Acordar às cinco e quarenta e cinco, chegar ao local de trabalho às sete e vinte, abrir a pestana eventualmente, começar um inventário que se estima que dure basicamente até ao fim dos tempos e aqui eu estou a referir-me ao fim dos tempos do universo e não essa merda dos Maias de vinte e um de dezembro ou lá o que é, Maias, vejam lá isso, que eu conto receber uma PS3 no dia vinte e quatro, e, parecendo que não, acabando o mundo já não me serve de nada ter uma PS3, e depois de meter tudo a trabalhar ir tomar o pequeno-almoço à Padaria Portuguesa enquanto toca, alto e bom som, o Maravilhoso Coração do Marco Paulo. Chama-se a isto viver.
30 de setembro de 2012
Até ao fim
"Possivelmente tem-se a infância do que se é na idade adulta. E não o contrário. Mas também não tenho idade adulta. A única coisa de que me lembro na idade adulta - será isso ser-se? A única coisa que me coube na idade adulta é aguentar. Aguentar é ser contra o que nos é contra, tudo tem sido tão contra."
29 de setembro de 2012
Satellite mind
Levas uma pessoa a almoçar e é a paga que tens:
Eu - vamos ali à FNAC...
Ela - Hoje é que podia estar cá o Bruno Nogueira.
Eu - ...
Eu - vamos ali à FNAC...
Ela - Hoje é que podia estar cá o Bruno Nogueira.
Eu - ...
It's like goldy and bronzy, only it's made of iron
Irony.
É como o Pinto da Costa alertar para os perigos da corrupção no futebol ou o Paco Bandeira alertar para os perigos da violência doméstica.
Estou num daqueles momentos
Em que me apetecia fazer um longo, praticamente ininteligível e mal estruturado texto sobre umas coisas que leio em certos e determinados blogs, mas o mais provável era obter respostas do tipo "só lês porque queres". E eu gosto pouco de dar razão a certas pessoas, o que seria o caso. Têm toda a razão. Mas, não consigo evitar. É mais forte do que eu. Parece-me que tenho uma necessidade patológica de ora me irritar com os demais ou sentir-me envergonhado de forma alheia.
Portanto, ficarei caladinho. Obrigado e passem bem.
Drogado, cuidado
Subir a rua do Alecrim ao sábado, às oito horas e cinquenta, podia ser quase considerado desporto olímpico. Eu ainda vou meio a dormir e tenho de me desviar dos drogados que vêm a alucinar pela rua abaixo, de mãos na cabeça ou falarem sozinhos ou com as paredes. Requer alguma destreza.
28 de setembro de 2012
Feelin' good
Atendo o telefone no trabalho.
Cliente: eu falei consigo ao início da tarde por causa de determinado assunto.
Eu: não, deve ter sido com algum colega, comigo não foi, mas, de qualquer forma eu posso...
Cliente: ah, eu falei com a Helena Sertã*
Eu: ... Vou passar...
Sem comentários.
*nome fictício
Cliente: eu falei consigo ao início da tarde por causa de determinado assunto.
Eu: não, deve ter sido com algum colega, comigo não foi, mas, de qualquer forma eu posso...
Cliente: ah, eu falei com a Helena Sertã*
Eu: ... Vou passar...
Sem comentários.
*nome fictício
Não, a sério
Alguém me explica porque é que eu ultimamente não paro de receber pedidos de amizade no facebook de senhoras do Canadá? Será que me torno lentamente numa celebridade na comunidade lusa e não sei? "olha é aquele gajo que falou três segundos sobre o 50 shades of grey na televisão, vou adicioná-lo".
