Pingo Doce, Pingo Doce. Pagamentos em MB só acima dos 20€? Onde tens a cabeça, senhor? Sabes que és o meu preferido. Nunca o escondi. Mas, agora, com decisões destas, vamos ter de rever a nossa relação. Tenho alergia a coisas estúpidas, o que queres? Poupar 5 milhões de euros? 5 milhões no universo Pingo Doce é o mesmo que eu começar a poupar 1 cêntimo por mês em gasolina ao deixar o carro dez metros mais atrás todos os dias quando estaciono na estação. Vou sentir a falta do gelado de cheesecake e do gelado de caramelo. Admito que vou. Mas se não voltares atrás na tua decisão, troco-te pelo E.Leclerc. Além de ser mais perto tem a empregada de caixa mais gira do concelho de Cascais. Consegue ter uma música mais irritante, mas pelo menos não vou ter de levantar dinheiro sempre que quiser comprar jantar. Depois o que faria aos trocos? Eu tenho uma filha. Tenho duas irmãs e uma ex-mulher. Eu vi o que elas faziam à carteira dos pais. E os meliantes? Os meliantes estão atentos às notícias. Vai ser vê-los a fazer fila à porta do Pingo Doce, com tanto dinheiro vivo a pulular nas imediações. Se valorizas os teus consumidores voltarás atrás. Algo utópico, eu sei, mas gosto de acreditar.
21 de agosto de 2012
20 de agosto de 2012
Neon bible
É por causa de gente como esta (e quem neles vota...) que eu temo o mundo em que a minha filha está a crescer. O homem diz que em caso de legítima violação (o que raio é uma legítima violação?), o corpo da mulher resolve o problema e não deixa que ela engravide? Isto é a sério?
Drugs are bad, hmmmmkay?
O que é que pode levar alguém que não vou nomear a ligar à minha pessoa e ter a seguinte conversa:
Eu: Então, já 'tás de volta a Portugal?
Ele: Já, meu, claro, olha, liguei por causa duma cena.
Eu: Diz, diz.
Ele: Vais ao G3?
Eu: Aquilo dos guitarristas? Não, não vou.
Ele: Pá... É que o Steve... Vai. O Steve Vai.
Eu: ...
Ele: (RISOS)
Eu: ... Meu, vou trabalhar.
Isto é claramente coisa das drogas.
Eu: Então, já 'tás de volta a Portugal?
Ele: Já, meu, claro, olha, liguei por causa duma cena.
Eu: Diz, diz.
Ele: Vais ao G3?
Eu: Aquilo dos guitarristas? Não, não vou.
Ele: Pá... É que o Steve... Vai. O Steve Vai.
Eu: ...
Ele: (RISOS)
Eu: ... Meu, vou trabalhar.
Isto é claramente coisa das drogas.
O teu mal é sono
Odeio sonhar com pessoas que não conheço, nunca vi na vida e que não partilham qualquer tipo de traços físicos com pessoas que conheço. O pior é que até não me importaria de conhecer. Quase tão mau como isso, também no sonho, era ir ver Arcade Fire no pavilhão atlântico, numa suposta apresentação do álbum novo, e eles terem músicas (não sei porquê tive acesso à setlist...) com nomes como Naruto ou #waves.
19 de agosto de 2012
Catarina Maria #2
- Pai, vi agora Ornatos Violeta nas notícias!
- Eu vi um bocado no Youtube. Já não falta muito para Outubro. Mas olha que eles não tocaram nenhuma música do Cão.
- O quê?!? É o meu preferido! Como é que não tocaram nenhuma?!
- Não tocaram, tocaram o Monstro todo.
- Pai, nós vamos ao concerto, mas se eles não tocarem o Cão eu vou lá bater ao Manuel Cruz e aos amigos.
- ...
Catarina Maria #1
- É injusto.
- O quê, filha?
- Sempre que os amigos do ******** vêm dormir aqui, eu tenho de ir dormir para o sofá.
- ...
- Não gosto, papá...
- É normal, filha, não te chateies por causa disso.
- Não me chateio, é só injusto... Só me chateio porque não tenho bateria no iPod.
- ...
- Estou o dia todo na piscina, e nem posso ouvir música!
- A vida realmente é difícil para uma criança da tua idade.
- O quê, filha?
- Sempre que os amigos do ******** vêm dormir aqui, eu tenho de ir dormir para o sofá.
- ...
- Não gosto, papá...
- É normal, filha, não te chateies por causa disso.
- Não me chateio, é só injusto... Só me chateio porque não tenho bateria no iPod.
- ...
- Estou o dia todo na piscina, e nem posso ouvir música!
- A vida realmente é difícil para uma criança da tua idade.
Say cheese
Como sempre, ir jantar com o gajo que não gosta de queijo e pede as pizzas só com tomate revela-se uma mini aventura. Já nos McDonald's e afins da vida é a mesma coisa: ele pede os hamburgers sem queijo e a pessoa que está na caixa fica sempre uns segundos parado, de dedo no ar, não sabendo bem o que fazer, pedindo incessantemente para ele repetir o pedido na ânsia que este saia, finalmente, de acordo com os parâmetros que ele tão bem tem definidos na sua cabeça. Mas, a insistência continua: hamburger ou pizza sem quejio, esse ingrediente ímpio.
Hoje, lá estava o senhor a carregar no seu ecrãzinho quando ele diz: a minha pizza era sem queijo. A resposta foi um longo silêncio, o dedo apontado ao céu, os olhos a perscrutarem toda as opções, o olhar para o lado na vã esperança de haver um colega ao lado que lhe diga onde é que raio está a opção do sem queijo. Ao silêncio seguiu-se o inevitável: "desculpe, sem queijo?". Ele confirmou, sim, sem queijo, mete lá todos os ingredientes menos o queijo. "Sem queijo? Hm.". Sem queijo. "Ok, sem queijo...". Ele vira-se para trás e diz, aos berros, para o cozinheiro: "O pedido três é sem queijo! Sem queijo". Depois volta ao seu ecrã, volta a ficar confuso, lá clica em qualquer coisa e cobra-nos: "Uma pizza, mais uma pizza... Sem queijo...".
Ficámos à espera, os pedidos especiais dele demoram mais tempo. E, qual foi o resultado? Aliás, qual é SEMPRE o resultado?
Chega a pizza dele... E tem queijo. Sempre.
18 de agosto de 2012
Atenção aí à ligação
Sou chamado a abandonar a minha sauna privada, que é como quem diz o meu gabinete, porque, aparentemente, uma senhora queria trocar umas palavras comigo, senhora essa que está a realizar um mestrado ou pós-graduação ou algo do género que o livreiro em questão não soube precisar apesar da senhora o ter mencionado com algum detalhe mas já se sabe como são estes livreiros, a partir da expressão "falar com o gerente" já não ouvem mais nada.
Estando eu deveras ocupado (a fazer um orçamento para uma empresa que faz feiras do livro em Angola, o que é especialmente divertido tendo em conta que a lista deles era baseada em edições brasileiras, ou seja, tínhamos o "Sol nasce para todos" (Mataram a cotovia), o "Caçador de Pipas" (O menino de Cabul), "Jogos da Voragem" (Jogos da Fome), "O apanhador no campo de centeio" (À espera no centeio), e por aí fora), pensei duas vezes em ir lá falar com a pessoa.
