22 de janeiro de 2013

Gente dada aos sentidos

Gosto muito de atender tias do Chiado, eram boas para a prevenção rodoviária: é "oooooooooooooooouça" e "oooooooooooolhe" para todo o lado.

Lição

O pequenino mundo editorial português não cessa de me surpreender.
Pequenino de maneira depreciativa, entenda-se.

Ironia

Sabes que a livraria cheira a diluente quando até o indiano colombiano dos cães da Garrett, ele próprio de odor característico, te vem dizer que a loja está com um cheiro tóxico.

Só para avisar

Estive novamente de volta do diluente vintage, a esfregar a fachada aqui do sítio, alguma criatura de nome Sofia Pinto decidiu pintar montras e fachada, very artistical, very tipical, portanto, dado à exposição prolongada ao diluente aproveito para avisar de que não me responsabilizo totalmente pelos textos que aqui surgirem hoje.

21 de janeiro de 2013

Desafio dos últimos tempos

Conseguir explicar a uma pessoa sobre o que é o Piada Infinita.

It's so easy

Eu ia dizer que os cães saem aos donos, mas isto vindo de quem tem um animal gigante que tenta montar tudo o que aparece lá por casa (mulheres, homens, vegetais e a ocasional embalagem de cartão) não fica bem.

Talvez não devesse voltar a dormir depois de deixar a Catarina na escola

Sonhei que estava numa espécie de restaurante / museu chinês e que a cave do mesmo dava para uma espécie de mundo perdido, com uma tribo da pré-história, e eu estava maravilhado a ir buscar gente que eu conheço para os arrastar através dos corredores manhosos do restaurante chinês cheio de aquários com espécies estranhas, descer através do alçapão e mostrar a tribo perdida, vezes e vezes sem conta, acho que até os membros da tribo já me conheciam, isto de sonhar numa espécie de loop é deveras estranho.

We don't need no water

Incêndio em Lisboa junto à residência oficial de Passos Coelho. É ver os bombeiros a assobiar para o lado.

The force is strong with this one


Enquanto não tiver uma iluminação divina ao nível da bricolage, e no sentido de não partir mais candeeiros da mesa de cabeceira, o menino fica em cima da lareira, e posteriormente será colocado, segundo vontade unânime das senhoras que usualmente usufruem do espaço, por cima do sofá da sala, obrigado!

20 de janeiro de 2013

Deus nos ajude a todos

- Pai, sabes qual é o meu episódio preferido da Jessie? 
- Qual?
- É aquele em que ela vai a uma audição com a amiga e depois diz que gostava de ver o Johnny Depp, e a outra diz para ir a casa dela na páscoa porque ele é padrinho dela... E depois a Jessie diz: "aí está um pirata que não me importava de apanhar!"
- ...
- E eu também não!
- ...

17 de janeiro de 2013

Get your gun

Abri o bloco de notas para escrever sobre a questão das armas nos Estados Unidos, mas não consigo, leio meia dúzia de notícias pejadas de afirmações abjectas, apelos à união e resistência dos membros das associações de armas, pessoas que usam a retrógada constituição do país como arma (não foi de propósito, juro) contra os defensores da proibição da posse de armas, e fico sem capacidade de articular argumentos ponderados, convincentes, e, acima de tudo, claro, acertadíssimos, é que está tudo louco, é nos piores exemplos que vemos que a humanidade é toda assim, a diferença entre estes retardados e a  maior parte das discussões da blogoesfera é que estes têm semi-automáticas nas mãos e escrevem ligeiramente (ligeiramente, atenção) pior, estes fanáticos até querem deportar o Piers Morgan porque insultou um representante de uma dessas associações, se ainda fosse por o gajo não ter piada por aí além, então e a constituição e a liberdade de expressão nesses casos, ah, esqueci-me, erro crasso, estas merdas só funcionam quando é a nosso favor, não devia ser permitido a pessoas desequilibradas destas falarem em frente a um microfone, quanto mais terem armas, não admira que os americanos andem obcecados com a procura de vida inteligente pelo universo fora, há pouca lá na terra deles, no wal-mart não se podem comprar álbums do Manson mas podem comprar-se armas iguais às do último massacre na escola, talvez seja por isto que não procurem por hipocrisia no espaço.

16 de janeiro de 2013

You fail me

Isto da Pêpa e dos cães só vem reforçar a ideia de que está tudo basicamente pronto para se matarem uns ao outros, tudo serve de desculpa para as coisas tomarem logo proporções injustificadas, os argumentos saem sem qualquer tipo de ponderação ou respeito, gosto particularmente daqueles que tecem considerações sobre a orientação sexual ou profissão da progenitora apenas porque se defende ou não a morte um cão, mas, lá está, se não fosse assim não estaríamos a falar da blogoesfera portuguesa e não estaríamos aqui, e se não concordam é porque abafam palhinhas e vossa mãe é uma sopeira.

13 de janeiro de 2013

Book rat


As coisas que se encontram a organizar o disco: ali vemos uma criatura com um tremendo amor por livros. Para terem noção do tamanho do animal, aquela armadilha é ligeiramente maior que um A4. Vai ser livreiro numa livraria centenária, diziam eles, vai ser divertido, diziam eles. Até o gajo das obras pegava naquilo à distância.

Rock in aldeia

Isto de se viver numa pequena aldeia disfarçada de subúrbio da cidade tem destas coisas, ao fim-de-semana temos eventos diversos na sociedade recreativa que, para minha felicidade, se encontra a quarenta metros da minha casa, o que faz com que eu, quando vou passear o Link antes de ir dormir, tenha que aturar coisas como:


Ele próprio parece confuso, não se percebe bem se é um concerto se é uma sessão de tortura.

A Catarina

Está a arrumar o quarto e a ouvir Black Keys, estou muito orgulhoso, mas por ela estar a arrumar o quarto, claro, não pela música, por mim até podia estar a ouvir Índia Malhoa que eu ficava feliz na mesma, tal era o meu desespero para que ela arrumasse o quarto, não percebo como é que um ser humano consegue, em dois dias, desarrumar o quarto da maneira que ela o faz, isto deve ser um dom qualquer que eu não consigo ainda compreender.

12 de janeiro de 2013

Your powers are weak, old man

A  preocupação da Catarina ao ver o Darth Vader pela primeira vez no episódio V foi perguntar, preocupada, onde é que ele vivia agora, já que tinham destruído a Estrela da Morte.

Maravilhoso

Nem de propósito: os americanos fizeram uma petição para construir uma death star verdeira, ah, americanos, e o governo americano respondeu, na melhor resposta a uma petição de todos os tempos, só nesse país é que numa resposta oficial da administração se pode ler "The Administration does not support blowing up planets" e "Remember, the Death Star's power to destroy a planet, or even a whole star system, is insignificant next to the power of the Force", e nós aqui a elegermos "entroikados" como palavra do ano e preocupados com o que o Cavaco mandou para o TC.

