11 de novembro de 2012
10 de novembro de 2012
Postcards from Italy
Não te esqueceste de nada desta vez mas hoje foi o dia em que deixaste mais quando foste embora.
9 de novembro de 2012
Koi no yokan
Faz hoje dois anos que me sentei pela primeira vez neste escritório, curiosamente numa secretária ali ao lado, como gerente desta loja, lembro-me de um dia me ter sentado nessa mesma secretária para tratar de uns assuntos da então minha pequena loja e do gerente da altura e meu superior ter olhado para mim, sorrido abertamente, e dito ficas bem aí, nem brinque com isso, disse eu, meio assustado, coração a bater demasiado depressa, parecia algo inatingível na altura, eu, o miúdo que lia umas coisas e brincava aos livros, ser gerente de algo tão emblemático, mas o raio da vida dá voltas que não lembram a ninguém e, muito graças a ele, uma dívida que nunca se pagará por inteiro, dois anos e poucos meses depois, estava eu recém-divorciado e a entrar por aquela porta como gerente, estava um dia de sol, fui beber um café à Benard, diz que é tradição, curiosamente na minha cabeça imagino-me a entrar, abrir o casaco e tirar o cachecol, mas isto é a minha cabeça a brincar com as memórias, estava um dia de sol, disso lembro-me bem, desci aquele bocadinho da rua e o meu coração empurrava-me para a frente, não era a cabeça, não era o estatuto, era o coração, pensei na minha avó e no orgulho que ela teria, entrei e os livreiros muito sérios, alguns já conhecia de noites mal dormidas a montar lojas e feiras e outros devaneios similares, outros via-os pela primeira vez, já tinha ouvido falar de uns e outros, bem e mal, o que vale é que não emprenho pelos ouvidos, atravessei aquelas salas, fui conhecendo os cantos que não conhecia da casa, recebi um molho de chaves digno de um guarda-nocturno de uma vila obscura do interior, cheio de chaves enferrujadas e de peso descomunal, conheci arrecadações que se escondem atrás das estantes, portas, portinholas, terraço, locais ermos e abandonados, ligações escondidas, um elevador que não funciona na cozinha, frase que só por si dava um post gigante, porque é o que se espera de uma livraria, um elevador na cozinha, e depois um pó de tempos imemoriais, que forma nuvens em forma de cogumelo quando algum livro cai na carpete, e o cheiro, das melhores coisas que há é voltar de férias e ter perdido um bocado a habituação do cheiro dos livros, e os livreiros, odeio clichés, mas, sem eles não estaria aqui, não teria conseguido tanto nem tão bem, todas as alarvidades que dizem quando vão fumar, o ar de desespero que fazem quando digo que, pela terceira vez na mesma semana, temos de montar ou desmontar uma sala para um lançamento, as pequenas vitórias que vou partilhando com eles, profissionais ou não, nunca sonhei que fosse assim, quando entrei, quando passei pela primeira vez na livraria a tentar absorver tudo, os sentidos inundados, é agora, é hoje, foi ontem, foi há dois anos, e hoje, tanto se passou, houve gargalhadas, lágrimas, discussões, abraços sentidos, noites longas, manhãs destrutivas, toquei o céu e desci aos infernos no espaço de vinte e quatro horas, tive problemas pessoais e profissionais, às vezes misturados, conheci autores, editores, comerciais, relações públicas, directores de comunicação, mais livreiros, jornalistas, só me faltou falar para o canal dois, corri as televisões todas e algumas rádios, até a tv record, abraço para o povo irmão e tal, associated press, li, li muito, li muito bem, e hoje, dois anos depois, ainda sinto qualquer coisa ao entrar na livraria e tocar nas estantes, ao arrumar algum livro perdido, ao ajudar alguma pessoa a ter algo que procura, isto está difícil, não parece que melhore rapidamente mas nós, aqui, vamo-nos aguentando, temos toda a história atrás de nós, quase três séculos e, eu, agora, sou uma infima parte dela, mas ela, ela é uma parte gigante de mim.
8 de novembro de 2012
Inferior a três
Sim, ainda fica melhor, as palavras meigas disfarçadas de insultos, as palmadas na boca, fofinho?, não sei o que é isso e eu não o sou certamente, mas a verdade é que me sinto eu com ela nos braços, e isto é grave, muito grave, especialmente quando havia hoje uma efeméride daquelas redondas e, em vez do habitual post do costume nestas situações, só me apetece falar dela.
Obrigado amigos do facebook...
... por fazerem com que eu não consiga esperar até ter a edição em vinil para ouvir isto.
Jobs for the girls
Isto é inenarrável.
Eu também ofereço algo parecido, mas em vez de free lunches ofereço a hipótese de lerem livros à (ou "á", como eles escrevem) borla e em vez de palmadinhas nas costas dou palmadinhas no rabo, só para não dizerem que eu não sou um chefe assim muito inovador.
7 de novembro de 2012
6 de novembro de 2012
A soma de tanta horas
Um dia, antes de te ires deitar, começas a receber sms numa quantidade absurda, todas seguidas, tudo normal, afinal de contas, passa da meia-noite, fazes trinta e dois anos, recebes mensagens de pessoas que estavas à espera, outras nem tanto, ainda assim sentes-te grato pelas pessoas perderem trinta segundos da sua vida para te desejar os parabéns, a mesma coisa pelo facebook, esse facilitador de efemérides de maior ou menor dimensão, depois ainda recebi por mail, é sempre mas sempre bom perceber que os amigos podem não se lembrar sempre mas nunca se esquecem, tal como eu não me esqueço deles, recebi mensagens até às três e quarenta e sete, hora a que o meu primo estava a chegar a Itália, de manhã repete-se o ritual, agora a atenção vira-se para a minha mãe, que tinha que ter o filho primogénito no dia de anos dela, rica prenda, ouço todos os anos, e, na verdade, até têm razão, não existe o meu aniversário, nunca existiu, existe sempre o nosso, e existirá sempre o nosso, mesmo quando um de nós não estiver lá, seremos sempre dois no bolo, seremos sempre dois a soprar as quatro velas, a música levará sempre um embaraçoso e descompassado para o menino Ricardo e menina Teresa uma salva de palmas, que ele há coisas difíceis de encaixar na métrica, e este amor é uma delas, os meus dela olhos verdes que hão de sempre olhar de baixo para cima, ainda que os calculistas centímetros queiram ditar que o pequenino agora é mais alto, a minha mãe ganha sempre no tamanho do coração, coração que tento emular da melhor maneira, mas fico tão tão longe, com a minha filha, quando a apanho ontem na escola e ela corre-me para os braços e enche-me de beijos e de mimos, quer me mostrar as quadras que fez e o desenho que fez, o orgulho que esta criança tem por mim é algo de belo, puro e descomunal, injustificado até, sou apenas o pai dela que faz anos, trinta e dois por sinal, isto para ela é quase terceira idade, para ela e não só, que aparentemente isto de ir a caminho dos quarenta, quando outras pessoas ainda se perdem no quente mar dos vinte, é coisa para causar a sua confusão, mas, pronto, nada que os abraços mais doces do mundo, e um vinil, não apaguem da minha memória, ainda que, confesso, continue a achar que ela me pôs algo na bebida, pois que eu não era assim e não queria tanta coisa e sentia tanta falta, coisa difícil de explicar, a maneira como a mente divaga para junto dela sempre que deve e não deve, para o dia de anos ter sido quase perfeito, além do toque dela, só faltou não ter recebido um mail que confirma que vou deixar de poder contar com um dos meus livreiro preferidos de sempre, uma pessoa incrível, de uma simplicidade e simpatia fora do comum, resta-me rezar para que ele seja feliz, que tudo lhe corra bem, e por favor, que volte, volte rápido de preferência, que isto de nos apegarmos às pessoas é uma doença ruim que, apesar de todos os cabelos brancos e corações partidos, ainda bem que não tem cura, tal como eu.
