2 de abril de 2014

Cabrera Infante, you bastard

Começar bem o dia é levar com um homem que trazia um livro estragado, a teimar que comprou o livro na tua loja, quando o livro não era lá vendido desde... dois mil e seis, teimar que foi há um mês, ver reticências atrás, mostrar o canhoto que há dentro do livro, coisa que não se usa desde aproximadamente há uma porrada de anos, não é do meu tempo de livreiro, ter visto a léguas qual é o livro e comentar com um colega que talvez, só talvez, o senhor não esteja a perceber as artimanhas do Cabrera Infante, enviá-lo para a concorrência, a editora, afinal de contas, é deles, eles que arranjem ao senhor um livro novo ou resolvam a questão, o senhor insiste que quer a nova edição de uma nova editora que por acaso até é de boa gente de nossa casa, eu insisto para que ele vá lá abaixo, e isto não é uma metáfora, é mesmo para ir à concorrência, ele vai, ele volta, a concorrência, obrigado cabrõezinhos, diz que não, que nós, como vendedores, é que temos de resolver o problema ao senhor, apesar de, claramente, o livro não ter sido ali comprado, pelo menos nos últimos oito anos, e do mesmo já estar esgotado, então, em desespero, digo que falarei com nosso senhor Jesus o Cristo, se for preciso, para tentar resolver o assunto ao homem, e, só naquela, peço-lhe para-me mostrar o problema do livro: o problema, "problema", é que o Cabrera Infante tem muita piada e lembrou-se de imprimir uma página espelhada da página anterior, logo a seguir de várias páginas em branco, então disse-lhe que era mesmo assim, o homem pensou que estava a gozar com ele, fui buscar a nova edição, mostrei-lhe exactamente as mesmas páginas, ele conferiu ainda três vezes, apertou-me a mão, pediu desculpa pelo incómodo e foi à sua vida, e eu aqui devia ter ido à minha, mas, parecendo que não, a minha vida é isto.

29 de março de 2014

Odisseia

O Frederico Lourenço diz no prefácio da Odisseia que "é uma tradução para ser lida pelo gozo de ler." Intenção mais do que conseguida. Pensei que ia encontrar algo mais denso, hermético: estava enganado. No entanto, tem sido bastante melhor do que esperava. Agora vou por toda a gente a ler a Odisseia, tenham paciência.

Deves ter um Continental GT

Aquele bonito momento em que a tua namorada entra no teu carro para te levar à estação de manhã e solta um ensonado credo parece que estou no século XVIII, enquanto olha para o tablier... e o meu carro é de dois mil e onze. 

24 de março de 2014

Ribas

Quando entrei para a faculdade, um amigo, todo Linda-a-Velha Hardcore, via nos Tara Perdida uns inimigos, batata frita pala pala o que é essa merda, perguntava-se ele, e eu não sabia responder, enquanto eu e outros ouvíamos os dois primeiros álbums: a produção era manhosa, algumas das letras eram de cair para o lado de más, mas, aos dezassete anos chegava e sobrava para, o que era  para nós, a continuação dos Censurados, banda que me faz lembrar os punks que se sentavam perto da estação de Cascais, sim, é verdade, havia punks sentados na estação, todos os dias, lá estavam eles, cristas e tudo, e eu todo betinho, cabelo à tigela, a pensar para mim que ouvia muita música em comum com aquela gente, isto em noventa ou noventa e dois, havia um dos punks que tinha um casaco de ganga com um patch gigante dos Helloween nas costas, e nas mangas tinha escrito a caneta azul CENSURADOS, e eu soprava a franja dos olhos e pensava que quando crescesse ia ser assim. Falhei na previsão. Um dos hábitos que tínhamos na faculdade era combinarmos de manhã (só tinhamos aulas às duas da tarde) à porta do metro na baixa para irmos à Carbono, na Almirante Reis. Na altura não havia cá metro no Cais-do-Sodré, essas mordomias modernas. Então lá íamos em excursão à Carbono, comprar cenas do nu-metal que era o que ouvíamos na altura, gastar contos como se não houvesse amanhã. E das imagens que eu guardo do Ribas é ele sentado nas escadas do centro comercial Portugália, onde era a Carbono, com uma garrafa de cerveja ao lado, e nós a passarmos e a olharmos para ele, ele a olhar-nos de lado e nós olha o Ribas, olha o Ribas, e ele sem nos ligar nenhuma, e isto aconteceu diversas vezes. 
Entretanto desliguei-me de Tara Perdida (lembro-me de ver o clip do Nasci Hoje no Sol Música, mas não liguei muito) até cerca de 2008. A Catarina, então com cinco anos, queria ouvir música em português para conseguir cantar as letras. Então lá andei a pensar no que ela podia ouvir, surgiram algumas bandas candidatas e eu fui submetendo-a (com uma selecção prévia feita por aprovação maternal por causa das letras) a vários testes, e ela gostou muito de Tara Perdida (dos três últimos álbums, deixei os dois primeiros de fora). Das imagens que hei de guardar sempre será ela, a caminho da escola, de farda, de punho pequenino no ar, ainda com voz de bebé, a cantar coisas como "um conceito que me dê força de libertação, um sentido de viver uma razão, querer sempre acreditar que por mais que eu possa errar espero sempre encontrar solução, quero sempre encontrar solução, e hei-de sempre encontrar solução" ou "o sentimento é imaginação, promessas feitas só por ilusão, nunca mais eu vou ficar aqui". Em 2009 fui vê-los ao Coliseu e ela não foi: tinha seis anos, era demasiado pequena, ainda liguei para o Coliseu para saber se havia alguma hipótese de ela ir, ficávamos cá atrás sentadinhos, era o sonho dela, ver Tara Perdida, mas, não, o bilhete dizia maiores de doze ou lá o que era, nada feito, lá fui ao concerto e ela, durante muito tempo, não me perdoou. Foi um concerto muito arriscado, uma banda punk de Alvalade a tocar no Coliseu? Estavam doidos. O concerto foi muito bom, estava uma boa casa: recordo-me do espanto do Ribas a dizer eh lá, está compostinho, parece um concerto a sério.
Ainda há um mês estávamos ouvir de manhã na rádio, a caminho da escola, que os Tara Perdida iam entrar em digressão, passando pelo Garage. Apesar de ela já não ouvir com a frequência de antigamente e agora andar a ouvir outras coisas que, enfim, fazem parte da idade dela, não resistiu a perguntar se íamos. Podemos ir, respondi eu. Não podemos. 
Em 2006 deram um concerto do caraças no Incrível Almadense. Em jeito de homenagem, um obrigado e um adeus, ficam as boas memórias.


