"Sir Elton John To Guest On New Queens Of The Stone Age Album."
Linda Martini, o José Cid está à vossa espera.
10 de fevereiro de 2013
8 de fevereiro de 2013
Prémio Bruno Alves
(uma cliente pede-me para procurar um livro e vem atrás de mim enquanto me dirijo para a secção)
- por sua causa, anda tão depressa por aqui, fui abalroando toda a gente com quem me cruzei!
- por sua causa, anda tão depressa por aqui, fui abalroando toda a gente com quem me cruzei!
Prémio Ui isso é muita longe, segue, segue, segue
(ao telefone)
- É que eu moro em Cascais que, como sabe, fica a quarenta e cinco quilómetros de Lisboa.
- ... (deve ser Cascais do Ribatejo)
- Tem algum catálogo em papel com todos os livros que vendem? (tipo páginas amarelas mas em infinito)
- Infelizmente não, repare, saem dezenas e dezenas de livros semanalmente e...
- Ah, pois, pois, então e se imprimirem umas das vossas listas informáticas digitais?
- ...
- É que eu moro em Cascais que, como sabe, fica a quarenta e cinco quilómetros de Lisboa.
- ... (deve ser Cascais do Ribatejo)
- Tem algum catálogo em papel com todos os livros que vendem? (tipo páginas amarelas mas em infinito)
- Infelizmente não, repare, saem dezenas e dezenas de livros semanalmente e...
- Ah, pois, pois, então e se imprimirem umas das vossas listas informáticas digitais?
- ...
Prémio Acordei do coma e não sei onde estou
(puxam-me o braço)
- trabalha aqui?
- ... Sim (o colete LARANJA FLUORESCENTE deve ser um acessório da moda, por estes dias, facilmente visto pelos mais variados recantos desta Paris portuguesa que é a baixa lisboeta)
- vende mochilas?
- ... não.
- mas isto não é uma papelaria?
_ ...
- trabalha aqui?
- ... Sim (o colete LARANJA FLUORESCENTE deve ser um acessório da moda, por estes dias, facilmente visto pelos mais variados recantos desta Paris portuguesa que é a baixa lisboeta)
- vende mochilas?
- ... não.
- mas isto não é uma papelaria?
_ ...
Imagem perfeita
Ao passar junto ao segundo descarrilamento tive pena de não ter conseguido tirar uma foto, é que no segundo descarrilamento os mirones dos condutores já não desaceleravam, é que até ao primeiro foram quarenta minutos, quarenta minutos para fazer uns cinco quilómetros, curioso como mal passo o primeiro descarrilamento o trânsito flui harmoniosamente, estavam à espera de ver sangue e mutilações não é, cabrõezinhos?, uma pessoa a querer ir trabalhar e a ter de ficar ali, na Marginal, ao sol, a ver o rio e a ler, realmente isto não é vida para ninguém, adiante, a imagem que vi junto ao segundo descarrilamento, em Algés, era representativa de tanta coisa neste país, a metáfora perfeita: três homens, barrigudos, de coletes amarelos ou laranjas, de capacete branco na mão, a coçarem a cabeça, enquanto olhavam, circunspectos para o carril poucos metros à frente do comboio descarrilado.
Assim se vê o quanto gostam de ti
Há notícia de dois descarrilamentos, no sentido e à hora a que costumo andar na linha de Cascais, por acaso perdi um dels por um minuto ou dois, e só a minha mãe ligou a perguntar se estava bem, claro que eu respondi a gritar aaah, o meu braço!, fratura exposta!, ela não ligou nenhuma, ainda me chamou parvo, enfim, ok, tudo bem que não houve feridos, mas eu sou um gajo sensível a estas coisas, é uma maçada chegar atrasado, eu já estava enconstadinho a ler o meu livro, e é sempre bonito aquele momento em que tu percebes que alguém está a falar no sistema de som da estação e vês toda a gente a olhar para os lados, para os relógios, a olharem umas para as outras, mas com a música alta não consegues ouvir, então assim que tiras os fones já a pessoa se calou, e ficas ali, sem perceber o que passa, tentando agora ouvir a conversa entre os vários passageiros que, e ninguém me tira isto da ideia, viajam todos os dias com a vã esperança de, fruto de um acontecimento qualquer, quanto mais paranormal melhor, poder travar conversa com o passageiro do lado, hoje era vê-los em mini assembleias a queixarem-se da situação, realmente, já nao bastava as greves, até os comboios não colaboram com as pessoas que querem ir fazer as suas vidas para outros lados.
7 de fevereiro de 2013
Temos um novo artista de rua
Um velhote com um turbante e um único prato de bateria, com um cão enrolado numa manta sentado num cesto de uma velha bicicleta, a cantar algo certamente religioso através de um megafone azul, batendo no prato quando termina uma frase, uma ou duas vezes, mal se percebe o que ele diz, eu queixo-me dos meus vizinhos de rua mas as meninas da Benetton devem sofrer mais.
Depois de meses a receber missivas
... A propagar a palavra de Jesus, os gajos de uma igreja dos Estados Unidos mandaram-me isto:
Se o negócio dos livros correr mal encontrar-me-ão na baixa a espalhar a palavra do nosso senhor Jesus o Cristo.
É tão mau que chega a ser bom, mas depois uma pessoa em lendo torna-se mau outra vez porque é, na realidade, mesmo mau, e é isto que temos por cá, obrigado e voltem sempre
F. C. Porto não pode ser eliminado porque "71 horas e 45 minutos são 72 horas". Daqui.
You fail me
Hoje entrou uma livreira pelo meu escritório dentro a dizer que estavam lá fora uns senhores que pediam encarecidamente que fosse lá porque queriam muito sensibilizar-me, medo.
6 de fevereiro de 2013
A Catarina
Teve satisfaz bem às três disciplinas principais e excelente a expressão plástica, parece que está a recuperar o juízo.