4 de novembro de 2012
As coisas que se encontram a arrumar o quarto da filha
"Artick Monckies"? Maravilhoso. Isto é a tentativa dela de escrever as notas da música. Resta saber qual.
A vossa sorte...
... é que quatro das minhas teclas não funcionam. Escrever com o teclado virtual não lembra ao menino Jesus. Como isto está hoje havia de ser bonito.
Progressos
Consegui que ela partilhasse o sofá com o Link e ela conseguiu, ainda que petrificada, dar-lhe uma festa na cabeça e experimentar aquele pelo de peluche dele. E ele gosta dela. Pudera.
3 de novembro de 2012
Como fazer rir a colega que desmaiou
"eu sei que pedi a Deus para que as mulheres começassem a cair aos meus pés, mas não era bem a isto que me estava a referir"
2 de novembro de 2012
Ghouls night out
Fiquei a trabalhar até às vinte e duas horas na quarta-feira, com uma constipação que só eu sei (obrigado por todas as piadinhas ao telefone, sois mui bem humorados e gentis, seus cabrões), para depois chegar ao Cais do Sodré, e não ter comboios porque os senhores dos comboios marcam a greve para quinta mas começam logo quarta à noite que é para não chegarem atrasados à greve, isso seria de mau tom, já deixar centenas de pessoas sem transporte para casa é muito bom, tudo ok, o desespero das miúdas com calhamaços de direito nos braços a ligarem a toda a gente e mais alguma para as safar, os olhares dançavam entre os comboios e os relógios à música de desabafos de desespero, já eu safei-me pela mana, que veio de Cascais de propósito para me vir buscar, a querida, então lá fiquei encostado a um canto a ler os Cadernos do Subterrâneo, à meia luz, enquanto via mil trezentas e cinquenta e duas pessoas e meia a passearem-se mascaradas de zombie / bruxa / gente que se tentou maquilhar-se durante um ataque de epilepsia, isto somado às "crianças" de saltos de vinte centímetros e saias de dez, o traje de galdéria deve ser um must do halloween, de garrafas de litrosa na mão e a dizerem que se amam todas muito, eu sinceramente não sei de que grupo tenho mais medo, se dos zombies se das pitas despidas, a diferença é que uns estão pintados de maneira assustadora e os outros estão mascarados para o halloween, já agora, isto do halloween faz-me confusão, mas também tudo me faz confusão, portanto nem vou por aí, foi um fim de noite bem passado, deu para, entre capítulos, que o Dostoievski (nunca falha) se lembrou de fazê-los pequeninos neste singelo livro, levantar os olhos do livro e olhar ali para a zona das máquinas e, sem dificuldade, isto das saudades deve mexer com a cabeça e olhos da gente, com o coração já nem se fala, para vê-la a ir-se embora da última vez, tantas palavras no último tocar das mãos, já depois da voz e do olhar terem servido o seu propósito, a verdade é que, como dizia o poeta, não saiam daí porque nós também não, logo à noite há mais.
31 de outubro de 2012
Chique a valer
Então parece que fui fazer um lançamento a um sítio onde o porteiro tinha gravatas à mão para quem não as trouxer, porteiro esse que estava claramente incomodado com o facto de ter de abrir a porta a cem pessoas, ao invés das três ou quatro que lá aparecem diariamente, algo que questionei frequentemente foi que raio de emprego tem esta gente e o que raio estas pessoas fazem nesta espécie de clube que albergou uma bela concentração de gentes de centro / direita, até lá estava uma senhora que já foi de esquerda (ou ela achava que era de esquerda, do ponto de vista dela a nossa direita é a esquerda dela, devia ser isso que ela pensava antes de se assumir), a única pessoa que se dignou a vir cumprimentar-me, vejam bem a ironia das coisas, foi o General Ramalho Eanes, que, ao subir a escada, soltou-se da sua trupe, arrumou a Manuela num canto e veio cumprimentar-me, perguntar como estava, bem, senhor general presidente o senhor não envelhece?, pensei eu para mim, o Marcelo Rebelo de Sousa continua igual a si mesmo, provocou o caos porque não queria o ar condicionado ligado e ficou tudo a morrer de calor, o sítio devia fazer parte de um roteiro de Lisboa chamado viagens no tempo, entra-se ali e está-se no século xix, inícios do século xx, vá, e é irónico que usem este sítio para fazer lançamentos de políticos quando o autor que dá o nome a essa casa não era propriamente fã dos mesmos, e, já agora, a placa de uma menção de um Papa a agraciar a casa também é catita, especialmente porque o dito autor também não morria de amores por religião, realmente só faltava terem um placa da associação anti bigodes e monóculos e era o hat-trick das contradições num só sítio, achei piada a umas jornalistas a lamber botas a ex-ministros, falando em educação e boa educação, o que é lindo e maravilhoso, tendo em conta que algumas pessoas faziam questão de pousarem os copos vazios na mesa dos livros ou mesmo de limpar as mãos à toalha da mesma.
