26 de maio de 2013

António Costa, o Marquês é para demolir por favor que aquilo não está lá a fazer nada

Segundo dia de feira, mais pessoas conhecidas, uma visita especial desta vez, a senhora que me atura ainda levou para casa o 2666 a 11,94€, eu que paguei quase 30 nos idos de 2009, deu para passearmos e comprarmos livros e vermos as vistas, descansados, antes do apocalipse desportivo da tarde, o que é isto, meu deus?, o que é isto?, de que inferno mais profundo saiu este fim de época biblico-trágico?, ou não fôssemos nós treinados por Jesus, até eu, acérrimo defensor da juba pintada que masca pastilha de boca aberta, já começo a pensar que talvez seja melhor ele ir agourar lá para a terra dele, que o povo que traja de encarnado na alma precisa de mais, isto é demasiado para nós, perder tudo assim, no fim, perder tudo nos momentos decisivos, falhar quando não mais se podia, quando se tinha, apesar de tudo, uma massa enorme a apoiá-los, mesmo depois da humilhação nas Antas, seguem-se mais três meses a ler a The Economist e a Time porque, meus caros, desporto, só para o ano e logo se vê.

Mais uma vez comprovado o extremo bom gosto da senhora.

Esta sombra que se vê na relva é o meu melão...

O Marquês quedou-se silencioso, curiosamente.

E o que eu gostava que o meu cão ficasse assim deitadinho sem trela?

25 de maio de 2013

Venham mais destes

Ah, a feira do livro, que saudades que eu tinha, ainda vou no primeiro dia de feira, perguntem lá mais para a frente e o discurso vai mudar, obviamente que já fui comer um hamburguer gorduroso, revi velhos conhecidos, editores, livreiros, autores, relações públicas, estou totalmente em casa no meio desta gente toda, vendem-se livros bons, compram-se ainda melhores, o Submundo e o Ponto Ómega, do DeLillo, e o Passos em Volta, do Herberto Helder, já cá cantam, para a semana vamos aos do Lobo Antunes, segunda sai o Herberto Helder, vejam lá isso e comprem senão depois esgota e choram poeticamente, foi um bom dia, este, ainda tive o prazer de vender uns livros a um futuro escritor / pai babado, ainda fui comprar um livro para uma colega, fui visitar a concorrência, vou tentar aproveitar cada segundo porque a feira, ao contrário do natal e da grandeza do Benfica, não é quando um homem quiser.

Aqui está um bocado cheio, talvez do outro lado esteja melhor...

... Ou talvez não.

É sempre bom atender pessoas com bom gosto.

Feira do livro, ou o sítio onde se pode ver o M. Tavares a rir.

Já a MRP parecia desistir perante a ausência de fãs.

24 de maio de 2013

Eu é que sou o presidente da junta

Eu devo ser o Dan Brown português, só pode, mestre dos enigmas de cordel de tabacaria antiga, escrevo um mail com indicações claras e precisas de trabalho, num texto por tópicos, com as descrições num mínimo histórico, tio Eça, desculpa, mas os Ramalhetes do trabalho livreiro são pouco mobilados e perderam o encanto de outros tempos, e os meus caros colegas de trabalho conseguem vislumbrar, naquele texto de dificuldade de prova de aferição do quarto ano da reforma da educação, as maiores e mais complexas teorias de conspiração, com intenções e fins maliciosos de causar inveja aos imperadores Mings deste recôndito mundo, porquê a mim?, questiono-me frequentemente, era apenas um e-mail, as frases são conjuntos de palavras que são aglomerações de letras, não é um tratado de alquimia do século XIII, curiosamente, ou talvez isto seja a minha indecorosa ingenuidade a falar, ninguém viu no texto a salvação do mundo e redenção das almas envolvidas, claramente estarei a fazer algo errado.

23 de maio de 2013

Esperar é caminhar na berma de um abismo

Vinha no carro, depois da sessão diária de leitura sobre carris, e, enquanto ia mudando de música mais uma vez para aproveitar e ouvir Converge num volume adequado sem provocar reações de choque a ninguém, já que ia sozinho no carro, olhei para o banco vazio do lado e pensei em diversas coisas naquela fracção de segundo e o que me ficou mais cá dentro foi uma saudade de a ler, os pensamentos começaram a recuar no tempo e facilmente me lembrei do que ela escrevia, de como ela escrevia, acho que invariavelmente vamos sempre dar aí, ela sabe, embora eu tente não referir muitas vezes, quais as minhas três bloggers preferidas porque, enfim, ela tem acesso aos meus livros e discos e cds e eu gosto muito muito deles, mas, que raio, que bem que ela escreve, e como ela escrevia bem quando se alongava mais, estes cansados olhos verdes de garrafa vazia esquecida num canto de uma mesa desarrumada precisavam de a ler mais vezes, penso se não terei influência no facto de ela escrever menos, bem, ela tem influência em mim: português como sou encontro nas agruras da vida a inspiração e a motivação para lançar os meus lamentos ao vento como os uivos de solidão do meu cão quando saio de casa, acredito que ele pense que nunca mais me vê, eu parece que acreditava que não seria mais feliz, o fato de vidente fica-nos tão bem, que formosos nos sentimos enquanto traçamos às escuras os nossos destinos, por estes dias encontro-me demasiado ocupado a sorrir para escrever, e ninguém tem paciência para lamechices, fofinho?, não sei o que é isso, eu queria ter a rouquidão do Cash e o desconforto do McCarthy nas minhas letras, isto cada um almeja ao que lhe apetece, podia agora chateá-la para escrever mais e mais vezes, mas eu, melhor que ninguém, sei que, meus amigos, escusam de vir com conversas que isto não é o write-on-demand, mas, espero que ela, em nome do senhor que ela não acredita que existe, volte a derramar-se sobre o papel naquele estilo de escrita isto-sou-eu-preparem-se-que-vai-tudo-à-frente-é-assim-a-minha-voz que eu tanto, mas tanto gosto, espero, é isso que eu faço, espero.