22 de março de 2014

Quando disseram que íamos partilhar o palco os cabrões não estavam a mentir


(fotos daqui)

Épico. Até ponho um ponto final e tudo, eu que tenho a mania das vírgulas e dos "e" e do "stream of consciousness" e "das aspas", primeiro alguma confusão quanto ao sítio onde estávamos, e eu, eu avisei e tinha razão, estamos virados de frente para a plateia do coliseu, sentados nas traseiras do palco, e eles não acreditavam, pois, quando, na Elétrica Cadente, o pano se levantou (por favor que alguém tenha registado isso em vídeo...) e o Coliseu foi aparecendo, sombrio e vazio, nas costas deles, o espanto encheu a sala e marcou um dos momentos mais especiais de um concerto da vida de muita gente que ali se sentava, é isto, foi isto, dia quatro de dezembro haverá mais, desta vez da maneira convencional, e nós lá estaremos.



21 de março de 2014

Assim é batota



A Juventus tem o gajo do Ruptura Explosiva na comitiva, assim dá-lhes vantagem, o Bodhi é destemido e surfa à noite e salta de aviões sem para-quedas e bebe shots das mamas das gajas, o Benfica o máximo que tem é o Barbas e o gajo que se mascara de Papa, assim não vamos lá.

(sim, é o Patrick Swayze o gajo do filme, e sim, este é o Pavel Nedved)

19 de março de 2014

Caros senhores do Primavera Sound

Eu, pelo poder que me foi investido pelos senhores do Rock in Rio, proponho a troca da Lorde pelas Haim, sendo que ofereço, a título de bónus, o rapazito que toca antes e cujo nome não me apetece agora procurar no google. As raparigas cá de casa agradeciam. Eu não, nem tenho Haim no meu iPod. Aquilo é Slayer, está é mal escrito, deve ser um bug.

12 de março de 2014

... a tosse desaparece!

Considero que tenho no olfacto o pior dos meus sentidos mas isso não impediu que hoje, ao entrar no comboio, sentisse um cheiro que me levou de volta à infância, cada vez que inalava sentia uma nostalgia desenfreada e o pior de tudo é que não conseguia precisar a situação e a pessoa com quem eu relacionava o odor, uma coisa simples, rebuçados para a tosse, Dr. Bayard para ser mais preciso, pensei logo, claro, nas avós, no avental da avó materna com uma mola presa para não se esquecer de qualquer coisa, avental que, na minha memória, guardava rebuçados e outros bens de vital importância para os netos, fiquei na dúvida, pensei na avó paterna, penso muito na avó paterna, em recipientes de prata com rebuçados em cima de móveis antigos, sob o olhar tétrico de naturezas mortas ou cenas de caça inglesas, num rés-do-chão da rua de Santa Catarina a dois passos do Adamastor, onde muitas vezes fingi ser o Diamantino ou o Carlos Manuel, lembrei-me depois da farmácia A. Costa, em Cascais, de móveis escuros e pouca luz, continuo sem conseguir encontrar o momento, vou construindo recordações, a minha avó materna não devia guardar rebuçados no avental e a avó paterna não os tinha, certamente, naqueles recipientes de prata, penso nas malas da minha mãe, na paciência dela em intermináveis visitas ao médico por causa de anginas e amigdalites, não havia viroses naquela altura, em que tinha de aturar um fedelho que lhe testava a paciência de santa com perguntas de Calimero de vão de escada, falta muito, porquê eu, porque é que estou doente, porque é que não somos nós, quando é que vamos embora, porquê, quando, como, santa paciência a da senhora Teresa, e a farmácia, quando hoje lá entro é tudo tão claro e luminoso e os velhinhos de balcão substituídos por farmacêuticos novinhos e sorridentes, percebo que realmente não vou ter resposta para a minha questão e a sensação de conforto imaginário provocado pelo cheiro familiar é substituída pelo medo do que o tempo faz à memória e do quanto eu guardei de mim dos anos oitenta, noventa, como se eu ainda lá estivesse e como se tivesse a indelével certeza de que se o perder me perco também. 

Dá que pensar

Recebi por dois meios diferentes a notícia da morte do D. José Policarpo.

10 de março de 2014

Bruno de Carvalho

Por muita razão que possas ter, e se tens, meu caro, se tens, o facto de não veres no clube que está acima de ti um justo primeiro lugar deita tudo por água abaixo, mas, deixa lá, estamos habituados, eu até já me habituei a não ir a lado nenhum sem ser ao colo de alguém, é só chato para a minha namorada mas de resto faz-se bem, pergunto-te, Bruno, se tu já viste o Benfica a sair a jogar, se já viste como o Fejsa desce para receber a bola, o Luisão e o Garay encostam às alas, o Maxi e o Siqueira colocam-se ao lado do Enzo e os extremos oram derivam para o meio para superioridades no centro do terreno ora avançam para desenhar um 3-3-4, pois, não viste, é normal, se tivesses visto talvez percebesses porque estamos em primeiro, vai ao youtube, procura "Markovic Guimarães" ou "Gaitan Belenenses" e vais perceber, aqui já nem digo para procurares "Markovic Sporting" ou "Gaitan Sporting", para veres como estou a ser simpático, vá, queixa-te como é teu direito e dever, pelo clube que orgulhosamente defendes, pelo clube que merece estar no topo e com quem eu quero voltar lutar por campeonatos, queixa-te porque tens razões para o fazer, mas, por favor, deixa-nos fora disso.

6 de março de 2014

Por falar em One Direction

Depois disto pensei que a minha relação com os One Direction, em termos de compras, tinha terminado, mas, com o intuito de comprar a prenda para a senhora mais crescida cá de casa oferecer à mais pequena, tive que ir ao inominável sítio onde algumas pessoas compram livros, a vergonha, para comprar o novo cd de One Direction, e basicamente essa visita resume-se a eu passar o tempo todo a tentar colocar o cd dentro do casaco do meu amigo sem ele dar por isso ou a arranjar desculpas banais do tipo "segura aí que tenho que apertar o sapato" ou "sou o teu chefe e tu fazes o que eu mando leva já isto à caixa senão ficas dois meses a sair às dez da noite" só para não andar a passear o cd lá pelo meio, e depois claro, levar com os sorrisinhos na caixa, do tipo "é para a tua filha, é *piscar de olho*".

Rescaldo do aniversário

Não percebo esta gente: tenho que aturar a senhora minha ex-sogra durante dez minutos ao telefone para escolher um telemóvel para a Catarina, isto já ignorando o facto de ir com a ideia de comprar um ipad mini, lá chegamos a um consenso no modelo do telemóvel, longe dos ipods, sim, eu sei que ela quer, sim, eu sei que para si gastar essa quantia num telefone para uma criança de onze anos é trigo limpo farinha amparo, mas, vamos lá ter calminha, vamos escolher algo mais adequado, e assim o fizemos, julgava eu, chega o aniversário e não há telefone para ninguém, eu que até mandei vir uma capa para o dito, resumindo, recebeu um ipod touch de trinta e dois gb, aquele akward moment em que a tua filha tem um ipod melhor que o teu (que, curiosamente, até é dela, já que o meu classic de cento e vinte gb morreu...), recebeu mil trezentas e trinta e duas coisas dos One Direction (sim, até duas pinças recebeu...) e recebeu o bilhete para o Rock in Rio (espero que toquem a Joan of Arc, Laika e No Cars Go, ela vai delirar) e uma assinatura de um ano no site Club Penguin, e isto quando visitou três quartos da família, falta o lado do avô materno.

