26 de novembro de 2012

Catarina e a tia a secarem o cabelo, loucura


Tesourinhos da Benficatv

Benfica contra Massamá United, só este início é capaz de provocar temor nos mais incautos, em futsal, uma liga de empresas, do lado do Massamá United, nome apropriadíssimo, brilhava Pequenino, boa técnica, rápido, pequenino, curiosamente, já do lado do Sport Lisboa e Benfica brilhava o Maestro, sim, o próprio, número dez no dorso, braçadeira no braço que ostenta com orgulho, dele e nosso, porque o Rui Costa somos todos nós, todos nós temos um pouco do príncipe da Amadora dentro de nós, e o mítico dez era acompanhado por jogadores do calibre de, sustenham a respiração, Dimas, Paulo Madeira e Bruno Basto, representantes dignos da época mais negra que já se viu pelos lados da Luz, e todo o encontro foi assim uma espécie de sonho estranho, como o sonho que tive hoje quando, depois de ir deixar a Catarina à escola fui dormir para casa, sonhei que tinha feito exactamente a mesma coisa mas tinha ido dormir a casa do meu ex-sogro, então, enquanto ia adormecendo no sonho, frase por si só digna de análise profunda, ia pensando em que desculpa é que iria dar ao meu ex-sogro caso ele entrasse pela porta, então lá estava eu a adormecer no meu quarto antigo, actual quarto do seu filho mais novo, quase posso garantir que estive a sonhar a ver-me dormir, altamente interessante, há gente por aí que sonha com as coisas mais mirabolantes e espectaculares de cariz ou teor erótico e sexual, já eu, sonho comigo a dormir, então a senhora da Benfica tv, empolgadíssima, dizia coisas do calibre de "o fantástico pé esquerdo de Bruno Basto", palavras que nunca imaginámos ver na mesma frase "fantástico" e "Bruno Basto", ou ainda "só um jogador com a classe de Paulo Madeira para fazer algo assim, num espaço tão apertado", e, meus caros, é para isto que serve a Benfica tv, para provar que tudo é possível e que o Rui Costa ainda joga à bola, e porque raio é que a minha empresa não está a participar nisto, já me imagino no pavilhão Império Bonança a fazer uma cueca ao Rui Costa, apenas para depois ser ceifado pelo "fantástico" pé esquerdo do Bruno Basto, ele há gente que sonha com o euromilhões, eu é em jogar contra o Rui Costa.

25 de novembro de 2012

A Piada Infinita

Porque já tinha saudades de carregar um calhamaço nos transportes, porque é inverno e dá todo o jeito andar com o dito na rua, porque uma tendinite é algo que até está na moda, porque é uma altura do ano em que tenho muito tempo e, acima de tudo, cabeça, para ler algo desta desumana dimensão, porque não resisto quando um hype vem das pessoas certas, porque conheço os tradutores, família em tempos, imagine-se, porque é da casa, e as pessoas da casa acreditam e convencem outros a acreditar, vamos ver quanto tempo vou demorar a terminá-lo e qual o veredicto, muita imprensa e alguns autores renderam-se à qualidade da obra do homem, ao homem, às vezes, nem por isso, mas, admitamos, que piada têm escritores sem esta aura?

Thickfreakness

Tendo em conta que a maioria dos que votaram elegeram-te, é um bocado um tiro no pé Pedro.

23 de novembro de 2012

Indefinido

dia
(latim dies, -ei)
s. m.
1. Período de tempo que vai desde a última até à proxima vez que a vejo.

22 de novembro de 2012

Sporting, what are you doing?

Tudo bem que o Natal vem cada vez mais cedo, mas, oh Sporting, vamos lá ter calma.

Ah, então é aqui que tu gastas um bocado valente do ordenado, gosto, têm bom gosto nos quadros



A ver


Na imagem não dá para ver, mas a Pilar está sentada à minha frente do lado direito, não, Pilar, cariño, eu não te ando a perseguir, juro, agora o festival da LER parece-me bem, é ir, é ir.



21 de novembro de 2012

(antichrist television blues)

Ela não se queixa, ela faz análise crítica.

Conversas de livreiros


"Que cena... Peguei neste livro e vi a foto do autor, pensei que era o Gary Oldman, afinal, quando viro, era a  Zita Seabra!"

"O cavalo estava todo excitado com a minha mãe, estava doido com ela, deve ser dos dentes saídos."

20 de novembro de 2012

É, é isso tudo

No balcão:
Cliente - Isto está aqui um calor que não se pode.
Eu - Hm..
Cliente - Já sei de onde vem o aquecimento global. É daqui. Vem daqui.
(silêncio)
Cliente - O que vale é que já não é a minha geração que vai sofrer. Nem a dos meus filhos. Não tenho. Não tenho filhos. 
(som do papel a embrulhar um livro)
Cliente - Não tenho filhos e odeio os meus sobrinhos, portanto não quero saber, quando morrer não deixo nada. Quer dizer, vou deixar aos animais. Há pessoas que deixam à misericórdia, sabe?
Eu - Pois, eu...
Cliente - Mas eu não. À misericórdia? Para quê? Para o Santana desbaratar tudo como fez na Figueira e no Sporting. Antes dá-lo aos cães.
Eu - ...

19 de novembro de 2012

Sou mau com ironias

Ui, e as saudades que eu tinha de chegar a casa a cheirar a estoico cinzeiro velho de uma mesa de pés mancos da sala de espera romanticamente iluminada da casa de alterne duma qualquer esquina esquecida do Cais do Sodré? 

ALA - Os Cus de Judas

"Por exemplo, a tristeza depois do jantar substituia as palavras cruzadas do jornal, e entretinha-me a preencher os quadradinhos em branco de trabalhosas elucubrações oscilando entre o idiota chapado e o vulgar profundo, limites aliás entre os quais o pensamento lusitano se condensa, equivalentes metafísicos dos versos dos cravos de papel. Compreenda-me: pertencemos a uma terra em que a vivacidade faz as vezes do talento e onde a destreza ocupa o lugar da capacidade criadora, e creio com frequência que não passamos de facto de débeis mentais habilidodos consertando os fusíveis da alma à custa de expedientes de arame."