27 de outubro de 2012
Nuvem
Gostei de Ornatos, podia ficar por aqui o post mas tenho mais alguns minutos da hora de almoço para escrever e, em não me apetecendo ler em tão pouco tempo, deu-me para escrever, portanto vou explicar melhor, aquilo podia ter sido assim de um nível estrondoso se a setlist tivesse outra organização, ainda assim foi memorável, o primeiro concerto da Catarina em recinto fechado e logo o primeiro dia de Ornatos?, é bom que ela diga na escola que o pai é fixe e a leva a ouvir estas músicas do diabo, as freiras vão adorar, claro que, como não podia deixar de ser, ela antes do concerto esteve mais ocupada a ensinar a umas amigas minhas os ossos do corpo humano, a explicar o que era um sismo, a demonstrar o conhecimento de star wars e lord of the rings, o que motivou uma rapariga que a conhecia pela primeira vez a perguntar, enquanto a abraçava, se a podia adoptar, depois, já dentro coliseu, obrigou-me a sentar-me mais atrás para ficar ao pé delas, e pronto, lá fiquei eu, a vê-la agarrada ao corrimão da bancada, de olhos cheios no palco vazio, a excitação dela no caminho, aquele seu habituar tagarelar incessante, tinha se transformado num respirar mais lento e pesado, o corpo dela mexia-se pouco, as mãos não largavam o corrimão, estava lá, estava quase, a banda cujos discos ela coloca a tocar sozinha, são mais dela que meus, o que no fundo se aplica a tudo, depois foi vê-la cantar e dançar e saltar e reclamar no fim porque o Manuel Cruz nem uma vez olhou para ela, ela que tanto lhe disse adeus, e porque ele foi cumprimentar as pessoas do outro lado do palco e deste lado não veio, e o Jorge Cruz de Diabo na Cruz é mais fixe porque olhou para ela no concerto, ..., porquê?, pergunto-me eu, porquê?, enfim, ela está a crescer, e eu a ficar mais pequeno perante a vida dela que se expande a um ritmo alucinante, já quase não precisa da minha mão, deixo a aberta para quando precisar, não a prendo, depois, no caminho para casa, encostou a cabeça no vidro do carro e foi a dormir, diz que no dia seguinte acordou sem problemas e foi para a escola feliz e contente, já eu acordei às quatro e quarenta para passear o Link e vir trabalhar por motivos e razões, e eu sei, eu sei que era a celebração dos Ornatos mas a noite foi totalmente dela.
26 de outubro de 2012
24 de outubro de 2012
Esta é nova
Já me tinham sido oferecidos livros pelos autores nos lançamentos, agora uma garrafa de vinho do Dão é inédito.
21 de outubro de 2012
Dói-me o maxilar de rir
Catarina no carro a caminho de casa, com a viola:
"Miguitooooo,
tu és um gatitooooo,
o gato do lord of the rings,
a fénix do Harry Potter,
não pagas portagens porque não tens rodaaaas,
morreste e foste ter com o lord,
quem é o loooord?
é o senhor do céeeeeu
oh meu deus oh meu deus
oh my god.
Miguito..."
"Miguitooooo,
tu és um gatitooooo,
o gato do lord of the rings,
a fénix do Harry Potter,
não pagas portagens porque não tens rodaaaas,
morreste e foste ter com o lord,
quem é o loooord?
é o senhor do céeeeeu
oh meu deus oh meu deus
oh my god.
Miguito..."
Intro
Descobri da melhor forma que o anti-ciclone dos Açores tem consequências nefastas ao nível do sono.
20 de outubro de 2012
Anda alguma coisa no ar, está confirmado
Hoje tirei bilhetes de metro para duas senhoras que não sabiam mexer na máquina, a máquina automática, como-lhe chamavam, um bonito conceito, um papão verde e azul de ecrã táctil e trato pouco dócil, uma delas confidenciou-me que, filho, até nem sei ler, a outra, ah eu sei ler mas não sei pagar as contas da luz e da água, eu fiquei a pensar na que não sabia ler, o que entenderá ela dos cartazes publicitários espalhados pela estação, miúdas giras, sentadas, de mão no queixo, em anúncios a créditos, a perdição pela salvação, o que lhe passará pela cabeça, será que tem ideia do que estão a anunciar, rezemos, para o bem dela, que o anúncio do fim do mundo chegue por escrito, já na baixa ajudei uma senhora de sotaque carregado, que fez questão de mencionar que não era de lá, algo que eu, pela pronúncia e pela pergunta de onde era o sítio para ir para o marquês, nunca adivinharia, eu sou só um gajo distraído de phones nos ouvidos e livro na mão, lá encaminhei a senhora, tanta gente desconhecida a desejar-me um bom dia, espero que tenham razão, o dia logo se vê, a tarde passará pela sociedade de geografia, seremos as quatro pessoas mais perdidas no meio de tantos mapas, já a noite, a noite promete, mesmo que me perca tenho quem me encontre.
19 de outubro de 2012
18 de outubro de 2012
Anda qualquer coisa no ar, só pode
Uma pessoa conhecida minha, no meio da chuvada de ontem, parou o seu caminho para dar o seu chapéu de chuva ao mendigo que estava na porta da igreja por onde passa todos os dias, e hoje, ao tossir no comboio, a senhora que estava ao meu lado ofereceu-me pastilhas para a tosse. Acho que vou ficar com medo de andar na rua.
16 de outubro de 2012
Não consigo explicar...
... Eu que já conheci tantos autores, mais ou menos conhecidos, mais ou menos simpáticos, mais ou menos do meu gosto, não consegui ir falar com a Hélia Correia. Uma colega minha já lhe tinha pedido, noutro evento, para ela me assinar o "Adoecer", mas, ainda assim, gostava de lhe dizer obrigado pelo livro, por causa desse livro mudei os quadros cá de casa, li a poesia dos pré-rafaelitas, foi algo que me marcou. E ela ali, simpatiquíssima para toda a gente. E eu sem ser capaz de lá ir falar.
15 de outubro de 2012
Unrest
Ia a subir a Garrett, a tentar desembaraçar os phones sem largar o livro e o casaco (quase digno de número de circo) quando se aproxima um homem de barba desgrenhada, chapéu para o lado, camisa aos quadrados azul (ou encarnada, acho que estou a ficar mais daltónico, de qualquer forma, era de noite, a luz ali é fraquinha, romântica, dizem alguns, tudo o que sirva para me desculpar de já ter visto melhor), que diz, em voz bastante alta:
- O cabrão do Passos pensava que ia ganhar nos Açores e lixou-se!
