13 de agosto de 2013

Demoraram quatro meses a chegar, mas estão bem, graças a Deus e aos santos e tudo e tudo


Oh tempo... Esquece

Vejo a foto da bebé da Leididi e uma onda irreprimível de nostalgia invade-me o corpo que deveria estar a trabalhar e a fazer coisas com livros, eu, carregado de saudades a pensar na minha criatura recém-nascida, ao meu colo, a dormir, tão caladinha que ela era, ainda os One Direction e o Brad Pitt (...) eram uma miragem, era tudo tão mais simples nessa altura, eu pego no telefone e ligo-lhe imediatamente, apenas para ouvir a voz dela, sei que não ia prestar atenção ao que ela ia dizer, apenas queria ouvi-la. 
E, claro, como não podia deixar de ser... Tinha o telefone desligado. 

It's been a while

Acho que já não sei como é que isto se faz.

3 de agosto de 2013

Adoro as pessoas

Num contexto normal, pose cool, olhar vago e saudoso: "sim, eu aos doze, treze anos, fui ver Guns e Metallica a Alvaldade, sim, eu estive lá, o bom gosto vem de muito novo..."

A mesma pessoa, após um concerto hoje em dia: "o concerto foi bom, mas o público?! Eram só miúdos de catorze anos!!"

Isto, no fundo, explica muita coisa

Ao falarmos, à mesa, sobre o irmão da Catarina e o facto de ele ainda não falar, a minha mãe contou a história da minha primeira palavra, história que, curiosamente, eu nunca tinha ouvido. Quando eu pensava que ia ouvir uma enternecedora história que envolvia um bebé tremendamente bonito, numa praia ao fim da tarde, a dizer "mamã", perante os olhos verdes da minha mãe que brilhariam, só pode, tanto como o mar que nos servia de fundo, eis que surge a verdade: eu estava sentado na cadeirinha, na sala, a olhar para a televisão, enquanto dava o telejornal, e eis que sai pela primeira vez uma palavra da minha boca: Beirute. Normalíssimo: Beirute. Aparentemente era um Nuno Rogeiro em bebé e ninguém puxou por mim. Podia ser que agora fosse um crânio da geo-política, ou pelo menos tivesse melhor cabelo. Por outro lado, gosto muito de Beirut, portanto, tudo está bem quando acaba bem.

A vida real é, tipo, 3D

A criatura vem de casa da mãe com uns óculos 3D sem lentes, uma pessoa pergunta porquê, embora saiba que certamente se irá arrepender de ter feito tal coisa, e a criatura responde que é porque quer uns óculos hipster, que aqueles são para eu ver mais ou menos como são, então quer uns óculos hipster sem graduação, porque quer usar óculos mas gosta de ver bem.

Hardcore karaoke retirement home


A passear o cão, os dois.
- Pai, hoje foi uma seca o dia.
- Então?
- Não tinha nada para fazer... De tarde vesti as leggings pretas e os all-star pretos e arranjei uma nova personalidade, a Carina, até mudei os brincos.
- ...

... E estamos de volta

Sai do prédio da mãe, espreita para dentro do carro, sorri, acena, abre a porta, senta-se.
- Pai, a Xana?
- Está nos Açores.
- ... Olá para ti também, também tive muitas saudades tuas nestas três semanas...
- Quero a Xana!
- ...

27 de julho de 2013

vida aguda atenta a tudo / e contudo para acabar mais depressa no escuro / escrevo rescrevo / e enfim reluzo e desmorro / (finjo pensá-lo) / um pouco um pouco / acautela a tua dor que se não torne académica *

Ultimamente tenho tido recordações de situações da minha infância nas quais não pensava há muito, muito tempo, ao ponto de, quando tenho essas recordações, estas serem extremamente vividas e acontecer algo curioso: a partir de um pequeno fragmento começa a formar-se uma imagem cada vez maior e mais detalhada na minha cabeça e consigo distinguir bem certos pormenores, bem como isolar áreas ou momentos das quais não guardo qualquer recordação e há apenas um vazio, e é engraçado perceber de onde é que têm surgido, ultimamente de forma persistente e consistente, os rastilhos para estas explosões de memória: os livros. Sentado no Metro, algo que nem é normal, estava a terminar de ler o conto do Pahmuk na Granta, escritor pelo qual eu não sentia o menor interesse, empatia ou desinteresse, fruto natural de um desconhecimento compreensível, quando uma cena me fez parar de ler:  dois miúdos e a sua mãe vão visitar a avó, cujo prédio "parecia uma caixa de fósforos assente na vertical", e onde a mãe, depois de apanhar a chave atirada da janela pela avó, para abrir a porta "girou-a na fechadura com alguma dificuldade. A grande porta de ferro abriu-se devagar". 
A Lisboa dos anos oitenta não é Istambul dos anos cinquenta: o prédio da minha avó não tinha uma porta de ferro, mas a verdade é que, para um miúdo magrinho e pequeno como eu era, custava muito a abrir. Lembro-me de esperar à porta, depois de subir do Cais-do-Sodré até à Rua de Santa Catarina, com sorte pelo elevador da Bica, de tocar na campainha e ficar a ver a porta a estender-se a caminho do céu, tão alta que ela era aos meus olhos, sempre impaciente para que a avó a abrisse finalmente. A porta abria-se e entrávamos num espaço escuro, confrontados imediatamente com a escadaria de madeira entorpecida e gasta. Não me recordo de alguma vez a termos subido. O mais curioso desta entrada era que, nas paredes da casa da minha avó existiam duas portas: uma pela qual entrávamos, directamente na cozinha, o que sempre me fez confusão, e uma segunda, que dava para um dos quartos e que, obviamente, não funcionava. Já lá dentro, lembro-me dos budas na cristaleira e do aviso de nunca, em caso algum, lhes tocarmos, sob pena de castigo infinito e pesado, e uma pintura de caça, certamente um cenário inglês com um caçador e raposas. Existiam dois quartos, o dos meus avós e outro em que não me recordo de entrar, onde dormia normalmente uma prima da minha avó, vinda do Porto e que acabou, com a saída de casa do meu tio e a morte do meu avô, por ficar a morar lá até ela, também, ter morrido. Não me recordo da morte dela, nem da data nem da circunstância. Recordo-me da morte estúpida do meu avô, demasiado cedo, não conheceu todos os netos. Já a minha avó conheceu todos os netos e a bisneta: a Catarina nunca se irá lembrar dela: é só uma velhinha com ar embevecido que a segura ao colo em algumas fotos. Não se vai lembrar da avó que, na manhã em que morreu, quando a fui visitar antes de entrar no trabalho, me implorou para que lá levasse a Catarina, porque tinha que ver a Catarina, queria muito ver a Catarina. A Catarina não chegou a ir.
Gostava muito de visitar a minha avó, em pequeno, algo que fazia com alguma frequência: estava com ela, por exemplo, no dia do incêndio no Chiado, já ali ao lado, a minha mãe com algum pânico e tudo, coisas de mãe. Eu a minha irmã costumávamos sentar-nos na janela a dar pão aos pombos, ou então íamos brincar para o Adamastor. Quando passeávamos com a minha avó pelas redondezas todos os corrimões eram escorregas e todas as lojas potenciais sítios para prendas, a generosidade e carinho dela não tinham limites. 
Não pensava na casa da minha avó, nem em tantas situações há demasiado tempo. Nela, sim, nela penso muitas vezes. Especialmente por trabalhar ali tão perto e por ter a certeza de que seria o maior orgulho da sua vida ver-me como gerente de um sítio que ela conhecia desde sempre.
Pensar na casa fez me recordar tantas coisas, boas e más, tal como o dia em que, depois da sua morte, eu e o meu pai fomos os dois, sozinhos, desmontar os móveis de casa dela e levar tudo o que ficaria para nós, tudo o que seria guardado e ficaria como memória física de alguém que não precisava, jamais, de algo físico para que nos recordássemos dela. Deixei a mulher e a filha em casa e encontrei-me com o meu pai à porta. Naquela altura, a relação que tinha com o meu pai era pouca ou nenhuma. Não confundir, atenção, com os sentimentos que um pai e um filho sentem um pelo outro, que permaneciam imutáveis. Por uma série de circunstâncias e afastamentos, tínhamos uma relação distante. Recordo-me, quando vivíamos juntos, do seu alhear-se a meio de conversas, dos silêncios, das más disposições, do olhar no infinito. 
Foi uma tarde de silêncio: o meu pai e eu a desmontarmos a casa de infância dele, a desfazermos memórias, a limparmos os restos de vida de um local que lhe era muito. Foi dos silêncios mais difíceis da minha vida, um silêncio preenchido pela distância no olhar dele, pela agrura dos seus gestos. Terminámos, carregámos o carro e foi cada um para seu lado, sem saber que, passados sete anos, iria conseguir perceber que sou muito mais parecido com ele do que alguma vez desejei ser. 