No entanto, arrastado pela consciência lá fui, embalado pela esperança de, como quase sempre, estas estudantes dos mestrados e coisas que tais serem meninas inteligentes e bem formadas. Rigidez corporal e desenvoltura física? São palavras vossas, eu não disse nada.
Não era o caso. E era para falar de cópias ilegais de livros e seus derivados. O mais curioso era ela a falar comigo, e estar sempre a passar um cliente habitual nosso que fala sozinho (mesmo quando fala com outros seres humanos é como se falasse sozinho, visto que ninguém o percebe) e eu completamente alheado dele. Já ela ia parando o discurso, olhando para o lado enquanto o via a olhar para pormenores na parede enquanto falava de "ligações", voltando depois o olhar para mim estupefacta por eu nem sequer ligar à presença dele na sala.
Eventualmente ela diz-me "desculpe, aquele senhor está ali a falar com a parede, já tinha reparado?", ao que eu respondo "ah, eu só lhe digo qualquer coisa quando ele vem com as calças rasgadas e o rabo à mostra e assusta os clientes". Não percebo porque é que ela se despediu apressadamente e se foi embora.
17 de agosto de 2012
Finalmente terminei o "Lolita"
Aquilo causava-me algum desconforto. Boa literatura, admito, mas desconfortável. E fiquei algo desiludido: em momento algum vi referências ao processo Casa Pia e ao Carlos Cruz. Pelo lado positivo, também não havia sinal da Felícia Cabrita.
Agora segue-se o "Belos Cavalos", do McCarthy. Conhecendo o velho Cormac até tenho pena dos cavalos. E de toda a gente que entrar no livro, basicamente.
16 de agosto de 2012
Alguém me pode explicar...
Porque raio o ex-marido da Maria Rueff, aquele que tenta ser engraçadinho na rua, andava hoje a gritar ao lado dos gajos da Chronopost que tentavam entregar 70 caixas na minha loja? Só naquela, gostava de saber.
Hand of reason
Chamaram-me para falar com um cliente que queria fazer uma encomenda avultada. Eu já conhecia o processo, portanto, na ânsia de não perder esta venda, saltei da cadeira e acompanhei a livreira até ao dito senhor. Vou eu todo lançado, apresento-me e estendo a mão na direcção da mão direita do cliente quando, a meio do movimento, vejo que ele tem um braço postiço. Aqui começa tudo a desenrolar-se em câmara lenta, eu a ver que não consigo impedir o movimento do braço, a olhar para o braço postiço e a pensar que tipo de movimento poderia fazer para que aquilo parecesse casual e que eu não tinha reparado que o senhor tinha uma prótese, era tarde demais, pensei eu, até que o cliente com a mão oposta apanha a minha em pleno movimento e nós damos o aperto de mão mais embaraçoso e estranho de que há memória, mão esquerda com mão direita.
Claro que depois passei a conversa toda a pensar que não podia dizer frases como "o colega entregou-me isto em mãos" ou "o seu processo está em boas mãos".
13 de agosto de 2012
Na minha cabeça faz sentido
Estou cansado de fingir. Cansado. De não admitir. Porque fingirei eu que não sinto uma coisa que é uma âncora de dimensões homéricas, quando a sinto, foda-se, se a sinto. E é normal senti-lo. Mas, não admiti-lo faz-me acreditar, acho eu, não sei, se há coisa que compreendo mal sou eu próprio, que talvez passe mais depressa o tempo que estou sem ela, o tempo em que não a ouço a rir, em que não a ouço pedinchar qualquer coisa, em que não tenho mimos de uma espontaneidade que desarma o mais frio dos corações e o mais distante dos pensamentos, e, se, vergonha de pai, às vezes os meus pensamentos estão distantes. E todas as vezes em que caminhamos à saída do carro, aqueles escassos metros até casa, ela a subir as escadas do prédio e a voltar-se para trás, toda sorrisos, afinal está de regresso a casa, sabe que vai ter um cão louco a saltar-lhe para cima, e, para ela, o mundo finda naqueles poucos metros quadrados, tudo o que é e tudo o que vai ser está naquele sítio, numa entrada ventosa de um prédio, e eu, eu já deixei tantos bocados de mim por aí, e custa-me concentrar-me no que realmente importa naquele momento. Porque a sensação, e como é duro, é que quanto mais perto estou mais sou recordado de que é algo que nunca vou ter novamente, na medida certa, na medida que devia ser. E agora, agora, temos mais três semanas de separação... E eu a passar o dia como se nada fosse, as desculpas que invento para não pensar nisso, mas, o telefone toca a avisar a chegada sã e salva ao seu destino, e eis que tudo o que se planeia se desfaz com uma facilidade alarmante.
E assim, aqui estou eu: a viver novamente em contagem decrescente.
Note to self
Tive uma agradável conversa sobre literatura com um turista holandês, em inglês, e realmente o meu inglês já teve melhores dias. É terrível um gajo estar a falar e estar a perceber mentalmente que aquilo não está a soar muito bem, especialmente quando discursamos sobre literatura pós-colonial e traumas de guerra.
12 de agosto de 2012
Faz falta uma mulher cá em casa
Para secar o cabelo à Catarina. Criei a criatura desde que nasceu, e, devido a uma questão de horários e proximidade do local de trabalho (e posteriormente por motivos menos nobres...), fiquei eu responsável por comidas e banhos e vestuários, e, modéstia à parte, fazia tudo bastante bem. Excepto secar-lhe o cabelo. Abomino. Prefiro mil vezes cozinhar e lavar o chão e limpar o pó do que ter de lhe secar o cabelo. Uma pessoa está ali a abanar o secador, e depois ela mexe-se demasiado, diz que está quente, mariquinhas, e depois, ocasionalmente (ocasionalmente, atenção) eu dou-lhe assim ao de leve com o secador na cabeça, e ela, mimada, queixa-se, é só um secador a ferver, não é caso para tanto, e depois o cabelo enrola-se todo e custa a desembaraçar e depois um faço "um bocadinho" de força e ela choraminga mais um bocado, enfim, secar-lhe o cabelo é coisa para me tirar do sério, embora, por vezes, nem eu perceba bem porquê.
Nunca o título "A Bola" foi tão apropriado
Como leitor assíduo d'A Bola, já há algum tempo que sigo a rubrica "A Bola de Estrelas". Aqui, colocam fotos de mulheres de jogadores de futebol, atletas femininas, etc, geralmente bastante despedidas. Se pensam que eu sigo a dita rubrica por causa dos atributos das senhoras em questão, estão 30% certos. O grande entretenimento deste segmento são os comentários de quem coloca as fotos, e depois as respostas dos "leitores". Geralmente começam com informações biográficas sobre as visadas, e depois descambam para coisas deste género:
O que depois leva a comentários do tipo:
Isto é serviço público.
11 de agosto de 2012
Omega white
Realmente o Manson parece-me ser a pessoa ideal para analisar a performance olímpica dos colombianos. Só naquela, vou-lhe perguntar o que ele achou da cena do Luisão com o árbitro.