Experiências semi-infalíveis para noites a sós

Bad news

Os Arctic Monkeys deixaram de tocar o Still Take You Home.

Good news

Os Arctic Monkeys voltaram a tocar o Dancing Shoes.

"dos trabalhos do mundo corrompida / que servidões carrega a minha vida"

Quem é que já tem o novo livro do Herberto Helder na secretária, quem é?

22 de maio de 2013

Casa ocupada

A Feira do Livro começa já amanhã e isso significou dois dias árduos de montagem, debaixo de um sol a atirar para o quentinho, com muitas caixas cheias, caixas vazias, livros e mais livros e amigos e colegas e saudades e esperanças, que tudo corra pelo melhor, é o que se quer, agora, giro, giro, é ires montar a feira com uma t-shirt de Linda Martini, e, a meio da tarde, dizerem-te que precisas de falar para uma televisão, apropriadíssimo que eu estava, mas, ainda melhor, é a tua primeira imagem que passa ser algo assim:

"sim, sim, livros e cenas e coiso, não olhes agora que te estão a filmar"
Estava a peça a terminar e já estava o telemóvel do trabalho a tocar, o meu chefe a perguntar-me, na brincadeira, se tinha sido para estar parado a conversar que fui ajudar na montagem da feira, eu ainda disse que apareci a carregar umas caixas e ele contrapôs logo que as caixas estavam vazias, engraçadinho, de qualquer forma, correu tudo bem, o espaço está giro e funcional e a feira, no seu geral, está convidativa como sempre.

Neste sítio decorrem eventos estranhos, a várias horas do dia, a evitar.

Como é sempre a subir podem subir só até aqui e depois voltam para trás,  o resto é paisagem.

Enquanto não organizar um jogo de futebol entre grandes grupos editoriais, neste local,  não descanso.

Tinha ficado de ir ali festejar uma coisa mas parece que foi adiado para o ano, não me lembro bem do quê, perder faz-me cenas à memória.

Ninguém me veio pedir um autógrafo, aparentemente tem de se escrever um livro primeiro.

Parece que aqui é onde se gasta o dinheiro que se ganha na feira.

E aqui também podia ser, não tivesse já eu isto tudo.

O único momento de descanso do dia, juro.

E, para que conste, eu não falei só do Peixoto como dizem por aí, também falei do Pina, do Herberto Helder e do Pessoa, não há é tempo para tudo como bem sabem, de qualquer forma, aproveitem a feira, vemo-nos por lá.

20 de maio de 2013

Touché

"Estás à frente do Anão Gigante, como é que é possível?!?!".
Bem jogado, Anão, bem jogado... Até a minha senhora torce por ti.

Amigas bloggers fofinhas e boas escritoras

Eu não tenciono ganhar a cena do BILF mas... Ficar atrás do Pacheco Pereira é que não, pelo amor de Deus, já me bastou ficar atrás do Porto no campeonato, vejam lá isso, a minha senhora só tem quinze computadores onde votar, já não dá mais, as minhas irmãs não lêem blogs e a minha mãe acho que curte mais o Pacheco Pereira.

19 de maio de 2013

Estas situações deviam ser treinadas nas aulas de condução para evitar futuros acidentes

- .Então como foi a viagem a Fátima? Muito chata?
- Não, fui sempre ao lado da Leonor. E, sempre que passávamos por alguma coisa interessante, o rapaz que ia nos bancos ao lado tirava uma foto da janela, mas apanhava-me sempre a mim.
- ... Oi?
- Ele gosta de mim, é normal.
- Ah, ok, é normal... E tu?
- Eu acho que gosto dele, é normal.
- ... 

Strangeways, here we come

E mais uma semana sem facebook nem contacto com o mundo em geral, se vejo um segundo que seja da festa do Porto tenho convulsões.

Somos a raça, o querer e ambição

Para o ano há mais, ou talvez não.

18 de maio de 2013

BILF 2013

Estar nomeado deve ser uma maneira retorcida que o karma achou para me compensar da semana benfiquista. A não ser que eu fique a lutar pelo título e depois perca o mesmo na segunda-feira, às 00h02.

16 de maio de 2013

Feira do livro 2013

Ou, em linguagem de livreiro: só folgas daqui a um mês.

Poeta pintor

Está a tornar-se o louco da Rua Garrett preferido de toda a gente, seja a chamar fascista ao indiano dos cães, a entrar na loja e a dizer que as mulheres feias não podem entrar numa livraria, a dizer que odeia ódio mas por acaso odeia paneleiros ou a andar pela rua abaixo atrás de turcos enquanto grita three nil!, three nil!

