De diluente industrial super potente a raspar uma montra com um utensílio saído de um filme de serial killers, um engraçadinho decidiu pintar com spray uma das montras, escreveu "VAL", ah, não percebo nada de arte, já de diluentes começo a perceber qualquer coisa, este, além de rápido, intoxicava tudo num raio de trinta metros.
2 de janeiro de 2013
31 de dezembro de 2012
Afinal o anticiclone é uma coisa boa
Comecei este blog há um ano, mais coisa, menos coisa, estou com menos cabelo e mais barba, mais pobre financeiramente, com um cão ligeiramente maior, com uma filha definitivamente maior, a chefe da minha irmã encontrou-nos no pingo doce e disse-lhe que não parecemos pai e filha, eu nem sei bem o que ela quer dizer com isso mas não me soa bem, e eu, eu mudei o que tinha que mudar, cresci o que foi possível, cometi tantos erros, ainda assim bastante menos que em dois mil e onze, ultrapassei e deixei para trás a cruz que me era impossível carregar durante mais tempo, há coisas que já não passam de memórias que tenho dificuldade em evocar, de tão distantes e irreais que agora, olhando para trás, me parecem, portanto, meus caros, se me permitem, encontramo-nos para o ano no mesmo sítio, à mesma hora, para reclamarmos do triste fado que assombra a alma portuguesa, de preferência com um Benfica campeão, gosto de vocês no geral e de uma muito em particular, portanto não percam o próximo episódio que nós também não.
30 de dezembro de 2012
29 de dezembro de 2012
Fanã... Eu até gosto de ti, mas...
Fanã, Fanã... Eu, que tenho todos os teus cds (sim, Fanã, até Daemonarch vê tu bem...) e os teus livros, não consigo deixar de recordar com saudade os tempos em que falavas de lobos e de ninfas vampirescas em vez de cantautores que ameaçam a música portuguesa.
28 de dezembro de 2012
Para 2013
Salvo alguma surpresa será isto, embora as novas edições do Ulisses e do Guerra e Paz sejam candidatas a intrometer-se, caso saiam efectivamente, não é, Relógio d'Água, vejam lá isso, vou terminar de ler os McCarthy em português, a Llansol sempre me atraiu, este é o ano em que me rendo ao Saramago, embora não me parece que algo vá superar o Ano da Morte de Ricardo Reis, curiosamente vejo ali mais portugueses que estrangeiros, a Ana Teresa Pereira fascina-me, não sei nada sobre ela, apenas que tem uma carrada de livros editados pela Relógio d'Água, que furacão literário é este, depois vou aproveitar também para continuar a mergulhar no grande romance contemporâneo norte-americano, depois da Piada Infinita vem o Correcções, a ver vamos no que isto vai dar, aceitam-se sugestões, embora, como digo aos meus livreiros quando eles perguntam se podem sugerir uma coisa, podem dizer à vontade que ouço tudo mas provavelmente não ligo a nada.
27 de dezembro de 2012
Para lá do horizonte
No espaço de pouco mais de um ano perdi o carro que tanto me orgulhava e com quem as pessoas me identificavam, agora tenho um mais modesto, sinal dos tempos, fosse eu um português dos sete costados e tinha-me aventurado em mais um crédito para ir buscar um igual, às vezes tenho ataques de bom senso, valha-nos isso, depois foi-se a ps3, companheira das infindáveis horas de solidão que se seguiram à saída das almas que davam vida a esta casa, receita quase sempre válida para apagar tormentos da mente e do coração nem que fosse por breves instantes, já agora, a merda do computador não consegue fazer uma merda de um remate de fora da área, a sério EA?, a sério?, nem um remate?, a ps3 ficou sem substituta, a minha mãe continua a dizer frases como brincavas muito quando chegavas do trabalho?, e eu respondia mãe, p'lamordedeus, agora já não ouço isso, e, cereja no topo do bolo, agora é o meu ipod que está a dar as últimas, demorei vinte e quatro horas a passar a letra A toda e ainda vou no início da letra B, lá para dois mil e catorze tenho isto cheio novamente, o meu classic de cento e vinte gigas está pela hora da morte, esta mania de nos afeiçoarmos e criarmos necessidades onde elas não existem e não deviam certamente existir, parece que não me imagino a ler no comboio sem there is a hell believe me i've seen it, there is a heaven let's keep it a secret, a bloquear as conversas que me pertubam a leitura, assusta-me esta tendência de humanizar os objectos, assusta-me ainda mais o que faço com as pessoas, pois que já não consigo, por mais longe que projecte o meu pensamento, no espaço e no tempo, de me imaginar numa cama vazia, de não me imaginar apaixonado por ela, de não fazer piadas com o tumblr e com os ray ban dela e com os all-star e com a casa alugada dela que eu digo que vou alugar só para mim, deixando apenas um canto do terraço com musgo para ela, querido, eu sei, já não consigo não incluí-la em tudo, e isso assusta-me devido a motivos e derivado a razões, i am the ocean i am the sea there is a world inside of me, e já não consigo não sorrir sempre que sinto cheiro a baunilha, e como dou por mim quando ouço a música da Amélie, aparentemente a única que o gajo do acordeão sabe tocar durante horas, aquilo deve ser algum tipo de competição entre os gajos de rua para verem quem consegue tocar durante mais tempo o mesmo trecho, de preferência o mais curto e repetitivo, a sair da loja e pensar que a vou ver, são coisas tão pequenas e tão grandes e o tempo é outro tempo diferente de todos os que comigo se cruzam, o nosso tempo mede-se em coisas aparentemente triviais como a duração de um disco ou de um filme, e haviam de experimentar ver um filme com ela, as perguntas que a senhora consegue inventar, muito graças à sua formação académica ao nível das engenharias, eu também sou engenheiro, ainda no outro dia abri o meu leitor de cds para tirar um cd encravado, faz com que o seu espírito analítico e racional sejam de uma dimensão quase titânica, o que leva a momentos bonitos em que eu tento ser romântico e ela me corrige com frases como isso não é oxigénio é dióxido de carbono, eu já nem consigo andar pela livraria sem pensar em comentar livros com ela, melhor companhia de sempre para falar de livros, sim, eu perdoo o facto dela ler aquele choramingas, agora dei-me conta de que não era nada disto que eu queria falar, gostava muito de voltar a ter uma ps3 especialmente porque, quando me imagino a jogar, a única coisa que vejo é ela a refilar que lhe dou menos atenção, e, agora, é sempre assim com tudo, sempre ela.
Querido nosso senhor Jesus, o Cristo
Quando eu disse que queria ser igual ao Zidane não era ao cabelo que me estava a referir, raios.
23 de dezembro de 2012
Frases e momentos bonitos
Atrás do balcão, ou trincheira, como diz o nosso colega choramingas, ouvem-se frases que são hercúleos testes à capacidade que cada um tem de conter o riso, nomeada e mormente coisas do calibre de "aguarde só um segundo que a minha mãe já lhe dá o talão" e tudo o que seja relacionado com "pacote", tal como "não se preocupe que o talão vai no pacote", "quer que meta isto no pacote" ou o já clássico "não se preocupe que a minha colega tem o pacote aberto à sua espera".
Obrigadinho, Alexander Bell
1.