Nunca me canso
Dos autores que vão anonimamente à procura dos seus livros, há os que o fazem por curiosidade, outros por vaidade, outros para tentar perceber porque os livros não vendem, mas os mais curiosos são os que até são relativamente conhecidos (jornalistas, por exemplo) que o fazem anonimamente, esta gente nunca ouviu falar do google, estão eles a perguntar-me pelo livro já estou eu a ver a cara deles no ecrã.
5 de fevereiro de 2013
Presencialmente ainda foi pior
Eu sei que as pessoas têm dias maus, acontece com todos, afinal de contas, eu próprio, na avaliação do cliente mistério, fui considerado demasiado fechado, mas o atendimento na loja dos discos ainda consegue ser pior do que por mail, acho piada as pessoas queixarem-se de que o negócio vai mal e depois deixam os clientes com pouca ou nenhuma vontade de lá voltar, ainda por cima com clientes que querem lá deixar dinheiro.
3 de fevereiro de 2013
O Link
Anda obcecado em pegar na pá e na vassoura e vir deixá-las aos meus pés, é claramente uma mensagem pouco subliminar.
I'm so intelectual
Segundo o goodreads estou a ler as duas versões do Piada Infinita, a inglesa vai a ganhar, pelos vistos.
Exacto
Vê-se logo que isto são frases do Jorge Jesus: "O mundo mudou no que à globalização do direito ao mercado de trabalho diz respeito."
Catarina
Parece-me que já teve a sua fase pirosa entre os seis e os sete, hoje a vestir-se apenas queria saber das túnicas novas que a mãe comprou e se as "jeggings" (?) ficavam bem com os all-star.
1 de fevereiro de 2013
Qual papel?
Já sabem que adoro a CP e as suas intermináveis greves e os seus exageradamente caros passes, agora fiquei a adorá-los ainda mais: o meu passe, fruto da sua boa qualidade de fabrico, estava meio partido, que é como quem diz com o chip praticamente a saltar (Pipoca, estou contigo) e eu, fruto disso, era aquele gajo que faz sempre com que as filas para passar nas cancelas se prolonguem até ao fim da paciência das pessoas, provocando ataques de tosse e crises de pigarreação pontuadas por bufos ocasionais, eu era esse gajo por estes dias, até que me fartei e comecei a deixar toda a gente passar, fingindo-me distraído, lendo até ao fim do capítulo ou trocando a playlist no ipod, estive até para criar uma playlist chamada "enquanto esperas que as cancelas fiquem vazias", podia ter o Please Please Please dos Smiths, banda sonora mais que apropriada para a situação, a situação tornou-se de tal forma insustentável, aquilo já nem com um jeitinho lá ia, que me vi obrigado a pedir uma segunda via do passe, ora, tendo eu pago o mesmo até dia seis de fevereiro, tinha direito a que me dessem um título de transporte para esse período, e aqui começa algo que seria, num cenário ideal, ou num país normal vá, um pedido de resolução fácil e rápida, mas é, na realidade, uma proto-aventura da vida moderna: na primeira estação a que me dirijo, dizem-me que no Cais-do-Sodré fazem isso, no Cais-do-Sodre dizem que sim, mas só com o talão de pedido da segunda via, eu peço na minha estação de origem o papel, e, chegado ao Cais-do-Sodré vou lá com o papel para mostrar que ok, tudo bem, vou prencher os papéis e pedir a segunda via mas a senhora é irredutível: tenho que pagar primeiro a emissão da segunda via, e as minhas promessas de que iria entregar a mesma no dia seguinte, visto não poder perder mais tempo nesse dia e da merda do passe não funcionar e eu ter que ir para casa e ir trabalhar, não serviram de nada, então, passando por acaso em Belém, e vendo que o senhor da bilheteira estava lá abandonado e a precisar de companhia, decidi entregar logo ali o papel, quão enganado estava eu, que terna ingenuidade, "ah, não, isso é melhor ser no Cais-do-Sodré, isto aqui demora muito tempo, são dez dias, no mínimo, vá por mim, Cais-do-Sodré", sem comentários, segui o seu conselho e fui entregar no Cais-do-Sodré, mas claro que não posso entregar o papel e receber o bilhete temporário no mesmo sítio, que imaginação fértil que eu tenho para pensar que podia fazer tudo no mesmo sítio, não, claro que não, tenho de ir a um sítio entregar o papel e voltar à senhora mal encarada para pedir o tal bilhete, senhora essa que se gabava do filho ser excepcionalmente educado: não pedia um copo de água num café sem dizer por favor e obrigado, ena pá, pensei eu, esse miúdo é extraordinário, que educação, por favor alguém o torne um diplomata porque, com tamanha cordialidade, consigará certamente terminar com o conflito israelo-palestino, enfim, o importante agora é que já tenho o bilhete que me permitirá ser mais um a fazer com que a vida dos utentes flua, que é para isso que a gente cá anda.
O trabalho que de trabalho tem, às vezes, muito pouco
Disseram que havia uma pessoa para falar comigo, lá fui até à entrada, eu até tenho medo quando me chamam à sala um, desta vez não era nada dramático: uma senhora em quem eu já tinha reparado, o cabelo roxo e preto a combinar com as roupas e os piercings facilmente a distinguiam dos restantes clientes, dirigiu-se a mim num inglês com um indisfarçável sotaque nórdico: era autora de um livro, bastante premiado por sinal, e estava muito feliz de o ver na livraria, pediu-me então que a deixasse autografrar o livro para que o cliente que o comprasse tivesse uma surpresa, "greetings and love, Lisbon 2013" escreveu ela, toda sorrisos, e fiquei a pensar que são momentos como este que dão sentido a certos dias, já ao sair, novamente em inglês, um colega a indicar que eu seria a pessoa ideal a quem dirigir tão amarga queixa, um russo, com ar endinheirado, de guia russo de viagens na mão, a dizer-me que estava lá escrito que nós éramos efectivamente aquilo que somos e nos distingue dos demais mas que, para seu espanto, não tínhamos um postal, uma brochura, um livro ou seja o que for que mencione esse facto, não temos nada que conte a nossa história, eu apenas pude concordar, explicar-lhe que é uma batalha há muito travada, sem qualquer sucesso, "you break my heart", disse ele, assim mesmo "you break my heart", isto dos livros é uma doença do coração.