Browneyed girl
Porque é que eu não fico da cor da minha filha?
Ela apanha dois raios de sol ao princípio da manhã e fica assim.
Ela apanha dois raios de sol ao princípio da manhã e fica assim.
E ando eu a ler o Lolita...
... Quando podia andar a ler isto. Destas coisas ninguém me recomenda para ler. É para ver os amigos que tenho. "Viveu fechada com vacas e só sabe mugir"? Nabokov, devias ter posto os olhos nisto enquanto ainda eras vivo.
10 de agosto de 2012
All I want for christmas
Hoje íamos a subir a rua quando, uns metros à nossa frente, sai da Casa da Sorte um gajo vestido de Pai Natal, gorro e tudo, mochila às costas, barbas e cabelo grisalho verdadeiro, todo desgrenhado, sujo, fato sujo também e, toque final de classe, óculos brancos à Jackie O. O melhor? Só os estrangeiros é que desviavam o olhar. Claro que surgiram logo teorias: o gajo tinha ido levantar um prémio à Casa da Sorte. Claro, porque um gajo vestido de Pai Natal em pleno verão, com 31º, não chama nada, mas absolutamente nada, a atenção das pessoas.
9 de agosto de 2012
Unrest
É engraçado quando te vês a falar durante dez segundos no Bom-dia Portugal e pensas durante esse tempo se a intérprete de língua gestual não foi posta lá por tua causa. Sempre sonhei aparecer no Bom-dia Portugal, sou uma pessoa mais completa hoje em dia. Ah, e a falar do 50 Sombras de Gray, ainda por cima. Que momento de glória. Mas ao contrário.
8 de agosto de 2012
7 de agosto de 2012
All night long
Aparentemente acordar as sete da manhã tem efeitos nocivos no meu desempenho profissional. Especialmente se a última vez que acordei foi às sete da manhã mas do dia de ontem.
6 de agosto de 2012
A sério, podem parar
Eu já percebi que já passou a reportagem na televisão, podem parar de me enviar fotos das tvs (com lindos resultados, permitam-me acrescentar...) para eu "ver". Caríssimas, eu já vi, aliás, parecendo que não, eu estava lá.
5 de agosto de 2012
4 de agosto de 2012
Em arrumações...
... Encontram-se coisas incríveis. Não me lembrava que tinha ficado com a edição especial do primeiro de álbum de System of a Down (da minha ex-mulher, ainda por cima), assinado pelos quatro, quando deram o concerto cá em Cascais, a abrir para Slayer e Sepultura. Maravilha.
Hypnotize
Eu: Ando um bocado desfasado do tempo, comecei agora a ouvir White Stripes.
Ela: Boa, eu tenho só um álbum deles.
Eu: Qual?
Ela: Um de capa vermelha.
Eu: Ya...
Ela: Boa, eu tenho só um álbum deles.
Eu: Qual?
Ela: Um de capa vermelha.
Eu: Ya...
2 de agosto de 2012
Suprema ironia
É ligarem para o meu telefone pessoal de um número não identificado e, do outro lado, estar um gajo com voz tipo gente rude do campo a perguntar: "Tou?! É da FNAC?". Pensei logo que era algum amigo brincalhão com pouco amor pela vida, armado em engraçadinho e a brincar com coisas demasiado sérias. Estive tentado a responder com todos os palavrões que conheço, fazendo inclusive combinações nunca antes imaginadas. Mas, controlei-me. E não é que era um gajo de uma transitária que estava a tratar de um processo nosso? "Amigo," disse ele, "deram-me o seu número para tratar aqui duns livros, num é da FNAC?". Não, não é. Pelo menos, por enquanto. Façam-me uma proposta e eu logo vejo.
1 de agosto de 2012
Goodfellas
Hoje pagaram-me uma compra de 8200€ em livros (sim, eu repito, por extenso, oito mil e duzentos euros em livros) com maços de notas de 50€. Eu ali sentado na minha secretária, com o cliente à frente, a contar as notas nos maços. E depois a ir ao banco, a atravessar a rua com aquele dinheiro todo no bolso, medo. E o homem do banco a passar as notas na máquna e eu "mau, se é alguma falsa...". Mas, não, correu tudo bem. E fiz dois dias de vendas numa manhã. Nada mau.
Já tinham saudades
- Pai, sabias que a tia ******* tem uma piscina?
- Sabia.
- E nunca me tinhas dito...
- Ela tem porque é casada com o teu pediatra. Isso é que era uma boa profissão para ti, quando cresceres.
- Sim, quando crescer quero ser secretária do médico!
- ... Filha, o médico é que ganha o dinheiro para ter a piscina, não é a secretária.
- É a mulher dele, é a mesma coisa. E está ali sentada o dia todo.
- ...
31 de julho de 2012
Se eu não ficar perto
Porque é que a parte a partir do minuto 1:36 ainda me dá arrepios, todo este tempo depois, todos os sítios, todas as estradas mal iluminadas, comboios cheios, comboios vazios, recintos grandes, recintos pequenos, em cima do palco, na zé dos bois, no alive, no ccb, no dolce vita tejo, no ritz, para sempre no ritz, no carro com unhas laranja a puxarem-me a camisa, com uma cabeça no colo, com os olhos dela nos meus, saídas do carro mais demoradas do que seria suposto, esperas à porta do trabalho, silêncios que não se deviam prolongar e muito menos recordar, a primeira vez que ouvi, a primeira vez ao vivo, a primeira vez em vinil, no carro nas piores alturas, em casa nas melhores. Sempre, no fundo.
Fala de sexo e de gajas malucas, o livro
Estava cheio de piadinha, não estava? Pois não é que hoje recebo um telefonema da directora de comunicação a dizer que determinado canal queria fazer uma peça sobre os livros do verão, e, como a imagem dela está muito ligada às chancelas por onde passou, achou por bem ser eu a falar com o determinado canal. E avisou-me logo: vou ter de falar do livro incontornável do verão, esta coisa. Logo agora que aparei demasiado a barba. Ainda por cima, já sei que vai ser "um" jornalista e não "uma" jornalista, como costuma tão agradavelmente ser. Bem, pode ser que desta vez eu diga algo com sentido.
Overreacting
O namorado da minha irmã adolescente adicionou-me no facebook. Será que estão a planear casar-se?
Por estes dias
Vive-se com o medo de a coincidência de encontrar uma pessoa no comboio, naquela carruagem, naquela hora, quinta-feira, sexta-feira, ontem, hoje, tenha deixado de ser uma apenas uma coincidência.
Ocean of noise
Hoje é um daqueles dias em que tinha tantos assuntos sobre os quais escrever e acabo por não conseguir escrever sobre nenhum.
29 de julho de 2012
Decidam-se
Há um ano atrás:
- Falas muito na tua ex-mulher, claramente ainda gostas dela, não ultrapassaste isso.
Hoje em dia:
- Nunca falas da tua ex-mulher, deves ter isso recalcado, ainda gostas dela.
...
Porquê, meu Deus, porquê?
28 de julho de 2012
E para ajudar à festa...
... A minha PS3 morreu. Realmente era a motivação que faltava para arranjar isto. Um verdadeiro chick magnet.
