15 de outubro de 2012

Unrest

Ia a subir a Garrett, a tentar desembaraçar os phones sem largar o livro e o casaco (quase digno de número de circo) quando se aproxima um homem de barba desgrenhada, chapéu para o lado, camisa aos quadrados azul (ou encarnada, acho que estou a ficar mais daltónico, de qualquer forma, era de noite, a luz ali é fraquinha, romântica, dizem alguns, tudo o que sirva para me desculpar de já ter visto melhor), que diz, em voz bastante alta:
- O cabrão do Passos pensava que ia ganhar nos Açores e lixou-se!
E estica a mão para eu apertá-la. Consigo por o Saramago debaixo do braço e apertar-lhe a mão e ele aproxima-se de mim e põe a mão a tapar a boca dele e o meu ouvido para me dizer o que parecia ser um segredo e diz novamente em voz alta:
- E o PCP meteu um deputado nos Açores! Os comunistas vê bem amigo! E o cabrão do Passos lixou-se!
Pois, pois, lá o despachei, está a fazer-se tarde, desejei-lhe boa noite e dei-lhe os parabéns pelo deputado, e ele finalizou:
- Agora é fodê-los cá!
É, é isso.

14 de outubro de 2012

Man on the edge

Acho graça todo este alarido em relação ao senhor que esteve quatro minutos em queda livre. Acho que andam distraídos em relação a Portugal, a cair desde mil novecentos e troca o passo. 

13 de outubro de 2012

Thickfreakness

Espero que a vida não lhe venha a ensinar da maneira querida e meiga que só a vida sabe que não pode pagar contas nem comprar coisas com o "coração". É através do "trabalho" que o fazemos. Enfim. Mais uma lição aprendida. 

11 de outubro de 2012

Paradoxo

Apetece-me muito escrever mas não me apetece reviver a maior parte das coisas que me aconteceram hoje. 

Nobel

Mo Yan. Desconheço. Não há livros no mercado. Tal como no ano passado. E há três anos. E há quatro anos... Seguem-se horas de recusas a pedidos de cliente incessantes, ardentes pelo novo Nobel, e que não, nem devem, compreender como é que é possível o homem ganhar o Nobel e não estar nas livrarias.

10 de outubro de 2012

Team Cormac McCarthy

Vejam lá isso amigos do Nobel.

9 de outubro de 2012

Inb4 piadas sobre o Peixoto

Estou a estranhar ainda não ter visto piadas do tipo:
"Então o Peixoto fez um livro de viagens sobre a Coreia do Norte? Porque é que não aproveitou para ficar lá?"

8 de outubro de 2012

Obrigadinhos

- Posso entrar Ricardo? Pá, estás com um ar cada vez mais cansado!
- Mas hoje é segunda, eu sinto-me bem.
- Cada vez que venho cá estás com um ar mais cansado e com menos cabelo, eles querem dar cabo de ti? Não te dão descanso, os gajos não é?

7 de outubro de 2012

Sou do Sporting desde pequenino

O meu último nome é Espírito Santo. A minha estação de metro preferida é o Campo Grande. Tenho os olhos verdes. A personagem histórica mais famosa chamada "Ricardo" era o "Coração de Leão". O ex-treinador também se chamava Ricardo. Eu também tive vontade de bater no Artur Jorge. Sei escrever Wolfswinkel. Bebo cerveja Cintra. Tenho conta no BES. Dava umas palmadas na Bruna Polga. Não me importava que o Paulo Pereira Cristóvão me espiasse. Ou que o Eduardo Barroso me operasse. O João Braga cantar-me um fado? Não exageremos. 

6 de outubro de 2012

Let's shake hands


Bad parenting #2

Chamada ás sete e meia da manhã.
- Olá, olha, a Catarina deixou aí o fato de treino?
- Não, acho que não, deixa ver... Não, não.
- Não faço ideia onde ela tem isso, aqui não está, na minha mãe também não, podes ver na tua mãe?
- Posso, mas olha que eu posso jurar que meti o fato de treino na mala quando a deixei na escola na última vez. Deixa-me ver no carro, já te ligo mais daqui a pouco, ela é bem capaz de ter posto o saco debaixo do banco da frente.
- Bem capaz.
- Esta miúda é impossível.
- Oh, oh, meu caro... Tens noção que ela é nossa filha?
- Er... Pois.
- Isso explica alguma coisa.
- Hm. Se calhar não devemos criticá-la à frente de estranhos.
- Ahahahahah, pois. 
- Pois.

(e na realidade era eu que tinha o fato de treino)

Bad parenting

- A Bárbara é impossível! Tem a mania que é mandona, e todos fazem o que ela quer, mas, eu, eu não, em mim ela não manda.
- Não?
- Não, não, eu mando-a ir chatear o irmão gémeo, e pai, às vezes só me apetecia...
- Catarina...
- Dar-lhe uma chapada na cara. Ficava uma semana de castigo mas valia tão a pena.
- ...

4 de outubro de 2012

Acho que percebi a cena com a Pilar

Acho que o medo todo era do facto de eu nunca ter lido o Saramago. Até hoje.

3 de outubro de 2012

Não se pode dizer nada

Aqueles beijos que não terminam, desvanecem, extinguem-se no teu abrir de olhos, paramos para mudar o disco de lado?, o vinil é pouco prático nestas coisas, tal como eu, quer me parecer, pela maneira como me vou deixando apanhar.

Mixed feelings

Troquei algumas palavras de circunstância com a Pílar del Rio. Foi estranho.

Billio-fucking-naire


Gostava que me entrevistassem quando há aqueles jackpots grandes, e eles andam pela rua a perguntar o que é que as pessoas fariam se ganhassem o primeiro prémio, então haviam de se chegar à minha beira e perguntar-me o que é que faria com noventa milhões, vamos supor, que para sonhar é para ser em grande, e eu diria, calma e humildemente, mandava umas quantas pessoas para o caralho, assim, simples, pegava no carro, ia a três ou quatro e sítios e mandava pessoas para o caralho, isto valia mais do que os noventa milhões na conta.

