6 de setembro de 2012
5 de setembro de 2012
Interpretem-me isto, por favor
De entre a míriade de sonhos que atormentam o meu ser, hoje tive um que me deixou particularmente pensativo.
Estava a passear o Link no jardim Visconde da Luz em Cascais. Levava o pela trela e ele (e por aqui logo se via que era um sonho, até o meu "eu" do sonho começou logo a pensar que algo não estava bem) caminhava calmamente ao meu lado, sem fazer força absolutamente nenhuma. Estava um dia de sol, com poucas nuvens, a temperatura parecia agradável. O jardim estava, apesar do dia convidativo, completamente vazio. Eu, vá se lá saber porquê, estava de calças de fato e camisa (o que é o ideal para passear o pónei como calculam). Estava para sair do jardim, como quem atravessa a rua para o Museu do Mar, quando aparecem duas mulheres (aqui o termo mulheres talvez fosse melhor substituído por "miúdas", digamos que andavam ali entre os 22 e os 26) em dois aviões (estava demasiado normal o sonho, não era?), aviões a hélice, pequenos, como se fossem uns carros de fórmula um com asas. Estas miúdas, vá, estavam a tentar voar mas estavam presas por uns cabos a uma estrutura metálica, claramente uma construção mecânica cuja utilidade não consigo precisar. Uma delas (da outra não tenho qualquer tipo de recordação visual) olhou para mim, num olhar prolongado que revelava algum desespero e que se alicerçava nas últimas gotas de esperança presentes no seu ser. Corri para lá com o Link e, com um x-acto (item que carrego sempre comigo quando ando de fato, como é natural) que trazia no bolso, cortei os cabos delas e soltei-as.
Não me recordo agora de como é que isto se desenrolou, mas sei que a parte seguinte do sonho era à porta do elevador dela, a deixá-la em casa. Ela ia subir para mudar de roupa para irmos sair. Nisto, desce no elevador a minha madrinha de casamento, melhor amiga da minha ex-mulher, gira como sempre, a convidar-me para irmos sair só os dois. Naturalmente que se gerou ali no meu íntimo uma divisão de proporções bíblicas: vou sair com a madrinha jeitosa, quiçá um fetishe antigo (não confirmo nem desminto, jogo onde o mister quiser, eu estou aqui para trabalhar, sou mais um para ajudar a equipa), ou saio com a surpreendentemente fofinha nova amiga do avião? Bem, isto na vida real era fácil: por muito que me agradassem os profundos olhos escuros e cabelo ondulado da menina do avião, ela estava, no fundo, a conduzir um avião preso por cordas num jardim em Cascais. Parecendo que não é coisa assim para me causar alguma espécie. Já no sonho, eu fiquei bastante dividido.
Acabei por despachar a madrinha (we'll always have Cascais, é tipo Paris mas sem ter nada a ver), e fiquei a aguardar que a amiga do avião descesse para irmos jantar os dois.
E pronto, nisto toca o despertador e acaba-se o sonho.
Agora vá, senhoras de poderes mediúnicos, videntes e culinários, troquem-me lá isto por miúdos. A melhor interpretação ganha um livro.
Estava a passear o Link no jardim Visconde da Luz em Cascais. Levava o pela trela e ele (e por aqui logo se via que era um sonho, até o meu "eu" do sonho começou logo a pensar que algo não estava bem) caminhava calmamente ao meu lado, sem fazer força absolutamente nenhuma. Estava um dia de sol, com poucas nuvens, a temperatura parecia agradável. O jardim estava, apesar do dia convidativo, completamente vazio. Eu, vá se lá saber porquê, estava de calças de fato e camisa (o que é o ideal para passear o pónei como calculam). Estava para sair do jardim, como quem atravessa a rua para o Museu do Mar, quando aparecem duas mulheres (aqui o termo mulheres talvez fosse melhor substituído por "miúdas", digamos que andavam ali entre os 22 e os 26) em dois aviões (estava demasiado normal o sonho, não era?), aviões a hélice, pequenos, como se fossem uns carros de fórmula um com asas. Estas miúdas, vá, estavam a tentar voar mas estavam presas por uns cabos a uma estrutura metálica, claramente uma construção mecânica cuja utilidade não consigo precisar. Uma delas (da outra não tenho qualquer tipo de recordação visual) olhou para mim, num olhar prolongado que revelava algum desespero e que se alicerçava nas últimas gotas de esperança presentes no seu ser. Corri para lá com o Link e, com um x-acto (item que carrego sempre comigo quando ando de fato, como é natural) que trazia no bolso, cortei os cabos delas e soltei-as.
Não me recordo agora de como é que isto se desenrolou, mas sei que a parte seguinte do sonho era à porta do elevador dela, a deixá-la em casa. Ela ia subir para mudar de roupa para irmos sair. Nisto, desce no elevador a minha madrinha de casamento, melhor amiga da minha ex-mulher, gira como sempre, a convidar-me para irmos sair só os dois. Naturalmente que se gerou ali no meu íntimo uma divisão de proporções bíblicas: vou sair com a madrinha jeitosa, quiçá um fetishe antigo (não confirmo nem desminto, jogo onde o mister quiser, eu estou aqui para trabalhar, sou mais um para ajudar a equipa), ou saio com a surpreendentemente fofinha nova amiga do avião? Bem, isto na vida real era fácil: por muito que me agradassem os profundos olhos escuros e cabelo ondulado da menina do avião, ela estava, no fundo, a conduzir um avião preso por cordas num jardim em Cascais. Parecendo que não é coisa assim para me causar alguma espécie. Já no sonho, eu fiquei bastante dividido.
Acabei por despachar a madrinha (we'll always have Cascais, é tipo Paris mas sem ter nada a ver), e fiquei a aguardar que a amiga do avião descesse para irmos jantar os dois.
E pronto, nisto toca o despertador e acaba-se o sonho.
Agora vá, senhoras de poderes mediúnicos, videntes e culinários, troquem-me lá isto por miúdos. A melhor interpretação ganha um livro.
4 de setembro de 2012
Dou mil euros
A quem me arranjar um comprador para a minha casa. É uma bonita habitação, bem localizada, com um preço muito atraente e anteriormente habitada pela minha pessoa. Só coisas boas.
3 de setembro de 2012
All you people are vampires
É engraçado fazeres a tua volta da vergonha alheia e deparares-te com uma estante que te é demasiado familiar num desses blogs cor-de-rosa.
Violência (electro)doméstica
Ao limpar a cozinha o frigorífico tombou para cima de mim. Sim, as minhas limpezas são hardcore.