* Herberto Helder.

Existem as lendas, depois existe o Phil Anselmo


26 de julho de 2013

Deve ser da febre #3

Recebi um vídeo da minha filha a cantar o Ouvi Dizer, num karaoke, algures na Manta Rota, a terminar num valente aplauso e em risinhos das tias. Cheguei agora à conclusão que durante o próximo ano vou ter o triplo da idade dela. Parece muito pouco. 

Deve ser da febre #2

Posso quase jurar que ouvi um comentador na Antena 1 dizer "não se pode tapar o swap com a peneira".

Eu e a Benfica TV

Antes da Benfica TV: foda-se, estes gajos, sempre a dizer-mal, sempre a mandar abaixo, isto é vergonhoso, vou escrever ao provedor, isto é inadmissível!

Depois da Benfica TV: estes gajos, sempre a conter-se quando têm que dizer, mal, foda-se, digam-lá, arranjem coragem, parem lá de dizer "ah e tal o Benfica não tem um elemento fixo na frente e isso atrapalha só um bocadinho o jogo e não prende tanto os defesas, mas, atenção, é uma nova maneira de jogar!", e digam logo "tragam de volta o Cardozo!"

Deve ser da febre

Estou a ver o André Gomes a lateral direito.

21 de julho de 2013

Granta, aqui vou eu

O Presidente e a Cagarra

"Quantas vezes tenho de dizer,
que não fui eu que disse isso,
foda-se?!"
Fernando Pessoa


1.
Selvagem, como as ilhas que piso

O Presidente sabia, melhor que ninguém, que não aguentava facilmente o terreno rochoso das ilhas onde se encontrava, mas, por outro lado, não queria dar sinais de fraqueza: o país precisava dele e não queria passar a imagem de velhote que mal consegue subir uma escarpa. Com a ajuda de um dos seus seguranças pessoais, o Ferreira, combatente nas ex-colónias e seu companheiro nas tardes de crapot, o Presidente ia subindo a custo, apoiando-se amiúde nos braços firmes do segurança, tentando sempre dar a sensação de que estava tudo bem, de que aquela subida não lhe sujava os ténis da Cat Merrel que a sua esposa o chateou para comprar, ele, que com a sua mísera pensão, se tinha contentado com uns Berg da Sportzone, ou, se o tempo estivesse bom, tinha ido de roupão e pantufas, mas já ninguém aguenta a indisposição da primeira-dama, portanto lá levou os ténis que ela escolheu, uma maçada, nem combinavam por aí além com a sua fatiota de Presidente em visita a terreno inóspito, mas, o que tem que ser tem muita força. não havia nada a fazer. A cada passo trémulo que dava, o Presidente evitava cruzar o olhar com quem o acompanhava: os olhos marejados, a voz a fugir-lhe no nevoeiro da rouquidão, a respiração a saltar em soluços de vinil riscado, isto custa-me horrores, confidenciou aos santinhos que a primeira-dama tanto adorava. Mas o que lhe custava mais, e isto nem a ele próprio admitia, era ver o presidente do governo regional das ilhas que visitava, inconsciente da sua galopante senilidade, a arrepiar caminho por ali fora como se houvesse um carnaval lá em cima e não pudessem começar sem ele, bolas!, pensou, lá vai o gajo mandar-me umas bocas assim que chegar lá acima, tenho de pensar numa resposta, se ao menos a primeira-dama aqui estivesse, pensou,  ela não deixa ninguém sem resposta, enquanto ia acenando aos comentários das pessoas que o acompanhavam nesta importantíssima visita oficial. Isto é que são as ilhas selvagens, pensou para si mesmo, grande coisa, deixa-me cantarolar, selvagem, uh uh, uma dentada em Lion, há muito tempo que não como um Lion, agora a primeira-dama só me deixa comer Kinder Surpresa e nem me deixa montar o brinde sozinho, enfim, selvagem sou eu, quando alguém nasce, nasce selvagem, não é de ninguém, já nem me lembro quem canta isto, deve ser de um baladeiro como o Nel Monteiro ou algo do género, bom, boa música independentemente do baladeiro que lhe dá voz, concluiu para si mesmo.
Continuou a caminhar em silêncio, os olhos presos no céu, com a sua infernal promessa de infinito. Era nestes momentos que o Presidente conseguia pensar em assuntos que realmente importavam, a sua mente parecia alinhar-se nos carris dos pensamentos fulcrais da sua existência enquanto chefe de estado, e o pensamento fluía mecanicamente e só parava nas estações que faziam a diferença: sou um bom líder para este país?, devemos acelerar a ida aos mercados?, será que me esqueci de deixar a gravar o Crime Disse Ela?, a mente do Presidente era precisa e eficaz como o Patek Philippe que ostentava no pulso.
Senhor Presidente, pareceu-me ter ouvido qualquer coisa, deve ser o vento, pensou enquanto ignorava o chamamento, Senhor Presidente, oh diabo, não é que estão a chamar por mim, deixa-me acenar enquanto sorriu, pode ser que resulte, Senhor Presidente veja isto!, não resulta, deixa lá ver o que este quer. Andou mais uns passos, sempre apoiado nas rochas, e viu, aninhada num pequeno ninho escondido nas rochas, uma cagarra.
- Olha, uma cagarra! - disse o chefe de estado, mostrando um contentamento de criança em visita de fim de ano ao jardim zoológico. - Bom dia! 
Os olhos do Presidente e da cagarra cruzaram-se e, naquela fracção de segundo, formou-se uma espécie de elo que, sem que ambos o soubessem no momento, iria perdurar para sempre. Várias pessoas, munidas de câmaras de filmar, aproximaram-se para captar o momento. A cagarra, meio assustada, piscou os olhos duas vezes e aninhou-se, desviando a cabeça e ignorando todo o aparato que se perfilava diante de si.
Quando a subida terminou, o Presidente tentou, subtilmente, fazer com a comitiva voltasse para trás: queria experimentar novamente aquela leve sensação de paz, queria fundir o seu olhar com a da cagarra: era como se ela lhe quisesse dizer alguma coisa. Senhor Presidente, onde é que vai?, gritou um dos seguranças, oh Ferreira, vai lá apanhá-lo que ele está outra vez sem saber onde anda!, Senhor Presidente, o caminho é por aqui! 
O Ferreira correu uns metros e abordou, com cuidado como lhe foi ensinado pela primeira-dama, o aparentemente confuso presidente, Senhor Presidente, temos de voltar para trás, o Presidente voltou-se, cerrou os punhos e disse, a cagarra espera por mim, mas, senhor Presidente, amanhã tem de fazer uma declaração ao país, venha lá. Ele suspirou, não evitando olhar para trás enquanto caminhava, contrariado, na direcção do Ferreira.