E estica a mão para eu apertá-la. Consigo por o Saramago debaixo do braço e apertar-lhe a mão e ele aproxima-se de mim e põe a mão a tapar a boca dele e o meu ouvido para me dizer o que parecia ser um segredo e diz novamente em voz alta:
- E o PCP meteu um deputado nos Açores! Os comunistas vê bem amigo! E o cabrão do Passos lixou-se!
Pois, pois, lá o despachei, está a fazer-se tarde, desejei-lhe boa noite e dei-lhe os parabéns pelo deputado, e ele finalizou:
- Agora é fodê-los cá!
É, é isso.
14 de outubro de 2012
Man on the edge
Acho graça todo este alarido em relação ao senhor que esteve quatro minutos em queda livre. Acho que andam distraídos em relação a Portugal, a cair desde mil novecentos e troca o passo.
13 de outubro de 2012
Thickfreakness
Espero que a vida não lhe venha a ensinar da maneira querida e meiga que só a vida sabe que não pode pagar contas nem comprar coisas com o "coração". É através do "trabalho" que o fazemos. Enfim. Mais uma lição aprendida.
11 de outubro de 2012
Paradoxo
Apetece-me muito escrever mas não me apetece reviver a maior parte das coisas que me aconteceram hoje.
Nobel
Mo Yan. Desconheço. Não há livros no mercado. Tal como no ano passado. E há três anos. E há quatro anos... Seguem-se horas de recusas a pedidos de cliente incessantes, ardentes pelo novo Nobel, e que não, nem devem, compreender como é que é possível o homem ganhar o Nobel e não estar nas livrarias.
10 de outubro de 2012
9 de outubro de 2012
Inb4 piadas sobre o Peixoto
Estou a estranhar ainda não ter visto piadas do tipo:
"Então o Peixoto fez um livro de viagens sobre a Coreia do Norte? Porque é que não aproveitou para ficar lá?"
8 de outubro de 2012
Obrigadinhos
- Posso entrar Ricardo? Pá, estás com um ar cada vez mais cansado!
- Mas hoje é segunda, eu sinto-me bem.
- Cada vez que venho cá estás com um ar mais cansado e com menos cabelo, eles querem dar cabo de ti? Não te dão descanso, os gajos não é?
- Mas hoje é segunda, eu sinto-me bem.
- Cada vez que venho cá estás com um ar mais cansado e com menos cabelo, eles querem dar cabo de ti? Não te dão descanso, os gajos não é?
7 de outubro de 2012
Sou do Sporting desde pequenino
O meu último nome é Espírito Santo. A minha estação de metro preferida é o Campo Grande. Tenho os olhos verdes. A personagem histórica mais famosa chamada "Ricardo" era o "Coração de Leão". O ex-treinador também se chamava Ricardo. Eu também tive vontade de bater no Artur Jorge. Sei escrever Wolfswinkel. Bebo cerveja Cintra. Tenho conta no BES. Dava umas palmadas na Bruna Polga. Não me importava que o Paulo Pereira Cristóvão me espiasse. Ou que o Eduardo Barroso me operasse. O João Braga cantar-me um fado? Não exageremos.
6 de outubro de 2012
Bad parenting #2
Chamada ás sete e meia da manhã.
- Olá, olha, a Catarina deixou aí o fato de treino?
- Não, acho que não, deixa ver... Não, não.
- Não faço ideia onde ela tem isso, aqui não está, na minha mãe também não, podes ver na tua mãe?
- Posso, mas olha que eu posso jurar que meti o fato de treino na mala quando a deixei na escola na última vez. Deixa-me ver no carro, já te ligo mais daqui a pouco, ela é bem capaz de ter posto o saco debaixo do banco da frente.
- Bem capaz.
- Esta miúda é impossível.
- Oh, oh, meu caro... Tens noção que ela é nossa filha?
- Er... Pois.
- Isso explica alguma coisa.
- Hm. Se calhar não devemos criticá-la à frente de estranhos.
- Ahahahahah, pois.
- Pois.
(e na realidade era eu que tinha o fato de treino)
Bad parenting
- A Bárbara é impossível! Tem a mania que é mandona, e todos fazem o que ela quer, mas, eu, eu não, em mim ela não manda.
- Não?
- Não, não, eu mando-a ir chatear o irmão gémeo, e pai, às vezes só me apetecia...
- Catarina...
- Dar-lhe uma chapada na cara. Ficava uma semana de castigo mas valia tão a pena.
- ...
5 de outubro de 2012
4 de outubro de 2012
Acho que percebi a cena com a Pilar
Acho que o medo todo era do facto de eu nunca ter lido o Saramago. Até hoje.
3 de outubro de 2012
Não se pode dizer nada
Aqueles beijos que não terminam, desvanecem, extinguem-se no teu abrir de olhos, paramos para mudar o disco de lado?, o vinil é pouco prático nestas coisas, tal como eu, quer me parecer, pela maneira como me vou deixando apanhar.
Billio-fucking-naire
Gostava que me entrevistassem quando há aqueles jackpots grandes, e eles andam pela rua a perguntar o que é que as pessoas fariam se ganhassem o primeiro prémio, então haviam de se chegar à minha beira e perguntar-me o que é que faria com noventa milhões, vamos supor, que para sonhar é para ser em grande, e eu diria, calma e humildemente, mandava umas quantas pessoas para o caralho, assim, simples, pegava no carro, ia a três ou quatro e sítios e mandava pessoas para o caralho, isto valia mais do que os noventa milhões na conta.
1 de outubro de 2012
Brincadeira chata
Se não sabem deviam saber que abomino as greves da CP. Bem sei que as pessoas têm direito à greve, mas as pessoas que pagaram o passe também têm direito a usufruir do transporte para poderem ir trabalhar. Havia de ser bonito o senhor da CP ir comprar os livros escolares e dar de cara na porta porque estávamos em greve.
Mas, o que eu abomino ainda mais são pessoas como esta fonte oficial da CP. Então diz a
fonte oficial da CP que as pessoas puxavam as sirenes da alarme para o comboio não andar, e que "é uma bricadeira chata, às vezes acontece, mas num dia de greve e com o comboio cheio é pior". Brincadeira chata? Brincadeira chata é colarem te alarmes nos sítios mais estranhos que podes imaginar das tuas roupas para que estas toquem em todas as lojas em que tu entras. Tive duas pessoas da minha loja (uma funcionária e um segurança) presos no comboio que esteve parado, e, passe o exagero natural deles, tiveram alguns momentos de maior pânico. Insultos, alguma violência, pessoas a pontapearem o comboio e a forçarem a entrada. E esta
fonte oficial da CP fala em brincadeira chata?