- Bom dia.
- Ah, ok, já percebi que estão abertos, era só isso, obrigado.
(desliga)
- ...
2.
- Podia-me reservar estes livros para dia vinte de dezembro?
- Claro, em que nome fica?
- Espere, pode antes guardar-me para dezanove de julho?
- ... Só reservamos os livros durante dez dias.
- Não, tem que me GARANTIR que guarda os livros até dezanove de julho, é o dia em que eu posso sair e ir aí buscar, eu PRECISO dessa agenda do Paulo Coelho.
- ... Eu posso enviá-los à cobrança, não tem que cá vir...
- Não. Só no dia dezanove de julho é que tenho dinheiro...
- ...
3.
- Boa tarde.
- Estão abertos até que horas?
- Vinte e duas horas.
- Vinte e duas, vinte e duas... Vinte e duas. Vinte e duas, vinte e duas... Ah, até às dez?
- ...
4.
- Boa tarde.
- A que horas fecham?
- Só às vinte e duas horas.
- Ah, óptimo. Então passo por aí amanhã à hora do almoço.
- ...
Odeio-vos...
... casalinhos fofinhos às compras para a família de óculos de sol na cabeça, eles, não a família, com piadinhas cúmplices e olhares marotos, havieis de ter um oceano entre vocês que era para verem o que era bom para a tosse.
Shoot me
(ao telefone)
- Pode me dizer que livros de Reiki tem?
- Procura algum em especial?
- Não, prefiro que me diga.
- Ok, temos o Reiki universal, Reiki para todos, Reiki como filosofia...
- Tem mais?
- Sim... Psicologia do reiki, Reiki para a vida, Reiki essencial...
- E tem mais?
- ... Claro... Energia inteligente, Perguntas sobre reiki, Reiki manual do terapeuta, Reiki - sistema tradicional japonês...
- ...
- ... Reiki a cura natural, Reiki sobre reiki, reiki para crianças e, por fim, saúde e reiki.
- Ah, eu queria a Cura pelo Reiki. Não tem?
- ... não.
- Então obrigado.
- ...
Regresso ao passado
Em dois dias três visitas de pessoas que não via pessoalmente há muito tempo, a mãe da Catarina, o avô da Catarina, e, o mais importante, um dos meus melhores amigos, e por vê-lo, ele que anda por Berlim, Madrid, Paris, até na Sibéria, armado em artista das artes e instalações, o homem que equilibra uma barra de ferro num ténis adidas, enfim, por vê-lo fiquei com saudades dos meus melhores amigos, todos fora, bem, na realidade há um que ainda cá está mas a mulher não o deixa brincar na rua com os outros meninos, então é como se a minha adolescência me tivesse sido arrancada e espalhada por essa europa fora, ficam prometidos almoços e jantares que serão cumpridos, mas não chega, nunca chega.
Reconsider
Saio da loja tarde, está tudo fechado, parece que só nós e as vitaminas é que estamos abertos, que raio de dia, penso para mim, se fumasse era agora que ajeitava o cachecol e acendia o cigarro, penso nela lá no meio do oceano, penso na visita da minha filha, soube-me a tanto, a tão pouco, aquela sensação de viver entre o tudo e o nada, sou frágil e nada me atinge, tantos clientes em tão pouco tempo e em tão pouco espaço, perguntas que não lembram ao menino jesus, a noite está fria e eu também, o mendigo da porta da igreja despede-se com um boa noite senhor, estou mais habituado ao bom dia senhor para espanto de quem, por algum acaso, desce a rua comigo, mas o mais estranho estava para vir, ao fazer a esquina para a rua do alecrim dou de caras com o poeta-pintor, personagem habitual do chiado, meu arqui-inimigo de lançamentos e eventos finos da livraria, ele que tenta sempre entrar no nosso espaço para vender gravuras do Pessoa e poemas de sua própria autoria, da última vez que o expulsei de um lançamento, estava eu passados uns minutos à conversa com o ceo da empresa, ele aparece e vocifera, naquela sua maneira de falar quase imperceptível para os ouvidos destreinados, com aquele seu jeito poético-pictoresco de comer metade das sílabas, eu escrevi um livro de prosa prosa-poética poesia e pintura e vou lançá-lo aqui e vou expulsar-te a ti como tu me escorraças a mim, e o meu ceo sem perceber nada, e eu a encolher os ombros e a exclamar é justo, é justo, já no outro dia vi-o sentado à porta do belcanto a falar com uma miúdinha que parecia a maddie, ora aí está um cenário bizarro, então lá o encontrei na esquina e ele, pela primeira vez, veio apertar-me a mão e perguntar-me se podia descer comigo a rua, ia para o atelier antes de partir pela linha de sintra para os lados da amadora, e eu acedi, afinal de contas, é natal, estamos longe do nosso campo de batalha natural, então o poeta-pintor confidenciava-me que vendeu duzentos euros em quatro horas, não está mau, confirmei eu, ele queixava-se de que esteve quatro dias sem vender, é a crise, pudera, está mau para todos, disse-me que até cheques aceitava, cuidado, adverti eu, ele encolheu os ombros, tenho de arriscar, saiu-lhe com toda a sinceridade enquanto deixava sair a última bola de fundo que tinha guardada nos pulmões, despediu-se com um bom natal, apertou-me a mão novamente, virou a esquina e desaparecemos da vista um do outro, há comboios e camas vazias à espera, amanhã é um novo dia, amanhã.
21 de dezembro de 2012
Momento laboral do dia
Chegar do almoço e dizer a duas colegas que o mundo acabou na Austrália, assim mesmo, o mundo acabou na Austrália, sim, vi na internet, o ar de susto de uma, a outra percebeu rapidamente que estava a gozar, a outra começou a dizer aos colegas e veio confirmar mais uma vez se era verdade porque queria ir ter com os filhos, o mundo acabou na Austrália, enfim, estou cansado.
Read my mind
- Tem o livro de coiso corporal?
- ...
- Assim, coiso, tipo ler.
- ...
- Ler o corpo.
- Linguagem corporal?
- Isso!
Questiono-me se pela minha linguagem corporal ela percebia o que eu achava dela.
Dexter
A sequência de perguntas que um gajo mais queria ouvir num atendimento:
- Tem livro de ciência forense?
- Sim, temos al...
- E de serial killers, também tem?
- Sim, é noutra secção e...
- E de perturbações mentais?
- ...
18 de dezembro de 2012
A melhor analogia que a minha cabeça e corpo cansado conseguem produzir neste momento, depois quando terminar o natal falamos melhor
A coisa mais parecida a que eu consigo comparar o trabalhar na loja nesta altura do ano é o Walking Dead, passo o dia a tentar chegar do ponto A ao ponto B a correr e só vejo braços a tentarem agarrar-me, pessoas a coxear pelos corredores e saídos de esquinas enquanto soltam sons estranhos e balbuciam coisas como livro, ajuda, é coisa para meter muito medo, garanto-vos, e, já que aqui estamos, aproveito também para dizer que o facto de dizerem se calhar vou-lhe fazer uma pergunta um bocado parva não torna a pergunta em si menos parva, era só isto, obrigado.