1 de outubro de 2012

Brincadeira chata

Se não sabem deviam saber que abomino as greves da CP. Bem sei que as pessoas têm direito à greve, mas as pessoas que pagaram o passe também têm direito a usufruir do transporte para poderem ir trabalhar. Havia de ser bonito o senhor da CP ir comprar os livros escolares e dar de cara na porta porque estávamos em greve.
Mas, o que eu abomino ainda mais são pessoas como esta fonte oficial da CP. Então diz a  fonte oficial da CP  que as pessoas puxavam as sirenes da alarme para o comboio não andar, e que "é uma bricadeira chata, às vezes acontece, mas num dia de greve e com o comboio cheio é pior". Brincadeira chata? Brincadeira chata é colarem te alarmes nos sítios mais estranhos que podes imaginar das tuas roupas para que estas toquem em todas as lojas em que tu entras. Tive duas pessoas da minha loja (uma funcionária e um segurança) presos no comboio que esteve parado, e, passe o exagero natural deles, tiveram alguns momentos de maior pânico. Insultos, alguma violência, pessoas a pontapearem o comboio e a forçarem a entrada. E esta  fonte oficial da CP  fala em brincadeira chata? 

Confere

Ler no 28 ou na A5 não tem o mesmo encanto do que ler no comboio.

Olham-te nos olhos

A meio do inventário chamaram-me ao balcão porque havia uma senhora para falar comigo, lá fui, algo chateado, afinal de contas estou em inventário, não me apetecia muito ouvir reclamações, desta vez era outra coisa, cada vez mais comum, a senhora, reparando no rebuliço que ia naquele sítio, queria saber se podia ajudar a realizar o inventário, recebendo para isso uma remuneração simbólica à hora, pedido que tive obviamente de recusar, recusa essa que foi respondida com um pedido de ajuda directo, olhos nos olhos, pálpebras e lábio a tremer, dinheiro, ajuda, formada, desemprego, tudo palavras que me cravava no ser, e eu, a manter a postura, que resposta dou?, o que digo?, que não posso?, que não devo?, porque não devo e não posso, pudesse eu juntar dinheiro para a minha filha e seria eu uma pessoa mais descansada, claro que aqui entram as bocas "ah e tal não podes juntar dinheiro para a Catarina mas compras discos e vais a concertos" e eu respondo oh que caralho, então não querem que viva?, pois que a própria criança me incentiva a isso, coisa mais linda, mas, voltando à senhora que me abordou, a única coisa que lhe dei foram votos de boa sorte, sinceros, claro, porque estas situações acontecem aqui cada vez mais, pessoas que me chamam para pedir dinheiro, umas de forma dissimulada, outras completamente frontais, a frase "perdi a vergonha" é usada como uma bandeira do desespero que nos derramam em cima, e, por mais que pensemos noutra coisa, a picada cá dentro demora a passar.

Nem sei que título dar a isto

O Barcelona vem jogar com o Benfica para a liga dos campeões, facto que deixou a Catarina em delírio visto serem as duas equipas preferidas dela, o Benfica facilmente se percebe, agora o Barcelona, vá-se lá perceber, mas enfim, tolera-se, podia dar-lhe para pior, tipo drogas, ou muito pior, tipo Porto, então ela  ficou feliz por o Messi vir jogar à Luz, e o papá ia levar a menina à bola, já não vamos há algum tempo, mas eis que por motivos de ordem financeira e profissional não será possível levar a criança ao jogo, quem é que no seu perfeito juízo marca um lançamento de um livro em cima da hora do Benfica - Barcelona, gente de gosto duvidoso, só pode, e eu já convencido de que não vejo o jogo, com ou sem Catarina, quando me entra a criança feliz da vida pela livraria adentro, de braços abertos, a saltar-me para o colo e a encher-me de beijos, queria o cartão de sócia do Benfica para poder ir comprar o bilhete, então aparentemente vai ao jogo com o namorado da mãe, e, já sei, sou má pessoa, desculpem lá qualquer coisinha, mas a cena do "devias ficar contente por ela" não funciona bem comigo, era uma coisa especial que gostava de partilhar com ela e agora ela vai com o namorado da mãe, isto mexe comigo a níveis completa e irreversivelmente irracionais, e o facto de perceber isto e perceber que não deveria ser assim revolve-me ainda mais as entranhas, e imagino-a no estádio a sorrir ou a festejar um golo com ele e são anos de vida que me saem da alma, pronto, já disse, depois de quinze horas de inventário não tenho forças para mais.

Disjuntor maravilha


Se isto estiver para baixo não podemos espirar a livraria.

(Adenda: aparentemente também há um disjuntor para a tomada da "limpesa". Obrigado Xana).

Nada disto me espanta muito. A senhora da limpeza que tínhamos quando entrei na livraria gostava muito do  "chintily", tinha "as armónias trocadas no piriodo" e, pobre, o marido tinha "câncaro na prótese". 

Casa, sempre


Aqui estão sessenta mil livros a dormir...

Trocadilho manhoso

Fashion Night Out


Fashion Day In




30 de setembro de 2012

Todos comigo, agora: MA-RA-VI...

Acordar às cinco e quarenta e cinco, chegar ao local de trabalho às sete e vinte, abrir a pestana eventualmente, começar um inventário que se estima que dure basicamente até ao fim dos tempos e aqui eu estou a referir-me ao fim dos tempos do universo e não essa merda dos Maias de vinte e um de dezembro ou lá o que é, Maias, vejam lá isso, que eu conto receber uma PS3 no dia vinte e quatro, e, parecendo que não, acabando o mundo já não me serve de nada ter uma PS3, e depois de meter tudo a trabalhar  ir tomar o pequeno-almoço à Padaria Portuguesa enquanto toca, alto e bom som, o Maravilhoso Coração do Marco Paulo. Chama-se a isto viver.

