6 de janeiro de 2013

C'mon yellows

O Carlos Manuel gostou muito do jogo do MELGARREGO.

3 de janeiro de 2013

Carrega Jesus

O homem tem gaita no nome, mas não exageres.

A sério, a sério

Ela é namorada do gerente da livraria mais antiga do mundo mas compra os livros pela internet, imaginem os outros encantos que ela não tem para ele não pensar noutra coisa.

Hoje

Não esfreguei vidros com diluente com vinte anos mas andei num corredor com um bolor e humidade fofinhos, acho que já não vivo sem colocar os meus pulmões num risco de qualquer espécie. 

A sério

As vossas piadas sobre os novos estados do facebook são hilariantes.

2 de janeiro de 2013

Efeitos secundários

Gosto muito de ver pessoas sentadas no chão da livraria, a lerem, pilhas disformes de livros no chão, pouco importados com quem olha ou passa, crianças que  leem livros aos pais, gosto muito, deixa-me quentinho por dentro, agora gente sentada em cima dos livros?, pessoas sentadas de pernas cruzadas, ou de cotovelos nos joelhos, em cima da merda dos livros que estão na base de uma estante ou gôndola?, claro, porque toda a gente quer um livro onde a pita de óculos de massa e botas com tachas se sentou e esfregou a saia mal lavada e as meias de licra rotas, era passar-lhes diluente no couro cabeludo e depois raspá-los com o referido utensílio de seria killer, nota-se que isto é coisa que me causa alguma comichão?

Sim, era eu

De diluente industrial super potente a raspar uma montra com um utensílio saído de um filme de serial killers, um engraçadinho decidiu pintar com spray uma das montras, escreveu "VAL", ah, não percebo nada de arte, já de diluentes começo a perceber qualquer coisa, este, além de rápido, intoxicava tudo num raio de trinta metros.

31 de dezembro de 2012

Afinal o anticiclone é uma coisa boa

Comecei este blog há um ano, mais coisa, menos coisa, estou com menos cabelo e mais barba, mais pobre financeiramente, com um cão ligeiramente maior, com uma filha definitivamente maior, a chefe da minha irmã encontrou-nos no pingo doce e disse-lhe que não parecemos pai e filha, eu nem sei bem o que ela quer dizer com isso mas não me soa bem, e eu, eu mudei o que tinha que mudar, cresci o que foi possível, cometi tantos erros, ainda assim bastante menos que em dois mil e onze, ultrapassei e deixei para trás a cruz que me era impossível carregar durante mais tempo, há coisas que já não passam de memórias que tenho dificuldade em evocar, de tão distantes e irreais que agora, olhando para trás, me parecem, portanto, meus caros, se me permitem, encontramo-nos para o ano no mesmo sítio, à mesma hora, para reclamarmos do triste fado que assombra a alma portuguesa, de preferência com um Benfica campeão, gosto de vocês no geral e de uma muito em particular, portanto não percam o próximo episódio que nós também não.

28 de dezembro de 2012

Para 2013


Salvo alguma surpresa será isto, embora as novas edições do Ulisses e do Guerra e Paz sejam candidatas a intrometer-se, caso saiam efectivamente, não é, Relógio d'Água, vejam lá isso, vou terminar de ler os McCarthy em português, a Llansol sempre me atraiu, este é o ano em que me rendo ao Saramago, embora não me parece que algo vá superar o Ano da Morte de Ricardo Reis, curiosamente vejo ali mais portugueses que estrangeiros, a Ana Teresa Pereira fascina-me, não sei nada sobre ela, apenas que tem uma carrada de livros editados pela Relógio d'Água, que furacão literário é este, depois vou aproveitar também para continuar a mergulhar no grande romance contemporâneo norte-americano, depois da Piada Infinita vem o Correcções, a ver vamos no que isto vai dar, aceitam-se sugestões, embora, como digo aos meus livreiros quando eles perguntam se podem sugerir uma coisa, podem dizer à vontade que ouço tudo mas provavelmente não ligo a nada.