5 de março de 2014

O carteiro é um porreiro


O senhor que se segue

Depois disto,


isto,


sei que posso estar a ser injusto em termos de ordem, mas o BVA certamente perdoa-me a falha.


4 de março de 2014

Opinião Pública

"Acham que sou comunista? Sou da Arrentela, Seixal, e os comunistas já me dão problemas suficientes", isto para falar da crise na Ucrânia.

Amanhã

A Catarina faz anos amanhã. O que é que se dá a uma criança que tem tudo e que não precisa de nada? Felizmente já me passou aquela vontade irreprimível de dar a melhor prenda, desisti, uma pessoa sabe lá se acerta, as crianças são imprevisíveis, e quando existem avós que são competitivos entre eles e têm outra capacidade financeira é para esquecer.

21 de fevereiro de 2014

O seu a seu dono

Os itálicos do post anterior daqui:


Havia uma versão com a Gisela João na voz, filmada no concerto da semana passada, mas não encontro isso em lado nenhum.



20 de fevereiro de 2014

Noite

Enquanto enrolava o cachecol à volta das mãos a dor nas articulações não me deixava esquecer as mesas 
a boca entre o corpo, soberbo sufoco
que acartámos e as gôndolas que arredámos, tento em vão encontrar uma posição melhor, sentado desconfortavelmente num comboio frio com as vinte e uma horas já atrás das costas e 
prenúncio de tudo no ar
sem um livro para ler, isto para quem acabou de sair de um sítio com setenta mil livros é, poeticamente falando, estúpido, assim
a forma é o gesto, contido e modesto
tenho tempo para pensar em como tenho tempo para pensar, e o pensamento é um bicho estranho e fugidio com vontades insondáveis, metamorfoseia-se em sonho ou pesadelo sem darmos conta, e eu, 
seguro o intento, prolongo o altar
que até sou gajo para me preocupar com merdas existencialistas e coisas de intrínseco valor, não deixei de lamentar a falta do livro, tinha lá o Infância, Adolescência, Juventude,
depois vai-se o jeito, despido a preceito
aninhado na minha secretária à espera de ir dar passeios à beira mar sobre carris enferrujados, a vista fica para outra altura,
vertigem em ombros de andor
as costas lembram-me que já não vou para novo mas o lançamento correu bem e não me resta, apesar de tudo, outro remédio senão sorrir, 
cabeça em saturno, se acordo ou se durmo
vendeu-se pouco mas foi bonita a festa, porreiro pá, o ex-primeiro a falar da Arendt e do Eichmann, ele há coisas do diabo,
seguro o intento, prolongo o altar
sinto alguma falta do espaço antigo de lançamentos, penso nas pessoas que conheci por trabalhar onde trabalho, actores, políticos, jornalistas e até, às vezes, escritores, estas doses de realidade ajudam a dar ânimo quando tudo parece enrolar num manto cada vez mais funesto, mas, a verdade, livraria que me amparas,
só eu te sei dizer
só eu te sei dizer.

19 de fevereiro de 2014

Seis estrelas


Dizem que não se deve reagir a quente, mas não consigo evitar, uma maravilha, eu também estive lá.

17 de fevereiro de 2014

Separados à nascença



Por separados à nascença estou a referir-me, claro está, aos "criativos" que criaram isto e à originalidade.

15 de fevereiro de 2014

Venda acrescentada

Cada vez mais me convenço que a Rua do Alecrim é um ser vivo, mutável, com vontade própria, tem o comprimento de um fechar de olhos ou de uma vida, conforme os dias, há dias em que, por muito que ande, por muito que pense, fico com a sensação de que poderia ficar a vida toda a subir a rua, que o Camões, se a Rua do Alecrim assim entendesse, não chegaria nunca.

9 de fevereiro de 2014

Lã de rocha

Sport Lisboa e Benfica, a educar as massas em matéria de construção desde 1904.

8 de fevereiro de 2014

Reacção ao post anterior

"Que raio de mensagem subliminar é essa, as pessoas ainda acham que vais acabar comigo." Um homem está a treinar a escrita e é isto que acontece. Mas também esta frase vem da pessoa que diz: "escritor? para seres escritor só te falta começar a escrever."

Sempiterno

Não percebes que ao tentares encontrar o princípio de um círculo estás também a marcar o seu fim.

31 de janeiro de 2014

Tenham paciência

Ele queria participar no concurso para jovens escritores mas disseram-lhe que o texto dele não era granta coisa.

27 de janeiro de 2014

22 de janeiro de 2014

Nada é sagrado

E é isto.
Isto é um daqueles casos em que poucos parecem dignos de o receber. A ver vamos no que isto vai dar.

20 de janeiro de 2014

Pelo menos no meu tempo era entre betos e chungas

Boas famílias. Adoro. "Boas famílias". Uma magistrada que não quer ser "importunada" devido aos problemas do filho. Repitam mais uma vez: Boas famílias.

18 de janeiro de 2014

Eu, livreiro

Uma manhã descansada, embalada pela leve chuva, passada a arrumar livros bons em estantes antigas, fez me lembrar porque cheguei ali e porque não o trocaria por nada.

15 de janeiro de 2014

O Maslow explica

Tinha tanto para dizer, mas vir aqui escrever? Está quieto.

8 de janeiro de 2014

Da Noruega, com amor



Música do ano, o ano passado. Desculpem lá Arctic Monkeys, Bring Me The Horizon, For The Glory, QOTSA e Linda Martini.

2 de janeiro de 2014

Devia ser desporto olímpico

Sou um mestre na arte de me fechar fora de casa, com ou sem cão (algo que aumenta sobremaneira a dificuldade da coisa), com ou sem chaves do carro para que me possa deslocar ao local onde tenho chaves suplentes (também aumenta o nível de dificuldade). Hoje foi a maravilhosa combinação sem chaves, sem carro, com cão. Isto depois de dez horas de trabalho. Vá lá que tinha o telemóvel. Por acaso essa nunca me aconteceu. Era coisa assim ao nível de um Houdini. 

31 de dezembro de 2013

Se as pessoas pudessem parar de apitar nos carros para alguém sair dos prédios era maravilhoso

O meu cão fica louco e ladra violentamente. E não queiram ver o meu cão a ladrar violentamente. Esta gente não conhece o conceito de dar um toque no telemóvel?

27 de dezembro de 2013

Força matemática, tu consegues


Prenda de Natal

Receberes uma carta da Ascendi com valores a pagar relativamente a passagens em SCUTS onde nunca estiveste na vida.

26 de dezembro de 2013

Boxing day

Férias no boxing day = Chelsea - Swansea e City - Liverpool.