Conclusões a retirar
Se há conclusão que podemos retirar desta escalada perigosa de tensões entre as facções pro e anti touradas é que a idiotice humana é transversal a qualquer tipo de divisão, seja sobre que assunto for. Chegou ao ponto de, para mim, não conseguir simpatizar com nenhum dos lados porque a forma como os argumentos são expostos e os constantes insultos e acções despropositadas de lado a lado fazem com que me dê vontade de os fechar a todos numa arena. E primeiro era obrigá-los a todos a voltarem à primária: o português usado nos comentários no facebook e no site de jornais é de fazer os olhos sangrar.
Fui a touradas quando era pequeno. O meu avô paterno era aficionado. É das poucas memórias que tenho dele, ir ao Campo Pequeno à tourada. Mas a verdade é que sou contra as touradas.
1 de setembro de 2012
Não devia ser ao contrário?
Sendo que outra pergunta pertinente é: que capacidade técnica? Yannick, a empobrecer campeonatos desde 1986.
Acho graça que ao pesquisar por Yannick Djaló no google me apareça isto como sugestão:
"Yannick Djaló não está mais com Luciana Abreu"? Estes fãs das telenovelas complicam muito as coisas. Isto faz-me lembrar aquelas pessoas que ficam lá na secção das revistas, a olhar para as capas da Nova Gente e coisas do género, a falarem sozinhas: "Aaaaaaaaaah... Oh, eu não disse? Eu disse, pois disse. Tanto amor, tanto amor, e agora, olha. Separados. Oh, se disse. Esta Rita Guerra também é fresca".
Do trabalhar ao sábado #3
Aproveitei para ir almoçar com umas livreiras e fazer perguntas como "viste a sida?" a uma delas, que tinha ido passar férias a Moçambique. Livreira essa que é algures da zona de Braga e, por achar que tinha perdido o cartão multibanco, conseguiu dizer um encadeamento de palavrões de tal ordem extenso e complexo, com o sotaque mais cerrado que se pode imaginar, que sem grande dificuldade a colocaria no Guinness.
Do trabalhar ao sábado #2
A irritação deles por terem o chefe a chatear o dia todo, quando estão habituados a passarinhar pela livraria durante os sábados, em amena cavaqueira e alegre folia, enquanto vão deitando o olhos às estrangeiras meias despidas e totalmente avermelhadas que passeiam entre os livros. Só para vê-los a fazer birra valeu a pena.
Do trabalhar ao sábado #1
O que me irritam os jovens casalinhos, eles de calções e alpargatas, elas de calçõezinhos curtos e tops com o soutien (quando aplicável) à mostra, a comprarem a timeout para escolherem o novo sítio chique para almoçar.
31 de agosto de 2012
Nota-se muito?
Eu, que raramente tenho saudades das coisas... Eu. O meu coração a bater no Minho há demasiado tempo. Trinta e um anos de vida reduzidos ao momento em que a vou ver outra vez...
Seriously
- Podemos ficar a falar muito tempo ao telefone. Não tenho nada para fazer.
- E porque não vais jantar?
- Oh, o jantar já está pronto, e parece estar óptimo, está tudo pronto para jantarmos já a esta hora!
- Então vai princesa!
- Pai...
- Sim...
- Estava a ser sarcástica.
- ...
- Sarcástica.
- ...
10 vs 9
- O Nolito saiu do Benfica?! E quem joga no lugar dele?!
- Olha, tens o Bruno César, o Gaitan... O Ola John.
- Todos feios.
- ... Sim, porque o Messi é lindo.
- Pai, o Messi é giroooooooooooooooo.
- Sabes que o teu pai acha que o Ronaldo joga melhor.
- Pai, o Ronaldo é um bocado gay.
- ...
- Olha, tens o Bruno César, o Gaitan... O Ola John.
- Todos feios.
- ... Sim, porque o Messi é lindo.
- Pai, o Messi é giroooooooooooooooo.
- Sabes que o teu pai acha que o Ronaldo joga melhor.
- Pai, o Ronaldo é um bocado gay.
- ...
The beautiful game
- Filha, já viste quem vai jogar com o Benfica em Outubro? O teu Barça!
- Podemos ir?!
- Claro!
- Estou tão dividida... O Barcelona e o Benfica... Posso levar a camisola do Messi?
- ... Não...
- Porque não?!
- Filha, os benfiquistas podiam não gostar e chatearem-se.
- Que parvoíce... É apenas futebol.
30 de agosto de 2012
29 de agosto de 2012
Diamond eyes
Aparentemente tenho a capacidade de arranjar analogias entre qualquer situação da vida e o futebol, quer com situações hipotéticas do jogo quer com exemplos reais e detalhados. É coisa para impressionar as miúdas, mas ao contrário.
Hoje ao ver o Real Madrid dei por mim, desde o apito inicial, a acreditar que sim, era isto, iam ganhar. Quer me parecer que, no futebol e no amor, se não se acredita que é para sempre nem vale a pena dar o pontapé de saída. E com o Benfica acredito sempre. Sempre. Quando levámos sete (isto por extenso parece menos...) do Celta de Vigo eu só deixei de acreditar que íamos dar a volta quando soou o apito final. Lembro-me discutir com a minha ex-mulher, também ela benfiquista (ela também tem qualidades, lá está), porque ela queria deixar de ver os jogos se estávamos a perder, por exemplo, dois zero a dez minutos do fim. Eu sou incapaz de tirar os olhos do jogo. Porque acredito.
Apesar de tudo, ainda acredito. Agora o Real que não me deixe ficar mal.
28 de agosto de 2012
Ela não achou piada
Ir ao Starbucks com dois gajos que têm o primeiro nome que tu tem destas coisas. Ela quando pediu o segundo nome ainda sorriu, ao terceiro igual já fez cara de quem estávamos a gozar com ela.
All the pretty horses
O John Grady Cole não é o homem que os homens querem ser, é o homem que eles pensam que são. Mas não são, não são mesmo.
Nova moda irritante
Pessoas, que nunca viram a RTP2, histéricas porque a RTP2 vai acabar, porque a RTP2 é que era boa porque "passa programas de cóltura" e "porque a cóltura faz falta ao país" e "eles querem é poleiro".
27 de agosto de 2012
Correcção
O canal não é francês, é marroquino. Confesso que não percebo por aí além de francês, especialmente falado a esta velocidade, mas, pelo tom e pelos risinhos, quer me parecer que se estão a divertir com o resultado.
Estranged
Estou a ouvir o Use Your Illusion e tenho pena que a Catarina não tenha uns Guns N' Roses que a acompanhem na adolescência. Talvez esteja a ser demasiado saudosista, mas hoje em dia não há bandas destas. Fui ver Guns a Alvalade com 12 anos. Lembro-me do concerto merecer especiais durante os telejornais e tudo, foi um acontecimento. Foi, tirando a parte do Axl ter caído e ter feito birra e querido ir embora, tudo porque escorregou numa garrafa que estava no palco, cortesia do pedido incessante do Mike Patton para atirarem garrafas para o palco. Soungarden, Faith No More e Guns N' Roses? Maravilha.