17 de dezembro de 2012
Have love will travel
Fiz a viagem de comboio da manhã com meia-hora de atraso porque os senhores da CP decidiram, mais uma vez, fazer greve, são bonitas as greves, é as greves e as doenças venéreas, incomodam quem quer trabalhar, foi muito agradável e turístico, very tipical, fazer a viagem de frente para um gajo, com os joelhos dele a tocarem nos meus, e eu a rezar e a prometer a mim mesmo que se qualquer outro tipo zona se tocasse eu partiria para a violência, já as senhoras um pouco ao lado, ameaçavam ir ao parlamento e fuzilar todos um a um "como aquele malandro da américa", e aí acabavam-se as greves, é, senhora, era assim que acabavam as greves, aliás, só não fomos mais cedo porque o Passos Coelho não queria fazer o seu trabalho de pica e o Paulo Portas não queria ser outra vez o maquinista.
Hard row
Aquele bonito momento em que atendes uma "figura" da televisão que te pede algo para uma miúda de doze anos, que seja "tipo sexo e a cidade, mas sem o sexo".
16 de dezembro de 2012
Magic potion
Frase da tarde no fim do Hobbit, vinda de umas filas atrás, "aaaah, eu logo vi que isto ia ter um segundo filme".
12 de dezembro de 2012
Momento do dia de ontem
Cruzar os olhos com uma pessoa que vai a passar à porta do sítio onde estamos a trabalhar enquanto dizemos com a voz mais descontraída e natural do mundo "desculpa, tu podes perfeitamente sugar partes intímas femininas", a expressão da rapariga foi de tal modo boa que a minha colega teve de se deitar no chão a rir.
10 de dezembro de 2012
Da crítica
É do S. Jorge que vos escrevo, pequeninos, vós cujas saudades mal cabiam nos vossos pequenos corações blogoesféricos, pois bem, saibam que a vida por aqui vai continuando, é sinal, lá está, curioso, que estamos vivos, que vamos ter apenas uma folga completa entre o dia vinte e seis de novembro e o dia vinte e quatro de dezembro, carrega Mantorras, agora arranjem-me tempo para ser pai e para o amor, a Catarina anda a derrapar ligeiramente na escola, e ando preocupado com a escola onde ela vai para o ano, quinto ano, vai passar para uma pública, eu e a progenitora ainda não nos decidimos, aposto que nunca viram as notas das escolas públicas em termos de exames do sexto ano, medo, e o natal que já aí está e eu já tenho as prendas compradas, tenho de dar bom aspecto como pai e namoradinho, duas coisas em que gostava bastante de ser melhor, já em termos de leitura sou o melhor, em leitura e modéstia, o Piada Infinita já vai a cerca de vinte por cento, duzentas páginas, alguns erros que a revisão deixou passar não estragam a experiência, sendo que "experiência" é a palavra certa para descrever a leitura deste livro, uma escrita torrencial, sinto-me muitas vezes como se estivesse sentado na estação e passasse um comboio na velocidade máxima sem parar, e este comboio fosse interminável, é o melhor que consigo descrever, e é nestes momentos em que eu tenho a certeza de que não podia ser crítico, apesar das cunhas e tal, porque se me pedissem para criticar um livro eu não ia conseguir ir buscar aquelas referências obscuras à literatura austro-húngara do século dezoito ou ao cinema mudo da região baixa do Egipto ali como quem vai para o Cairo mas sai na terceira à direita na rotunda, portanto diria apenas algo do género "é muita bom chaval" e ficava por aí, não usava nenhum sistema de estrelas, era uma frase curta e mais nada, agora estava aqui a pensar o que é que diria se fosse mau, algo raro, confesso, é um dos meus dois defeitos literários segundo os meus colegas invejosos, leio na diagonal e gosto de tudo o que leio, eu gostava de aprofundar mais este tema mas, além da minha incapacidade natural, estão aqui pessoas que estão à espera do Visconti e que me vão fazendo perguntas, explicar a um gajo que fala inglês quem é o Eduardo Cintra Torres e do que ele esteve a falar é, como o "Piada Infinita", muita bom chaval.
9 de dezembro de 2012
Cars
- Filha, quando o teu irmão comer McDonald's já tu conduzes.
- E tu vais ao lado comigo a dizer (com voz trémula, a apontar para o lado com a mão a tremer) "vira para a direita... vira para a esquerda..."
- ... Catarina, eu vou ter 40 anos quando tu tiveres idade para tirar a carta!
- Por isso mesmo!
- ...
7 de dezembro de 2012
5 de dezembro de 2012
3 de dezembro de 2012
Hoje
Ela, meia-luz, Beirut, Portishead, XX, escolhe ela, olhos fechados, copos a um canto, a sorte dela é que não danço, mas, hoje, era hoje, era tudo o que precisava.
2 de dezembro de 2012
28 de novembro de 2012
O que é que mudavas?
Se pudesses voltar atrás e repetir um momento e mudar algo nele, o que mudavas?, perguntaram-me hoje, e eu pensei pronto lá estão as perguntas esquisitas outra vez, que parvoíce, isso não é sequer possível, é um exercício à partida condenado ao fracasso que reside na impossibilidade da concretização, mas, a verdade é que comecei a pensar nisso, o que é que eu mudaria?, e comecei a ficar preocupado, não havia, assim de repente, nenhum momento que eu pudesse destacar em que dissesse é este o momento que eu escolheria para mudar, eu fiz merda, muita merda, magoei muitas pessoas de quem gostava, rapidamente cheguei à conclusão de que, a mudar alguma coisa, seria algo relacionado com isso, mas continuei sem conseguir concentrar-me num evento, num erro, pensei em muitas coisas, claro, acima de tudo percebi que cometi erros que se transformaram em coisas boas, obviamente que nem sempre boas para toda a gente, mas boas para mim e para as pessoas de quem eu gosto, pensei nas pessoas que me são tudo, nas pessoas que me construíram enquanto ser humano, errei com eles?, demasiadas vezes, claro, a perfeição é algo que não existe e algo da qual eu sou um bom oposto, mas não consigo encontrar aquele dia, aquele segundo em que tivesse que mudar, e isto deixa-me a pensar, será algo egoísta da minha parte?, estarei eu a esquecer-me de algo?, não terei dado o devido valor a algumas pessoas?, podia ter feito a diferença na vida de alguém de outra maneira?, e, para complicar tudo ainda mais, mudava alguma coisa sabendo que o presente podia não ser o que é hoje?, a vida não é um conjunto de modelos pré-definidos que podemos aplicar nos problemas que nos vão surgindo, sei que é cliché, mas aprender com esses momentos em que erramos é essencial, durante muito tempo advoguei orgulhosamente que era uma pessoa que aprendia com os erros, meu Deus, como estava errado e como cometi tantos erros, tantas vezes, o abismo já ali, eu a acenar-lhe apaixonadamente, outros tempos, outros blogs, que isto agora é tudo branquinho e espíritos ao alto, agora, deve ser da idade, que isto envelhecer não é só perder cabelo e ficar mais charmoso e ser mais irónico, parece que aprendi, finalmente, algumas coisas, especialmente que vivo hoje e agora, e é hoje e agora que tenho que fazer a Catarina sorrir, hoje e agora que tenho que fazer a senhora que me atura feliz, porque amanhã pode já não dar e eu não quero ter que pensar em hipóteses remotas e inexequíveis complementadas por justificações incongruentes para amenizar possíveis arrependimentos, portanto, não posso desfazer o que fiz quando magoei certas pessoas, sei que me perdoaram, tal como eu já perdoei, as pequenas e grandes coisas, e, graças a isso, sou hoje a pessoa que aqui vos escreve, deitado num sofá com um cão de quarenta e cinco quilos a aquecer-me as pernas e o coração, com o coração longe de mim e perto delas, meio dividido, e, acreditem, isto eu não mudava por nada.