18 de novembro de 2012

E eis que filha e namorada se conhecem

Elas conheceram-se, foi a primeira vez de todas as partes envolvidas, questiono-me quem seria a pessoa mais nervosa, eu, ela ou a Catarina, foi uma coisa rápida, uma pequena viagem, correu bem, trocaram algumas palavras, notava-se o nervosismo na pequenina, a Catarina também não lhe ficava atrás, a confirmação de ter corrido bem chegou pela tia, a quem a Catarina confidenciou que ela é bonita, simpática e que, ponto fulcral, sabe o que é o inspector max, e há que realçar o facto de se referir a ela como a "amiga", com aspas desenhadas no ar, do pai, é só sentido de humor, a criança, já eu sou uma pessoa mais descansada, confesso, ainda que no meu íntimo soubesse que ia correr tudo bem, quando se trata de duas mulheres ninguém sabe o que se pode passar, a verdade é que já não aguentava ter que dividir os fins-de-semana entre as duas, ainda que obviamente queira ter tempo a sós com cada uma, vai ser bom, muito bom, poder partilhar o meu tempo com as duas, e, claro, o mais provável será depois não me ligarem nenhuma, mas eu acho que aguento.

17 de novembro de 2012

Pensei que isto era coisa dos Simpsons


Consta que a professora já não tem soluções para evitar que a criança desate a tagarelar depois de terminar os seus trabalhos, a Catarina também anda um bocado magoada com a professora porque diz que "ela não entende a arte" dos seus desenhos, eu ainda estou para decidir se isso é bom ou mau.

Mulheres, expliquem-me

Porque é que isto, no entender da senhora, é horrendo...


... Mas isto já é perfeitamente lindo e aceitável?


Desisto.

Pelo menos é sincero

Ir jantar a casa da mãe significa, devido a uma longa tradição literária, ler a revista maria da avó, acontecimento que se vê agora enobrecido com uma secção de classificados amorosos, local onde se encontram coisas como:


Cá está, um começo auspicioso, um paradoxo para muitas mulheres, o "homem decente", neste caso procura, e, com toda a certeza, procura uma senhora digna para amizade ou algo mais, algo que é comum nestas paragens, ou então procura companhia séria para uma vida a dois, ou então:


Pois, isto também é um hipótese, mulheres com mamas grandes, a seriedade ou dignidade ficam para segundo plano, a gente quer é mamas grandes, ainda que o texto não fique por aqui, aquela vírgula pode esconder um mar de sentimento que ele não consegue conter dentro de si:


"Copa D, mínimo", mínimo!, mas, vamos lá ver, o senhor devia estabelecer algum limite de peso, que uma copa D não é a mesma coisa nos sessenta e cinco ou nos cento e trinta quilos, mas, nem tudo está perdido, tem de ser digna e meiga, a não ser que "digna" e "meiga" sejam as alcunhas dele para as mamas da senhora.


16 de novembro de 2012

At the end of the longest line

Mudei da zon para a meo, andavam a ligar-me há bastante tempo e lá me convenceram sem sequer usarem o argumento mais de peso, a Benfica tv pois claro, agora a Catarina deixa de ter Nickelodeon, é uma pena para ela, para mim nem tanto, já não aguentava os gritos do spongebob ou as adolescentes despidas do victorious, então lá fui eu, bom cidadão, entregar o equipamento a uma loja da zon bem como cancelar o meu contrato, acontece que apenas me deixaram cancelar o contrato apesar de só efectivarem a coisa no fim do mês, mas ficar com o equipamento nem por isso, dizem que vão lá buscar a casa, os queridos, eu bem avisei que o sofá de casa já não dá para mais ninguém, duas pessoas e o cão e aquilo está no limite, mas, o que fazer, eles insistem em ir lá a casa buscar os equipamentos, mas o melhor ainda é ligarem para saberem porque é que fiz a mudança e, em vez de baixarem as orelhas e perceberem o mau serviço que prestaram, ainda tive que ouvir uma senhora histérica com os argumentos que apresentava, falando cada vez mais nervosa e apresentando alternativas que, ainda que pudessem ser válidas, sendo verbalizadas daquela forma perdiam todo e qualquer sentido, se eu quiser ouvir uma senhora histérica ligo para a minha ex-sogra e digo que inscrevi a Catarina no PCP, enfim, lá fiz ver à senhora que agora é tarde demais, que é inadmissível eu ter um tarifário do tempo da outra senhora e ninguém da zon me contactar no sentido de actualizar o mesmo para melhores serviços, a fibra da zon é melhor, dizia ela, pois, disse eu, agora temos pena, e a Benfica tv não dá os jogos da equipa principal, argumentou, minha cabra, pensei eu, se tu achas que o Benfica é só a equipa principal estás muito equivocada, estás a falar com uma pessoa que é doente pelo seu Benfica, que vai ver documentários sobre o Diamantino como se estivesse a ver vídeos de um membro da família, uma pessoa que tem as finais perdidas de oitenta e oito e de noventa cravadas bem fundo no seu coração encarnado, que vai ver os juvenis do Benfica a darem dezoito ao Cartaxo como se fosse uma final da liga dos campeões, não me venha com esses argumentos senhora, não toque no nome do glorioso em vão, então lá tive de ser ligeiramente brusco com a senhora para terminar o telefonema que a minha vida não é isto e está a dar uma espécie de opinião pública na Benfica tv e eu quero ouvir o que a senhora reformada de sessenta anos, da Vidigueira, tem a dizer do Robert Enke.

15 de novembro de 2012

Eufemismo do dia

"Às vezes também me engano"
Obrigado, Pedro.

Agora tenho MEO e isto inquieta-me...

Porque raio é que há um programa chamado "Grandes Adeptos" na Benficatv e eu não figuro entre os convidados? Palacim, vê-lá isso.

J'y suis jamais allé


Last nite

Ela já está bastante mais habituada ao animal cá de casa. E com o Link também já está muito mais à vontade.

10 de novembro de 2012

Postcards from Italy

Não te esqueceste de nada desta vez mas hoje foi o dia em que deixaste mais quando foste embora.