2.
Pesadelos, como fantasmas na neve

Foi um grito abafado, uma espécie de uivo em crescendo, como se umas mãos invisíveis lhe apertassem a traqueia. A primeira-dama acordou sobressaltada, Presidente!, acorde!, ai, que dá uma coisa ao homem!, exclamava enquanto abanava o presidente para este acordar. Ao abrir os olhos, distinguiu a figura da sua mulher na penumbra. A primeira-dama acendeu o candeeiro da mesa de cabeceira, uma estátua de uma mulher africana de formas abundantes e mais quentes que o Saara, como ele gostava de dizer, às escondidas da primeira-dama, que lhe tinha sido oferecida por um chefe de estado de um qualquer país africano. Já com a indiscreta luz da Vénus africana a banhar-lhes as faces, a primeira-dama abordou o assunto: Presidente, estás outra vez a sonhar com o Bochechas?, perguntou, enquanto lhe afagava a cara, o Bochechas já não existe, politicamente falando, por favor, não te preocupes mais. Ele ajeitou o cabelo e respondeu, não, não era isso hoje, sonhei com a cagarra, estás a ver?, ela abanou a cabeça pois não fazia ideia do que ele estava a falar, a cagarra falou para mim no sonho, sou como aquele miúdo da Guerra dos Tronos, não me lembro do nome dele. Aquele que apalpou a irmã e agora já não tem genitais, presidente?, perguntou a primeira-dama, confusa, não, não, respondeu o presidente, aquele que vê o corvo de três olhos e consegue encarnar nos animais, aquele moço que apanhou aqueles dois irmãos  em actos sodomitas e depois caiu da torre, vês, a sodomia faz mal à locomoção, agora anda sempre a ser puxado por aquele gajo que diz sempre a mesma coisa, o, como é que ele se chama?, o primeiro ministro? inquiriu a primeira-dama, não, não, o Hodor, ah, não sei quem é, afirmou a senhora, mas, Presidente, continuou, o que é que a cagarra te disse? Ajeitou a almofada e ergueu-se, demorando-se a beber do copo de água que tinha à cabeceira, ao lado do livro das memórias do Churchill e do livro da Criada Malcriada. Primeira-dama, a cagarra mostrou-me o caminho: sei o que devo dizer amanhã no discurso. Mas, Presidente!, não podes colocar o destino do país nas garras de uma cagarra!, a primeira-dama estava chocada com o que acabara de ouvir. Se os cidadãos deste país me confiaram o destino, porque é que não posso fazer uma parvoíce e aceitar o discurso da cagarra?

3.
Nas asas da certeza, no aconchego de uma nuvem

Apertou a gravata, sorriu ao espelho. Sabia que não podia demorar muito tempo na declaração, daqui a nada ia dar o Estoril - Sporting, e, mal por mal, já que o Sport Lisboa e Benfica não ia disputar esta final, tinha que torcer pelo Estoril, até porque gostava do amarelo das camisolas, lembrava-lhe o sol a sul, na sua terra de origem, onde, embalado pelo vento quente do fim da tarde, ajudava os seus pais no campo. Caminhou até ao pódio, ajeitou os papéis e saudou o país. Com a cagarra no pensamento, o Presidente afirmou convictamente que não havia crise política alguma porque, efectivamente, não tinha dado entrada nenhum pedido de remodelação do governo, aquilo foram os garotos a brincarem aos políticos, o raça dos miúdos, aquilo foi tudo da boca para fora, é como quando dizemos às miúdas que vamos casar com elas e tudo e tudo, é coisa do momento, até haver papéis escritos não vale nada, disse enquanto piscava o olho à audiência masculina. Portanto, meus amigos, concluiu, voltem lá para as suas famílias, parem lá com as brincadeiras, vão lá para casa jogar ao Spectrum e ao Sabichão, que o gajo, é do caraças, ele adivinha mesmo as respostas!, aquilo não se engana, porque o país não pode parar: faremos eleições para o ano, que diz que o tempo está mais fresco, é o ano do Mundial no Brasil, o Benfica, Deus nos valha a todos se isto não acontecer, vai ser campeão e vai andar tudo mais bem disposto. Portanto, amigos como sempre, vamos por isto para trás das costas e continuar a empobrecer preventivamente o país para não corrermos o risco de empobrecer no futuro, é mais ou menos como diz o Ned do Southpark: se não matarmos os animais eles aumentam em número e deixam de ter recursos e acabam por morrer, é mais ou menos isto. Obrigado.
Pousou os papéis e fechou os olhos. Viu a cagarra na sua mente, esta parecia sorrir-lhe. Sabia que tinha cumprido a sua missão. Abandonou a sala, tinha a primeira-dama com o roupão e os chinelos à sua espera, como sempre. A primeira-dama não estava minimamente preocupada com a crise política: sabia que pior do que isto estava era difícil, tal como sabia que daqui por um bocado começava o especial de domingo do Big Brother e, se o Presidente não visse tudo desde o início, depois acabava por adormecer mal disposto. Isto cada um sabe de si, pode ser que um dia alguém queira saber de todos.

Não tens de agradecer, Carlos Vaz Marques.