Clarícia

Pior que a italiana do sotaque, só a brasileira que folheia alguns cinco livros da Clarice, lè um pouco, e vem ao balcão perguntar se está em português de Portugal ou do Brasil, é, nós aqui traduzimos do brasileiro: riscamos o gerúndio , abolimos o tratamento por vocè e  pomos "pá" no meio das frases, resulta muito bem.

It's-a me, Mario

Uma italiana aborda-me na loja e pergunta-me, em inglês, com o sotaque italiano mais estereotipado do mundo, "do you have-a children book? do you speak-a english?" ao que eu respondi yes, e ela acrescenta "hmmm, a little bit...", acho piada ao facto de ela inferir que eu falo um pouco de inglês apenas com um yes, especialmente ouvindo a qualidade do inglês dela.

Ainda do glorioso

Já que Jesus e os seus apóstolos perderam tanta coisa este ano podiam também perder o medo de perder, o medo de falhar, provaram na pele a maior derrota das suas vidas, uma derrota em dois actos, um bicho medonho que escalou impávido e sereno a montanha da sobranceria com que festejámos fora de tempo, que esta derrota sirva para eles perceberem que, apesar de tudo, continuamos aqui, para o ano será, seguramente, melhor.

Aí vamos nós

Mais uma semana sem notícias, jornais e sites desportivos, facebook e redes sociais no geral, como já li a Time, ontem li a The Economist e hoje foi a NME, amanhã será uma decisão difícil entre a Playboy e a Monocle, eu já estou por tudo desde que não haja qualquer vestígio de futebol.

13 de maio de 2013

South of the wall

Na senda de não ler jornais desportivos hoje fui ler a Time, não tem o Miguel Sousa Tavares mas tem o John McCain, o que é basicamente a mesma coisa, só muda o lado do Atlântico e o jeito para escrever ficção, tinha uma crónica deveras interessante sobre a geração do milénio, na qual, aparentemente, eu me incluo, açambarca tudo desde 1980 a 2000 (mais um bocado apanhava a minha filha, medo, filha essa que foi passear com a sua antiga empregada e voltou para casa com dois furos no mesmo lado da orelha, e eis que ela se torna uma mestre no "o pai deixou" como desculpa para tudo), geração portanto que partilho com a senhora aqui ao lado, senhora essa que enviei carinhosamente para o Algarve para poder estar em reclusão durante o fim-de-semana decisivo (que todos viram como bem correu...) e que volta com roupa nova e de franja, os ares do sul fizeram-lhe muito bem, mas aqui eu tenho que discordar dos senhores da Time, porque eu e a doce criatura não somos da mesma geração, a geração de 1980 é melhor do que todas as que vieram nos anos seguintes, ah, mas tu não tens factos que corroborem isso, mas, respondo eu, só duvidam porque não conhecem gente suficiente da geração de 1980, então a geração do milénio aparentemente é narcisista e preguiçosa, e mora até muito tarde na casa dos pais, naturalmente que não é tão boa quanto a geração anterior que realmente é fantástica em muitas coisas: especialmente a generalizar.

Ao segundo dia

Ainda não fui ler um único jornal, ver um único espaço de notícias na televisão, não fui às notícias do google nem, imagine-se, ao site da Bola. É para manter, pelo menos até quinta-feira, com possível extensão até ao início da época 2013/14.

12 de maio de 2013

Esquecer é deixar uma série de vidas para trás

Queria conseguir fechar os olhos e deixar de ver aquele momento: todos nós, girassóis de tecido gasto virados para um sol que se adivinhava a enegrecer, concentrados num momento singular, num ponto alpha da existência, quando de repente se dá o clarão e nós nos resignamos perante o facto de que não somos mais do que uma pontinha de infinito, ou como diria o outro, vai mas é para o caralhinho, oh Kelvin, foda-se.

Viver é uma série de esquecimentos, uns atrás dos outros


11 de maio de 2013

Red right hand

A assessora de imprensa de uma editora convidou-me pelo facebook para um evento no qual, imagine-se, estarei a vender livros, vou recusar o convite e depois quando a vir lá vou dizer "desculpa, eu gostava muito de ter vindo mas estou a trabalhar".

Na busca do real visceralismo


Level up

Fui jogar futebol passado um ano e estou vivo e estou inteiro, está tudo na mesma, a cadela do S. passa por mim várias vezes no Chiado, a Bia, filha do C., está feliz, nas palavras dele, que vença a doença é o que toda a gente deseja, e o seu mais novo é um espectáculo, jogámos benfiquistas contra o resto do mundo, uma espécie de antevisão para logo à noite, fizeram as habituais piadas do Fifa e da PS3, isto para quem já há um ano que não tem uma é cruel, eu gostava de repetir em breve mas a feira do livro não quer e não deixa.

10 de maio de 2013

Pena não ajudar a escrever em português


O pior do futebol


Daqui Ides sofrer como cães? Gente idiota, que não tem clube nem cor nas camisolas, dar-vos-ei de seguida uma pequena lição: os mouros, que vós tanto odiais, é que viam no cão um animal impio. Sem mais comentários.

9 de maio de 2013

8 de maio de 2013

Progressos

Progresso é ela estar às compras comigo, no supermercado, e eu dar por ela toda contente a olhar para uma prateleira e a cantarolar "twooo minutes, toooo midniiiiiight". 