25 de dezembro de 2013

Atrás do pladur havia uma porta, três anos depois a descobrir coisas novas


Lisbon blues

Trabalhar no dia vinte e quatro já é bom o suficiente, não era preciso adicionar uma chuva torrencial e um bêbado violento, eu que nunca tinha chamado a polícia na minha vida, nem nunca pensei sequer em fazê-lo, vi-me obrigado a ligar perante o bêbado, senhor que falava inglês e português, descalço no dilúvio, descalço na vida, a querer comprar um isqueiro, nós não vendemos, ele a insistir, um colega a dizer que lhe emprestava o dele mas que não o dava nem vendia, ele a querer dar um euro pelo isqueiro, a colocar um euro em cima de uma lata de cerveja por abrir, nós a recusarmos, ele a deitar-se no chão, na carpete suja, a cruzar as pernas, os pés descalços a sorrirem para o balcão, os olhares cruzados a olhar para ele, um colega começou a mandá-lo embora, ele praguejava em inglês, contou-nos, one two three four five six, six guys, cocks, all cocks, you cocks, agora que penso nisso nem sequer éramos seis, éramos quatro, enquanto saía ameaçou  uma vez atirar a lata, saiu, deu um murro na montra, já no outro lado da estrada atirou uma garrafa, a má pontaria deu-lhe o destino de se estilhaçar no passeio, fica o susto e o aviso, chama a polícia chama a polícia, chamei, nem dois minutos depois lá estava, pararam o carro, falaram dois minutos com ele, disseram-nos ele diz que não chateia mais só quer um isqueiro, e nós oh foda-se isso já sabemos, e a polícia ele diz que não chateia mais vai ficar ali se chatear chamem-nos outra vez, e lá foram, e lá ele foi, e nós ficámos, descansados, a ver o rio que descia pela Garrett, até a água quer ir às compras aos armazéns, e os clientes a entrarem, ignorando a porta encostada, sinal de que por hoje já chega, ouvidos colados ao telefone, a dizerem coisas como ainda tenho dez minutos, claro, tens dez minutos, leva o teu tempo, quem está aqui há dez horas fica mais dez minutos, ainda temos uma loja para fechar, há pessoas à espera de alguns de nós, mas, deixa lá, leva lá os teus dez minutos, o natal é quando um homem quiser e o meu não era, definitivamente, ontem.

18 de dezembro de 2013

2013 em livros

Reparo agora que dois terços foram de autores portugueses, o maior foi o Piada Infinita, o mais divertido o Festa no Covil, o que me tocou mais o Agora e Na Hora da Nossa Morte, o que me maravilhou mais foi o Memória de Elefante, o que me deixou a olhar para o infinito durante mais tempo foi o Servidões, venha dois mil e catorze.

Apocalipse


Ah, vamos ao Toys r' Us ver prendas para a Catarina


Para a Catarina, claro.

16 de dezembro de 2013

Assertividade

O melhor guarda-chuva é a tristeza.

13 de dezembro de 2013

Minimizar ao máximo

Oito dias de trabalho seguidos, com jornadas até treze horas, não sei bem quem sou e onde venho, acho que faço qualquer coisa que tem a ver com livros mas já nem isso sei bem, leio o Ulisses no comboio mas limito-me a entornar letras pelos olhos, aquilo não está a passar e eu vou ter que reler o livro, talvez devesse ler algo mais light mas não me apetece ler Saramago outra vez, estou a brincar namorada, estou a brincar, gosto muito do Saramago, quando o natal terminar, lá para dois mil e quatorze, eu compenso toda a gente que tem ficado para trás, cão incluído. 

6 de dezembro de 2013

Se for preso venham-me visitar e tragam bolinhos

Ui, providências cautelares e tudo, como isto vai. Nós é mais livros, mas isto cada um sabe de si.

Diz olá às pessoas simpáticas, Ricardo

Este post é o equivalente blogoesférico a um gajo estar em casa a dormir e de repente acordar e ir à sala e tem a sala cheia de gente que não conhece e nós de pijama ou coisa que o valha sem saber bem como aquilo aconteceu.

Black Keys no Alive?

Lá vou ter de ir mais um dia.

Good news, bad news

Hoje é dia de ir buscar a filha para passarmos o fim-de-semana juntos, hoje é dia de ir buscar a filha e ver em que estado é que se encontra o tablet dela, diz que foi o irmão que o partiu.


5 de dezembro de 2013

4 de dezembro de 2013

É, é isso

- Eu sei que tens um blog, é o Farpas e não sei quê.
- É, é isso.

2 de dezembro de 2013

Educação sentimental

O natal na livraria nunca é mais um natal, há sempre algo de novo, há sempre um sentimento especial no ar, há livros por todo o lado, nos sítios mais ou menos óbvios, em réguas de madeira podre no chão, por todos os cantos, há livros bons, há livros maus, há muitos clientes quando a chuva e o frio assim o permitem, livreiros, já foram mais, poucos mas bons, prontos para tudo, inundações, falhas eléctricas, dê por onde der, foi um ano do caraças, somos mais uma vez a livraria número um, fomos eleitos a livraria preferida de Lisboa, cada vez mais há guias turísticos a levar pessoas para ver a livraria, e, a brincar, a brincar, já é o quarto natal, se os meus colegas lessem isto não acreditavam, sim, é o quarto natal, oitenta por cento dos meus natais como gerente de uma livraria foram passados assim, no topo do mundo livreiro, naquele que é, para mim, ainda, o melhor sítio do mundo. 

Colocar debaixo da árvore, não se preocupem com o cão, ele não mexe


27 de novembro de 2013

Na minha secretária


E vai comigo e já não volta.

23 de novembro de 2013

Livreiro

livreiro | s. m. | adj.

li·vrei·ro 
(latim librarius-iiescribacopistasecretáriolivreiroprofessor elementar)

substantivo masculino

1. Pessoa que comercializa livros. = BIBLIOPOLA
2. Pessoa que trabalha numa livraria e tem que subir a escadotes apoiados em soalhos cobertos com alguns centímetros de água, correndo alguns riscos de eletrocução, queda mortal ou banho com água nojenta, pessoa que tem de ir verificar a condição de tubos manhosos em terrenos abandonados entre prédios devolutos, podendo ou não incorrer em crime de invasão de propriedade.

adjectivo

2. Relativo à produção ou comercialização de livros (ex.: cadeia livreiramercado livreiro).

"livreiro", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/livreiro [consultado em 23-11-2013].

22 de novembro de 2013

We exist

Assisti a um lançamento de um livro de contos de uma senhora de cento e dois anos, cento e dois longos anos, tanta lucidez, força, cita autores, conta histórias de há dezenas de anos atrás, o Aquilino prefaciou o  seu primeiro livro há mais de setenta anos, fala de ir daqui para melhor satisfeita, tem um sentido de dever cumprido, todos aqui na plateia se sentem muito pequenos, aplaudiram de pé, a autora agradece de lágrima no olho, hoje vender livros é a menor das minhas preocupações.