Olham-te nos olhos
A meio do inventário chamaram-me ao balcão porque havia uma senhora para falar comigo, lá fui, algo chateado, afinal de contas estou em inventário, não me apetecia muito ouvir reclamações, desta vez era outra coisa, cada vez mais comum, a senhora, reparando no rebuliço que ia naquele sítio, queria saber se podia ajudar a realizar o inventário, recebendo para isso uma remuneração simbólica à hora, pedido que tive obviamente de recusar, recusa essa que foi respondida com um pedido de ajuda directo, olhos nos olhos, pálpebras e lábio a tremer, dinheiro, ajuda, formada, desemprego, tudo palavras que me cravava no ser, e eu, a manter a postura, que resposta dou?, o que digo?, que não posso?, que não devo?, porque não devo e não posso, pudesse eu juntar dinheiro para a minha filha e seria eu uma pessoa mais descansada, claro que aqui entram as bocas "ah e tal não podes juntar dinheiro para a Catarina mas compras discos e vais a concertos" e eu respondo oh que caralho, então não querem que viva?, pois que a própria criança me incentiva a isso, coisa mais linda, mas, voltando à senhora que me abordou, a única coisa que lhe dei foram votos de boa sorte, sinceros, claro, porque estas situações acontecem aqui cada vez mais, pessoas que me chamam para pedir dinheiro, umas de forma dissimulada, outras completamente frontais, a frase "perdi a vergonha" é usada como uma bandeira do desespero que nos derramam em cima, e, por mais que pensemos noutra coisa, a picada cá dentro demora a passar.
Nem sei que título dar a isto
O Barcelona vem jogar com o Benfica para a liga dos campeões, facto que deixou a Catarina em delírio visto serem as duas equipas preferidas dela, o Benfica facilmente se percebe, agora o Barcelona, vá-se lá perceber, mas enfim, tolera-se, podia dar-lhe para pior, tipo drogas, ou muito pior, tipo Porto, então ela ficou feliz por o Messi vir jogar à Luz, e o papá ia levar a menina à bola, já não vamos há algum tempo, mas eis que por motivos de ordem financeira e profissional não será possível levar a criança ao jogo, quem é que no seu perfeito juízo marca um lançamento de um livro em cima da hora do Benfica - Barcelona, gente de gosto duvidoso, só pode, e eu já convencido de que não vejo o jogo, com ou sem Catarina, quando me entra a criança feliz da vida pela livraria adentro, de braços abertos, a saltar-me para o colo e a encher-me de beijos, queria o cartão de sócia do Benfica para poder ir comprar o bilhete, então aparentemente vai ao jogo com o namorado da mãe, e, já sei, sou má pessoa, desculpem lá qualquer coisinha, mas a cena do "devias ficar contente por ela" não funciona bem comigo, era uma coisa especial que gostava de partilhar com ela e agora ela vai com o namorado da mãe, isto mexe comigo a níveis completa e irreversivelmente irracionais, e o facto de perceber isto e perceber que não deveria ser assim revolve-me ainda mais as entranhas, e imagino-a no estádio a sorrir ou a festejar um golo com ele e são anos de vida que me saem da alma, pronto, já disse, depois de quinze horas de inventário não tenho forças para mais.
Disjuntor maravilha
Se isto estiver para baixo não podemos espirar a livraria.
(Adenda: aparentemente também há um disjuntor para a tomada da "limpesa". Obrigado Xana).
Nada disto me espanta muito. A senhora da limpeza que tínhamos quando entrei na livraria gostava muito do "chintily", tinha "as armónias trocadas no piriodo" e, pobre, o marido tinha "câncaro na prótese".
30 de setembro de 2012
Todos comigo, agora: MA-RA-VI...
Acordar às cinco e quarenta e cinco, chegar ao local de trabalho às sete e vinte, abrir a pestana eventualmente, começar um inventário que se estima que dure basicamente até ao fim dos tempos e aqui eu estou a referir-me ao fim dos tempos do universo e não essa merda dos Maias de vinte e um de dezembro ou lá o que é, Maias, vejam lá isso, que eu conto receber uma PS3 no dia vinte e quatro, e, parecendo que não, acabando o mundo já não me serve de nada ter uma PS3, e depois de meter tudo a trabalhar ir tomar o pequeno-almoço à Padaria Portuguesa enquanto toca, alto e bom som, o Maravilhoso Coração do Marco Paulo. Chama-se a isto viver.
Até ao fim
"Possivelmente tem-se a infância do que se é na idade adulta. E não o contrário. Mas também não tenho idade adulta. A única coisa de que me lembro na idade adulta - será isso ser-se? A única coisa que me coube na idade adulta é aguentar. Aguentar é ser contra o que nos é contra, tudo tem sido tão contra."
29 de setembro de 2012
Satellite mind
Levas uma pessoa a almoçar e é a paga que tens:
Eu - vamos ali à FNAC...
Ela - Hoje é que podia estar cá o Bruno Nogueira.
Eu - ...
Eu - vamos ali à FNAC...
Ela - Hoje é que podia estar cá o Bruno Nogueira.
Eu - ...
It's like goldy and bronzy, only it's made of iron
Irony.
É como o Pinto da Costa alertar para os perigos da corrupção no futebol ou o Paco Bandeira alertar para os perigos da violência doméstica.
Estou num daqueles momentos
Em que me apetecia fazer um longo, praticamente ininteligível e mal estruturado texto sobre umas coisas que leio em certos e determinados blogs, mas o mais provável era obter respostas do tipo "só lês porque queres". E eu gosto pouco de dar razão a certas pessoas, o que seria o caso. Têm toda a razão. Mas, não consigo evitar. É mais forte do que eu. Parece-me que tenho uma necessidade patológica de ora me irritar com os demais ou sentir-me envergonhado de forma alheia.
Portanto, ficarei caladinho. Obrigado e passem bem.
Drogado, cuidado
Subir a rua do Alecrim ao sábado, às oito horas e cinquenta, podia ser quase considerado desporto olímpico. Eu ainda vou meio a dormir e tenho de me desviar dos drogados que vêm a alucinar pela rua abaixo, de mãos na cabeça ou falarem sozinhos ou com as paredes. Requer alguma destreza.
28 de setembro de 2012
Feelin' good
Atendo o telefone no trabalho.
Cliente: eu falei consigo ao início da tarde por causa de determinado assunto.
Eu: não, deve ter sido com algum colega, comigo não foi, mas, de qualquer forma eu posso...
Cliente: ah, eu falei com a Helena Sertã*
Eu: ... Vou passar...
Sem comentários.
*nome fictício
Cliente: eu falei consigo ao início da tarde por causa de determinado assunto.