Fim-de-semana = Maratona de Star Wars

Depois da criatura me ter obrigado a ver duas vezes a trilogia do Senhor dos Anéis no espaço de um mês, este fim-de-semana é a vez de Star Wars, o que não é de espantar, tendo em conta que ela via os filmes aos quatro anos várias vezes por ano e cresceu no meio disto:




Um verdadeiro chick magnet, eu sei, já estou habituado a piadas sobre "miúdas" e o meu "lightsaber". 

11 de janeiro de 2013

Descubram o erro


Já ontem recebi isto no mail:


Que sejam coincidências, não premonições.

Sabes que o mundo é pequeno quando...

... estiveste ontem num evento a falar com um ex-secretário de estado e este vira-se para falar com um escritor / cronista, cronista este que comenta mais tarde o post de uma blogger, blogger essa que hoje de manhã toma o pequeno-almoço no mesmo sítio que tu.

Mentaliza-te Ricardo

Em nome da ordem natural das coisas, o teu lado, no carro, na cama e no campo de futebol, é o esquerdo.

10 de janeiro de 2013

Parece photoshop mas não é, não é


E a imagem, que bem escolhida que está, que momento bonito.

Clássico

"Todas as Pepas felizes se parecem umas com as outras, cada Pepa infeliz é infeliz à sua maneira." Tolstoi

9 de janeiro de 2013

Sempiternal

Primeiro eram apenas estranhos, agora tenho conhecidos a ligar-me à procura de emprego, sim, claro que me lembro de ti, eras chata como o caraças, sempre a dar graxa ao gerente, numa vã tentativa de alcançar a cadeira do poder, como me podia esquecer?, e, não, por ser gerente agora, sendo que o agora são quatro anos, obrigado, não quer dizer que tenha poderes mágicos de criar emprego,  infelizmente,  obviamente que me custa não ajudar, o melhor que tenho a dar por ora são conselhos, faço-o sem pudor, e isto a uma pessoa que ficou ofendida uma vez quando perguntei se ela queria umas roupas da Catarina para a filha dela que é um pouco mais pequena, enfim, boa sorte para ela, sinceramente, custa-me muito isto, custa-me um pouco dizer que não, nada feito, mas as coisas são o que são e é não desistir.

7 de janeiro de 2013

6 de janeiro de 2013

C'mon yellows

O Carlos Manuel gostou muito do jogo do MELGARREGO.

3 de janeiro de 2013

Carrega Jesus

O homem tem gaita no nome, mas não exageres.

A sério, a sério

Ela é namorada do gerente da livraria mais antiga do mundo mas compra os livros pela internet, imaginem os outros encantos que ela não tem para ele não pensar noutra coisa.

Hoje

Não esfreguei vidros com diluente com vinte anos mas andei num corredor com um bolor e humidade fofinhos, acho que já não vivo sem colocar os meus pulmões num risco de qualquer espécie. 

A sério

As vossas piadas sobre os novos estados do facebook são hilariantes.

2 de janeiro de 2013

Efeitos secundários

Gosto muito de ver pessoas sentadas no chão da livraria, a lerem, pilhas disformes de livros no chão, pouco importados com quem olha ou passa, crianças que  leem livros aos pais, gosto muito, deixa-me quentinho por dentro, agora gente sentada em cima dos livros?, pessoas sentadas de pernas cruzadas, ou de cotovelos nos joelhos, em cima da merda dos livros que estão na base de uma estante ou gôndola?, claro, porque toda a gente quer um livro onde a pita de óculos de massa e botas com tachas se sentou e esfregou a saia mal lavada e as meias de licra rotas, era passar-lhes diluente no couro cabeludo e depois raspá-los com o referido utensílio de seria killer, nota-se que isto é coisa que me causa alguma comichão?

Sim, era eu

De diluente industrial super potente a raspar uma montra com um utensílio saído de um filme de serial killers, um engraçadinho decidiu pintar com spray uma das montras, escreveu "VAL", ah, não percebo nada de arte, já de diluentes começo a perceber qualquer coisa, este, além de rápido, intoxicava tudo num raio de trinta metros.

31 de dezembro de 2012

Afinal o anticiclone é uma coisa boa

Comecei este blog há um ano, mais coisa, menos coisa, estou com menos cabelo e mais barba, mais pobre financeiramente, com um cão ligeiramente maior, com uma filha definitivamente maior, a chefe da minha irmã encontrou-nos no pingo doce e disse-lhe que não parecemos pai e filha, eu nem sei bem o que ela quer dizer com isso mas não me soa bem, e eu, eu mudei o que tinha que mudar, cresci o que foi possível, cometi tantos erros, ainda assim bastante menos que em dois mil e onze, ultrapassei e deixei para trás a cruz que me era impossível carregar durante mais tempo, há coisas que já não passam de memórias que tenho dificuldade em evocar, de tão distantes e irreais que agora, olhando para trás, me parecem, portanto, meus caros, se me permitem, encontramo-nos para o ano no mesmo sítio, à mesma hora, para reclamarmos do triste fado que assombra a alma portuguesa, de preferência com um Benfica campeão, gosto de vocês no geral e de uma muito em particular, portanto não percam o próximo episódio que nós também não.

28 de dezembro de 2012

Para 2013


Salvo alguma surpresa será isto, embora as novas edições do Ulisses e do Guerra e Paz sejam candidatas a intrometer-se, caso saiam efectivamente, não é, Relógio d'Água, vejam lá isso, vou terminar de ler os McCarthy em português, a Llansol sempre me atraiu, este é o ano em que me rendo ao Saramago, embora não me parece que algo vá superar o Ano da Morte de Ricardo Reis, curiosamente vejo ali mais portugueses que estrangeiros, a Ana Teresa Pereira fascina-me, não sei nada sobre ela, apenas que tem uma carrada de livros editados pela Relógio d'Água, que furacão literário é este, depois vou aproveitar também para continuar a mergulhar no grande romance contemporâneo norte-americano, depois da Piada Infinita vem o Correcções, a ver vamos no que isto vai dar, aceitam-se sugestões, embora, como digo aos meus livreiros quando eles perguntam se podem sugerir uma coisa, podem dizer à vontade que ouço tudo mas provavelmente não ligo a nada.