20 de julho de 2013

SBSR, isto já não é o que era

Ao contrário de há dois anos atrás, em vez de apanharmos uma seca de cinco horas no carro a caminho, chegámos muito depressa. E para é que serviu esse tempo que ganhámos? Exactamente: para apanhamos uma seca de cinco horas no próprio recinto. O concerto que nos levou lá era só à uma da manhã, o Johnny Marr era só às vinte e três e qualquer coisa. Então por lá andámos, perplexos (e isto só comprova a minha inenarrável ingenuidade, já que esperava que algo tivesse melhorado em dois anos) por não encontrarmos nenhum tipo de comunicação onde pudéssemos saber as bandas e a hora em que tocam, um gajo vai ao alive e é bombardeado de merdas itens úteis para percebermos o que se passa quando onde e com quem, no super bock não, estás no meio do mato e vives como tal, na anarquia pura. Comemos, passeámos, tirámos uma foto com o sapo, ele também te apalpou o rabo?, perguntou a senhora logo após a foto, não, não me apalpou, acho bem, bestialidade não é a minha cena. Passado algumas horas, os concertos: primeiro tocaram as Anarchicks, a baterista é brutal, a guitarrista e a baixista safam-se, o som até não é mau, mas a vocalista... Não consigo. Estava no palco principal do super bock, alguns milhares de pessoas perante ela, e parecia que não se divertia tanto desde que lhe morreu o peixe dourado quando tinha oito anos. Ainda assim passou-se bem. Depois veio a Azealia Banks, uma coisa completamente deslocada ali no meio, com momentos assustadores, mas que até acabou por resultar para algumas pessoas. As drogas são más, ok? Finalmente tivemos o Johnny Marr. Se as músicas do álbum novo dele são competentes quanto baste, quando toca música dos Smiths a coisa roça o sublime, Stop Me If You Think You've Heard This One Before, Bigmouth Strikes Again, How Soon Is Now e There Is a Light That Never Goes Out, podiam ter sido mais, deu para ver o músico que o Johnny é, podia perfeitamente deixar o ego do Morrissey a brincar sozinho e dar uma nova vida aos Smiths, eu alinhava nisso. Claro que as jovens de menos de dezasseis anos e rabos à mostra, de cerveja na mão e pernas sujas de terra não faziam ideia do que se estava a passar em palco e quem é que estava à frente delas. Pérolas a porcas. Finalmente, e depois da senhora já estar sentada no chão, relativamente perto do palco, a fazer amigos e a conhecer pessoas das ilhas, lá vieram os Arctic Monkeys, Alex Turner e os amigos, a este e oeste dele, cada vez mais, o menino cresceu, perdeu as borbulhas, ganhou gel, o geniozinho continua lá e os bons concertos vão se sucedendo, olhando a frio para o alinhamento tinha algumas dúvidas, mas, lá, mergulhado naquela poeira, acabou por resultar bastante bem, a senhora ia morrendo no mosh, no Brianstorm, especialmente quando alguém achou que era divertido atirar uma tocha lá para o meio, fazendo uma clareira gigante e quase provocando o esmagamento de umas quantas pessoas, ainda agora no concerto dos Kaiser Chiefs já apareceram tochas por duas vezes, não compreendo, a mulher polícia até os pensos da senhora apalpou, fazendo questão de os tirar da mala e tudo. Já eu, cheguei e atirei tudo para cima da mesa, dois telemóveis, chaves do carro, o polícia disse logo ah, já sabe como é, e eu, pois, e ele passe lá, podia ter uma tocha ou podia estar apenas contente de vê-lo, a verdade é que nem me apalpou nem nada disso, um gajo paga cinquenta euros e já nem por estas merdas passa, enfim os festivais já não são o que eram.

16 de julho de 2013

Cartinhas da sorte

Tenho a criança no Algarve com a avó e metade das tias, a banhos, ao sol, feliz como só ela, e eu aqui, mergulhado em escolares e no Inferno e nas montras e nas reuniões operacionais e nos eventos, a probabilidade de posts deprimentes aumenta consideravelmente nesta altura do ano.

Granta

Tirando o Saul Bellow (surpresa...), os portugueses estão a dar baile aos estrangeiros. Pensei que ia gostar mais do Afonso Cruz. A Dulce Maria Cardoso foi uma grande surpresa. Ainda não cheguei ao Hugo Mãe, até tenho medo de gostar.

Muita gente vai aos blogs à procura de respostas, lamento, hoje é mais perguntas

Existe alguma maneira de provar a outrem, quando tudo parece apontar contra nós, que somos inocentes e que no fundo da nossa corroída alma só correm boas intenções em relação a essa mesma pessoa? Ultimamente sinto-me um gajo muito azarado nestas coisas, parece que tudo conspira, levo muitas vezes por tabela, por vezes sinto-me como se tivesse a pagar o mal que já fiz, e se o fiz, e se o mereço, mas custa. Lá isso custa.

Tenho dois amores



Esta nunca tinha ouvido

"A temperatura está assim alta aqui dentro por causa dos livros, para conservar melhor?"

Threesome


13 de julho de 2013

Inveja

Ela, a rir-se, como se não existisse vida lá fora ou cá dentro, quando não é suposto rir durante o filme.

10 de julho de 2013

Kalopsia

Ter às vezes cá por casa uma engenheira é bastante útil ao nível do arranjo manhoso, mas perfeitamente funcional, atenção!, dos estores, admito que fiquei rendido, o próximo passo é pô-la a arranjar tomadas e a instalar candeeiros e pendurar quadros.

I appear missing

Eu pensava que as festas da Rã não me podiam importunar de qualquer forma, pensava que, estando mais para sul, estava seguro, mas, não, nada disso, com o vento de feição consigo distinguir, por entre a míriade  de techno manhoso dos vários carrosséis e demais atracções, a voz da mulher que tem uma barraca com peluches, que podiam perfeitamente terem sido manufaturados em Chernobyl, pendurados de pernas para o ar nuns cordéis, e a voz do gajo que desafia as pessoas para andar numa daquelas diversões assustadoras, não pela viagem em si, mas pelo facto daquilo estar assente em tarolos. E isto depois de dois fins-de-semana diabólicos na sociedade recreativa: festa das dez da manhã à uma da madrugada, com medleys de música portuguesa (vamos brindar com vinho verde deste meu adieu auf wiedersehen goodbye sobe sobe balão sobe e etc) pela manhã e um mix apurado de música pimba pela noite fora, fechar as janelas de nada servia, tal o volume da coisa, enfim, aposto que o Isaltino não permitia nada disto em Oeiras, por isso é que Cascais está como está, até a água de Carcavelos dá comichão às pessoas,

My god is the sun

Hoje saiu o Dan Brown, uma sombra da loucura de outros tempos, mas, ainda assim, deu para animar o dia, de manhã uma pessoa reúne-se para preparar coisas boas com parcerias azuis e subterrâneas que envolvem os Dead Combo e o Pessoa e livros, de tarde a TVI deixa-nos pendurados à espera de uma entrevista, eu que me preparava para falar do calor e do jogo Portas, Coelho ou Cavaco, uma variante do pedra, papel ou tesoura em que o Coelho ganha ao Cavaco e o Portas ganha aos dois, ah, mas o Cavaco perde sempre, pois, por isso é que só os desatentos o escolhem.

If I had a tail

Parece que a Catarina foi com a avó ao Colombo, à loja dos One Direction, isto da influência dos pares tem demasiada força, posso quase jurar que ela não conhece três músicas dos rapazinhos, mas, é pré-adolescente, o que se há de fazer?, consta que se encheu de pulseiras e posters e bonecos autografados (medo) e tirou uma foto com o preferido (acho que ela disse Liam, eu percebi Ivan, ela ia me matando pelo telefone, parecia eu a tentar explicar à minha avó quem eram os Guns n' Roses que eu ia ver a Alvalade, ah, o do lencinho, dizia ela, ofendia-me muito) num ecrã verde para parecer que estava mesmo mesmo mesmo com ele (ainda mais medo).