9 de novembro de 2012

Koi no yokan

Faz hoje dois anos que me sentei pela primeira vez neste escritório, curiosamente numa secretária ali ao lado, como gerente desta loja, lembro-me de um dia me ter sentado nessa mesma secretária para tratar de uns assuntos da então minha pequena loja e do gerente da altura e meu superior ter olhado para mim, sorrido abertamente, e dito ficas bem aí, nem brinque com isso, disse eu, meio assustado, coração a bater demasiado depressa, parecia algo inatingível na altura, eu, o miúdo que lia umas coisas e brincava aos livros, ser gerente de algo tão emblemático, mas o raio da vida dá voltas que não lembram a ninguém e, muito graças a ele, uma dívida que nunca se pagará por inteiro, dois anos e poucos meses depois, estava eu recém-divorciado e a entrar por aquela porta como gerente, estava um dia de sol, fui beber um café à Benard, diz que é tradição, curiosamente na minha cabeça imagino-me a entrar, abrir o casaco e tirar o cachecol, mas isto é a minha cabeça a brincar com as memórias, estava um dia de sol, disso lembro-me bem, desci aquele bocadinho da rua e o meu coração empurrava-me para a frente, não era a cabeça, não era o estatuto, era o coração, pensei na minha avó e no orgulho que ela teria, entrei e os livreiros muito sérios, alguns já conhecia de noites mal dormidas a montar lojas e feiras e outros devaneios similares, outros via-os pela primeira vez, já tinha ouvido falar de uns e outros, bem e mal, o que vale é que não emprenho pelos ouvidos, atravessei aquelas salas, fui conhecendo os cantos que não conhecia da casa, recebi um molho de chaves digno de um guarda-nocturno de uma vila obscura do interior, cheio de chaves enferrujadas e de peso descomunal, conheci arrecadações que se escondem atrás das estantes, portas, portinholas, terraço, locais ermos e abandonados, ligações escondidas, um elevador que não funciona na cozinha, frase que só por si dava um post gigante, porque é o que se espera de uma livraria, um elevador na cozinha, e depois um pó de tempos imemoriais, que forma nuvens em forma de cogumelo quando algum livro cai na carpete, e o cheiro, das melhores coisas que há é voltar de férias e ter perdido um bocado a habituação do cheiro dos livros, e os livreiros, odeio clichés, mas, sem eles não estaria aqui, não teria conseguido tanto nem tão bem, todas as alarvidades que dizem quando vão fumar, o ar de desespero que fazem quando digo que, pela terceira vez na mesma semana, temos de montar ou desmontar uma sala para um lançamento, as pequenas vitórias que vou partilhando com eles, profissionais ou não, nunca sonhei que fosse assim, quando entrei, quando passei pela primeira vez na livraria a tentar absorver tudo, os sentidos inundados, é agora, é hoje, foi ontem, foi há dois anos, e hoje, tanto se passou, houve gargalhadas, lágrimas, discussões, abraços sentidos, noites longas, manhãs destrutivas, toquei o céu e desci aos infernos no espaço de vinte e quatro horas, tive problemas pessoais e profissionais, às vezes misturados, conheci autores, editores, comerciais, relações públicas, directores de comunicação, mais livreiros, jornalistas, só me faltou falar para o canal dois, corri as televisões todas e algumas rádios, até a tv record, abraço para o povo irmão e tal, associated press, li, li muito, li muito bem, e hoje, dois anos depois, ainda sinto qualquer coisa ao entrar na livraria e tocar nas estantes, ao arrumar algum livro perdido, ao ajudar alguma pessoa a ter algo que procura, isto está difícil, não parece que melhore rapidamente mas nós, aqui, vamo-nos aguentando, temos toda a história atrás de nós, quase três séculos e, eu, agora, sou uma infima parte dela, mas ela, ela é uma parte gigante de mim.

8 de novembro de 2012

Inferior a três

Sim, ainda fica melhor, as palavras meigas disfarçadas de insultos, as palmadas na boca, fofinho?, não sei o que é isso e eu não o sou certamente, mas a verdade é que me sinto eu com ela nos braços, e isto é grave, muito grave, especialmente quando havia hoje uma efeméride daquelas redondas e, em vez do habitual post do costume nestas situações, só me apetece falar dela.

Obrigado amigos do facebook...


... por fazerem com que eu não consiga esperar até ter a edição em vinil para ouvir isto.

Jobs for the girls

Isto é inenarrável.
Eu também ofereço algo parecido, mas em vez de free lunches ofereço a hipótese de lerem livros à (ou "á", como eles escrevem) borla e em vez de palmadinhas nas costas dou palmadinhas no rabo, só para não dizerem que eu não sou um chefe assim muito inovador.

7 de novembro de 2012

6 de novembro de 2012

A soma de tanta horas

Um dia, antes de te ires deitar, começas a receber sms numa quantidade absurda, todas seguidas, tudo normal, afinal de contas, passa da meia-noite, fazes trinta e dois anos, recebes mensagens de pessoas que estavas à espera, outras nem tanto, ainda assim sentes-te grato pelas pessoas perderem trinta segundos da sua vida para te desejar os parabéns, a mesma coisa pelo facebook, esse facilitador de efemérides de maior ou menor  dimensão, depois ainda recebi por mail, é sempre mas sempre bom perceber que os amigos podem não se lembrar sempre mas nunca se esquecem, tal como eu não me esqueço deles, recebi mensagens até às três e quarenta e sete, hora a que o meu primo estava a chegar a Itália, de manhã repete-se o ritual, agora a atenção vira-se para a minha mãe, que tinha que ter o filho primogénito no dia de anos dela, rica prenda, ouço todos os anos, e, na verdade, até têm razão, não existe o meu aniversário, nunca existiu, existe sempre o nosso, e existirá sempre o nosso, mesmo quando um de nós não estiver lá, seremos sempre dois no bolo, seremos sempre dois a soprar as quatro velas, a música levará sempre um embaraçoso e descompassado para o menino Ricardo e menina Teresa uma salva de palmas, que ele há coisas difíceis de encaixar na métrica, e este amor é uma delas, os meus dela olhos verdes que hão de sempre olhar de baixo para cima, ainda que os calculistas centímetros queiram ditar que o pequenino agora é mais alto, a minha mãe ganha sempre no tamanho do coração, coração que tento emular da melhor maneira, mas fico tão tão longe, com a minha filha, quando a apanho ontem na escola e ela corre-me para os braços e enche-me de beijos e de mimos, quer me mostrar as quadras que fez e o desenho que fez, o orgulho que esta criança tem por mim é algo de belo, puro e descomunal, injustificado até, sou apenas o pai dela que faz anos, trinta e dois por sinal, isto para ela é quase terceira idade, para ela e não só, que aparentemente isto de ir a caminho dos quarenta, quando outras pessoas ainda se perdem no quente mar dos vinte, é coisa para causar a sua confusão, mas, pronto, nada que os abraços mais doces do mundo, e um vinil, não apaguem da minha memória, ainda que, confesso, continue a achar que ela me pôs algo na bebida, pois que eu não era assim e não queria tanta coisa e sentia tanta falta, coisa difícil de explicar, a maneira como a mente divaga para junto dela sempre que deve e não deve, para o dia de anos ter sido quase perfeito, além do toque dela, só faltou não ter recebido um mail que confirma que vou deixar de poder contar com um dos meus livreiro preferidos de sempre, uma pessoa incrível, de uma simplicidade e simpatia fora do comum, resta-me rezar para que ele seja feliz, que tudo lhe corra bem, e por favor, que volte, volte rápido de preferência, que isto de nos apegarmos às pessoas é uma doença ruim que, apesar de todos os cabelos brancos e corações partidos, ainda bem que não tem cura, tal como eu.