27 de dezembro de 2012

Para lá do horizonte

No espaço de pouco mais de um ano perdi o carro que tanto me orgulhava e com quem as pessoas me identificavam, agora tenho um mais modesto, sinal dos tempos, fosse eu um português dos sete costados e tinha-me aventurado em mais um crédito para ir buscar um igual, às vezes tenho ataques de bom senso, valha-nos isso, depois foi-se a ps3, companheira das infindáveis horas de solidão que se seguiram à saída das almas que davam vida a esta casa, receita quase sempre válida para apagar tormentos da mente e do coração nem que fosse por breves instantes, já agora, a merda do computador não consegue fazer uma merda de um remate de fora da área, a sério EA?, a sério?, nem um remate?, a ps3 ficou sem substituta, a minha mãe continua a dizer frases como brincavas muito quando chegavas do trabalho?, e eu respondia mãe, p'lamordedeus, agora já não ouço isso, e, cereja no topo do bolo, agora é o meu ipod que está a dar as últimas, demorei vinte e quatro horas a passar a letra A toda e ainda vou no início da letra B, lá para dois mil e catorze tenho isto cheio novamente, o meu classic de cento e vinte gigas está pela hora da morte, esta mania de nos afeiçoarmos e criarmos necessidades onde elas não existem e não deviam certamente existir, parece que não me imagino a ler no comboio sem there is a hell believe me i've seen it, there is a heaven let's keep it a secret, a bloquear as conversas que me pertubam a leitura, assusta-me esta tendência de humanizar os objectos, assusta-me ainda mais o que faço com as pessoas, pois que já não consigo, por mais longe que projecte o meu pensamento, no espaço e no tempo, de me imaginar numa cama vazia, de não me imaginar apaixonado por ela, de não fazer piadas com o tumblr e com os ray ban dela e com os all-star e com a casa alugada dela que eu digo que vou alugar só para mim, deixando apenas um canto do terraço com musgo para ela, querido, eu sei, já não consigo não incluí-la em tudo, e isso assusta-me devido a motivos e derivado a razões, i am the ocean i am the sea there is a world inside of me, e já não consigo não sorrir sempre que sinto cheiro a baunilha, e como dou por mim quando ouço a música da Amélie, aparentemente a única que o gajo do acordeão sabe tocar durante horas, aquilo deve ser algum tipo de competição entre os gajos de rua para verem quem consegue tocar durante mais tempo o mesmo trecho, de preferência o mais curto e repetitivo, a sair da loja e pensar que a vou ver, são coisas tão pequenas e tão grandes e o tempo é outro tempo diferente de todos os que comigo se cruzam, o nosso tempo mede-se em coisas aparentemente triviais como a duração de um disco ou de um filme, e haviam de experimentar ver um filme com ela, as perguntas que a senhora consegue inventar, muito graças à sua formação académica ao nível das engenharias, eu também sou engenheiro, ainda no outro dia abri o  meu leitor de cds para tirar um cd encravado, faz com que o seu espírito analítico e racional sejam de uma dimensão quase titânica, o que leva a momentos bonitos em que eu tento ser romântico e ela me corrige com frases como isso não é oxigénio é dióxido de carbono, eu já nem consigo andar pela livraria sem pensar em comentar livros com ela, melhor companhia de sempre para falar de livros, sim, eu perdoo o facto dela ler aquele choramingas, agora dei-me conta de que não era nada disto que eu queria falar, gostava muito de voltar a ter uma ps3 especialmente porque, quando me imagino a jogar, a única coisa que vejo é ela a refilar que lhe dou menos atenção, e, agora, é sempre assim com tudo, sempre ela.

Querido nosso senhor Jesus, o Cristo

Quando eu disse que queria ser igual ao Zidane não era ao cabelo que me estava a referir, raios.

23 de dezembro de 2012

Frases e momentos bonitos

Atrás do balcão, ou trincheira, como diz o nosso colega choramingas, ouvem-se frases que são hercúleos testes à capacidade que cada um tem de conter o riso, nomeada e mormente coisas do calibre de "aguarde só um segundo que a minha mãe já lhe dá o talão" e tudo o que seja relacionado com "pacote", tal como "não se preocupe que o talão vai no pacote", "quer que meta isto no pacote" ou o já clássico "não se preocupe que a minha colega tem o pacote aberto à sua espera".

Obrigadinho, Alexander Bell

1.
- Bom dia.
- Ah, ok, já percebi que estão abertos, era só isso, obrigado.
(desliga)
- ...

2.
- Podia-me reservar estes livros para dia vinte de dezembro?
- Claro, em que nome fica?
- Espere, pode antes guardar-me para dezanove de julho?
- ... Só reservamos os livros durante dez dias.
- Não, tem que me GARANTIR que guarda os livros até dezanove de julho, é o dia em que eu posso sair e ir aí buscar, eu PRECISO dessa agenda do Paulo Coelho.
- ... Eu posso enviá-los à cobrança, não tem que cá vir...
- Não. Só no dia dezanove de julho é que tenho dinheiro...
- ...

3.
- Boa tarde.
- Estão abertos até que horas?
- Vinte e duas horas.
- Vinte e duas, vinte e duas... Vinte e duas. Vinte e duas, vinte e duas... Ah, até às dez? 
- ...

4.
- Boa tarde.
- A que horas fecham?
- Só às vinte e duas horas.
- Ah, óptimo. Então passo por aí amanhã à hora do almoço.
- ...

Odeio-vos...

... casalinhos fofinhos às compras para a família de óculos de sol na cabeça, eles, não a família, com piadinhas cúmplices e olhares marotos, havieis de ter um oceano entre vocês que era para verem o que era bom para a tosse.

Shoot me

(ao telefone)
- Pode me dizer que livros de Reiki tem?
- Procura algum em especial?
- Não, prefiro que me diga.
- Ok, temos o Reiki universal,  Reiki para todos, Reiki como filosofia...
- Tem mais?
- Sim... Psicologia do reiki, Reiki para a vida, Reiki essencial...
- E tem mais?
- ... Claro... Energia inteligente, Perguntas sobre reiki, Reiki manual do terapeuta, Reiki - sistema tradicional japonês...
- ...
- ... Reiki a cura natural, Reiki sobre reiki, reiki para crianças e, por fim, saúde e reiki.
- Ah, eu queria a Cura pelo Reiki. Não tem?
- ... não.
- Então obrigado.
- ... 

Regresso ao passado

Em dois dias três visitas de pessoas que não via pessoalmente há muito tempo, a mãe da Catarina, o avô da Catarina, e, o mais importante, um dos meus melhores amigos, e por vê-lo, ele que anda por Berlim, Madrid, Paris, até na Sibéria, armado em artista das artes e instalações, o homem que equilibra uma barra de ferro num ténis adidas, enfim, por vê-lo fiquei com saudades dos meus melhores amigos, todos fora, bem, na realidade há um que ainda cá está mas a mulher não o deixa brincar na rua com os outros meninos, então é como se a minha adolescência me tivesse sido arrancada e espalhada por essa europa fora, ficam prometidos almoços e jantares que serão cumpridos, mas não chega, nunca chega.

