2 de dezembro de 2013

Educação sentimental

O natal na livraria nunca é mais um natal, há sempre algo de novo, há sempre um sentimento especial no ar, há livros por todo o lado, nos sítios mais ou menos óbvios, em réguas de madeira podre no chão, por todos os cantos, há livros bons, há livros maus, há muitos clientes quando a chuva e o frio assim o permitem, livreiros, já foram mais, poucos mas bons, prontos para tudo, inundações, falhas eléctricas, dê por onde der, foi um ano do caraças, somos mais uma vez a livraria número um, fomos eleitos a livraria preferida de Lisboa, cada vez mais há guias turísticos a levar pessoas para ver a livraria, e, a brincar, a brincar, já é o quarto natal, se os meus colegas lessem isto não acreditavam, sim, é o quarto natal, oitenta por cento dos meus natais como gerente de uma livraria foram passados assim, no topo do mundo livreiro, naquele que é, para mim, ainda, o melhor sítio do mundo. 

Colocar debaixo da árvore, não se preocupem com o cão, ele não mexe


27 de novembro de 2013

Na minha secretária


E vai comigo e já não volta.

23 de novembro de 2013

Livreiro

livreiro | s. m. | adj.

li·vrei·ro 
(latim librarius-iiescribacopistasecretáriolivreiroprofessor elementar)

substantivo masculino

1. Pessoa que comercializa livros. = BIBLIOPOLA
2. Pessoa que trabalha numa livraria e tem que subir a escadotes apoiados em soalhos cobertos com alguns centímetros de água, correndo alguns riscos de eletrocução, queda mortal ou banho com água nojenta, pessoa que tem de ir verificar a condição de tubos manhosos em terrenos abandonados entre prédios devolutos, podendo ou não incorrer em crime de invasão de propriedade.

adjectivo

2. Relativo à produção ou comercialização de livros (ex.: cadeia livreiramercado livreiro).

"livreiro", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/livreiro [consultado em 23-11-2013].

22 de novembro de 2013

We exist

Assisti a um lançamento de um livro de contos de uma senhora de cento e dois anos, cento e dois longos anos, tanta lucidez, força, cita autores, conta histórias de há dezenas de anos atrás, o Aquilino prefaciou o  seu primeiro livro há mais de setenta anos, fala de ir daqui para melhor satisfeita, tem um sentido de dever cumprido, todos aqui na plateia se sentem muito pequenos, aplaudiram de pé, a autora agradece de lágrima no olho, hoje vender livros é a menor das minhas preocupações.

Eu sou dos maus, deal with it

Tenho de confessar: um dos meus sonhos é abrir uma livraria: uma ideia idiota, eu sei, ainda para mais para alguém que conhece o negócio em primeira mão, que vive diariamente as suas agruras. E, talvez, se um dia conseguir realizar o meu sonho, venha a choramingar, como os livreiros independentes, contra os bicho-papões que são as grandes cadeias, esses devoradores de cultura que destroem o livro, os autores, as pequenas editoras, os marsupiais e uma ou duas vacas. Há questões em que, sem dúvida, as grandes cadeias têm comportamentos passíveis de serem criticados quanto à sua moralidade. Já quanto à legalidade há pouco por onde pegar. Eu disse pouco. Leiam com atenção, por favor. Já agora: não coloquem as "grandes cadeias" todas no mesmo saco: certamente que a FNAC, Bertrand e Continente pouco têm em comum. As campanhas não são iguais, a postura perante o livro não é igual. Numa das campanhas, a título de exemplo e sem mencionar nomes, os clientes pagam o preço fixado pelo editor (lá se vai a teoria da violação do preço fixo...) e ficam com saldo em cartão para gastar numa compra seguinte. E o que é que estas pessoas vão fazer com esse saldo? Comprar mais livros. Parece ficção científica mas é real. Ora, se as pessoas compram mais livros estão a benificiar autores, editores, distribuidores: o argumento de que prejudicamos estes agentes também cai por água. Mas nós estamos habituados a isto: existe toda uma conotação negativa relativamente a estas grandes cadeias. O que as pessoas às vezes se esquecem é que estas cadeias são compostas, é incrível, eu sei, por pessoas, por livreiros que gostam tanto ou mais de livros do que quem vem comprar ou quem tem uma pequena livraria. Só alguém que lida diariamente com um grupo de pessoas que faz disto a vida delas, quando poderiam estar a ganhar mais duzentos euros a dobrar roupa, por exemplo é que sabe o amor que alguns deles têm aos livros e à livraria onde trabalham. Existem excepções, existem maus profissionais, etc. Uma livraria não é um oásis neste país em que vivemos, nem por sombras. Mas há uma boa parte destas pessoas que sente os livros como poucos. E pouco importa se lhes chamam grande cadeia, se são olhados de lado, se são considerados os maus da fita. Eles estão cá pelos livros. Como eu disse uma vez ao gajo que toca música no largo do Chiado, quando me queria vender o seu cd autografado, nós é mais livros.

