26 de fevereiro de 2013

Dá-lhe, Quasimodo

Era disto que eu estava a falar:


Os cães a uivar dão um toque rural à coisa.



Cormac McCarthy

A Travessia. Até agora, pese os momentos de partir o coração (aqueles olhos cor de amêndoa da loba...), está a ser muito bom.

Férias


25 de fevereiro de 2013

Refuse / Resist

O corcunda que toca o sino na igreja dos Mártires está em grande hoje, há momentos em que eu acho que ele está a tentar tocar Sepultura. Depois há outros em que é tipo sino-em-aldeia-devastada-por-epidemia-mutante-no-meio-do-nevoeiro-e-não-está-ninguém-à-volta-e-tu-sabes-que-vai-saltar-um-gajo-com-uma-serra-eléctrica-do-nada-para-te-cortar-a-cabeça.

24 de fevereiro de 2013

Catarina

O quarto dela está aparentemente arrumado. Abro o armário e aquilo parece Nárnia, com animais e tudo (de peluche, mas ainda assim animais).

23 de fevereiro de 2013

Eu nunca guardei rebanhos / mas é como se os guardasse / já as algemas tenho guardadas / e uso quando lhe quero dar umas palmadas

Entram três escuteiras a arfar na livraria e param no balcão, atropelando-se umas às outras a falar:
- Pode dizer-nos os heterónimos do Fernando Pessoa? Sabe? Sabe? 
- Sim, alguns, ele tem muitos, até há uns que...
- Pode dizer, senhor, alguns? Os mais conhecidos!
- Hm, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis...
- Ai, Ai, não parece nenhum desses!
- Bernardo Soares?
- Não, não, qual foi o primeiro que disse? Qualquer coisa Grey?
- ...
Depois desta conversa isto já fez todo o sentido:


A juventude só sabe reagir à adversidade invocando o demónio

- Por favooooor, diga-me que tem o livro do Angélico! Por favor!
- Desculpe, mas já não temos há algum tempo...
- Oh satanás! 
- ...

21 de fevereiro de 2013

Hoje fizemos as pazes

Foi no Piper's, com quase oito anos, que vi o Benfica perder a final da liga dos campeões, taça dos campeões europeus na altura, e esse momento viveu em mim durante muito tempo. O bar era local de eleição do meu pai, amigo dos donos há muitos anos, e fui lá toda a minha vida. Durante alguns anos poucas vezes lá fui. E, acima de tudo, nem pensar ver lá o meu glorioso SLB para as competições europeias. Lembro-me claramente de não querer ir com o meu pai ver a final contra o Milão, em noventa, porque ainda estava marcado da última. Vi em casa sozinho. Também não ganhámos. Hoje voltámos a ver lá o jogo, passaram-se quase vinte e cinco anos, não jantava com o meu pai desde o natal. E muito mais que isso, hoje fui eu que apanhei o meu pai no trabalho, fui eu que falei mais de reuniões e budgets e forecasts e coisas assim, a brincar aos adultos, quando, no fundo, eu era o miúdo de oito anos outra vez porque ia ver o jogo com o meu pai, naquele sítio especial. E fomos, e ganhámos. Hoje fiz as pazes com o piper's, penso que fiz as pazes com uma parte de mim.

20 de fevereiro de 2013

Encontramo-nos de novo. No inferno.


Nada melhor do que mais um McCarthy para contrabalançar a leitura anterior.

"Talvez esta seja uma história de monstros"



"Talvez seja possível amar uma mulher por causa de um livro, de um poema sublinhado, de um filme a preto e branco", durante a leitura deste livro senti-me sempre assaltado por uma sensação difícil de explicar: há uma sensibilidade na escrita dela que eu tenho dificuldade em compreender, por ser algo tão feminino, mas é algo que me fascina, e a morte, a morte é mais bela na mão de uma mulher, mais digna, até, tal como todas as traições que passam quase despercebidas nesta Londres a cair pelo outono dentro, "if we do meet again, we'll smile indeed", se nos encontrarmos de novo, parece que vai ter que ser.

19 de fevereiro de 2013

Rapidamente, com urgência, já passou demasiado tempo desde a última vez, eu não quero saber que estejam a escrever ou gravar o disco novo, eu, vocês, o Ritz, novamente, com urgência, rápido.


Era mesmo isto

Chego a casa, e, ao abrir a porta, tenho um cão louco a tentar sair ao mesmo tempo que estou a entrar. Passam-se um ou dois segundos em que fico estupefacto, de chave na mão, a olhar para a cancela caída no chão, basicamente em negação com o que estava a ver enquanto o cão corria contra as minhas permas a tentar sair. Quando fechei a porta encontrei o caos: pá e vassoura em cima do sofá (lá estão as "indirectas" do cão), boxers pela sala, lençóis do quarto revirados, meias no corredor, um resto de Milka Oreo comido, cortina da sala toda levantada, e, o momento mais bizarro, o Link levou apenas um sapato de cada par, cinco sapatos no total, espalhados pela sala, corredor e em cima da minha cama. Aguardo ansiosamente pelo dia em que chego a casa e o cão está com uma garrafa de whisky ao lado, inconsciente no sofá, com a televisão na Benficatv.