Dos livreiros
Vejo uma livreira a procurar uns livros e aproximo-me dela para perguntar se precisava de ajuda.
- Então? - digo eu, inocentemente.
- Aaiiiiiiiiii senhor que susto, que me cai um mamilo a seco!
- ...
26 de agosto de 2012
24 de agosto de 2012
I'd rather know that it broke your heart than doubt that it will
Parece que voltámos ao oitavo ano. Só que em vez de mandarem recadinhos em pedaços de papel mal dobrados (como os seus sentimentos) pelas amiguinhas, postam recadinhos no facebook, atirados ao ar como bouquets murchos, para quem os quiser apanhar. Mais irónico depois é alguém mandar um recadinho sobre os recadinhos no facebook. Acho que eles não percebem o loop de estupidez infinita que ali se gerou.
My name is lust and survival's a must
Ir jantar a casa da avó tem sempre um ritual associado: ler a Maria. E hoje na Maria li que um senhor tinha problemas em despir-se em frente à mulher porque tinha celulite, enquanto outro tinha medo que a mulher o deixasse porque gostava de cheirar as cuecas usadas dela. Já no campo das mulheres, uma queixava-se de que tinha dores ao tentar o acto sexual enquanto a outra queixava-se do pénis minúsculo do marido. E que tal trocarem?
E eu que às vezes me questiono se sou normal.
23 de agosto de 2012
All the pretty horses
"A água era negra e quente e ele voltou-se no lago e abriu os braços na água e a água era tão escura e tão sedosa e ele olhou sobre a superfície negra e imóvel, para o ponto onde ela estava parada na margem com o cavalo, e ficou a ver quando ela deixou para trás a poça de roupas, tão branca, tão branca, qual crisálida a emergir, e entrou na água.
Ela deteve-se a meio caminho para olhar para trás. Ali parada na água a tremer e não era por causa do frio, porque não fazia frio algum. Não fales com ela. Não a chames. Quando ela o alcançou, ele estendeu a mão e ela pegou-lhe. Era tão branca no lago que parecia estar a arder. Como fogo-fátuo num pedaço de madeira enegrecida. Que ardia sem calor. Como a Lua que ardia sem calor. O cabelo negro dela flutuava na água à sua volta, tombava e flutuava na água. Ela pôs o outro braço em volta do ombro dele e olhou para a Lua a oeste, não fales com ela, não a chames, e então ela virou o rosto e ergueu-o para ele. Mais doce pelo furto do tempo e da carne, mais doce pela traição. Grous junto aos seus ninhos na margem sul, apoiados numa só pata entre as canas, tinham erguido o bico afilado oculto sobre a asa para olhar. Me quieres? perguntou ela. Sim, disse ele. Disse o nome dela. Sim, meu Deus, disse."
Cormac McCarthy
Se há que algo que gosto nos jornais online...
São os comentários. Se em sítios como A Bola os erros ortográficos e de sintaxe são mais comuns que as entradas a matar do Bruno Alves, já nos generalistas os comentários lêem-se melhor (ou são legíveis, vá, coisa que nos desportivos é quase um milagre). Ora isto, ainda assim, não invalida que contenham teorias igualmente descabidas.
Portanto, "se foi a senhora que provocou isso, só podia estar doente, visto que era uma pessoa com formação superior", porque "é um acto tresloucado que só poderá acontecer em pessoas doentes ou então de baixa formação". Conheço algumas pessoas sem formação superior, devo estar receoso? Então e se forem doentes E tiverem baixa formação? Devemos preparar-nos para o apocalipse?
Recursos Humanos
Estou em processo de recrutamento para colmatar uma ausência por baixa. O primeiro candidato do dia, segundo o seu CV, nasceu a 18-09-2012. É a primeira vez que vou entrevistar alguém na barriga da mãe.
22 de agosto de 2012
Royal with cheese
Suicidou-se, enquanto algemado com as mãos atrás das costas, com um tiro na cabeça? Este gajo é melhor do que o Houdini. Será que só eu, a ler isto, é que me lembro disto:
Jornalismo
"Vamos então ao facto: Neymar usa uma pulseira eletrónica 'xpto'"
"Xpto" deve ser mesmo o termo técnico. Isto será alguém que faz estas coisas para chamar a atenção, para perceber se os seus superiores estão a ler? Eu se tivesse que redigir artigos sobre a pulseira maravilha do Neymar cortava os pulsos.
"Xpto" deve ser mesmo o termo técnico. Isto será alguém que faz estas coisas para chamar a atenção, para perceber se os seus superiores estão a ler? Eu se tivesse que redigir artigos sobre a pulseira maravilha do Neymar cortava os pulsos.
21 de agosto de 2012
Tiro no pé
Pingo Doce, Pingo Doce. Pagamentos em MB só acima dos 20€? Onde tens a cabeça, senhor? Sabes que és o meu preferido. Nunca o escondi. Mas, agora, com decisões destas, vamos ter de rever a nossa relação. Tenho alergia a coisas estúpidas, o que queres? Poupar 5 milhões de euros? 5 milhões no universo Pingo Doce é o mesmo que eu começar a poupar 1 cêntimo por mês em gasolina ao deixar o carro dez metros mais atrás todos os dias quando estaciono na estação. Vou sentir a falta do gelado de cheesecake e do gelado de caramelo. Admito que vou. Mas se não voltares atrás na tua decisão, troco-te pelo E.Leclerc. Além de ser mais perto tem a empregada de caixa mais gira do concelho de Cascais. Consegue ter uma música mais irritante, mas pelo menos não vou ter de levantar dinheiro sempre que quiser comprar jantar. Depois o que faria aos trocos? Eu tenho uma filha. Tenho duas irmãs e uma ex-mulher. Eu vi o que elas faziam à carteira dos pais. E os meliantes? Os meliantes estão atentos às notícias. Vai ser vê-los a fazer fila à porta do Pingo Doce, com tanto dinheiro vivo a pulular nas imediações. Se valorizas os teus consumidores voltarás atrás. Algo utópico, eu sei, mas gosto de acreditar.
20 de agosto de 2012
Neon bible
É por causa de gente como esta (e quem neles vota...) que eu temo o mundo em que a minha filha está a crescer. O homem diz que em caso de legítima violação (o que raio é uma legítima violação?), o corpo da mulher resolve o problema e não deixa que ela engravide? Isto é a sério?
Drugs are bad, hmmmmkay?
O que é que pode levar alguém que não vou nomear a ligar à minha pessoa e ter a seguinte conversa:
Eu: Então, já 'tás de volta a Portugal?
