12 de maio de 2014

O contorcionista dorme descansado


Hipóteses plausíveis

Para a minha vizinha estar há horas a martelar qualquer coisa:
- está a rachar lenha, sei que vem aí o verão mas isto com o tempo nunca se sabe.
- está a fazer aeróbica de saltos, a dançar zumba ou a correr a maratona na sala, há que manter a forma.
- está a fazer um biscate como ferreira, winter is coming, umas espadas dão sempre jeito.
- está a abrir uma janela nova para ver melhor a serra, ter a casa virada para este / oeste é uma chatice em termos de vista.
- está a construir uma cama de faquir, diz que é bom para as costas.
- A minha vizinha é, na verdade, o Vhils e está a fazer um retrato do Jorge Jesus na parede do quarto.

Devia pô-la a escrever sinopses

"A Violeta é uma rapariga estrábica que gosta de três rapazes e não se decide por nenhum deles."

10 de maio de 2014

Eu sei lá o que é o snapchat

"Pai! Não sabes o que é o snapchat?! Não tens snapchat?!" como se fosse o maior dos pecados, eu que pensei que nunca ia ser aquele pai que já não percebe nada dos miúdos de hoje em dia, e eu juro que às vezes tento, outras vezes acho que é melhor nem sequer tentar.

Gosto muito de Nine Inch Nails mas isto está muito bom


9 de maio de 2014

Turn Blue

Fui buscar a Catarina à escola, uma surpresa, levei o Link (portou-se lindamente), foi a loucura, ele mal a viu (já lá iam duas semanas sem vê-la...) começou logo a saltar para cima dela, a tentar por as patas nos ombros dela, os colegas dela a delirarem, lá tiveram a fazer festas ao animal, ela toda vaidosa do seu cão. Depois levei-a a comer um cachorro, junto ao mar, anda a portar-se bem, merece os mimos. No carro, a conversa do costume:
- Pai, fiquei em terceira nas provas de velocidade.
- Boa!
- Fomos a uma escola aqui perto, Matilde qualquer coisa.
- Rosa Araújo.
- Isso! Olha, estava lá o João Pedro da escola antiga.
- E como estava ele?
- Buééééééé giro, rapou o cabelo só de um lado e tem brinco, BUÉ giro!
- ...
Mas o melhor momento estava reservado para a visita à Bisavó paterna. A Catarina abriu a janela da sala para lhe dizer olá no mesmo momento em que o Link tenta apoiar as patas da frente na janela para espreitar. O resultado foi ela entalar-se na janela e soltar o mais sincero foda-se que eu já ouvi. Começou alto e foi a descer, até terminar num sussurro, qualquer coisa como:
FODA-SE
O ar de pânico dela valeu totalmente a pena. 

Por falar em crianças desaparecidas

Recomendo vivamente lerem o conto da Dulce Maria Cardoso, no livro novo dela, baseado no caso Joana Cipriano.

Sete anos depois

Buscas aéreas por Maddie. Nem dá para fazer piadas com isto. Então e todas as outras crianças desaparecidas? E o Palito, não há um helicópterozinho para fazer buscas aéreas para encontrar o homem quando ele for comprar pão outra vez? 

8 de maio de 2014

É música rock do diabo, senhor



Existe espaço (eu diria até necessidade) para o factor choque na música: se falarmos de certos tipos de música é quase um dado adquirido. Há o choque intencional que vem da vontade de chocar para chamar a atenção (o fim dessa atenção é depois discutível), e há o choque inevitável, quando chocam porque chocam porque são assim e não vão mudar e as pessoas não gostam, azarinho. A minha avó, em noventa e dois, ficava horrorizada com o Axl Rose em calçõezinhos de licra e lenço na cabeça e tatuagens, com o Slash a fumar enquanto tocava: aquilo para ela era o fim do mundo. Se lhe mostrasse Cradle of Filth provavelmente não tinha avó neste momento. 
Os Ghost B.C. entram aqui na categoria do sim, vamos chocar toda a gente. Acho piada quando as pessoas agem (chocadíssimas, lá está) como se isto não fosse planeado, como se não fosse o objectivo desde o início e como se, em toda a história do rock / metal não tivesse sido isto tudo feito milhares de vezes: Alice Cooper, Black Sabbath, Marilyn Manson. Só para nomear uns poucos. Há para todos os gostos, coisas mais ou menos extremas (black metal norueguês, é convosco, é) que extravasam todos os limites. 
Um gajo que se auto-intitula Papa Emeritus II e anda com um séquito de músicos que se chamam todos Nameless Ghouls (a questão da identidade dos membros é algo controversa, há quem diga que há gajos conhecidos lá pelo meio, diz-se que o Dave Grohl já tocou com eles e que supostamente o vocalista será este jovem) a cantar letras de índole satânica num palco que replica uma catedral? Não me choca. E não me faz confusão absolutamente nenhuma todo o teatro à volta da banda: porque há ali música por trás, porque há qualidade que suporta o resto. Geralmente as bandas mais ligadas a movimentos deste género costumam utilizar uma sonoridade diferente (geralmente mais extrema). O som dos Ghost é relativamente acessível: os homens até tocaram no Rock in Rio brasileiro, o que quer dizer tudo.
O que me choca são as pessoas que não percebem, que não vêem o lado humorístico e de sátira ao próprio movimento que parecem encabeçar. Veja-se a série de vídeos denominada Papaganda:



Obviamente que ele não tem este aspecto nem fala italiano. Eu também me choco: especialmente com pessoas que levam estas coisas demasiado a sério. 