18 de fevereiro de 2013

Astro zombies

A minha irmã diz que eu tenho que apresentar a namorada à família, a outra irmã diz que devia ser uma coisa formal, a primeira irmã sugere que vamos a um club de strip que ela sempre quis ir (??), a Catarina diz que já a viu muitas vezes e a minha mãe ficou num silêncio aterrador, eu acho que ela anda há algum tempo em negação, ainda não percebi se pensa que eu tenho uma namorada imaginária ou se tem algum receio que eu não percebo.

17 de fevereiro de 2013

“It is tragic and sad and chaotic and lovely"


Terminado. Falar desta experiência de leitura é muito complicado, há momentos de puro génio, há passagens em que a leitura é quase dolorosa, há períodos em que não percebemos bem o que se está a passar. Nem nunca iremos perceber. Centenas de personagens, de vidas, múltiplos enredos que eventualmente (ou não) se tocam em algum ponto, e, no entanto, fecho o livro pela última vez com a desoladora sensação de que ficou tudo por dizer. Isto deriva da nossa obsessão pelo fim das coisas. Foster Wallace abre uma janela para um mundo, fascinante, complexo, aterrador, violento, e depois fecha-a na nossa cara e manda-nos à nossa vida. E nós, ainda assim, agradecemos. 

Oportunidade perdida

Devia ter emigrado para a Rússia e me tornado vidraceiro por estes dias.

Eu não consegui derivado a motivos

Ela consegue abrir a bracelete do relógio novo e diz "sou tão engenheira". É para isto que servem cinco anos do Técnico.

Kinda I want to

Até que ponto devemos separar o homem do cargo que exerce? Ou até que ponto nós passamos a ser aquilo que fazemos? E deveria haver uma só medida ou deveria ser algo visto caso a caso? Por exemplo: o FJV disse aquilo e ficou tudo muito chocado porque ele foi secretário de estado (e, no campo profissional, porque é editor da Quetzal). A questão é que ele não disse aquilo nem como uma coisa nem como outra. Escreveu no seu blog. Pessoal. Acredito que nas nove ou dez horas que estou na livraria sou Ricardo, o gerente, e tudo o que faço poderá ser usado contra mim em termos profissionais. Fora disso? É da minha conta. Apenas e só. Quando falo aqui, falo como Ricardo. O gerente de uma livraria não pode dizer certas merdas. Eu posso. O mesmo se aplica a outras pessoas e profissões. Mas e em cargos políticos relevantes? Aplica-se a mesma coisa? Seja como for, deixem o Viegas em paz, leave Britney alone, e amem-se uns aos outros, ah, e tomem no cu, se isso for o que mais vos aprouver. 

As pessoas um dia vão perceber

Estão a ver aqueles papelinhos que saem dos POS dos estabelecimentos comerciais, daquelas máquinas novas e bonitas certificadas pelo pai, filho e espírito santo das finanças?, pronto, esses papelinhos são, quer queiram ou não, facturas, e podem ou não, conforme assim o desejem, ter os vossos dados, por isso é que sim, eu quero factura, e não, não vou dar o meu nome nem contribuinte, e sim, eu dou sempre aos meus clientes uma factura, nunca pergunto se querem uma, levam e mais nada, apenas pergunto se querem lá colocar os dados deles.

A parte da "livraria" no nome é só para enganar

- Tem cartas e cadernos para a canasta?


16 de fevereiro de 2013

Medo

- Esta boneca sou eu.
- Ah...
- E tem um namorado.
- Hm...
- Chama-se Gonçalo. (nome do rapaz por quem ela tinha uma paixoneta o ano passado, filho da catequista dela, o tal que tocava guitarra e bebia coca-cola...)
- Hm...
- E tem abdominais!
- ...

15 de fevereiro de 2013

Pedido maravilha do dia dos namorados

"Tem o segundo e o terceiro volume das Cinquenta Sombras de Grey? A minha mulher teve dois dias sem me falar agarrada ao livro. Assim são mais quatro!"

Patrocinado por FJV


É tipo raio na basílica mas em versão financeira

Andava a gozar com as finanças, hoje fui alvo de uma inspecção das finanças, comprovando que, lá está, Deus e o Vítor Gaspar não dormem.

13 de fevereiro de 2013

Posso adicionar ao meu CV "inspector das finanças?"

Pimba.
Já me estou a ver a denunciar comerciantes por não me passarem fatura e a denunciar consumidores que não me pedirem fatura, podem começar doravante a tratar-me por shôr inspector, obrigado.