Eu sou dos maus, deal with it

Tenho de confessar: um dos meus sonhos é abrir uma livraria: uma ideia idiota, eu sei, ainda para mais para alguém que conhece o negócio em primeira mão, que vive diariamente as suas agruras. E, talvez, se um dia conseguir realizar o meu sonho, venha a choramingar, como os livreiros independentes, contra os bicho-papões que são as grandes cadeias, esses devoradores de cultura que destroem o livro, os autores, as pequenas editoras, os marsupiais e uma ou duas vacas. Há questões em que, sem dúvida, as grandes cadeias têm comportamentos passíveis de serem criticados quanto à sua moralidade. Já quanto à legalidade há pouco por onde pegar. Eu disse pouco. Leiam com atenção, por favor. Já agora: não coloquem as "grandes cadeias" todas no mesmo saco: certamente que a FNAC, Bertrand e Continente pouco têm em comum. As campanhas não são iguais, a postura perante o livro não é igual. Numa das campanhas, a título de exemplo e sem mencionar nomes, os clientes pagam o preço fixado pelo editor (lá se vai a teoria da violação do preço fixo...) e ficam com saldo em cartão para gastar numa compra seguinte. E o que é que estas pessoas vão fazer com esse saldo? Comprar mais livros. Parece ficção científica mas é real. Ora, se as pessoas compram mais livros estão a benificiar autores, editores, distribuidores: o argumento de que prejudicamos estes agentes também cai por água. Mas nós estamos habituados a isto: existe toda uma conotação negativa relativamente a estas grandes cadeias. O que as pessoas às vezes se esquecem é que estas cadeias são compostas, é incrível, eu sei, por pessoas, por livreiros que gostam tanto ou mais de livros do que quem vem comprar ou quem tem uma pequena livraria. Só alguém que lida diariamente com um grupo de pessoas que faz disto a vida delas, quando poderiam estar a ganhar mais duzentos euros a dobrar roupa, por exemplo é que sabe o amor que alguns deles têm aos livros e à livraria onde trabalham. Existem excepções, existem maus profissionais, etc. Uma livraria não é um oásis neste país em que vivemos, nem por sombras. Mas há uma boa parte destas pessoas que sente os livros como poucos. E pouco importa se lhes chamam grande cadeia, se são olhados de lado, se são considerados os maus da fita. Eles estão cá pelos livros. Como eu disse uma vez ao gajo que toca música no largo do Chiado, quando me queria vender o seu cd autografado, nós é mais livros.

19 de novembro de 2013

Aparentemente este ano vou ter de ir


Daqui. A trinta e um de maio do ano do senhor de dois mil e catorze, lá estaremos.

18 de novembro de 2013

The queen is dead

Estou capaz de ler os restantes quatro livros de crónicas do Lobo Antunes de seguida. O que vale é que isto dá forte mas passa depressa. 

The Pulsing Blue Dickpunch of Sadness


Daqui. A minha PS4 que não venha com ideias.

17 de novembro de 2013

16 de novembro de 2013

Depois digam que o karma não existe

Depois disto, foi a minha vez de ser um bom vizinho e encontrar umas chaves caídas na rua e devolvê-las à respectiva dona. Quis o destino que a primeira porta onde toquei era a porta da dona do carro, que, depois do choque inicial, ficou felicíssima de eu ter encontrado as chaves do chão. "Estava a passear o cão?" perguntou ela, claro, eu sou conhecido na vizinhança como "o maluco do cão" ou algo do género, já se está a ver, enfim, a boa acção está feita. A sorte dela foi eu ter tido um Megane como carro de substituição do seguro (não lhes custava nada ter me dado um Alfa 159, por exemplo, coisa que ficava muito mais a combinar com a minha pessoa em estado de choque depois de ter o seu querido carro abalroado por uma camioneta do lixo) e ter reconhecido o cartão do carro. 

Esta gente que faz as notícias...

É, é isso, setecentas e oitenta e uma mil pessoas (não percebo como falharam em apresentar o número às unidades) sacaram o jogo em Portugal, o que comparando com os mais de cinco milhões que usam internet em Portugal dá uma bonita percentagem que ronda os dezasseis por cento, se reduzirmos os cinco milhões para um número mais razoável, eliminando as pessoas que nem sequer fazem ideia que a internet serve para mais do que o facebook e o youtube e o e-mail, as que não têm um gosto minimamente detectável por futebol e eu, que me fartei do jogo há uns valentes anos (isto, verdade seja dita, depois de perder horas incontáveis a jogar, quis o destino e a direcção da escola que no décimo segundo ano eu saísse sexta-feira às onze da manhã e não tivesse aulas à tarde, pois bem, adivinhem o que eu e os meus colegas fazíamos desde as onze e trinta até às tantas da madrugada, pois, jogar CM) temos um número de utilizadores passíveis de sacar o jogo bastante menor do que o número de downloads que os gajos da empresa que fez o jogo atira para o ar, alguém explique ao senhor que isto não pode ser bem assim, que os portugueses, apesar de piratas, ainda são muito poucos para ocupar o pódio nestas coisas.

15 de novembro de 2013

Se com os Ramones já me fazia confusão...


Eu bem que estranhei quando atendi uma miúda com uma t-shirt destas, tive o habitual pensamento do género vá lá o mundo não está totalmente perdido, mas, depois, ao ser arrastado violentamente para um fim de noite às compras antes de montar uma feira do livro num centro comercial até há uma da manhã, e a coitada da senhora que me acompanhava teve de lá ficar à seca portanto ficámos basicamente quites convidado simpaticamente para um agradável passeio nocturno, deparo-me com isto e só espero que isto não vire moda, da próxima vez que vir uma miúda com isto mando o Axl gordo atrás dela:


Isto sim, é assustador. Os Guns, que foram "a" minha banda (momento vamos-fazer-uma-revelação-daquelas-embaraçosas: eu tinha um lenço igual ao do Axl), agora como símbolo de moda em t-shirts de adolescentes, o abismo é já ali e nós a acenarmos alegremente e o carro sem travões.



10 de novembro de 2013

«O Benfica conseguiu os quatro golos sem atacar mais nenhuma vez» - Adrien "memória curta" Silva

Gosto particularmente da amnésia selectiva do Adrien, foi devido ao choque de ter perdido, certamente, que ele não se recorda que o Benfica, ao contrário do que ele afirma, enviou duas bolas aos ferros e teve no mal amado pé direito do Cardozo o golo que sentenciaria o jogo, e nem vamos contabilizar os falhanços de variada dimensão do Ivan Cavaleiro.

9 de novembro de 2013

A lenda de Artur e dos monstruosos cruzamentos largos malditos do inferno do terror do abismo da morte

Alguém explique ao homem que a bola descreve uma trajectória e que, a determinado ponto, o esférico fica acessível apenas e só para ele, homem alto e espadaúdo, que pode, meu Deus, usar as mãos, isto é tipo um plot twist para ele, para chegar à bola antes dos avançados e recolhê-la para junto do seu peito quente, onde a redondinha deseja muito estar, onde ela se sente segura e feliz, ao contrário de nós, benfiquistas, sempre que há um cruzamento para a nossa área.