Até ao fim

"Possivelmente tem-se a infância do que se é na idade adulta. E não o contrário. Mas também não tenho idade adulta. A única coisa de que me lembro na idade adulta - será isso ser-se? A única coisa que me coube na idade adulta é aguentar. Aguentar é ser contra o que nos é contra, tudo tem sido tão contra."

29 de setembro de 2012

Magic potion

Eu - Achas normal que a Vita seja mais cara do que uma PS3?
Ela - É a vita.
Eu - ...

Satellite mind

Levas uma pessoa a almoçar e é a paga que tens:
Eu - vamos ali à FNAC...
Ela - Hoje é que podia estar cá o Bruno Nogueira.
Eu - ...

It's like goldy and bronzy, only it's made of iron

Irony.
É como o Pinto da Costa alertar para os perigos da corrupção no futebol ou o Paco Bandeira alertar para os perigos da violência doméstica.

Estou num daqueles momentos

Em que me apetecia fazer um longo, praticamente ininteligível e mal estruturado texto sobre umas coisas que leio em certos e determinados blogs, mas o mais provável era obter respostas do tipo "só lês porque queres". E eu gosto pouco de dar razão a certas pessoas, o que seria o caso. Têm toda a razão. Mas, não consigo evitar. É mais forte do que eu. Parece-me que tenho uma necessidade patológica de ora me irritar com os demais ou sentir-me envergonhado de forma alheia.
Portanto, ficarei caladinho. Obrigado e passem bem.

Drogado, cuidado

Subir a rua do Alecrim ao sábado, às oito horas e cinquenta, podia ser quase considerado desporto olímpico. Eu ainda vou meio a dormir e tenho de me desviar dos drogados que vêm a alucinar pela rua abaixo, de mãos na cabeça ou falarem sozinhos ou com as paredes. Requer alguma destreza.

28 de setembro de 2012

Feelin' good

Atendo o telefone no trabalho.
Cliente: eu falei consigo ao início da tarde por causa de determinado assunto.
Eu: não, deve ter sido com algum colega, comigo não foi, mas, de qualquer forma eu posso...
Cliente: ah, eu falei com a Helena Sertã*
Eu: ... Vou passar...

Sem comentários.

*nome fictício

Não, a sério

Alguém me explica porque é que eu ultimamente não paro de receber pedidos de amizade no facebook de senhoras do Canadá? Será que me torno lentamente numa celebridade na comunidade lusa e não sei?  "olha é aquele gajo que falou três segundos sobre o 50 shades of grey na televisão, vou adicioná-lo".

Curiosidade é uma sonda em Marte #2

Ela saiu em Algés. Eu se saísse em Algés também chorava.

Curiosidade é uma sonda em Marte

Estava uma rapariga a chorar no comboio, trajada, de perna cruzada, a capa como que a protegê-la do mundo, apenas as pernas cruzadas de fora, de vez em quando lá saía uma mão da fortaleza que apanhava um lenço que guardava algures, ia limpando os olhos, ia secando as agruras que lhe saíam pela fronte, e, nesses momentos, levantava o olhar do banco da frente, olhava em volta, encolhia os olhos de censura, as faces vermelhas, os dedos que tremiam, e olhava para as pessoas à sua volta, como que a questionar como é que se atreviam a olhar, olhar para ela, logo para ela, que chorava, não sabemos porquê, nunca saberemos, sendo que nada temos a ver com isso, na verdade, mas, enquanto lia, não conseguia deixar de pensar porque é que ela choraria, o que a faria não aguentar as lágrimas perante todas aquelas pessoas, e porque é que ela parecia, a determinado momento, querer chamar a atenção daqueles que já não a davam, claro que não soube, nunca vou saber, mas é uma imagem que marcava, a doentia luz clara do comboio em contraste com aquele figura de negro lavada em lágrimas, lágrimas silenciosas, e eu, obsessivamente curioso, nunca vou saber porquê.

27 de setembro de 2012

Foge enquanto podes moço!


Vergílio Ferreira, you bastard

Queria escrever assim uma coisa pseudo-poético-intelectual-sentimentalóide sobre o Vergílio Ferreira mas não consigo. Ele, e só ele, podia narrar momentos da minha vida. Seco e triste, mas é isto.

Rage against the machine

Era lindo que o gajo tivesse dito "este gajo também me insulta sempre que aparece na tv, porque é que não o identificam a ele?"

Então e os gajos que fazem tudo sozinhos?

Pimba. Aposto que foi uma mulher que fez este estudo.

Não posso morder a língua

Vou ter um evento com umas fashion bloggers e hoje fiquei de recebê-las para conhecerem o nosso espaço e etc. E, preconceituoso como o próximo, esperava umas divas. Ou armadas em divas. Ou armadas em armadas em divas. Mas, não é que eu estava redondamente enganado? Se calhar elas é que acharam que a diva era eu, armado ao pingarelho com o espaço e a antiguidade do espaço e essas coisas. Deus castiga.

Sentido de humor

A vossa atenção para o último lugar na lista de apostas para candidatos ao Nobel. Já agora, eu ia pelo McCarthy. Duvido é que a academia me faça a vontade. E o Lobo Antunes, que ainda anda ali pelo meio... O anjo que lhe guia a  mão que escreve os romances deve estar orgulhoso.

26 de setembro de 2012

Kool thing

Incrivel como uns jovens universitários conseguem manter uma conversa durante uma viagem de comboio inteira em que 90% das palavras utilizadas são "tipo", "tás a ver" e "ya".
- E ele, tipo, tás ver?
- Yaaa, mas tipo...
- Não, tipo, ya, tás a ver? Tipo!
- Ah, ya, ya...

25 de setembro de 2012

Presta atenção ao dono

Vi o Bruno Nogueira na FNAC, andava a passear com o "Pela Estrada Fora" lá pelo meio, todo contente, tudo muito bem, não fosse ele ter abandonado o livro num sítio qualquer antes de chegar à caixa, ainda por cima era o rolo original, como se atreve, havia de ter sido na minha loja que eu tinha lhe contado, dizia-lhe "oh gigantone, isso é para deixar no sítio, oh faxavor!", ou então, pronto, basicamente não lhe dizia nada e mandava um dos livreiros arrumar, no fundo era mais isto, mas fica registado o possível bom gosto literário do rapaz.