12 de fevereiro de 2013

Já tinha saudades

De ficar fechado sem chaves fora de casa quando vou passear o Link, desta vez foi sem o telemóvel pessoal, apenas com o do trabalho, e com a chave do carro, a minha primeira ideia, e concordam comigo que será a mais normal, foi levar o carro para a entrada das garagens, subir para o tejadilho e entrar pela janela aberta da cozinha, a parte do tejadilho foi fácil, a grade da janela, é uma janela que vai do tecto ao chão, com uma grade verde, é que não parecia muito sólida, portanto não me pareceu que fosse boa ideia apoiar todo o meu peso na grade, então o que é que eu fiz?, tentei, mas devagarinho, não resultou, desci airosamente, que é como quem diz ficando todo molhado porque o carro estava molhado da chuva que caía, e tive de engolir o orgulho e ligar à minha mãe para ligar à Catarina para pedir à Catarina que pedisse à mãe as chaves suplentes que ainda tinha para eu ir lá buscá-las, realmente já tinha saudades de ficar trancado na rua, já me aconteceu diversas vezes, sempre com items diferentes: uma vez fiquei sem chaves do carro e telemóveis, apenas eu e o cão, consegui que a Catarina entrasse pela janela da sala, da outra vez tinha apenas as chaves do carro, tinha deixado a janela do quarto só com os estores para baixo, também foi relativamente fácil, para a próxima vou tentar ficar fechado fora de casa sem chaves, telemóveis, vendado, com um fósforo e uma lata de laca para o cabelo, para tornar as coisas mais difíceis. 

The one ring

Depois de ter feito a milésima piada sobre Mordor / Senhor dos Anéis:
- Pai, podias por essas piadas no teu blog, tem muito mais piada do que as coisas de seca que tu lá pões.
- É? E se eu pusesse esta conversa? 
- Ainda assim tinha mais piada do que o resto.
- ...

11 de fevereiro de 2013

Tatooine


Acho piada ao facto de ela fazer-nos ficar como Leia e Darth Vader, pai e filha, para dar um toque de realismo à coisa, o raio da miúda é esperta a jogar isto, e não vai cá em subornos do tipo "Mos Eisley por um gelado", não que eu tenha tentado, é uma coisa que eu sei por ser pai dela.

É tipo Nenuco mas em grande e peludo e de quatro patas


10 de fevereiro de 2013

Sabem que sou mais benfiquista do que o próximo...


Mas isto é assustador. "Vem dormir no ninho da Águia, enquanto dormes o Jorge Jesus vai olhar para ti assim meio às escondidas, qual pervertido, e sabe-se lá o que ele terá vestido ali por trás."

Rocket man

"Sir Elton John To Guest On New Queens Of The Stone Age Album."
Linda Martini, o José Cid está à vossa espera.

É assim que me entregam a mercadoria


8 de fevereiro de 2013

Prémio Bruno Alves

(uma cliente pede-me para procurar um livro e vem atrás de mim enquanto me dirijo para a secção)
- por sua causa, anda tão depressa por aqui, fui abalroando toda a gente com quem me cruzei!

Prémio Ui isso é muita longe, segue, segue, segue

(ao telefone)
- É que eu moro em Cascais que, como sabe, fica a quarenta e cinco quilómetros de Lisboa.
- ... (deve ser Cascais do Ribatejo)
- Tem algum catálogo em papel com todos os livros que vendem? (tipo páginas amarelas mas em infinito)
- Infelizmente não, repare, saem dezenas e dezenas de livros semanalmente e...
- Ah, pois, pois, então e se imprimirem umas das vossas listas informáticas digitais?
- ...

Prémio Acordei do coma e não sei onde estou

(puxam-me o braço)
- trabalha aqui?
- ... Sim (o colete LARANJA FLUORESCENTE deve ser um acessório da moda, por estes dias, facilmente visto pelos mais variados recantos desta Paris portuguesa que é a baixa lisboeta)
- vende mochilas?
- ... não.
- mas isto não é uma papelaria?
_ ...

Imagem perfeita

Ao passar junto ao segundo descarrilamento tive pena de não ter conseguido tirar uma foto, é que no segundo descarrilamento os mirones dos condutores já não desaceleravam, é que até ao primeiro foram quarenta minutos, quarenta minutos para fazer uns cinco quilómetros, curioso como mal passo o primeiro descarrilamento o trânsito flui harmoniosamente, estavam à espera de ver sangue e mutilações não é, cabrõezinhos?, uma pessoa a querer ir trabalhar e a ter de ficar ali, na Marginal, ao sol, a ver o rio e a ler, realmente isto não é vida para ninguém, adiante, a imagem que vi junto ao segundo descarrilamento, em Algés, era representativa de tanta coisa neste país, a metáfora perfeita: três homens, barrigudos, de coletes amarelos ou laranjas, de capacete branco na mão, a coçarem a cabeça, enquanto olhavam, circunspectos para o carril poucos metros à frente do comboio descarrilado.

Assim se vê o quanto gostam de ti

Há notícia de dois descarrilamentos, no sentido e à hora a que costumo andar na linha de Cascais, por acaso perdi um dels por um minuto ou dois, e só a minha mãe ligou a perguntar se estava bem, claro que eu respondi a gritar aaah, o meu braço!, fratura exposta!, ela não ligou nenhuma, ainda me chamou parvo, enfim, ok, tudo bem que não houve feridos, mas eu sou um gajo sensível a estas coisas, é uma maçada chegar atrasado, eu já estava enconstadinho a ler o meu livro, e é sempre bonito aquele momento em que tu percebes que alguém está a falar no sistema de som da estação e vês toda a gente a olhar para os lados, para os relógios, a olharem umas para as outras, mas com a música alta não consegues ouvir, então assim que tiras os fones já  a pessoa se calou, e ficas ali, sem perceber o que passa, tentando agora ouvir a conversa entre os vários passageiros que, e ninguém me tira isto da ideia, viajam todos os dias com a vã esperança de, fruto de um acontecimento qualquer, quanto mais paranormal melhor, poder travar conversa com o passageiro do lado, hoje era vê-los em mini assembleias a queixarem-se da situação, realmente, já nao bastava as greves, até os comboios não colaboram com as pessoas que querem ir fazer as suas vidas para outros lados.