26 de novembro de 2012
Tesourinhos da Benficatv
Benfica contra Massamá United, só este início é capaz de provocar temor nos mais incautos, em futsal, uma liga de empresas, do lado do Massamá United, nome apropriadíssimo, brilhava Pequenino, boa técnica, rápido, pequenino, curiosamente, já do lado do Sport Lisboa e Benfica brilhava o Maestro, sim, o próprio, número dez no dorso, braçadeira no braço que ostenta com orgulho, dele e nosso, porque o Rui Costa somos todos nós, todos nós temos um pouco do príncipe da Amadora dentro de nós, e o mítico dez era acompanhado por jogadores do calibre de, sustenham a respiração, Dimas, Paulo Madeira e Bruno Basto, representantes dignos da época mais negra que já se viu pelos lados da Luz, e todo o encontro foi assim uma espécie de sonho estranho, como o sonho que tive hoje quando, depois de ir deixar a Catarina à escola fui dormir para casa, sonhei que tinha feito exactamente a mesma coisa mas tinha ido dormir a casa do meu ex-sogro, então, enquanto ia adormecendo no sonho, frase por si só digna de análise profunda, ia pensando em que desculpa é que iria dar ao meu ex-sogro caso ele entrasse pela porta, então lá estava eu a adormecer no meu quarto antigo, actual quarto do seu filho mais novo, quase posso garantir que estive a sonhar a ver-me dormir, altamente interessante, há gente por aí que sonha com as coisas mais mirabolantes e espectaculares de cariz ou teor erótico e sexual, já eu, sonho comigo a dormir, então a senhora da Benfica tv, empolgadíssima, dizia coisas do calibre de "o fantástico pé esquerdo de Bruno Basto", palavras que nunca imaginámos ver na mesma frase "fantástico" e "Bruno Basto", ou ainda "só um jogador com a classe de Paulo Madeira para fazer algo assim, num espaço tão apertado", e, meus caros, é para isto que serve a Benfica tv, para provar que tudo é possível e que o Rui Costa ainda joga à bola, e porque raio é que a minha empresa não está a participar nisto, já me imagino no pavilhão Império Bonança a fazer uma cueca ao Rui Costa, apenas para depois ser ceifado pelo "fantástico" pé esquerdo do Bruno Basto, ele há gente que sonha com o euromilhões, eu é em jogar contra o Rui Costa.
25 de novembro de 2012
A Piada Infinita
Porque já tinha saudades de carregar um calhamaço nos transportes, porque é inverno e dá todo o jeito andar com o dito na rua, porque uma tendinite é algo que até está na moda, porque é uma altura do ano em que tenho muito tempo e, acima de tudo, cabeça, para ler algo desta desumana dimensão, porque não resisto quando um hype vem das pessoas certas, porque conheço os tradutores, família em tempos, imagine-se, porque é da casa, e as pessoas da casa acreditam e convencem outros a acreditar, vamos ver quanto tempo vou demorar a terminá-lo e qual o veredicto, muita imprensa e alguns autores renderam-se à qualidade da obra do homem, ao homem, às vezes, nem por isso, mas, admitamos, que piada têm escritores sem esta aura?
23 de novembro de 2012
Indefinido
dia
(latim dies, -ei)
s. m.
1. Período de tempo que vai desde a última até à proxima vez que a vejo.
(latim dies, -ei)
s. m.
1. Período de tempo que vai desde a última até à proxima vez que a vejo.
22 de novembro de 2012
Sporting, what are you doing?
Tudo bem que o Natal vem cada vez mais cedo, mas, oh Sporting, vamos lá ter calma.
A ver
Na imagem não dá para ver, mas a Pilar está sentada à minha frente do lado direito, não, Pilar, cariño, eu não te ando a perseguir, juro, agora o festival da LER parece-me bem, é ir, é ir.
21 de novembro de 2012
Conversas de livreiros
"Que cena... Peguei neste livro e vi a foto do autor, pensei que era o Gary Oldman, afinal, quando viro, era a Zita Seabra!"
"O cavalo estava todo excitado com a minha mãe, estava doido com ela, deve ser dos dentes saídos."
20 de novembro de 2012
É, é isso tudo
No balcão:
Cliente - Isto está aqui um calor que não se pode.
Eu - Hm..
Cliente - Já sei de onde vem o aquecimento global. É daqui. Vem daqui.
(silêncio)
Cliente - O que vale é que já não é a minha geração que vai sofrer. Nem a dos meus filhos. Não tenho. Não tenho filhos.
(som do papel a embrulhar um livro)
Cliente - Não tenho filhos e odeio os meus sobrinhos, portanto não quero saber, quando morrer não deixo nada. Quer dizer, vou deixar aos animais. Há pessoas que deixam à misericórdia, sabe?
Eu - Pois, eu...
Cliente - Mas eu não. À misericórdia? Para quê? Para o Santana desbaratar tudo como fez na Figueira e no Sporting. Antes dá-lo aos cães.
Eu - ...
19 de novembro de 2012
Sou mau com ironias
Ui, e as saudades que eu tinha de chegar a casa a cheirar a estoico cinzeiro velho de uma mesa de pés mancos da sala de espera romanticamente iluminada da casa de alterne duma qualquer esquina esquecida do Cais do Sodré?
ALA - Os Cus de Judas
"Por exemplo, a tristeza depois do jantar substituia as palavras cruzadas do jornal, e entretinha-me a preencher os quadradinhos em branco de trabalhosas elucubrações oscilando entre o idiota chapado e o vulgar profundo, limites aliás entre os quais o pensamento lusitano se condensa, equivalentes metafísicos dos versos dos cravos de papel. Compreenda-me: pertencemos a uma terra em que a vivacidade faz as vezes do talento e onde a destreza ocupa o lugar da capacidade criadora, e creio com frequência que não passamos de facto de débeis mentais habilidodos consertando os fusíveis da alma à custa de expedientes de arame."
18 de novembro de 2012
E eis que filha e namorada se conhecem
Elas conheceram-se, foi a primeira vez de todas as partes envolvidas, questiono-me quem seria a pessoa mais nervosa, eu, ela ou a Catarina, foi uma coisa rápida, uma pequena viagem, correu bem, trocaram algumas palavras, notava-se o nervosismo na pequenina, a Catarina também não lhe ficava atrás, a confirmação de ter corrido bem chegou pela tia, a quem a Catarina confidenciou que ela é bonita, simpática e que, ponto fulcral, sabe o que é o inspector max, e há que realçar o facto de se referir a ela como a "amiga", com aspas desenhadas no ar, do pai, é só sentido de humor, a criança, já eu sou uma pessoa mais descansada, confesso, ainda que no meu íntimo soubesse que ia correr tudo bem, quando se trata de duas mulheres ninguém sabe o que se pode passar, a verdade é que já não aguentava ter que dividir os fins-de-semana entre as duas, ainda que obviamente queira ter tempo a sós com cada uma, vai ser bom, muito bom, poder partilhar o meu tempo com as duas, e, claro, o mais provável será depois não me ligarem nenhuma, mas eu acho que aguento.