Ele: Já, meu, claro, olha, liguei por causa duma cena.
Eu: Diz, diz.
Ele: Vais ao G3?
Eu: Aquilo dos guitarristas? Não, não vou.
Ele: Pá... É que o Steve... Vai. O Steve Vai.
Eu: ...
Ele: (RISOS)
Eu: ... Meu, vou trabalhar.
Isto é claramente coisa das drogas.
Eu: Então, já 'tás de volta a Portugal?
Ele: Já, meu, claro, olha, liguei por causa duma cena.
Eu: Diz, diz.
Ele: Vais ao G3?
Eu: Aquilo dos guitarristas? Não, não vou.
Ele: Pá... É que o Steve... Vai. O Steve Vai.
Eu: ...
Ele: (RISOS)
Eu: ... Meu, vou trabalhar.
Isto é claramente coisa das drogas.
O teu mal é sono
Odeio sonhar com pessoas que não conheço, nunca vi na vida e que não partilham qualquer tipo de traços físicos com pessoas que conheço. O pior é que até não me importaria de conhecer. Quase tão mau como isso, também no sonho, era ir ver Arcade Fire no pavilhão atlântico, numa suposta apresentação do álbum novo, e eles terem músicas (não sei porquê tive acesso à setlist...) com nomes como Naruto ou #waves.
19 de agosto de 2012
Catarina Maria #2
- Pai, vi agora Ornatos Violeta nas notícias!
- Eu vi um bocado no Youtube. Já não falta muito para Outubro. Mas olha que eles não tocaram nenhuma música do Cão.
- O quê?!? É o meu preferido! Como é que não tocaram nenhuma?!
- Não tocaram, tocaram o Monstro todo.
- Pai, nós vamos ao concerto, mas se eles não tocarem o Cão eu vou lá bater ao Manuel Cruz e aos amigos.
- ...
Catarina Maria #1
- É injusto.
- O quê, filha?
- Sempre que os amigos do ******** vêm dormir aqui, eu tenho de ir dormir para o sofá.
- ...
- Não gosto, papá...
- É normal, filha, não te chateies por causa disso.
- Não me chateio, é só injusto... Só me chateio porque não tenho bateria no iPod.
- ...
- Estou o dia todo na piscina, e nem posso ouvir música!
- A vida realmente é difícil para uma criança da tua idade.
- O quê, filha?
- Sempre que os amigos do ******** vêm dormir aqui, eu tenho de ir dormir para o sofá.
- ...
- Não gosto, papá...
- É normal, filha, não te chateies por causa disso.
- Não me chateio, é só injusto... Só me chateio porque não tenho bateria no iPod.
- ...
- Estou o dia todo na piscina, e nem posso ouvir música!
- A vida realmente é difícil para uma criança da tua idade.
Say cheese
Como sempre, ir jantar com o gajo que não gosta de queijo e pede as pizzas só com tomate revela-se uma mini aventura. Já nos McDonald's e afins da vida é a mesma coisa: ele pede os hamburgers sem queijo e a pessoa que está na caixa fica sempre uns segundos parado, de dedo no ar, não sabendo bem o que fazer, pedindo incessantemente para ele repetir o pedido na ânsia que este saia, finalmente, de acordo com os parâmetros que ele tão bem tem definidos na sua cabeça. Mas, a insistência continua: hamburger ou pizza sem quejio, esse ingrediente ímpio.
Hoje, lá estava o senhor a carregar no seu ecrãzinho quando ele diz: a minha pizza era sem queijo. A resposta foi um longo silêncio, o dedo apontado ao céu, os olhos a perscrutarem toda as opções, o olhar para o lado na vã esperança de haver um colega ao lado que lhe diga onde é que raio está a opção do sem queijo. Ao silêncio seguiu-se o inevitável: "desculpe, sem queijo?". Ele confirmou, sim, sem queijo, mete lá todos os ingredientes menos o queijo. "Sem queijo? Hm.". Sem queijo. "Ok, sem queijo...". Ele vira-se para trás e diz, aos berros, para o cozinheiro: "O pedido três é sem queijo! Sem queijo". Depois volta ao seu ecrã, volta a ficar confuso, lá clica em qualquer coisa e cobra-nos: "Uma pizza, mais uma pizza... Sem queijo...".
Ficámos à espera, os pedidos especiais dele demoram mais tempo. E, qual foi o resultado? Aliás, qual é SEMPRE o resultado?
Chega a pizza dele... E tem queijo. Sempre.
18 de agosto de 2012
Atenção aí à ligação
Sou chamado a abandonar a minha sauna privada, que é como quem diz o meu gabinete, porque, aparentemente, uma senhora queria trocar umas palavras comigo, senhora essa que está a realizar um mestrado ou pós-graduação ou algo do género que o livreiro em questão não soube precisar apesar da senhora o ter mencionado com algum detalhe mas já se sabe como são estes livreiros, a partir da expressão "falar com o gerente" já não ouvem mais nada.
Estando eu deveras ocupado (a fazer um orçamento para uma empresa que faz feiras do livro em Angola, o que é especialmente divertido tendo em conta que a lista deles era baseada em edições brasileiras, ou seja, tínhamos o "Sol nasce para todos" (Mataram a cotovia), o "Caçador de Pipas" (O menino de Cabul), "Jogos da Voragem" (Jogos da Fome), "O apanhador no campo de centeio" (À espera no centeio), e por aí fora), pensei duas vezes em ir lá falar com a pessoa.
No entanto, arrastado pela consciência lá fui, embalado pela esperança de, como quase sempre, estas estudantes dos mestrados e coisas que tais serem meninas inteligentes e bem formadas. Rigidez corporal e desenvoltura física? São palavras vossas, eu não disse nada.
Não era o caso. E era para falar de cópias ilegais de livros e seus derivados. O mais curioso era ela a falar comigo, e estar sempre a passar um cliente habitual nosso que fala sozinho (mesmo quando fala com outros seres humanos é como se falasse sozinho, visto que ninguém o percebe) e eu completamente alheado dele. Já ela ia parando o discurso, olhando para o lado enquanto o via a olhar para pormenores na parede enquanto falava de "ligações", voltando depois o olhar para mim estupefacta por eu nem sequer ligar à presença dele na sala.
Eventualmente ela diz-me "desculpe, aquele senhor está ali a falar com a parede, já tinha reparado?", ao que eu respondo "ah, eu só lhe digo qualquer coisa quando ele vem com as calças rasgadas e o rabo à mostra e assusta os clientes". Não percebo porque é que ela se despediu apressadamente e se foi embora.
17 de agosto de 2012
Finalmente terminei o "Lolita"
Aquilo causava-me algum desconforto. Boa literatura, admito, mas desconfortável. E fiquei algo desiludido: em momento algum vi referências ao processo Casa Pia e ao Carlos Cruz. Pelo lado positivo, também não havia sinal da Felícia Cabrita.