7 de fevereiro de 2013

Temos um novo artista de rua

Um velhote com um turbante e um único prato de bateria, com um cão enrolado numa manta sentado num cesto de uma velha bicicleta, a cantar algo certamente religioso através de um megafone azul, batendo no prato quando termina uma frase, uma ou duas vezes, mal se percebe o que ele diz, eu queixo-me dos meus vizinhos de rua mas as meninas da Benetton devem sofrer mais.

Depois de meses a receber missivas

... A propagar a palavra de Jesus, os gajos de uma igreja dos Estados Unidos mandaram-me isto:


Se o negócio dos livros correr mal encontrar-me-ão na baixa a espalhar a palavra do nosso senhor Jesus o Cristo.

É tão mau que chega a ser bom, mas depois uma pessoa em lendo torna-se mau outra vez porque é, na realidade, mesmo mau, e é isto que temos por cá, obrigado e voltem sempre

F. C. Porto não pode ser eliminado porque "71 horas e 45 minutos são 72 horas". Daqui.

You fail me

Hoje entrou uma livreira pelo meu escritório dentro a dizer que estavam lá fora uns senhores que pediam encarecidamente que fosse lá porque queriam muito sensibilizar-me, medo.

6 de fevereiro de 2013

A Catarina

Teve satisfaz bem às três disciplinas principais e excelente a expressão plástica, parece que está a recuperar o juízo.

Nunca me canso

Dos autores que vão anonimamente à procura dos seus livros, há os que o fazem por curiosidade, outros por vaidade, outros para tentar perceber porque os livros não vendem, mas os mais curiosos são os que até são relativamente conhecidos (jornalistas, por exemplo) que o fazem anonimamente, esta gente nunca ouviu falar do google, estão eles a perguntar-me pelo livro já estou eu a ver a cara deles no ecrã.

Eat your heart out


5 de fevereiro de 2013

Os meus livreiros têm demasiado tempo e imaginação



Presencialmente ainda foi pior

Eu sei que as pessoas têm dias maus, acontece com todos, afinal de contas, eu próprio, na avaliação do cliente mistério, fui considerado demasiado fechado, mas o atendimento na loja dos discos ainda consegue ser pior do que por mail, acho piada as pessoas queixarem-se de que o negócio vai mal e depois deixam os clientes com pouca ou nenhuma vontade de lá voltar, ainda por cima com clientes que querem lá deixar dinheiro.

É assim que se lida com clientes




3 de fevereiro de 2013

O Link

Anda obcecado em pegar na pá e na vassoura e vir deixá-las aos meus pés, é claramente uma mensagem pouco subliminar.

I'm so intelectual

Segundo o goodreads estou a ler as duas versões do Piada Infinita, a inglesa vai a ganhar, pelos vistos.

Exacto

Catarina

Parece-me que já teve a sua fase pirosa entre os seis e os sete, hoje a vestir-se apenas queria saber das túnicas novas que a mãe comprou e se as "jeggings" (?) ficavam bem com os all-star. 

1 de fevereiro de 2013

Qual papel?