Mas ao contrário.
Mas ao contrário.
Coffee break
Quem precisa de ver os jogos olímpicos quando posso ver aqui uma quantidade de sul asiáticos a tentar apanhar os melhores bolos e o café mais quentinho? Isto é sul asiáticos e mulheres louras. Não consigo explicar. Agora também há senhores com ar de quem deixaram uma vida corporativa num país desenvolvido e agora são carecas à frente e usam rabo de cavalo atrás, ostentam uma desgrenhada barba e vivem numa cabana no Laos, a comer bambu e a falar com os peixes do rio.
Dá-se aconselhamento literário e conjugal
Tenho uma banca montada no auditório de uma qualquer universidade em LIsboa. Vou vender zero livros. Só tenho livros em português e isto é tudo gente que, na melhor das hipóteses, fala inglês. Tendo em conta que veio tudo ali dos lados da Ásia até faz algum sentido. Se tiverem fobia de pessoas que parecem terroristas paquistaneses não se aproximem disto. Fica o aviso. Já percebi que são cinco horas de tortura que vou aqui passar, portanto vou aproveitar para ler o Lolita. As voluntárias do congresso são muito simpáticas. E muito novas. Talvez seja melhor não ler o Lolita. Atenção, novas tipo mais de 21 e menos de 25. Para mim são novas. Eu sou velho de coração.
Não há ninguém no chat do facebook nem do gmail. Estou a pensar em começar a acordar uma quantidade de gente para me fazer companhia. É sábado de manhã, parece-me totalmente adequado.
27 de julho de 2012
Shoot straight and tell the truth
Dia do caraças. E ir trabalhar amanhã de manhã, para uma feira de livros num congresso? Maravilha.
Saltos inversamente proporcionais a saias e egos
É natural que a pessoa que foi tomar café contigo hoje de manhã olhe para ti de lado quando começas uma frase com "Então, estava eu a comer frango panado num restaurante de sushi em Odivelas...".
Já agora, qual é a cena com certas mulheres, quando falam entre elas, de começarem e terminarem as frases com "amiga"? É que mais dois "amiga" naquele jantar e eu tinha espetado os pauzinhos chineses nos olhos. De qualquer forma deve ser a única coisa útil que consigo fazer com eles, porque comer está quieto.
26 de julho de 2012
Shô, crianças, longe
Recebi hoje a visita de um ex-livreiro, actual colega como gerente, que andava a passear na baixa com o filho de oito meses. O pequeno Manuel (esteve para ser Dante, isso sim, um nome viril) é um boneco da Michelin em ponto pequeno, espertalhão, vivaço, mas capaz de rebolar até ao rio sem grandes dificuldades. E o raio do miúdo não parava de olhar para mim. Eu, com a minha atitude do "pft, crianças, longe, já tive uma, já me chega". Mas o demoníaco crianço redondinho lá esticava os braços para mim e eu lá tive de pegá-lo, com o meu inegável jeito para crianças. E ele lá ficou, maravilhado, ao meu colo. E eu meio derretido, vá. Meio.
Agora à tarde, durante o lançamento, andava outro bebé, desta feita uma menina, na brincadeira com uma mulher jovem e sorridente que claramente ainda não passou pelos horrorres da maternidade, a esconder-se atrás das cadeiras e a fugir, naquela maneira patusca que só eles, pelo meio das pessoas. E eu continuava, "pft, crianças, longe". Até que a mãe apareceu e trouxe-a para mais perto do local onde eu estava, e ela estava sempre a tentar caminhar, de mão dada com a mãe, na minha direcção. E eu "shô, criança, longe". E aí a mãe pega nela para se dirigir para a saída, e a bebé mal chega ao colo da mãe acena desajeitadamente. E eu fiquei meio derretido. Meio.
O problema é que dois meios dão uma coisa inteira, pelo menos normalmente, e eu agora estou cheio de saudades da minha filha (ainda para ajudar, assim daquelas coisas que nunca esperamos, estão dois colegas da Catarina a assistir ao lançamento...) e realmente até nem me importava de ter um novo bicho em casa. Sempre era mais um para ajudar a tratar do cão. Ou dois, vá, porque para ter uma criança convém arranjar uma mulher. A não ser que faça como o Elton John. Nota-se que estou a trabalhar há demasiadas horas seguidas? Nada.
Está tudo dito...
... Em relação ao ridículo de uma situção, quando o Relvas já é usado como piada em apresentações de livros sobre curiosidades científicas. A saber, dito pelo apresentador: "as autoras dizem que através da composição da água conseguimos saber aproximadamente a idade da terra. Portanto, é só irem à praia e tomarem um pirulito e ficam com um curso de geologia. Ei, um pirulito vale mais do que quatro cadeiras!".
25 de julho de 2012
Hard to get around the wind
Só no sítio onde trabalho é que entra alguém no nosso gabinete a dizer que há uma pessoa que deseja falar connosco e que essa pessoa é um "poeta-fadista" castiço. Lá fui conhecer o poeta-fadista, meio contrariado, confirmei a parte do castiço. O poeta-fadista queria ter um livro dele lá à venda, era para ele um sonho. Falou-me do seu livro. Tem fados e poemas, diz ele. Sozinho não tinha chegado lá. E tem um fado muito bonito contra a pedofilia, acrescentou. Medo, passemos à frente.
Se há dias em que concretizamos pequenos sonhos há outros em que os desfazemos. E a minha frieza em termos de funcionamento institucional deixou-o derrotado, e isto custa-me, dói-me, eu, idealista, pessoa que acredita para lá do expectável. E o senhor, sempre sorridente e simpático, a oferecer-me margens na ordem dos 75%, e, mesmo perante as minhas recusas em aceitar o livro na hora, continuava a sorrir e a contar histórias da livraria e de como era o maior sonho dele ver o livro dele lá exposto. Claro que o aconselhei sobre a maneira mais fácil de o fazer, mas o facto de não o poder ajudar mais afectou-me.
True story
- Então chefe, vai sair a horas hoje?!
- Vou levar o meu cão a pastar...
- Ahahah, diga lá a sério.
- Vou levar o meu cão a pastar, a sério.
- Oh, você 'tá sempre a brincar.
- ...
- Vou levar o meu cão a pastar...
- Ahahah, diga lá a sério.
- Vou levar o meu cão a pastar, a sério.
- Oh, você 'tá sempre a brincar.
- ...
24 de julho de 2012
Even flow
Fluir... De Mihaly Csikszkpofkdpokpgokpkgsdhalyi. Isto até para copiar dá pouco jeito. O senhor que recebeu o nome de letras tiradas aleatoriamente de um saco de peças do Scrabble. Desafio-vos a ir a uma livraria perguntar por este livro.
Nota-se muito que, por estarem algumas pessoas de férias, eu tenho que trabalhar com livros a sério, em vez de estar a brincar aos relatórios de gestão?
22 de julho de 2012
Da imagem que transmitimos
Há coisas curiosas nesta vida, ou não, talvez as coisas sejam mesmo assim, talvez seja suposto ser assim, o ciclo da vida como no rei leão. Fui visitar os meus avós e ver o SLB na Benfica tv, coisa que eu não possuo vá se lá saber porquê porque estando o resto da família no Algarve, e com eles já perto dos noventa, convém alguém ir lá ver se está tudo ok.