Obviamente que não o cumprimentei
O Poeta-pintor entra pela livraria dentro, estica a mão para me cumprimentar e exclama, para espanto de todos, "está um briol do caraças, tenho os mamilos todos doridos!", enquanto recua a mão com que me ia cumprimentar e mete a mão dentro da camisa, tocando no peito.
29 de janeiro de 2013
Don't sit down 'cause I've moved your chair
Pois. Agora vão chorar para o facebook, entre dois filmes vistos no wareztuga, a queixarem-se de que estão a enterrar a cultura ou que esta está a desabar.
Porque é que anda tudo a pôr links para textos do Peixoto hoje no FB?
Parece que o homem morreu ou qualquer coisa, parece que descobriram o fogo.
28 de janeiro de 2013
Vou ser um sogro bonito
- Pai, há um rapaz que gosta de mim..
(tentando controlar o carro para não ter um acidente, tentando falar numa voz calma) - Ai sim?
- Sim...
- Então e... Quem é este... "rapaz"?
- É o João.
- Muito vago. João quê? Ele tem facebook?
- Facebook? Não, acho eu, porquê?
- Por nada, por nada...
- Ele é do outro quarto ano.
- Hm... E tu gostas dele?
- Não sei... Sim, acho eu.
- Não sei se podes gostar dele.
- Porquê pai?! A **** também gosta de ti!
- E só Deus sabe as chatices que lhe dou.
Não deve ter sido bem isso que ele disse
- Catarina, eu já não te pedi mil vezes para avisares quando chegares ao Porto, ou chegares do Porto?
- Sim...
- Então? Eu pedi a ti e à tua mãe...
- A mãe teve um acidente.
- Acidente?! De carro?
- Não.
- Então?!
- O namorado da mãe pegou-a ao colo e deixou a cair e ela foi para o hospital.
- !! Então e ela está bem?!
- Sim, está óptima, o médico diz que ela está bem mas se tiver uns sintomas morre.
- ...
- Sim...
- Então? Eu pedi a ti e à tua mãe...
- A mãe teve um acidente.
- Acidente?! De carro?
- Não.
- Então?!
- O namorado da mãe pegou-a ao colo e deixou a cair e ela foi para o hospital.
- !! Então e ela está bem?!
- Sim, está óptima, o médico diz que ela está bem mas se tiver uns sintomas morre.
- ...
Howlin' for you
Se há coisa assustadora no meu cão são os uivos dele. Até hoje ele tinha uivado, que eu tivesse ouvido, três vezes: sempre a meio da noite, do meio do nada, é um som em crescendo, assustador, lembro-me da primeira vez que o ouvi de ter ficado deitado a pensar se isto não era algum sinal de alguma coisa, há sempre aquelas teorias de que os cães pressentem acontecimentos negativos. Aparentemente não era nada. Por outro lado o Benfica não tem sido campeão portanto, fiquei na dúvida. Ontem à noite o menino lembrou-se de uivar três vezes. Até ela, que estava ao telefone comigo, ficou assustada. Ele tem aquele ar de peluche e depois quando abre a boca ou solta uns sons que nem um urso ou então uiva desesperadamente. E depois, quando acordo de manhã, tenho o animal assim:
Por outro lado é engraçado, porque ela está a ensinar-lhe a acender e apagar a luz.
27 de janeiro de 2013
Aimless arrow
Depois de ter ido passear o cão às oito da manhã voltei para a cama onde ela tinha ficado a dormir, acordei-a e acho que lemos um bocadinho, sim, foi isso, e depois voltámos a dormir e comecei a sonhar, sonhei que tinha uma janela no quarto, ao lado da janela actual, que tinha uns estores que abriam ao contrário, de cima para baixo, os estores estavam a meia altura e aparece uma testa e uns olhos de uma criança, alguém estaria a levantá-la para espreitar para dentro do meu quarto, primeiro pensei que fosse a Catarina com uma das tias, mas, assim que começou a aparecer o nariz eu percebi que não era a Catarina mas sim uma miúda horrenda e que eu nunca tinha visto na minha vida, então tentei gritar no sonho mas não consegui, o resultado foi eu acordar, e acordá-la, pobre alma, a tentar gritar mas apenas conseguindo soltar uns gritos abafados e meio abichanados, ela ficou toda preocupada e eu fiquei cerca de meia hora a rir, até ficar cheio de dores de garganta e quase sem conseguir respirar de tanto rir, ela ia variando entre os risos e a preocupação por eu não conseguir parar, até o Link já ladrava, eu devo realmente ser muito boa pessoa para ela aturar estas coisas.
26 de janeiro de 2013
Como irritá-la pela manhã
Sair atrasado para o trabalho, estacionar à porta dela sem dizer nada, passando mesmo à frente da janela onde pode ser (e, como tem muita sorte, efectivamente é) visto.
Conclusão
Algures pelos vinte e sete anos deixei de me reconhecer naquilo que escrevo, pensei que poderia ter passado: estava enganado.
Se nos encontrarmos de novo
Já tenho o livro em cima da secretária para ler a seguir, só faltam duzentas e poucas páginas do Foster Wallace.
Nota mental
Sábado não é um dia útil, convém dizer isso ao telemóvel que tem o despertador marcado para as 7:00 dos dias úteis.
Livreiros, aquela cena
Se recebem um cheque livro um dia depois da validade não hesitam em ligar-te às dez da manhã de domingo para saber se podem aceitá-lo, mas se não apareces duas horas e meia depois da hora em que costumas chegar ninguém te liga.
25 de janeiro de 2013
A Catarina
Já esteve a reagir melhor ao facto de ter namorada, vamos acreditar que é tudo saudades do pai.