Já sabem que adoro a CP e as suas intermináveis greves e os seus exageradamente caros passes, agora fiquei a adorá-los ainda mais: o meu passe, fruto da sua boa qualidade de fabrico, estava meio partido, que é como quem diz com o chip praticamente a saltar (Pipoca, estou contigo) e eu, fruto disso, era aquele gajo que faz sempre com que as filas para passar nas cancelas se prolonguem até ao fim da paciência das pessoas, provocando ataques de tosse e crises de pigarreação pontuadas por bufos ocasionais, eu era esse gajo por estes dias, até que me fartei e comecei a deixar toda a gente passar, fingindo-me distraído, lendo até ao fim do capítulo ou trocando a playlist no ipod, estive até para criar uma playlist chamada "enquanto esperas que as cancelas fiquem vazias", podia ter o Please Please Please dos Smiths, banda sonora mais que apropriada para a situação, a situação tornou-se de tal forma insustentável, aquilo já nem com um jeitinho lá ia, que me vi obrigado a pedir uma segunda via do passe, ora, tendo eu pago o mesmo até dia seis de fevereiro, tinha direito a que me dessem um título de transporte para esse período, e aqui começa algo que seria, num cenário ideal, ou num país normal vá, um pedido de resolução fácil e rápida, mas é, na realidade, uma proto-aventura da vida moderna: na primeira estação a que me dirijo, dizem-me que no Cais-do-Sodré fazem isso, no Cais-do-Sodre dizem que sim, mas só com o talão de pedido da segunda via, eu peço na minha estação de origem o papel, e, chegado ao Cais-do-Sodré vou lá com o papel para mostrar que ok, tudo bem, vou prencher os papéis e pedir a segunda via mas a senhora é irredutível: tenho que pagar primeiro a emissão da segunda via, e as minhas promessas de que iria entregar a mesma no dia seguinte, visto não poder perder mais tempo nesse dia e da merda do passe não funcionar e eu ter que ir para casa e ir trabalhar, não serviram de nada, então, passando por acaso em Belém, e vendo que o senhor da bilheteira estava lá abandonado e a precisar de companhia, decidi entregar logo ali o papel, quão enganado estava eu, que terna ingenuidade, "ah, não, isso é melhor ser no Cais-do-Sodré, isto aqui demora muito tempo, são dez dias, no mínimo, vá por mim, Cais-do-Sodré", sem comentários, segui o seu conselho e fui entregar no Cais-do-Sodré, mas claro que não posso entregar o papel e receber o bilhete temporário no mesmo sítio, que imaginação fértil que eu tenho para pensar que podia fazer tudo no mesmo sítio, não, claro que não, tenho de ir a um sítio entregar o papel e voltar à senhora mal encarada para pedir o tal bilhete, senhora essa que se gabava do filho ser excepcionalmente educado: não pedia um copo de água num café sem dizer por favor e obrigado, ena pá, pensei eu, esse miúdo é extraordinário, que educação, por favor alguém o torne um diplomata porque, com tamanha cordialidade, consigará certamente terminar com o conflito israelo-palestino, enfim, o importante agora é que já tenho o bilhete que me permitirá ser mais um a fazer com que a vida dos utentes flua, que é para isso que a gente cá anda.

O trabalho que de trabalho tem, às vezes, muito pouco

Disseram que havia uma pessoa para falar comigo, lá fui até à entrada, eu até tenho medo quando me chamam à sala um, desta vez não era nada dramático: uma senhora em quem eu já tinha reparado, o cabelo roxo e preto a combinar com as roupas e os piercings facilmente a distinguiam dos restantes clientes, dirigiu-se a mim num inglês com um indisfarçável sotaque nórdico: era autora de um livro, bastante premiado por sinal, e estava muito feliz de o ver na livraria, pediu-me então que a deixasse autografrar o livro para  que o cliente que o comprasse tivesse uma surpresa, "greetings and love, Lisbon 2013" escreveu ela, toda sorrisos, e fiquei a pensar que são momentos como este que dão sentido a certos dias, já ao sair, novamente em inglês, um colega a indicar que eu seria a pessoa ideal a quem dirigir tão amarga queixa, um russo, com ar endinheirado, de guia russo de viagens na mão, a dizer-me que estava lá escrito que nós éramos efectivamente aquilo que somos e nos distingue dos demais mas que, para seu espanto, não tínhamos um postal, uma brochura, um livro ou seja o que for que mencione esse facto, não temos nada que conte a nossa história, eu apenas pude concordar, explicar-lhe que é uma batalha há muito travada, sem qualquer sucesso, "you break my heart", disse ele, assim mesmo "you break my heart", isto dos livros é uma doença do coração.

Obviamente que não o cumprimentei

O Poeta-pintor entra pela livraria dentro, estica a mão para me cumprimentar e exclama, para espanto de todos, "está um briol do caraças, tenho os mamilos todos doridos!", enquanto recua a mão com que me ia cumprimentar e mete a mão dentro da camisa, tocando no peito.

29 de janeiro de 2013

Don't sit down 'cause I've moved your chair

Pois. Agora vão chorar para o facebook, entre dois filmes vistos no wareztuga, a queixarem-se de que estão a enterrar a cultura ou que esta está a desabar.

Porque é que anda tudo a pôr links para textos do Peixoto hoje no FB?

Parece que o homem morreu ou qualquer coisa, parece que descobriram o fogo.

28 de janeiro de 2013

Não sei se isto é ou não preocupante


Medo.

Vou ser um sogro bonito

- Pai, há um rapaz que gosta de mim..
(tentando controlar o carro para não ter um acidente, tentando falar numa voz calma) - Ai sim?
- Sim...
- Então e... Quem é este... "rapaz"?
- É o João.
- Muito vago. João quê? Ele tem facebook?
- Facebook? Não, acho eu, porquê?
- Por nada, por nada...
- Ele é do outro quarto ano.
- Hm... E tu gostas dele?
- Não sei... Sim, acho eu.
- Não sei se podes gostar dele.
- Porquê pai?! A **** também gosta de ti! 
- E só Deus sabe as chatices que lhe dou.

Não deve ter sido bem isso que ele disse

- Catarina, eu já não te pedi mil vezes para avisares quando chegares ao Porto, ou chegares do Porto?
- Sim...
- Então? Eu pedi a ti e à tua mãe...
- A mãe teve um acidente.
- Acidente?! De carro?
- Não.
- Então?!
- O namorado da mãe pegou-a ao colo e deixou a cair e ela foi para o hospital.
- !! Então e ela está bem?!
- Sim, está óptima, o médico diz que ela está bem mas se tiver uns sintomas morre.
- ...

Gente de Cascais, meus conterrâneos...


Ouça, c'órror!