Enquanto lá estava tocaram à porta, eu fiquei algo surpreso, quem poderia ser a pessoa que me fazia erguer do sofá e deixar um ataque do Benfica a meio, então lá fui, contrariado, abrir a porta, e, surpresa, era a vizinha de cima, que vem cá todos os dias ver se eles estão bem. Esta vizinha de cima é uma senhora na casa dos setenta, talvez, e era uma senhora com quem eu tinha uma das piores relações na minha adolescência, nem que fosse só porque namorei com as duas netas dela, uma delas foi apenas por uns dias, acho que o encanto dos calções curtinhos falou mais alto, mas, verdade seja dita, aquilo estava condenado à partida. Já a outra, foi "a" namorada da adolescência. Nem que seja pelo facto de termos namorado três vezes (e uma delas durante dois anos, o que, para um rapazito como eu era na altura, era um facto assinalável), mais uns quantos contactos de diversa ordem em períodos de interregno entre os namoros oficiais. E além disto, eu tinha uma atitude desafiante perante os velhotes do meu bairro, era o gajo de bola de futebol debaixo do braço a jogar onde e quando não devia, era eu que levava as miúdas para sítios que não devia, ouvia a música barulhenta, na cabeça delas de certeza que fumava e fazia outras coisas que tais, era o terror das mães, menos da minha claro, que achava que eu era uma espécie de anjo na terra. Agora troquei a bola pelos livros, a música é a mesma e miúdas, bem, sem comentários.
Trocámos umas palavras e, mais uma vez, tive de ouvir qualquer coisa como "afinal és um bom rapaz". Afinal? Mas o que auguravam para a minha pessoa? Eu era bom aluno, bom miúdo apesar da aura de bad boy (que se esfumou com os anos e que era mais fama que proveito).
E é a segunda vez que ouço isto esta semana, embora neste caso tenha sido de pessoas que apenas me conhecem da vida adulta. Resta-me saber se eu um dia vou chegar à mesma conclusão.
Trocámos umas palavras e, mais uma vez, tive de ouvir qualquer coisa como "afinal és um bom rapaz". Afinal? Mas o que auguravam para a minha pessoa? Eu era bom aluno, bom miúdo apesar da aura de bad boy (que se esfumou com os anos e que era mais fama que proveito).
E é a segunda vez que ouço isto esta semana, embora neste caso tenha sido de pessoas que apenas me conhecem da vida adulta. Resta-me saber se eu um dia vou chegar à mesma conclusão.
21 de julho de 2012
19 de julho de 2012
Companhia ao almoço, por estes dias
NÃO MAIS
Não mais te seguirei a um palco suburbano
como num mês incerto de setenta e três
ou mais exactamente
a ninguém seguirei
seja a que lugar for com o duvidoso
e porventura inútil desígnio do amor
Gastão Cruz, Escarpas
Não mais te seguirei a um palco suburbano
como num mês incerto de setenta e três
ou mais exactamente
a ninguém seguirei
seja a que lugar for com o duvidoso
e porventura inútil desígnio do amor
Gastão Cruz, Escarpas
AdivinhaSão
Pois que ela tinha razão, e eu tinha de ir ver qual era a excitação com a padaria portuguesa que abriu no Chiado. Estava muita gente e muito calor ("ah, é normal, estão 30º na rua", dizem os defensores, eu falo-lhes de uma invenção chamada ar condicionado, mas é impossível argumentar com esta gente), mas o pão de leite é bom, parece que vamos lá mais vezes.
17 de julho de 2012
Santíssima trindade
Se tivesse que dar um título às viagens matinais de comboio durante este período de verão seria "Raparigas giras, maus livros e vestidos curtos".
16 de julho de 2012
Memorial dos impotentes
Melhor do que ir trabalhar numa segunda-feira sem grande vontade, é ficar a trabalhar numa segunda-feira sem grande vontade das 8:50 às 22:10. Isto sim é um dia bem passado.
As últimas horas que passei no balcão (infelizmente cada vez mais raras, mas toma lá que é para não te queixares) deram para constatar o seguinte:
Os espanhóis estão cada vez mais a comprar livros em português, e não são só os galegos que o fazem. Foram vários espanhóis que compraram, desde romances a livros de história. Também vendi livros em português a franceses e italianos, geralmente do Pessoa.
Um cliente inglês comprou TODOS os mapas do Algarve que nós tínhamos. Todos. Novos, antigos, tudo. Dêem-lhe dois ou três dias e ele encontra a Maddie.
O Tony Banza continua a bombar como banda sonora das noites solitárias em livrarias antigas.
Antes disso, acompanhadas pelo sol que se punha, duas miúdas tocavam violino e violoncelo à porta da entrada para o parque subterrâneo, música ideal de fim tarde, capaz de acalmar até pessoas que, vamos supor, estão chateadas porque não lhes apetece trabalhar doze horas.
Um cliente não levou o primeiro volume do Em Busca de Tempo Perdido porque não tínhamos a primeira edição. É, íamos ter a primeira edição do Do Lado de Swann à espera dele. Há gente para tudo.
Saio, está uma noite do caraças, 27º, não fosse o cão e entregava-me à Pensão Amor, mas isto de ter juízo tem que se lhe diga.
15 de julho de 2012
Trauma de infância
Em conversa com uma amiga o tema "matraquilhos" veio à baila. Fiquei em silêncio durante alguns segundos, com imagens de dor e humilhação a passarem-me diante dos olhos humedecidos, para espanto da outra interveniente da conversa. É que matraquilhos é um assunto tabu para a minha pessoa, pois representa um trauma de infância. Durante as férias com os meus primos, fazíamos sempre uma espécie de torneio entre famílias. E o que é que sucedia invariavelmente? Gritos, muitos gritos, porque o menino Ricardo Nuno não tinha (agora tenho, porque tenho um emprego que fica pouco a dever à estiva, parecendo que não as caixas de livros ainda pesam alguns 30kg, e isto quando não andamos a acartar com móveis para os lançamentos...) força nos bracinhos frágeis de pré-adolescente. E então eu e o meu pai éramos sempre eliminados pelas famílias adversárias.
Acho que, se ainda passássemos todos férias juntos, ainda era gajo para tentar, na vã tentativa de uma alegria na vida ao meu pai.
O mais provável era sermos humilhados outra vez.
Halo
Acabei de mandar a minha filha com a avó para o Algarve. Ela adora e vai divertir-se muito com as tias. Sinceramente, não me consigo habituar à ideia de ser pai em part-time. Sei que já passou um ano e meio desde que ela saiu de casa mas não me consigo habituar ao tempo contado. Não sei se um dia vou conseguir. É que depois ela volta, está um fim-de-semana comigo e depois vai com a mãe de férias para fora. Torno-me insuportável. O que vale é que não tenho ninguém para me aturar. Ou então é mesmo por isso.