Um gajo quer não gostar dele

Mas depois o homem fala assim desta incrível personagem, e uma pessoa é fraca nestas coisas.

5 de maio de 2013

Não sou capaz

Estive a arrumar o quarto da Catarina, uma experiência de quase morte, devia ser vendida naquelas caixas de experiências nos supermercados, recomendo vivamente, a criança acumula tralha como se não houvesse amanhã, tem uma cena por sacos de plástico cheios dos mais variados items, o conceito de "caixote de lixo" é uma coisa muito vasta para ela, e havia bastante roupa ainda com etiquetas no armário, roupa essa que eu jurei a pés juntos à mãe da criança que nunca tinha ido lá para casa e que nunca tinha visto, consegui ainda tirar um saco gigante de roupa para dar mas há coisas que, por muito que não lhe sirvam, por muitos anos que tenham, não vou conseguir dar a ninguém.


Dead flowers

Fui comprar flores para a  minha mãe num estabelecimento comercial onde, dado o volume de pessoas que decidiu fazer o mesmo à última da hora, colocaram a senhora do peixe ou do talho a fazer caixa só para registar as flores, ideia maravilhosa e compreensível, não fosse a senhora estar completamente em pânico com as novas funções e estar tão à vontade com a caixa como eu num cockpit de um avião, se a coisa já estava complicada apenas para mudar o rolo dos talões ficou pior quando viu o meu cartão-refeição-maravilha-que-permite-fazer-compras-abaixo-dos-vinte-euros-no-tal-estabelecimento:
- Ai Constantina, agora é que 'tás tramada! 

Hoje deixei-a conduzir

Não só sobrevivi como fiquei bastante convencido.

Em estágio para as duas semanas decisivas


A ver se aprende de uma vez

Talvez ela aprenda, um dia, que lá por ela lhe foder mais o juízo não quer dizer que se preocupe mais do que os outros que gostam dela.

Bilheteira da FNAC

- Bom dia, é aqui que se demora meia hora para comprar a merda de um bilhete?
- Sim, sim, é aqui esteja à vontade, diga-me o que quer que eu demoro meia hora para processar isso, pense na vida, veja os livros ao longe, veja as pessoas felizes a irem comprar cenas que tu não podes, veja o desespero dos que estão mais atrás na fila e a felicidade dos que, finalmente, conseguiram comprar bilhete.

4 de maio de 2013

Hoje é o nosso dia




See you in hell

Jeff Hanneman (1964 - 2013)



Depois do Chi, dos deftones, agora o Jeff de Slayer, ano mau para duas das bandas que mais gosto. O Jeff Hanneman mostrou que era possível adicionar toneladas de qualidade técnica e precisão à velocidade das bandas de speed e thrash, era a alma dos Slayer, criou dos melhores riffs de sempre, tive a sorte de o ver ao vivo no Ozzfest, no Restelo, na tour do God Hates Us All. O vinil do Reign in Blood é para ouvir, sempre, perto do máximo. 


Deus me dê força

... Para eu não pedir à próxima pita que, quando vier comprar livros, tiver uma t-shirt de Ramones para me dizer cinco músicas deles.

3 de maio de 2013

Converge

Gostei muito do Fogo, do Gastão Cruz, o Escarpas é mais fraquinho mas ainda assim bom, vou ler mais dele, li ao mesmo tempo que a Maria Gabriela Llansol, interessante mas não me maravilhou, agora ando com o Don DeLillo atrás, um livreiro não me parava de chatear para ler o Ponto Ómega, e, cabrãozinho, tinha razão, é mesmo bom, mas isto de ler americanos deixa-me sempre com saudades do McCarthy e depois olho para a estante e vejo o Suttree e o Nas Trevas Exteriores e fico mais descansado, ainda queria ler o segundo volume dos contos do Tchekhov ou o Cossacos do Tolstoi mas depois lembro-me que estou a gostar de ler Saramago e não há fome que não dê em fartura.

Dillinger escape plan

Não vou a XX, exagerados no preço e cartaz fraquinho, mas vou comprar o bilhete para Arctic Monkeys porque eu e o Alex Turner temos assim uma espécie de secret arrangement em que indo um de nós ao pais do outro o outro vai lá vê-lo, não tenho ido a Inglaterra nos últimos tempos portanto não sei se ele cumprirá a parte dele mas vamos acreditar que sim.

Bring me the horizon

Acho que me estou a tornar perito em fixar o olhar no infinito e deixar a vida passar ao meu lado, a música toca na divisão ao lado, eu vejo o mundo na terceira pessoa, a música como banda sonora, como se eu não fizesse parte disto, o olhar preso no nada, por vezes penso em coisas insignificantes, por vezes penso no significado da vida, mas o olhar, teimoso, mantém-se à procura de um qualquer horizonte que temo bem que nunca virá.

27 de abril de 2013

Espera, espera

Também estava lá aquele gajo que andava nos jornais e revistas porque se tinha atirado feito louco dum prédio queixava de que a mãe do filho não o deixava vê-lo e tal e agora enfiou-se numa casa sem contacto com o exterior durante três meses, faz sentido.

Ou sou eu ou é o país que está certamente errado

Ligo a tv no big brother VIP e a única pessoa que conheço, à primeira vista, é o Zezé Camarinha.