Howlin' for you

Se há coisa assustadora no meu cão são os uivos dele. Até hoje ele tinha uivado, que eu tivesse ouvido, três vezes: sempre a meio da noite, do meio do nada, é um som em crescendo, assustador, lembro-me da primeira vez que o ouvi de ter ficado deitado a pensar se isto não era algum sinal de alguma coisa, há sempre aquelas teorias de que os cães pressentem acontecimentos negativos. Aparentemente não era nada. Por outro lado o Benfica não tem sido campeão portanto, fiquei na dúvida. Ontem à noite o menino lembrou-se de uivar três vezes. Até ela, que estava ao telefone comigo, ficou assustada. Ele tem aquele ar de peluche e depois quando abre a boca ou solta uns sons que nem um urso ou então uiva desesperadamente. E depois, quando acordo de manhã, tenho o animal assim:


Por outro lado é engraçado, porque ela está a ensinar-lhe a acender e apagar a luz. 

27 de janeiro de 2013

Aimless arrow

Depois de ter ido passear o cão às oito da manhã voltei para a cama onde ela tinha ficado a dormir, acordei-a e acho que lemos um bocadinho, sim, foi isso, e depois voltámos a dormir e comecei a sonhar, sonhei que tinha uma janela no quarto, ao lado da janela actual, que tinha uns estores que abriam ao contrário, de cima para baixo, os estores estavam a meia altura e aparece uma testa e uns olhos de uma criança, alguém estaria a levantá-la para espreitar para dentro do meu quarto, primeiro pensei que fosse a Catarina com uma das tias, mas, assim que começou a aparecer o nariz eu percebi que não era a Catarina mas sim uma miúda horrenda e que eu nunca tinha visto na minha vida, então tentei gritar no sonho mas não consegui, o resultado foi eu acordar, e acordá-la, pobre alma, a tentar gritar mas apenas conseguindo soltar uns gritos abafados e meio abichanados, ela ficou toda preocupada e eu fiquei cerca de meia hora a rir, até ficar cheio de dores de garganta e quase sem conseguir respirar de tanto rir, ela ia variando entre os risos e a preocupação por eu não conseguir parar, até o Link já ladrava, eu devo realmente ser muito boa pessoa para ela aturar estas coisas.

26 de janeiro de 2013

Como irritá-la pela manhã

Sair atrasado para o trabalho, estacionar à porta dela sem dizer nada, passando mesmo à frente da janela onde pode ser (e, como tem muita sorte, efectivamente é) visto.

Conclusão

Algures pelos vinte e sete anos deixei de me reconhecer naquilo que escrevo, pensei que poderia ter passado: estava enganado.

Se nos encontrarmos de novo

Já tenho o livro em cima da secretária para ler a seguir, só faltam duzentas e poucas páginas do Foster Wallace.

Nota mental

Sábado não é um dia útil, convém dizer isso ao telemóvel que tem o despertador marcado para as 7:00 dos dias úteis.

Livreiros, aquela cena

Se recebem um cheque livro um dia depois da validade não hesitam em ligar-te às dez da manhã de domingo para saber se podem aceitá-lo, mas se não apareces duas horas e meia depois da hora em que costumas chegar ninguém te liga.

25 de janeiro de 2013

A Catarina

Já esteve a reagir melhor ao facto de ter namorada, vamos acreditar que é tudo saudades do pai.

23 de janeiro de 2013

Síndrome

É bom ter pessoas que nos conhecem pessoal e profisionalmente a ler-nos, é mau ter pessoas que nos conhecem pessoal e profissionalmente a ler-nos, isto não é uma dúvida, é uma constatação de um facto, é assim que as coisas são, sem ses nem mas, sem pontos a favor ou contra, é isto, é bom e é mau, hoje é um dia mau, eu que tinha tanto para falar, provavelmente falaria muito mas diria pouco, ainda assim apetecia-me falar, apetecia-me muito escrever, não vou poder fazer ambas por agora e sei que quando o puder fazer a necessidade de deitar tudo cá para fora já terá passado, a resignação é uma coisa fodida e que, aparentemente, se pega, portanto resignar-me-ei ao destino que nos preparam, contudo acredito que tudo terminará bem, e, digo isto da maneira mais honesta, prefiro mil vezes os constragimentos de saber que certas pessoas me lêem do que gritar improprérios de forma incógnita pela internet fora, aparentando ser ainda mais lunático do que na realidade gosto de pensar que sou.

22 de janeiro de 2013

Gente dada aos sentidos

Gosto muito de atender tias do Chiado, eram boas para a prevenção rodoviária: é "oooooooooooooooouça" e "oooooooooooolhe" para todo o lado.

Lição

O pequenino mundo editorial português não cessa de me surpreender.
Pequenino de maneira depreciativa, entenda-se.

Ironia

Sabes que a livraria cheira a diluente quando até o indiano colombiano dos cães da Garrett, ele próprio de odor característico, te vem dizer que a loja está com um cheiro tóxico.

Só para avisar

Estive novamente de volta do diluente vintage, a esfregar a fachada aqui do sítio, alguma criatura de nome Sofia Pinto decidiu pintar montras e fachada, very artistical, very tipical, portanto, dado à exposição prolongada ao diluente aproveito para avisar de que não me responsabilizo totalmente pelos textos que aqui surgirem hoje.