Eu: não, deve ter sido com algum colega, comigo não foi, mas, de qualquer forma eu posso...
Cliente: ah, eu falei com a Helena Sertã*
Eu: ... Vou passar...
Sem comentários.
*nome fictício
Não, a sério
Alguém me explica porque é que eu ultimamente não paro de receber pedidos de amizade no facebook de senhoras do Canadá? Será que me torno lentamente numa celebridade na comunidade lusa e não sei? "olha é aquele gajo que falou três segundos sobre o 50 shades of grey na televisão, vou adicioná-lo".
Curiosidade é uma sonda em Marte
Estava uma rapariga a chorar no comboio, trajada, de perna cruzada, a capa como que a protegê-la do mundo, apenas as pernas cruzadas de fora, de vez em quando lá saía uma mão da fortaleza que apanhava um lenço que guardava algures, ia limpando os olhos, ia secando as agruras que lhe saíam pela fronte, e, nesses momentos, levantava o olhar do banco da frente, olhava em volta, encolhia os olhos de censura, as faces vermelhas, os dedos que tremiam, e olhava para as pessoas à sua volta, como que a questionar como é que se atreviam a olhar, olhar para ela, logo para ela, que chorava, não sabemos porquê, nunca saberemos, sendo que nada temos a ver com isso, na verdade, mas, enquanto lia, não conseguia deixar de pensar porque é que ela choraria, o que a faria não aguentar as lágrimas perante todas aquelas pessoas, e porque é que ela parecia, a determinado momento, querer chamar a atenção daqueles que já não a davam, claro que não soube, nunca vou saber, mas é uma imagem que marcava, a doentia luz clara do comboio em contraste com aquele figura de negro lavada em lágrimas, lágrimas silenciosas, e eu, obsessivamente curioso, nunca vou saber porquê.
27 de setembro de 2012
Vergílio Ferreira, you bastard
Queria escrever assim uma coisa pseudo-poético-intelectual-sentimentalóide sobre o Vergílio Ferreira mas não consigo. Ele, e só ele, podia narrar momentos da minha vida. Seco e triste, mas é isto.
Rage against the machine
Era lindo que o gajo tivesse dito "este gajo também me insulta sempre que aparece na tv, porque é que não o identificam a ele?"
Não posso morder a língua
Vou ter um evento com umas fashion bloggers e hoje fiquei de recebê-las para conhecerem o nosso espaço e etc. E, preconceituoso como o próximo, esperava umas divas. Ou armadas em divas. Ou armadas em armadas em divas. Mas, não é que eu estava redondamente enganado? Se calhar elas é que acharam que a diva era eu, armado ao pingarelho com o espaço e a antiguidade do espaço e essas coisas. Deus castiga.
Sentido de humor
A vossa atenção para o último lugar na lista de apostas para candidatos ao Nobel. Já agora, eu ia pelo McCarthy. Duvido é que a academia me faça a vontade. E o Lobo Antunes, que ainda anda ali pelo meio... O anjo que lhe guia a mão que escreve os romances deve estar orgulhoso.
26 de setembro de 2012
Kool thing
Incrivel como uns jovens universitários conseguem manter uma conversa durante uma viagem de comboio inteira em que 90% das palavras utilizadas são "tipo", "tás a ver" e "ya".
- E ele, tipo, tás ver?
- Yaaa, mas tipo...
- Não, tipo, ya, tás a ver? Tipo!
- Ah, ya, ya...
25 de setembro de 2012
Presta atenção ao dono
Vi o Bruno Nogueira na FNAC, andava a passear com o "Pela Estrada Fora" lá pelo meio, todo contente, tudo muito bem, não fosse ele ter abandonado o livro num sítio qualquer antes de chegar à caixa, ainda por cima era o rolo original, como se atreve, havia de ter sido na minha loja que eu tinha lhe contado, dizia-lhe "oh gigantone, isso é para deixar no sítio, oh faxavor!", ou então, pronto, basicamente não lhe dizia nada e mandava um dos livreiros arrumar, no fundo era mais isto, mas fica registado o possível bom gosto literário do rapaz.
Teenage riot
Três adolescentes em conversa na FNAC:
- O PES tem uma vantagem sobre o FIFA...
- O PES tem uma vantagem sobre o FIFA...
- Qual?
- O modo rumo ao estrelato é melhor, assim mais... Apaneleirado.
- Hm? Apaneleirado? Mas isso é bom?
- Er...
- Não, explica lá, mais apaneleirado é bom?
- O modo rumo ao estrelato é melhor, assim mais... Apaneleirado.
- Hm? Apaneleirado? Mas isso é bom?
- Er...
- Não, explica lá, mais apaneleirado é bom?
- Meu...
- Ya, explica lá, explica lá meu!
- Foda-se, é melhor pronto, podemos mudar de assunto?!
- Foda-se, é melhor pronto, podemos mudar de assunto?!
24 de setembro de 2012
Há coisas que me assustam no colégio dela...
E a professora de moral perguntar quem tem pais divorciados, e se estes têm alguém, é algo que me faz alguma confusão. Segundo a Catarina, quando ela falou dos seus pais, a irmã disse: "o teu pai é que tem juízo". Tenho? Ena. Mal posso esperar para contar isto às strippers.
Imagine
Catarina, enquanto lanchava um happy meal com nuggets (enfim...), nos armazéns:
- Pai, o dono da tua empresa divide o dinheiro com vocês?
- Hm?
- Então, eu estive no balcão a pôr os livros nos sacos...
- ...
- ... E as pessoas gastaram muito dinheiro! O teu patrão divide o dinheiro contigo?
- Não, filha, não divide...
- E com os teus colegas?
- Também não. Nós recebemos um ordenado, a tempo e horas, não me posso queixar...
- Mas ele devia dividir... Assim não é justo.
O meu ser humano preferido no meu sítio preferido
O melhor momento foi quando ela correu pela loja fora e apanhou duas livreiras a falar e, quando eu lá cheguei, disse: "papiiiiii, elas estavam a falar, não trabalhar!" e elas ficaram as duas a olhar para mim encavacadas.
(atentem bem na mochila com caveiras e nos All-star com a farda, em vez de levar os sapatos de vela, as freiras devem adorar)
Black Rainbow
Uma senhora, numa reportagem sobre o dia de luto das farmácias, dizia que precisávamos de um novo 25 de Abril ou de um novo Salazar. Gostava de ouvi-la justificar uma opinião destas.