Reconsider

Saio da loja tarde, está tudo fechado, parece que só nós e as vitaminas é que estamos abertos, que raio de dia, penso para mim, se fumasse era agora que ajeitava o cachecol e acendia o cigarro, penso nela lá no meio do oceano, penso na visita da minha filha, soube-me a tanto, a tão pouco, aquela sensação de viver entre o tudo e o nada, sou frágil e nada me atinge, tantos clientes em tão pouco tempo e em tão pouco espaço, perguntas que não lembram ao menino jesus, a noite está fria e eu também, o mendigo da porta da igreja despede-se com um boa noite senhor, estou mais habituado ao bom dia senhor para espanto de quem, por algum acaso, desce a rua comigo, mas o mais estranho estava para vir, ao fazer a esquina para a rua do alecrim dou de caras com o poeta-pintor, personagem habitual do chiado, meu arqui-inimigo de lançamentos e eventos finos da livraria, ele que tenta sempre entrar no nosso espaço para vender gravuras do Pessoa e poemas de sua própria autoria, da última vez que o expulsei de um lançamento, estava eu passados uns minutos à conversa com o ceo da empresa, ele aparece e vocifera, naquela sua maneira de falar quase imperceptível para os ouvidos destreinados, com aquele seu jeito poético-pictoresco de comer metade das sílabas, eu escrevi um livro de prosa prosa-poética poesia e pintura e vou lançá-lo aqui e vou expulsar-te a ti como tu me escorraças a mim, e o meu ceo sem perceber nada, e eu a encolher os ombros e a exclamar é justo, é justo, já no outro dia vi-o sentado à porta do belcanto a falar com uma miúdinha que parecia a maddie, ora aí está um cenário bizarro, então lá o encontrei na esquina e ele, pela primeira vez, veio apertar-me a mão e perguntar-me se podia descer comigo a rua, ia para o atelier antes de partir pela linha de sintra para os lados da amadora, e eu acedi, afinal de contas, é natal, estamos longe do nosso campo de batalha natural, então o poeta-pintor confidenciava-me que vendeu duzentos euros em quatro horas, não está mau, confirmei eu, ele queixava-se de que esteve quatro dias sem vender, é a crise, pudera, está mau para todos, disse-me que até cheques aceitava, cuidado, adverti eu, ele encolheu os ombros, tenho de arriscar, saiu-lhe com toda a sinceridade enquanto deixava sair a última bola de fundo que tinha guardada nos pulmões, despediu-se com um bom natal, apertou-me a mão novamente, virou a esquina e desaparecemos da vista um do outro, há comboios e camas vazias à espera, amanhã é um novo dia, amanhã.

21 de dezembro de 2012

Momento laboral do dia

Chegar do almoço e dizer a duas colegas que o mundo acabou na Austrália, assim mesmo, o mundo acabou na Austrália, sim, vi na internet, o ar de susto de uma, a outra percebeu rapidamente que estava a gozar, a outra começou a dizer aos colegas e veio confirmar mais uma vez se era verdade porque queria ir ter com os filhos, o mundo acabou na Austrália, enfim, estou cansado.

Assustadoras

As últimas páginas dos "Diários" do Al Berto.

Read my mind

- Tem o livro de coiso corporal?
- ...
- Assim, coiso, tipo ler.
- ...
- Ler o corpo.
- Linguagem corporal?
- Isso!

Questiono-me se pela minha linguagem corporal ela percebia o que eu achava dela.

Dexter

A sequência de perguntas que um gajo mais queria ouvir num atendimento:
- Tem livro de ciência forense?
- Sim, temos al...
- E de serial killers, também tem?
- Sim, é noutra secção e...
- E de perturbações mentais?
- ...

Ela

Algures  no meio do oceano, eu aqui, assim é o natal.

18 de dezembro de 2012

A melhor analogia que a minha cabeça e corpo cansado conseguem produzir neste momento, depois quando terminar o natal falamos melhor

A coisa mais parecida a que eu consigo comparar o trabalhar na loja nesta altura do ano é o Walking Dead, passo o dia a tentar chegar do ponto A ao ponto B a correr e só vejo braços a tentarem agarrar-me, pessoas a coxear pelos corredores e saídos de esquinas enquanto soltam sons estranhos e balbuciam coisas como livro, ajuda, é coisa para meter muito medo, garanto-vos, e, já que aqui estamos, aproveito também para dizer que o facto de dizerem se calhar vou-lhe fazer uma pergunta um bocado parva não torna a pergunta em si menos parva, era só isto, obrigado.

17 de dezembro de 2012

Have love will travel

Fiz a viagem de comboio da manhã com meia-hora de atraso porque os senhores da CP decidiram, mais uma vez, fazer greve, são bonitas as greves, é as greves e as doenças venéreas, incomodam quem quer trabalhar, foi muito agradável e turístico, very tipical, fazer a viagem de frente para um gajo, com os joelhos dele a tocarem nos meus, e eu a rezar e a prometer a mim mesmo que se qualquer outro tipo zona se tocasse eu partiria para a violência, já as senhoras um pouco ao lado, ameaçavam ir ao parlamento e fuzilar todos um a um "como aquele malandro da américa", e aí acabavam-se as greves, é, senhora, era assim que acabavam as greves, aliás, só não fomos mais cedo porque o Passos Coelho não queria fazer o seu trabalho de pica e o Paulo Portas não queria ser outra vez o maquinista.

Hard row

Aquele bonito momento em que atendes uma "figura" da televisão que te pede algo para uma miúda  de doze anos, que seja "tipo sexo e a cidade, mas sem o sexo".

16 de dezembro de 2012

Magic potion

Frase da tarde no fim do Hobbit, vinda de umas filas atrás, "aaaah, eu logo vi que isto ia ter um segundo filme".

12 de dezembro de 2012

Momento do dia de ontem

Cruzar os olhos com uma pessoa que vai a passar à porta do sítio onde estamos a trabalhar enquanto dizemos com a voz mais descontraída e natural do mundo "desculpa, tu podes perfeitamente sugar partes intímas femininas", a expressão da rapariga foi de tal modo boa que a minha colega teve de se deitar no chão a rir.