14 de julho de 2012
A farewell to arms
Estava eu numa bomba de gasolina, daquelas idiotas em pré-pagamento, acho que se pode dizer muito do desenvolvimento de um local pelas suas bombas de gasolina, mas isto sou eu que também acho que se pode dizer muito de um local pela qualidade da sua loja de discos, na fila para pagar quando sou abordado por uma simpática rapariga para dar o meu nome para ser contactado e fazerem uma simulação de seguro automóvel. Declinei rapidamente com um amigável "já fui cliente. Fui.", e ela fez um olhar abatido e, como era a última pessoa na fila foi-se sentar num banco junto à entrada, com um ar abandonado. Fiquei a olhar para ela uns segundos e senti-me mal, muito mal.
Acabo de pagar e vou a sair, quando ela olha para mim com um arzinho abandonado, mesmo a atirar ao meu coração amolecido pelo tempo e pelas mulheres. Parei, e perguntei-lhe se ela recebia por cada número que arranjasse... Ela disse que sim, esperançosa que eu lhe desse o meu. E eu dei o meu. E o da minha irmã. E de mais uns quantos amigos.
Chego ao carro e decorre a seguinte conversa com a Catarina, que me esperava impacientemente:
- Estava aqui à tua espera há muito tempo! Quem era?
- Era uma senhora dos seg...
- Conheces?
- Não, mas el..
- Se não conheces, porque falaste com ela?
- Porque ela pediu o meu núm...
- E tu deste? Porquê?
- Porq...
- Não interessa, vamos embora.
- ...
Isto vai ser giro daqui para a frente.
McThing
O McDonalds da Abóboda deve ser alguma espécie de ponto de encontro de famílias monoparentais e de emigrantes de férias em Portugal.
Short movies
Estava eu a arrumar o quarto quando entra a Catarina e exclama: "Pai! Tu tens DEZ livros do Gonçalo Tavares!", voltando depois para a sala, sem dizer nada, onde se senta no sofá a ver o Spongebob Squarepants, como se nada fosse. Há coisas que eu não consigo explicar.
13 de julho de 2012
Momento WTF do dia
Estar a voltar do almoço e ver, na esquina da loja, três mulheres a fazer publicidade à ´L'oreal vestidas apenas com algo que se assemelhava em tamanho e forma a um fato de banho (os meus conhecimentos dos nomes de peças de roupa é maravilho, seguramente que aquela peça tem um nome, mas, temos pena, "algo tipo fato-de-banho" vai ter de servir), com metade do rabo de fora, tipo Rita Pereira na Playboy mas em mais despidas.
Jesus H. Christ
Recebi a visita de uma senhora que quer fazer uma parceria no sentido de fazer uns eventos, quer usar o nosso espaço para juntar umas famílias que habitualmente vão à missa, "de altíssimo nível" diz ela, "para lerem umas para as outras, as famílias", acrescenta, e lerem o quê?, pergunto eu, no sentido de perceber se podemos fornecer os livros para esses eventos, e ela responde "Jesus, para lerem sobre Jesus", e aqui eu devo ter feito uma expressão qualquer que deixou a senhora perplexa, porque ela não perdeu tempo e acrescentou "Jesus, Jesus, uma figura história que existiu e que nós, na igreja católica, veneramos, está a ver, Jesus?". Geralmente só vejo Jesus quando vou à Catedral.
Combinação explosiva
Mulher que tu achas (apesar de parecer ser o único a achar isso..) atraente, com um ligeiro sotaque, que percebe de livros e que tem uma maneira de ser muito física, com muito toque e festas nos ombros e braços enquanto fala comigo. É o suficiente para não conseguir articular uma frase como deve ser.
12 de julho de 2012
Money Maker
Cruzei-me ontem com a Merche Romero. Eu subia a Garrett, ela descia, quiçá uma metáfora das nossas carreiras profissionais. E cruzámo-nos ali a meio, ao pé da casa da sorte. Trocámos um olhar, e eu pensei em concretizar um sonho antigo e dizer-lhe: Merches comigo. Mas achei que ela não ia perceber. E além disso ela já teve melhores dias. E eu também.
11 de julho de 2012
This is the end
Frases que um livreiro e duas livreiras conseguem dizer a meio de uma conversa durante a pausa do almoço, ao meu lado, enquanto eu trabalhava:
- o meu peixe suicidou-se.
- não, porque o canário matou a canária, mas depois viveu o resto da vida deprimido.
- os dentes da coelha cresceram demasiado, era deformada, então espetaram-se na parte de cima da boca e a minha tia só reparou quando ela começou a espumar pus pelos olhos e morreu.
- a coisa mais nojenta que já tocou em mim foi a asa de uma borboleta. É mole e peçonhenta.
- o cão anda num psicólogo, acham que está deprimido.
- o papagaio enforcou-se, mas acho que foi acidental. Acho.
Eu disse enquanto trabalhava? Eu queria dizer enquanto eu tentava trabalhar. Não é possível.
10 de julho de 2012
Se podia sonhar com coisas normais...
Podia, claro, podia, seria uma possibilidade numa pessoa normal, mas em mim, aparentemente, nem por isso. Sonhei que uma colega do 7º ano de alguns conhecidos meus (ex-mulher incluída), que por acaso tenho no facebook (acho que nos cruzámos num jantar, upa, upa, quase melhores amigos), estava a morrer de uma doença grave. E morria mesmo, perto do fim do sonho. Uma morte anunciada. E eu a sonhar com isto, a sofrer por ela. Por uma pessoa com quem acho que nunca troquei uma palavra. Ela está neste momento online no chat do facebook. Estou dividido entre dizer "olá, ainda bem que estás viva" ou perguntar "então, como é que é isso aí no inferno? :|"
9 de julho de 2012
Back to work
Voltei ao trabalho, hoje, passado três semanas de férias. Cheguei meia-hora mais cedo, aparentemente o mundo está de férias, não há trânsito até à estação, o comboio vai meio vazio. Entro na loja, chefe já viu isto, percorro os corredores, chefe já viu aquilo, vejo como ficaram as obras, chefe o **** está triste porque não lhe dão trabalho, entro no meu escritório, algures ali debaixo daquele correio todo está a minha secretária, chefe a impressora não funciona.
Há um lançamento, prosa completa do Álvaro de Campos, sim, disto tenho saudade. A representante da editora tem 1,80m, pernas daqui até à Brasileira e tatuagens semi-ocultas. Pois. Vendo um livro destes, a uma senhora de idade. Ainda lhe pisquei o olho mas talvez só resulte depois de ler o livro.
Há um lançamento, prosa completa do Álvaro de Campos, sim, disto tenho saudade. A representante da editora tem 1,80m, pernas daqui até à Brasileira e tatuagens semi-ocultas. Pois. Vendo um livro destes, a uma senhora de idade. Ainda lhe pisquei o olho mas talvez só resulte depois de ler o livro.
Conheço o gajo que faz as reportagens sobre tecnologia da SIC, esteve lá a filmar. Não me deu um iPad. Um gajo pode sempre sonhar. Marco mais uns lançamentos. Escolho uns livros para ler mais tarde.
Estamos de volta.
8 de julho de 2012
Pronto, aqui vamos nós outra vez...
