3 de novembro de 2012

A vida humana inteira...



... Está dentro destas páginas ardentes. Qualquer dia mato saudades.


2 de novembro de 2012

Ghouls night out

Fiquei a trabalhar até às vinte e duas horas na quarta-feira, com uma constipação que só eu sei (obrigado por todas as piadinhas ao telefone, sois mui bem humorados e gentis, seus cabrões), para depois chegar ao Cais do Sodré, e não ter comboios porque os senhores dos comboios marcam a greve para quinta mas começam logo quarta à noite que é para não chegarem atrasados à greve, isso seria de mau tom, já deixar centenas de pessoas sem transporte para casa é muito bom, tudo ok, o desespero das miúdas com calhamaços de direito nos braços a ligarem a toda a gente e mais alguma para as safar, os olhares dançavam entre os comboios e os relógios à música de desabafos de desespero, já eu safei-me pela mana, que veio de Cascais de propósito para me vir buscar, a querida, então lá fiquei encostado a um canto a ler os Cadernos do Subterrâneo, à meia luz, enquanto via mil trezentas e cinquenta e duas pessoas e meia a passearem-se mascaradas de zombie / bruxa / gente que se tentou maquilhar-se durante um ataque de epilepsia, isto somado às "crianças" de saltos de vinte centímetros e saias de dez, o traje de galdéria deve ser um must do halloween, de garrafas de litrosa na mão e a dizerem que se amam todas muito, eu sinceramente não sei de que grupo tenho mais medo, se dos zombies se das pitas despidas, a diferença é que uns estão pintados de maneira assustadora e os outros estão mascarados para o halloween, já agora, isto do halloween faz-me confusão, mas também tudo me faz confusão, portanto nem vou por aí, foi um fim de noite bem passado, deu para, entre capítulos, que o Dostoievski (nunca falha) se lembrou de fazê-los pequeninos neste singelo livro, levantar os olhos do livro e olhar ali para a zona das máquinas e, sem dificuldade, isto das saudades deve mexer com a cabeça e olhos da gente, com o coração já nem se fala, para vê-la a ir-se embora da última vez, tantas palavras no último tocar das mãos, já depois da voz e do olhar terem servido o seu propósito, a verdade é que, como dizia o poeta, não saiam daí porque nós também não, logo à noite há mais.

31 de outubro de 2012

Chique a valer

Então parece que fui fazer um lançamento a um sítio onde o porteiro tinha gravatas à mão para quem não as trouxer, porteiro esse que estava claramente incomodado com o facto de ter de abrir a porta a cem pessoas, ao invés das três ou quatro que lá aparecem diariamente, algo que questionei frequentemente foi que raio de emprego tem esta gente e o que raio estas pessoas fazem nesta espécie de clube que albergou uma bela concentração de gentes de centro / direita, até lá estava uma senhora que já foi de esquerda (ou ela achava que era de esquerda, do ponto de vista dela a nossa direita é a esquerda dela, devia ser isso que ela pensava antes de se assumir), a única pessoa que se dignou a vir cumprimentar-me, vejam bem a ironia das coisas, foi o General Ramalho Eanes, que, ao subir a escada, soltou-se da sua trupe, arrumou a Manuela num canto e veio cumprimentar-me, perguntar como estava, bem, senhor general presidente o senhor não envelhece?, pensei eu para mim, o Marcelo Rebelo de Sousa continua igual a si mesmo, provocou o caos porque não queria o ar condicionado ligado e ficou tudo a morrer de calor, o sítio devia fazer parte de um roteiro de Lisboa chamado viagens no tempo, entra-se ali e está-se no século xix, inícios do século xx, vá, e é irónico que usem este sítio para fazer lançamentos de políticos quando o autor que dá o nome a essa casa não era propriamente fã dos mesmos, e, já agora, a placa de uma menção de um Papa a agraciar a casa também é catita, especialmente porque o dito autor também não morria de amores por religião, realmente só faltava terem um placa da associação anti bigodes e monóculos e era o hat-trick das contradições num só sítio, achei piada a umas jornalistas a lamber botas a ex-ministros, falando em educação e boa educação, o que é lindo e maravilhoso, tendo em conta que algumas pessoas faziam questão de pousarem os copos vazios na mesa dos livros ou mesmo de limpar as mãos à toalha da mesma.