Agora segue-se o "Belos Cavalos", do McCarthy. Conhecendo o velho Cormac até tenho pena dos cavalos. E de toda a gente que entrar no livro, basicamente.
16 de agosto de 2012
Alguém me pode explicar...
Porque raio o ex-marido da Maria Rueff, aquele que tenta ser engraçadinho na rua, andava hoje a gritar ao lado dos gajos da Chronopost que tentavam entregar 70 caixas na minha loja? Só naquela, gostava de saber.
Hand of reason
Chamaram-me para falar com um cliente que queria fazer uma encomenda avultada. Eu já conhecia o processo, portanto, na ânsia de não perder esta venda, saltei da cadeira e acompanhei a livreira até ao dito senhor. Vou eu todo lançado, apresento-me e estendo a mão na direcção da mão direita do cliente quando, a meio do movimento, vejo que ele tem um braço postiço. Aqui começa tudo a desenrolar-se em câmara lenta, eu a ver que não consigo impedir o movimento do braço, a olhar para o braço postiço e a pensar que tipo de movimento poderia fazer para que aquilo parecesse casual e que eu não tinha reparado que o senhor tinha uma prótese, era tarde demais, pensei eu, até que o cliente com a mão oposta apanha a minha em pleno movimento e nós damos o aperto de mão mais embaraçoso e estranho de que há memória, mão esquerda com mão direita.
Claro que depois passei a conversa toda a pensar que não podia dizer frases como "o colega entregou-me isto em mãos" ou "o seu processo está em boas mãos".
13 de agosto de 2012
Na minha cabeça faz sentido
Estou cansado de fingir. Cansado. De não admitir. Porque fingirei eu que não sinto uma coisa que é uma âncora de dimensões homéricas, quando a sinto, foda-se, se a sinto. E é normal senti-lo. Mas, não admiti-lo faz-me acreditar, acho eu, não sei, se há coisa que compreendo mal sou eu próprio, que talvez passe mais depressa o tempo que estou sem ela, o tempo em que não a ouço a rir, em que não a ouço pedinchar qualquer coisa, em que não tenho mimos de uma espontaneidade que desarma o mais frio dos corações e o mais distante dos pensamentos, e, se, vergonha de pai, às vezes os meus pensamentos estão distantes. E todas as vezes em que caminhamos à saída do carro, aqueles escassos metros até casa, ela a subir as escadas do prédio e a voltar-se para trás, toda sorrisos, afinal está de regresso a casa, sabe que vai ter um cão louco a saltar-lhe para cima, e, para ela, o mundo finda naqueles poucos metros quadrados, tudo o que é e tudo o que vai ser está naquele sítio, numa entrada ventosa de um prédio, e eu, eu já deixei tantos bocados de mim por aí, e custa-me concentrar-me no que realmente importa naquele momento. Porque a sensação, e como é duro, é que quanto mais perto estou mais sou recordado de que é algo que nunca vou ter novamente, na medida certa, na medida que devia ser. E agora, agora, temos mais três semanas de separação... E eu a passar o dia como se nada fosse, as desculpas que invento para não pensar nisso, mas, o telefone toca a avisar a chegada sã e salva ao seu destino, e eis que tudo o que se planeia se desfaz com uma facilidade alarmante.
E assim, aqui estou eu: a viver novamente em contagem decrescente.
Note to self
Tive uma agradável conversa sobre literatura com um turista holandês, em inglês, e realmente o meu inglês já teve melhores dias. É terrível um gajo estar a falar e estar a perceber mentalmente que aquilo não está a soar muito bem, especialmente quando discursamos sobre literatura pós-colonial e traumas de guerra.
12 de agosto de 2012
Faz falta uma mulher cá em casa
Para secar o cabelo à Catarina. Criei a criatura desde que nasceu, e, devido a uma questão de horários e proximidade do local de trabalho (e posteriormente por motivos menos nobres...), fiquei eu responsável por comidas e banhos e vestuários, e, modéstia à parte, fazia tudo bastante bem. Excepto secar-lhe o cabelo. Abomino. Prefiro mil vezes cozinhar e lavar o chão e limpar o pó do que ter de lhe secar o cabelo. Uma pessoa está ali a abanar o secador, e depois ela mexe-se demasiado, diz que está quente, mariquinhas, e depois, ocasionalmente (ocasionalmente, atenção) eu dou-lhe assim ao de leve com o secador na cabeça, e ela, mimada, queixa-se, é só um secador a ferver, não é caso para tanto, e depois o cabelo enrola-se todo e custa a desembaraçar e depois um faço "um bocadinho" de força e ela choraminga mais um bocado, enfim, secar-lhe o cabelo é coisa para me tirar do sério, embora, por vezes, nem eu perceba bem porquê.
Nunca o título "A Bola" foi tão apropriado
Como leitor assíduo d'A Bola, já há algum tempo que sigo a rubrica "A Bola de Estrelas". Aqui, colocam fotos de mulheres de jogadores de futebol, atletas femininas, etc, geralmente bastante despedidas. Se pensam que eu sigo a dita rubrica por causa dos atributos das senhoras em questão, estão 30% certos. O grande entretenimento deste segmento são os comentários de quem coloca as fotos, e depois as respostas dos "leitores". Geralmente começam com informações biográficas sobre as visadas, e depois descambam para coisas deste género:
O que depois leva a comentários do tipo:
Isto é serviço público.
11 de agosto de 2012
Omega white
Realmente o Manson parece-me ser a pessoa ideal para analisar a performance olímpica dos colombianos. Só naquela, vou-lhe perguntar o que ele achou da cena do Luisão com o árbitro.
Browneyed girl
Porque é que eu não fico da cor da minha filha?
Ela apanha dois raios de sol ao princípio da manhã e fica assim.
Ela apanha dois raios de sol ao princípio da manhã e fica assim.
E ando eu a ler o Lolita...
... Quando podia andar a ler isto. Destas coisas ninguém me recomenda para ler. É para ver os amigos que tenho. "Viveu fechada com vacas e só sabe mugir"? Nabokov, devias ter posto os olhos nisto enquanto ainda eras vivo.
10 de agosto de 2012
All I want for christmas
Hoje íamos a subir a rua quando, uns metros à nossa frente, sai da Casa da Sorte um gajo vestido de Pai Natal, gorro e tudo, mochila às costas, barbas e cabelo grisalho verdadeiro, todo desgrenhado, sujo, fato sujo também e, toque final de classe, óculos brancos à Jackie O. O melhor? Só os estrangeiros é que desviavam o olhar. Claro que surgiram logo teorias: o gajo tinha ido levantar um prémio à Casa da Sorte. Claro, porque um gajo vestido de Pai Natal em pleno verão, com 31º, não chama nada, mas absolutamente nada, a atenção das pessoas.