17 de novembro de 2012
Pensei que isto era coisa dos Simpsons
Consta que a professora já não tem soluções para evitar que a criança desate a tagarelar depois de terminar os seus trabalhos, a Catarina também anda um bocado magoada com a professora porque diz que "ela não entende a arte" dos seus desenhos, eu ainda estou para decidir se isso é bom ou mau.
Mulheres, expliquem-me
Porque é que isto, no entender da senhora, é horrendo...
... Mas isto já é perfeitamente lindo e aceitável?
Desisto.
Pelo menos é sincero
Ir jantar a casa da mãe significa, devido a uma longa tradição literária, ler a revista maria da avó, acontecimento que se vê agora enobrecido com uma secção de classificados amorosos, local onde se encontram coisas como:
Cá está, um começo auspicioso, um paradoxo para muitas mulheres, o "homem decente", neste caso procura, e, com toda a certeza, procura uma senhora digna para amizade ou algo mais, algo que é comum nestas paragens, ou então procura companhia séria para uma vida a dois, ou então:
Pois, isto também é um hipótese, mulheres com mamas grandes, a seriedade ou dignidade ficam para segundo plano, a gente quer é mamas grandes, ainda que o texto não fique por aqui, aquela vírgula pode esconder um mar de sentimento que ele não consegue conter dentro de si:
"Copa D, mínimo", mínimo!, mas, vamos lá ver, o senhor devia estabelecer algum limite de peso, que uma copa D não é a mesma coisa nos sessenta e cinco ou nos cento e trinta quilos, mas, nem tudo está perdido, tem de ser digna e meiga, a não ser que "digna" e "meiga" sejam as alcunhas dele para as mamas da senhora.
16 de novembro de 2012
At the end of the longest line
Mudei da zon para a meo, andavam a ligar-me há bastante tempo e lá me convenceram sem sequer usarem o argumento mais de peso, a Benfica tv pois claro, agora a Catarina deixa de ter Nickelodeon, é uma pena para ela, para mim nem tanto, já não aguentava os gritos do spongebob ou as adolescentes despidas do victorious, então lá fui eu, bom cidadão, entregar o equipamento a uma loja da zon bem como cancelar o meu contrato, acontece que apenas me deixaram cancelar o contrato apesar de só efectivarem a coisa no fim do mês, mas ficar com o equipamento nem por isso, dizem que vão lá buscar a casa, os queridos, eu bem avisei que o sofá de casa já não dá para mais ninguém, duas pessoas e o cão e aquilo está no limite, mas, o que fazer, eles insistem em ir lá a casa buscar os equipamentos, mas o melhor ainda é ligarem para saberem porque é que fiz a mudança e, em vez de baixarem as orelhas e perceberem o mau serviço que prestaram, ainda tive que ouvir uma senhora histérica com os argumentos que apresentava, falando cada vez mais nervosa e apresentando alternativas que, ainda que pudessem ser válidas, sendo verbalizadas daquela forma perdiam todo e qualquer sentido, se eu quiser ouvir uma senhora histérica ligo para a minha ex-sogra e digo que inscrevi a Catarina no PCP, enfim, lá fiz ver à senhora que agora é tarde demais, que é inadmissível eu ter um tarifário do tempo da outra senhora e ninguém da zon me contactar no sentido de actualizar o mesmo para melhores serviços, a fibra da zon é melhor, dizia ela, pois, disse eu, agora temos pena, e a Benfica tv não dá os jogos da equipa principal, argumentou, minha cabra, pensei eu, se tu achas que o Benfica é só a equipa principal estás muito equivocada, estás a falar com uma pessoa que é doente pelo seu Benfica, que vai ver documentários sobre o Diamantino como se estivesse a ver vídeos de um membro da família, uma pessoa que tem as finais perdidas de oitenta e oito e de noventa cravadas bem fundo no seu coração encarnado, que vai ver os juvenis do Benfica a darem dezoito ao Cartaxo como se fosse uma final da liga dos campeões, não me venha com esses argumentos senhora, não toque no nome do glorioso em vão, então lá tive de ser ligeiramente brusco com a senhora para terminar o telefonema que a minha vida não é isto e está a dar uma espécie de opinião pública na Benfica tv e eu quero ouvir o que a senhora reformada de sessenta anos, da Vidigueira, tem a dizer do Robert Enke.
15 de novembro de 2012
Agora tenho MEO e isto inquieta-me...
Porque raio é que há um programa chamado "Grandes Adeptos" na Benficatv e eu não figuro entre os convidados? Palacim, vê-lá isso.
Last nite
Ela já está bastante mais habituada ao animal cá de casa. E com o Link também já está muito mais à vontade.
11 de novembro de 2012
10 de novembro de 2012
Postcards from Italy
Não te esqueceste de nada desta vez mas hoje foi o dia em que deixaste mais quando foste embora.
9 de novembro de 2012
Koi no yokan
Faz hoje dois anos que me sentei pela primeira vez neste escritório, curiosamente numa secretária ali ao lado, como gerente desta loja, lembro-me de um dia me ter sentado nessa mesma secretária para tratar de uns assuntos da então minha pequena loja e do gerente da altura e meu superior ter olhado para mim, sorrido abertamente, e dito ficas bem aí, nem brinque com isso, disse eu, meio assustado, coração a bater demasiado depressa, parecia algo inatingível na altura, eu, o miúdo que lia umas coisas e brincava aos livros, ser gerente de algo tão emblemático, mas o raio da vida dá voltas que não lembram a ninguém e, muito graças a ele, uma dívida que nunca se pagará por inteiro, dois anos e poucos meses depois, estava eu recém-divorciado e a entrar por aquela porta como gerente, estava um dia de sol, fui beber um café à Benard, diz que é tradição, curiosamente na minha cabeça imagino-me a entrar, abrir o casaco e tirar o cachecol, mas isto é a minha cabeça a brincar com as memórias, estava um dia de sol, disso lembro-me bem, desci aquele bocadinho da rua e o meu coração empurrava-me para a frente, não era a cabeça, não era o estatuto, era o coração, pensei na minha avó e no orgulho que ela teria, entrei e os livreiros muito sérios, alguns já conhecia de noites mal dormidas a montar lojas e feiras e outros devaneios similares, outros via-os pela primeira vez, já tinha ouvido falar de uns e outros, bem e mal, o que vale é que não emprenho pelos ouvidos, atravessei aquelas salas, fui conhecendo os cantos que não conhecia da casa, recebi um molho de chaves digno de um guarda-nocturno de uma vila obscura do interior, cheio de chaves enferrujadas e de peso descomunal, conheci arrecadações que se escondem atrás das estantes, portas, portinholas, terraço, locais ermos e abandonados, ligações escondidas, um elevador que não funciona na cozinha, frase que só por si dava um post gigante, porque é o que se espera de uma livraria, um elevador na cozinha, e depois um pó de tempos imemoriais, que forma nuvens em forma de cogumelo quando algum livro cai na carpete, e o cheiro, das melhores coisas que há é voltar de férias e ter perdido um bocado a habituação do cheiro dos livros, e os livreiros, odeio clichés, mas, sem eles não estaria aqui, não teria conseguido tanto nem tão bem, todas as alarvidades que dizem quando vão fumar, o ar de desespero que fazem quando digo que, pela terceira vez na mesma semana, temos de montar ou desmontar uma sala para um lançamento, as pequenas vitórias que vou partilhando com eles, profissionais ou não, nunca sonhei que fosse assim, quando entrei, quando passei pela primeira vez na livraria a tentar absorver tudo, os sentidos inundados, é agora, é hoje, foi ontem, foi há dois anos, e hoje, tanto se passou, houve gargalhadas, lágrimas, discussões, abraços sentidos, noites longas, manhãs destrutivas, toquei o céu e desci aos infernos no espaço de vinte e quatro horas, tive problemas pessoais e profissionais, às vezes misturados, conheci autores, editores, comerciais, relações públicas, directores de comunicação, mais livreiros, jornalistas, só me faltou falar para o canal dois, corri as televisões todas e algumas rádios, até a tv record, abraço para o povo irmão e tal, associated press, li, li muito, li muito bem, e hoje, dois anos depois, ainda sinto qualquer coisa ao entrar na livraria e tocar nas estantes, ao arrumar algum livro perdido, ao ajudar alguma pessoa a ter algo que procura, isto está difícil, não parece que melhore rapidamente mas nós, aqui, vamo-nos aguentando, temos toda a história atrás de nós, quase três séculos e, eu, agora, sou uma infima parte dela, mas ela, ela é uma parte gigante de mim.