E ainda tinha de ter bom gosto nas prendas que dá


32

Ainda não é hoje que vou escrever o post sobre isto. Está a começar a chatear-me.

Hoje deu-lhe para isto




4 de novembro de 2012

As coisas que se encontram a arrumar o quarto da filha


"Artick Monckies"? Maravilhoso. Isto é a tentativa dela de escrever as notas da música. Resta saber qual.



A vossa sorte...

... é que quatro das minhas teclas não funcionam. Escrever com o teclado virtual não lembra ao menino Jesus. Como isto está hoje havia de ser bonito.

Progressos

Consegui que ela partilhasse o sofá com o Link e ela conseguiu, ainda que petrificada, dar-lhe uma festa na cabeça e experimentar aquele pelo de peluche dele. E ele gosta dela. Pudera. 

O meu mai' novo



3 de novembro de 2012

Como fazer rir a colega que desmaiou

"eu sei que pedi a Deus para que as mulheres começassem a cair aos meus pés, mas não era bem a isto que me estava a referir"

Note to self

Perceber a diferença entre "grande post" e "post grande".

A vida humana inteira...



... Está dentro destas páginas ardentes. Qualquer dia mato saudades.


2 de novembro de 2012

Ghouls night out

Fiquei a trabalhar até às vinte e duas horas na quarta-feira, com uma constipação que só eu sei (obrigado por todas as piadinhas ao telefone, sois mui bem humorados e gentis, seus cabrões), para depois chegar ao Cais do Sodré, e não ter comboios porque os senhores dos comboios marcam a greve para quinta mas começam logo quarta à noite que é para não chegarem atrasados à greve, isso seria de mau tom, já deixar centenas de pessoas sem transporte para casa é muito bom, tudo ok, o desespero das miúdas com calhamaços de direito nos braços a ligarem a toda a gente e mais alguma para as safar, os olhares dançavam entre os comboios e os relógios à música de desabafos de desespero, já eu safei-me pela mana, que veio de Cascais de propósito para me vir buscar, a querida, então lá fiquei encostado a um canto a ler os Cadernos do Subterrâneo, à meia luz, enquanto via mil trezentas e cinquenta e duas pessoas e meia a passearem-se mascaradas de zombie / bruxa / gente que se tentou maquilhar-se durante um ataque de epilepsia, isto somado às "crianças" de saltos de vinte centímetros e saias de dez, o traje de galdéria deve ser um must do halloween, de garrafas de litrosa na mão e a dizerem que se amam todas muito, eu sinceramente não sei de que grupo tenho mais medo, se dos zombies se das pitas despidas, a diferença é que uns estão pintados de maneira assustadora e os outros estão mascarados para o halloween, já agora, isto do halloween faz-me confusão, mas também tudo me faz confusão, portanto nem vou por aí, foi um fim de noite bem passado, deu para, entre capítulos, que o Dostoievski (nunca falha) se lembrou de fazê-los pequeninos neste singelo livro, levantar os olhos do livro e olhar ali para a zona das máquinas e, sem dificuldade, isto das saudades deve mexer com a cabeça e olhos da gente, com o coração já nem se fala, para vê-la a ir-se embora da última vez, tantas palavras no último tocar das mãos, já depois da voz e do olhar terem servido o seu propósito, a verdade é que, como dizia o poeta, não saiam daí porque nós também não, logo à noite há mais.

31 de outubro de 2012

Chique a valer

Então parece que fui fazer um lançamento a um sítio onde o porteiro tinha gravatas à mão para quem não as trouxer, porteiro esse que estava claramente incomodado com o facto de ter de abrir a porta a cem pessoas, ao invés das três ou quatro que lá aparecem diariamente, algo que questionei frequentemente foi que raio de emprego tem esta gente e o que raio estas pessoas fazem nesta espécie de clube que albergou uma bela concentração de gentes de centro / direita, até lá estava uma senhora que já foi de esquerda (ou ela achava que era de esquerda, do ponto de vista dela a nossa direita é a esquerda dela, devia ser isso que ela pensava antes de se assumir), a única pessoa que se dignou a vir cumprimentar-me, vejam bem a ironia das coisas, foi o General Ramalho Eanes, que, ao subir a escada, soltou-se da sua trupe, arrumou a Manuela num canto e veio cumprimentar-me, perguntar como estava, bem, senhor general presidente o senhor não envelhece?, pensei eu para mim, o Marcelo Rebelo de Sousa continua igual a si mesmo, provocou o caos porque não queria o ar condicionado ligado e ficou tudo a morrer de calor, o sítio devia fazer parte de um roteiro de Lisboa chamado viagens no tempo, entra-se ali e está-se no século xix, inícios do século xx, vá, e é irónico que usem este sítio para fazer lançamentos de políticos quando o autor que dá o nome a essa casa não era propriamente fã dos mesmos, e, já agora, a placa de uma menção de um Papa a agraciar a casa também é catita, especialmente porque o dito autor também não morria de amores por religião, realmente só faltava terem um placa da associação anti bigodes e monóculos e era o hat-trick das contradições num só sítio, achei piada a umas jornalistas a lamber botas a ex-ministros, falando em educação e boa educação, o que é lindo e maravilhoso, tendo em conta que algumas pessoas faziam questão de pousarem os copos vazios na mesa dos livros ou mesmo de limpar as mãos à toalha da mesma.