Fairweather friends

Preciso de confessar que me é impossível ter o discernimento correcto, seja ele qual for, quando temos em choque o gerente e o amigo, quando quero o melhor para essa pessoa ainda que isso não seja o melhor para mim profissionalmente.

Comentário político isento e fundamentado

Gostei do tempo que o Cavaco demorava a virar a página, literalmente falando, e quase que podia jurar, depois dele sair naquele seu passo lento, que ia aparecer no corredor a Maria com umas pantufas e xixi cama que o menino hoje já brincou muito com os outros meninos.

Preparem-se

Chuva de posts em breve.

7 de julho de 2013

Onze do Benfica 13/14

Três onzes à data de hoje, o provável, o alternativo e o meu.

5 de julho de 2013

Hard row, ou calor tarde e a más horas


Oh foda-se, mas isto é possível?!


Vamos ao Dragão na última jornada?! Sem me alongar muito, é no mínimo estranho. No mínimo.

4 de julho de 2013

A minha alma está parva

A mãe da Catarina veio buscá-la para ela ir ter uma aula de dança para ver se gostava. Aparentemente não só gostou como correu muito bem: a professora, que dá aulas há quarenta anos e tem um curriculum invejável dentro da dança, diz que a miúda apresenta uma concentração (oi?!) acima da média, que aprendeu coreografias à primeira, que corrige erros à primeira, que quando foi chamada a improvisar uma dança, a professora foi chamar a filha (também professora de dança) para assistir, disse que ela tem traços corporais muito bons, falou nos pés dela, falou em conservatório à mãe da criança e tudo. Eu sei que ela gosta de dançar, safa-se bem na escola, mas isto parece-me tudo exagerado. De qualquer forma, a minha alma está parva: parece que a miúda dança mesmo bem. 

The lost art of keeping a secret

Entre noventa e noventa e cinco andei numa escola ali para os lados do Bairro do Rosário. Lá perto havia um colégio só de raparigas. Eu e alguns colegas, por vezes, apanhávamos o autocarro para a Areia em vez apanharmos o da Torre. A viagem era um pouco mais lenta, dava para ouvir mais umas músicas no walkman, mas, ainda assim, não havia qualquer risco de não chegarmos a horas às aulas. A vantagem é que, apanhando este autocarro, podíamos sair numa paragem que ficava mesmo em frente desta escola só de raparigas. E lançávamos o nosso charme ao longo dos gradeamentos, sendo seguidos de dentro por uma horda de raparigas fardadas de bordeaux e cinzento, saias a encurtar à medida do nosso olhar, inventavam-nos alcunhas, elas, assanhadas, para nós eram as "freirinhas", e era o delírio matinal.  Não consigo precisar quando é que os rapazes lá entraram pela primeira vez. Mas foi algures nos anos noventa. Lembro-me bem de uma vez, já no nono ano, termos ido defrontar uma selecção de futebol da escola onde, segundo nos pareceu, constavam todos os rapazes da escola: foi a loucura. Elas puxavam-nos no túnel que dava acesso ao campo (que fica no outro lado da estrada), agarravam-nos quando chegávamos perto da linha lateral. Lançavam piropos de envergonhar muito bom camionista. E nós, cabelinho à foda-se em toda a sua glória, olhinhos claros e peles morenas, estávamos no céu (sem qualquer tipo de piada religiosa aqui).
Belas memórias. Pelo menos até ao momento em que me bate o facto da escola das minhas memórias ser exactamente a mesma escola em que acabei de matricular a minha filha no quinto ano. 

E explicar à Catarina...

... porque só ouvimos as notícias da antena 1, em vez de Diabo na Cruz, porque é que estamos na sic notícias, quando está a dar o França - Turquia em sub-20, porque é que estamos a ouvir a Constança Cunha e Sá, quando podíamos estar a fazer qualqer outra coisa, arrancar unhas, por exemplo, que seria bem mais agradável?

3 de julho de 2013

Comentadorception

O Medina Carreira está a criticar as televisões por darem demasiado tempo de antena a comentadores políticos.

This song is called revelations

Quero ver o que acontece se houver eleições antecipadas e o PSD ganhar outra vez. Tirando militantes ou filhos de militantes, não conheço ninguém que tenha votado no PSD, aliás, um qualquer passeio em dias seguintes a qualquer acontecimento relacionado com o governo e é só "eu nunca votei nessa corja" e coisas similares por todo o lado. Isto é como tudo em Portugal: nunca é ninguém. Ou então, e se houver eleições antecipadas e a abstenção for ainda maior? E em quem votar? Em branco? Em quem é que uma pessoa sem qualquer simpatia partidária vota? Conhecem alguém a quem entregariam o destino da nação? E quem é que quer ter em mãos o destino da nação da maneira que isto está? O Bandarra e o Pessoa não previram isto, com toda a certeza, escusavam de ter escrito as Profecias e Mensagem, era só uma folhinha a dizer "esta merda há de acabar mal" e não se falava mais nisso.

Olha uma coisa

Este ano na praia há mais escolas, mais barulho, maior probabilidade de sermos abalroados por um pequenote de chapéu colorido  e pele avermelhada e nariz ranhoso, há substancialmente menos pano a tapar os corpos, sinal da crise, se fosse o Gaspar também me teria demitido, há partes do corpo que não deveriam ver a luz do sol, vai se  a ver e tem tudo tatuagens, não há educadoras sem a nalga à mostra e tatuagem no fundo das costas / lombo / tornozelo, ficou comprovado que o Lobo Antunes safa-se bem em qualquer ambiente, o conhecimento do inferno é sobre outras coisas mas se tivesse um capítulo sobre a praia da torre em julho ninguém levava a mal.

2 de julho de 2013

Vai lá brincar com os outros meninos

Os homens, normalmente, são seres que primam pela discrição, que gostam de manter o contacto com outros seres em níveis mínimos, para quê utilizar palavras quando uns grunhidos ou um olhar e um abanar de cabeça servem perfeitamente? Hoje, naquele local mítico de interacções sociais que é o Pingo Doce aqui da zona, estava um casal típico do local em questão a aguardar a sua vez quando a parte masculina do casal parece avistar o dono da tasca onde costuma petiscar uns caracóis a três caixas de distância. Ele e a esposa trocam umas palavras, é, não é, tenho a certeza!, não sejas parva. Calaram-se por momentos, tudo parecia sanado até a mulher proferir a seguinte frase apocalíptica: eu vou lá. Antes do homem sequer ter tempo de grunhir (não havia palavras à altura para este momento), já estava a senhora, a três caixas de distância a apontar para o marido e a gritar Vês!. Eu disse-te!, é o meu marido, "marido"!, cumprimenta o senhor!, e o marido, claramente à procura de lugar para se esconder,  acena envergonhadamente, sendo então convidado pelo dono da tasca para lá ir hoje à tarde, com a devida ressalva de que não há imperiais amigo!, esgotaram na zona toda!, por esta altura já duas operadoras de caixa entravam na conversa, bem como mais uns quantos clientes, todos centrados no pobre homem, cada vez mais pequeno e curvado, a responder monocordicamente e a forçar algo a que podemos chamar, num acto de alguma ousadia, um sorriso, enquanto se discutia abertamente a problemática do caracol sem imperial. Da próxima vez irá guardar as suas suspeitas quanto à identidade de alguém para si mesmo.