27 de dezembro de 2012

Para lá do horizonte

No espaço de pouco mais de um ano perdi o carro que tanto me orgulhava e com quem as pessoas me identificavam, agora tenho um mais modesto, sinal dos tempos, fosse eu um português dos sete costados e tinha-me aventurado em mais um crédito para ir buscar um igual, às vezes tenho ataques de bom senso, valha-nos isso, depois foi-se a ps3, companheira das infindáveis horas de solidão que se seguiram à saída das almas que davam vida a esta casa, receita quase sempre válida para apagar tormentos da mente e do coração nem que fosse por breves instantes, já agora, a merda do computador não consegue fazer uma merda de um remate de fora da área, a sério EA?, a sério?, nem um remate?, a ps3 ficou sem substituta, a minha mãe continua a dizer frases como brincavas muito quando chegavas do trabalho?, e eu respondia mãe, p'lamordedeus, agora já não ouço isso, e, cereja no topo do bolo, agora é o meu ipod que está a dar as últimas, demorei vinte e quatro horas a passar a letra A toda e ainda vou no início da letra B, lá para dois mil e catorze tenho isto cheio novamente, o meu classic de cento e vinte gigas está pela hora da morte, esta mania de nos afeiçoarmos e criarmos necessidades onde elas não existem e não deviam certamente existir, parece que não me imagino a ler no comboio sem there is a hell believe me i've seen it, there is a heaven let's keep it a secret, a bloquear as conversas que me pertubam a leitura, assusta-me esta tendência de humanizar os objectos, assusta-me ainda mais o que faço com as pessoas, pois que já não consigo, por mais longe que projecte o meu pensamento, no espaço e no tempo, de me imaginar numa cama vazia, de não me imaginar apaixonado por ela, de não fazer piadas com o tumblr e com os ray ban dela e com os all-star e com a casa alugada dela que eu digo que vou alugar só para mim, deixando apenas um canto do terraço com musgo para ela, querido, eu sei, já não consigo não incluí-la em tudo, e isso assusta-me devido a motivos e derivado a razões, i am the ocean i am the sea there is a world inside of me, e já não consigo não sorrir sempre que sinto cheiro a baunilha, e como dou por mim quando ouço a música da Amélie, aparentemente a única que o gajo do acordeão sabe tocar durante horas, aquilo deve ser algum tipo de competição entre os gajos de rua para verem quem consegue tocar durante mais tempo o mesmo trecho, de preferência o mais curto e repetitivo, a sair da loja e pensar que a vou ver, são coisas tão pequenas e tão grandes e o tempo é outro tempo diferente de todos os que comigo se cruzam, o nosso tempo mede-se em coisas aparentemente triviais como a duração de um disco ou de um filme, e haviam de experimentar ver um filme com ela, as perguntas que a senhora consegue inventar, muito graças à sua formação académica ao nível das engenharias, eu também sou engenheiro, ainda no outro dia abri o  meu leitor de cds para tirar um cd encravado, faz com que o seu espírito analítico e racional sejam de uma dimensão quase titânica, o que leva a momentos bonitos em que eu tento ser romântico e ela me corrige com frases como isso não é oxigénio é dióxido de carbono, eu já nem consigo andar pela livraria sem pensar em comentar livros com ela, melhor companhia de sempre para falar de livros, sim, eu perdoo o facto dela ler aquele choramingas, agora dei-me conta de que não era nada disto que eu queria falar, gostava muito de voltar a ter uma ps3 especialmente porque, quando me imagino a jogar, a única coisa que vejo é ela a refilar que lhe dou menos atenção, e, agora, é sempre assim com tudo, sempre ela.

Querido nosso senhor Jesus, o Cristo

Quando eu disse que queria ser igual ao Zidane não era ao cabelo que me estava a referir, raios.

23 de dezembro de 2012

Frases e momentos bonitos

Atrás do balcão, ou trincheira, como diz o nosso colega choramingas, ouvem-se frases que são hercúleos testes à capacidade que cada um tem de conter o riso, nomeada e mormente coisas do calibre de "aguarde só um segundo que a minha mãe já lhe dá o talão" e tudo o que seja relacionado com "pacote", tal como "não se preocupe que o talão vai no pacote", "quer que meta isto no pacote" ou o já clássico "não se preocupe que a minha colega tem o pacote aberto à sua espera".

Obrigadinho, Alexander Bell

1.
- Bom dia.
- Ah, ok, já percebi que estão abertos, era só isso, obrigado.
(desliga)
- ...

2.
- Podia-me reservar estes livros para dia vinte de dezembro?
- Claro, em que nome fica?
- Espere, pode antes guardar-me para dezanove de julho?
- ... Só reservamos os livros durante dez dias.
- Não, tem que me GARANTIR que guarda os livros até dezanove de julho, é o dia em que eu posso sair e ir aí buscar, eu PRECISO dessa agenda do Paulo Coelho.
- ... Eu posso enviá-los à cobrança, não tem que cá vir...
- Não. Só no dia dezanove de julho é que tenho dinheiro...
- ...

3.
- Boa tarde.
- Estão abertos até que horas?
- Vinte e duas horas.
- Vinte e duas, vinte e duas... Vinte e duas. Vinte e duas, vinte e duas... Ah, até às dez? 
- ...