10 de dezembro de 2012

Da crítica

É do S. Jorge que vos escrevo, pequeninos, vós cujas saudades mal cabiam nos vossos pequenos corações blogoesféricos, pois bem, saibam que a vida por aqui vai continuando, é sinal, lá está, curioso, que estamos vivos, que vamos ter apenas uma folga completa entre o dia vinte e seis de novembro e o dia vinte e quatro de dezembro, carrega Mantorras, agora arranjem-me tempo para ser pai e para o amor, a Catarina anda a derrapar ligeiramente na escola, e ando preocupado com a escola onde ela vai para o ano, quinto ano, vai passar para uma pública, eu e a progenitora ainda não nos decidimos, aposto que nunca viram as notas das escolas públicas em termos de exames do sexto ano, medo, e o natal que já aí está e eu já tenho as prendas compradas, tenho de dar bom aspecto como pai e namoradinho, duas coisas em que gostava bastante de ser melhor, já em termos de leitura sou o melhor, em leitura e modéstia, o Piada Infinita já vai a cerca de vinte por cento, duzentas páginas, alguns erros que a revisão deixou passar não estragam a experiência, sendo que "experiência" é a palavra certa para descrever a leitura deste livro, uma escrita torrencial, sinto-me muitas vezes como se estivesse sentado na estação e passasse um comboio na velocidade máxima sem parar, e este comboio fosse interminável, é o melhor que consigo descrever, e é nestes momentos em que eu tenho a certeza de que não podia ser crítico, apesar das cunhas e tal, porque se me pedissem para criticar um livro eu não ia conseguir ir buscar aquelas referências obscuras à literatura austro-húngara do século dezoito ou ao cinema mudo da região baixa do Egipto ali como quem vai para o Cairo mas sai na terceira à direita na rotunda, portanto diria apenas algo do género "é muita bom chaval" e ficava por aí, não usava nenhum sistema de estrelas, era uma frase curta e mais nada, agora estava aqui a pensar o que é que diria se fosse mau, algo raro, confesso, é um dos meus dois defeitos literários segundo os meus colegas invejosos, leio na diagonal e gosto de tudo o que leio, eu gostava de aprofundar mais este tema mas, além da minha incapacidade natural, estão aqui pessoas que estão à espera do Visconti e que me vão fazendo perguntas, explicar a um gajo que fala inglês quem é o Eduardo Cintra Torres e do que ele esteve a falar é, como o "Piada Infinita", muita bom chaval.

9 de dezembro de 2012

Cars

- Filha, quando o teu irmão comer McDonald's já tu conduzes.
- E tu vais ao lado comigo a dizer (com voz trémula, a apontar para o lado com a mão a tremer) "vira para a direita... vira para a esquerda..."
- ... Catarina, eu vou ter 40 anos quando tu tiveres idade para tirar a carta!
- Por isso mesmo!
- ...

7 de dezembro de 2012

3 de dezembro de 2012

Hoje

Ela, meia-luz, Beirut, Portishead, XX, escolhe ela, olhos fechados, copos a um canto, a sorte dela é que não danço, mas, hoje, era hoje, era tudo o que precisava.

2 de dezembro de 2012

Lost in space

"Pai, se os Pontos Negros vierem a Portugal podemos ir vê-los?"

28 de novembro de 2012

O que é que mudavas?

Se pudesses voltar atrás e repetir um momento e mudar algo nele, o que mudavas?, perguntaram-me hoje, e eu pensei pronto lá estão as perguntas esquisitas outra vez, que parvoíce, isso não é sequer possível, é um exercício à partida condenado ao fracasso que reside na impossibilidade da concretização, mas, a verdade é que comecei a pensar nisso, o que é que eu mudaria?, e comecei a ficar preocupado, não havia, assim de repente, nenhum momento que eu pudesse destacar em que dissesse é este o momento que eu escolheria para mudar, eu fiz merda, muita merda, magoei muitas pessoas de quem gostava, rapidamente cheguei à conclusão de que, a mudar alguma coisa, seria algo relacionado com isso, mas continuei sem conseguir concentrar-me num evento, num erro, pensei em muitas coisas, claro, acima de tudo percebi que cometi erros que se transformaram em coisas boas, obviamente que nem sempre boas para toda a gente, mas boas para mim e para as pessoas de quem eu gosto, pensei nas pessoas que me são tudo, nas pessoas que me construíram enquanto ser humano, errei com eles?, demasiadas vezes, claro, a perfeição é algo que não existe e algo da qual eu sou um bom oposto, mas não consigo encontrar aquele dia, aquele segundo em que tivesse que mudar, e isto deixa-me a pensar, será algo egoísta da minha parte?, estarei eu a esquecer-me de algo?,  não terei dado o devido valor a algumas pessoas?, podia ter feito a diferença na vida de alguém de outra maneira?, e, para complicar tudo ainda mais, mudava alguma coisa sabendo que o presente podia não ser o que é hoje?, a vida não é um conjunto de modelos pré-definidos que podemos aplicar nos problemas que nos vão surgindo, sei que é cliché, mas aprender com esses momentos em que erramos é essencial, durante muito tempo advoguei orgulhosamente que era uma pessoa que aprendia com os erros, meu Deus, como estava errado e como cometi tantos erros, tantas vezes, o abismo já ali, eu a acenar-lhe apaixonadamente, outros tempos, outros blogs, que isto agora é tudo branquinho e espíritos ao alto,  agora, deve ser da idade, que isto envelhecer não é só perder cabelo e ficar mais charmoso e ser mais irónico, parece que aprendi, finalmente, algumas coisas, especialmente que vivo hoje e agora, e é hoje e agora que tenho que fazer a Catarina sorrir, hoje e agora que tenho que fazer a senhora que me atura feliz, porque amanhã pode já não dar e eu não quero ter que pensar em hipóteses remotas e inexequíveis complementadas por justificações incongruentes para amenizar possíveis arrependimentos, portanto, não posso desfazer o que fiz quando magoei certas pessoas, sei que me perdoaram, tal como eu já perdoei, as pequenas e grandes coisas, e, graças a isso, sou hoje a pessoa que aqui vos escreve, deitado num sofá com um cão de quarenta e cinco quilos a aquecer-me as pernas e o coração, com o coração longe de mim e perto delas, meio dividido, e, acreditem, isto eu não mudava por nada. 

É fácil fazê-la sorrir

"Bruno Nogueira". Já está.