22 de setembro de 2012
21 de setembro de 2012
Tsubasa
Estou a ficar para a vida como já estou para o futebol: sou muito bom e rápido a pensar, mas executar está quietinho.
Vinte minutos na Livraria...
... e a quantidade de pessoas que apanho a falar sozinhas? Impressionante. Há os que falam com os seus botões, literalmente, a olhar para baixo e a murmurarem. Já outros, olham em volta e falam para o ar, como se a ajuda viesse daí. E ainda temos os que falam com os livros. Os livros não têm culpa. Tadinhos.
20 de setembro de 2012
Inrihab
Aparentemente a frase "foi uma coisa que sempre quis fazer...", dita em relação a casar pela igreja enquanto olhava pensativo para o tecto, é o suficiente para seres alvo de chacota. E não há explicação máscula que dês que te safe do epíteto de princesa durante uns minutos.
The Brothers Karamazov
Cresci convencidíssimo que era um Aliocha, mas não há por onde fugir: sou muito mais um Ivan.
I'm a lazy dancer, when you move I move with you
Já achava curioso ao facto de os meus melhores amigos estarem todos fora de Portugal, é vê-los por Inglaterra, Itália, Alemanha e Dinamarca. Agora ter três pessoas minhas conhecidas (duas colegas de turma na escola e uma ex-colega de trabalho) no "Portugueses no Mundo", uma na América do Sul, uma em África e a outra na Ásia, faz-me pensar se o problema não serei eu.
18 de setembro de 2012
Chega de saudade
Estou há quase duas semanas com a Catarina, a ir levá-la à escola, a ter aqueles pequenos rituais com ela, acordá-la, dar-lhe o pequeno almoço, fazer os trabalhos com ela... No entanto, sabe realmente a pouco. Aquela hora de manhã, mais esta hora à noite, dão para pouco, muito pouco. Percebo a sorte relativa que tenho (ou tinha...) de a ter durante o fim-de-semana, e de passar longas horas com ela, longas horas ao ponto de ela ir brincar sozinha para o quarto, como uma criança normal, e eu não me importar com isso. Agora a mãe volta das férias e voltamos ao ritual normal, e eu vou outra vez sentir aquelas saudades. E no fundo é isto, períodos que se aproximam de uma tão almejada perfeição, para depois me ver outra vez despedaçado, ter estas lembranças do quão bom é vê-la crescer diariamente, para depois ver-me privado disso tudo. Outra vez. E outra vez. Acho que o meu coração já se cose sozinho, ao menos isso.
Help I'm alive
Achei piada à cena do The Burning House e pensei em fazer um post com isso. A verdade é que lá juntei as coisinhas, um exercício deveras interessante, em igual modo catártico e perturbador, e tirei a foto e tudo e tudo. Mas, assim que vi a imagem no computador, senti-me demasiado exposto. Aquilo é demasiado de mim, demasiado da minha vida, dos meus gostos, sentimentos, prioridades e manias. Mais rapidamente deixava aqui o meu nome completo e número de telefone do que punha aquela imagem.
17 de setembro de 2012
Gold guns girls
Estou em processo de habituação à brilhante e maravilhosa ideia de me terem trocado as folgas, na primeira semana não parecia tão mau, estava sozinho, a Catarina ainda passeava por aí com a mãe, não fez outra coisa o verão todo, a criança, e a primeira segunda-feira de folga passou-se bem, era uma espécie de domingo mas em pior, mas hoje, hoje, a ter de acordar às sete da manhã numa das folgas, a receber doze chamadas da loja, a ter que levar a Catarina à escola e ter que pensar no que fazer com o tempo até ela sair, voltar a casa nem pensar, não ganho para a gasolina, vou deambular por Cascais, desfazer-me por aí, assim o fiz, livro na mão, deixa-me lá ouvir Metric como deve ser, que ele há coisas que passam por nós, até mais do que uma vez, e nós não damos por elas, com Metric foi assim, tempo perdido é algo que não existe em música portanto agora é tão boa altura como outra qualquer, e comecei por visitar duas livrarias, eu que sou suspeito nisto, fiquei algo desiludido, a Bulhosa tinha, atenção, meia estante de autores portugueses, eu que estou habituado às minhas quatro, terrivelmente mais altas, igualmente largas, tinham Saramago e pouco mais, dói-me a alma ver um sítio assim, então desisti e fui-me embora, rumo à Galileu, saudei a livraria fechada onde já fui relativamente feliz, onde dei os primeiros passos a tomar conta de uma loja que vende livros, sim, porque tomar conta de uma livraria é uma coisa algo recente, então entro na Galileu, sinto-me mais em casa, embora confesso que me faz alguma confusão aquela atitude um bocado autista em relação ao mercado editorial, um elitismo ridículo, e depois têm uma primeira edição do Pena Capital, mas era trinta euros, e eu a ver o livro que trazia na mão numa estante, mas em primeira edição, de setenta e tal, quer me parecer, e custava vinte cinco euros, bastante mais do que me custaria o meu, se o comprasse claro está, que isto de trabalhar com os livros tem de ter algo de bom, e saí de lá com as mãos a abanar, desci a rua, acenei ao Santini, nunca é demasiado cedo para um gelado mas havia muito para andar, fui até à praia, crescemos ali, eu e o meu amor por aquele terra, naquela areia que recordo morna, muito gostava eu de saltar lá de cima, sempre com medo que o meu avô me obrigasse a ir dar uma volta no barco dos amigos pescadores, eu a ver o pontão ser construído, a sonhar mergulhar de lá, acho que foi algo que ficou na terra dos sonhos, não tenho memória de alguma vez o ter feito, por falar em memória, um coração apenas aguenta uma certa dose de nostalgia, decidi continuar, subi pelas escadinhas, a tocar nos corrimões, nas paredes de pedras antigas, para sentir não me basta ver, tenho de tocar, o frio daquela pedra aquecia-me, sinto-me eu, sinto-me em casa naquelas ruazinhas, com o mar a espreitar sem ser convidado, e pelo caminho ia escolhendo sítios para me sentar e ler um pouco, uma busca inglória pela perfeição literária, e assim iam-se sucedendo os passos e a memória, pergunto-me porque é que nunca fui muitas vezes à praia da Rainha, não encontro resposta, continuo o passeio, ajudo um homem a pôr uma caixa na traseira de um camião, o amigo trabalha nas mudanças, perguntou ele, livros, respondi eu, pensei que os livros eram para ler, retorquiu, sim, mas há que carregá-los primeiro, bom dia e até à próxima que o capítulo está a acabar e preciso de um novo sítio para me sentar, claro que ela também está por lá, aquela memória, continuei pelo paredão, desviando-me das tias ao telefone enquanto passeavam, já com cor e textura de sofá de cabedal, que medo, passo pelo túnel do antigo Estoril Sol, está bastante mais largo, com azulejos de um gajo conhecido, que merda não me lembro do pintor, faço um exercício de memória e penso na prateleira de pintores portugueses na livraria, Nadir Afonso, foi rápido, não me safei mal, pensei em tanta coisa para escrever, tanta coisa que senti, mas varreu-se me quase tudo, às vezes acho que é melhor assim, cada coisa no seu sítio, sentir é no presente, no passado já não vale a pena, e quando dou por mim já é hora de apanhar a Catarina na escola, ela fica feliz como só as crianças sabem ficar com estas coisas, vamos comer um cachorro, depois é hora do banho, trabalhos de casa, senhor dos anéis, jantar, lavar os dentes, cama, é bom partilhar estas coisas, sim, tenho saudade de quando era assim todos os dias, e agora é o à custa do sábado, dia de passeios e travessuras por excelência, não morre ninguém, mas, não é a mesma coisa, nunca nada é, no fundo, e isto é como tudo, vive-se agora porque amanhã pode ser pior, e agora, com ela aqui, estou bem, cansado, mas bem, agora é só fechar a merda da porta da rua para ver se não acordo com o cão a ladrar como se o mundo estivesse para terminar e ter uma boa noite de sono.