Margarida Rebelo Pinto ou como ter a vossa atenção ou vai tudo de uma vez para maçar menos

A senhora já nem sequer vende assim tanto, no lançamento contei três leitores, o resto eram amigos, já ninguém liga grande coisa, literáriamente falando, deixai-a tomar o seu curso através do longo e florido caminho para o vale do esquecimento universal.


Em que ponto da vida de um gajo é que um gajo tem a epifania de misturar black metal com shoegaze?, há por ali momentos de pura esquizofrenia musical: temos uma banda toda a tocar black metal e um dos guitarristas, numa espécie de atitude talk to the hand, não quero saber, eu queria era estar nos My Bloody Valentine, a tocar melodias de guitarra que podiam ter saído de Manchester nos anos oitenta.

A Catarina encontrou umas fotos dela de uma festa da escola, tinha talvez uns seis anos, então decidiu autografá-las e oferecer uma à Xana, a cultura Bravo-one-direction-katy-perry-whatever está a tomar conta dela e isto assusta-me. 

O Ulisses ainda não saiu, o Guerra e Paz também não, estou a acabar o Cossacos e a gostar muito das crónicas do ALA e a deixar para trás o DFW, não sei bem para onde me vou virar a seguir, talvez o Fumo do Turguenev, a abundância de escolha é contraproducente.

A LER no Chiado teve como convidados o Dacosta e o Pinto do Amaral, tudo por causa da Natália Correia, e eu à espera de uma enchente, nada, nem vinte pessoas, nem uma manifestação espírita, nem nada.

Vai sair uma nova edição do Admirável Mundo Novo, pela Antígona, clássicos reeditados são sempre boas notícias.

Recebi uma prenda de uma editora, uma caixinha preta com dois livros iguais lá dentro, os dois juntos não fazem um, alguém quer um policial best-seller pelo natal?



Em repeat, por estes lados, a conquistar lentamente todos os elementos da casa, acho que já só falta o cão.






5 de novembro de 2013

Trinta e três

Continua a parecer que tão pouco se passou, no entanto olho para trás e vejo tanta coisa no caminho, tanto que se perdeu, fora tudo o que se esqueceu, estes trinta e três foram bons, saldo positivo, sem sermos campeões vamos todos os anos à champions, perdão pela metáfora mas o futebol dá-me sempre saída para estas coisas, li numa revista qualquer ou vi no facebook, hoje é tudo a mesma coisa afinal de contas, que os homens só entram na idade adulta aos cinquenta e quatro, acho que a minha pequena obsessão pela ps4 acaba por comprovar isso, portanto ainda tenho muito que correr até ser um adulto a sério, embora, para a minha filha, eu já esteja a caminho da campa, trinta e três para ela está a um mundo de distância, ela que, hoje ao almoço, me perguntou se eu, caso ganhasse o euro milhões, trocaria a minha namorada por uma modelo, a minha reacção foi a óbvia: foi ela que te mandou perguntar isso?, ao que ela respondeu que não e então eu dei-lhe um enorme sermão e perguntei se ela gostaria de ser trocada por uma filha modelo (eu já sou modelo, respondeu ela, e faço ballet e mais não sei quê) e boa aluna (aqui calou-se muito bem caladinha porque a menina este ano deu para oscilar entre os oitenta e o oito e os quarenta e oito por cento, fora as faltas de material...), e ela aí amuou mas nada que um Santini não curasse, seguido de uma visita aos meus amigos companheiros camaradas colegas dos livros que tiveram a tresloucada ideia de abrir uma livraria no centro de Cascais, passe a publicidade, vão visitá-los, e assim, entre visitas e almoços e idas ao ballett, se passa mais um dia de anos onde vou, mais uma vez, festejar o aniversário juntamente com a senhora que me colocou neste mundo, cinco de novembro de mil novecentos e oitenta, a senhora achou por bem ir trabalhar no dia de anos, grávida de nove meses, então vamos lá voltar para trás, o comboio tem uma vista bonita e é como se nada fosse, passa num instante, próxima paragem, maternidade, e, trinta e três anos depois, trinta e três anos de parabéns cantados para a teresaericardo uma salva de palmas, das coisas que mais me assusta é um dia fazer anos sem ela embora eu saiba que, quando um de nós fizer anos, seremos sempre dois.

À quadragésima segunda chamada perde a piada, a sério

"Trinta e três? A idade de Cristo! ahaha, a idade de Cristo!". Hilariante.

4 de novembro de 2013

Quase rendido, quase

Já tinha o disco desde sexta, tanta tesão do mijo,a choramingar desde segunda que o disco não estava à venda, e só o ouvi hoje como deve ser. Estou quase rendido. Quase. 


30 de outubro de 2013

A noite é mais longa no lado de baixo da rua Garrett

Aqui está o novo disco de Arcade Fire:


Ou não. Desde segunda-feira que os senhores da FNAC me dizem que chega "hoje à noite". A noite é interminável, por aquelas bandas. Na Louie Louie apontam mais para o fim desta semana, início da próxima, e depois uma pessoa dá uma volta e acaba por gastar dinheiro noutras coisas. Melhor ainda é a senhora da FNAC, quando inquirida sobre o disco de Arcade Fire, franze o cenho e diz "está AQUI", apontando para os cds que se encontravam em cima do balcão onde ela estava. Eu depois lá esclareci que era o LP e ela disse, enigmaticamente: "hoje à noite". 

28 de outubro de 2013

23 de outubro de 2013

A Granta 2 já está, o Suttree também

Gostei mais da Granta anterior, ainda assim. Para não variar gostei de autores que nunca pensei em gostar, gostei dos que tinha uma ideia que ia gostar, não gostei de uma que eu suspeitava que não ia gostar, desgostei bastante de um em particular e o Gonçalo M. Tavares está a um livro de se passar de vez e ir todos os dias para o Saldanha todo nu e ficar lá o dia todo a fingir que é uma máquina de lavar roupa, a fazer sons e tudo. Do Suttree gostei muito, não fica perto dos meus preferidos dele mas é bom, tenho de conhecer melhor este período da escrita dele. O McCarthy tem o dom de nos fazer torcer pelas personagens mais improváveis. 
Agora continuam as crónicas do DFW e volto, com muito agrado, ao Tolstoi, o Cossacos como que em preparação para a edição do Guerra e Paz pela Relógio d'Água. Pelo menos é o que eles dizem, porque, assim como quem não quer a coisa, já se fala nisso já vai para um ano. Vejam lá isso, agora estão ricos da Munro, deitem cá para fora o Ulisses e o Guerra e Paz. 