26 de novembro de 2012

Catarina e a tia a secarem o cabelo, loucura


Tesourinhos da Benficatv

Benfica contra Massamá United, só este início é capaz de provocar temor nos mais incautos, em futsal, uma liga de empresas, do lado do Massamá United, nome apropriadíssimo, brilhava Pequenino, boa técnica, rápido, pequenino, curiosamente, já do lado do Sport Lisboa e Benfica brilhava o Maestro, sim, o próprio, número dez no dorso, braçadeira no braço que ostenta com orgulho, dele e nosso, porque o Rui Costa somos todos nós, todos nós temos um pouco do príncipe da Amadora dentro de nós, e o mítico dez era acompanhado por jogadores do calibre de, sustenham a respiração, Dimas, Paulo Madeira e Bruno Basto, representantes dignos da época mais negra que já se viu pelos lados da Luz, e todo o encontro foi assim uma espécie de sonho estranho, como o sonho que tive hoje quando, depois de ir deixar a Catarina à escola fui dormir para casa, sonhei que tinha feito exactamente a mesma coisa mas tinha ido dormir a casa do meu ex-sogro, então, enquanto ia adormecendo no sonho, frase por si só digna de análise profunda, ia pensando em que desculpa é que iria dar ao meu ex-sogro caso ele entrasse pela porta, então lá estava eu a adormecer no meu quarto antigo, actual quarto do seu filho mais novo, quase posso garantir que estive a sonhar a ver-me dormir, altamente interessante, há gente por aí que sonha com as coisas mais mirabolantes e espectaculares de cariz ou teor erótico e sexual, já eu, sonho comigo a dormir, então a senhora da Benfica tv, empolgadíssima, dizia coisas do calibre de "o fantástico pé esquerdo de Bruno Basto", palavras que nunca imaginámos ver na mesma frase "fantástico" e "Bruno Basto", ou ainda "só um jogador com a classe de Paulo Madeira para fazer algo assim, num espaço tão apertado", e, meus caros, é para isto que serve a Benfica tv, para provar que tudo é possível e que o Rui Costa ainda joga à bola, e porque raio é que a minha empresa não está a participar nisto, já me imagino no pavilhão Império Bonança a fazer uma cueca ao Rui Costa, apenas para depois ser ceifado pelo "fantástico" pé esquerdo do Bruno Basto, ele há gente que sonha com o euromilhões, eu é em jogar contra o Rui Costa.

25 de novembro de 2012

A Piada Infinita

Porque já tinha saudades de carregar um calhamaço nos transportes, porque é inverno e dá todo o jeito andar com o dito na rua, porque uma tendinite é algo que até está na moda, porque é uma altura do ano em que tenho muito tempo e, acima de tudo, cabeça, para ler algo desta desumana dimensão, porque não resisto quando um hype vem das pessoas certas, porque conheço os tradutores, família em tempos, imagine-se, porque é da casa, e as pessoas da casa acreditam e convencem outros a acreditar, vamos ver quanto tempo vou demorar a terminá-lo e qual o veredicto, muita imprensa e alguns autores renderam-se à qualidade da obra do homem, ao homem, às vezes, nem por isso, mas, admitamos, que piada têm escritores sem esta aura?

Thickfreakness

Tendo em conta que a maioria dos que votaram elegeram-te, é um bocado um tiro no pé Pedro.

23 de novembro de 2012

Indefinido

dia
(latim dies, -ei)
s. m.
1. Período de tempo que vai desde a última até à proxima vez que a vejo.

22 de novembro de 2012

Sporting, what are you doing?

Tudo bem que o Natal vem cada vez mais cedo, mas, oh Sporting, vamos lá ter calma.

Ah, então é aqui que tu gastas um bocado valente do ordenado, gosto, têm bom gosto nos quadros



A ver


Na imagem não dá para ver, mas a Pilar está sentada à minha frente do lado direito, não, Pilar, cariño, eu não te ando a perseguir, juro, agora o festival da LER parece-me bem, é ir, é ir.



21 de novembro de 2012

(antichrist television blues)

Ela não se queixa, ela faz análise crítica.

Conversas de livreiros


"Que cena... Peguei neste livro e vi a foto do autor, pensei que era o Gary Oldman, afinal, quando viro, era a  Zita Seabra!"

"O cavalo estava todo excitado com a minha mãe, estava doido com ela, deve ser dos dentes saídos."

20 de novembro de 2012

É, é isso tudo

No balcão:
Cliente - Isto está aqui um calor que não se pode.
Eu - Hm..
Cliente - Já sei de onde vem o aquecimento global. É daqui. Vem daqui.
(silêncio)
Cliente - O que vale é que já não é a minha geração que vai sofrer. Nem a dos meus filhos. Não tenho. Não tenho filhos. 
(som do papel a embrulhar um livro)
Cliente - Não tenho filhos e odeio os meus sobrinhos, portanto não quero saber, quando morrer não deixo nada. Quer dizer, vou deixar aos animais. Há pessoas que deixam à misericórdia, sabe?
Eu - Pois, eu...
Cliente - Mas eu não. À misericórdia? Para quê? Para o Santana desbaratar tudo como fez na Figueira e no Sporting. Antes dá-lo aos cães.
Eu - ...

19 de novembro de 2012

Sou mau com ironias

Ui, e as saudades que eu tinha de chegar a casa a cheirar a estoico cinzeiro velho de uma mesa de pés mancos da sala de espera romanticamente iluminada da casa de alterne duma qualquer esquina esquecida do Cais do Sodré? 

ALA - Os Cus de Judas

"Por exemplo, a tristeza depois do jantar substituia as palavras cruzadas do jornal, e entretinha-me a preencher os quadradinhos em branco de trabalhosas elucubrações oscilando entre o idiota chapado e o vulgar profundo, limites aliás entre os quais o pensamento lusitano se condensa, equivalentes metafísicos dos versos dos cravos de papel. Compreenda-me: pertencemos a uma terra em que a vivacidade faz as vezes do talento e onde a destreza ocupa o lugar da capacidade criadora, e creio com frequência que não passamos de facto de débeis mentais habilidodos consertando os fusíveis da alma à custa de expedientes de arame."

18 de novembro de 2012

E eis que filha e namorada se conhecem

Elas conheceram-se, foi a primeira vez de todas as partes envolvidas, questiono-me quem seria a pessoa mais nervosa, eu, ela ou a Catarina, foi uma coisa rápida, uma pequena viagem, correu bem, trocaram algumas palavras, notava-se o nervosismo na pequenina, a Catarina também não lhe ficava atrás, a confirmação de ter corrido bem chegou pela tia, a quem a Catarina confidenciou que ela é bonita, simpática e que, ponto fulcral, sabe o que é o inspector max, e há que realçar o facto de se referir a ela como a "amiga", com aspas desenhadas no ar, do pai, é só sentido de humor, a criança, já eu sou uma pessoa mais descansada, confesso, ainda que no meu íntimo soubesse que ia correr tudo bem, quando se trata de duas mulheres ninguém sabe o que se pode passar, a verdade é que já não aguentava ter que dividir os fins-de-semana entre as duas, ainda que obviamente queira ter tempo a sós com cada uma, vai ser bom, muito bom, poder partilhar o meu tempo com as duas, e, claro, o mais provável será depois não me ligarem nenhuma, mas eu acho que aguento.