Polima sul

Sonhei que ia num autocarro, assim naqueles primeiros lugares logo a seguir a uma das portas do meio, ou de trás, já não sei bem, naqueles lugares que geralmente levam velhotas com hortaliças no colo e que gritam oooooh senhoooor quando o motorista não pára nas paragens, uma vez no quinto ou sexto ano apanhei um psicopata que saltou umas três paragens, daquelas todas muito próximas, deixando as velhotas de hortaliças no ar, foi a loucura, tipo tardes da Júlia mas em movimento, e eu sentado nesse lugar olhei em frente e vi o Roberto Bolaño e pensei o que qualquer pessoa normal pensaria: olha o Bolaño, isto num autocarro da carris com destino incenrto, e de seguida pensei: espera lá, mas o Bolaño está morto, algo que, segundo parece, não me incomodou sobremaneira pois, quando dei por mim, já caminhava rumo ao lugar dele para o interpelar, reparei, mal tive uma visão mais próxima dele, que ele trazia debaixo do braço todos os livros dele que existem editados em português, então abordei-o e disse Bolaño, e ele ficou a olhar para mim pensativo, tens que me assinar esses livros para mim, eu venero-te, por favor, e ele reforçou o olhar pensativo e disse gostava muito mas não posso, vou para uma conferência na casa da América Latina, preciso deles, e eu foda-se, mas tu estás morto e eu nunca mais vou conseguir um autógrafo teu, e ele tira um dos livros do monte e diz olha, dos meus não te posso dar, mas tenho aqui o O que o turista deve ver, do Fernando Pessoa, posso assinar-te esse?, e eu respondi é melhor que nada, e ele lá assinou e eu saí na paragem seguinte, agora giro, giro, era arranjar uma interpretação para isto, e, pelo sim, pelo não, quando andar de autocarro vou andar com o 2666 debaixo do braço.

Aces high

Hoje está um mau dia para ser feirante na rua Anchieta, com a companhia do vento frio que são mil e uma agulhas que se espetam nos olhos, eu era bom era para feirante na praia, está visto, e a feira do livro que é já daqui a um mês e upa upa vamos comprar livros e apanhar sol e comer hamburguers oleosos e vender livros, vá, se tiver que ser.

26 de abril de 2013

Jornalistas desportivos, andam a dormir

Ainda não acredito que o título de nenhum dos jornais desportivos é "Banho Turco".

24 de abril de 2013

Record store day é quando um homem quiser


O dele e o dela. No fundo são os dois meus, eu é que gosto de partilhar.

Sonic Youth

Só naquela, está o Thurston Moore aqui na loja. Só naquela.



O fogo e o ruído surdo

Esqueci-me de escolher um livro para a viagem de comboio nocturna, depois de um dia esgotante a última coisa que eu precisava era de fazer a viagem para casa, que a estas horas ainda demora trinta minutos, na companhia dos meus pensamentos, então decidi escrever no caderno que uso para as minhas reuniões, nos phones, mais no coração do que nos ouvidos, toca o concerto do sábado passado, soube-me tão bem, até o Lição de Voo nº1, opus maldita, outrora espalhada nas paredes do meu quarto, é sempre bom espetarmos o nosso sofrimento na parede para outros o verem, é fofinho e resulta melhor do que gritá-lo aos ouvidos de alguém, até o Lição de Voo me tocou da maneira certa, quase todo ouvidos e nada coração, a senhora acalorada ao meu lado não suspeitava de nada do que ia em mim e do quanto contribuiu para que, no fundo, já nada fosse, ainda assim há coisas que gritadas nos fazem sentir vivos, na pressa de viver o corpo quente, eu queria tanto parar aqui, ainda só vou em Belém e há muito para escrever, não tivesse eu a caligrafia assustadoramente ilegível e isto daria um post fac-similado à maneira, as pessoas estão a ver-me escrever e parecem desconfiadas, é compreensível, há um senhor que olha para mim como se eu fosse o gajo do seven que está a escrever umas cenas psycho no seu caderninho e que, mais dia, menos dia, vai cortar alguém às postas e guardar na arca frigorífica, eles olham e eu escrevo e chego à triste conclusão que eu estou mais fadado para ler do que escrever, escrever é uma tortura, um dia, em dois mil e oito, obriguei-me a escrever um livro de contos em duas semanas, consegui, já não escrevia há muito, algumas pessoas chateavam-me por causa disso, faz lá os truques com as letras, maravilha-nos, isto pessoas pouco ou nada entendedoras das letras em geral, sentia-me como se pedissem ao Busquets para impressionar umas crianças dando uns toques na bola, isto quando há Messis por aí é pouco razoável, eu tinha pensado numa analogia com o Messi e pessoas com problemas de locomoção, mas é tarde para coisas de mau tom, voltando aos contos, não escrevi desde então, pelo menos nada que se lesse, umas das coisas que mais me incomodava a escrever era que as pessoas que me liam tentavam tirar conclusões ou vislumbrar sinais, o que, para quem tinha uma obsessão com cenários de fim de relação, era maravilhoso, que obsessão apropriada, pensam vocês, a ironia e eu somos assim, aqui façam o gesto de esfregar os indicadores um no outro, eu no fundo até gostava de escrever mas não consigo, ah, mas tens um blog, pois, pois tenho, e só eu sei as vezes em que eu penso que isto já deu o que tinha a dar, que já serviu o seu propósito, mas, tão certo como o Benfica ser o maior clube do mundo, se eu apagasse isto ia surgir em mim uma irreprimível e inocultável vontade de fazer postzinhos que ninguém vai ler, portanto, para já, continua, apesar de tudo,  eu no fundo, no fundo, até gostava de escrever, mas eu a escrever sou como aquele tipo de barulho que se ouve quando estamos sozinhos em casa e, vai-se a ver, não era nada, sou cada vez menos fogo, apenas ruído surdo.

