26 de fevereiro de 2013

Confusão de identidade


Desisti de lhe tentar explicar que ele não é uma cabra montesa.

Dá-lhe, Quasimodo

Era disto que eu estava a falar:


Os cães a uivar dão um toque rural à coisa.



Cormac McCarthy

A Travessia. Até agora, pese os momentos de partir o coração (aqueles olhos cor de amêndoa da loba...), está a ser muito bom.

Férias


25 de fevereiro de 2013

Refuse / Resist

O corcunda que toca o sino na igreja dos Mártires está em grande hoje, há momentos em que eu acho que ele está a tentar tocar Sepultura. Depois há outros em que é tipo sino-em-aldeia-devastada-por-epidemia-mutante-no-meio-do-nevoeiro-e-não-está-ninguém-à-volta-e-tu-sabes-que-vai-saltar-um-gajo-com-uma-serra-eléctrica-do-nada-para-te-cortar-a-cabeça.

24 de fevereiro de 2013

Catarina

O quarto dela está aparentemente arrumado. Abro o armário e aquilo parece Nárnia, com animais e tudo (de peluche, mas ainda assim animais).

23 de fevereiro de 2013

Eu nunca guardei rebanhos / mas é como se os guardasse / já as algemas tenho guardadas / e uso quando lhe quero dar umas palmadas

Entram três escuteiras a arfar na livraria e param no balcão, atropelando-se umas às outras a falar:
- Pode dizer-nos os heterónimos do Fernando Pessoa? Sabe? Sabe? 
- Sim, alguns, ele tem muitos, até há uns que...
- Pode dizer, senhor, alguns? Os mais conhecidos!
- Hm, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis...
- Ai, Ai, não parece nenhum desses!
- Bernardo Soares?
- Não, não, qual foi o primeiro que disse? Qualquer coisa Grey?
- ...
Depois desta conversa isto já fez todo o sentido:


A juventude só sabe reagir à adversidade invocando o demónio

- Por favooooor, diga-me que tem o livro do Angélico! Por favor!
- Desculpe, mas já não temos há algum tempo...
- Oh satanás! 
- ...

21 de fevereiro de 2013

Hoje fizemos as pazes

Foi no Piper's, com quase oito anos, que vi o Benfica perder a final da liga dos campeões, taça dos campeões europeus na altura, e esse momento viveu em mim durante muito tempo. O bar era local de eleição do meu pai, amigo dos donos há muitos anos, e fui lá toda a minha vida. Durante alguns anos poucas vezes lá fui. E, acima de tudo, nem pensar ver lá o meu glorioso SLB para as competições europeias. Lembro-me claramente de não querer ir com o meu pai ver a final contra o Milão, em noventa, porque ainda estava marcado da última. Vi em casa sozinho. Também não ganhámos. Hoje voltámos a ver lá o jogo, passaram-se quase vinte e cinco anos, não jantava com o meu pai desde o natal. E muito mais que isso, hoje fui eu que apanhei o meu pai no trabalho, fui eu que falei mais de reuniões e budgets e forecasts e coisas assim, a brincar aos adultos, quando, no fundo, eu era o miúdo de oito anos outra vez porque ia ver o jogo com o meu pai, naquele sítio especial. E fomos, e ganhámos. Hoje fiz as pazes com o piper's, penso que fiz as pazes com uma parte de mim.

20 de fevereiro de 2013

Encontramo-nos de novo. No inferno.


Nada melhor do que mais um McCarthy para contrabalançar a leitura anterior.

"Talvez esta seja uma história de monstros"



"Talvez seja possível amar uma mulher por causa de um livro, de um poema sublinhado, de um filme a preto e branco", durante a leitura deste livro senti-me sempre assaltado por uma sensação difícil de explicar: há uma sensibilidade na escrita dela que eu tenho dificuldade em compreender, por ser algo tão feminino, mas é algo que me fascina, e a morte, a morte é mais bela na mão de uma mulher, mais digna, até, tal como todas as traições que passam quase despercebidas nesta Londres a cair pelo outono dentro, "if we do meet again, we'll smile indeed", se nos encontrarmos de novo, parece que vai ter que ser.

19 de fevereiro de 2013

Rapidamente, com urgência, já passou demasiado tempo desde a última vez, eu não quero saber que estejam a escrever ou gravar o disco novo, eu, vocês, o Ritz, novamente, com urgência, rápido.