Teenage riot

Três adolescentes em conversa na FNAC:
- O PES tem uma vantagem sobre o FIFA...
- Qual?
- O modo rumo ao estrelato é melhor, assim mais... Apaneleirado.
- Hm? Apaneleirado? Mas isso é bom?
- Er...
- Não, explica lá, mais apaneleirado é bom?
- Meu...
- Ya, explica lá, explica lá meu!
- Foda-se, é melhor pronto, podemos mudar de assunto?!

24 de setembro de 2012

Há coisas que me assustam no colégio dela...

E a professora de moral perguntar quem tem pais divorciados, e se estes têm alguém, é algo que me faz alguma confusão. Segundo a Catarina, quando ela falou dos seus pais, a irmã disse: "o teu pai é que tem juízo". Tenho? Ena. Mal posso esperar para contar isto às strippers.

Imagine

Catarina, enquanto lanchava um happy meal com nuggets (enfim...), nos armazéns:
- Pai, o dono da tua empresa divide o dinheiro com vocês?
- Hm?
- Então, eu estive no balcão a pôr os livros nos sacos...
- ...
- ... E as pessoas gastaram muito dinheiro! O teu patrão divide o dinheiro contigo?
- Não, filha, não divide...
- E com os teus colegas?
- Também não. Nós recebemos um ordenado, a tempo e horas, não me posso queixar...
- Mas ele devia dividir... Assim não é justo.

O meu ser humano preferido no meu sítio preferido


O melhor momento foi quando ela correu pela loja fora e apanhou duas livreiras a falar e, quando eu lá cheguei, disse: "papiiiiii, elas estavam a falar, não trabalhar!" e elas ficaram as duas a olhar para mim encavacadas. 

(atentem bem na mochila com caveiras e nos All-star com a farda, em vez de levar os sapatos de vela, as freiras devem adorar)

Black Rainbow

Uma senhora, numa reportagem sobre o dia de luto das farmácias, dizia que precisávamos de um novo 25 de Abril ou de um novo Salazar. Gostava de ouvi-la justificar uma opinião destas.

21 de setembro de 2012

A memória é uma coisa engraçada

Das coisas que mais me lembro é do sabor das lágrimas dela.

Tsubasa

Estou a ficar para a vida como já estou para o futebol: sou muito bom e rápido a pensar, mas executar está quietinho.

Vinte minutos na Livraria...

... e a quantidade de pessoas que apanho a falar sozinhas? Impressionante. Há os que falam com os seus botões, literalmente, a olhar para baixo e a murmurarem. Já outros, olham em volta e falam para o ar, como se a ajuda viesse daí. E ainda temos os que falam com os livros. Os livros não têm culpa. Tadinhos.

20 de setembro de 2012

Inrihab

Aparentemente a frase "foi uma coisa que sempre quis fazer...", dita em relação a casar pela igreja enquanto olhava pensativo para o tecto, é o suficiente para seres alvo de chacota. E não há explicação máscula que dês que te safe do epíteto de princesa durante uns minutos. 

The Brothers Karamazov

Cresci convencidíssimo que era um Aliocha, mas não há por onde fugir: sou muito mais um Ivan.

I'm a lazy dancer, when you move I move with you

Já achava curioso ao facto de os meus melhores amigos estarem todos fora de Portugal, é vê-los por Inglaterra, Itália, Alemanha e Dinamarca. Agora ter três pessoas minhas conhecidas (duas colegas de turma na escola e uma ex-colega de trabalho) no "Portugueses no Mundo", uma na América do Sul, uma em África e a outra na Ásia, faz-me pensar se o problema não serei eu. 

18 de setembro de 2012

Chega de saudade

Estou há quase duas semanas com a Catarina, a ir levá-la à escola, a ter aqueles pequenos rituais com ela, acordá-la, dar-lhe o pequeno almoço, fazer os trabalhos com ela... No entanto, sabe realmente a pouco. Aquela hora de manhã, mais esta hora à noite, dão para pouco, muito pouco. Percebo a sorte relativa que tenho (ou tinha...) de a ter durante o fim-de-semana, e de passar longas horas com ela, longas horas ao ponto de ela ir brincar sozinha para o quarto, como uma criança normal, e eu não me importar com isso. Agora a mãe volta das férias e voltamos ao ritual normal, e eu vou outra vez sentir aquelas saudades. E no fundo é isto, períodos que se aproximam de uma tão almejada perfeição, para depois me ver outra vez despedaçado, ter estas lembranças do quão bom é vê-la crescer diariamente, para depois ver-me privado disso tudo. Outra vez. E outra vez. Acho que o meu coração já se cose sozinho, ao menos isso.

Help I'm alive

Achei piada à cena do The Burning House e pensei em fazer um post com isso. A verdade é que lá juntei as coisinhas, um exercício deveras interessante, em igual modo catártico e perturbador, e tirei a foto e tudo e tudo. Mas, assim que vi a imagem no computador, senti-me demasiado exposto. Aquilo é demasiado de mim, demasiado da minha vida, dos meus gostos, sentimentos, prioridades e manias. Mais rapidamente deixava aqui o meu nome completo e número de telefone do que punha aquela imagem. 