My mistakes were made for you
Catarina: Estava a brincar com a Becas e...
Eu: Quem é a Becas?
Catarina: É a Mariana. Não conheces, é da turma A.
Eu: Espera, se ela se chama Mariana... Porquê Becas?
Catarina: Pai, se a visses... Ela tem mesmo cara de Becas.
Eu: ...
Catarina: Se a mãe não engravidar para o ano vou convidá-la para a minha festa.
Eu: ... Filha, acho que a tua mãe não vai engravidar este ano.
Catarina: Também acho, ela não quer ficar uma baleia outra vez.
Eu: Ahahahah
Catarina: Ahahaha, tenho mesmo piada.
Eu: ...
O tio Ricardo ajuda, Ricky...
Queres ir ao Marquês? Sais do estádio, apanhas o metro no Campo Grande, linha amarela, sempre em frente não há nada que enganar. Tu ires ao Marquês só de metro, rapazinho. Aquele abraço.
I heard you fuck through the walls
Acordo num sobressalto com o meu cão a ladrar como nunca antes ladrou a meio da noite, a ladrar como quando se sente ameaçado. No curto espaço de tempo que demoro a levantar-me passam-me mil e uma coisas pela cabeça. A saber, algumas das que me recordo:
"foda-se, tenho um ladrão em casa, de certeza"
"deixo o Link tratar dele ou tenho pena do ladrão?"
"visto-me antes de encarar o ladrão ou assusto-o com a minha nudez pálida?"
"e daqui nada tenho de me levantar, que merda, já não vou dormir nada"
"espera, hoje estou de folga, que bizarro"
Saio do quarto de rompante (sem me vestir, claro está) e o que é que o vosso caro vê? A porta de casa escancarada, e eu no corredor, como vim ao mundo. Claro que seriam umas duas ou três da manhã, não havia grande risco que alguém me visse (ao contrário de outra vez que terei todo ou gosto, ou não, em contar numa próxima oportunidade). Provavelmente passou alguém no prédio e o Link não gostou da proximidade do som e desatou a ladrar. Chego à porta, fecho-a, dou duas festas no cão. viro-me para a sala e qual é a primeira coisa que faço? Ver se está lá o gira-discos. Não foi a chave do carro (foi em segundo lugar), nem a de casa, nem o portátil, nem os livros, nem a tv...
Já percebi que tenho de treinar o Link a fechar a porta.
16 de setembro de 2012
Quando deixas a Catarina sozinha com o Word aberto acontece disto (texto original sem correcções)
"Era uma vez um malvado Senhor dos Anéis mas ele só tinha um, mas o dele controlava todos os nove. Um dia, um rapazito chamado Frodo mais um amigo chamado Sam e os irmãos, viram o feiticeiro chamado Gandalf, que os levou para a casa do Frodo.
Entretanto houve uma grande batalha, e houve um guerreiro que lutou contra o “ Senhor das Trevas” e o cortou. Mas ele invaporou-se derrepente, e o anel caiu. O guerreiro como era ganancioso ficou com o anel mas o anel era mau ele também ficou mau e deixou o anel cair. Um dia, o avô do Frodo encontrou-o e ficou com ele… O Gandalf disse para ele o largar, e ele obedeceu e deixou cair mais uma vez. E o Frodo encontrou-o…
Ele encontrou 2 elfos, 1 anão, eles criam destruir o anel no castelo de Mordor, mas primeiro tÊm de lutar com os orcs…
Numa grande batalha o Rei dos orcs tinha um arco e flecha, e havia um elfo poderoso que levou com setas, a primeira seta ainda sobreviveu, a segunda também, mas a terceira aguentou-se mas não tanto e morreu…
Intervalo… 7 minutos"
Gosto especialmente do "invaporou-se derrepente", podia acontecer o mesmo ao Passos e aos amigos. "invaporarem-se derrepente". Mas a minha preferida é, sem dúvida, "havia um elfo poderoso que levou com setas, a primeira seta ainda sobreviveu, a segunda também, mas a terceira aguentou-se mas não tanto e morreu".
15 de setembro de 2012
Para combinar com o template
Já, agora, aquele abraço para quem se lembrou desta ideia de fazer edições de LP + CD ao preço (neste caso bastante abaixo...) do preço de uma edição normal em vinil.
Hm, este template novo...
Já sei como é que o Gandalf se sentiu depois de ter caído e lutado com o Balrog nas profundezas e ter emergido como white wizard.
That awkward moment
Em que na hora de almoço vais à FNAC, lês um bocadinho por lá, e não resistes em arrumar uns livros. A diferença entre os livreiros da FNAC e os clientes é que uns andam por lá perdidos no meio claramente a precisar de ajuda e os outros estão lá para comprar. Estou a ser mauzinho e exagerado, claro. Alguns dos clientes vão lá só para passear. Agora a sério, respeito os livreiros da FNAC. Ou pelo menos quando conhecer um livreiro da FNAC eu vou respeitá-lo. Pronto, eu páro. Foi o que disse o cliente da FNAC quando percebeu que por muitas perguntas que fizesse não obtinha resposta.
Fora de brincadeiras, aquele abraço aos livreiros da FNAC.
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