9 de agosto de 2012
Unrest
É engraçado quando te vês a falar durante dez segundos no Bom-dia Portugal e pensas durante esse tempo se a intérprete de língua gestual não foi posta lá por tua causa. Sempre sonhei aparecer no Bom-dia Portugal, sou uma pessoa mais completa hoje em dia. Ah, e a falar do 50 Sombras de Gray, ainda por cima. Que momento de glória. Mas ao contrário.
8 de agosto de 2012
7 de agosto de 2012
All night long
Aparentemente acordar as sete da manhã tem efeitos nocivos no meu desempenho profissional. Especialmente se a última vez que acordei foi às sete da manhã mas do dia de ontem.
6 de agosto de 2012
A sério, podem parar
Eu já percebi que já passou a reportagem na televisão, podem parar de me enviar fotos das tvs (com lindos resultados, permitam-me acrescentar...) para eu "ver". Caríssimas, eu já vi, aliás, parecendo que não, eu estava lá.
5 de agosto de 2012
4 de agosto de 2012
Em arrumações...
... Encontram-se coisas incríveis. Não me lembrava que tinha ficado com a edição especial do primeiro de álbum de System of a Down (da minha ex-mulher, ainda por cima), assinado pelos quatro, quando deram o concerto cá em Cascais, a abrir para Slayer e Sepultura. Maravilha.
Hypnotize
Eu: Ando um bocado desfasado do tempo, comecei agora a ouvir White Stripes.
Ela: Boa, eu tenho só um álbum deles.
Eu: Qual?
Ela: Um de capa vermelha.
Eu: Ya...
Ela: Boa, eu tenho só um álbum deles.
Eu: Qual?
Ela: Um de capa vermelha.
Eu: Ya...
2 de agosto de 2012
Suprema ironia
É ligarem para o meu telefone pessoal de um número não identificado e, do outro lado, estar um gajo com voz tipo gente rude do campo a perguntar: "Tou?! É da FNAC?". Pensei logo que era algum amigo brincalhão com pouco amor pela vida, armado em engraçadinho e a brincar com coisas demasiado sérias. Estive tentado a responder com todos os palavrões que conheço, fazendo inclusive combinações nunca antes imaginadas. Mas, controlei-me. E não é que era um gajo de uma transitária que estava a tratar de um processo nosso? "Amigo," disse ele, "deram-me o seu número para tratar aqui duns livros, num é da FNAC?". Não, não é. Pelo menos, por enquanto. Façam-me uma proposta e eu logo vejo.
1 de agosto de 2012
Goodfellas
Hoje pagaram-me uma compra de 8200€ em livros (sim, eu repito, por extenso, oito mil e duzentos euros em livros) com maços de notas de 50€. Eu ali sentado na minha secretária, com o cliente à frente, a contar as notas nos maços. E depois a ir ao banco, a atravessar a rua com aquele dinheiro todo no bolso, medo. E o homem do banco a passar as notas na máquna e eu "mau, se é alguma falsa...". Mas, não, correu tudo bem. E fiz dois dias de vendas numa manhã. Nada mau.
Já tinham saudades
- Pai, sabias que a tia ******* tem uma piscina?
- Sabia.
- E nunca me tinhas dito...
- Ela tem porque é casada com o teu pediatra. Isso é que era uma boa profissão para ti, quando cresceres.
- Sim, quando crescer quero ser secretária do médico!
- ... Filha, o médico é que ganha o dinheiro para ter a piscina, não é a secretária.
- É a mulher dele, é a mesma coisa. E está ali sentada o dia todo.
- ...
31 de julho de 2012
Se eu não ficar perto
Porque é que a parte a partir do minuto 1:36 ainda me dá arrepios, todo este tempo depois, todos os sítios, todas as estradas mal iluminadas, comboios cheios, comboios vazios, recintos grandes, recintos pequenos, em cima do palco, na zé dos bois, no alive, no ccb, no dolce vita tejo, no ritz, para sempre no ritz, no carro com unhas laranja a puxarem-me a camisa, com uma cabeça no colo, com os olhos dela nos meus, saídas do carro mais demoradas do que seria suposto, esperas à porta do trabalho, silêncios que não se deviam prolongar e muito menos recordar, a primeira vez que ouvi, a primeira vez ao vivo, a primeira vez em vinil, no carro nas piores alturas, em casa nas melhores. Sempre, no fundo.
Fala de sexo e de gajas malucas, o livro
Estava cheio de piadinha, não estava? Pois não é que hoje recebo um telefonema da directora de comunicação a dizer que determinado canal queria fazer uma peça sobre os livros do verão, e, como a imagem dela está muito ligada às chancelas por onde passou, achou por bem ser eu a falar com o determinado canal. E avisou-me logo: vou ter de falar do livro incontornável do verão, esta coisa. Logo agora que aparei demasiado a barba. Ainda por cima, já sei que vai ser "um" jornalista e não "uma" jornalista, como costuma tão agradavelmente ser. Bem, pode ser que desta vez eu diga algo com sentido.
Overreacting
O namorado da minha irmã adolescente adicionou-me no facebook. Será que estão a planear casar-se?
Por estes dias
Vive-se com o medo de a coincidência de encontrar uma pessoa no comboio, naquela carruagem, naquela hora, quinta-feira, sexta-feira, ontem, hoje, tenha deixado de ser uma apenas uma coincidência.
Ocean of noise
Hoje é um daqueles dias em que tinha tantos assuntos sobre os quais escrever e acabo por não conseguir escrever sobre nenhum.
29 de julho de 2012
Decidam-se
Há um ano atrás:
- Falas muito na tua ex-mulher, claramente ainda gostas dela, não ultrapassaste isso.
Hoje em dia:
- Nunca falas da tua ex-mulher, deves ter isso recalcado, ainda gostas dela.
...
Porquê, meu Deus, porquê?
28 de julho de 2012
E para ajudar à festa...
... A minha PS3 morreu. Realmente era a motivação que faltava para arranjar isto. Um verdadeiro chick magnet.
Mas ao contrário.
Mas ao contrário.
Coffee break
Quem precisa de ver os jogos olímpicos quando posso ver aqui uma quantidade de sul asiáticos a tentar apanhar os melhores bolos e o café mais quentinho? Isto é sul asiáticos e mulheres louras. Não consigo explicar. Agora também há senhores com ar de quem deixaram uma vida corporativa num país desenvolvido e agora são carecas à frente e usam rabo de cavalo atrás, ostentam uma desgrenhada barba e vivem numa cabana no Laos, a comer bambu e a falar com os peixes do rio.