A palavra escrita é uma cena lixada

Um gajo chama mentiroso, aldrabão e corrupto ao patrão, no facebook, pede para os amigos partilharem a mensagem, é despedido, vai a tribunal, perde, fazem uma reportagem na sic notícias sobre isso. Aprenderam a lição? Conseguem perceber onde está o problema? 

First world problems

O novo disco do Jack White tem duas músicas escondidas no centro do disco e a minha agulha não chega até lá. Mesmo que chegasse, uma delas é a 78rpm, o meu gira-discos não tem essa velocidade. Obrigadinho Jack White.


Para que fique registado, parte II

Afinal existe um cenário em que para mim é exequível a permanência do Jesus no Benfica, mesmo ganhando todas as competições em que está envolvido: vendemos meia equipa (Cardozo, Rodrigo, Gaitan, Garay, André Gomes, Ruben Amorim, por exemplo) e ele começa tudo de novo, talvez (e aqui surge a minha faceta de ingénuo sonhador) apostando na formação (vi os dois últimos jogos dos júniores para a Liga dos Campeões e há jogadores que têm tudo para ser excelentes). 

7 de maio de 2014

Não mordas a língua, ou os dedos, neste caso é escrito e não falado, mas vai dar ao mesmo

Por falar em Clarão, também não era preciso exagerar, Uma estrela? Em cinco? Mauzinho, mauzinho.

Clarão

Não há nada como um momento de implosão, uma destruição maciça pessoal, para perceber, efectivamente, quem joga do nosso lado, quem nos dá a mão, quem tem coragem de nos apontar o dedo para de seguida nos ajudar a levantar. Podemos contar com surpresas ou desilusões, mas em número bastante reduzido: no fundo, recebemos o apoio ou o silêncio de quem prevíamos que assim agisse. A tentação seria dizer que nada está perdido: estaria errado. Na realidade perde-se muito, mas a verdade, a verdade é que há muito, muito mais para ganhar.

Ui, os cruzeiros em Lisboa, esse happening

O David Foster Wallace conta como é.

Pronto, está dito

O novo disco de Black Keys não é o fim do mundo apocalíptico que parecia após ter ouvido os singles. Em abono da verdade, não é nada mau. Não é um Rubber Factory ou um Thickfreakness, mas também não tenta ser. Também não é um El Camino parte dois. É o Turn Blue e  ouve-se muito bem. 

6 de maio de 2014

Para que fique registado

Defendo que se o Benfica ganhar a Liga Europa o Jesus não devia ficar mais um ano.

Ter um filho com a irmã dá nisto

Voltei ao McCarthy (da obra traduzida só me faltam o Filho de Deus e o Guarda do Pomar, e, por tudo o que é sagrado, Relógio d'Água, amigos, vejam lá com o Paulo Faria para despacharem a tradução do Cities of The Plain, para terminar a Trilogia da Fronteira, por favor, obrigado) para ler Nas Trevas Exteriores. Chego facilmente à conclusão que gosto mais das primeiras obras dele (e eu que comecei pelo fim, Estrada e depois Este País Não é Para Velhos). Mais uma vez, o livro é uma viagem pelos recantos mais fofinhos de um desconforto permanente, em cada passo, em cada diálogo, estes livros dele são passeios na berma de um abismo, geram angústia, queremos que eles caiam de uma vez por todas para terminar com este sentimento. Mas depois o homem escreve de uma maneira única e todo aquele imaginário sulista / fronteiriço dos Estados Unidos, aquele tempo e aquele espaço, agradam-me sobremaneira. Claro que o McCarthy dá cabo de nós, com o desenrolar da história, ele define início, fim, tempo, acelera, demora-se, há uma sensação de impotência da parte do leitor: podemos torcer por quem quisermos, ele não quer saber, ele lá vai seguir o seu caminho: e geralmente esse caminho não é bonito de se ler. Repito: o homem dá cabo de nós: por isso recomendo-o vivamente.

Estas gentes da música não são de confiança

Li a Sonata de Kreuzer: fiquei um pouco desiludido: depois do anterior livro que li do Tolstoi a fasquia ficou obscenamente alta. Apesar de ter passagens bastante interessantes e ser relativamente intenso, especialmente tendo em conta o facto de ser um livro pequeno (cento e treze páginas), fica aquém dos outros livros que li dele. 

The blood is the life... and it shall be mine.

Transfusões de sangue jovem podem inverter envelhecimento. Sem querer descambar em distopias ou futuros de cariz orwelliano, vejo aqui todo um potencial de coisas nefastas.