Havia uma versão com a Gisela João na voz, filmada no concerto da semana passada, mas não encontro isso em lado nenhum.
21 de fevereiro de 2014
20 de fevereiro de 2014
Noite
Enquanto enrolava o cachecol à volta das mãos a dor nas articulações não me deixava esquecer as mesas
a boca entre o corpo, soberbo sufoco
que acartámos e as gôndolas que arredámos, tento em vão encontrar uma posição melhor, sentado desconfortavelmente num comboio frio com as vinte e uma horas já atrás das costas e
prenúncio de tudo no ar
sem um livro para ler, isto para quem acabou de sair de um sítio com setenta mil livros é, poeticamente falando, estúpido, assim
a forma é o gesto, contido e modesto
tenho tempo para pensar em como tenho tempo para pensar, e o pensamento é um bicho estranho e fugidio com vontades insondáveis, metamorfoseia-se em sonho ou pesadelo sem darmos conta, e eu,
seguro o intento, prolongo o altar
que até sou gajo para me preocupar com merdas existencialistas e coisas de intrínseco valor, não deixei de lamentar a falta do livro, tinha lá o Infância, Adolescência, Juventude,
depois vai-se o jeito, despido a preceito
aninhado na minha secretária à espera de ir dar passeios à beira mar sobre carris enferrujados, a vista fica para outra altura,
vertigem em ombros de andor
as costas lembram-me que já não vou para novo mas o lançamento correu bem e não me resta, apesar de tudo, outro remédio senão sorrir,
cabeça em saturno, se acordo ou se durmo
vendeu-se pouco mas foi bonita a festa, porreiro pá, o ex-primeiro a falar da Arendt e do Eichmann, ele há coisas do diabo,
seguro o intento, prolongo o altar
sinto alguma falta do espaço antigo de lançamentos, penso nas pessoas que conheci por trabalhar onde trabalho, actores, políticos, jornalistas e até, às vezes, escritores, estas doses de realidade ajudam a dar ânimo quando tudo parece enrolar num manto cada vez mais funesto, mas, a verdade, livraria que me amparas,
só eu te sei dizer
só eu te sei dizer.
19 de fevereiro de 2014
17 de fevereiro de 2014
Separados à nascença
Por separados à nascença estou a referir-me, claro está, aos "criativos" que criaram isto e à originalidade.
15 de fevereiro de 2014
Venda acrescentada
Cada vez mais me convenço que a Rua do Alecrim é um ser vivo, mutável, com vontade própria, tem o comprimento de um fechar de olhos ou de uma vida, conforme os dias, há dias em que, por muito que ande, por muito que pense, fico com a sensação de que poderia ficar a vida toda a subir a rua, que o Camões, se a Rua do Alecrim assim entendesse, não chegaria nunca.
10 de fevereiro de 2014
9 de fevereiro de 2014
8 de fevereiro de 2014
Reacção ao post anterior
"Que raio de mensagem subliminar é essa, as pessoas ainda acham que vais acabar comigo." Um homem está a treinar a escrita e é isto que acontece. Mas também esta frase vem da pessoa que diz: "escritor? para seres escritor só te falta começar a escrever."
Sempiterno
Não percebes que ao tentares encontrar o princípio de um círculo estás também a marcar o seu fim.
3 de fevereiro de 2014
31 de janeiro de 2014
Tenham paciência
Ele queria participar no concurso para jovens escritores mas disseram-lhe que o texto dele não era granta coisa.
27 de janeiro de 2014
22 de janeiro de 2014
Nada é sagrado
E é isto.
Isto é um daqueles casos em que poucos parecem dignos de o receber. A ver vamos no que isto vai dar.
Isto é um daqueles casos em que poucos parecem dignos de o receber. A ver vamos no que isto vai dar.
20 de janeiro de 2014
Pelo menos no meu tempo era entre betos e chungas
Boas famílias. Adoro. "Boas famílias". Uma magistrada que não quer ser "importunada" devido aos problemas do filho. Repitam mais uma vez: Boas famílias.
18 de janeiro de 2014
Eu, livreiro
Uma manhã descansada, embalada pela leve chuva, passada a arrumar livros bons em estantes antigas, fez me lembrar porque cheguei ali e porque não o trocaria por nada.
15 de janeiro de 2014
8 de janeiro de 2014
Da Noruega, com amor
Música do ano, o ano passado. Desculpem lá Arctic Monkeys, Bring Me The Horizon, For The Glory, QOTSA e Linda Martini.
2 de janeiro de 2014
Devia ser desporto olímpico
Sou um mestre na arte de me fechar fora de casa, com ou sem cão (algo que aumenta sobremaneira a dificuldade da coisa), com ou sem chaves do carro para que me possa deslocar ao local onde tenho chaves suplentes (também aumenta o nível de dificuldade). Hoje foi a maravilhosa combinação sem chaves, sem carro, com cão. Isto depois de dez horas de trabalho. Vá lá que tinha o telemóvel. Por acaso essa nunca me aconteceu. Era coisa assim ao nível de um Houdini.
31 de dezembro de 2013
Se as pessoas pudessem parar de apitar nos carros para alguém sair dos prédios era maravilhoso
O meu cão fica louco e ladra violentamente. E não queiram ver o meu cão a ladrar violentamente. Esta gente não conhece o conceito de dar um toque no telemóvel?
28 de dezembro de 2013
27 de dezembro de 2013
Prenda de Natal
Receberes uma carta da Ascendi com valores a pagar relativamente a passagens em SCUTS onde nunca estiveste na vida.