23 de janeiro de 2013
Síndrome
É bom ter pessoas que nos conhecem pessoal e profisionalmente a ler-nos, é mau ter pessoas que nos conhecem pessoal e profissionalmente a ler-nos, isto não é uma dúvida, é uma constatação de um facto, é assim que as coisas são, sem ses nem mas, sem pontos a favor ou contra, é isto, é bom e é mau, hoje é um dia mau, eu que tinha tanto para falar, provavelmente falaria muito mas diria pouco, ainda assim apetecia-me falar, apetecia-me muito escrever, não vou poder fazer ambas por agora e sei que quando o puder fazer a necessidade de deitar tudo cá para fora já terá passado, a resignação é uma coisa fodida e que, aparentemente, se pega, portanto resignar-me-ei ao destino que nos preparam, contudo acredito que tudo terminará bem, e, digo isto da maneira mais honesta, prefiro mil vezes os constragimentos de saber que certas pessoas me lêem do que gritar improprérios de forma incógnita pela internet fora, aparentando ser ainda mais lunático do que na realidade gosto de pensar que sou.
22 de janeiro de 2013
Gente dada aos sentidos
Gosto muito de atender tias do Chiado, eram boas para a prevenção rodoviária: é "oooooooooooooooouça" e "oooooooooooolhe" para todo o lado.
Lição
O pequenino mundo editorial português não cessa de me surpreender.
Pequenino de maneira depreciativa, entenda-se.
Ironia
Sabes que a livraria cheira a diluente quando até o indiano colombiano dos cães da Garrett, ele próprio de odor característico, te vem dizer que a loja está com um cheiro tóxico.
Só para avisar
Estive novamente de volta do diluente vintage, a esfregar a fachada aqui do sítio, alguma criatura de nome Sofia Pinto decidiu pintar montras e fachada, very artistical, very tipical, portanto, dado à exposição prolongada ao diluente aproveito para avisar de que não me responsabilizo totalmente pelos textos que aqui surgirem hoje.
21 de janeiro de 2013
It's so easy
Eu ia dizer que os cães saem aos donos, mas isto vindo de quem tem um animal gigante que tenta montar tudo o que aparece lá por casa (mulheres, homens, vegetais e a ocasional embalagem de cartão) não fica bem.
Talvez não devesse voltar a dormir depois de deixar a Catarina na escola
Sonhei que estava numa espécie de restaurante / museu chinês e que a cave do mesmo dava para uma espécie de mundo perdido, com uma tribo da pré-história, e eu estava maravilhado a ir buscar gente que eu conheço para os arrastar através dos corredores manhosos do restaurante chinês cheio de aquários com espécies estranhas, descer através do alçapão e mostrar a tribo perdida, vezes e vezes sem conta, acho que até os membros da tribo já me conheciam, isto de sonhar numa espécie de loop é deveras estranho.
We don't need no water
Incêndio em Lisboa junto à residência oficial de Passos Coelho. É ver os bombeiros a assobiar para o lado.
The force is strong with this one
Enquanto não tiver uma iluminação divina ao nível da bricolage, e no sentido de não partir mais candeeiros da mesa de cabeceira, o menino fica em cima da lareira, e posteriormente será colocado, segundo vontade unânime das senhoras que usualmente usufruem do espaço, por cima do sofá da sala, obrigado!
20 de janeiro de 2013
Deus nos ajude a todos
- Pai, sabes qual é o meu episódio preferido da Jessie?
- Qual?
- É aquele em que ela vai a uma audição com a amiga e depois diz que gostava de ver o Johnny Depp, e a outra diz para ir a casa dela na páscoa porque ele é padrinho dela... E depois a Jessie diz: "aí está um pirata que não me importava de apanhar!"
- ...
- E eu também não!
- ...
17 de janeiro de 2013
Get your gun
Abri o bloco de notas para escrever sobre a questão das armas nos Estados Unidos, mas não consigo, leio meia dúzia de notícias pejadas de afirmações abjectas, apelos à união e resistência dos membros das associações de armas, pessoas que usam a retrógada constituição do país como arma (não foi de propósito, juro) contra os defensores da proibição da posse de armas, e fico sem capacidade de articular argumentos ponderados, convincentes, e, acima de tudo, claro, acertadíssimos, é que está tudo louco, é nos piores exemplos que vemos que a humanidade é toda assim, a diferença entre estes retardados e a maior parte das discussões da blogoesfera é que estes têm semi-automáticas nas mãos e escrevem ligeiramente (ligeiramente, atenção) pior, estes fanáticos até querem deportar o Piers Morgan porque insultou um representante de uma dessas associações, se ainda fosse por o gajo não ter piada por aí além, então e a constituição e a liberdade de expressão nesses casos, ah, esqueci-me, erro crasso, estas merdas só funcionam quando é a nosso favor, não devia ser permitido a pessoas desequilibradas destas falarem em frente a um microfone, quanto mais terem armas, não admira que os americanos andem obcecados com a procura de vida inteligente pelo universo fora, há pouca lá na terra deles, no wal-mart não se podem comprar álbums do Manson mas podem comprar-se armas iguais às do último massacre na escola, talvez seja por isto que não procurem por hipocrisia no espaço.
16 de janeiro de 2013
You fail me
Isto da Pêpa e dos cães só vem reforçar a ideia de que está tudo basicamente pronto para se matarem uns ao outros, tudo serve de desculpa para as coisas tomarem logo proporções injustificadas, os argumentos saem sem qualquer tipo de ponderação ou respeito, gosto particularmente daqueles que tecem considerações sobre a orientação sexual ou profissão da progenitora apenas porque se defende ou não a morte um cão, mas, lá está, se não fosse assim não estaríamos a falar da blogoesfera portuguesa e não estaríamos aqui, e se não concordam é porque abafam palhinhas e vossa mãe é uma sopeira.
13 de janeiro de 2013
Book rat
As coisas que se encontram a organizar o disco: ali vemos uma criatura com um tremendo amor por livros. Para terem noção do tamanho do animal, aquela armadilha é ligeiramente maior que um A4. Vai ser livreiro numa livraria centenária, diziam eles, vai ser divertido, diziam eles. Até o gajo das obras pegava naquilo à distância.