“De um dia para o outro, As Cinquenta Sombras de Grey tornou-se sensação entre o círculo das mães jovens e atraentes (...), com muitas a admitirem que o livro lhes despertou um desejo intenso por sexo com os companheiros.” - The Daily Mail
"
“As Cinquenta Sombras de Grey, romance erótico de uma autora desconhecida, foi descrito como pornografia para mamãs" - The New York Times
Prevejo tempos nefastos para os meus livreiros...
“As Cinquenta Sombras de Grey, romance erótico de uma autora desconhecida, foi descrito como pornografia para mamãs" - The New York Times
Prevejo tempos nefastos para os meus livreiros...
You may say I'm a dreamer
Nunca tenho sonhos de conteúdo ou cariz erótico / sexual. Devo ser a personificação da frase "comigo nem em sonhos".
The perfect drug
Penso que somos todos adultos aqui e um gajo pode ser sincero nestas coisas. Esta tarde decidi fazer aquilo que um homem que vive sozinho, sem mulher, tem que fazer de quando em vez. Sim, é verdade: hoje à tarde passei a ferro.
7 de julho de 2012
Take it or leave it
Pontaria e sorte é um gajo apanhar um emaranhado de pêlo do Link no prédio e deitá-lo fora à saída do prédio e este ser levado pelo vento e entrar na janela da vizinha.
6 de julho de 2012
976-Evil
Eu ainda gostava que alguém me esclarecesse como é que o meu número de telefone privado chega a tanta gente. Estou farto de receber, durante as férias, telefonemas de editoras. E quando os telefonemas são das responsáveis de comunicação por causa de eventos, enfim, eu ainda perdoo. Agora quando recebo telefonemas dos escritórios porque vão enviar uma factura em falta para o e-mail ou outra coisa do género...
5 de julho de 2012
Oh god why
No carro:
Catarina: Pai, já estou a usar soutien!
(quase acidente)
Eu: ...
Catarina: ahahaha, isto foi a melhor frase do dia!
Catarina: Pai, já estou a usar soutien!
(quase acidente)
Eu: ...
Catarina: ahahaha, isto foi a melhor frase do dia!
Chaos A.D.
Como dizia o Bukowsky no Ham on Rye "Chaos AD, disorder unleashed, starting to burn, starting to lynch, silence means death, stand on your feet, inner fear your worst enemy", está tudo louco. Eu sei, eu sei, isto não é o Bukowsky, é o Max Cavalera no Refuse / Resist, mas dizer que se está a citar Bukowski dá melhor aspecto para as miúdas que lêem livros de jeito e que me mantém acordado à noite. A ler. As sortudas.
Como seria de esperar, aprender lições não é comigo, e, mais uma vez, qualquer post que eu faça que mencione a minha ex-mulher torna-se logo numa acesa discussão em caixas de comentários, e-mails e até por sms. Estou disposto a facilitar a coisa, se quiserem também vir falar comigo pessoalmente e dar-me na cabeça com teorias que não lembram ao menino Jesus, e olhem que ele é menino para ter a sua imaginação, é irem ao concerto de Diabo na Cruz hoje e encontrarem a miúda de nove anos que está às cavalitas do pai a gritar "aaaaaaaaai é tão lindo ai é tão liiiiiiiiiiindo". E é, e é.
4 de julho de 2012
Livreiros e o facebook
Livreira: ta td fixe?
Eu: diz q sim, tirando estar sp a receber telefonemas das gajas das editoras q n conseguem ligar p a loja
Livreira: o telefone ta avariado fazemos chamadas mas nao recebemos
ola porca
nao era para si
ahahahahahah
Eu: ahahahah
quem é a porca?
hahahah
Livreira: ahahah era a minha mae...
Eu: ...
Livreira: tou a brincar, era uma amiga!
Eu: diz q sim, tirando estar sp a receber telefonemas das gajas das editoras q n conseguem ligar p a loja
Livreira: o telefone ta avariado fazemos chamadas mas nao recebemos
ola porca
nao era para si
ahahahahahah
Eu: ahahahah
quem é a porca?
hahahah
Livreira: ahahah era a minha mae...
Eu: ...
Livreira: tou a brincar, era uma amiga!
Fim da trilogia
O post de ontem serviu assim como uma espécie de premonição diabólica, pois que o telefone toca à noite e era ela, sob mil e um pretextos, a querer saber da minha vida sentimental e amorosa, e uma pessoa por muito que queira não consegue falar de coisas que não existem, vai daí falámos de tudo e de nada, como sempre, durante demasiado tempo, ela sonhou comigo, eu estava numa orgia com mulheres mascaradas, o normal portanto, repliquei eu, ela estava ainda em choque, pediu-me repetidamente para não me meter em orgias, acho que é um conselho normal para um ex-marido, não percebo nada disto dos divórcios, parece que ela estava na esplanada da praia onde fui ontem à tarde, valha-nos o deus dos desencontros, parece que continua a dizer às pessoas que eu sou a pessoa mais íntegra que ela conhece, eu disse que é difícil ser íntegro quando nos falta um bocado de nós, ela não percebeu, eu também não sou bom a explicar-me portanto deixei passar, ela tem pena que as coisas não tenham resultado com a pessoa que me fazia viajar pelo país, não mais que eu, garanti-lhe, falámos de celulite e como as comparações eram despropositadas porque ela aos vinte e quatro já tinha sido mãe, ainda por cima agora já foi duas vezes já tá acabadinha, isto fui eu que disse, ela apenas riu-se, chamou-me parvo, parece que é uma constante nas pessoas que falam comigo, qualquer dia tiro ilações a sério disto.
3 de julho de 2012
To eve the art of witchcraft
O elevador a chegar e eu a dar aquele último beijo enrolado num abraço, o elevador a parar e eu a virar a esquina do corredor, o passo a acelerar, um adeus que foi um até já, a porta abre-se e sai de lá um oh o teu pai onde está?, ali, onde?, ali, e o meu passo a parar, e os passos atrás de mim e eu a virar-me para trás, e ela mais magra, os trinta ficam-lhe bem, acabada de acordar, vestiste o macacão ao contrário, ela olha para baixo confusa, ahah és tão parvo, até parece que não me conheces, conheço, boas férias, meto os óculos e dou meia volta e saio, diz que há um cão e uma casa vazia à minha espera.
2 de julho de 2012
Memorial
Amanhã vou entregar a Catarina a casa da mãe, apesar de ser alguns dias antes do previsto, não sou capaz de negar a ida da filha para casa da mãe sabendo que se ela não vai uns dias mais cedo eram apenas cinco dias que se viam num mês e meio e isso é pouco, muito pouco, eu não me imagino com tão pouco tempo da minha filha na minha vida, mas é assim a realidade destas coisas, as pessoas fazem escolhas e vivem com elas, outras há que acham que vivem com as escolhas dos outros mas, na realidade, as escolhas foram nossas lá bem atrás, e eu nunca me esqueço disso, e ela hoje, pela primeira vez, confessou saudades da mãe.