Dá-se aconselhamento literário e conjugal
Tenho uma banca montada no auditório de uma qualquer universidade em LIsboa. Vou vender zero livros. Só tenho livros em português e isto é tudo gente que, na melhor das hipóteses, fala inglês. Tendo em conta que veio tudo ali dos lados da Ásia até faz algum sentido. Se tiverem fobia de pessoas que parecem terroristas paquistaneses não se aproximem disto. Fica o aviso. Já percebi que são cinco horas de tortura que vou aqui passar, portanto vou aproveitar para ler o Lolita. As voluntárias do congresso são muito simpáticas. E muito novas. Talvez seja melhor não ler o Lolita. Atenção, novas tipo mais de 21 e menos de 25. Para mim são novas. Eu sou velho de coração.
Não há ninguém no chat do facebook nem do gmail. Estou a pensar em começar a acordar uma quantidade de gente para me fazer companhia. É sábado de manhã, parece-me totalmente adequado.
27 de julho de 2012
Shoot straight and tell the truth
Dia do caraças. E ir trabalhar amanhã de manhã, para uma feira de livros num congresso? Maravilha.
Saltos inversamente proporcionais a saias e egos
É natural que a pessoa que foi tomar café contigo hoje de manhã olhe para ti de lado quando começas uma frase com "Então, estava eu a comer frango panado num restaurante de sushi em Odivelas...".
Já agora, qual é a cena com certas mulheres, quando falam entre elas, de começarem e terminarem as frases com "amiga"? É que mais dois "amiga" naquele jantar e eu tinha espetado os pauzinhos chineses nos olhos. De qualquer forma deve ser a única coisa útil que consigo fazer com eles, porque comer está quieto.
26 de julho de 2012
Shô, crianças, longe
Recebi hoje a visita de um ex-livreiro, actual colega como gerente, que andava a passear na baixa com o filho de oito meses. O pequeno Manuel (esteve para ser Dante, isso sim, um nome viril) é um boneco da Michelin em ponto pequeno, espertalhão, vivaço, mas capaz de rebolar até ao rio sem grandes dificuldades. E o raio do miúdo não parava de olhar para mim. Eu, com a minha atitude do "pft, crianças, longe, já tive uma, já me chega". Mas o demoníaco crianço redondinho lá esticava os braços para mim e eu lá tive de pegá-lo, com o meu inegável jeito para crianças. E ele lá ficou, maravilhado, ao meu colo. E eu meio derretido, vá. Meio.
Agora à tarde, durante o lançamento, andava outro bebé, desta feita uma menina, na brincadeira com uma mulher jovem e sorridente que claramente ainda não passou pelos horrorres da maternidade, a esconder-se atrás das cadeiras e a fugir, naquela maneira patusca que só eles, pelo meio das pessoas. E eu continuava, "pft, crianças, longe". Até que a mãe apareceu e trouxe-a para mais perto do local onde eu estava, e ela estava sempre a tentar caminhar, de mão dada com a mãe, na minha direcção. E eu "shô, criança, longe". E aí a mãe pega nela para se dirigir para a saída, e a bebé mal chega ao colo da mãe acena desajeitadamente. E eu fiquei meio derretido. Meio.
O problema é que dois meios dão uma coisa inteira, pelo menos normalmente, e eu agora estou cheio de saudades da minha filha (ainda para ajudar, assim daquelas coisas que nunca esperamos, estão dois colegas da Catarina a assistir ao lançamento...) e realmente até nem me importava de ter um novo bicho em casa. Sempre era mais um para ajudar a tratar do cão. Ou dois, vá, porque para ter uma criança convém arranjar uma mulher. A não ser que faça como o Elton John. Nota-se que estou a trabalhar há demasiadas horas seguidas? Nada.
Está tudo dito...
... Em relação ao ridículo de uma situção, quando o Relvas já é usado como piada em apresentações de livros sobre curiosidades científicas. A saber, dito pelo apresentador: "as autoras dizem que através da composição da água conseguimos saber aproximadamente a idade da terra. Portanto, é só irem à praia e tomarem um pirulito e ficam com um curso de geologia. Ei, um pirulito vale mais do que quatro cadeiras!".
25 de julho de 2012
Hard to get around the wind
Só no sítio onde trabalho é que entra alguém no nosso gabinete a dizer que há uma pessoa que deseja falar connosco e que essa pessoa é um "poeta-fadista" castiço. Lá fui conhecer o poeta-fadista, meio contrariado, confirmei a parte do castiço. O poeta-fadista queria ter um livro dele lá à venda, era para ele um sonho. Falou-me do seu livro. Tem fados e poemas, diz ele. Sozinho não tinha chegado lá. E tem um fado muito bonito contra a pedofilia, acrescentou. Medo, passemos à frente.
Se há dias em que concretizamos pequenos sonhos há outros em que os desfazemos. E a minha frieza em termos de funcionamento institucional deixou-o derrotado, e isto custa-me, dói-me, eu, idealista, pessoa que acredita para lá do expectável. E o senhor, sempre sorridente e simpático, a oferecer-me margens na ordem dos 75%, e, mesmo perante as minhas recusas em aceitar o livro na hora, continuava a sorrir e a contar histórias da livraria e de como era o maior sonho dele ver o livro dele lá exposto. Claro que o aconselhei sobre a maneira mais fácil de o fazer, mas o facto de não o poder ajudar mais afectou-me.
True story
- Então chefe, vai sair a horas hoje?!
- Vou levar o meu cão a pastar...
- Ahahah, diga lá a sério.
- Vou levar o meu cão a pastar, a sério.
- Oh, você 'tá sempre a brincar.
- ...
- Vou levar o meu cão a pastar...
- Ahahah, diga lá a sério.
- Vou levar o meu cão a pastar, a sério.
- Oh, você 'tá sempre a brincar.
- ...
24 de julho de 2012
Even flow
Fluir... De Mihaly Csikszkpofkdpokpgokpkgsdhalyi. Isto até para copiar dá pouco jeito. O senhor que recebeu o nome de letras tiradas aleatoriamente de um saco de peças do Scrabble. Desafio-vos a ir a uma livraria perguntar por este livro.
Nota-se muito que, por estarem algumas pessoas de férias, eu tenho que trabalhar com livros a sério, em vez de estar a brincar aos relatórios de gestão?
22 de julho de 2012
Da imagem que transmitimos
Há coisas curiosas nesta vida, ou não, talvez as coisas sejam mesmo assim, talvez seja suposto ser assim, o ciclo da vida como no rei leão. Fui visitar os meus avós e ver o SLB na Benfica tv, coisa que eu não possuo vá se lá saber porquê porque estando o resto da família no Algarve, e com eles já perto dos noventa, convém alguém ir lá ver se está tudo ok.