8 de novembro de 2012
Inferior a três
Sim, ainda fica melhor, as palavras meigas disfarçadas de insultos, as palmadas na boca, fofinho?, não sei o que é isso e eu não o sou certamente, mas a verdade é que me sinto eu com ela nos braços, e isto é grave, muito grave, especialmente quando havia hoje uma efeméride daquelas redondas e, em vez do habitual post do costume nestas situações, só me apetece falar dela.
Obrigado amigos do facebook...
... por fazerem com que eu não consiga esperar até ter a edição em vinil para ouvir isto.
Jobs for the girls
Isto é inenarrável.
Eu também ofereço algo parecido, mas em vez de free lunches ofereço a hipótese de lerem livros à (ou "á", como eles escrevem) borla e em vez de palmadinhas nas costas dou palmadinhas no rabo, só para não dizerem que eu não sou um chefe assim muito inovador.
7 de novembro de 2012
6 de novembro de 2012
A soma de tanta horas
Um dia, antes de te ires deitar, começas a receber sms numa quantidade absurda, todas seguidas, tudo normal, afinal de contas, passa da meia-noite, fazes trinta e dois anos, recebes mensagens de pessoas que estavas à espera, outras nem tanto, ainda assim sentes-te grato pelas pessoas perderem trinta segundos da sua vida para te desejar os parabéns, a mesma coisa pelo facebook, esse facilitador de efemérides de maior ou menor dimensão, depois ainda recebi por mail, é sempre mas sempre bom perceber que os amigos podem não se lembrar sempre mas nunca se esquecem, tal como eu não me esqueço deles, recebi mensagens até às três e quarenta e sete, hora a que o meu primo estava a chegar a Itália, de manhã repete-se o ritual, agora a atenção vira-se para a minha mãe, que tinha que ter o filho primogénito no dia de anos dela, rica prenda, ouço todos os anos, e, na verdade, até têm razão, não existe o meu aniversário, nunca existiu, existe sempre o nosso, e existirá sempre o nosso, mesmo quando um de nós não estiver lá, seremos sempre dois no bolo, seremos sempre dois a soprar as quatro velas, a música levará sempre um embaraçoso e descompassado para o menino Ricardo e menina Teresa uma salva de palmas, que ele há coisas difíceis de encaixar na métrica, e este amor é uma delas, os meus dela olhos verdes que hão de sempre olhar de baixo para cima, ainda que os calculistas centímetros queiram ditar que o pequenino agora é mais alto, a minha mãe ganha sempre no tamanho do coração, coração que tento emular da melhor maneira, mas fico tão tão longe, com a minha filha, quando a apanho ontem na escola e ela corre-me para os braços e enche-me de beijos e de mimos, quer me mostrar as quadras que fez e o desenho que fez, o orgulho que esta criança tem por mim é algo de belo, puro e descomunal, injustificado até, sou apenas o pai dela que faz anos, trinta e dois por sinal, isto para ela é quase terceira idade, para ela e não só, que aparentemente isto de ir a caminho dos quarenta, quando outras pessoas ainda se perdem no quente mar dos vinte, é coisa para causar a sua confusão, mas, pronto, nada que os abraços mais doces do mundo, e um vinil, não apaguem da minha memória, ainda que, confesso, continue a achar que ela me pôs algo na bebida, pois que eu não era assim e não queria tanta coisa e sentia tanta falta, coisa difícil de explicar, a maneira como a mente divaga para junto dela sempre que deve e não deve, para o dia de anos ter sido quase perfeito, além do toque dela, só faltou não ter recebido um mail que confirma que vou deixar de poder contar com um dos meus livreiro preferidos de sempre, uma pessoa incrível, de uma simplicidade e simpatia fora do comum, resta-me rezar para que ele seja feliz, que tudo lhe corra bem, e por favor, que volte, volte rápido de preferência, que isto de nos apegarmos às pessoas é uma doença ruim que, apesar de todos os cabelos brancos e corações partidos, ainda bem que não tem cura, tal como eu.
4 de novembro de 2012
As coisas que se encontram a arrumar o quarto da filha
"Artick Monckies"? Maravilhoso. Isto é a tentativa dela de escrever as notas da música. Resta saber qual.
A vossa sorte...
... é que quatro das minhas teclas não funcionam. Escrever com o teclado virtual não lembra ao menino Jesus. Como isto está hoje havia de ser bonito.
Progressos
Consegui que ela partilhasse o sofá com o Link e ela conseguiu, ainda que petrificada, dar-lhe uma festa na cabeça e experimentar aquele pelo de peluche dele. E ele gosta dela. Pudera.
