou-nos, one two three four five six, six guys, cocks, all cocks, you cocks, agora que penso nisso nem sequer éramos seis, éramos quatro, enquanto saía ameaçou  uma vez atirar a lata, saiu, deu um murro na montra, já no outro lado da estrada atirou uma garrafa, a má pontaria deu-lhe o destino de se estilhaçar no passeio, fica o susto e o aviso, chama a polícia chama a polícia, chamei, nem dois minutos depois lá estava, pararam o carro, falaram dois minutos com ele, disseram-nos ele diz que não chateia mais só quer um isqueiro, e nós oh foda-se isso já sabemos, e a polícia ele diz que não chateia mais vai ficar ali se chatear chamem-nos outra vez, e lá foram, e lá ele foi, e nós ficámos, descansados, a ver o rio que descia pela Garrett, até a água quer ir às compras aos armazéns, e os clientes a entrarem, ignorando a porta encostada, sinal de que por hoje já chega, ouvidos colados ao telefone, a dizerem coisas como ainda tenho dez minutos, claro, tens dez minutos, leva o teu tempo, quem está aqui há dez horas fica mais dez minutos, ainda temos uma loja para fechar, há pessoas à espera de alguns de nós, mas, deixa lá, leva lá os teus dez minutos, o natal é quando um homem quiser e o meu não era, definitivamente, ontem.

18 de dezembro de 2013

2013 em livros

Reparo agora que dois terços foram de autores portugueses, o maior foi o Piada Infinita, o mais divertido o Festa no Covil, o que me tocou mais o Agora e Na Hora da Nossa Morte, o que me maravilhou mais foi o Memória de Elefante, o que me deixou a olhar para o infinito durante mais tempo foi o Servidões, venha dois mil e catorze.

Apocalipse


Ah, vamos ao Toys r' Us ver prendas para a Catarina


Para a Catarina, claro.

16 de dezembro de 2013

Assertividade

O melhor guarda-chuva é a tristeza.

13 de dezembro de 2013

Minimizar ao máximo

Oito dias de trabalho seguidos, com jornadas até treze horas, não sei bem quem sou e onde venho, acho que faço qualquer coisa que tem a ver com livros mas já nem isso sei bem, leio o Ulisses no comboio mas limito-me a entornar letras pelos olhos, aquilo não está a passar e eu vou ter que reler o livro, talvez devesse ler algo mais light mas não me apetece ler Saramago outra vez, estou a brincar namorada, estou a brincar, gosto muito do Saramago, quando o natal terminar, lá para dois mil e quatorze, eu compenso toda a gente que tem ficado para trás, cão incluído.