27 de outubro de 2012

Nuvem

Gostei de Ornatos, podia ficar por aqui o post mas tenho mais alguns minutos da hora de almoço para escrever e, em não me apetecendo ler em tão pouco tempo, deu-me para escrever, portanto vou explicar melhor, aquilo podia ter sido assim de um nível estrondoso se a setlist tivesse outra organização, ainda assim foi memorável, o primeiro concerto da Catarina em recinto fechado e logo o primeiro dia de Ornatos?, é bom que ela diga na escola que o pai é fixe e a leva a ouvir estas músicas do diabo, as freiras vão adorar, claro que, como não podia deixar de ser, ela antes do concerto esteve mais ocupada a ensinar a umas amigas minhas os ossos do corpo humano, a explicar o que era um sismo, a demonstrar o conhecimento de star wars e lord of the rings, o que motivou uma rapariga que a conhecia pela primeira vez a perguntar, enquanto a abraçava, se a podia adoptar, depois, já dentro coliseu, obrigou-me a sentar-me mais atrás para ficar ao pé delas, e pronto, lá fiquei eu, a vê-la agarrada ao corrimão da bancada, de olhos cheios no palco vazio, a excitação dela no caminho, aquele seu habituar tagarelar incessante, tinha se transformado num respirar mais lento e pesado, o corpo dela mexia-se pouco, as mãos não largavam o corrimão, estava lá, estava quase, a banda cujos discos ela coloca a tocar sozinha, são mais dela que meus, o que no fundo se aplica a tudo, depois foi vê-la cantar e dançar e saltar e reclamar no fim porque o Manuel Cruz nem uma vez olhou para ela, ela que tanto lhe disse adeus, e porque ele foi cumprimentar as pessoas do outro lado do palco e deste lado não veio, e o Jorge Cruz de Diabo na Cruz é mais fixe porque olhou para ela no concerto, ..., porquê?, pergunto-me eu, porquê?, enfim, ela está a crescer, e eu a ficar mais pequeno perante a vida dela que se expande a um ritmo alucinante, já quase não precisa da minha mão, deixo a aberta para quando precisar, não a prendo, depois, no caminho para casa, encostou a cabeça no vidro do carro e foi a dormir, diz que no dia seguinte acordou sem problemas e foi para a escola feliz e contente, já eu acordei às quatro e quarenta para passear o Link e vir trabalhar por motivos e razões, e eu sei, eu sei que era a celebração dos Ornatos mas a noite foi totalmente dela.

24 de outubro de 2012

Esta é nova

Já me tinham sido oferecidos livros pelos autores nos lançamentos, agora uma garrafa de vinho do Dão é inédito.

21 de outubro de 2012

O meu carro deixa as babes doidas


Dói-me o maxilar de rir

Catarina no carro a caminho de casa, com a viola:
"Miguitooooo,
tu és um gatitooooo,
o gato do lord of the rings,
a fénix do Harry Potter,
não pagas portagens porque não tens rodaaaas,
morreste e foste ter com o lord,
quem é o loooord?
é o senhor do céeeeeu
oh meu deus oh  meu deus
oh my god.
Miguito..."

Intro

Descobri da melhor forma que o anti-ciclone dos Açores tem consequências nefastas ao nível do sono.