26 de dezembro de 2013
25 de dezembro de 2013
Lisbon blues
Trabalhar no dia vinte e quatro já é bom o suficiente, não era preciso adicionar uma chuva torrencial e um bêbado violento, eu que nunca tinha chamado a polícia na minha vida, nem nunca pensei sequer em fazê-lo, vi-me obrigado a ligar perante o bêbado, senhor que falava inglês e português, descalço no dilúvio, descalço na vida, a querer comprar um isqueiro, nós não vendemos, ele a insistir, um colega a dizer que lhe emprestava o dele mas que não o dava nem vendia, ele a querer dar um euro pelo isqueiro, a colocar um euro em cima de uma lata de cerveja por abrir, nós a recusarmos, ele a deitar-se no chão, na carpete suja, a cruzar as pernas, os pés descalços a sorrirem para o balcão, os olhares cruzados a olhar para ele, um colega começou a mandá-lo embora, ele praguejava em inglês, contou-nos, one two three four five six, six guys, cocks, all cocks, you cocks, agora que penso nisso nem sequer éramos seis, éramos quatro, enquanto saía ameaçou uma vez atirar a lata, saiu, deu um murro na montra, já no outro lado da estrada atirou uma garrafa, a má pontaria deu-lhe o destino de se estilhaçar no passeio, fica o susto e o aviso, chama a polícia chama a polícia, chamei, nem dois minutos depois lá estava, pararam o carro, falaram dois minutos com ele, disseram-nos ele diz que não chateia mais só quer um isqueiro, e nós oh foda-se isso já sabemos, e a polícia ele diz que não chateia mais vai ficar ali se chatear chamem-nos outra vez, e lá foram, e lá ele foi, e nós ficámos, descansados, a ver o rio que descia pela Garrett, até a água quer ir às compras aos armazéns, e os clientes a entrarem, ignorando a porta encostada, sinal de que por hoje já chega, ouvidos colados ao telefone, a dizerem coisas como ainda tenho dez minutos, claro, tens dez minutos, leva o teu tempo, quem está aqui há dez horas fica mais dez minutos, ainda temos uma loja para fechar, há pessoas à espera de alguns de nós, mas, deixa lá, leva lá os teus dez minutos, o natal é quando um homem quiser e o meu não era, definitivamente, ontem.
18 de dezembro de 2013
2013 em livros
Reparo agora que dois terços foram de autores portugueses, o maior foi o Piada Infinita, o mais divertido o Festa no Covil, o que me tocou mais o Agora e Na Hora da Nossa Morte, o que me maravilhou mais foi o Memória de Elefante, o que me deixou a olhar para o infinito durante mais tempo foi o Servidões, venha dois mil e catorze.
16 de dezembro de 2013
13 de dezembro de 2013
Minimizar ao máximo
Oito dias de trabalho seguidos, com jornadas até treze horas, não sei bem quem sou e onde venho, acho que faço qualquer coisa que tem a ver com livros mas já nem isso sei bem, leio o Ulisses no comboio mas limito-me a entornar letras pelos olhos, aquilo não está a passar e eu vou ter que reler o livro, talvez devesse ler algo mais light mas não me apetece ler Saramago outra vez, estou a brincar namorada, estou a brincar, gosto muito do Saramago, quando o natal terminar, lá para dois mil e quatorze, eu compenso toda a gente que tem ficado para trás, cão incluído.
6 de dezembro de 2013
Se for preso venham-me visitar e tragam bolinhos
Ui, providências cautelares e tudo, como isto vai. Nós é mais livros, mas isto cada um sabe de si.
Diz olá às pessoas simpáticas, Ricardo
Este post é o equivalente blogoesférico a um gajo estar em casa a dormir e de repente acordar e ir à sala e tem a sala cheia de gente que não conhece e nós de pijama ou coisa que o valha sem saber bem como aquilo aconteceu.
Good news, bad news
Hoje é dia de ir buscar a filha para passarmos o fim-de-semana juntos, hoje é dia de ir buscar a filha e ver em que estado é que se encontra o tablet dela, diz que foi o irmão que o partiu.
5 de dezembro de 2013
4 de dezembro de 2013
3 de dezembro de 2013
2 de dezembro de 2013
Educação sentimental
O natal na livraria nunca é mais um natal, há sempre algo de novo, há sempre um sentimento especial no ar, há livros por todo o lado, nos sítios mais ou menos óbvios, em réguas de madeira podre no chão, por todos os cantos, há livros bons, há livros maus, há muitos clientes quando a chuva e o frio assim o permitem, livreiros, já foram mais, poucos mas bons, prontos para tudo, inundações, falhas eléctricas, dê por onde der, foi um ano do caraças, somos mais uma vez a livraria número um, fomos eleitos a livraria preferida de Lisboa, cada vez mais há guias turísticos a levar pessoas para ver a livraria, e, a brincar, a brincar, já é o quarto natal, se os meus colegas lessem isto não acreditavam, sim, é o quarto natal, oitenta por cento dos meus natais como gerente de uma livraria foram passados assim, no topo do mundo livreiro, naquele que é, para mim, ainda, o melhor sítio do mundo.
28 de novembro de 2013
27 de novembro de 2013
25 de novembro de 2013
Mixtape 2013
| 20. | Sonic Youth | - | Purr |
23 de novembro de 2013
Livreiro
livreiro | s. m. | adj.
li·vrei·ro
(latim librarius, -ii, escriba, copista, secretário, livreiro, professor elementar)
adjectivo
(latim librarius, -ii, escriba, copista, secretário, livreiro, professor elementar)
substantivo masculino
1. Pessoa que comercializa livros. = BIBLIOPOLA
2. Pessoa que trabalha numa livraria e tem que subir a escadotes apoiados em soalhos cobertos com alguns centímetros de água, correndo alguns riscos de eletrocução, queda mortal ou banho com água nojenta, pessoa que tem de ir verificar a condição de tubos manhosos em terrenos abandonados entre prédios devolutos, podendo ou não incorrer em crime de invasão de propriedade.