27 de outubro de 2012

Nuvem

Gostei de Ornatos, podia ficar por aqui o post mas tenho mais alguns minutos da hora de almoço para escrever e, em não me apetecendo ler em tão pouco tempo, deu-me para escrever, portanto vou explicar melhor, aquilo podia ter sido assim de um nível estrondoso se a setlist tivesse outra organização, ainda assim foi memorável, o primeiro concerto da Catarina em recinto fechado e logo o primeiro dia de Ornatos?, é bom que ela diga na escola que o pai é fixe e a leva a ouvir estas músicas do diabo, as freiras vão adorar, claro que, como não podia deixar de ser, ela antes do concerto esteve mais ocupada a ensinar a umas amigas minhas os ossos do corpo humano, a explicar o que era um sismo, a demonstrar o conhecimento de star wars e lord of the rings, o que motivou uma rapariga que a conhecia pela primeira vez a perguntar, enquanto a abraçava, se a podia adoptar, depois, já dentro coliseu, obrigou-me a sentar-me mais atrás para ficar ao pé delas, e pronto, lá fiquei eu, a vê-la agarrada ao corrimão da bancada, de olhos cheios no palco vazio, a excitação dela no caminho, aquele seu habituar tagarelar incessante, tinha se transformado num respirar mais lento e pesado, o corpo dela mexia-se pouco, as mãos não largavam o corrimão, estava lá, estava quase, a banda cujos discos ela coloca a tocar sozinha, são mais dela que meus, o que no fundo se aplica a tudo, depois foi vê-la cantar e dançar e saltar e reclamar no fim porque o Manuel Cruz nem uma vez olhou para ela, ela que tanto lhe disse adeus, e porque ele foi cumprimentar as pessoas do outro lado do palco e deste lado não veio, e o Jorge Cruz de Diabo na Cruz é mais fixe porque olhou para ela no concerto, ..., porquê?, pergunto-me eu, porquê?, enfim, ela está a crescer, e eu a ficar mais pequeno perante a vida dela que se expande a um ritmo alucinante, já quase não precisa da minha mão, deixo a aberta para quando precisar, não a prendo, depois, no caminho para casa, encostou a cabeça no vidro do carro e foi a dormir, diz que no dia seguinte acordou sem problemas e foi para a escola feliz e contente, já eu acordei às quatro e quarenta para passear o Link e vir trabalhar por motivos e razões, e eu sei, eu sei que era a celebração dos Ornatos mas a noite foi totalmente dela.

24 de outubro de 2012

Esta é nova

Já me tinham sido oferecidos livros pelos autores nos lançamentos, agora uma garrafa de vinho do Dão é inédito.

21 de outubro de 2012

O meu carro deixa as babes doidas


Dói-me o maxilar de rir

Catarina no carro a caminho de casa, com a viola:
"Miguitooooo,
tu és um gatitooooo,
o gato do lord of the rings,
a fénix do Harry Potter,
não pagas portagens porque não tens rodaaaas,
morreste e foste ter com o lord,
quem é o loooord?
é o senhor do céeeeeu
oh meu deus oh  meu deus
oh my god.
Miguito..."

Intro

Descobri da melhor forma que o anti-ciclone dos Açores tem consequências nefastas ao nível do sono.

20 de outubro de 2012

Anda alguma coisa no ar, está confirmado

Hoje tirei bilhetes de metro para duas senhoras que não sabiam mexer na máquina, a máquina automática, como-lhe chamavam, um bonito conceito, um papão verde e azul de ecrã táctil e trato pouco dócil, uma delas confidenciou-me que, filho, até nem sei ler, a outra, ah eu sei ler mas não sei pagar as contas da luz e da água, eu fiquei a pensar na que não sabia ler, o que entenderá ela dos cartazes publicitários espalhados pela estação, miúdas giras, sentadas, de mão no queixo, em anúncios a créditos, a perdição pela salvação, o que lhe passará pela cabeça, será que tem ideia do que estão a anunciar, rezemos, para o bem dela, que o anúncio do fim do mundo chegue por escrito, já na baixa ajudei uma senhora de sotaque carregado, que fez questão de mencionar que não era de lá, algo que eu, pela pronúncia e pela pergunta de onde era o sítio para ir para o marquês, nunca adivinharia, eu sou só um gajo distraído de phones nos ouvidos e livro na mão, lá encaminhei a senhora, tanta gente desconhecida  a desejar-me um bom dia, espero que tenham razão, o dia logo se vê, a tarde passará pela sociedade de geografia, seremos as quatro pessoas mais perdidas no meio de tantos mapas, já a noite, a noite promete, mesmo que me perca tenho quem me encontre.

19 de outubro de 2012

18 de outubro de 2012

Anda qualquer coisa no ar, só pode

Uma pessoa conhecida minha, no meio da chuvada de ontem, parou o seu caminho para dar o seu chapéu de chuva ao mendigo que estava na porta da igreja por onde passa todos os dias, e hoje, ao tossir no comboio, a senhora que estava ao meu lado ofereceu-me pastilhas para a tosse. Acho que vou ficar com medo de andar na rua.

16 de outubro de 2012

Não consigo explicar...

... Eu que já conheci tantos autores, mais ou menos conhecidos, mais ou menos simpáticos, mais ou menos do meu gosto, não consegui ir falar com a Hélia Correia. Uma colega minha já lhe tinha pedido, noutro evento, para ela me assinar o "Adoecer", mas, ainda assim, gostava de lhe dizer obrigado pelo livro, por causa desse livro mudei os quadros cá de casa, li a poesia dos pré-rafaelitas, foi algo que me marcou. E ela ali, simpatiquíssima para toda a gente. E eu sem ser capaz de lá ir falar.

15 de outubro de 2012

Às vezes esqueço-me do ar inocente que ele tinha...