Enquanto lá estava tocaram à porta, eu fiquei algo surpreso, quem poderia ser a pessoa que me fazia erguer do sofá e deixar um ataque do Benfica a meio, então lá fui, contrariado, abrir a porta, e, surpresa, era a vizinha de cima, que vem cá todos os dias ver se eles estão bem. Esta vizinha de cima é uma senhora na casa dos setenta, talvez, e era uma senhora com quem eu tinha uma das piores relações na minha adolescência, nem que fosse só porque namorei com as duas netas dela, uma delas foi apenas por uns dias, acho que o encanto dos calções curtinhos falou mais alto, mas, verdade seja dita, aquilo estava condenado à partida. Já a outra, foi "a" namorada da adolescência. Nem que seja pelo facto de termos namorado três vezes (e uma delas durante dois anos, o que, para um rapazito como eu era na altura, era um facto assinalável), mais uns quantos contactos de diversa ordem em períodos de interregno entre os namoros oficiais. E além disto, eu tinha uma atitude desafiante perante os velhotes do meu bairro, era o gajo de bola de futebol debaixo do braço a jogar onde e quando não devia, era eu que levava as miúdas para sítios que não devia, ouvia a música barulhenta, na cabeça delas de certeza que fumava e fazia outras coisas que tais, era o terror das mães, menos da minha claro, que achava que eu era uma espécie de anjo na terra. Agora troquei a bola pelos livros, a música é a mesma e miúdas, bem, sem comentários.
Trocámos umas palavras e, mais uma vez, tive de ouvir qualquer coisa como "afinal és um bom rapaz". Afinal? Mas o que auguravam para a minha pessoa? Eu era bom aluno, bom miúdo apesar da aura de bad boy (que se esfumou com os anos e que era mais fama que proveito).
E é a segunda vez que ouço isto esta semana, embora neste caso tenha sido de pessoas que apenas me conhecem da vida adulta. Resta-me saber se eu um dia vou chegar à mesma conclusão.
Trocámos umas palavras e, mais uma vez, tive de ouvir qualquer coisa como "afinal és um bom rapaz". Afinal? Mas o que auguravam para a minha pessoa? Eu era bom aluno, bom miúdo apesar da aura de bad boy (que se esfumou com os anos e que era mais fama que proveito).
E é a segunda vez que ouço isto esta semana, embora neste caso tenha sido de pessoas que apenas me conhecem da vida adulta. Resta-me saber se eu um dia vou chegar à mesma conclusão.
21 de julho de 2012
19 de julho de 2012
Companhia ao almoço, por estes dias
NÃO MAIS
Não mais te seguirei a um palco suburbano
como num mês incerto de setenta e três
ou mais exactamente
a ninguém seguirei
seja a que lugar for com o duvidoso
e porventura inútil desígnio do amor
Gastão Cruz, Escarpas
Não mais te seguirei a um palco suburbano
como num mês incerto de setenta e três
ou mais exactamente
a ninguém seguirei
seja a que lugar for com o duvidoso
e porventura inútil desígnio do amor
Gastão Cruz, Escarpas
AdivinhaSão
Pois que ela tinha razão, e eu tinha de ir ver qual era a excitação com a padaria portuguesa que abriu no Chiado. Estava muita gente e muito calor ("ah, é normal, estão 30º na rua", dizem os defensores, eu falo-lhes de uma invenção chamada ar condicionado, mas é impossível argumentar com esta gente), mas o pão de leite é bom, parece que vamos lá mais vezes.
17 de julho de 2012
Santíssima trindade
Se tivesse que dar um título às viagens matinais de comboio durante este período de verão seria "Raparigas giras, maus livros e vestidos curtos".
16 de julho de 2012
Memorial dos impotentes
Melhor do que ir trabalhar numa segunda-feira sem grande vontade, é ficar a trabalhar numa segunda-feira sem grande vontade das 8:50 às 22:10. Isto sim é um dia bem passado.
As últimas horas que passei no balcão (infelizmente cada vez mais raras, mas toma lá que é para não te queixares) deram para constatar o seguinte:
Os espanhóis estão cada vez mais a comprar livros em português, e não são só os galegos que o fazem. Foram vários espanhóis que compraram, desde romances a livros de história. Também vendi livros em português a franceses e italianos, geralmente do Pessoa.
Um cliente inglês comprou TODOS os mapas do Algarve que nós tínhamos. Todos. Novos, antigos, tudo. Dêem-lhe dois ou três dias e ele encontra a Maddie.
O Tony Banza continua a bombar como banda sonora das noites solitárias em livrarias antigas.
Antes disso, acompanhadas pelo sol que se punha, duas miúdas tocavam violino e violoncelo à porta da entrada para o parque subterrâneo, música ideal de fim tarde, capaz de acalmar até pessoas que, vamos supor, estão chateadas porque não lhes apetece trabalhar doze horas.
Um cliente não levou o primeiro volume do Em Busca de Tempo Perdido porque não tínhamos a primeira edição. É, íamos ter a primeira edição do Do Lado de Swann à espera dele. Há gente para tudo.
Saio, está uma noite do caraças, 27º, não fosse o cão e entregava-me à Pensão Amor, mas isto de ter juízo tem que se lhe diga.
15 de julho de 2012
Trauma de infância
Em conversa com uma amiga o tema "matraquilhos" veio à baila. Fiquei em silêncio durante alguns segundos, com imagens de dor e humilhação a passarem-me diante dos olhos humedecidos, para espanto da outra interveniente da conversa. É que matraquilhos é um assunto tabu para a minha pessoa, pois representa um trauma de infância. Durante as férias com os meus primos, fazíamos sempre uma espécie de torneio entre famílias. E o que é que sucedia invariavelmente? Gritos, muitos gritos, porque o menino Ricardo Nuno não tinha (agora tenho, porque tenho um emprego que fica pouco a dever à estiva, parecendo que não as caixas de livros ainda pesam alguns 30kg, e isto quando não andamos a acartar com móveis para os lançamentos...) força nos bracinhos frágeis de pré-adolescente. E então eu e o meu pai éramos sempre eliminados pelas famílias adversárias.
Acho que, se ainda passássemos todos férias juntos, ainda era gajo para tentar, na vã tentativa de uma alegria na vida ao meu pai.
O mais provável era sermos humilhados outra vez.
Halo
Acabei de mandar a minha filha com a avó para o Algarve. Ela adora e vai divertir-se muito com as tias. Sinceramente, não me consigo habituar à ideia de ser pai em part-time. Sei que já passou um ano e meio desde que ela saiu de casa mas não me consigo habituar ao tempo contado. Não sei se um dia vou conseguir. É que depois ela volta, está um fim-de-semana comigo e depois vai com a mãe de férias para fora. Torno-me insuportável. O que vale é que não tenho ninguém para me aturar. Ou então é mesmo por isso.
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