2. Relativo à produção ou comercialização de livros (ex.: cadeia livreira, mercado livreiro).
"livreiro", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/livreiro [consultado em 23-11-2013].
22 de novembro de 2013
We exist
Assisti a um lançamento de um livro de contos de uma senhora de cento e dois anos, cento e dois longos anos, tanta lucidez, força, cita autores, conta histórias de há dezenas de anos atrás, o Aquilino prefaciou o seu primeiro livro há mais de setenta anos, fala de ir daqui para melhor satisfeita, tem um sentido de dever cumprido, todos aqui na plateia se sentem muito pequenos, aplaudiram de pé, a autora agradece de lágrima no olho, hoje vender livros é a menor das minhas preocupações.
Eu sou dos maus, deal with it
Tenho de confessar: um dos meus sonhos é abrir uma livraria: uma ideia idiota, eu sei, ainda para mais para alguém que conhece o negócio em primeira mão, que vive diariamente as suas agruras. E, talvez, se um dia conseguir realizar o meu sonho, venha a choramingar, como os livreiros independentes, contra os bicho-papões que são as grandes cadeias, esses devoradores de cultura que destroem o livro, os autores, as pequenas editoras, os marsupiais e uma ou duas vacas. Há questões em que, sem dúvida, as grandes cadeias têm comportamentos passíveis de serem criticados quanto à sua moralidade. Já quanto à legalidade há pouco por onde pegar. Eu disse pouco. Leiam com atenção, por favor. Já agora: não coloquem as "grandes cadeias" todas no mesmo saco: certamente que a FNAC, Bertrand e Continente pouco têm em comum. As campanhas não são iguais, a postura perante o livro não é igual. Numa das campanhas, a título de exemplo e sem mencionar nomes, os clientes pagam o preço fixado pelo editor (lá se vai a teoria da violação do preço fixo...) e ficam com saldo em cartão para gastar numa compra seguinte. E o que é que estas pessoas vão fazer com esse saldo? Comprar mais livros. Parece ficção científica mas é real. Ora, se as pessoas compram mais livros estão a benificiar autores, editores, distribuidores: o argumento de que prejudicamos estes agentes também cai por água. Mas nós estamos habituados a isto: existe toda uma conotação negativa relativamente a estas grandes cadeias. O que as pessoas às vezes se esquecem é que estas cadeias são compostas, é incrível, eu sei, por pessoas, por livreiros que gostam tanto ou mais de livros do que quem vem comprar ou quem tem uma pequena livraria. Só alguém que lida diariamente com um grupo de pessoas que faz disto a vida delas, quando poderiam estar a ganhar mais duzentos euros a dobrar roupa, por exemplo é que sabe o amor que alguns deles têm aos livros e à livraria onde trabalham. Existem excepções, existem maus profissionais, etc. Uma livraria não é um oásis neste país em que vivemos, nem por sombras. Mas há uma boa parte destas pessoas que sente os livros como poucos. E pouco importa se lhes chamam grande cadeia, se são olhados de lado, se são considerados os maus da fita. Eles estão cá pelos livros. Como eu disse uma vez ao gajo que toca música no largo do Chiado, quando me queria vender o seu cd autografado, nós é mais livros.
19 de novembro de 2013
18 de novembro de 2013
The queen is dead
Estou capaz de ler os restantes quatro livros de crónicas do Lobo Antunes de seguida. O que vale é que isto dá forte mas passa depressa.
17 de novembro de 2013
Tell me I'm your national anthem
Sabes que o hino é arrepiante quanto até o Miguel Veloso canta com feeling e tudo.
16 de novembro de 2013
Depois digam que o karma não existe
Depois disto, foi a minha vez de ser um bom vizinho e encontrar umas chaves caídas na rua e devolvê-las à respectiva dona. Quis o destino que a primeira porta onde toquei era a porta da dona do carro, que, depois do choque inicial, ficou felicíssima de eu ter encontrado as chaves do chão. "Estava a passear o cão?" perguntou ela, claro, eu sou conhecido na vizinhança como "o maluco do cão" ou algo do género, já se está a ver, enfim, a boa acção está feita. A sorte dela foi eu ter tido um Megane como carro de substituição do seguro (não lhes custava nada ter me dado um Alfa 159, por exemplo, coisa que ficava muito mais a combinar com a minha pessoa em estado de choque depois de ter o seu querido carro abalroado por uma camioneta do lixo) e ter reconhecido o cartão do carro.
Esta gente que faz as notícias...
É, é isso, setecentas e oitenta e uma mil pessoas (não percebo como falharam em apresentar o número às unidades) sacaram o jogo em Portugal, o que comparando com os mais de cinco milhões que usam internet em Portugal dá uma bonita percentagem que ronda os dezasseis por cento, se reduzirmos os cinco milhões para um número mais razoável, eliminando as pessoas que nem sequer fazem ideia que a internet serve para mais do que o facebook e o youtube e o e-mail, as que não têm um gosto minimamente detectável por futebol e eu, que me fartei do jogo há uns valentes anos (isto, verdade seja dita, depois de perder horas incontáveis a jogar, quis o destino e a direcção da escola que no décimo segundo ano eu saísse sexta-feira às onze da manhã e não tivesse aulas à tarde, pois bem, adivinhem o que eu e os meus colegas fazíamos desde as onze e trinta até às tantas da madrugada, pois, jogar CM) temos um número de utilizadores passíveis de sacar o jogo bastante menor do que o número de downloads que os gajos da empresa que fez o jogo atira para o ar, alguém explique ao senhor que isto não pode ser bem assim, que os portugueses, apesar de piratas, ainda são muito poucos para ocupar o pódio nestas coisas.
15 de novembro de 2013
Se com os Ramones já me fazia confusão...