17 de novembro de 2012

Pensei que isto era coisa dos Simpsons


Consta que a professora já não tem soluções para evitar que a criança desate a tagarelar depois de terminar os seus trabalhos, a Catarina também anda um bocado magoada com a professora porque diz que "ela não entende a arte" dos seus desenhos, eu ainda estou para decidir se isso é bom ou mau.

Mulheres, expliquem-me

Porque é que isto, no entender da senhora, é horrendo...


... Mas isto já é perfeitamente lindo e aceitável?


Desisto.

Pelo menos é sincero

Ir jantar a casa da mãe significa, devido a uma longa tradição literária, ler a revista maria da avó, acontecimento que se vê agora enobrecido com uma secção de classificados amorosos, local onde se encontram coisas como:


Cá está, um começo auspicioso, um paradoxo para muitas mulheres, o "homem decente", neste caso procura, e, com toda a certeza, procura uma senhora digna para amizade ou algo mais, algo que é comum nestas paragens, ou então procura companhia séria para uma vida a dois, ou então:


Pois, isto também é um hipótese, mulheres com mamas grandes, a seriedade ou dignidade ficam para segundo plano, a gente quer é mamas grandes, ainda que o texto não fique por aqui, aquela vírgula pode esconder um mar de sentimento que ele não consegue conter dentro de si:


"Copa D, mínimo", mínimo!, mas, vamos lá ver, o senhor devia estabelecer algum limite de peso, que uma copa D não é a mesma coisa nos sessenta e cinco ou nos cento e trinta quilos, mas, nem tudo está perdido, tem de ser digna e meiga, a não ser que "digna" e "meiga" sejam as alcunhas dele para as mamas da senhora.


16 de novembro de 2012

At the end of the longest line

Mudei da zon para a meo, andavam a ligar-me há bastante tempo e lá me convenceram sem sequer usarem o argumento mais de peso, a Benfica tv pois claro, agora a Catarina deixa de ter Nickelodeon, é uma pena para ela, para mim nem tanto, já não aguentava os gritos do spongebob ou as adolescentes despidas do victorious, então lá fui eu, bom cidadão, entregar o equipamento a uma loja da zon bem como cancelar o meu contrato, acontece que apenas me deixaram cancelar o contrato apesar de só efectivarem a coisa no fim do mês, mas ficar com o equipamento nem por isso, dizem que vão lá buscar a casa, os queridos, eu bem avisei que o sofá de casa já não dá para mais ninguém, duas pessoas e o cão e aquilo está no limite, mas, o que fazer, eles insistem em ir lá a casa buscar os equipamentos, mas o melhor ainda é ligarem para saberem porque é que fiz a mudança e, em vez de baixarem as orelhas e perceberem o mau serviço que prestaram, ainda tive que ouvir uma senhora histérica com os argumentos que apresentava, falando cada vez mais nervosa e apresentando alternativas que, ainda que pudessem ser válidas, sendo verbalizadas daquela forma perdiam todo e qualquer sentido, se eu quiser ouvir uma senhora histérica ligo para a minha ex-sogra e digo que inscrevi a Catarina no PCP, enfim, lá fiz ver à senhora que agora é tarde demais, que é inadmissível eu ter um tarifário do tempo da outra senhora e ninguém da zon me contactar no sentido de actualizar o mesmo para melhores serviços, a fibra da zon é melhor, dizia ela, pois, disse eu, agora temos pena, e a Benfica tv não dá os jogos da equipa principal, argumentou, minha cabra, pensei eu, se tu achas que o Benfica é só a equipa principal estás muito equivocada, estás a falar com uma pessoa que é doente pelo seu Benfica, que vai ver documentários sobre o Diamantino como se estivesse a ver vídeos de um membro da família, uma pessoa que tem as finais perdidas de oitenta e oito e de noventa cravadas bem fundo no seu coração encarnado, que vai ver os juvenis do Benfica a darem dezoito ao Cartaxo como se fosse uma final da liga dos campeões, não me venha com esses argumentos senhora, não toque no nome do glorioso em vão, então lá tive de ser ligeiramente brusco com a senhora para terminar o telefonema que a minha vida não é isto e está a dar uma espécie de opinião pública na Benfica tv e eu quero ouvir o que a senhora reformada de sessenta anos, da Vidigueira, tem a dizer do Robert Enke.

15 de novembro de 2012

Eufemismo do dia

"Às vezes também me engano"
Obrigado, Pedro.

Agora tenho MEO e isto inquieta-me...

Porque raio é que há um programa chamado "Grandes Adeptos" na Benficatv e eu não figuro entre os convidados? Palacim, vê-lá isso.

J'y suis jamais allé


Last nite

Ela já está bastante mais habituada ao animal cá de casa. E com o Link também já está muito mais à vontade.

10 de novembro de 2012

Postcards from Italy

Não te esqueceste de nada desta vez mas hoje foi o dia em que deixaste mais quando foste embora.