Rock in aldeia
Isto de se viver numa pequena aldeia disfarçada de subúrbio da cidade tem destas coisas, ao fim-de-semana temos eventos diversos na sociedade recreativa que, para minha felicidade, se encontra a quarenta metros da minha casa, o que faz com que eu, quando vou passear o Link antes de ir dormir, tenha que aturar coisas como:
Ele próprio parece confuso, não se percebe bem se é um concerto se é uma sessão de tortura.
A Catarina
Está a arrumar o quarto e a ouvir Black Keys, estou muito orgulhoso, mas por ela estar a arrumar o quarto, claro, não pela música, por mim até podia estar a ouvir Índia Malhoa que eu ficava feliz na mesma, tal era o meu desespero para que ela arrumasse o quarto, não percebo como é que um ser humano consegue, em dois dias, desarrumar o quarto da maneira que ela o faz, isto deve ser um dom qualquer que eu não consigo ainda compreender.
12 de janeiro de 2013
Your powers are weak, old man
A preocupação da Catarina ao ver o Darth Vader pela primeira vez no episódio V foi perguntar, preocupada, onde é que ele vivia agora, já que tinham destruído a Estrela da Morte.
Maravilhoso
Nem de propósito: os americanos fizeram uma petição para construir uma death star verdeira, ah, americanos, e o governo americano respondeu, na melhor resposta a uma petição de todos os tempos, só nesse país é que numa resposta oficial da administração se pode ler "The Administration does not support blowing up planets" e "Remember, the Death Star's power to destroy a planet, or even a whole star system, is insignificant next to the power of the Force", e nós aqui a elegermos "entroikados" como palavra do ano e preocupados com o que o Cavaco mandou para o TC.
Fim-de-semana = Maratona de Star Wars
Depois da criatura me ter obrigado a ver duas vezes a trilogia do Senhor dos Anéis no espaço de um mês, este fim-de-semana é a vez de Star Wars, o que não é de espantar, tendo em conta que ela via os filmes aos quatro anos várias vezes por ano e cresceu no meio disto:
Um verdadeiro chick magnet, eu sei, já estou habituado a piadas sobre "miúdas" e o meu "lightsaber".
11 de janeiro de 2013
Sabes que o mundo é pequeno quando...
... estiveste ontem num evento a falar com um ex-secretário de estado e este vira-se para falar com um escritor / cronista, cronista este que comenta mais tarde o post de uma blogger, blogger essa que hoje de manhã toma o pequeno-almoço no mesmo sítio que tu.
Mentaliza-te Ricardo
Em nome da ordem natural das coisas, o teu lado, no carro, na cama e no campo de futebol, é o esquerdo.
10 de janeiro de 2013
Clássico
"Todas as Pepas felizes se parecem umas com as outras, cada Pepa infeliz é infeliz à sua maneira."
Tolstoi
9 de janeiro de 2013
Sempiternal
Primeiro eram apenas estranhos, agora tenho conhecidos a ligar-me à procura de emprego, sim, claro que me lembro de ti, eras chata como o caraças, sempre a dar graxa ao gerente, numa vã tentativa de alcançar a cadeira do poder, como me podia esquecer?, e, não, por ser gerente agora, sendo que o agora são quatro anos, obrigado, não quer dizer que tenha poderes mágicos de criar emprego, infelizmente, obviamente que me custa não ajudar, o melhor que tenho a dar por ora são conselhos, faço-o sem pudor, e isto a uma pessoa que ficou ofendida uma vez quando perguntei se ela queria umas roupas da Catarina para a filha dela que é um pouco mais pequena, enfim, boa sorte para ela, sinceramente, custa-me muito isto, custa-me um pouco dizer que não, nada feito, mas as coisas são o que são e é não desistir.
7 de janeiro de 2013
6 de janeiro de 2013
3 de janeiro de 2013
A sério, a sério
Ela é namorada do gerente da livraria mais antiga do mundo mas compra os livros pela internet, imaginem os outros encantos que ela não tem para ele não pensar noutra coisa.
Hoje
Não esfreguei vidros com diluente com vinte anos mas andei num corredor com um bolor e humidade fofinhos, acho que já não vivo sem colocar os meus pulmões num risco de qualquer espécie.
2 de janeiro de 2013
Efeitos secundários
Gosto muito de ver pessoas sentadas no chão da livraria, a lerem, pilhas disformes de livros no chão, pouco importados com quem olha ou passa, crianças que leem livros aos pais, gosto muito, deixa-me quentinho por dentro, agora gente sentada em cima dos livros?, pessoas sentadas de pernas cruzadas, ou de cotovelos nos joelhos, em cima da merda dos livros que estão na base de uma estante ou gôndola?, claro, porque toda a gente quer um livro onde a pita de óculos de massa e botas com tachas se sentou e esfregou a saia mal lavada e as meias de licra rotas, era passar-lhes diluente no couro cabeludo e depois raspá-los com o referido utensílio de seria killer, nota-se que isto é coisa que me causa alguma comichão?
Sim, era eu
De diluente industrial super potente a raspar uma montra com um utensílio saído de um filme de serial killers, um engraçadinho decidiu pintar com spray uma das montras, escreveu "VAL", ah, não percebo nada de arte, já de diluentes começo a perceber qualquer coisa, este, além de rápido, intoxicava tudo num raio de trinta metros.
31 de dezembro de 2012
Afinal o anticiclone é uma coisa boa
Comecei este blog há um ano, mais coisa, menos coisa, estou com menos cabelo e mais barba, mais pobre financeiramente, com um cão ligeiramente maior, com uma filha definitivamente maior, a chefe da minha irmã encontrou-nos no pingo doce e disse-lhe que não parecemos pai e filha, eu nem sei bem o que ela quer dizer com isso mas não me soa bem, e eu, eu mudei o que tinha que mudar, cresci o que foi possível, cometi tantos erros, ainda assim bastante menos que em dois mil e onze, ultrapassei e deixei para trás a cruz que me era impossível carregar durante mais tempo, há coisas que já não passam de memórias que tenho dificuldade em evocar, de tão distantes e irreais que agora, olhando para trás, me parecem, portanto, meus caros, se me permitem, encontramo-nos para o ano no mesmo sítio, à mesma hora, para reclamarmos do triste fado que assombra a alma portuguesa, de preferência com um Benfica campeão, gosto de vocês no geral e de uma muito em particular, portanto não percam o próximo episódio que nós também não.