Curiosidade é uma sonda em Marte
Estava uma rapariga a chorar no comboio, trajada, de perna cruzada, a capa como que a protegê-la do mundo, apenas as pernas cruzadas de fora, de vez em quando lá saía uma mão da fortaleza que apanhava um lenço que guardava algures, ia limpando os olhos, ia secando as agruras que lhe saíam pela fronte, e, nesses momentos, levantava o olhar do banco da frente, olhava em volta, encolhia os olhos de censura, as faces vermelhas, os dedos que tremiam, e olhava para as pessoas à sua volta, como que a questionar como é que se atreviam a olhar, olhar para ela, logo para ela, que chorava, não sabemos porquê, nunca saberemos, sendo que nada temos a ver com isso, na verdade, mas, enquanto lia, não conseguia deixar de pensar porque é que ela choraria, o que a faria não aguentar as lágrimas perante todas aquelas pessoas, e porque é que ela parecia, a determinado momento, querer chamar a atenção daqueles que já não a davam, claro que não soube, nunca vou saber, mas é uma imagem que marcava, a doentia luz clara do comboio em contraste com aquele figura de negro lavada em lágrimas, lágrimas silenciosas, e eu, obsessivamente curioso, nunca vou saber porquê.
27 de setembro de 2012
Vergílio Ferreira, you bastard
Queria escrever assim uma coisa pseudo-poético-intelectual-sentimentalóide sobre o Vergílio Ferreira mas não consigo. Ele, e só ele, podia narrar momentos da minha vida. Seco e triste, mas é isto.
Rage against the machine
Era lindo que o gajo tivesse dito "este gajo também me insulta sempre que aparece na tv, porque é que não o identificam a ele?"
Não posso morder a língua
Vou ter um evento com umas fashion bloggers e hoje fiquei de recebê-las para conhecerem o nosso espaço e etc. E, preconceituoso como o próximo, esperava umas divas. Ou armadas em divas. Ou armadas em armadas em divas. Mas, não é que eu estava redondamente enganado? Se calhar elas é que acharam que a diva era eu, armado ao pingarelho com o espaço e a antiguidade do espaço e essas coisas. Deus castiga.
Sentido de humor
A vossa atenção para o último lugar na lista de apostas para candidatos ao Nobel. Já agora, eu ia pelo McCarthy. Duvido é que a academia me faça a vontade. E o Lobo Antunes, que ainda anda ali pelo meio... O anjo que lhe guia a mão que escreve os romances deve estar orgulhoso.
26 de setembro de 2012
Kool thing
Incrivel como uns jovens universitários conseguem manter uma conversa durante uma viagem de comboio inteira em que 90% das palavras utilizadas são "tipo", "tás a ver" e "ya".
- E ele, tipo, tás ver?
- Yaaa, mas tipo...
- Não, tipo, ya, tás a ver? Tipo!
- Ah, ya, ya...
25 de setembro de 2012
Presta atenção ao dono
Vi o Bruno Nogueira na FNAC, andava a passear com o "Pela Estrada Fora" lá pelo meio, todo contente, tudo muito bem, não fosse ele ter abandonado o livro num sítio qualquer antes de chegar à caixa, ainda por cima era o rolo original, como se atreve, havia de ter sido na minha loja que eu tinha lhe contado, dizia-lhe "oh gigantone, isso é para deixar no sítio, oh faxavor!", ou então, pronto, basicamente não lhe dizia nada e mandava um dos livreiros arrumar, no fundo era mais isto, mas fica registado o possível bom gosto literário do rapaz.
Teenage riot
Três adolescentes em conversa na FNAC:
- O PES tem uma vantagem sobre o FIFA...
- O PES tem uma vantagem sobre o FIFA...
- Qual?
- O modo rumo ao estrelato é melhor, assim mais... Apaneleirado.
- Hm? Apaneleirado? Mas isso é bom?
- Er...
- Não, explica lá, mais apaneleirado é bom?
- O modo rumo ao estrelato é melhor, assim mais... Apaneleirado.
- Hm? Apaneleirado? Mas isso é bom?
- Er...
- Não, explica lá, mais apaneleirado é bom?
- Meu...
- Ya, explica lá, explica lá meu!
- Foda-se, é melhor pronto, podemos mudar de assunto?!
- Foda-se, é melhor pronto, podemos mudar de assunto?!
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