21 de janeiro de 2013

Desafio dos últimos tempos

Conseguir explicar a uma pessoa sobre o que é o Piada Infinita.

It's so easy

Eu ia dizer que os cães saem aos donos, mas isto vindo de quem tem um animal gigante que tenta montar tudo o que aparece lá por casa (mulheres, homens, vegetais e a ocasional embalagem de cartão) não fica bem.

Talvez não devesse voltar a dormir depois de deixar a Catarina na escola

Sonhei que estava numa espécie de restaurante / museu chinês e que a cave do mesmo dava para uma espécie de mundo perdido, com uma tribo da pré-história, e eu estava maravilhado a ir buscar gente que eu conheço para os arrastar através dos corredores manhosos do restaurante chinês cheio de aquários com espécies estranhas, descer através do alçapão e mostrar a tribo perdida, vezes e vezes sem conta, acho que até os membros da tribo já me conheciam, isto de sonhar numa espécie de loop é deveras estranho.

We don't need no water

Incêndio em Lisboa junto à residência oficial de Passos Coelho. É ver os bombeiros a assobiar para o lado.

The force is strong with this one


Enquanto não tiver uma iluminação divina ao nível da bricolage, e no sentido de não partir mais candeeiros da mesa de cabeceira, o menino fica em cima da lareira, e posteriormente será colocado, segundo vontade unânime das senhoras que usualmente usufruem do espaço, por cima do sofá da sala, obrigado!

20 de janeiro de 2013

Deus nos ajude a todos

- Pai, sabes qual é o meu episódio preferido da Jessie? 
- Qual?
- É aquele em que ela vai a uma audição com a amiga e depois diz que gostava de ver o Johnny Depp, e a outra diz para ir a casa dela na páscoa porque ele é padrinho dela... E depois a Jessie diz: "aí está um pirata que não me importava de apanhar!"
- ...
- E eu também não!
- ...

17 de janeiro de 2013

Get your gun

Abri o bloco de notas para escrever sobre a questão das armas nos Estados Unidos, mas não consigo, leio meia dúzia de notícias pejadas de afirmações abjectas, apelos à união e resistência dos membros das associações de armas, pessoas que usam a retrógada constituição do país como arma (não foi de propósito, juro) contra os defensores da proibição da posse de armas, e fico sem capacidade de articular argumentos ponderados, convincentes, e, acima de tudo, claro, acertadíssimos, é que está tudo louco, é nos piores exemplos que vemos que a humanidade é toda assim, a diferença entre estes retardados e a  maior parte das discussões da blogoesfera é que estes têm semi-automáticas nas mãos e escrevem ligeiramente (ligeiramente, atenção) pior, estes fanáticos até querem deportar o Piers Morgan porque insultou um representante de uma dessas associações, se ainda fosse por o gajo não ter piada por aí além, então e a constituição e a liberdade de expressão nesses casos, ah, esqueci-me, erro crasso, estas merdas só funcionam quando é a nosso favor, não devia ser permitido a pessoas desequilibradas destas falarem em frente a um microfone, quanto mais terem armas, não admira que os americanos andem obcecados com a procura de vida inteligente pelo universo fora, há pouca lá na terra deles, no wal-mart não se podem comprar álbums do Manson mas podem comprar-se armas iguais às do último massacre na escola, talvez seja por isto que não procurem por hipocrisia no espaço.

16 de janeiro de 2013

You fail me

Isto da Pêpa e dos cães só vem reforçar a ideia de que está tudo basicamente pronto para se matarem uns ao outros, tudo serve de desculpa para as coisas tomarem logo proporções injustificadas, os argumentos saem sem qualquer tipo de ponderação ou respeito, gosto particularmente daqueles que tecem considerações sobre a orientação sexual ou profissão da progenitora apenas porque se defende ou não a morte um cão, mas, lá está, se não fosse assim não estaríamos a falar da blogoesfera portuguesa e não estaríamos aqui, e se não concordam é porque abafam palhinhas e vossa mãe é uma sopeira.

13 de janeiro de 2013

Book rat


As coisas que se encontram a organizar o disco: ali vemos uma criatura com um tremendo amor por livros. Para terem noção do tamanho do animal, aquela armadilha é ligeiramente maior que um A4. Vai ser livreiro numa livraria centenária, diziam eles, vai ser divertido, diziam eles. Até o gajo das obras pegava naquilo à distância.

Rock in aldeia

Isto de se viver numa pequena aldeia disfarçada de subúrbio da cidade tem destas coisas, ao fim-de-semana temos eventos diversos na sociedade recreativa que, para minha felicidade, se encontra a quarenta metros da minha casa, o que faz com que eu, quando vou passear o Link antes de ir dormir, tenha que aturar coisas como:


Ele próprio parece confuso, não se percebe bem se é um concerto se é uma sessão de tortura.