1 de julho de 2013

Gauze


Vi isto na Sic Radical. Ponderei seriamente por momentos deixar o negócio dos livros e dedicar-me ao comércio de artigos fora do comum, mas depois lembrei-me da clientela estranha e dos seus pedidos bizarros. Ia ter saudades deles.

O Pacheco Pereira é a capa da LER este mês

Num mês em que há uma reportagem fotográfica sobre a livraria onde trabalho, é injusto. Tirei umas fotos jeitosas, dignas de capa, mas o Pacheco mexeu os seus cordelinhos para aperecer em vez da minha pessoa, claramente a cena de ter ficado à frente dele nos Bilfs ficou-lhe entalada.

O Eduardo Cartroga está a louvar o Vitor Gaspar na televisão

Vou só ali esvaziar o estômago e volto já.

Ratos. Ratos. Ratos.


Fugiu-lhe a boca para a verdade?


30 de junho de 2013

Sabes que moras na aldeia quando...


... Te passa, a meio da manhã, uma procissão pela rua da frente. Devo acrescentar que o Link delirou com a banda que vinha a tocar atrás. Já não bastava o barulho da procissão ainda tinha que ter o cão possuído a ladrar e uivar para as janelas, e a senhora preocupada com o facto de que, na cabeça dela, dava para vê-la a tomar banho pela janela da casa-de-banho, quando eles passavam no início da rua. Eu sosseguei-a, dizendo que era impossível de ver. Não que tivesse alguma vez tentado ver as vizinhas. Mas é impossível. 

Wolfheart


Ah, vamos ver Moonspell, vamos para o mosh e... Cadeiras. Cadeiras por todo lado. E pessoas que podiam ter saído de um qualquer concerto dos Coldplay. Medo. Mas foi muito bom, tocaram versões acústicas (pensei que nunca mais iria conseguir ver o espectáculo "Sombra", acústico, que tocaram em 2010). A senhora também gostou. E não percebo o que ela quis dizer com o facto de não estar a condizer com o metaleiro que, na realidade, sou.


Totalmente metal. Por dentro, pelo menos.



29 de junho de 2013

Tentem, com mil raios

Tentem pedir uma pizza Cicciolina sem banana, sem se rirem ou fazerem um ar estúpido. Boa sorte.

Não percebo o que é o que o facto de ela não gostar de Moonspell tem a ver para o caso

A senhora hoje faz anos, tem direito a prendas e cinema e almoço e jantar especiais e concerto para terminar o dia, há poucos gajos românticos como eu, WWZ e Moonspell, pela noitinha, morram de inveja. 

28 de junho de 2013

How much difference does it make?

Incríveis, mais uma vez, os comentários nas notícias sobre a morte de um forcado. Desta vez, tudo indica que se tratou de uma rixa envolvendo ciganos, nem teve a ver com as touradas. Mas lá estão os comentários do tipo "agora sabes o que sente o touro" ou "menos um forcado lol". Era um gajo mais novo que eu. Levou uma facada no coração. Deixou um vazio na alma de familiares e amigos. O que é que a tourada tem a ver com isto? Gostava tanto de ser indiferente  a estas merdas, juro que gostava.

Aperta, aperta com ela

Festa na sociedade recreativa, três noites de rambóia quase à minha porta, viver na aldeia é do melhor.

Conhecimento do inferno

27 de junho de 2013

Gato petrificado em 3, 2, 1...

Promete

Um filme com argumento original do McCarthy, com o Pitt, Fassbender e Bardem?  Quero.



Entretanto, alguém diga ao James Franco para filmar o impossível Meridiano de Sangue, já está na hora.

Xana del rey

Está a trabalhar no portátil e a "cantar", de headphones postos, de vez em quando intercala com uns ameaços de dança, a engenharia é divertidíssima, está visto, estou no ramo errado.

Na praia

Não havia greve.

Ter uma irmã de dezanove anos com a mania que tem piada tem destas coisas


Fiquem com isto na cabeça.

26 de junho de 2013

I sat by the ocean

Reunião de pais na escola nova da Catarina, muda a escola mas as mães mantém-se fiéis a si mesmas, muita carne e pouca roupa, muitas mulheres e poucos homens, "não te esqueças que somos as mães novas", dizia uma de entre algumas quarentonas,  novas, que fofinhas, os meus trinta e poucos acenam educadamente de volta, confirma-se, pelos resultados internos e principalmente pelos externos nas várias provas nacionais, que o ensino é de valor, alguns dos funcionários lembravam-se de mim e da Catarina, é um pequeno regresso à base para ela, fez lá o pré-escolar, fiquei a saber que sessenta por cento dos estabelecimentos de ensino neste concelho são privados, sintomático de alguma coisa, lá está, mas o que importa é que, apesar de tudo, estou descansado por ela lá estar.

25 de junho de 2013

Pai, és do século XX

O facto de não saber qual é a música que a tia está ouvir ou de quem é (parece que é do Will.i.am e da Britney, ainda está viva, eu sei, é miraculoso) aparentemente qualifica-me como "homem do século XX" para a minha filha. As coisas que um gajo tem que ouvir da boca da filha, a partir daqui é sempre a descer.

Atenção ao espaço entre a plataforma e o comboio

Vejo por aí gente que devora livros nas férias como se não houvesse amanhã, o Thoreaux dizia para escrevermos como se tivéssemos os dias contados, porque na realidade o estão, com a leitura é a mesma coisa mas eu não consigo ler nada de jeito nas férias, nas folgas, em casa à noite, nunca tinha pensado muito nisso, será que a leitura e o objecto livro estão tão ligados a mim profissionalmente que opto por negligenciá-los inconscientemente durante as férias? Ando a passear o Conhecimento do Inferno, esse hino veraneante que é a viagem entre Albufeira e Lisboa de um Lobo Antunes a falar para a filha sobre a guerra e os psicólogos e o Miguel Bombarda e a vida e as copas das árvores e a loucura e a solidão, estou a gostar muito, vou lendo umas páginas aqui e ali mas, ao ritmo a que normalmente leio, já teria tempo para ter lido mais dois ou três livros, queria ler o Servidões como deve ser, queria começar o Submundo, talvez reler o Pena Capital, mas a verdade é que o Conhecimento do Inferno anda de férias comigo, a ver as vistas ou simplesmente parado numa mesa da sala, debaixo do Detectives Selvagens da senhora que lê umas coisas lá por casa, ou à mercê da baba do cão. O ano passado nas três semanas de férias só li o Três Tristes Tigres, começo a ver aqui um padrão, será que só consigo ler a sério no embalo mecânico do comboio?, num degrau da Anchieta?, num banco do Largo do S. Carlos?, nunca tinha pensado nisto, um dos males das férias é que uma pessoa tem tempo para pensar.