Eu bem que estranhei quando atendi uma miúda com uma t-shirt destas, tive o habitual pensamento do género vá lá o mundo não está totalmente perdido, mas, depois, ao ser arrastado violentamente para um fim de noite às compras antes de montar uma feira do livro num centro comercial até há uma da manhã, e a coitada da senhora que me acompanhava teve de lá ficar à seca portanto ficámos basicamente quites convidado simpaticamente para um agradável passeio nocturno, deparo-me com isto e só espero que isto não vire moda, da próxima vez que vir uma miúda com isto mando o Axl gordo atrás dela:
Isto sim, é assustador. Os Guns, que foram "a" minha banda (momento vamos-fazer-uma-revelação-daquelas-embaraçosas: eu tinha um lenço igual ao do Axl), agora como símbolo de moda em t-shirts de adolescentes, o abismo é já ali e nós a acenarmos alegremente e o carro sem travões.
10 de novembro de 2013
«O Benfica conseguiu os quatro golos sem atacar mais nenhuma vez» - Adrien "memória curta" Silva
Gosto particularmente da amnésia selectiva do Adrien, foi devido ao choque de ter perdido, certamente, que ele não se recorda que o Benfica, ao contrário do que ele afirma, enviou duas bolas aos ferros e teve no mal amado pé direito do Cardozo o golo que sentenciaria o jogo, e nem vamos contabilizar os falhanços de variada dimensão do Ivan Cavaleiro.
9 de novembro de 2013
A lenda de Artur e dos monstruosos cruzamentos largos malditos do inferno do terror do abismo da morte
Alguém explique ao homem que a bola descreve uma trajectória e que, a determinado ponto, o esférico fica acessível apenas e só para ele, homem alto e espadaúdo, que pode, meu Deus, usar as mãos, isto é tipo um plot twist para ele, para chegar à bola antes dos avançados e recolhê-la para junto do seu peito quente, onde a redondinha deseja muito estar, onde ela se sente segura e feliz, ao contrário de nós, benfiquistas, sempre que há um cruzamento para a nossa área.
Margarida Rebelo Pinto ou como ter a vossa atenção ou vai tudo de uma vez para maçar menos
A senhora já nem sequer vende assim tanto, no lançamento contei três leitores, o resto eram amigos, já ninguém liga grande coisa, literáriamente falando, deixai-a tomar o seu curso através do longo e florido caminho para o vale do esquecimento universal.
Em que ponto da vida de um gajo é que um gajo tem a epifania de misturar black metal com shoegaze?, há por ali momentos de pura esquizofrenia musical: temos uma banda toda a tocar black metal e um dos guitarristas, numa espécie de atitude talk to the hand, não quero saber, eu queria era estar nos My Bloody Valentine, a tocar melodias de guitarra que podiam ter saído de Manchester nos anos oitenta.
A Catarina encontrou umas fotos dela de uma festa da escola, tinha talvez uns seis anos, então decidiu autografá-las e oferecer uma à Xana, a cultura Bravo-one-direction-katy-perry-whatever está a tomar conta dela e isto assusta-me.
O Ulisses ainda não saiu, o Guerra e Paz também não, estou a acabar o Cossacos e a gostar muito das crónicas do ALA e a deixar para trás o DFW, não sei bem para onde me vou virar a seguir, talvez o Fumo do Turguenev, a abundância de escolha é contraproducente.
A LER no Chiado teve como convidados o Dacosta e o Pinto do Amaral, tudo por causa da Natália Correia, e eu à espera de uma enchente, nada, nem vinte pessoas, nem uma manifestação espírita, nem nada.
Vai sair uma nova edição do Admirável Mundo Novo, pela Antígona, clássicos reeditados são sempre boas notícias.
Recebi uma prenda de uma editora, uma caixinha preta com dois livros iguais lá dentro, os dois juntos não fazem um, alguém quer um policial best-seller pelo natal?
Em repeat, por estes lados, a conquistar lentamente todos os elementos da casa, acho que já só falta o cão.
5 de novembro de 2013
Trinta e três
Continua a parecer que tão pouco se passou, no entanto olho para trás e vejo tanta coisa no caminho, tanto que se perdeu, fora tudo o que se esqueceu, estes trinta e três foram bons, saldo positivo, sem sermos campeões vamos todos os anos à champions, perdão pela metáfora mas o futebol dá-me sempre saída para estas coisas, li numa revista qualquer ou vi no facebook, hoje é tudo a mesma coisa afinal de contas, que os homens só entram na idade adulta aos cinquenta e quatro, acho que a minha pequena obsessão pela ps4 acaba por comprovar isso, portanto ainda tenho muito que correr até ser um adulto a sério, embora, para a minha filha, eu já esteja a caminho da campa, trinta e três para ela está a um mundo de distância, ela que, hoje ao almoço, me perguntou se eu, caso ganhasse o euro milhões, trocaria a minha namorada por uma modelo, a minha reacção foi a óbvia: foi ela que te mandou perguntar isso?, ao que ela respondeu que não e então eu dei-lhe um enorme sermão e perguntei se ela gostaria de ser trocada por uma filha modelo (eu já sou modelo, respondeu ela, e faço ballet e mais não sei quê) e boa aluna (aqui calou-se muito bem caladinha porque a menina este ano deu para oscilar entre os oitenta e o oito e os quarenta e oito por cento, fora as faltas de material...), e ela aí amuou mas nada que um Santini não curasse, seguido de uma visita aos meus amigos companheiros camaradas colegas dos livros que tiveram a tresloucada ideia de abrir uma livraria no centro de Cascais, passe a publicidade, vão visitá-los, e assim, entre visitas e almoços e idas ao ballett, se passa mais um dia de anos onde vou, mais uma vez, festejar o aniversário juntamente com a senhora que me colocou neste mundo, cinco de novembro de mil novecentos e oitenta, a senhora achou por bem ir trabalhar no dia de anos, grávida de nove meses, então vamos lá voltar para trás, o comboio tem uma vista bonita e é como se nada fosse, passa num instante, próxima paragem, maternidade, e, trinta e três anos depois, trinta e três anos de parabéns cantados para a teresaericardo uma salva de palmas, das coisas que mais me assusta é um dia fazer anos sem ela embora eu saiba que, quando um de nós fizer anos, seremos sempre dois.