20 de outubro de 2012

Anda alguma coisa no ar, está confirmado

Hoje tirei bilhetes de metro para duas senhoras que não sabiam mexer na máquina, a máquina automática, como-lhe chamavam, um bonito conceito, um papão verde e azul de ecrã táctil e trato pouco dócil, uma delas confidenciou-me que, filho, até nem sei ler, a outra, ah eu sei ler mas não sei pagar as contas da luz e da água, eu fiquei a pensar na que não sabia ler, o que entenderá ela dos cartazes publicitários espalhados pela estação, miúdas giras, sentadas, de mão no queixo, em anúncios a créditos, a perdição pela salvação, o que lhe passará pela cabeça, será que tem ideia do que estão a anunciar, rezemos, para o bem dela, que o anúncio do fim do mundo chegue por escrito, já na baixa ajudei uma senhora de sotaque carregado, que fez questão de mencionar que não era de lá, algo que eu, pela pronúncia e pela pergunta de onde era o sítio para ir para o marquês, nunca adivinharia, eu sou só um gajo distraído de phones nos ouvidos e livro na mão, lá encaminhei a senhora, tanta gente desconhecida  a desejar-me um bom dia, espero que tenham razão, o dia logo se vê, a tarde passará pela sociedade de geografia, seremos as quatro pessoas mais perdidas no meio de tantos mapas, já a noite, a noite promete, mesmo que me perca tenho quem me encontre.

19 de outubro de 2012

18 de outubro de 2012

Anda qualquer coisa no ar, só pode

Uma pessoa conhecida minha, no meio da chuvada de ontem, parou o seu caminho para dar o seu chapéu de chuva ao mendigo que estava na porta da igreja por onde passa todos os dias, e hoje, ao tossir no comboio, a senhora que estava ao meu lado ofereceu-me pastilhas para a tosse. Acho que vou ficar com medo de andar na rua.

16 de outubro de 2012

Não consigo explicar...

... Eu que já conheci tantos autores, mais ou menos conhecidos, mais ou menos simpáticos, mais ou menos do meu gosto, não consegui ir falar com a Hélia Correia. Uma colega minha já lhe tinha pedido, noutro evento, para ela me assinar o "Adoecer", mas, ainda assim, gostava de lhe dizer obrigado pelo livro, por causa desse livro mudei os quadros cá de casa, li a poesia dos pré-rafaelitas, foi algo que me marcou. E ela ali, simpatiquíssima para toda a gente. E eu sem ser capaz de lá ir falar.

15 de outubro de 2012

Às vezes esqueço-me do ar inocente que ele tinha...


Unrest

Ia a subir a Garrett, a tentar desembaraçar os phones sem largar o livro e o casaco (quase digno de número de circo) quando se aproxima um homem de barba desgrenhada, chapéu para o lado, camisa aos quadrados azul (ou encarnada, acho que estou a ficar mais daltónico, de qualquer forma, era de noite, a luz ali é fraquinha, romântica, dizem alguns, tudo o que sirva para me desculpar de já ter visto melhor), que diz, em voz bastante alta:
- O cabrão do Passos pensava que ia ganhar nos Açores e lixou-se!
E estica a mão para eu apertá-la. Consigo por o Saramago debaixo do braço e apertar-lhe a mão e ele aproxima-se de mim e põe a mão a tapar a boca dele e o meu ouvido para me dizer o que parecia ser um segredo e diz novamente em voz alta:
- E o PCP meteu um deputado nos Açores! Os comunistas vê bem amigo! E o cabrão do Passos lixou-se!
Pois, pois, lá o despachei, está a fazer-se tarde, desejei-lhe boa noite e dei-lhe os parabéns pelo deputado, e ele finalizou:
- Agora é fodê-los cá!
É, é isso.

14 de outubro de 2012

Man on the edge

Acho graça todo este alarido em relação ao senhor que esteve quatro minutos em queda livre. Acho que andam distraídos em relação a Portugal, a cair desde mil novecentos e troca o passo. 

13 de outubro de 2012

Thickfreakness

Espero que a vida não lhe venha a ensinar da maneira querida e meiga que só a vida sabe que não pode pagar contas nem comprar coisas com o "coração". É através do "trabalho" que o fazemos. Enfim. Mais uma lição aprendida. 

11 de outubro de 2012

Paradoxo

Apetece-me muito escrever mas não me apetece reviver a maior parte das coisas que me aconteceram hoje. 

Nobel

Mo Yan. Desconheço. Não há livros no mercado. Tal como no ano passado. E há três anos. E há quatro anos... Seguem-se horas de recusas a pedidos de cliente incessantes, ardentes pelo novo Nobel, e que não, nem devem, compreender como é que é possível o homem ganhar o Nobel e não estar nas livrarias.

10 de outubro de 2012

Team Cormac McCarthy

Vejam lá isso amigos do Nobel.