17 de setembro de 2012

Gold guns girls

Estou em processo de habituação à brilhante e maravilhosa ideia de me terem trocado as folgas, na primeira semana não parecia tão mau, estava sozinho, a Catarina ainda passeava por aí com a mãe, não fez outra coisa o verão todo, a criança, e a primeira segunda-feira de folga passou-se bem, era uma espécie de domingo mas em pior, mas hoje, hoje, a ter de acordar às sete da manhã numa das folgas, a receber doze chamadas da loja, a ter que levar a Catarina à escola e ter que pensar no que fazer com o tempo até ela sair, voltar a casa nem pensar, não ganho para a gasolina, vou deambular por Cascais, desfazer-me por aí, assim o fiz, livro na mão, deixa-me lá ouvir Metric como deve ser, que ele há coisas que passam por nós, até mais do que uma vez, e nós não damos por elas, com Metric foi assim, tempo perdido é algo que não existe em música portanto agora é tão boa altura como outra qualquer, e comecei por visitar duas livrarias, eu que sou suspeito nisto, fiquei algo desiludido, a Bulhosa tinha, atenção, meia estante de autores portugueses, eu que estou habituado às minhas quatro, terrivelmente mais altas, igualmente largas, tinham Saramago e pouco mais, dói-me a alma ver um sítio assim, então desisti e fui-me embora, rumo à Galileu, saudei a livraria fechada onde já fui relativamente feliz, onde dei os primeiros passos a tomar conta de uma loja que vende livros, sim, porque tomar conta de uma livraria é uma coisa algo recente, então entro na Galileu, sinto-me mais em casa, embora confesso que me faz alguma confusão aquela atitude um bocado autista em relação ao mercado editorial, um elitismo ridículo, e depois têm uma primeira edição do Pena Capital, mas era trinta euros, e eu a ver o livro que trazia na mão numa estante, mas em primeira edição, de setenta e tal, quer me parecer, e custava vinte cinco euros, bastante mais do que me custaria o meu, se o comprasse claro está, que isto de trabalhar com os livros tem de ter algo de bom, e saí de lá com as mãos a abanar, desci a rua, acenei ao Santini, nunca é demasiado cedo para um gelado mas havia muito para andar, fui até à praia, crescemos ali, eu e o meu amor por aquele terra, naquela areia que recordo morna, muito gostava eu de saltar lá de cima, sempre com medo que o meu avô me obrigasse a ir dar uma volta no barco dos amigos pescadores, eu a ver o pontão ser construído, a sonhar mergulhar de lá, acho que foi algo que ficou na terra dos sonhos, não tenho memória de alguma vez o ter feito, por falar em memória, um coração apenas aguenta uma certa dose de nostalgia, decidi continuar, subi pelas escadinhas, a tocar nos corrimões, nas paredes de pedras antigas, para sentir não me basta ver, tenho de tocar, o frio daquela pedra aquecia-me, sinto-me eu, sinto-me em casa naquelas ruazinhas, com o mar a espreitar sem ser convidado, e pelo caminho ia escolhendo sítios para me sentar e ler um pouco, uma busca inglória pela perfeição literária, e assim iam-se sucedendo os passos e a memória, pergunto-me porque é que nunca fui muitas vezes à praia da Rainha, não encontro resposta, continuo o passeio, ajudo um homem a pôr uma caixa na traseira de um camião, o amigo trabalha nas mudanças, perguntou ele, livros, respondi eu, pensei que os livros eram para ler, retorquiu, sim, mas há que carregá-los primeiro, bom dia e até à próxima que o capítulo está a acabar e preciso de um novo sítio para me sentar, claro que ela também está por lá, aquela memória, continuei pelo paredão, desviando-me das tias ao telefone enquanto passeavam, já com cor e textura de sofá de cabedal, que medo, passo pelo túnel do antigo Estoril Sol, está bastante mais largo, com azulejos de um gajo conhecido, que merda não me lembro do pintor, faço um exercício de memória e penso na prateleira de pintores portugueses na livraria, Nadir Afonso, foi rápido, não me safei mal, pensei em tanta coisa para escrever, tanta coisa que senti, mas varreu-se me quase tudo, às vezes acho que é melhor assim, cada coisa no seu sítio, sentir é no presente, no passado já não vale a pena, e quando dou por mim já é hora de apanhar a Catarina na escola, ela fica feliz como só as crianças sabem ficar com estas coisas, vamos comer um cachorro, depois é hora do banho, trabalhos de casa, senhor dos anéis, jantar, lavar os dentes, cama, é bom partilhar estas coisas, sim, tenho saudade de quando era assim todos os dias, e agora é o à custa do sábado, dia de passeios e travessuras por excelência, não morre ninguém, mas, não é a mesma coisa, nunca nada é, no fundo, e isto é como tudo, vive-se agora porque amanhã pode ser pior, e agora, com ela aqui, estou bem, cansado, mas bem, agora é só fechar a merda da porta da rua para ver se não acordo com o cão a ladrar como se o mundo estivesse para terminar e ter uma boa noite de sono.

My mistakes were made for you

Catarina: Estava a brincar com a Becas e...
Eu: Quem é a Becas?
Catarina: É a Mariana. Não conheces, é da turma A.
Eu: Espera, se ela se chama Mariana... Porquê Becas?
Catarina: Pai, se a visses... Ela tem mesmo cara de Becas.
Eu: ...
Catarina: Se a mãe não engravidar para o ano vou convidá-la para a minha festa.
Eu: ... Filha, acho que a tua mãe não vai engravidar este ano.
Catarina: Também acho, ela não quer ficar uma baleia outra vez.
Eu: Ahahahah
Catarina: Ahahaha, tenho mesmo piada.
Eu: ...

O tio Ricardo ajuda, Ricky...


Queres ir ao Marquês? Sais do estádio, apanhas o metro no Campo Grande, linha amarela, sempre em frente não há nada que enganar. Tu ires ao Marquês só de metro, rapazinho. Aquele abraço.

I heard you fuck through the walls

Acordo num sobressalto com o meu cão a ladrar como nunca antes ladrou a meio da noite, a ladrar como quando se sente ameaçado. No curto espaço de tempo que demoro a levantar-me passam-me mil e uma coisas pela cabeça. A saber, algumas das que me recordo: 
"foda-se, tenho um ladrão em casa, de certeza"
"deixo o Link tratar dele ou tenho pena do ladrão?"
"visto-me antes de encarar o ladrão ou assusto-o com a minha nudez pálida?"
"e daqui nada tenho de me levantar, que merda, já não vou dormir nada"
"espera, hoje estou de folga, que bizarro"
Saio do quarto de rompante (sem me vestir, claro está) e o que é que o vosso caro vê? A porta de casa escancarada, e eu no corredor, como vim ao mundo. Claro que seriam umas duas ou três da manhã, não havia grande risco que alguém me visse (ao contrário de outra vez que terei todo ou gosto, ou não, em contar numa próxima oportunidade). Provavelmente passou alguém no prédio e o Link não gostou da proximidade do som e desatou a ladrar. Chego à porta, fecho-a, dou duas festas no cão. viro-me para a sala e qual é a primeira coisa que faço? Ver se está lá o gira-discos. Não foi a chave do carro (foi em segundo lugar), nem a de casa, nem o portátil, nem os livros, nem a tv... 
Já percebi que tenho de treinar o Link a fechar a porta. 