22 de abril de 2013

Record store day


Estive a trabalhar o dia inteiro no record store day, com o meu novo chefe e, como se não bastasse isso, ainda tive que montar e desmontar uma feira e fazer um evento com um autor estrangeiro. Tempo para discos, zero. Solução: enviar a senhora que me atura à Carbono, durante uma hora, enquanto eu vou andando para trás e para a frente na escolha de que discos ela tem que comprar, isto tudo por sms às escondidas durante o evento. A senhora merece o céu. O problema é que ela não acredita em céu. A parte preferida dela foi quando eu disse que não queria o All We Love We Leave Behind, dos Converge, e ela largou-o por lá, e, passado uns minutos, trinta minutos, vá, eu lá achei que sim, que esse era um dos que eu queria e ela quando foi buscá-lo já não estava lá. 

21 de abril de 2013

Hoje é um dia de felicidade para a raça masculina

Tottenham - City
Liverpool - Chelsea
Juve - Milan
Benfica - Sporting

Dos títulos que começam por "dos"

No outro dia partilhei no meu mui selecto e refinado facebook aquela votação para eleger a livraria preferida  dos lisboetas, na ânsia, claro, de que a minha ganhe (acho difícil, mas...). Recebi uns comentários na brincadeira, tudo bem, tudo normal, até que uma ex-funcionária da livraria (trabalhei com ela mas numa livraria em Cascais, não nesta em particular) diz que nunca votaria na minha por causa da falta de condições e limpeza dos locais destinados aos funcionários e do mal que pagam a estes... Faz-me confusão este tipo de pessoas que confunde as coisas: esta votação dirige-se ao público em geral, leitores, consumidores. As coisas mudaram bastante desde que a senhora em questão saiu de lá. Ela tinha alguma razão na questão da limpeza. Agora, quanto ao vencimento? Mas em que sítios é que ela faz as suas compras? A maior parte dos sítios paga o ordenado mínimo. Ou paga abaixo do que seria expectável. Depois, a realidade já nem é essa: penso que a maior parte (ganha mal, muito mal...) ainda assim ganha acima do ordenado mínimo. E a verdade é esta: quantos consumidores se preocupam com quanto ganham os funcionários das superfícies comerciais que visitam? Para quem é que esse é um factor determinante na escolha da loja onde compram os seus bens? Obviamente que eu nunca pactuaria com situações de ilegalidade, abuso, escravatura moderna. Mas estamos a falar de situações completamente diferentes: ganham pouco, é verdade, não vou ser hipócrita e negá-lo, mas não é cometida nenhuma ilegalidade nem lhes é pedido nem exigido nada do outro mundo enquanto livreiros. Claro que muito podia ser mudado, tudo podia ser melhorado e tenha eu oportunidade um dia de o fazer assim será feito. Mas não se pode confundir uma votação para consumidores com uma carta aberta para ressabiamentos ou reclamações sem sentido.

Hoje o estuque caiu e ninguém varreu o chão


Ficas na dúvida se o teu pequeno-almoço continha substâncias ilícitas quando...



... Vais a descer a Garrett e vês o Nuno do Câmara Pereira (ou era outro qualquer?) vestido de homem-aranha a entrevistar pessoas para a TVI.

Uptown

Foi entregue em casa da avó com a indicação de que esta lhe cortasse as unhas. Aparentemente é mais fácil meter a criança num cabeleireiro para lhe arranjarem as unhas...


Assim não custa nada.

19 de abril de 2013

Escarpas

Eu percebo que as pessoas queiram editar livros: várias vezes pude testemunhar quando autores, de forma incógnita ou declaradamente aberta, visitam a livraria para ver os seus livros expostos, o ar de contentamento, os gestos de sonho realizado, os mais aventurosos sorriem perante um destino que julgam cumprido. Também temos outros, proto-visitantes à procura de livros que ainda não o são, sonhar não faz mal, imaginar merdas deste género também não.
Depois, temos os que editam a todo o custo. Que pagam para ser editados. Que alimentam editoras sem escrúpulos, mestres de esquemas de piramides que fariam a D. Branca empalidecer. Estes autores, sob falsas promessas de representação digna no mercado editorial, despejam largas quantias de dinheiro para verem o seu livro nas principais livrarias. O resultado não foge, muitas vezes disto: ou o editor não chega sequer a editar o livro, ficando com o dinheiro e aproveitando o nosso célere e eficaz sistema judicial para ser ir aguentando às custas destes autores, ou então o livro é editado, agora com o print-on-demand então é uma maravilha, às mijas e sabe-se lá com que controlo, não há apoio da editora em absolutamente nada.
Tenho lidado, infelizmente, em primeira mão com estes casos. Editoras que marcam lançamentos para autores completamente desconhecidos, com edições print-on-demand, que nem sequer arranjam uma merda de um apresentador, que não têm a coragem de aparecer e apoiar o autor quando este, invariavelmente, tem de reduzir o ego a um grão de pó e abandonar a mais uma vez sala vazia, deixar o silêncio para quem fica a arrumar o espaço que não chegou sequer a ser utilizado.
E quem é que tem que ficar a ouvir os lamuriosos queixumes dos autores? Aqui o vosso amigo. Eu compreendo-os quase sempre, quando não consigo compreender finjo que o faço, estão numa situação melindrosa, por vezes incrivelmente envergonhados. Apetece-me dizer-lhes, por vezes, que deviam ter tido juízo. Um gajo que edite um livro por uma editora destas e ache que vai encher uma livraria no lançamento é equivalente a eu achar que se gravar um vídeo a cantar e metê-lo no youtube vou encher o coliseu.