4.
- Boa tarde.
- A que horas fecham?
- Só às vinte e duas horas.
- Ah, óptimo. Então passo por aí amanhã à hora do almoço.
- ...

Odeio-vos...

... casalinhos fofinhos às compras para a família de óculos de sol na cabeça, eles, não a família, com piadinhas cúmplices e olhares marotos, havieis de ter um oceano entre vocês que era para verem o que era bom para a tosse.

Shoot me

(ao telefone)
- Pode me dizer que livros de Reiki tem?
- Procura algum em especial?
- Não, prefiro que me diga.
- Ok, temos o Reiki universal,  Reiki para todos, Reiki como filosofia...
- Tem mais?
- Sim... Psicologia do reiki, Reiki para a vida, Reiki essencial...
- E tem mais?
- ... Claro... Energia inteligente, Perguntas sobre reiki, Reiki manual do terapeuta, Reiki - sistema tradicional japonês...
- ...
- ... Reiki a cura natural, Reiki sobre reiki, reiki para crianças e, por fim, saúde e reiki.
- Ah, eu queria a Cura pelo Reiki. Não tem?
- ... não.
- Então obrigado.
- ... 

Regresso ao passado

Em dois dias três visitas de pessoas que não via pessoalmente há muito tempo, a mãe da Catarina, o avô da Catarina, e, o mais importante, um dos meus melhores amigos, e por vê-lo, ele que anda por Berlim, Madrid, Paris, até na Sibéria, armado em artista das artes e instalações, o homem que equilibra uma barra de ferro num ténis adidas, enfim, por vê-lo fiquei com saudades dos meus melhores amigos, todos fora, bem, na realidade há um que ainda cá está mas a mulher não o deixa brincar na rua com os outros meninos, então é como se a minha adolescência me tivesse sido arrancada e espalhada por essa europa fora, ficam prometidos almoços e jantares que serão cumpridos, mas não chega, nunca chega.

Reconsider

Saio da loja tarde, está tudo fechado, parece que só nós e as vitaminas é que estamos abertos, que raio de dia, penso para mim, se fumasse era agora que ajeitava o cachecol e acendia o cigarro, penso nela lá no meio do oceano, penso na visita da minha filha, soube-me a tanto, a tão pouco, aquela sensação de viver entre o tudo e o nada, sou frágil e nada me atinge, tantos clientes em tão pouco tempo e em tão pouco espaço, perguntas que não lembram ao menino jesus, a noite está fria e eu também, o mendigo da porta da igreja despede-se com um boa noite senhor, estou mais habituado ao bom dia senhor para espanto de quem, por algum acaso, desce a rua comigo, mas o mais estranho estava para vir, ao fazer a esquina para a rua do alecrim dou de caras com o poeta-pintor, personagem habitual do chiado, meu arqui-inimigo de lançamentos e eventos finos da livraria, ele que tenta sempre entrar no nosso espaço para vender gravuras do Pessoa e poemas de sua própria autoria, da última vez que o expulsei de um lançamento, estava eu passados uns minutos à conversa com o ceo da empresa, ele aparece e vocifera, naquela sua maneira de falar quase imperceptível para os ouvidos destreinados, com aquele seu jeito poético-pictoresco de comer metade das sílabas, eu escrevi um livro de prosa prosa-poética poesia e pintura e vou lançá-lo aqui e vou expulsar-te a ti como tu me escorraças a mim, e o meu ceo sem perceber nada, e eu a encolher os ombros e a exclamar é justo, é justo, já no outro dia vi-o sentado à porta do belcanto a falar com uma miúdinha que parecia a maddie, ora aí está um cenário bizarro, então lá o encontrei na esquina e ele, pela primeira vez, veio apertar-me a mão e perguntar-me se podia descer comigo a rua, ia para o atelier antes de partir pela linha de sintra para os lados da amadora, e eu acedi, afinal de contas, é natal, estamos longe do nosso campo de batalha natural, então o poeta-pintor confidenciava-me que vendeu duzentos euros em quatro horas, não está mau, confirmei eu, ele queixava-se de que esteve quatro dias sem vender, é a crise, pudera, está mau para todos, disse-me que até cheques aceitava, cuidado, adverti eu, ele encolheu os ombros, tenho de arriscar, saiu-lhe com toda a sinceridade enquanto deixava sair a última bola de fundo que tinha guardada nos pulmões, despediu-se com um bom natal, apertou-me a mão novamente, virou a esquina e desaparecemos da vista um do outro, há comboios e camas vazias à espera, amanhã é um novo dia, amanhã.