16 de setembro de 2012

I got mine

Então o gajo do "medo a mim não me assiste" está na Casa dos Segredos?

Quando deixas a Catarina sozinha com o Word aberto acontece disto (texto original sem correcções)

"Era uma vez um malvado Senhor dos Anéis mas ele só tinha um,  mas o dele controlava todos os nove. Um dia,  um rapazito chamado Frodo mais um amigo chamado Sam e os irmãos,  viram o feiticeiro chamado Gandalf, que os levou  para a casa do Frodo.
Entretanto houve uma grande batalha, e houve um guerreiro que lutou contra o “ Senhor das Trevas” e o cortou. Mas ele invaporou-se derrepente, e o anel caiu. O guerreiro como era ganancioso ficou com o anel mas o anel era mau ele também ficou mau e deixou o anel cair. Um dia, o avô do Frodo encontrou-o e ficou com ele…  O Gandalf  disse para ele o largar, e ele obedeceu e deixou cair mais uma vez. E o Frodo encontrou-o…
Ele encontrou 2 elfos, 1 anão, eles criam destruir o anel no castelo de Mordor,  mas primeiro tÊm de lutar com os orcs…
Numa grande batalha o Rei dos orcs tinha um arco e flecha,  e havia um elfo poderoso que levou com setas, a primeira seta ainda sobreviveu, a segunda também, mas a terceira aguentou-se mas não tanto e morreu…
Intervalo… 7 minutos"

Gosto especialmente do "invaporou-se derrepente", podia acontecer o mesmo ao Passos e aos amigos. "invaporarem-se derrepente". Mas a minha preferida é, sem dúvida, "havia um elfo poderoso que levou com setas, a primeira seta ainda sobreviveu, a segunda também, mas a terceira aguentou-se mas não tanto e morreu". 

15 de setembro de 2012

Para combinar com o template


Já, agora, aquele abraço para quem se lembrou desta ideia de fazer edições de LP + CD ao preço (neste caso bastante abaixo...) do preço de uma edição normal em vinil.

Hm, este template novo...

Já sei como é que o Gandalf se sentiu depois de ter caído e lutado com o Balrog nas profundezas e ter emergido como white wizard.

That awkward moment

Em que na hora de almoço vais à FNAC, lês um bocadinho por lá, e não resistes em arrumar uns livros. A diferença entre os livreiros da FNAC e os clientes é que uns andam por lá perdidos no meio claramente a precisar de ajuda e os outros estão lá para comprar. Estou a ser mauzinho e exagerado, claro. Alguns dos clientes vão lá só para passear. Agora a sério, respeito os livreiros da FNAC. Ou pelo menos quando conhecer um livreiro da FNAC eu vou respeitá-lo. Pronto, eu páro. Foi o que disse o cliente da FNAC quando percebeu que por muitas perguntas que fizesse não obtinha resposta.
Fora de brincadeiras, aquele abraço aos livreiros da FNAC.

Apetece-me pôr o iPod na fogueira

A empresa mais valiosa do mundo está a processar uma marca polaca porque o seu site tem o url a.pl, e "consumidores podem confundir os nomes das duas empresas e que um dos objectivos da A.pl é aproveitar-se desse facto para atrair visitantes para o seu site." Isto é a sério?
Apple, amigos, é processar todos os pomares desse mundo por venderem maçãs, que toda a gente sabe serem propriedade da Apple e os pomares estão claramente a aproveitar-se desse facto, os meliantes.
Vou ali à Apple store atirar uns tomates, volto já.

Gibsy Kings

Ela estava na hora de almoço, com as habituais conversas que os livreiros têm quando estão a almoçar ou a fazer pausa. Na altura falavam deste caso, e ela diz que o metro anda perigoso e  que assaltaram o namorado dela no Marquês, durante a tarde, com uma pistola.
Ela - Imagine, o cigano apontou-lhe uma pistola e roubou-lhe o telefone!
Eu - Hm... Tens noção que a esta hora anda um cigano todo contente com fotos de ti nua, certo?
Ela fica completamente vermelha e baixa a cabeça nas mãos e começa a rir-se baixinho.
Eu - Não, é que tu vais a uma feira e vês lá uma Ford Transit e está toda forrada por dentro com fotos tuas nua em actos ilícitos.
Ela fica ainda mais vermelha e começa a rir incontrolavelmente e a pedir-me para parar.
Eu - Da próxima vez que fores ver os teus amigos Ciganos de Ouro, o cigano vai apontar para ti e dizer "Ai, Lelo, olha a moça das fotos, é mais magra ao vivo"
Tem tudo para se tornar numa estrela na comunidade cigana portuguesa.

14 de setembro de 2012

Livro vermelho

Sabes que estás a trabalhar demasiado quando vens no caminho para casa a observar as pessoas que te rodeiam e tentas ver qual deles teria mais probabilidade de fazer uma reclamação relativa a livros escolares. Até que pensas que este tipo de comportamento é um bocado de sociopata, portanto voltas ao pensamento normal que é "de que autor ou romance é que esta pessoa podia ser uma personagem". 

13 de setembro de 2012

A perfeição existe

O Link deitado à janela, a ver a rua, a Catarina a jogar 3DS deitada no meu colo, enquanto vou escrevendo e vamos cantarolando  de vez em quando ao som do vinil de Arcade Fire que toca em fundo.