À quadragésima segunda chamada perde a piada, a sério
"Trinta e três? A idade de Cristo! ahaha, a idade de Cristo!". Hilariante.
4 de novembro de 2013
Quase rendido, quase
Já tinha o disco desde sexta, tanta tesão do mijo,a choramingar desde segunda que o disco não estava à venda, e só o ouvi hoje como deve ser. Estou quase rendido. Quase.
30 de outubro de 2013
A noite é mais longa no lado de baixo da rua Garrett
Aqui está o novo disco de Arcade Fire:
Ou não. Desde segunda-feira que os senhores da FNAC me dizem que chega "hoje à noite". A noite é interminável, por aquelas bandas. Na Louie Louie apontam mais para o fim desta semana, início da próxima, e depois uma pessoa dá uma volta e acaba por gastar dinheiro noutras coisas. Melhor ainda é a senhora da FNAC, quando inquirida sobre o disco de Arcade Fire, franze o cenho e diz "está AQUI", apontando para os cds que se encontravam em cima do balcão onde ela estava. Eu depois lá esclareci que era o LP e ela disse, enigmaticamente: "hoje à noite".
28 de outubro de 2013
23 de outubro de 2013
A Granta 2 já está, o Suttree também
Gostei mais da Granta anterior, ainda assim. Para não variar gostei de autores que nunca pensei em gostar, gostei dos que tinha uma ideia que ia gostar, não gostei de uma que eu suspeitava que não ia gostar, desgostei bastante de um em particular e o Gonçalo M. Tavares está a um livro de se passar de vez e ir todos os dias para o Saldanha todo nu e ficar lá o dia todo a fingir que é uma máquina de lavar roupa, a fazer sons e tudo. Do Suttree gostei muito, não fica perto dos meus preferidos dele mas é bom, tenho de conhecer melhor este período da escrita dele. O McCarthy tem o dom de nos fazer torcer pelas personagens mais improváveis.
Agora continuam as crónicas do DFW e volto, com muito agrado, ao Tolstoi, o Cossacos como que em preparação para a edição do Guerra e Paz pela Relógio d'Água. Pelo menos é o que eles dizem, porque, assim como quem não quer a coisa, já se fala nisso já vai para um ano. Vejam lá isso, agora estão ricos da Munro, deitem cá para fora o Ulisses e o Guerra e Paz.
É isto
A viver no Lado A da vida, por estes dias. Dizem que há vida para além do trabalho, mas eu acho que é um mito, até ver o Lado B já não acredito em nada.
21 de outubro de 2013
Granta, aqui vou eu II
Ficção Impossível *
Vais passar uma hora a escolher uma citação?!
Porque é que não pegas num livro e escolhes uma enquanto trabalho?!
Porque é que não pegas num livro e escolhes uma enquanto trabalho?!
Xana
Estava a chuviscar, como se
finalmente o outubro tivesse decidido revelar a sua verdadeira face, talvez
cansado de passar por setembro, e ele, à porta do centro internacional de cultura
literária puxou a gola do casaco para cima e tacteou o bolso interior para tirar
um cigarro. Dois problemas: não tinha tabaco e não fumava. Não gostava de tocar a campainhas,
portanto ia ficar a fumar à porta até chegar alguém, mas, não sendo fumador,
teria de arranjar um qualquer outro motivo para estar ali, à mercê da chuva,
uma chuva tímida como o ataque do Benfica deste ano: um gajo sabe que existe,
de um determinado ângulo até se consegue ver, mas, no fundo, no fundo, causa pouca mossa.
Fingiu que utilizava o telemóvel, o ecrã táctil salpicado de gotas, os segundos
a passarem lentamente. Pouco tempo depois, aproxima-se alguém, não conseguiu reconhecer a pessoa mas, para o efeito, pouco importa: a pessoa toca à porta e
pede para entrar. Aproximou-se, sacudiu o casaco e entrou logo atrás. Após as
primeiras escadas de pedra encontrou um corredor estreito e curto de paredes
carregadas de cartazes anunciando tertúlias antigas, poeirentos obituários
culturais, retratos de gente de olhar vago e sorriso torto. Após umas segundas
escadas, sempre atrás do senhor que entrou à sua frente que parecia conhecer bem
o sítio, entra numa espécie de escritório. O estranho cumprimenta calorosamente a secretária e volta à esquerda, entrando
num corredor oblíquo e que se vai estreitando a cada passo que davam, cada
passo um golpe no silêncio que se fundia com o espaço. Depois de passarem por um
local a céu aberto no meio do prédio e descerem umas novas escadas começava a
temer que minotauro iria ele encontrar naquele labirinto. Causou-lhe alguma
confusão fazerem um evento literário num sítio labiríntico como aquele pois toda
a gente sabe que as gentes das letras por norma saem pouco e enxergam mal, rapidamente se perdiam ali e quando dessem por elas, quando dessem por elas estavam num canto em posição fetal a recitar passagens de Roland Barthes.