30 de dezembro de 2012
29 de dezembro de 2012
Fanã... Eu até gosto de ti, mas...
Fanã, Fanã... Eu, que tenho todos os teus cds (sim, Fanã, até Daemonarch vê tu bem...) e os teus livros, não consigo deixar de recordar com saudade os tempos em que falavas de lobos e de ninfas vampirescas em vez de cantautores que ameaçam a música portuguesa.
28 de dezembro de 2012
Para 2013
Salvo alguma surpresa será isto, embora as novas edições do Ulisses e do Guerra e Paz sejam candidatas a intrometer-se, caso saiam efectivamente, não é, Relógio d'Água, vejam lá isso, vou terminar de ler os McCarthy em português, a Llansol sempre me atraiu, este é o ano em que me rendo ao Saramago, embora não me parece que algo vá superar o Ano da Morte de Ricardo Reis, curiosamente vejo ali mais portugueses que estrangeiros, a Ana Teresa Pereira fascina-me, não sei nada sobre ela, apenas que tem uma carrada de livros editados pela Relógio d'Água, que furacão literário é este, depois vou aproveitar também para continuar a mergulhar no grande romance contemporâneo norte-americano, depois da Piada Infinita vem o Correcções, a ver vamos no que isto vai dar, aceitam-se sugestões, embora, como digo aos meus livreiros quando eles perguntam se podem sugerir uma coisa, podem dizer à vontade que ouço tudo mas provavelmente não ligo a nada.
27 de dezembro de 2012
Para lá do horizonte
No espaço de pouco mais de um ano perdi o carro que tanto me orgulhava e com quem as pessoas me identificavam, agora tenho um mais modesto, sinal dos tempos, fosse eu um português dos sete costados e tinha-me aventurado em mais um crédito para ir buscar um igual, às vezes tenho ataques de bom senso, valha-nos isso, depois foi-se a ps3, companheira das infindáveis horas de solidão que se seguiram à saída das almas que davam vida a esta casa, receita quase sempre válida para apagar tormentos da mente e do coração nem que fosse por breves instantes, já agora, a merda do computador não consegue fazer uma merda de um remate de fora da área, a sério EA?, a sério?, nem um remate?, a ps3 ficou sem substituta, a minha mãe continua a dizer frases como brincavas muito quando chegavas do trabalho?, e eu respondia mãe, p'lamordedeus, agora já não ouço isso, e, cereja no topo do bolo, agora é o meu ipod que está a dar as últimas, demorei vinte e quatro horas a passar a letra A toda e ainda vou no início da letra B, lá para dois mil e catorze tenho isto cheio novamente, o meu classic de cento e vinte gigas está pela hora da morte, esta mania de nos afeiçoarmos e criarmos necessidades onde elas não existem e não deviam certamente existir, parece que não me imagino a ler no comboio sem there is a hell believe me i've seen it, there is a heaven let's keep it a secret, a bloquear as conversas que me pertubam a leitura, assusta-me esta tendência de humanizar os objectos, assusta-me ainda mais o que faço com as pessoas, pois que já não consigo, por mais longe que projecte o meu pensamento, no espaço e no tempo, de me imaginar numa cama vazia, de não me imaginar apaixonado por ela, de não fazer piadas com o tumblr e com os ray ban dela e com os all-star e com a casa alugada dela que eu digo que vou alugar só para mim, deixando apenas um canto do terraço com musgo para ela, querido, eu sei, já não consigo não incluí-la em tudo, e isso assusta-me devido a motivos e derivado a razões, i am the ocean i am the sea there is a world inside of me, e já não consigo não sorrir sempre que sinto cheiro a baunilha, e como dou por mim quando ouço a música da Amélie, aparentemente a única que o gajo do acordeão sabe tocar durante horas, aquilo deve ser algum tipo de competição entre os gajos de rua para verem quem consegue tocar durante mais tempo o mesmo trecho, de preferência o mais curto e repetitivo, a sair da loja e pensar que a vou ver, são coisas tão pequenas e tão grandes e o tempo é outro tempo diferente de todos os que comigo se cruzam, o nosso tempo mede-se em coisas aparentemente triviais como a duração de um disco ou de um filme, e haviam de experimentar ver um filme com ela, as perguntas que a senhora consegue inventar, muito graças à sua formação académica ao nível das engenharias, eu também sou engenheiro, ainda no outro dia abri o meu leitor de cds para tirar um cd encravado, faz com que o seu espírito analítico e racional sejam de uma dimensão quase titânica, o que leva a momentos bonitos em que eu tento ser romântico e ela me corrige com frases como isso não é oxigénio é dióxido de carbono, eu já nem consigo andar pela livraria sem pensar em comentar livros com ela, melhor companhia de sempre para falar de livros, sim, eu perdoo o facto dela ler aquele choramingas, agora dei-me conta de que não era nada disto que eu queria falar, gostava muito de voltar a ter uma ps3 especialmente porque, quando me imagino a jogar, a única coisa que vejo é ela a refilar que lhe dou menos atenção, e, agora, é sempre assim com tudo, sempre ela.
Querido nosso senhor Jesus, o Cristo
Quando eu disse que queria ser igual ao Zidane não era ao cabelo que me estava a referir, raios.
23 de dezembro de 2012
Frases e momentos bonitos
Atrás do balcão, ou trincheira, como diz o nosso colega choramingas, ouvem-se frases que são hercúleos testes à capacidade que cada um tem de conter o riso, nomeada e mormente coisas do calibre de "aguarde só um segundo que a minha mãe já lhe dá o talão" e tudo o que seja relacionado com "pacote", tal como "não se preocupe que o talão vai no pacote", "quer que meta isto no pacote" ou o já clássico "não se preocupe que a minha colega tem o pacote aberto à sua espera".