Unrest

Ia a subir a Garrett, a tentar desembaraçar os phones sem largar o livro e o casaco (quase digno de número de circo) quando se aproxima um homem de barba desgrenhada, chapéu para o lado, camisa aos quadrados azul (ou encarnada, acho que estou a ficar mais daltónico, de qualquer forma, era de noite, a luz ali é fraquinha, romântica, dizem alguns, tudo o que sirva para me desculpar de já ter visto melhor), que diz, em voz bastante alta:
- O cabrão do Passos pensava que ia ganhar nos Açores e lixou-se!
E estica a mão para eu apertá-la. Consigo por o Saramago debaixo do braço e apertar-lhe a mão e ele aproxima-se de mim e põe a mão a tapar a boca dele e o meu ouvido para me dizer o que parecia ser um segredo e diz novamente em voz alta:
- E o PCP meteu um deputado nos Açores! Os comunistas vê bem amigo! E o cabrão do Passos lixou-se!
Pois, pois, lá o despachei, está a fazer-se tarde, desejei-lhe boa noite e dei-lhe os parabéns pelo deputado, e ele finalizou:
- Agora é fodê-los cá!
É, é isso.

14 de outubro de 2012

Man on the edge

Acho graça todo este alarido em relação ao senhor que esteve quatro minutos em queda livre. Acho que andam distraídos em relação a Portugal, a cair desde mil novecentos e troca o passo. 

13 de outubro de 2012

Thickfreakness

Espero que a vida não lhe venha a ensinar da maneira querida e meiga que só a vida sabe que não pode pagar contas nem comprar coisas com o "coração". É através do "trabalho" que o fazemos. Enfim. Mais uma lição aprendida. 

11 de outubro de 2012

Paradoxo

Apetece-me muito escrever mas não me apetece reviver a maior parte das coisas que me aconteceram hoje. 

Nobel

Mo Yan. Desconheço. Não há livros no mercado. Tal como no ano passado. E há três anos. E há quatro anos... Seguem-se horas de recusas a pedidos de cliente incessantes, ardentes pelo novo Nobel, e que não, nem devem, compreender como é que é possível o homem ganhar o Nobel e não estar nas livrarias.

10 de outubro de 2012

Team Cormac McCarthy

Vejam lá isso amigos do Nobel.

9 de outubro de 2012

Inb4 piadas sobre o Peixoto

Estou a estranhar ainda não ter visto piadas do tipo:
"Então o Peixoto fez um livro de viagens sobre a Coreia do Norte? Porque é que não aproveitou para ficar lá?"

8 de outubro de 2012

Obrigadinhos

- Posso entrar Ricardo? Pá, estás com um ar cada vez mais cansado!
- Mas hoje é segunda, eu sinto-me bem.
- Cada vez que venho cá estás com um ar mais cansado e com menos cabelo, eles querem dar cabo de ti? Não te dão descanso, os gajos não é?

7 de outubro de 2012

Sou do Sporting desde pequenino

O meu último nome é Espírito Santo. A minha estação de metro preferida é o Campo Grande. Tenho os olhos verdes. A personagem histórica mais famosa chamada "Ricardo" era o "Coração de Leão". O ex-treinador também se chamava Ricardo. Eu também tive vontade de bater no Artur Jorge. Sei escrever Wolfswinkel. Bebo cerveja Cintra. Tenho conta no BES. Dava umas palmadas na Bruna Polga. Não me importava que o Paulo Pereira Cristóvão me espiasse. Ou que o Eduardo Barroso me operasse. O João Braga cantar-me um fado? Não exageremos. 

6 de outubro de 2012

Let's shake hands


Bad parenting #2

Chamada ás sete e meia da manhã.
- Olá, olha, a Catarina deixou aí o fato de treino?
- Não, acho que não, deixa ver... Não, não.
- Não faço ideia onde ela tem isso, aqui não está, na minha mãe também não, podes ver na tua mãe?
- Posso, mas olha que eu posso jurar que meti o fato de treino na mala quando a deixei na escola na última vez. Deixa-me ver no carro, já te ligo mais daqui a pouco, ela é bem capaz de ter posto o saco debaixo do banco da frente.
- Bem capaz.
- Esta miúda é impossível.
- Oh, oh, meu caro... Tens noção que ela é nossa filha?
- Er... Pois.
- Isso explica alguma coisa.
- Hm. Se calhar não devemos criticá-la à frente de estranhos.
- Ahahahahah, pois. 
- Pois.

(e na realidade era eu que tinha o fato de treino)

Bad parenting

- A Bárbara é impossível! Tem a mania que é mandona, e todos fazem o que ela quer, mas, eu, eu não, em mim ela não manda.
- Não?
- Não, não, eu mando-a ir chatear o irmão gémeo, e pai, às vezes só me apetecia...
- Catarina...
- Dar-lhe uma chapada na cara. Ficava uma semana de castigo mas valia tão a pena.
- ...

4 de outubro de 2012

Acho que percebi a cena com a Pilar

Acho que o medo todo era do facto de eu nunca ter lido o Saramago. Até hoje.

3 de outubro de 2012

Não se pode dizer nada

Aqueles beijos que não terminam, desvanecem, extinguem-se no teu abrir de olhos, paramos para mudar o disco de lado?, o vinil é pouco prático nestas coisas, tal como eu, quer me parecer, pela maneira como me vou deixando apanhar.

Mixed feelings

Troquei algumas palavras de circunstância com a Pílar del Rio. Foi estranho.

Billio-fucking-naire


Gostava que me entrevistassem quando há aqueles jackpots grandes, e eles andam pela rua a perguntar o que é que as pessoas fariam se ganhassem o primeiro prémio, então haviam de se chegar à minha beira e perguntar-me o que é que faria com noventa milhões, vamos supor, que para sonhar é para ser em grande, e eu diria, calma e humildemente, mandava umas quantas pessoas para o caralho, assim, simples, pegava no carro, ia a três ou quatro e sítios e mandava pessoas para o caralho, isto valia mais do que os noventa milhões na conta.