Finalmente chegaram ao local do
evento: várias cadeiras coloridas alinhavam-se militarmente defronte de um
pequeno palco, onde três cadeirões se preparam para receber as iluminadas vozes
da literatura. O outro senhor, aparentemente o primeiro a chegar, segue para a
direita da sala. Ele opta pela esquerda escolhe um lugar numa das primeiras
filas, uma táctica ponderada: fica suficientemente perto para ouvir bem e longe
o suficiente para poder ir deitando o olho ao telefone e tomando notas das
barbaridades que se vão dizendo sem causar má impressão aos convidados. Por
falar em convidados, chega a primeira convidada: Adélia Carreira e o seu marido,
Jaime Tocha. Sempre gostara muito da Adélia Carreira, o seu ar de louca que mora
com trezentos e trinta e dois gatos, numa casa mal arejada onde o sol apenas
tem licença para se esgueirar por ténues frestas e invadir o felino espaço, e a escrita dela, a escrita dela. Entram mais três ou quatro convidados e o anfitrião que obriga toda e qualquer
cara conhecida a subir uns andares e a visitar a exposição da sua filha, se ele soubesse o que quer dizer nepotismo usava essa palavra agora.
Os cumprimentos, abraços e pancadas
nas costas iam-se sucedendo, sôtor, sôtor, meu caro, sôtor, caríssimo, sôtor,
minha querida, sôtor. Entra mais uma das oradoras, nova, finalista de um prémio
literário, haja coragem para se sentar ao lado de dois poetas com nome feito, e
toma o seu lugar no palco. Ajeita o
cabelo uma última vez, não te preocupes, querida, pensou ele, eles gostam de ti
pelas tuas letras, redondas e curiosas, ninguém liga ao teu cabelo. Enquanto ia
pensando no que um prémio literário faz a uma pessoa, não deu por uma pessoa
ter entrado: era a Matilde do Rosário Teixeira, editora que lançou alguns dos
mais prolíficos autores da nova geração. Caminhou confiante pela sala, os
saltos curtos a marcarem o compasso, ela sabe quem é e o que representa. O
anfitrião ia discursando sobre a importância da gaiola de madeira que sustenta
o prédio e que estava visível no meio daquela sala, passando depois para
histórias sobre casinos ilegais e rusgas da pide. Os convidados sorriam, afinal
de contas, tudo é melhor do que ver exposições por obrigação.
A sessão parecia estar a ser
interessante, com a apresentadora a fazer perguntas meta-literárias a que os
autores tinham uma enorme dificuldade em compreender e responder, mas a cabeça dele já não estava no mísero palco: tinha a atenção totalmente concentrada na senhora editora. Passou a sessão toda a desviar o olhar para ela, a bater com o pé nervosamente,
precisava de falar com ela, precisava de lhe dizer qualquer coisa. Planeou tudo
cuidadosamente: a sessão terminava e ele aproximava-se dela, ia esperar que
terminasse uma qualquer conversa de circunstância e, enquanto ela estivesse a preparar-se para sair, apresentar-se-ia e pediria o seu e-mail para lhe
enviar a sua obra-prima, trinta e três anos em papel, uma coisa totalmente
autobiográfica. Dispensava prémios literários, reconhecimentos estilo casa dos
segredos, ascensões à fama por escadas rolantes de curta duração e fundações
inquinadas. Apenas queria ver o seu nome num livro da sua chancela, ser colega
de editora do seu herói, não, o Van Basten não escreve, não era nesse que ele estava a pensar.
Estava tão embrenhado nos
pensamentos delirantes que não deu pela sessão terminar: foi despertado pelas
palmas secas e pouco sentidas que se faziam ouvir. Levantou-se e procurou-a no
meio da multidão: em vão. Afastou-se das cadeiras, desviou-se dos sôtores,
ignorou os pobres mas nobres vendedores de livros que ali acudiram em vão,
ninguém comprou nada, e procurou a porta. Espreitou casualmente para o corredor, estava
vazio. Voltou a olhar para a sala e não a viu em lado nenhum e, desiludido, decidiu descer as escadas. A cada passo que dava ia pensando que o acesso ao local dos
eventos deveria ser sempre por ali: ao invés de atravessarem corredores,
escadas e um saguão que ficava bem em qualquer prédio de Beirute, esta saída
pelas traseiras era composta por apenas dois lanços de escada. Já via os carris
do eléctrico na entrada do prédio quando, ao atravessar a porta, chocou com
alguém que dava aqueles últimos bafos no quase extinto cigarro, qual
adolescente a fumar às escondidas do pai: era a senhora editora.
Peço desculpa, disse.
Peço desculpa, disse.
Eu é que peço desculpa, com licença, respondeu, enquanto ela se desviava para entrar no edifício.
Um leve sorriso e um virar de costas foi tudo o que podia ter guardado do encontro mas, estupidamente, não resistiu.
Matilde do Rosário Teixeira, chamou-a, quase entre dentes. Ela voltou-se, espantada por vê-lo de mão esticada para ela. Chamo-me Bernardo e vou ser o seu próximo autor.
A expressão dela mudou repentinamente, como se não soubesse o que dizer. Rapidamente se recompôs.
A expressão dela mudou repentinamente, como se não soubesse o que dizer. Rapidamente se recompôs.
E como que é que se chama o seu livro?
Empalideceu. Não tinha título para o livro. Não tinha livro, aliás, mas isso, para ele, era secundário.
O nome do livro?, perguntou, tentando ganhar tempo.
Sim, o nome, diga-me lá para ver se é coisa para perder o meu tempo ou não. Notava-se a impaciência na voz dela. Ele tinha que lhe dizer um nome, algo que, naquele espaço de tempo, era impossível, como a ficção que iria, um dia escrever. Ficção, impossível.
Ficção impossível, respondeu como quem tinha acabado de carregar no buzzer de um qualquer concurso de prime time de estação pública.
Ficção impossível, é?
É. A sua confiança estava de volta. Ficção impossível. É uma coisa moderna, original, quase autobiográfica, assim uma espécie de Memória de Elefante mas do século XXI.
Ah, mas esteve na guerra colonial?
Não...
Em alguma guerra?
Também não... O calor começava a incomodá-lo fatalmente.
É psiquiatra?
Não... Ele não aguentava mais a tortura, ia desistir. Bem, obrigado pelo seu tempo, eu tenho que ir andando e...