3 de novembro de 2012
Como fazer rir a colega que desmaiou
"eu sei que pedi a Deus para que as mulheres começassem a cair aos meus pés, mas não era bem a isto que me estava a referir"
2 de novembro de 2012
Ghouls night out
Fiquei a trabalhar até às vinte e duas horas na quarta-feira, com uma constipação que só eu sei (obrigado por todas as piadinhas ao telefone, sois mui bem humorados e gentis, seus cabrões), para depois chegar ao Cais do Sodré, e não ter comboios porque os senhores dos comboios marcam a greve para quinta mas começam logo quarta à noite que é para não chegarem atrasados à greve, isso seria de mau tom, já deixar centenas de pessoas sem transporte para casa é muito bom, tudo ok, o desespero das miúdas com calhamaços de direito nos braços a ligarem a toda a gente e mais alguma para as safar, os olhares dançavam entre os comboios e os relógios à música de desabafos de desespero, já eu safei-me pela mana, que veio de Cascais de propósito para me vir buscar, a querida, então lá fiquei encostado a um canto a ler os Cadernos do Subterrâneo, à meia luz, enquanto via mil trezentas e cinquenta e duas pessoas e meia a passearem-se mascaradas de zombie / bruxa / gente que se tentou maquilhar-se durante um ataque de epilepsia, isto somado às "crianças" de saltos de vinte centímetros e saias de dez, o traje de galdéria deve ser um must do halloween, de garrafas de litrosa na mão e a dizerem que se amam todas muito, eu sinceramente não sei de que grupo tenho mais medo, se dos zombies se das pitas despidas, a diferença é que uns estão pintados de maneira assustadora e os outros estão mascarados para o halloween, já agora, isto do halloween faz-me confusão, mas também tudo me faz confusão, portanto nem vou por aí, foi um fim de noite bem passado, deu para, entre capítulos, que o Dostoievski (nunca falha) se lembrou de fazê-los pequeninos neste singelo livro, levantar os olhos do livro e olhar ali para a zona das máquinas e, sem dificuldade, isto das saudades deve mexer com a cabeça e olhos da gente, com o coração já nem se fala, para vê-la a ir-se embora da última vez, tantas palavras no último tocar das mãos, já depois da voz e do olhar terem servido o seu propósito, a verdade é que, como dizia o poeta, não saiam daí porque nós também não, logo à noite há mais.
31 de outubro de 2012
Chique a valer
Então parece que fui fazer um lançamento a um sítio onde o porteiro tinha gravatas à mão para quem não as trouxer, porteiro esse que estava claramente incomodado com o facto de ter de abrir a porta a cem pessoas, ao invés das três ou quatro que lá aparecem diariamente, algo que questionei frequentemente foi que raio de emprego tem esta gente e o que raio estas pessoas fazem nesta espécie de clube que albergou uma bela concentração de gentes de centro / direita, até lá estava uma senhora que já foi de esquerda (ou ela achava que era de esquerda, do ponto de vista dela a nossa direita é a esquerda dela, devia ser isso que ela pensava antes de se assumir), a única pessoa que se dignou a vir cumprimentar-me, vejam bem a ironia das coisas, foi o General Ramalho Eanes, que, ao subir a escada, soltou-se da sua trupe, arrumou a Manuela num canto e veio cumprimentar-me, perguntar como estava, bem, senhor general presidente o senhor não envelhece?, pensei eu para mim, o Marcelo Rebelo de Sousa continua igual a si mesmo, provocou o caos porque não queria o ar condicionado ligado e ficou tudo a morrer de calor, o sítio devia fazer parte de um roteiro de Lisboa chamado viagens no tempo, entra-se ali e está-se no século xix, inícios do século xx, vá, e é irónico que usem este sítio para fazer lançamentos de políticos quando o autor que dá o nome a essa casa não era propriamente fã dos mesmos, e, já agora, a placa de uma menção de um Papa a agraciar a casa também é catita, especialmente porque o dito autor também não morria de amores por religião, realmente só faltava terem um placa da associação anti bigodes e monóculos e era o hat-trick das contradições num só sítio, achei piada a umas jornalistas a lamber botas a ex-ministros, falando em educação e boa educação, o que é lindo e maravilhoso, tendo em conta que algumas pessoas faziam questão de pousarem os copos vazios na mesa dos livros ou mesmo de limpar as mãos à toalha da mesma.
27 de outubro de 2012
Nuvem
Gostei de Ornatos, podia ficar por aqui o post mas tenho mais alguns minutos da hora de almoço para escrever e, em não me apetecendo ler em tão pouco tempo, deu-me para escrever, portanto vou explicar melhor, aquilo podia ter sido assim de um nível estrondoso se a setlist tivesse outra organização, ainda assim foi memorável, o primeiro concerto da Catarina em recinto fechado e logo o primeiro dia de Ornatos?, é bom que ela diga na escola que o pai é fixe e a leva a ouvir estas músicas do diabo, as freiras vão adorar, claro que, como não podia deixar de ser, ela antes do concerto esteve mais ocupada a ensinar a umas amigas minhas os ossos do corpo humano, a explicar o que era um sismo, a demonstrar o conhecimento de star wars e lord of the rings, o que motivou uma rapariga que a conhecia pela primeira vez a perguntar, enquanto a abraçava, se a podia adoptar, depois, já dentro coliseu, obrigou-me a sentar-me mais atrás para ficar ao pé delas, e pronto, lá fiquei eu, a vê-la agarrada ao corrimão da bancada, de olhos cheios no palco vazio, a excitação dela no caminho, aquele seu habituar tagarelar incessante, tinha se transformado num respirar mais lento e pesado, o corpo dela mexia-se pouco, as mãos não largavam o corrimão, estava lá, estava quase, a banda cujos discos ela coloca a tocar sozinha, são mais dela que meus, o que no fundo se aplica a tudo, depois foi vê-la cantar e dançar e saltar e reclamar no fim porque o Manuel Cruz nem uma vez olhou para ela, ela que tanto lhe disse adeus, e porque ele foi cumprimentar as pessoas do outro lado do palco e deste lado não veio, e o Jorge Cruz de Diabo na Cruz é mais fixe porque olhou para ela no concerto, ..., porquê?, pergunto-me eu, porquê?, enfim, ela está a crescer, e eu a ficar mais pequeno perante a vida dela que se expande a um ritmo alucinante, já quase não precisa da minha mão, deixo a aberta para quando precisar, não a prendo, depois, no caminho para casa, encostou a cabeça no vidro do carro e foi a dormir, diz que no dia seguinte acordou sem problemas e foi para a escola feliz e contente, já eu acordei às quatro e quarenta para passear o Link e vir trabalhar por motivos e razões, e eu sei, eu sei que era a celebração dos Ornatos mas a noite foi totalmente dela.
26 de outubro de 2012
24 de outubro de 2012
Esta é nova
Já me tinham sido oferecidos livros pelos autores nos lançamentos, agora uma garrafa de vinho do Dão é inédito.
21 de outubro de 2012
Dói-me o maxilar de rir
Catarina no carro a caminho de casa, com a viola:
"Miguitooooo,
tu és um gatitooooo,
o gato do lord of the rings,
a fénix do Harry Potter,
não pagas portagens porque não tens rodaaaas,
morreste e foste ter com o lord,
quem é o loooord?
é o senhor do céeeeeu
oh meu deus oh meu deus
oh my god.
Miguito..."
"Miguitooooo,
tu és um gatitooooo,
o gato do lord of the rings,
a fénix do Harry Potter,
não pagas portagens porque não tens rodaaaas,
morreste e foste ter com o lord,
quem é o loooord?
é o senhor do céeeeeu
oh meu deus oh meu deus
oh my god.
Miguito..."
Intro
Descobri da melhor forma que o anti-ciclone dos Açores tem consequências nefastas ao nível do sono.