Obrigadinho, Alexander Bell
1.
- Bom dia.
- Ah, ok, já percebi que estão abertos, era só isso, obrigado.
(desliga)
- ...
2.
- Podia-me reservar estes livros para dia vinte de dezembro?
- Claro, em que nome fica?
- Espere, pode antes guardar-me para dezanove de julho?
- ... Só reservamos os livros durante dez dias.
- Não, tem que me GARANTIR que guarda os livros até dezanove de julho, é o dia em que eu posso sair e ir aí buscar, eu PRECISO dessa agenda do Paulo Coelho.
- ... Eu posso enviá-los à cobrança, não tem que cá vir...
- Não. Só no dia dezanove de julho é que tenho dinheiro...
- ...
3.
- Boa tarde.
- Estão abertos até que horas?
- Vinte e duas horas.
- Vinte e duas, vinte e duas... Vinte e duas. Vinte e duas, vinte e duas... Ah, até às dez?
- ...
4.
- Boa tarde.
- A que horas fecham?
- Só às vinte e duas horas.
- Ah, óptimo. Então passo por aí amanhã à hora do almoço.
- ...
Odeio-vos...
... casalinhos fofinhos às compras para a família de óculos de sol na cabeça, eles, não a família, com piadinhas cúmplices e olhares marotos, havieis de ter um oceano entre vocês que era para verem o que era bom para a tosse.
Shoot me
(ao telefone)
- Pode me dizer que livros de Reiki tem?
- Procura algum em especial?
- Não, prefiro que me diga.
- Ok, temos o Reiki universal, Reiki para todos, Reiki como filosofia...
- Tem mais?
- Sim... Psicologia do reiki, Reiki para a vida, Reiki essencial...
- E tem mais?
- ... Claro... Energia inteligente, Perguntas sobre reiki, Reiki manual do terapeuta, Reiki - sistema tradicional japonês...
- ...
- ... Reiki a cura natural, Reiki sobre reiki, reiki para crianças e, por fim, saúde e reiki.
- Ah, eu queria a Cura pelo Reiki. Não tem?
- ... não.
- Então obrigado.
- ...
Regresso ao passado
Em dois dias três visitas de pessoas que não via pessoalmente há muito tempo, a mãe da Catarina, o avô da Catarina, e, o mais importante, um dos meus melhores amigos, e por vê-lo, ele que anda por Berlim, Madrid, Paris, até na Sibéria, armado em artista das artes e instalações, o homem que equilibra uma barra de ferro num ténis adidas, enfim, por vê-lo fiquei com saudades dos meus melhores amigos, todos fora, bem, na realidade há um que ainda cá está mas a mulher não o deixa brincar na rua com os outros meninos, então é como se a minha adolescência me tivesse sido arrancada e espalhada por essa europa fora, ficam prometidos almoços e jantares que serão cumpridos, mas não chega, nunca chega.
Reconsider
Saio da loja tarde, está tudo fechado, parece que só nós e as vitaminas é que estamos abertos, que raio de dia, penso para mim, se fumasse era agora que ajeitava o cachecol e acendia o cigarro, penso nela lá no meio do oceano, penso na visita da minha filha, soube-me a tanto, a tão pouco, aquela sensação de viver entre o tudo e o nada, sou frágil e nada me atinge, tantos clientes em tão pouco tempo e em tão pouco espaço, perguntas que não lembram ao menino jesus, a noite está fria e eu também, o mendigo da porta da igreja despede-se com um boa noite senhor, estou mais habituado ao bom dia senhor para espanto de quem, por algum acaso, desce a rua comigo, mas o mais estranho estava para vir, ao fazer a esquina para a rua do alecrim dou de caras com o poeta-pintor, personagem habitual do chiado, meu arqui-inimigo de lançamentos e eventos finos da livraria, ele que tenta sempre entrar no nosso espaço para vender gravuras do Pessoa e poemas de sua própria autoria, da última vez que o expulsei de um lançamento, estava eu passados uns minutos à conversa com o ceo da empresa, ele aparece e vocifera, naquela sua maneira de falar quase imperceptível para os ouvidos destreinados, com aquele seu jeito poético-pictoresco de comer metade das sílabas, eu escrevi um livro de prosa prosa-poética poesia e pintura e vou lançá-lo aqui e vou expulsar-te a ti como tu me escorraças a mim, e o meu ceo sem perceber nada, e eu a encolher os ombros e a exclamar é justo, é justo, já no outro dia vi-o sentado à porta do belcanto a falar com uma miúdinha que parecia a maddie, ora aí está um cenário bizarro, então lá o encontrei na esquina e ele, pela primeira vez, veio apertar-me a mão e perguntar-me se podia descer comigo a rua, ia para o atelier antes de partir pela linha de sintra para os lados da amadora, e eu acedi, afinal de contas, é natal, estamos longe do nosso campo de batalha natural, então o poeta-pintor confidenciava-me que vendeu duzentos euros em quatro horas, não está mau, confirmei eu, ele queixava-se de que esteve quatro dias sem vender, é a crise, pudera, está mau para todos, disse-me que até cheques aceitava, cuidado, adverti eu, ele encolheu os ombros, tenho de arriscar, saiu-lhe com toda a sinceridade enquanto deixava sair a última bola de fundo que tinha guardada nos pulmões, despediu-se com um bom natal, apertou-me a mão novamente, virou a esquina e desaparecemos da vista um do outro, há comboios e camas vazias à espera, amanhã é um novo dia, amanhã.
21 de dezembro de 2012
Momento laboral do dia
Chegar do almoço e dizer a duas colegas que o mundo acabou na Austrália, assim mesmo, o mundo acabou na Austrália, sim, vi na internet, o ar de susto de uma, a outra percebeu rapidamente que estava a gozar, a outra começou a dizer aos colegas e veio confirmar mais uma vez se era verdade porque queria ir ter com os filhos, o mundo acabou na Austrália, enfim, estou cansado.
Read my mind
- Tem o livro de coiso corporal?
- ...
- Assim, coiso, tipo ler.