É isto

A viver no Lado A da vida, por estes dias. Dizem que há vida para além do trabalho, mas eu acho que é um mito, até ver o Lado B já não acredito em nada.

21 de outubro de 2013

Granta, aqui vou eu II

Ficção Impossível *

Vais passar uma hora a escolher uma citação?!
 Porque é que não pegas num livro e escolhes uma enquanto trabalho?!
Xana

          Estava a chuviscar, como se finalmente o outubro tivesse decidido revelar a sua verdadeira face, talvez cansado de passar por setembro, e ele, à porta do centro internacional de cultura literária puxou a gola do casaco para cima e tacteou o bolso interior para tirar um cigarro. Dois problemas: não tinha tabaco e não fumava. Não gostava de tocar a campainhas, portanto ia ficar a fumar à porta até chegar alguém, mas, não sendo fumador, teria de arranjar um qualquer outro motivo para estar ali, à mercê da chuva, uma chuva tímida como o ataque do Benfica deste ano: um gajo sabe que existe, de um determinado ângulo até se consegue ver, mas, no fundo, no fundo, causa pouca mossa. Fingiu que utilizava o telemóvel, o ecrã táctil salpicado de gotas, os segundos a passarem lentamente. Pouco tempo depois, aproxima-se alguém, não conseguiu reconhecer a pessoa mas, para o efeito, pouco importa: a pessoa toca à porta e pede para entrar. Aproximou-se, sacudiu o casaco e entrou logo atrás. Após as primeiras escadas de pedra encontrou um corredor estreito e curto de paredes carregadas de cartazes anunciando tertúlias antigas, poeirentos obituários culturais, retratos de gente de olhar vago e sorriso torto. Após umas segundas escadas, sempre atrás do senhor que entrou à sua frente que parecia conhecer bem o sítio, entra numa espécie de escritório. O estranho cumprimenta calorosamente a secretária e volta à esquerda, entrando num corredor oblíquo e que se vai estreitando a cada passo que davam, cada passo um golpe no silêncio que se fundia com o espaço. Depois de passarem por um local a céu aberto no meio do prédio e descerem umas novas escadas começava a temer que minotauro iria ele encontrar naquele labirinto. Causou-lhe alguma confusão fazerem um evento literário num sítio labiríntico como aquele pois toda a gente sabe que as gentes das letras por norma saem pouco e enxergam mal, rapidamente se perdiam ali e quando dessem por elas, quando dessem por elas estavam num canto em posição fetal a recitar passagens de Roland Barthes.
          Finalmente chegaram ao local do evento: várias cadeiras coloridas alinhavam-se militarmente defronte de um pequeno palco, onde três cadeirões se preparam para receber as iluminadas vozes da literatura. O outro senhor, aparentemente o primeiro a chegar, segue para a direita da sala. Ele opta pela esquerda escolhe um lugar numa das primeiras filas, uma táctica ponderada: fica suficientemente perto para ouvir bem e longe o suficiente para poder ir deitando o olho ao telefone e tomando notas das barbaridades que se vão dizendo sem causar má impressão aos convidados. Por falar em convidados, chega a primeira convidada: Adélia Carreira e o seu marido, Jaime Tocha. Sempre gostara muito da Adélia Carreira, o seu ar de louca que mora com trezentos e trinta e dois gatos, numa casa mal arejada onde o sol apenas tem licença para se esgueirar por ténues frestas e invadir o felino espaço, e a escrita dela, a escrita dela. Entram mais três ou quatro convidados e o anfitrião que obriga toda e qualquer cara conhecida a subir uns andares e a visitar a exposição da sua filha, se ele soubesse o que quer dizer nepotismo usava essa palavra agora.
          Os cumprimentos, abraços e pancadas nas costas iam-se sucedendo, sôtor, sôtor, meu caro, sôtor, caríssimo, sôtor, minha querida, sôtor. Entra mais uma das oradoras, nova, finalista de um prémio literário, haja coragem para se sentar ao lado de dois poetas com nome feito, e toma o seu lugar no palco.  Ajeita o cabelo uma última vez, não te preocupes, querida, pensou ele, eles gostam de ti pelas tuas letras, redondas e curiosas, ninguém liga ao teu cabelo. Enquanto ia pensando no que um prémio literário faz a uma pessoa, não deu por uma pessoa ter entrado: era a Matilde do Rosário Teixeira, editora que lançou alguns dos mais prolíficos autores da nova geração. Caminhou confiante pela sala, os saltos curtos a marcarem o compasso, ela sabe quem é e o que representa. O anfitrião ia discursando sobre a importância da gaiola de madeira que sustenta o prédio e que estava visível no meio daquela sala, passando depois para histórias sobre casinos ilegais e rusgas da pide. Os convidados sorriam, afinal de contas, tudo é melhor do que ver exposições por obrigação.
          A sessão parecia estar a ser interessante, com a apresentadora a fazer perguntas meta-literárias a que os autores tinham uma enorme dificuldade em compreender e responder, mas a cabeça dele já não estava no mísero palco: tinha a atenção totalmente concentrada na senhora editora. Passou a sessão toda a desviar o olhar para ela, a bater com o pé nervosamente, precisava de falar com ela, precisava de lhe dizer qualquer coisa. Planeou tudo cuidadosamente: a sessão terminava e ele aproximava-se dela, ia esperar que terminasse uma qualquer conversa de circunstância e, enquanto ela estivesse a preparar-se para sair, apresentar-se-ia e pediria o seu e-mail para lhe enviar a sua obra-prima, trinta e três anos em papel, uma coisa totalmente autobiográfica. Dispensava prémios literários, reconhecimentos estilo casa dos segredos, ascensões à fama por escadas rolantes de curta duração e fundações inquinadas. Apenas queria ver o seu nome num livro da sua chancela, ser colega de editora do seu herói, não, o Van Basten não escreve, não era nesse que ele estava a pensar.
          Estava tão embrenhado nos pensamentos delirantes que não deu pela sessão terminar: foi despertado pelas palmas secas e pouco sentidas que se faziam ouvir. Levantou-se e procurou-a no meio da multidão: em vão. Afastou-se das cadeiras, desviou-se dos sôtores, ignorou os pobres mas nobres vendedores de livros que ali acudiram em vão, ninguém comprou nada, e procurou a porta. Espreitou casualmente para o corredor, estava vazio. Voltou a olhar para a sala e não a viu em lado nenhum e, desiludido, decidiu descer as escadas. A cada passo que dava ia pensando que o acesso ao local dos eventos deveria ser sempre por ali: ao invés de atravessarem corredores, escadas e um saguão que ficava bem em qualquer prédio de Beirute, esta saída pelas traseiras era composta por apenas dois lanços de escada. Já via os carris do eléctrico na entrada do prédio quando, ao atravessar a porta, chocou com alguém que dava aqueles últimos bafos no quase extinto cigarro, qual adolescente a fumar às escondidas do pai: era a senhora editora.
Peço desculpa, disse.
Eu é que peço desculpa, com licença, respondeu, enquanto ela se desviava para entrar no edifício. 
Um leve sorriso e um virar de costas foi tudo o que podia ter guardado do encontro mas, estupidamente, não resistiu.
Matilde do Rosário Teixeira, chamou-a, quase entre dentes. Ela voltou-se, espantada por vê-lo de mão esticada para ela. Chamo-me Bernardo e vou ser o seu próximo autor.
A expressão dela mudou repentinamente, como se não soubesse o que dizer. Rapidamente se recompôs.
E como que é que se chama o seu livro?
Empalideceu. Não tinha título para o livro. Não tinha livro, aliás, mas isso, para ele, era secundário.
O nome do livro?, perguntou, tentando ganhar tempo.
Sim, o nome, diga-me lá para ver se é coisa para perder o meu tempo ou não. Notava-se a impaciência na voz dela. Ele tinha que lhe dizer um nome, algo que, naquele espaço de tempo, era impossível, como a ficção que iria, um dia escrever. Ficção, impossível.
Ficção impossível, respondeu como quem tinha acabado de carregar no buzzer de um qualquer concurso de prime time de estação pública.
Ficção impossível, é?
É. A sua confiança estava de volta. Ficção impossível. É uma coisa moderna, original, quase autobiográfica, assim uma espécie de Memória de Elefante mas do século XXI.
Ah, mas esteve na guerra colonial?
Não...
Em alguma guerra?
Também não... O calor começava a incomodá-lo fatalmente.
É psiquiatra?
Não... Ele não aguentava mais a tortura, ia desistir. Bem, obrigado pelo seu tempo, eu tenho que ir andando e...
Não, não, interrompeu ela, espere lá, agora quero saber mais, envie-me lá o seu livro. Abriu a bolsa e tirou um cartão. Fico à espera.
Balbuciou um obrigado e saíu porta fora. A chuva tinha parado e já se conseguiam ouvir os primeiros acordes da música africana que costuma embalar a estátua do poeta no largo um pouco mais abaixo. Apertou o casaco, respirou fundo: há muito tempo que via a sua respiração a materializar-se diante dos seu olhos: sentia a falta do inverno a sério. Começou a caminhar, o cartão a rodar entre os dedos, a decisão estava tomada: ia escrever o romance, vou escrever o romance, vou escrever o romance, repetia para si mesmo.
          Pensou em dar um salto à primeira livraria que lh aparecesse à frente, ia buscar inspiração no cheiro dos livros, sempre com o romance no pensamento, o cartão na mão, mas a atenção das pessoas é independente da sua vontade, e o seu olhar foi cair num jovem hipster sentado numa daquelas esplanadas da moda, macbook air aberto num processador de texto qualquer, bicicleta encostada à cadeira. Ao passar em frente à banca de jornais lembrou-se que o Benfica jogava para a taça. Rodou mais uma vez o cartão entre os dedos. Olhou para a o cartão, para o jornal, depois para o hipster que escrevia. Mudou de passeio, passou rente à mesa e, sub-repticiamente, deixou cair o cartão em cima do teclado dele. Vou escrever um romance, disse em voz baixa, mas não vai ser hoje.