1 de outubro de 2012

Brincadeira chata

Se não sabem deviam saber que abomino as greves da CP. Bem sei que as pessoas têm direito à greve, mas as pessoas que pagaram o passe também têm direito a usufruir do transporte para poderem ir trabalhar. Havia de ser bonito o senhor da CP ir comprar os livros escolares e dar de cara na porta porque estávamos em greve.
Mas, o que eu abomino ainda mais são pessoas como esta fonte oficial da CP. Então diz a  fonte oficial da CP  que as pessoas puxavam as sirenes da alarme para o comboio não andar, e que "é uma bricadeira chata, às vezes acontece, mas num dia de greve e com o comboio cheio é pior". Brincadeira chata? Brincadeira chata é colarem te alarmes nos sítios mais estranhos que podes imaginar das tuas roupas para que estas toquem em todas as lojas em que tu entras. Tive duas pessoas da minha loja (uma funcionária e um segurança) presos no comboio que esteve parado, e, passe o exagero natural deles, tiveram alguns momentos de maior pânico. Insultos, alguma violência, pessoas a pontapearem o comboio e a forçarem a entrada. E esta  fonte oficial da CP  fala em brincadeira chata? 

Confere

Ler no 28 ou na A5 não tem o mesmo encanto do que ler no comboio.

Olham-te nos olhos

A meio do inventário chamaram-me ao balcão porque havia uma senhora para falar comigo, lá fui, algo chateado, afinal de contas estou em inventário, não me apetecia muito ouvir reclamações, desta vez era outra coisa, cada vez mais comum, a senhora, reparando no rebuliço que ia naquele sítio, queria saber se podia ajudar a realizar o inventário, recebendo para isso uma remuneração simbólica à hora, pedido que tive obviamente de recusar, recusa essa que foi respondida com um pedido de ajuda directo, olhos nos olhos, pálpebras e lábio a tremer, dinheiro, ajuda, formada, desemprego, tudo palavras que me cravava no ser, e eu, a manter a postura, que resposta dou?, o que digo?, que não posso?, que não devo?, porque não devo e não posso, pudesse eu juntar dinheiro para a minha filha e seria eu uma pessoa mais descansada, claro que aqui entram as bocas "ah e tal não podes juntar dinheiro para a Catarina mas compras discos e vais a concertos" e eu respondo oh que caralho, então não querem que viva?, pois que a própria criança me incentiva a isso, coisa mais linda, mas, voltando à senhora que me abordou, a única coisa que lhe dei foram votos de boa sorte, sinceros, claro, porque estas situações acontecem aqui cada vez mais, pessoas que me chamam para pedir dinheiro, umas de forma dissimulada, outras completamente frontais, a frase "perdi a vergonha" é usada como uma bandeira do desespero que nos derramam em cima, e, por mais que pensemos noutra coisa, a picada cá dentro demora a passar.

Nem sei que título dar a isto

O Barcelona vem jogar com o Benfica para a liga dos campeões, facto que deixou a Catarina em delírio visto serem as duas equipas preferidas dela, o Benfica facilmente se percebe, agora o Barcelona, vá-se lá perceber, mas enfim, tolera-se, podia dar-lhe para pior, tipo drogas, ou muito pior, tipo Porto, então ela  ficou feliz por o Messi vir jogar à Luz, e o papá ia levar a menina à bola, já não vamos há algum tempo, mas eis que por motivos de ordem financeira e profissional não será possível levar a criança ao jogo, quem é que no seu perfeito juízo marca um lançamento de um livro em cima da hora do Benfica - Barcelona, gente de gosto duvidoso, só pode, e eu já convencido de que não vejo o jogo, com ou sem Catarina, quando me entra a criança feliz da vida pela livraria adentro, de braços abertos, a saltar-me para o colo e a encher-me de beijos, queria o cartão de sócia do Benfica para poder ir comprar o bilhete, então aparentemente vai ao jogo com o namorado da mãe, e, já sei, sou má pessoa, desculpem lá qualquer coisinha, mas a cena do "devias ficar contente por ela" não funciona bem comigo, era uma coisa especial que gostava de partilhar com ela e agora ela vai com o namorado da mãe, isto mexe comigo a níveis completa e irreversivelmente irracionais, e o facto de perceber isto e perceber que não deveria ser assim revolve-me ainda mais as entranhas, e imagino-a no estádio a sorrir ou a festejar um golo com ele e são anos de vida que me saem da alma, pronto, já disse, depois de quinze horas de inventário não tenho forças para mais.

Disjuntor maravilha


Se isto estiver para baixo não podemos espirar a livraria.

(Adenda: aparentemente também há um disjuntor para a tomada da "limpesa". Obrigado Xana).

Nada disto me espanta muito. A senhora da limpeza que tínhamos quando entrei na livraria gostava muito do  "chintily", tinha "as armónias trocadas no piriodo" e, pobre, o marido tinha "câncaro na prótese". 

Casa, sempre


Aqui estão sessenta mil livros a dormir...

Trocadilho manhoso

Fashion Night Out


Fashion Day In




30 de setembro de 2012

Todos comigo, agora: MA-RA-VI...

Acordar às cinco e quarenta e cinco, chegar ao local de trabalho às sete e vinte, abrir a pestana eventualmente, começar um inventário que se estima que dure basicamente até ao fim dos tempos e aqui eu estou a referir-me ao fim dos tempos do universo e não essa merda dos Maias de vinte e um de dezembro ou lá o que é, Maias, vejam lá isso, que eu conto receber uma PS3 no dia vinte e quatro, e, parecendo que não, acabando o mundo já não me serve de nada ter uma PS3, e depois de meter tudo a trabalhar  ir tomar o pequeno-almoço à Padaria Portuguesa enquanto toca, alto e bom som, o Maravilhoso Coração do Marco Paulo. Chama-se a isto viver.

Até ao fim

"Possivelmente tem-se a infância do que se é na idade adulta. E não o contrário. Mas também não tenho idade adulta. A única coisa de que me lembro na idade adulta - será isso ser-se? A única coisa que me coube na idade adulta é aguentar. Aguentar é ser contra o que nos é contra, tudo tem sido tão contra."

29 de setembro de 2012

Magic potion

Eu - Achas normal que a Vita seja mais cara do que uma PS3?
Ela - É a vita.
Eu - ...

