Acordo num sobressalto com o meu cão a ladrar como nunca antes ladrou a meio da noite, a ladrar como quando se sente ameaçado. No curto espaço de tempo que demoro a levantar-me passam-me mil e uma coisas pela cabeça. A saber, algumas das que me recordo:
"foda-se, tenho um ladrão em casa, de certeza"
"deixo o Link tratar dele ou tenho pena do ladrão?"
"visto-me antes de encarar o ladrão ou assusto-o com a minha nudez pálida?"
"e daqui nada tenho de me levantar, que merda, já não vou dormir nada"
"espera, hoje estou de folga, que bizarro"
Saio do quarto de rompante (sem me vestir, claro está) e o que é que o vosso caro vê? A porta de casa escancarada, e eu no corredor, como vim ao mundo. Claro que seriam umas duas ou três da manhã, não havia grande risco que alguém me visse (ao contrário de outra vez que terei todo ou gosto, ou não, em contar numa próxima oportunidade). Provavelmente passou alguém no prédio e o Link não gostou da proximidade do som e desatou a ladrar. Chego à porta, fecho-a, dou duas festas no cão. viro-me para a sala e qual é a primeira coisa que faço? Ver se está lá o gira-discos. Não foi a chave do carro (foi em segundo lugar), nem a de casa, nem o portátil, nem os livros, nem a tv...
Já percebi que tenho de treinar o Link a fechar a porta.