* qualquer semelhança com pessoas, locais ou acontecimentos reais é pura coincidência.

20 de outubro de 2013

Ah, pois, faz sentido

A Catarina começou a ler livros do PNL. Claro que eu fui logo comprar os livros todos, para ela ter na sua pequena biblioteca. E o que é que encontro no primeiro livro que ela tem que ler? Na introdução da Sophia, no livro "O Rapaz de Bronze", há um asterisco na palavra "quinta". No fim do texto vem uma explicação do que é uma quinta: um grande propriedade onde há floresta, jardins e uma parte agrícola. Coisa que, claramente, as criança dos quinto ano não sabem. O resto sabem, seguramente: "(...) quinta* da minha avó e pelo feéricos jardins(...). (...) certas reminiscências (...).

18 de outubro de 2013

15 de outubro de 2013

Ironia, uma definição

Seres gerente da livraria mais antiga do mundo e a tua namorada comprar noventa por cento dos livros na FNAC online.

Ler é mentira

Estou a demorar uma eternidade no Suttree, e a Granta que chega amanhã. E o DFW que já paira na minha secretária. Tenho que estabelecer um plano de leitura, algo do género Suttree para o comboio, DFW para a hora de almoço e Granta em casa. 

E amanhã

O novo da MRP. Espero mais gente do que espaço. Espero que comprem. Espero não me enganar.

É a loucura

Mais de cem livros em dois dias, Alice Munro, estás em grande.

13 de outubro de 2013

A mim parece-me igual...


Levei-o a casa da minha mãe, toda a gente o achou maior.

I just called to say I miss my car keys


É sempre bom quando vamos sair de casa e não encontramos as chaves do carro. Sendo que não seria inédito elas estarem na ignição, uma pessoa leva as chaves suplentes e encontra isto no vidro do carro. E aqui levanta-se toda uma problemática de difícil resolução: liga para me? Me? "Me" tipo "me" em "call me", ou "Me" como primeiro nome? E pronúncia-se Me ou Mé? Aparentemente as chaves ficaram enroladas nos sacos das compras (é o que dá ter uma fita presa nas chaves, fita que eu usava quando era livreiro e a identificação era usada ao pescoço, enfim, uma pessoa apega-se a estas coisas e eis o que acontece) e caíram. Então lá se ligou, e, de tantos sítios onde se podia ir buscar a chave (podia ter sido um vizinho fofinho a ter apanhado a chave do chão), o local combinado foi na entrada do bairro social que há a dois quilómetros de distância. E pronto lá estava ele, com as chaves na mão, no sítio combinado. Queria agradecer ao senhor por ter guardado as chaves (e aparentemente não ter feito nenhuma cópia) e à senhora que ligou várias vezes para o homem, enquanto eu conduzia, e que, sem perceber nada do que ele dizia, lá conseguiu descortinar o sítio de encontro. Um grande bem-haja todos.

Como diria o Chico Buarque


Foi bonita a festa pá, fiquei contente.

10 de outubro de 2013

Natal é quando chegas à secretária e...




"Há tanto tempo que nada acontece e o mar não cresce para me enrolar na sua afronta"



"eu vou na volta em ti, traz-me de volta a mim"

Ah, dias de Nobel ou de morte de escritores...

... é igual a dar entrevistas, desta vez a novidade foi falar para duas câmaras e jornalistas ao mesmo tempo, senti-me um jogador da bola, pensei em dizer que jogava onde o mister quisesse e que estava ali para ajudar, que não prometo títulos mas que vou dar tudo pelo clube, que não penso no Real Madrid mas que tenho de estar aberto a todas as propostas, mas na realidade o que disse foi que os contos da autora tinham bastante personalidade (?) e engasguei-me quando quis comparar a entrega deste prémio com o do Mo Yan, do ano passado, é assim, só não falha quem não está lá, temos que levantar a cabeça e pensar já no próximo jogo.