Não, não, interrompeu ela, espere lá, agora quero saber mais, envie-me lá o seu livro. Abriu a bolsa e tirou um cartão. Fico à espera.
Balbuciou um obrigado e saíu porta fora. A chuva tinha parado e já se conseguiam ouvir os primeiros acordes da música africana que costuma embalar a estátua do poeta no largo um pouco mais abaixo. Apertou o casaco, respirou fundo: há muito tempo que via a sua respiração a materializar-se diante dos seu olhos: sentia a falta do inverno a sério. Começou a caminhar, o cartão a rodar entre os dedos, a decisão estava tomada: ia escrever o romance, vou escrever o romance, vou escrever o romance, repetia para si mesmo.
Pensou em dar um salto à primeira livraria que lh aparecesse à frente, ia buscar inspiração no cheiro dos livros, sempre com o romance no pensamento, o cartão na mão, mas a atenção das pessoas é independente da sua vontade, e o seu olhar foi cair num jovem hipster sentado numa daquelas esplanadas da moda, macbook air aberto num processador de texto qualquer, bicicleta encostada à cadeira. Ao passar em frente à banca de jornais lembrou-se que o Benfica jogava para a taça. Rodou mais uma vez o cartão entre os dedos. Olhou para a o cartão, para o jornal, depois para o hipster que escrevia. Mudou de passeio, passou rente à mesa e, sub-repticiamente, deixou cair o cartão em cima do teclado dele. Vou escrever um romance, disse em voz baixa, mas não vai ser hoje.
* qualquer semelhança com pessoas, locais ou acontecimentos reais é pura coincidência.
20 de outubro de 2013
Ah, pois, faz sentido
A Catarina começou a ler livros do PNL. Claro que eu fui logo comprar os livros todos, para ela ter na sua pequena biblioteca. E o que é que encontro no primeiro livro que ela tem que ler? Na introdução da Sophia, no livro "O Rapaz de Bronze", há um asterisco na palavra "quinta". No fim do texto vem uma explicação do que é uma quinta: um grande propriedade onde há floresta, jardins e uma parte agrícola. Coisa que, claramente, as criança dos quinto ano não sabem. O resto sabem, seguramente: "(...) quinta* da minha avó e pelo feéricos jardins(...). (...) certas reminiscências (...).
18 de outubro de 2013
15 de outubro de 2013
Ironia, uma definição
Seres gerente da livraria mais antiga do mundo e a tua namorada comprar noventa por cento dos livros na FNAC online.
Ler é mentira
Estou a demorar uma eternidade no Suttree, e a Granta que chega amanhã. E o DFW que já paira na minha secretária. Tenho que estabelecer um plano de leitura, algo do género Suttree para o comboio, DFW para a hora de almoço e Granta em casa.
13 de outubro de 2013
I just called to say I miss my car keys
É sempre bom quando vamos sair de casa e não encontramos as chaves do carro. Sendo que não seria inédito elas estarem na ignição, uma pessoa leva as chaves suplentes e encontra isto no vidro do carro. E aqui levanta-se toda uma problemática de difícil resolução: liga para me? Me? "Me" tipo "me" em "call me", ou "Me" como primeiro nome? E pronúncia-se Me ou Mé? Aparentemente as chaves ficaram enroladas nos sacos das compras (é o que dá ter uma fita presa nas chaves, fita que eu usava quando era livreiro e a identificação era usada ao pescoço, enfim, uma pessoa apega-se a estas coisas e eis o que acontece) e caíram. Então lá se ligou, e, de tantos sítios onde se podia ir buscar a chave (podia ter sido um vizinho fofinho a ter apanhado a chave do chão), o local combinado foi na entrada do bairro social que há a dois quilómetros de distância. E pronto lá estava ele, com as chaves na mão, no sítio combinado. Queria agradecer ao senhor por ter guardado as chaves (e aparentemente não ter feito nenhuma cópia) e à senhora que ligou várias vezes para o homem, enquanto eu conduzia, e que, sem perceber nada do que ele dizia, lá conseguiu descortinar o sítio de encontro. Um grande bem-haja todos.
10 de outubro de 2013
"Há tanto tempo que nada acontece e o mar não cresce para me enrolar na sua afronta"
"eu vou na volta em ti, traz-me de volta a mim"
Ah, dias de Nobel ou de morte de escritores...
... é igual a dar entrevistas, desta vez a novidade foi falar para duas câmaras e jornalistas ao mesmo tempo, senti-me um jogador da bola, pensei em dizer que jogava onde o mister quisesse e que estava ali para ajudar, que não prometo títulos mas que vou dar tudo pelo clube, que não penso no Real Madrid mas que tenho de estar aberto a todas as propostas, mas na realidade o que disse foi que os contos da autora tinham bastante personalidade (?) e engasguei-me quando quis comparar a entrega deste prémio com o do Mo Yan, do ano passado, é assim, só não falha quem não está lá, temos que levantar a cabeça e pensar já no próximo jogo.
9 de outubro de 2013
7 de outubro de 2013
5 de outubro de 2013
Contem-me as agruras
Amanhã tenho inventário, quarenta e cinco mil livros é o que me separa de uma boa noite de sono, enfim saberemos quantos saíram pela porta em más mãos, sem passar pela casa de partida e muito menos ir parar à prisão, amanhã esperam-me horas que se riscam como dias na parede.
3 de outubro de 2013
One for the road
Chateias muito uma pessoa para mandar todos os mails com cc para ti. Ela passa a mandar todos os mails com cc para ti. Inclusive os mails que são só para ti: não só vão destinados a ti, como vão com cc para ti. Eu fico sem perceber se isto é a mais fina ironia ou se há coisas ali que não funcionam correctamente.