Consequências da Vogue FASHION Night Out

Uma das consequências da Vogue Night Out é ter uma miúda, meia despida, que vai lá e compra o livro do Nicholas Sparks "Juntos ao Luar", e que volta, dez minutos depois, porque afinal queria o "Felizmente há Luar" do Sttau Monteiro. É quase a mesma coisa.

(título corrigido devido a uma picuinhice da Xana, obrigado Xana, sem ti isto não era a mesma coisa, Xana)

Tipo coiso, mas ao contrário

Acho piada às pessoas que me contam coisas (supostos factos) sobre pessoas de quem gosto. Como se eu emprenhasse pelos ouvidos. Se pensam que me conhecem já deveriam saber que, para o bem e para o mal, eu ligo pouco ao que me dizem sobre aqueles de quem gosto. Para o bem e para o muito, terrível, mal.
Mas o ponto ainda mais importante é este: desde quando é que eu sou um modelo de virtude para que possa criticar essas pessoas? A verdade é que a maior parte das coisas que apontam como mal nos outros acabo por eu fazer pior.

O pai já vai, não te preocupes pequenino


12 de setembro de 2012

Prendinhas é sempre, sempre bom


Angels

Crise, crise, mas a edição normal em vinil e a edição especial em vinil do Coexist já esgotou nas FNAC. Pois é.

Gostava que me explicassem...

Onde é que está a linha que separa um gajo que é considerado forte e resiste e lida bem com as adversidades (dele e dos outros), do gajo que é um insensível do caralho.

11 de setembro de 2012

Chego ao corredor da sala um...

E, ali estava ela, em contra-luz, em toda a sua glória, a ajeitar o cabelo, olhos postos no lugar cimeiro do top, talvez admirada pelo sucesso do livro. Vá, batam-me à vontade, eu tenho um soft spot para a senhora,  o que é que querem?

E agora?

Envio um mail a uma pessoa a pedir informação vital para um evento. Saio da secretária e vou ver umas coisas na loja. Quando volto tenho dois mails de resposta. O que me aparece primeiro (o mais recente) é uma resposta normal ao meu pedido, com uns smilies, piadinhas e tal. O outro, o mais antigo dos dois (foi enviado um minuto antes), diz o seguinte: "Não te dou nada… dás-me alguma coisa tu?" Medo.

10 de setembro de 2012

E outra vez, do início


Este ano é diferente porque ela é "finalista" e tem uma "afilhada". É a excitação total.

9 de setembro de 2012

Sleeping is giving in

Adormeci durante a tarde e quando acordei e cheguei ao pc tinha uma janela de chat do gmail aberto:

senhora: tás?
me: desculpa o papa esta a dormir! e ola fala a filha catarina.
senhora: olá catarina
ok ;)
me: ele vai acordar as 18:33
=D
senhora: está programado é? :P
me: sim

Ainda bem que não puxou mais por ela, senão havia de ter sido giro.




Até ao fim do ano, só portugueses


Swept away

A ver o inspector Max:
Ela: estes são a polícia especial.
Eu: Eu gostava de ser da polícia especial.
Ela: Paaaaaaaai, isso é perigoso! Não! Tens de continuar a ser um totó da livraria! É mais seguro!
Eu: ... 
Ela: E agora vais ter óculos de totó de leitura! É mais seguro pai!
Eu: ...

8 de setembro de 2012

António Barreto e Maria Filomena Mónica, roam-se de inveja #2

Para quando um estudo sobre a importância da escolha da rede de telemóvel na formação de um casal?




António Barreto e Maria Filomena Mónica, roam-se de inveja

Querem ter uma ideia bastante boa do novo paradigma familiar em Portugal? Vão a uma sessão do Brave à tarde num qualquer centro comercial do país. Dos vários estereótipos que recentemente se formaram, o meu preferido, de longe, é a "mãe-de-35-anos-que-se-veste-com-roupas-iguais-às-da-filha-de-10-e-que-quando-vê-um-macho-atraente-empurra-a-filha-para-o-lado-e-ajeita-expõe-mais-o-decote-e-atira-o-cabelo-para-o-lado". 
Devia ter sido sociológo. Por outro lado, até gosto de ter um emprego, portanto talvez tenha feito bem em não ter ido por aí.

Beauty and the beast


7 de setembro de 2012

Da tristeza do Cristiano Ronaldo

Acho piada às pessoas que enchem os facebooks de imagens a dizer que o dinheiro não traz felicidade mas depois criticam violentamente o Ronaldo por estar triste. Não o criticam por demonstrar a tristeza com uma birra e não festejar golos, não o criticam por vir falar disso numa entrevista, sabendo logo que cada palavra sua é analisada até ao infinito, não o criticam pelos supostos motivos da tristeza. Não, essas pessoas criticam-no apenas e só por estar triste. Além do mais, o homem é português, estão à espera do quê?
Não sou nenhum defensor do homem. Claro que ele devia estar caladinho e trabalhar (jogar futebol neste caso) como as pessoas, e não vir choramingar para  a televisão piorando ainda mais a imagem que o mundo tem dele.
Mas ele tem direito a estar triste. Não é o ter milhões na conta que o escuda da infelicidade e miséria humana, seja lá que motivo (válido ou não, mas isso é outra história...) o rapazito tiver para estar triste.
Isto faz-me lembrar as pessoas que, quando me encontram triste, me dizem: "ah, mas tu não podes estar triste, tens uma filha!". Pois.

6 de setembro de 2012

Finalmente, inteiro


Decisions, decisions

Aparentemente vou ter de me juntar a um destes nos próximos tempos...