9 de novembro de 2012

Koi no yokan

Faz hoje dois anos que me sentei pela primeira vez neste escritório, curiosamente numa secretária ali ao lado, como gerente desta loja, lembro-me de um dia me ter sentado nessa mesma secretária para tratar de uns assuntos da então minha pequena loja e do gerente da altura e meu superior ter olhado para mim, sorrido abertamente, e dito ficas bem aí, nem brinque com isso, disse eu, meio assustado, coração a bater demasiado depressa, parecia algo inatingível na altura, eu, o miúdo que lia umas coisas e brincava aos livros, ser gerente de algo tão emblemático, mas o raio da vida dá voltas que não lembram a ninguém e, muito graças a ele, uma dívida que nunca se pagará por inteiro, dois anos e poucos meses depois, estava eu recém-divorciado e a entrar por aquela porta como gerente, estava um dia de sol, fui beber um café à Benard, diz que é tradição, curiosamente na minha cabeça imagino-me a entrar, abrir o casaco e tirar o cachecol, mas isto é a minha cabeça a brincar com as memórias, estava um dia de sol, disso lembro-me bem, desci aquele bocadinho da rua e o meu coração empurrava-me para a frente, não era a cabeça, não era o estatuto, era o coração, pensei na minha avó e no orgulho que ela teria, entrei e os livreiros muito sérios, alguns já conhecia de noites mal dormidas a montar lojas e feiras e outros devaneios similares, outros via-os pela primeira vez, já tinha ouvido falar de uns e outros, bem e mal, o que vale é que não emprenho pelos ouvidos, atravessei aquelas salas, fui conhecendo os cantos que não conhecia da casa, recebi um molho de chaves digno de um guarda-nocturno de uma vila obscura do interior, cheio de chaves enferrujadas e de peso descomunal, conheci arrecadações que se escondem atrás das estantes, portas, portinholas, terraço, locais ermos e abandonados, ligações escondidas, um elevador que não funciona na cozinha, frase que só por si dava um post gigante, porque é o que se espera de uma livraria, um elevador na cozinha, e depois um pó de tempos imemoriais, que forma nuvens em forma de cogumelo quando algum livro cai na carpete, e o cheiro, das melhores coisas que há é voltar de férias e ter perdido um bocado a habituação do cheiro dos livros, e os livreiros, odeio clichés, mas, sem eles não estaria aqui, não teria conseguido tanto nem tão bem, todas as alarvidades que dizem quando vão fumar, o ar de desespero que fazem quando digo que, pela terceira vez na mesma semana, temos de montar ou desmontar uma sala para um lançamento, as pequenas vitórias que vou partilhando com eles, profissionais ou não, nunca sonhei que fosse assim, quando entrei, quando passei pela primeira vez na livraria a tentar absorver tudo, os sentidos inundados, é agora, é hoje, foi ontem, foi há dois anos, e hoje, tanto se passou, houve gargalhadas, lágrimas, discussões, abraços sentidos, noites longas, manhãs destrutivas, toquei o céu e desci aos infernos no espaço de vinte e quatro horas, tive problemas pessoais e profissionais, às vezes misturados, conheci autores, editores, comerciais, relações públicas, directores de comunicação, mais livreiros, jornalistas, só me faltou falar para o canal dois, corri as televisões todas e algumas rádios, até a tv record, abraço para o povo irmão e tal, associated press, li, li muito, li muito bem, e hoje, dois anos depois, ainda sinto qualquer coisa ao entrar na livraria e tocar nas estantes, ao arrumar algum livro perdido, ao ajudar alguma pessoa a ter algo que procura, isto está difícil, não parece que melhore rapidamente mas nós, aqui, vamo-nos aguentando, temos toda a história atrás de nós, quase três séculos e, eu, agora, sou uma infima parte dela, mas ela, ela é uma parte gigante de mim.

8 de novembro de 2012

Inferior a três

Sim, ainda fica melhor, as palavras meigas disfarçadas de insultos, as palmadas na boca, fofinho?, não sei o que é isso e eu não o sou certamente, mas a verdade é que me sinto eu com ela nos braços, e isto é grave, muito grave, especialmente quando havia hoje uma efeméride daquelas redondas e, em vez do habitual post do costume nestas situações, só me apetece falar dela.

Obrigado amigos do facebook...


... por fazerem com que eu não consiga esperar até ter a edição em vinil para ouvir isto.

Jobs for the girls

Isto é inenarrável.
Eu também ofereço algo parecido, mas em vez de free lunches ofereço a hipótese de lerem livros à (ou "á", como eles escrevem) borla e em vez de palmadinhas nas costas dou palmadinhas no rabo, só para não dizerem que eu não sou um chefe assim muito inovador.

7 de novembro de 2012

6 de novembro de 2012

A soma de tanta horas

Um dia, antes de te ires deitar, começas a receber sms numa quantidade absurda, todas seguidas, tudo normal, afinal de contas, passa da meia-noite, fazes trinta e dois anos, recebes mensagens de pessoas que estavas à espera, outras nem tanto, ainda assim sentes-te grato pelas pessoas perderem trinta segundos da sua vida para te desejar os parabéns, a mesma coisa pelo facebook, esse facilitador de efemérides de maior ou menor  dimensão, depois ainda recebi por mail, é sempre mas sempre bom perceber que os amigos podem não se lembrar sempre mas nunca se esquecem, tal como eu não me esqueço deles, recebi mensagens até às três e quarenta e sete, hora a que o meu primo estava a chegar a Itália, de manhã repete-se o ritual, agora a atenção vira-se para a minha mãe, que tinha que ter o filho primogénito no dia de anos dela, rica prenda, ouço todos os anos, e, na verdade, até têm razão, não existe o meu aniversário, nunca existiu, existe sempre o nosso, e existirá sempre o nosso, mesmo quando um de nós não estiver lá, seremos sempre dois no bolo, seremos sempre dois a soprar as quatro velas, a música levará sempre um embaraçoso e descompassado para o menino Ricardo e menina Teresa uma salva de palmas, que ele há coisas difíceis de encaixar na métrica, e este amor é uma delas, os meus dela olhos verdes que hão de sempre olhar de baixo para cima, ainda que os calculistas centímetros queiram ditar que o pequenino agora é mais alto, a minha mãe ganha sempre no tamanho do coração, coração que tento emular da melhor maneira, mas fico tão tão longe, com a minha filha, quando a apanho ontem na escola e ela corre-me para os braços e enche-me de beijos e de mimos, quer me mostrar as quadras que fez e o desenho que fez, o orgulho que esta criança tem por mim é algo de belo, puro e descomunal, injustificado até, sou apenas o pai dela que faz anos, trinta e dois por sinal, isto para ela é quase terceira idade, para ela e não só, que aparentemente isto de ir a caminho dos quarenta, quando outras pessoas ainda se perdem no quente mar dos vinte, é coisa para causar a sua confusão, mas, pronto, nada que os abraços mais doces do mundo, e um vinil, não apaguem da minha memória, ainda que, confesso, continue a achar que ela me pôs algo na bebida, pois que eu não era assim e não queria tanta coisa e sentia tanta falta, coisa difícil de explicar, a maneira como a mente divaga para junto dela sempre que deve e não deve, para o dia de anos ter sido quase perfeito, além do toque dela, só faltou não ter recebido um mail que confirma que vou deixar de poder contar com um dos meus livreiro preferidos de sempre, uma pessoa incrível, de uma simplicidade e simpatia fora do comum, resta-me rezar para que ele seja feliz, que tudo lhe corra bem, e por favor, que volte, volte rápido de preferência, que isto de nos apegarmos às pessoas é uma doença ruim que, apesar de todos os cabelos brancos e corações partidos, ainda bem que não tem cura, tal como eu.

E ainda tinha de ter bom gosto nas prendas que dá


32

Ainda não é hoje que vou escrever o post sobre isto. Está a começar a chatear-me.

Hoje deu-lhe para isto




4 de novembro de 2012

As coisas que se encontram a arrumar o quarto da filha


"Artick Monckies"? Maravilhoso. Isto é a tentativa dela de escrever as notas da música. Resta saber qual.



A vossa sorte...

... é que quatro das minhas teclas não funcionam. Escrever com o teclado virtual não lembra ao menino Jesus. Como isto está hoje havia de ser bonito.

Progressos

Consegui que ela partilhasse o sofá com o Link e ela conseguiu, ainda que petrificada, dar-lhe uma festa na cabeça e experimentar aquele pelo de peluche dele. E ele gosta dela. Pudera.