8 de agosto de 2012

7 de agosto de 2012

All night long

Aparentemente acordar as sete da manhã tem efeitos nocivos no meu desempenho profissional. Especialmente se a última vez que acordei foi às sete da manhã mas do dia de ontem. 

6 de agosto de 2012

A sério, podem parar

Eu já percebi que já passou a reportagem na televisão, podem parar de me enviar fotos das tvs (com lindos resultados, permitam-me acrescentar...) para eu "ver". Caríssimas, eu já vi, aliás, parecendo que não, eu estava lá.

5 de agosto de 2012

Settle for nothing

A Catarina não dorme cá em casa desde o dia 14/7. Isto explica muita coisa.


4 de agosto de 2012

Em arrumações...

... Encontram-se coisas incríveis. Não me lembrava que tinha ficado com a edição especial do primeiro de álbum de System of a Down (da minha ex-mulher, ainda por cima), assinado pelos quatro, quando deram o concerto cá em Cascais, a abrir para Slayer e Sepultura. Maravilha.


Hypnotize

Eu: Ando um bocado desfasado do tempo, comecei agora a ouvir White Stripes.
Ela: Boa, eu tenho só um álbum deles.
Eu: Qual?
Ela: Um de capa vermelha.






Eu: Ya...

2 de agosto de 2012

Suprema ironia

É ligarem para o meu telefone pessoal de um número não identificado e, do outro lado, estar um gajo com voz tipo gente rude do campo a perguntar: "Tou?! É da FNAC?". Pensei logo que era algum amigo brincalhão com pouco amor pela vida, armado em engraçadinho e a brincar com coisas demasiado sérias. Estive tentado a responder com todos os palavrões que conheço, fazendo inclusive combinações nunca antes imaginadas. Mas, controlei-me. E não é que era um gajo de uma transitária que estava a tratar de um processo nosso? "Amigo," disse ele, "deram-me o seu número para tratar aqui duns livros, num é da FNAC?". Não, não é. Pelo menos, por enquanto. Façam-me uma proposta e eu logo vejo.

1 de agosto de 2012

Goodfellas

Hoje pagaram-me uma compra de 8200€ em livros (sim, eu repito, por extenso, oito mil e duzentos euros em livros) com maços de notas de 50€. Eu ali sentado na minha secretária, com o cliente à frente, a contar as notas nos maços. E depois a ir ao banco, a atravessar a rua com aquele dinheiro todo no bolso, medo. E o homem do banco a passar as notas na máquna e eu "mau, se é alguma falsa...". Mas, não, correu tudo bem. E fiz dois dias de vendas numa manhã. Nada mau.

Já tinham saudades

- Pai, sabias que a tia ******* tem uma piscina?
- Sabia. 
- E nunca me tinhas dito...
- Ela tem porque é casada com o teu pediatra. Isso é que era uma boa profissão para ti, quando cresceres.
- Sim, quando crescer quero ser secretária do médico!
- ... Filha, o médico é que ganha o dinheiro para ter a piscina, não é a secretária.
- É a mulher dele, é a mesma coisa. E está ali sentada o dia todo. 
- ...

31 de julho de 2012

Se eu não ficar perto

Porque é que a parte a partir do minuto 1:36 ainda me dá arrepios, todo este tempo depois, todos os sítios, todas as estradas mal iluminadas, comboios cheios, comboios vazios, recintos grandes, recintos pequenos, em cima do palco, na zé dos bois, no alive, no ccb, no dolce vita tejo, no ritz, para sempre no ritz, no carro com unhas laranja a puxarem-me a camisa, com uma cabeça no colo, com os olhos dela nos meus, saídas do carro mais demoradas do que seria suposto, esperas à porta do trabalho, silêncios que não se deviam prolongar e muito menos recordar, a primeira vez que ouvi, a primeira vez ao vivo, a primeira vez em vinil, no carro nas piores alturas, em casa nas melhores. Sempre, no fundo.


Fala de sexo e de gajas malucas, o livro

Estava cheio de piadinha, não estava? Pois não é que hoje recebo um telefonema da directora de comunicação a dizer que determinado canal queria fazer uma peça sobre os livros do verão, e, como a imagem dela está muito ligada às chancelas por onde passou, achou por bem ser eu a falar com o determinado canal. E avisou-me logo: vou ter de falar do livro incontornável do verão, esta coisa.  Logo agora que aparei demasiado a barba. Ainda por cima, já sei que vai ser "um" jornalista e não "uma" jornalista, como costuma tão agradavelmente ser. Bem, pode ser que desta vez eu diga algo com sentido.