Eu tenho dois amores



Shitlist

"Parecia que tinha uma depressão", faz uma lista e anda numa killing spree por Palmela fora, parecia que tinha uma depressão. 

24 de junho de 2013

Chino Moreno, you bastard


Não bastava Deftones, Team sleep e Crosses, o homem tinha que arranjar mais uma banda, mais melódico que Deftones mas nada electrónico como as restantes. E é bom, muito bom.

23 de junho de 2013

Gostava de ficar indiferente, mas não consigo

Quando as pessoas me tecem considerações em relação a ter um cão de raça, vomitando juízos de valor e clichés. Sou todo a favor das pessoas, que, por opção própria, adoptam cães abandonados, em canis, etc. Tal como sou todo a favor de pessoas que compram os seus cães em criadores reconhecidos, que fazem as coisas como devem ser feitas. 

A montanha pariu um rato

Estávamos convencidos, eu e a progenitora da criança, que este era o ano em que a Catarina ia passar para o ensino público. A mudança de ciclo, juntamente com todas as mudanças a nível pessoal que nos afectaram nestes últimos anos, servia de motivo perfeito para a criança deixar o seu colégio de freiras e passar para uma escola pública, relativamente perto de minha casa e do emprego da mãe, e ao lado da casa do avô, aliviando-nos assim de um fardo mensal que era complicado de suportar. A verdade é que a dois dias da inscrição nesta nova escola, uma familiar ofereceu-se para ajudar a pagar a avultada mensalidade. Passam-se os dias das inscrições para trás e para a frente, na esperança que, depois de termos cancelado a pré-inscrição no colégio, ainda haja vaga para ela. E aqui surge uma daquelas parvoíces que só na cabeça desta gente: tenho de inscrever a criança, preciso de saber se ela tem vaga ou não tem vaga. Não estamos a pedinchar nada: se tiver vaga, felizes da vida, ganham mais uma boa aluna e umas centenas de euros por mês, se não, amigos como sempre, inscrevo-a no público. Preciso é de saber se há vaga ou não. Agora dizerem-me isso? Nem pensar. Pedem-me para inscrevê-la no particular. Mas tem vaga, pergunto eu. Não sei, vamos ter uma reunião com os pais da menina e discutimos isso. Ah, está bem. Então, mas se eu a estou a inscrever no privado é porque me garantem vaga. Não, não, temos de ter a reunião. Então vou inscrevê-la no público. Não, não, não há problema, inscreva-a no nosso externato. Então tem vaga? Ah, não, tem que ir à reunião primeiro. E pronto, não saímos disto. Agora terça-feira vou à reunião, espero que não seja para nos darem na cabeça por termos cancelado a pré-inscrição e agora termos mudado de ideias. Ninguém mudou de ideias: apenas não havia fundos. Ora, sem fundos não há mensalidade, sem mensalidade não há privado. Também acho piada ao facto de andarmos há praticamente um ano num drama por causa das escolas (a mãe prefere umas, eu outras, normal), e só a dois dias da inscrição é que a senhora se oferece para ajudar na mensalidade. Estou, obviamente, agradecido pela ajuda. Mas é mais uma atitude de pessoas que estão habituadas a ter tudo e a passar por cima de todos, seja como for, fala-se com a pessoa a e b e pronto, as coisas resolvem-se. E isso enerva-me, ainda que seja a meu favor.

22 de junho de 2013

The darkess within

Reforço de peso, hoje, na bola semanal.

21 de junho de 2013

Serviço de altifalante


Metaleiros. Australianos. Na praia. A tocarem hardcore. A fazerem surf. Mistura improvável, mas resulta. Um dos favoritos dos vizinhos, certamente.

Como chatear açorianas em ainda menos segundos

Também gosto muito de ti :D

Mindless self indulgence

One second

As notas foram boas, livrou-se disto e disto. Agora vem o quinto ano.

Icon

É sempre bom quando te perguntam, enquanto esperas para levantar as notas da Catarina, se és o irmão mais velho da tua filha. Tenho de arranjar uma boa resposta para isso.

Draconian times

É de bom tom esclarecer algumas dúvidas sobre a Irmã Lúcia à Catarina, segundo a minha mãe. Já contar a história do quarto pastorinho que perdeu a aparição porque tinha ido mijar atrás da moita já não pode ser.

19 de junho de 2013

Atividades típicas das férias

Ei-lo, lavado e de pêlo aparado!

Dúvida

Ainda não percebi se paguei trinta euros para darem banho ao meu cão ou para ele dar banho a duas tratadoras. Ah, e os secadores são o demónio. Fica o aviso.

18 de junho de 2013

Mistérios do universo

Acho piada ao facto da pessoa que  nunca consegue escolher o que vamos jantar estar num processo de recrutamento para uma posição onde tem de... ajudar empresas na tomada de decisões.

What was the question? Why do you need an answer?

Isto de não estar bom tempo nas férias sempre dá para sessões de filmes com a criatura pequena cá de casa. Ontem os goonies, ela passou o tempo todo com esperança de que o Sean Astin dissesse "Mr. Frodo!"  algures a meio do filme, sem sucesso, pensei que gostasse mais do Data e não tanto do Chunk', mas o importante é que gostou. Gosto de partilhar estas coisas da minha infância com ela. Hoje foi ela a escolher, vimos o Sistet Act. Cada um tem o cinema que merece.

Acordar tarde e a más horas

17 de junho de 2013

Raispartam a tecnologia

Ter dado um tablet à Catarina parecia muito boa ideia até ela ter descoberto uma app para fazer gravações e agora apresenta-me todos os pedidos de desculpa ou pedidos no geral através de gravações, invariavelmente acompanhados à viola.

Desafinado

Com a dor de cabeça que estou não conseguia ouvir outra coisa que não o "Composer of Desafinado plays..." do Jobim. A Catarina, de repente, à mesa, apercebe-se da música:
- Pai, o que é isto que estamos a ouvir? Não acredito, o meu pai está a tornar-se um adulto normal!
- ...
- Não tem rawwwwwwwr (isto é ela a imitar um grito de heavy metal)!
- ...

Family values

Bem, por outro lado é nestas alturas que todas as caixas em que pegas no trabalho te dão jeito: pegas nos 45kg do teu cão como se nada fosse, para espanto dos presentes, sou tipo estivador mas em versão cultural.

You cannot sedate all the things you hate

Alguém ainda me há de explicar o medo crónico que o meu cão tem das balanças do veterinário, injecções e tudo o mais é como se não fosse nada com ele, agora uma balança ou uma plataforma elevatória? Vamos desatar a fugir para todos os lados porque vem aí o apocalipse.

16 de junho de 2013

Serviço de altifalante


Juntem o Greg Puciato de Dillinger Escape Plan aos Every Time I Die e o resultado são um minuto e quarenta e três segundos demolidores.

15 de junho de 2013

Ela e os bad boys

- Não gosto do meu par para o arraial.
- Quem é?
- O Luis ********.
- Ah... Não sei quem é. Então, quem querias?
- O João Pedro. Aiiiiiiiiiiii, ele é TÃOOOOOOOOOOOOOO giro.
- ...


Deep blue

Férias. Filha. Como se ouvisse o mar na concha das suas mãos.