Estava com ela desde dia catorze e, tal como nas férias do ano passado, a sensação que fica agora, nesta última noite (ela já dorme, a história do tubarão acompanhada com a viola faz milagres) é de que devia ser sempre assim, sempre, esta palavra que se teima em dizer mas que nunca (ironia) se concretiza, e assim num dia estou a apanhá-la na festa da escola para iniciarmos as férias, abro e fecho os olhos uma vez e pronto, está ela a dormir na véspera de se ir embora, os dias de praia, as idas ao shopping para comprar roupa e trocar cromos, as festas da rã e de tires e os arraiais e tudo o mais, desaparece tudo diante de mim e fica apenas este grande e amargo vazio, e agora vêm aí os dias em que nada parece fazer sentido, em que me vou arrastar pelo tempo, talvez pelo espaço, abrir e fechar livros, ler capítulos sem apanhar nada, a cabeça pode estar cá mas a verdade é que eu leio com a merda do coração.
Estava com ela desde dia catorze e, tal como nas férias do ano passado, a sensação que fica agora, nesta última noite (ela já dorme, a história do tubarão acompanhada com a viola faz milagres) é de que devia ser sempre assim, sempre, esta palavra que se teima em dizer mas que nunca (ironia) se concretiza, e assim num dia estou a apanhá-la na festa da escola para iniciarmos as férias, abro e fecho os olhos uma vez e pronto, está ela a dormir na véspera de se ir embora, os dias de praia, as idas ao shopping para comprar roupa e trocar cromos, as festas da rã e de tires e os arraiais e tudo o mais, desaparece tudo diante de mim e fica apenas este grande e amargo vazio, e agora vêm aí os dias em que nada parece fazer sentido, em que me vou arrastar pelo tempo, talvez pelo espaço, abrir e fechar livros, ler capítulos sem apanhar nada, a cabeça pode estar cá mas a verdade é que eu leio com a merda do coração.
Como entreter a filha antes de ir para a praia
"Escreve poesia", disse-lhe eu, já que ela estava farta da viola e da 3DS. E ela foi-se fechar no quarto. E voltou com isto:
Verão, Inverno
Outono, Primavera
Todos geniais
mas o melhor
de todos é o
Verão / praia
que até se
come uma papaia
E pronto
a história do
Verão feita
num abrir e
fechar de boca.
Verão, Inverno
Outono, Primavera
Todos geniais
mas o melhor
de todos é o
Verão / praia
que até se
come uma papaia
E pronto
a história do
Verão feita
num abrir e
fechar de boca.
30 de junho de 2012
Scary monsters & nice sprites
Gravei um cd para a Catarina ouvir no carro da mãe. Reacção dela:
- Pai, quando andar de carro com a mãe e o mano, vou por Skrillex com o bass no máximo, e vou levantar o volume, até o mano vai ficar estrábico!!
29 de junho de 2012
28 de junho de 2012
Prémio "Ser português é isto"
«Os postes não deixaram que a Seleção fosse mais longe» - Hermínio Loureiro
Momento sexy do dia na praia
Ficar à beira-mar a apanhar a brisa enquanto a Catarina "mergulha" (vamos utilizar este termo para felicidade dela, embora apelidar aquilo que ela faz de mergulhos é de uma liberdade quase poética) a segurar na bola cor-de-rosa e azul bebé da Hello Kitty dela.
Como envergonhar a filha na praia
Gritar "Estou farto deste mundo, Bikini Bottom aqui vou eu" enquanto corro para a água e mergulho. Resulta sempre.
27 de junho de 2012
Lição de Voo
Análise das letras da música pela Catarina, no carro:
- Ele diz "não disse nada, porque nada havia para dizer". Ele podia só dizer "não disse nada". Não era preciso esclarecer porquê.
- Ele diz "não disse nada, porque nada havia para dizer". Ele podia só dizer "não disse nada". Não era preciso esclarecer porquê.
25 de junho de 2012
Hoje deu-me para isto
O título do artigo quase que podia descrever a minha vida. Tem é cinco romances a mais.
(é uma sorte ter livreiras espectaculares que, além de nos aturarem, nos enviam isto por mensagem).
24 de junho de 2012
Now I lay thee down
Aparentemente o único sítio onde não fui ontem era o sítio onde havia o bikini. A Catarina já tem o seu bikini novo todo giraço para o verão, graças à Tezenis. Tamanho, modelo e cores, tudo do agrado da pequena criatura.
23 de junho de 2012
Alice in chains
Hoje tentei (e vamos todos por o nosso ênfase no tentei) comprar um bikini para a Catarina. Ela não gosta de fatos-de-banho, e agora vendem-se umas coisas que são 50%-bikini-50%-top-100%-feias que ela também não gosta. A questão é que corremos todas as lojas de um centro comercial (desde a Primark à Lanidor) e não havia fatos-de-banho para o tamanho dela. Ou pequenos, ou grandes. E feios, muito feios.
É para estas coisas (e para lhe secar o cabelo a seguir ao banho) que dá jeito uma mulher em casa.
Punk moda funk
Alguém me consegue explicar qual é a cena das mães sozinhas com crianças na praia, com óculos tipo aviador, biquinis desadequados para a idade e tatuagens foleiras no fundo das costas / em casos mais extremos nas mamas? Estão em franca proliferação.
22 de junho de 2012
Dream on
Ontem, a meio de um sonho em que perseguia algo que nunca conseguia alcançar, voltei a estar no sétimo andar de um prédio que aparece recorrentemente nos meus sonhos. Não faço ideia que prédio é, onde é, nada. Conheço o corredor que dá para o elevador, sei que é um sétimo andar porque é o número que aparece marcado quando ele chega. E depois carrego no zero sabendo já de antemão que o elevador faz uma espécie de queda livre até ao zero, parando mesmo no último segundo antes de bater. Na queda ele ainda oscila, a coisa vai completamente descontrolada. Nos outros sonhos em que este elevador e sétimo andar apareceram a sensação era sempre a mesma. Eu com medo de entrar no elevador e a carregar no botão, e esperar, numa ânsia brutal, que este caia violentamente. Eu depois saio do elevador, quase como se não fosse nada (a não estar em pânico por dentro, mas isso para o transeunte anónimo é indiferente).
Isto será uma metáfora para alguma coisa na minha vida? Depois estes sites sobre sonhos, é só resultados contraditórios, se uma pessoa já não pode confiar em sites manhosos brasileiros de interpretação de sonhos não sei que mundo é este em que vivemos. Se em alguns sites descer no elevador significa conquistar fortuna através de muito trabalho, já noutros é sinónimo de perder o controlo dos sentimentos ou coisas nefastas em termos profissionais.
Eu acredito mais nos primeiros, parece-me gente mais séria.
21 de junho de 2012
Cruelty and the beast
1:38 da manhã de ontem recebo uma sms da ex-mulher a lembrar que às 9:30 tinha de ir buscar as notas da nossa filha. Respondo-lhe a confirmar que está tudo controlado e que estou espantado por ela estar acordada a estas horas. Ela responde-me "virei morcego, meu amor ahahah e estou com o período pela primeira vez desde que pari, estou a esvair-me em sangue, achei importante partilhar". Eu devo ter feito mal a alguém, só pode.
And justice for all...
Eu tenho um fascínio pela Paula Teixeira da Cruz. É isto. Tinha que desabafar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

