Satellite mind

Levas uma pessoa a almoçar e é a paga que tens:
Eu - vamos ali à FNAC...
Ela - Hoje é que podia estar cá o Bruno Nogueira.
Eu - ...

It's like goldy and bronzy, only it's made of iron

Irony.
É como o Pinto da Costa alertar para os perigos da corrupção no futebol ou o Paco Bandeira alertar para os perigos da violência doméstica.

Estou num daqueles momentos

Em que me apetecia fazer um longo, praticamente ininteligível e mal estruturado texto sobre umas coisas que leio em certos e determinados blogs, mas o mais provável era obter respostas do tipo "só lês porque queres". E eu gosto pouco de dar razão a certas pessoas, o que seria o caso. Têm toda a razão. Mas, não consigo evitar. É mais forte do que eu. Parece-me que tenho uma necessidade patológica de ora me irritar com os demais ou sentir-me envergonhado de forma alheia.
Portanto, ficarei caladinho. Obrigado e passem bem.

Drogado, cuidado

Subir a rua do Alecrim ao sábado, às oito horas e cinquenta, podia ser quase considerado desporto olímpico. Eu ainda vou meio a dormir e tenho de me desviar dos drogados que vêm a alucinar pela rua abaixo, de mãos na cabeça ou falarem sozinhos ou com as paredes. Requer alguma destreza.

28 de setembro de 2012

Feelin' good

Atendo o telefone no trabalho.
Cliente: eu falei consigo ao início da tarde por causa de determinado assunto.
Eu: não, deve ter sido com algum colega, comigo não foi, mas, de qualquer forma eu posso...
Cliente: ah, eu falei com a Helena Sertã*
Eu: ... Vou passar...

Sem comentários.

*nome fictício

Não, a sério

Alguém me explica porque é que eu ultimamente não paro de receber pedidos de amizade no facebook de senhoras do Canadá? Será que me torno lentamente numa celebridade na comunidade lusa e não sei?  "olha é aquele gajo que falou três segundos sobre o 50 shades of grey na televisão, vou adicioná-lo".

Curiosidade é uma sonda em Marte #2

Ela saiu em Algés. Eu se saísse em Algés também chorava.

Curiosidade é uma sonda em Marte

Estava uma rapariga a chorar no comboio, trajada, de perna cruzada, a capa como que a protegê-la do mundo, apenas as pernas cruzadas de fora, de vez em quando lá saía uma mão da fortaleza que apanhava um lenço que guardava algures, ia limpando os olhos, ia secando as agruras que lhe saíam pela fronte, e, nesses momentos, levantava o olhar do banco da frente, olhava em volta, encolhia os olhos de censura, as faces vermelhas, os dedos que tremiam, e olhava para as pessoas à sua volta, como que a questionar como é que se atreviam a olhar, olhar para ela, logo para ela, que chorava, não sabemos porquê, nunca saberemos, sendo que nada temos a ver com isso, na verdade, mas, enquanto lia, não conseguia deixar de pensar porque é que ela choraria, o que a faria não aguentar as lágrimas perante todas aquelas pessoas, e porque é que ela parecia, a determinado momento, querer chamar a atenção daqueles que já não a davam, claro que não soube, nunca vou saber, mas é uma imagem que marcava, a doentia luz clara do comboio em contraste com aquele figura de negro lavada em lágrimas, lágrimas silenciosas, e eu, obsessivamente curioso, nunca vou saber porquê.

27 de setembro de 2012

Foge enquanto podes moço!


Vergílio Ferreira, you bastard

Queria escrever assim uma coisa pseudo-poético-intelectual-sentimentalóide sobre o Vergílio Ferreira mas não consigo. Ele, e só ele, podia narrar momentos da minha vida. Seco e triste, mas é isto.

Rage against the machine

Era lindo que o gajo tivesse dito "este gajo também me insulta sempre que aparece na tv, porque é que não o identificam a ele?"

Então e os gajos que fazem tudo sozinhos?

Pimba. Aposto que foi uma mulher que fez este estudo.

Não posso morder a língua

Vou ter um evento com umas fashion bloggers e hoje fiquei de recebê-las para conhecerem o nosso espaço e etc. E, preconceituoso como o próximo, esperava umas divas. Ou armadas em divas. Ou armadas em armadas em divas. Mas, não é que eu estava redondamente enganado? Se calhar elas é que acharam que a diva era eu, armado ao pingarelho com o espaço e a antiguidade do espaço e essas coisas. Deus castiga.

Sentido de humor

A vossa atenção para o último lugar na lista de apostas para candidatos ao Nobel. Já agora, eu ia pelo McCarthy. Duvido é que a academia me faça a vontade. E o Lobo Antunes, que ainda anda ali pelo meio... O anjo que lhe guia a  mão que escreve os romances deve estar orgulhoso.

26 de setembro de 2012

Kool thing

Incrivel como uns jovens universitários conseguem manter uma conversa durante uma viagem de comboio inteira em que 90% das palavras utilizadas são "tipo", "tás a ver" e "ya".
- E ele, tipo, tás ver?
- Yaaa, mas tipo...
- Não, tipo, ya, tás a ver? Tipo!
- Ah, ya, ya...

25 de setembro de 2012

Presta atenção ao dono

Vi o Bruno Nogueira na FNAC, andava a passear com o "Pela Estrada Fora" lá pelo meio, todo contente, tudo muito bem, não fosse ele ter abandonado o livro num sítio qualquer antes de chegar à caixa, ainda por cima era o rolo original, como se atreve, havia de ter sido na minha loja que eu tinha lhe contado, dizia-lhe "oh gigantone, isso é para deixar no sítio, oh faxavor!", ou então, pronto, basicamente não lhe dizia nada e mandava um dos livreiros arrumar, no fundo era mais isto, mas fica registado o possível bom gosto literário do rapaz.

Teenage riot

Três adolescentes em conversa na FNAC:
- O PES tem uma vantagem sobre o FIFA...
- Qual?
- O modo rumo ao estrelato é melhor, assim mais... Apaneleirado.
- Hm? Apaneleirado? Mas isso é bom?
- Er...
- Não, explica lá, mais apaneleirado é bom?
- Meu...
- Ya, explica lá, explica lá meu!
- Foda-se, é melhor pronto, podemos mudar de assunto?!