Era mesmo isto

Chego a casa, e, ao abrir a porta, tenho um cão louco a tentar sair ao mesmo tempo que estou a entrar. Passam-se um ou dois segundos em que fico estupefacto, de chave na mão, a olhar para a cancela caída no chão, basicamente em negação com o que estava a ver enquanto o cão corria contra as minhas permas a tentar sair. Quando fechei a porta encontrei o caos: pá e vassoura em cima do sofá (lá estão as "indirectas" do cão), boxers pela sala, lençóis do quarto revirados, meias no corredor, um resto de Milka Oreo comido, cortina da sala toda levantada, e, o momento mais bizarro, o Link levou apenas um sapato de cada par, cinco sapatos no total, espalhados pela sala, corredor e em cima da minha cama. Aguardo ansiosamente pelo dia em que chego a casa e o cão está com uma garrafa de whisky ao lado, inconsciente no sofá, com a televisão na Benficatv.

18 de fevereiro de 2013

Astro zombies

A minha irmã diz que eu tenho que apresentar a namorada à família, a outra irmã diz que devia ser uma coisa formal, a primeira irmã sugere que vamos a um club de strip que ela sempre quis ir (??), a Catarina diz que já a viu muitas vezes e a minha mãe ficou num silêncio aterrador, eu acho que ela anda há algum tempo em negação, ainda não percebi se pensa que eu tenho uma namorada imaginária ou se tem algum receio que eu não percebo.

17 de fevereiro de 2013

“It is tragic and sad and chaotic and lovely"


Terminado. Falar desta experiência de leitura é muito complicado, há momentos de puro génio, há passagens em que a leitura é quase dolorosa, há períodos em que não percebemos bem o que se está a passar. Nem nunca iremos perceber. Centenas de personagens, de vidas, múltiplos enredos que eventualmente (ou não) se tocam em algum ponto, e, no entanto, fecho o livro pela última vez com a desoladora sensação de que ficou tudo por dizer. Isto deriva da nossa obsessão pelo fim das coisas. Foster Wallace abre uma janela para um mundo, fascinante, complexo, aterrador, violento, e depois fecha-a na nossa cara e manda-nos à nossa vida. E nós, ainda assim, agradecemos. 

Oportunidade perdida

Devia ter emigrado para a Rússia e me tornado vidraceiro por estes dias.

Eu não consegui derivado a motivos

Ela consegue abrir a bracelete do relógio novo e diz "sou tão engenheira". É para isto que servem cinco anos do Técnico.

Kinda I want to

Até que ponto devemos separar o homem do cargo que exerce? Ou até que ponto nós passamos a ser aquilo que fazemos? E deveria haver uma só medida ou deveria ser algo visto caso a caso? Por exemplo: o FJV disse aquilo e ficou tudo muito chocado porque ele foi secretário de estado (e, no campo profissional, porque é editor da Quetzal). A questão é que ele não disse aquilo nem como uma coisa nem como outra. Escreveu no seu blog. Pessoal. Acredito que nas nove ou dez horas que estou na livraria sou Ricardo, o gerente, e tudo o que faço poderá ser usado contra mim em termos profissionais. Fora disso? É da minha conta. Apenas e só. Quando falo aqui, falo como Ricardo. O gerente de uma livraria não pode dizer certas merdas. Eu posso. O mesmo se aplica a outras pessoas e profissões. Mas e em cargos políticos relevantes? Aplica-se a mesma coisa? Seja como for, deixem o Viegas em paz, leave Britney alone, e amem-se uns aos outros, ah, e tomem no cu, se isso for o que mais vos aprouver. 

As pessoas um dia vão perceber

Estão a ver aqueles papelinhos que saem dos POS dos estabelecimentos comerciais, daquelas máquinas novas e bonitas certificadas pelo pai, filho e espírito santo das finanças?, pronto, esses papelinhos são, quer queiram ou não, facturas, e podem ou não, conforme assim o desejem, ter os vossos dados, por isso é que sim, eu quero factura, e não, não vou dar o meu nome nem contribuinte, e sim, eu dou sempre aos meus clientes uma factura, nunca pergunto se querem uma, levam e mais nada, apenas pergunto se querem lá colocar os dados deles.

A parte da "livraria" no nome é só para enganar

- Tem cartas e cadernos para a canasta?