A Catarina

Está a arrumar o quarto e a ouvir Black Keys, estou muito orgulhoso, mas por ela estar a arrumar o quarto, claro, não pela música, por mim até podia estar a ouvir Índia Malhoa que eu ficava feliz na mesma, tal era o meu desespero para que ela arrumasse o quarto, não percebo como é que um ser humano consegue, em dois dias, desarrumar o quarto da maneira que ela o faz, isto deve ser um dom qualquer que eu não consigo ainda compreender.

12 de janeiro de 2013

Your powers are weak, old man

A  preocupação da Catarina ao ver o Darth Vader pela primeira vez no episódio V foi perguntar, preocupada, onde é que ele vivia agora, já que tinham destruído a Estrela da Morte.

Maravilhoso

Nem de propósito: os americanos fizeram uma petição para construir uma death star verdeira, ah, americanos, e o governo americano respondeu, na melhor resposta a uma petição de todos os tempos, só nesse país é que numa resposta oficial da administração se pode ler "The Administration does not support blowing up planets" e "Remember, the Death Star's power to destroy a planet, or even a whole star system, is insignificant next to the power of the Force", e nós aqui a elegermos "entroikados" como palavra do ano e preocupados com o que o Cavaco mandou para o TC.

Fim-de-semana = Maratona de Star Wars

Depois da criatura me ter obrigado a ver duas vezes a trilogia do Senhor dos Anéis no espaço de um mês, este fim-de-semana é a vez de Star Wars, o que não é de espantar, tendo em conta que ela via os filmes aos quatro anos várias vezes por ano e cresceu no meio disto:




Um verdadeiro chick magnet, eu sei, já estou habituado a piadas sobre "miúdas" e o meu "lightsaber". 

11 de janeiro de 2013

Descubram o erro


Já ontem recebi isto no mail:


Que sejam coincidências, não premonições.

Sabes que o mundo é pequeno quando...

... estiveste ontem num evento a falar com um ex-secretário de estado e este vira-se para falar com um escritor / cronista, cronista este que comenta mais tarde o post de uma blogger, blogger essa que hoje de manhã toma o pequeno-almoço no mesmo sítio que tu.

Mentaliza-te Ricardo

Em nome da ordem natural das coisas, o teu lado, no carro, na cama e no campo de futebol, é o esquerdo.

10 de janeiro de 2013

Parece photoshop mas não é, não é


E a imagem, que bem escolhida que está, que momento bonito.

Clássico

"Todas as Pepas felizes se parecem umas com as outras, cada Pepa infeliz é infeliz à sua maneira." Tolstoi

9 de janeiro de 2013

Sempiternal

Primeiro eram apenas estranhos, agora tenho conhecidos a ligar-me à procura de emprego, sim, claro que me lembro de ti, eras chata como o caraças, sempre a dar graxa ao gerente, numa vã tentativa de alcançar a cadeira do poder, como me podia esquecer?, e, não, por ser gerente agora, sendo que o agora são quatro anos, obrigado, não quer dizer que tenha poderes mágicos de criar emprego,  infelizmente,  obviamente que me custa não ajudar, o melhor que tenho a dar por ora são conselhos, faço-o sem pudor, e isto a uma pessoa que ficou ofendida uma vez quando perguntei se ela queria umas roupas da Catarina para a filha dela que é um pouco mais pequena, enfim, boa sorte para ela, sinceramente, custa-me muito isto, custa-me um pouco dizer que não, nada feito, mas as coisas são o que são e é não desistir.

7 de janeiro de 2013

6 de janeiro de 2013

C'mon yellows

O Carlos Manuel gostou muito do jogo do MELGARREGO.

3 de janeiro de 2013

Carrega Jesus

O homem tem gaita no nome, mas não exageres.

A sério, a sério

Ela é namorada do gerente da livraria mais antiga do mundo mas compra os livros pela internet, imaginem os outros encantos que ela não tem para ele não pensar noutra coisa.

Hoje

Não esfreguei vidros com diluente com vinte anos mas andei num corredor com um bolor e humidade fofinhos, acho que já não vivo sem colocar os meus pulmões num risco de qualquer espécie. 

A sério

As vossas piadas sobre os novos estados do facebook são hilariantes.

2 de janeiro de 2013

Efeitos secundários

Gosto muito de ver pessoas sentadas no chão da livraria, a lerem, pilhas disformes de livros no chão, pouco importados com quem olha ou passa, crianças que  leem livros aos pais, gosto muito, deixa-me quentinho por dentro, agora gente sentada em cima dos livros?, pessoas sentadas de pernas cruzadas, ou de cotovelos nos joelhos, em cima da merda dos livros que estão na base de uma estante ou gôndola?, claro, porque toda a gente quer um livro onde a pita de óculos de massa e botas com tachas se sentou e esfregou a saia mal lavada e as meias de licra rotas, era passar-lhes diluente no couro cabeludo e depois raspá-los com o referido utensílio de seria killer, nota-se que isto é coisa que me causa alguma comichão?

Sim, era eu

De diluente industrial super potente a raspar uma montra com um utensílio saído de um filme de serial killers, um engraçadinho decidiu pintar com spray uma das montras, escreveu "VAL", ah, não percebo nada de arte, já de diluentes começo a perceber qualquer coisa, este, além de rápido, intoxicava tudo num raio de trinta metros.