5 de setembro de 2012

Interpretem-me isto, por favor

De entre a míriade de sonhos que atormentam o meu ser, hoje tive um que me deixou particularmente pensativo.
Estava a passear o Link no jardim Visconde da Luz em Cascais. Levava o pela trela e ele (e por aqui logo se via que era um sonho, até o meu "eu" do sonho começou logo a pensar que algo não estava bem) caminhava calmamente ao meu lado, sem fazer força absolutamente nenhuma. Estava um dia de sol, com poucas nuvens, a temperatura parecia agradável. O jardim estava, apesar do dia convidativo, completamente vazio. Eu, vá se lá saber porquê, estava de calças de fato e camisa (o que é o ideal para passear o pónei como calculam). Estava para sair do jardim, como quem atravessa a rua para o Museu do Mar, quando aparecem duas mulheres (aqui o termo mulheres talvez fosse melhor substituído por "miúdas", digamos que andavam ali entre os 22 e os 26) em dois aviões (estava demasiado normal o sonho, não era?), aviões a hélice, pequenos, como se fossem uns carros de fórmula um com asas. Estas miúdas, vá, estavam a tentar voar mas estavam presas por uns cabos a uma estrutura metálica, claramente uma construção mecânica cuja utilidade não consigo precisar. Uma delas (da outra não tenho qualquer tipo de recordação visual) olhou para mim, num olhar prolongado que revelava algum desespero e que se alicerçava nas últimas gotas de esperança presentes no seu ser. Corri para lá com o Link e, com um x-acto (item que carrego sempre comigo quando ando de fato, como é natural) que trazia no bolso, cortei os cabos delas e soltei-as.
Não me recordo agora de como é que isto se desenrolou, mas sei que a parte seguinte do sonho era à porta do elevador dela, a deixá-la em casa. Ela ia subir para mudar de roupa para irmos sair. Nisto, desce no elevador a minha madrinha de casamento, melhor amiga da minha ex-mulher, gira como sempre, a convidar-me para irmos sair só os dois. Naturalmente que se gerou ali no meu íntimo uma divisão de proporções bíblicas: vou sair com a madrinha jeitosa, quiçá um fetishe antigo (não confirmo nem desminto, jogo onde o mister quiser, eu estou aqui para trabalhar, sou mais um para ajudar a equipa), ou saio com a surpreendentemente fofinha nova amiga do avião? Bem, isto na vida real era fácil: por muito que me agradassem os profundos olhos escuros e cabelo ondulado da menina do avião, ela estava, no fundo, a conduzir um avião preso por cordas num jardim em Cascais. Parecendo que não é coisa assim para me causar alguma espécie. Já no sonho, eu fiquei bastante dividido.
Acabei por despachar a madrinha (we'll always have Cascais, é tipo Paris mas sem ter nada a ver), e fiquei a aguardar que a amiga do avião descesse para irmos jantar os dois.
E pronto, nisto toca o despertador e acaba-se o sonho.
Agora vá, senhoras de poderes mediúnicos, videntes e culinários, troquem-me lá isto por miúdos. A melhor interpretação ganha um livro.

4 de setembro de 2012

Dou mil euros

A quem me arranjar um comprador para a minha casa. É uma bonita habitação, bem localizada, com um preço muito atraente e anteriormente habitada pela minha pessoa. Só coisas boas. 

3 de setembro de 2012

All you people are vampires

É engraçado fazeres a tua volta da vergonha alheia e deparares-te com uma estante que te é demasiado familiar num desses blogs cor-de-rosa.  

Violência (electro)doméstica

Ao limpar a cozinha o frigorífico tombou para cima de mim. Sim, as minhas limpezas são hardcore.

Conclusões a retirar

Se há conclusão que podemos retirar desta escalada perigosa de tensões entre as facções pro e anti touradas é que a idiotice humana é transversal a qualquer tipo de divisão, seja sobre que assunto for. Chegou ao ponto de, para mim, não conseguir simpatizar com nenhum dos lados porque a forma como os argumentos são expostos e os constantes insultos e acções despropositadas de lado a lado fazem com que me dê vontade de os fechar a todos numa arena. E primeiro era obrigá-los a todos a voltarem à primária: o português usado nos comentários no facebook e no site de jornais é de fazer os olhos sangrar. 
Fui a touradas quando era pequeno. O meu avô paterno era aficionado. É das poucas memórias que tenho dele, ir ao Campo Pequeno à tourada. Mas a verdade é que sou contra as touradas. 

1 de setembro de 2012

Não devia ser ao contrário?

Sendo que outra pergunta pertinente é: que capacidade técnica? Yannick, a empobrecer campeonatos desde 1986.
Acho graça que ao pesquisar por Yannick Djaló no google me apareça isto como sugestão:


"Yannick Djaló não está mais com Luciana Abreu"? Estes fãs das telenovelas complicam muito as coisas. Isto faz-me lembrar aquelas pessoas que ficam lá na secção das revistas, a olhar para as capas da Nova Gente e coisas do género, a falarem sozinhas: "Aaaaaaaaaah... Oh, eu não disse? Eu disse, pois disse. Tanto amor, tanto amor, e agora, olha. Separados. Oh, se disse. Esta Rita Guerra também é fresca". 

Do trabalhar ao sábado #3

Aproveitei para ir almoçar com umas livreiras e fazer perguntas como "viste a sida?" a uma delas, que tinha ido passar férias a Moçambique. Livreira essa que é algures da zona de Braga e, por achar que tinha perdido o cartão multibanco, conseguiu dizer um encadeamento de palavrões de tal ordem extenso e complexo, com o sotaque mais cerrado que se pode imaginar, que sem grande dificuldade a colocaria no Guinness.

Do trabalhar ao sábado #2

A irritação deles por terem o chefe a chatear o dia todo, quando estão habituados a passarinhar pela livraria durante os sábados, em amena cavaqueira e alegre folia, enquanto vão deitando o olhos às estrangeiras meias despidas e totalmente avermelhadas que passeiam entre os livros. Só para vê-los a fazer birra valeu a pena.

Do trabalhar ao sábado #1

O que me irritam os jovens casalinhos, eles de calções e alpargatas, elas de calçõezinhos curtos e tops com o soutien (quando aplicável) à mostra, a comprarem a timeout para escolherem o novo sítio chique para almoçar. 

Poesia

Jesus, Jorge (poeta, mestre da táctica, treinador nas horas vagas)