- ...
- Ler o corpo.
- Linguagem corporal?
- Isso!
Questiono-me se pela minha linguagem corporal ela percebia o que eu achava dela.
Dexter
A sequência de perguntas que um gajo mais queria ouvir num atendimento:
- Tem livro de ciência forense?
- Sim, temos al...
- E de serial killers, também tem?
- Sim, é noutra secção e...
- E de perturbações mentais?
- ...
18 de dezembro de 2012
A melhor analogia que a minha cabeça e corpo cansado conseguem produzir neste momento, depois quando terminar o natal falamos melhor
A coisa mais parecida a que eu consigo comparar o trabalhar na loja nesta altura do ano é o Walking Dead, passo o dia a tentar chegar do ponto A ao ponto B a correr e só vejo braços a tentarem agarrar-me, pessoas a coxear pelos corredores e saídos de esquinas enquanto soltam sons estranhos e balbuciam coisas como livro, ajuda, é coisa para meter muito medo, garanto-vos, e, já que aqui estamos, aproveito também para dizer que o facto de dizerem se calhar vou-lhe fazer uma pergunta um bocado parva não torna a pergunta em si menos parva, era só isto, obrigado.
17 de dezembro de 2012
Have love will travel
Fiz a viagem de comboio da manhã com meia-hora de atraso porque os senhores da CP decidiram, mais uma vez, fazer greve, são bonitas as greves, é as greves e as doenças venéreas, incomodam quem quer trabalhar, foi muito agradável e turístico, very tipical, fazer a viagem de frente para um gajo, com os joelhos dele a tocarem nos meus, e eu a rezar e a prometer a mim mesmo que se qualquer outro tipo zona se tocasse eu partiria para a violência, já as senhoras um pouco ao lado, ameaçavam ir ao parlamento e fuzilar todos um a um "como aquele malandro da américa", e aí acabavam-se as greves, é, senhora, era assim que acabavam as greves, aliás, só não fomos mais cedo porque o Passos Coelho não queria fazer o seu trabalho de pica e o Paulo Portas não queria ser outra vez o maquinista.
Hard row
Aquele bonito momento em que atendes uma "figura" da televisão que te pede algo para uma miúda de doze anos, que seja "tipo sexo e a cidade, mas sem o sexo".
16 de dezembro de 2012
Magic potion
Frase da tarde no fim do Hobbit, vinda de umas filas atrás, "aaaah, eu logo vi que isto ia ter um segundo filme".
12 de dezembro de 2012
Momento do dia de ontem
Cruzar os olhos com uma pessoa que vai a passar à porta do sítio onde estamos a trabalhar enquanto dizemos com a voz mais descontraída e natural do mundo "desculpa, tu podes perfeitamente sugar partes intímas femininas", a expressão da rapariga foi de tal modo boa que a minha colega teve de se deitar no chão a rir.
10 de dezembro de 2012
Da crítica
É do S. Jorge que vos escrevo, pequeninos, vós cujas saudades mal cabiam nos vossos pequenos corações blogoesféricos, pois bem, saibam que a vida por aqui vai continuando, é sinal, lá está, curioso, que estamos vivos, que vamos ter apenas uma folga completa entre o dia vinte e seis de novembro e o dia vinte e quatro de dezembro, carrega Mantorras, agora arranjem-me tempo para ser pai e para o amor, a Catarina anda a derrapar ligeiramente na escola, e ando preocupado com a escola onde ela vai para o ano, quinto ano, vai passar para uma pública, eu e a progenitora ainda não nos decidimos, aposto que nunca viram as notas das escolas públicas em termos de exames do sexto ano, medo, e o natal que já aí está e eu já tenho as prendas compradas, tenho de dar bom aspecto como pai e namoradinho, duas coisas em que gostava bastante de ser melhor, já em termos de leitura sou o melhor, em leitura e modéstia, o Piada Infinita já vai a cerca de vinte por cento, duzentas páginas, alguns erros que a revisão deixou passar não estragam a experiência, sendo que "experiência" é a palavra certa para descrever a leitura deste livro, uma escrita torrencial, sinto-me muitas vezes como se estivesse sentado na estação e passasse um comboio na velocidade máxima sem parar, e este comboio fosse interminável, é o melhor que consigo descrever, e é nestes momentos em que eu tenho a certeza de que não podia ser crítico, apesar das cunhas e tal, porque se me pedissem para criticar um livro eu não ia conseguir ir buscar aquelas referências obscuras à literatura austro-húngara do século dezoito ou ao cinema mudo da região baixa do Egipto ali como quem vai para o Cairo mas sai na terceira à direita na rotunda, portanto diria apenas algo do género "é muita bom chaval" e ficava por aí, não usava nenhum sistema de estrelas, era uma frase curta e mais nada, agora estava aqui a pensar o que é que diria se fosse mau, algo raro, confesso, é um dos meus dois defeitos literários segundo os meus colegas invejosos, leio na diagonal e gosto de tudo o que leio, eu gostava de aprofundar mais este tema mas, além da minha incapacidade natural, estão aqui pessoas que estão à espera do Visconti e que me vão fazendo perguntas, explicar a um gajo que fala inglês quem é o Eduardo Cintra Torres e do que ele esteve a falar é, como o "Piada Infinita", muita bom chaval.
9 de dezembro de 2012
Cars
- Filha, quando o teu irmão comer McDonald's já tu conduzes.
- E tu vais ao lado comigo a dizer (com voz trémula, a apontar para o lado com a mão a tremer) "vira para a direita... vira para a esquerda..."
- ... Catarina, eu vou ter 40 anos quando tu tiveres idade para tirar a carta!
- Por isso mesmo!
- ...
7 de dezembro de 2012
5 de dezembro de 2012
3 de dezembro de 2012
Hoje
Ela, meia-luz, Beirut, Portishead, XX, escolhe ela, olhos fechados, copos a um canto, a sorte dela é que não danço, mas, hoje, era hoje, era tudo o que precisava.
2 de dezembro de 2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)






