19 de novembro de 2013

Aparentemente este ano vou ter de ir


Daqui. A trinta e um de maio do ano do senhor de dois mil e catorze, lá estaremos.

18 de novembro de 2013

The queen is dead

Estou capaz de ler os restantes quatro livros de crónicas do Lobo Antunes de seguida. O que vale é que isto dá forte mas passa depressa. 

The Pulsing Blue Dickpunch of Sadness


Daqui. A minha PS4 que não venha com ideias.

17 de novembro de 2013

16 de novembro de 2013

Depois digam que o karma não existe

Depois disto, foi a minha vez de ser um bom vizinho e encontrar umas chaves caídas na rua e devolvê-las à respectiva dona. Quis o destino que a primeira porta onde toquei era a porta da dona do carro, que, depois do choque inicial, ficou felicíssima de eu ter encontrado as chaves do chão. "Estava a passear o cão?" perguntou ela, claro, eu sou conhecido na vizinhança como "o maluco do cão" ou algo do género, já se está a ver, enfim, a boa acção está feita. A sorte dela foi eu ter tido um Megane como carro de substituição do seguro (não lhes custava nada ter me dado um Alfa 159, por exemplo, coisa que ficava muito mais a combinar com a minha pessoa em estado de choque depois de ter o seu querido carro abalroado por uma camioneta do lixo) e ter reconhecido o cartão do carro. 

Esta gente que faz as notícias...

É, é isso, setecentas e oitenta e uma mil pessoas (não percebo como falharam em apresentar o número às unidades) sacaram o jogo em Portugal, o que comparando com os mais de cinco milhões que usam internet em Portugal dá uma bonita percentagem que ronda os dezasseis por cento, se reduzirmos os cinco milhões para um número mais razoável, eliminando as pessoas que nem sequer fazem ideia que a internet serve para mais do que o facebook e o youtube e o e-mail, as que não têm um gosto minimamente detectável por futebol e eu, que me fartei do jogo há uns valentes anos (isto, verdade seja dita, depois de perder horas incontáveis a jogar, quis o destino e a direcção da escola que no décimo segundo ano eu saísse sexta-feira às onze da manhã e não tivesse aulas à tarde, pois bem, adivinhem o que eu e os meus colegas fazíamos desde as onze e trinta até às tantas da madrugada, pois, jogar CM) temos um número de utilizadores passíveis de sacar o jogo bastante menor do que o número de downloads que os gajos da empresa que fez o jogo atira para o ar, alguém explique ao senhor que isto não pode ser bem assim, que os portugueses, apesar de piratas, ainda são muito poucos para ocupar o pódio nestas coisas.

15 de novembro de 2013

Se com os Ramones já me fazia confusão...


Eu bem que estranhei quando atendi uma miúda com uma t-shirt destas, tive o habitual pensamento do género vá lá o mundo não está totalmente perdido, mas, depois, ao ser arrastado violentamente para um fim de noite às compras antes de montar uma feira do livro num centro comercial até há uma da manhã, e a coitada da senhora que me acompanhava teve de lá ficar à seca portanto ficámos basicamente quites convidado simpaticamente para um agradável passeio nocturno, deparo-me com isto e só espero que isto não vire moda, da próxima vez que vir uma miúda com isto mando o Axl gordo atrás dela:


Isto sim, é assustador. Os Guns, que foram "a" minha banda (momento vamos-fazer-uma-revelação-daquelas-embaraçosas: eu tinha um lenço igual ao do Axl), agora como símbolo de moda em t-shirts de adolescentes, o abismo é já ali e nós a acenarmos alegremente e o carro sem travões.



10 de novembro de 2013

«O Benfica conseguiu os quatro golos sem atacar mais nenhuma vez» - Adrien "memória curta" Silva

Gosto particularmente da amnésia selectiva do Adrien, foi devido ao choque de ter perdido, certamente, que ele não se recorda que o Benfica, ao contrário do que ele afirma, enviou duas bolas aos ferros e teve no mal amado pé direito do Cardozo o golo que sentenciaria o jogo, e nem vamos contabilizar os falhanços de variada dimensão do Ivan Cavaleiro.

9 de novembro de 2013

A lenda de Artur e dos monstruosos cruzamentos largos malditos do inferno do terror do abismo da morte

Alguém explique ao homem que a bola descreve uma trajectória e que, a determinado ponto, o esférico fica acessível apenas e só para ele, homem alto e espadaúdo, que pode, meu Deus, usar as mãos, isto é tipo um plot twist para ele, para chegar à bola antes dos avançados e recolhê-la para junto do seu peito quente, onde a redondinha deseja muito estar, onde ela se sente segura e feliz, ao contrário de nós, benfiquistas, sempre que há um cruzamento para a nossa área.