20 de outubro de 2012
Anda alguma coisa no ar, está confirmado
Hoje tirei bilhetes de metro para duas senhoras que não sabiam mexer na máquina, a máquina automática, como-lhe chamavam, um bonito conceito, um papão verde e azul de ecrã táctil e trato pouco dócil, uma delas confidenciou-me que, filho, até nem sei ler, a outra, ah eu sei ler mas não sei pagar as contas da luz e da água, eu fiquei a pensar na que não sabia ler, o que entenderá ela dos cartazes publicitários espalhados pela estação, miúdas giras, sentadas, de mão no queixo, em anúncios a créditos, a perdição pela salvação, o que lhe passará pela cabeça, será que tem ideia do que estão a anunciar, rezemos, para o bem dela, que o anúncio do fim do mundo chegue por escrito, já na baixa ajudei uma senhora de sotaque carregado, que fez questão de mencionar que não era de lá, algo que eu, pela pronúncia e pela pergunta de onde era o sítio para ir para o marquês, nunca adivinharia, eu sou só um gajo distraído de phones nos ouvidos e livro na mão, lá encaminhei a senhora, tanta gente desconhecida a desejar-me um bom dia, espero que tenham razão, o dia logo se vê, a tarde passará pela sociedade de geografia, seremos as quatro pessoas mais perdidas no meio de tantos mapas, já a noite, a noite promete, mesmo que me perca tenho quem me encontre.
19 de outubro de 2012
18 de outubro de 2012
Anda qualquer coisa no ar, só pode
Uma pessoa conhecida minha, no meio da chuvada de ontem, parou o seu caminho para dar o seu chapéu de chuva ao mendigo que estava na porta da igreja por onde passa todos os dias, e hoje, ao tossir no comboio, a senhora que estava ao meu lado ofereceu-me pastilhas para a tosse. Acho que vou ficar com medo de andar na rua.
16 de outubro de 2012
Não consigo explicar...
... Eu que já conheci tantos autores, mais ou menos conhecidos, mais ou menos simpáticos, mais ou menos do meu gosto, não consegui ir falar com a Hélia Correia. Uma colega minha já lhe tinha pedido, noutro evento, para ela me assinar o "Adoecer", mas, ainda assim, gostava de lhe dizer obrigado pelo livro, por causa desse livro mudei os quadros cá de casa, li a poesia dos pré-rafaelitas, foi algo que me marcou. E ela ali, simpatiquíssima para toda a gente. E eu sem ser capaz de lá ir falar.
15 de outubro de 2012
Unrest
Ia a subir a Garrett, a tentar desembaraçar os phones sem largar o livro e o casaco (quase digno de número de circo) quando se aproxima um homem de barba desgrenhada, chapéu para o lado, camisa aos quadrados azul (ou encarnada, acho que estou a ficar mais daltónico, de qualquer forma, era de noite, a luz ali é fraquinha, romântica, dizem alguns, tudo o que sirva para me desculpar de já ter visto melhor), que diz, em voz bastante alta:
- O cabrão do Passos pensava que ia ganhar nos Açores e lixou-se!
E estica a mão para eu apertá-la. Consigo por o Saramago debaixo do braço e apertar-lhe a mão e ele aproxima-se de mim e põe a mão a tapar a boca dele e o meu ouvido para me dizer o que parecia ser um segredo e diz novamente em voz alta:
- E o PCP meteu um deputado nos Açores! Os comunistas vê bem amigo! E o cabrão do Passos lixou-se!
Pois, pois, lá o despachei, está a fazer-se tarde, desejei-lhe boa noite e dei-lhe os parabéns pelo deputado, e ele finalizou:
- Agora é fodê-los cá!
É, é isso.
14 de outubro de 2012
Man on the edge
Acho graça todo este alarido em relação ao senhor que esteve quatro minutos em queda livre. Acho que andam distraídos em relação a Portugal, a cair desde mil novecentos e troca o passo.
13 de outubro de 2012
Thickfreakness
Espero que a vida não lhe venha a ensinar da maneira querida e meiga que só a vida sabe que não pode pagar contas nem comprar coisas com o "coração". É através do "trabalho" que o fazemos. Enfim. Mais uma lição aprendida.
11 de outubro de 2012
Paradoxo
Apetece-me muito escrever mas não me apetece reviver a maior parte das coisas que me aconteceram hoje.
Nobel
Mo Yan. Desconheço. Não há livros no mercado. Tal como no ano passado. E há três anos. E há quatro anos... Seguem-se horas de recusas a pedidos de cliente incessantes, ardentes pelo novo Nobel, e que não, nem devem, compreender como é que é possível o homem ganhar o Nobel e não estar nas livrarias.
10 de outubro de 2012
9 de outubro de 2012
Inb4 piadas sobre o Peixoto
Estou a estranhar ainda não ter visto piadas do tipo:
"Então o Peixoto fez um livro de viagens sobre a Coreia do Norte? Porque é que não aproveitou para ficar lá?"
8 de outubro de 2012
Obrigadinhos
- Posso entrar Ricardo? Pá, estás com um ar cada vez mais cansado!
- Mas hoje é segunda, eu sinto-me bem.
- Cada vez que venho cá estás com um ar mais cansado e com menos cabelo, eles querem dar cabo de ti? Não te dão descanso, os gajos não é?
- Mas hoje é segunda, eu sinto-me bem.
- Cada vez que venho cá estás com um ar mais cansado e com menos cabelo, eles querem dar cabo de ti? Não te dão descanso, os gajos não é?
7 de outubro de 2012
Sou do Sporting desde pequenino
O meu último nome é Espírito Santo. A minha estação de metro preferida é o Campo Grande. Tenho os olhos verdes. A personagem histórica mais famosa chamada "Ricardo" era o "Coração de Leão". O ex-treinador também se chamava Ricardo. Eu também tive vontade de bater no Artur Jorge. Sei escrever Wolfswinkel. Bebo cerveja Cintra. Tenho conta no BES. Dava umas palmadas na Bruna Polga. Não me importava que o Paulo Pereira Cristóvão me espiasse. Ou que o Eduardo Barroso me operasse. O João Braga cantar-me um fado? Não exageremos.
6 de outubro de 2012
Bad parenting #2
Chamada ás sete e meia da manhã.
- Olá, olha, a Catarina deixou aí o fato de treino?
- Não, acho que não, deixa ver... Não, não.
- Não faço ideia onde ela tem isso, aqui não está, na minha mãe também não, podes ver na tua mãe?
- Posso, mas olha que eu posso jurar que meti o fato de treino na mala quando a deixei na escola na última vez. Deixa-me ver no carro, já te ligo mais daqui a pouco, ela é bem capaz de ter posto o saco debaixo do banco da frente.
- Bem capaz.
- Esta miúda é impossível.
- Oh, oh, meu caro... Tens noção que ela é nossa filha?
- Er... Pois.
- Isso explica alguma coisa.
- Hm. Se calhar não devemos criticá-la à frente de estranhos.
- Ahahahahah, pois.
- Pois.
(e na realidade era eu que tinha o fato de treino)
Bad parenting
- A Bárbara é impossível! Tem a mania que é mandona, e todos fazem o que ela quer, mas, eu, eu não, em mim ela não manda.
- Não?
- Não, não, eu mando-a ir chatear o irmão gémeo, e pai, às vezes só me apetecia...
- Catarina...
- Dar-lhe uma chapada na cara. Ficava uma semana de castigo mas valia tão a pena.
- ...
5 de outubro de 2012
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