Numa LER perto de vocês

Reportagem fotográfica de seis a dez páginas sobre a pequena livraria onde o vosso caro trabalha, brevemente, numa LER perto de si. Para guardar para sempre.

Há clientes que não têm os mínimos

Depois dos já clássicos abordarem-te quando estás sem colete nem qualquer tipo de identificação e estás a falar com um amigo ou abordarem-te fora da livraria, a meio da rua, para te darem fichas de cartões de cliente preenchidas ou perguntarem se já chegou o livro deles, eis que agora conseguem interromper uma sessão fotográfica em plena livraria para me perguntarem por um livro, temo pelo dia em que entrem pela casa-de-banho para perguntarem se é melhor a Nora Roberts ou o Nicholas Sparks.

O último maldito


12 de junho de 2013

Vá lá, safou-se da concertina e do convento... Por enquanto.

Teve 4 nas duas provas de aferição. Surpreendentemente, ou não, teve 4 nos dois cadernos de matemática, e apenas 4 e 3 nos de português. Portou-se bem, já estou preparado psicologicamente para fazer uma viagem a um qualquer toys'r'us deste Portugal

11 de junho de 2013

Ou então vai para freira



Ali está ela (algures) toda maluca a dançar na festa da escola, vestida de freira (num colégio de feiras, apropriado), uma música do filme Cabaret Para o Convento (não sei se o I se o II, cultura cinéfia não é o meu forte, confesso). É bom que tenha boas notas.

Se não tiver boas notas...



... vai ter aulas de concertina no Verão, parece-me extremamente adequado.

7 de junho de 2013

Livreiro nas horas vagas, o final da saga

Eu ando sem tempo para olhar para muita coisa, mas hoje não podia deixar passar:

O jogo do mundo - Rayuela CORTÁZAR, Julio
CAVALO DE FERRO | Localização na Feira: B39
PVP: 19,90€ | PVP Feira: 16,00€ | PVP Dia: 12,00€

Queria muito, mas não posso lá passar, nem gastar mais dinheiro em livros este mês, obra venerada por quase todos os autores que mais aprecio

PUTA QUE OS PARIU! JOÃO PEDRO GEORGE
TINTA-DA-CHINA | Localização na Feira: C23 C25
PVP: 21,90€ | PVP Feira: 19,70€ | PVP Dia: 13,20€

A biografia do Pacheco, o maior.

6 de junho de 2013

Isto entranha-se, bicho ruim

Já perdi a conta ao número de lançamentos a que já assisti e é curioso, ou talvez não, o facto de cada vez mais apreciar estes eventos, por vezes vale a pena ouvir o arrebatamento de um editor que transporta às costas uma crença e um entusiasmo que só ele consegue vislumbrar, uma espécie de menino mais alto que é o único que vê o paraíso do outro lado do muro e que conta aos mais pequenos o que vê, diversas vezes para descrença e confusão destes, por vezes vemos a concretização do sonho de um autor, uma materialização palpável num pueril sorriso de despertar de manhã chuvosa de natal ao ver familiares e amigos e convidados e desconhecidos a entrar numa sala, com prendas em forma de felicitações sonoras e abraços de vitória, outras vezes o discurso e o debate são cativantes, fruto de apresentadores, autores ou temas interessantes, por outro lado já tivemos lançamentos em que tínhamos um autor e uma sala cheia de cadeiras vazias, ouvintes difíceis e pouco atentas, as cadeiras, o olhar do escritor verte angústia para todos os cantos, da próxima será melhor, depois, de vez em quando, assisto a lançamentos mais rebuscados, acreditem que já tivemos coisas que não lembravam ao menino Jesus, e atenção que ele é gajo para ter boa imaginação, mesmo nesses acabo por encontrar motivos de interesse, alguns lançamentos fazem-me lembrar o alfa entre Lisboa e o Porto, começa tudo muito normal, um gajo fecha os olhos uma ou duas vezes e, quando damos por nós, não sabemos bem onde estamos e o que raio estamos a ver pela janela, ainda hoje o Pedro Mexia parou o discurso de apresentação para dizer esperem que agora estou a ser fotografado, o público ri-se e o paparazzo amador, a espreitar pela porta, de telemóvel em mão como se de uma cruz de exorcismo se tratasse, baixa o telefone e o Mexia diz não, não, esteja à vontade, pára um pouco de falar e depois retoma, enquanto os passos do fotógrafo de ocasião vão se perdendo pela rua, e a apresentação continua como se nada fosse, e ele há dias em que me apetece mandar os livros pelo rio abaixo e ir vender laranjas para a beira da estrada, com cartazes carregados de amor e erros ortográficos, mas depois assistem-se a estas coisas e conhecem-se certas pessoas e isto é tanto e às vezes é quase tudo e é maravilhoso e os anos passam e, supostamente, isto dos livros era coisa para ter durado um ano, pouco mais, vá, mas, nove anos depois, ainda aqui andamos.

5 de junho de 2013

The killer won't survive

Sinto-me desassossegado, o dia a seguir a uma vitória é tão vazio como o dia após uma tragédia já dizia o Alex Turner, até fui à Louie Louie ver se os discos que encomendei já chegaram e fiz a figura que mais de mil vezes os clientes fazem comigo, não, os seus livros não chegaram, avisamos quando chegarem, não vale a pena vir antes, aparentemente nas lojas de discos e com discos é a mesma coisa, é para não te armares em espertinho, por falar em Alex Turner, e depois de muito chatear aquela gente e de me jurarem a pés juntos que o 10" do Alex Turner da banda sonora do Submarine nunca mais viria à superfície (viram o que eu fiz aqui? é do cansaço), e de eu o ter encontrado numa loja online suissa, lá estava hoje, abandonado e a 12,50€, o 10" mais fixe de sempre, enfim, continua a apetecer-me um disco e a Carbono é já ali, pelo menos de metro, e eu podia ir comprar qualquer coisinha mas tenho a terrível certeza, mais do que a habitual sensação duvidosa de velho de lápis na orelha a olhar para um boletim do euromilhões, de que vou comprar o disco e vou ouvi-lo e vou ficar a sentir-me na mesma, portanto vou ficar aqui quietinho, descansado e desconcentradamente concentrado no trabalho, na esperança de que, mais que na hipnotizante espiral negra do vinil do One Of Us Is The Killer, a salvação esteja numa voz e num colo familiar.

4 de junho de 2013

Quem é a livraria preferida de Lisboa, quem é?

Toma lá.


(ilustrações do André Carrilho)

Vocês também são os meus preferidos.

3 de junho de 2013

Nervoso miudinho

Ainda sentes a luz por entre os fios iridescentes do teu helénico cabelo, repetidas vezes impiedosamente invadido, atenção, cuida de ti, Tróia não foi uma onda irrepetível num mar de caprichos infantis, não terá sido certamente em vão que os deuses guardaram aquelas duas noites e aquela tarde no teu olhar, te iluminaram as veias e teceram os tecidos que te sustêm, essas invisíveis incongruências da genética humana, uma espécie de odes irónicas ao criador, de qualquer forma nada importa, especialmente porque parece que para o ano vamos ter de levar contigo, e gostar, outra vez, não é Jesus?