18 de abril de 2013

16 de abril de 2013

Partir para ficar

A não ser que queiram gastar só 8€, nesse caso é ir ao Ritz ver Linda Martini a tocar o primeiro álbum na íntegra, e já só faltam três dias.

Fogo

Fui ler um pouco do novo livro do Gastão Cruz, Fogo, da Assírio, durante o almoço, são os melhores 10€ que podem gastar por estes dias. 

Mindless self indulgence

Estas mudanças estão a custar-me muito: ando a alternar entre momentos de oh-isto-é-maravilhoso com oh-que-caralho-onde-é-que-me-foram-meter.

I am the razor in the hands of god

Hoje em digo acho que já consigo imaginar o quão irritante devo ser para as pessoas que só conseguem ver o lado negativo das coisas, para a senhora mãe da Catarina nunca estava nada bem, nunca íamos chegar a horas, o Benfica ia sempre perder, percebo agora o chato que eu devia ser, sempre a achar que ia ficar tudo bem, no trabalho acaba por ser a mesma coisa, por vezes, não consigo não acreditar.

O drama, o horror, a tragédia

Ando com umas ideias esquisitas para escrever um livro.

13 de abril de 2013

Ups, my bad

"Funcionário enganou-se e enviou alerta de míssil norte-coreano." Míssil, terramoto, é um erro comum, as teclas estão mesmo ao lado umas das outras.

Death blooms

Acho que só vamos ter verão depois do SLB ser campeão ou do governo cair.

12 de abril de 2013

Este gajo não tem os mínimos, a noção de propriedade alheia é lhe completamente estranha


South of the river

Como é que se explica que cinco pessoas cheguem aos sítios combinados para serem apanhadas de carro a caminho de Palmela cinco ou dez minutos antes da hora combinada para cada local, que a pessoa que os vai apanha saia também dez minutos antes do tempo previsto e, ainda assim, cheguemos trinta minutos atrasados ao nosso destino?

La banlieu

A chuva, acordo e passeio o adormecido cão e o sol nasce lá bem ao fundo num céu razoavelmente descoberto, sim, são seis da manhã, mas, que raio, hoje vai haver sol, tenho que me animar, arranjo-me na forma automatizada do costume, a máquina de barbear está um nível acima do normal o que faz com que eu me barbeie, de olhos semi-cerrados, durante um ou dois minutos, para depois ver que a barba está tal e qual estava quando acordei, repetimos o processo, afinal de contas, ainda é cedo, entro no banho e são seis e qualquer coisa são sete e tal afinal, parece que o tempo escorre pelo ralo, tudo a despachar a partir daí, saio de casa e respiro fundo quando vejo o chão encharcado, os óculos voltam para o bolso do casaco, diz que vai estar bom tempo este fim-de-semana, que vem aí o verão, mas custa-me verão sem primavera primeiro, e eu já não sei bem como é que se faz no verão, acontecem coisas aqui pelo meio que envolvem pó e livros em armazéns de alturas inenarráveis, tacks e picks, terminamos o dia com a Clarice Lispector, ou era o que queríamos, deixemos o Mexia e a Teolinda Gersão tomarem conta daquilo que temos coisas para fazer na livraria, tentas dar atenção ao Saramago no comboio mas o telefone do trabalho e o telefone pessoal vão tocando, chega a noite e percebemos que  há discos e dias que funcionam melhor a dois.

11 de abril de 2013

Rapariga de coragem

A senhora foi jantar a minha casa no âmbito do evento "ver o Benfica na TV porque não tenho sporttv". O melhor momento chegou quando eu a apresento à minha avó e a minha avó diz olá e fica a olhar para ela durante algum tempo e, à nossa frente, vira-se para a minha mãe e diz "eu não sei quem é", e quando a minha mãe a anuncia novamente como minha namorada a reacção dela é "é mentira!", a minha mãe insistiu e ela disse "Não é nada!" por entre os risos incontroláveis de toda a gente. 

O que vale é que dava para corrigir na hora

Um belo começo de dia é ires às nove da manhã assinar o teu novo contrato de empréstimo da casa (sim, aquele que te vai manter endividado até aos cento e dez anos) e no nome dos fiadores estar José qualquer coisa Abelhinha e Anabela qualquer coisa Fonseca, gente que, segundo me consigo lembrar, não conheço de lado absolutamente nenhum. A minha mãe riu-se com a piada fácil "ah, eu logo vi que tinha sido adoptado", já o meu pai não achou piada.

Sálvio, deves-me umas pastilhas para a garganta

Acho que estive perto de matar o meu cão de susto com o grito de golo, ficou parado no canto da sala a uivar, meio encolhido. Aguenta Link, que ainda falta muito da época.