30 de setembro de 2013
Heresia, ou o que tu queres sei eu
Sempre que levo a criatura pequena à arrecadação e ela vê os mil trezentos e cinquenta e dois os dois ou três bonecos de Star Wars que estão por lá, ela quer trazer um para cima. Pior, estava a dar o Empire Strikes Back, o preferido cá de casa, coisa que agudiza o sentimento da criança. Então lá viu a Leia no seu fato de escrava, numa caixinha selada, com o R2-D2, e tratou logo de pedir autorização para abrir a caixa. Eu, no meu perfeito juízo, declinei o pedido, mas a criança decidiu ligar à legítima dona do item em questão e esta cedeu. Resultado: temos o Louis, dos One Direction, a bater couro na Princesa Leia. A heresia. Mas também, quem é que o pode censurar? Aproveitei mais uma vez a oportunidade para lembrar a Catarina de que ela era para se ter chamado Leia, não fosse o medo de ela ouvir constantemente "Leia, leia esta página" nas aulas ter demovido os defensores do nome.
29 de setembro de 2013
70/30
A hipótese da Catarina escolher o Jack White quando é ela a escolher o disco que vamos ouvir a seguir.
Viva as novas tecnologias
- Catarina, vai tomar banho.
- Eu tomei banho ontem!
- Catarina, vai já tomar banho ou eu tiro-te uma foto para o teu instagram e escrevo lá "eu e o meu cabelo sujo que não vê água há dois dias!" e as tuas BFF vão ver.
*água do banho a correr*
27 de setembro de 2013
25 de setembro de 2013
Quase duas horas numa fila
E para quê?, perguntam vocês. Pois.
Quase duas horas para comprar um bilhete para a criança ir ver estes rapazolas ao Estádio do Dragão (ainda por cima...), entalado primeiro entre uma universitária que ia comprar o bilhete para a irmã mais nova e desistiu a meio e foi substituída por uma mãe de duas jovens que não se encontravam por estarem na escola, mãe essa que travou rapidamente amizade com umas jovens tremendamente excitadas com tudo isto, e uma mãe que deveria estar no escritório e estava constantemente a receber mails e a receber telefonemas sobre o aicep e merdas do género. Eu só queria que ninguém interagisse comigo. Sem sucesso. Primeiro passa por mim um gajo de uma loja amiga, companheiro da bola e concertos de Linda Martini, olha para mim, olha para a fila, olha para mim, novamente para a fila, pergunta "o que é isto?!" e eu "er... *tosse* one direction *tosse*, para a minha filha", e ele "ah, para a tua filha, pois..." e vai-se embora. Depois foi uma mulher provavelmente da minha idade que, do meio daquela fila que ocupava quatro andares da escadaria que liga a FNAC à rua cá de baixo, tinha logo de perguntar a mim o que é que se estava a passar e, perante a minha resposta, fez um sorriso de escárnio e disse "estou a ver" e foi-se embora, ao que a senhora que estava atrás de mim acrescentou "vê-se que ela percebe o nosso sofrimento" e eu "pois", embora duvide que percebesse, era tudo tão surreal e a decorrer em câmara lenta, não percebo, juro que não percebo, eu cheguei ao balcão e disse "dois bilhetes, bancada inferior", "muitos euros", respondeu a senhora, pus o cartão e o pin, sai um talão, adeus e obrigado, juro que não percebo a demora desta gente em comprar a merda de um bilhete. E depois as jovens que afagavam a imagem dos rapazitos e coisas do género, o que é que se há de fazer à juventude?
O mais engraçado de tudo foi eu ter perdido a hora de almoço e uma hora de trabalho para isto, tudo para poder ligar à Catarina e dar-lhe a novidade e ouvi-la explodir de excitação e ela ter o telefone desligado. Melhor ainda foi saber, depois, que a avó também tinha comprado os bilhetes e que tinha sido a heroína que salvou o dia.
Só naquela, ninguém quer uns bilhetes para os One Direction não?
23 de setembro de 2013
É impossível escrever
Quando a única coisa que te sai dos dedos é precisamente a coisa sobra a qual tu não queres falar.
18 de setembro de 2013
Sentido de humor cá dos meus II
- Vês? O jogo diz que a minha idade mental é vinte e quatro anos.
- Isso está errado, devia ter dado cinco.
- ...
Sentido de humor cá dos meus
- Vê lá se me ofereces uns ténis para correr.
- Nem pensar...
- Mas à outra ofereceste.
- Mas ela ia mesmo correr e eu já sei que tu não vais.
- Pois, lá que ela correu, correu...
- ...
- Nem pensar...
- Mas à outra ofereceste.
- Mas ela ia mesmo correr e eu já sei que tu não vais.
- Pois, lá que ela correu, correu...
- ...
17 de setembro de 2013
É bom que aproveites
O cão dorme no chão, o AM volta a rodar, ela lê Joyce e eu olho para o infinito e consigo não pensar em mais nada e isto, Mastercard, isto sim é priceless.
Torçam por mim
Planos para as próximas três semanas: acabar de ler o Suttree, ir buscar o Turbo Lento à Fnac, ir ao concerto de Linda Martini, e tentar, no fundo, contra as expectativas patronais, ter uma vida. Ou então, ganho o euromilhões e compro a Sá da Costa.
15 de setembro de 2013
Canal 2, poesia
Mil nove seis um
Coluna, numa jogada individual
José Augusto cruza para José Águas cabecear
Não havia Eusébio,
Não era preciso.
Coluna, numa jogada individual
José Augusto cruza para José Águas cabecear
Não havia Eusébio,
Não era preciso.
Isto é que é um record do Guinness de valor
100m em 14.531 segundos, de saltos altos. A maior parte dos gajos que eu conheço não faria quinze segundos, de ténis. A senhora que me atura anda para comprar uns ténis para correr, pelo tempo que está a demorar já percebi a dica, mas, depois de ver isto, acho que leva é uns sapatos de salto.
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