9 de abril de 2013

Drugs are bad, hmmmmmkay?



Vou sem escolta ver o sol


Já não era sem tempo e eu que andava a precisar tanto. 

2 de abril de 2013

A mil

Não aprecio quando me pedem para ir mais devagar, para fazer as coisas mais lentamente, é assim que funciono, é assim que o meu raciocínio corre, sou rápido a pensar e a agir. A desculpa do "ah, mas assim vais enganar-te" ou "vai-te escapar qualquer coisa" não funciona, temos pena. Erro tanto como quem demora o dobro do tempo. Chateia-me gente que me trava.

1 de abril de 2013

April's Fool

Escolham:
- O SCP ganhou em Braga
- O Ricky V. marcou três golos

Oi? Moço...

Hoje foram gravar um spot para passar nos voos entre o Brasil e Portugal, a publicitar (entre outros locais de interesse) a livraria vintage very tipical tão antiga mais antiga do mundo e também mais antiga da cidade. É um spot narrado por actores famosos do Brasil e a protagonista é uma fashion blogger brasileira. E o ponto fulcral aqui é que, pelo que pudemos ver da moça, cada país tem as fashion bloggers que merece. 

31 de março de 2013

Agora e na hora da nossa morte

Sem ser particularmente fã da frase "de leitura obrigatória", é a única coisa que me vem à cabeça quando penso neste livro. Imenso, intenso, único.

Boy division

Li mais um Bolaño, não há mais para ler, a Quetzal que se despache que ainda há três ou quatro obras por traduzir. Vejam lá isso. 

Está morto, Jim

Tenho a Caixa Geral a deliberar sobre a mudança do meu empréstimo desde o dia quatro de dezembro do ano passado. Como só me faltam quinze anos para pagar a casa começo a ficar preocupado.

Leviathan

Quando soube que, afinal de contas, ficava na livraria onde estou, não me senti mais aliviado, a inquietação e desconforto com toda esta situação continuou tal e qual estava. Vou deixar de trabalhar directamente com uma pessoa que me colocou onde estou, que me deu quatro desafios, sempre em crescendo, sempre a passar para lojas maiores e com mais responsabilidades, que acreditou em mim, que, mais vezes do que devia, me safou de merdas que me podiam ter custado muito caro. E isso está a ser difícil de processar. 

27 de março de 2013

Everybody wants to change the world but no one wants to die

Uma pessoa vai jantar fora e quando volta o facebook está em histerismo pelo Sócrates.

24 de março de 2013

Coisas que me aterram na secretária


O mais antigo é de 1907. Qualquer dia sou eu que levo um carregamento destes para casa.

As maravilhas que se encontram em cantos escuros de arrecadações esquecidas em casa da mãe e que se trazem desavergonhadamente para casa


Ou não passasse eu largas horas numa sala com o nome deste senhor.


21 de março de 2013

Poetas da casa

6.

Leste os poemas fora do prazo
muito menos sóbrio do que parecias
e pensaste que também os versos
podiam coser-se ao pescoço.

O mesmo cordel que te prendia,
a mão aberta sobre o valante,
afundou-te o pé inútil -
travavas um carro plano, desligado -
e puxou-te do estômago
uma vaga confissão.
eco surdo das horas antigas,
avulsas, longas, gratas, iguais.

Margarida Ferra

A partir daqui é sempre a descer


Fui entrevistado hoje pela Serenella Andrade. A partir daqui só o Eládio Clímaco ou não dou mais entrevistas.

Por estes dias, é tudo


A lembrar-me, uma hora de almoço de cada vez, de que, sendo tudo, não somos, no fundo, nada.

Orla Marítima

O tempo das suaves raparigas 
é junto ao mar ao longo da avenida
ao sol dos solitários dias de dezembro
Tudo ali pára como nas fotografias
É a tarde de agosto o rio a música o teu rosto
alegre e jovem hoje ainda quando tudo ia mudar
És tu surges de branco pela rua antigamente
noite iluminada de noite de nuvens ó melhor mulher
(E nos alpes o cansado humanista canta alegremente)
«Mudança possui tudo»? Nada muda
nem sequer o cultor dos sistemáticos cuidados
levanta a dobra da tragédia nestas brancas horas
Deus anda à beira de água calça arregaçada
como um homem se deita como um homem se levanta
Somos crianças feitas para grandes férias
pássaros pedradas de calor
atiradas ao frio em redor
pássaros compêndios de vida
e morte resumida agasalhada em asas
Ali fica o retrato destes dias
gestos e pensamentos tudo fixo
Manhã dos outros não nossa manhã
pagão solar de uma alegria calma
De terra vem a água e da água a alma
o tempo é a maré que leva e traz
o mar às praias onde eternamente somos
Sabemos agora em que medida merecemos a vida

Ruy Belo



Catarina

Teve 4 a matemática, português e estudo do meio, 5 a expressão plástica e música. Aparentemente não teve 5 a português porque tudo indica que não se deu ao trabalho de ler o texto de interpretação e respondeu à vontade dela. E está proibida de participar no teatro enquanto não melhorar o comportamento na sala de aula e fechar aquela matraca imparável de uma vez por todas, a professora não percebe como é que ela sequer tem tanto assunto para falar e com tão variados colegas.