Overreacting

O namorado da minha irmã adolescente adicionou-me no facebook. Será que estão a planear casar-se?

Por estes dias

Vive-se com o medo de a coincidência de encontrar uma pessoa no comboio, naquela carruagem, naquela hora, quinta-feira, sexta-feira, ontem, hoje, tenha deixado de ser uma apenas uma coincidência.

Ocean of noise

Hoje é um daqueles dias em que tinha tantos assuntos sobre os quais escrever e acabo por não conseguir escrever sobre nenhum.

29 de julho de 2012

Decidam-se

Há um ano atrás:
- Falas muito na tua ex-mulher, claramente ainda gostas dela, não ultrapassaste isso.
Hoje em dia:
- Nunca falas da tua ex-mulher, deves ter isso recalcado, ainda gostas dela.

... 
Porquê, meu Deus, porquê?

28 de julho de 2012

E para ajudar à festa...

... A minha PS3 morreu. Realmente era a motivação que faltava para arranjar isto. Um verdadeiro chick magnet.



Mas ao contrário.

Coffee break

Quem precisa de ver os jogos olímpicos quando posso ver aqui uma quantidade de sul asiáticos a tentar apanhar os melhores bolos e o café mais quentinho? Isto é sul asiáticos e mulheres louras. Não consigo explicar. Agora também há senhores com ar de quem deixaram uma vida corporativa num país desenvolvido e agora são carecas à frente e usam rabo de cavalo atrás, ostentam uma desgrenhada barba e vivem numa cabana no Laos, a comer bambu e a falar com os peixes do rio.

Dá-se aconselhamento literário e conjugal

Tenho uma banca montada  no auditório de uma qualquer universidade em LIsboa. Vou vender zero livros. Só tenho livros em português e isto é tudo gente que, na melhor das hipóteses, fala inglês. Tendo em conta que veio tudo ali dos lados da Ásia até faz algum sentido. Se tiverem fobia de pessoas que parecem terroristas paquistaneses não se aproximem disto. Fica o aviso. Já percebi que são cinco horas de tortura que vou aqui passar, portanto vou aproveitar para ler o Lolita. As voluntárias do congresso são muito simpáticas. E muito novas. Talvez seja melhor não ler o Lolita. Atenção, novas tipo mais de 21 e menos de 25. Para mim são novas. Eu sou velho de coração.
Não há ninguém no chat do facebook nem do gmail. Estou a pensar em começar a acordar uma quantidade de gente para me fazer companhia.  É sábado de manhã, parece-me totalmente adequado.

27 de julho de 2012

Best friend forever


Shoot straight and tell the truth

Dia do caraças. E ir trabalhar amanhã de manhã, para uma feira de livros num congresso? Maravilha.

Saltos inversamente proporcionais a saias e egos

É natural que a pessoa que foi tomar café contigo hoje de manhã olhe para ti de lado quando começas uma frase com "Então, estava eu a comer frango panado num restaurante de sushi em Odivelas...".
Já agora, qual é a cena com certas mulheres, quando falam entre elas, de começarem e terminarem as frases com "amiga"? É que mais dois "amiga" naquele jantar e eu tinha espetado os pauzinhos chineses nos olhos. De qualquer forma deve ser a única coisa útil que consigo fazer com eles, porque comer está quieto.

26 de julho de 2012

Shô, crianças, longe

Recebi hoje a visita de um ex-livreiro, actual colega como gerente, que andava a passear na baixa com o filho de oito meses. O pequeno Manuel (esteve para ser Dante, isso sim, um nome viril) é um boneco da Michelin em ponto pequeno, espertalhão, vivaço, mas capaz de rebolar até ao rio sem grandes dificuldades. E o raio do miúdo não parava de olhar para mim. Eu, com a minha atitude do "pft, crianças, longe, já tive uma, já me chega". Mas o demoníaco crianço redondinho lá esticava os braços para mim e eu lá tive de pegá-lo, com o meu inegável jeito para crianças. E ele lá ficou, maravilhado, ao meu colo. E eu meio derretido, vá. Meio.
Agora à tarde, durante o lançamento, andava outro bebé, desta feita uma menina, na brincadeira com uma mulher jovem e sorridente que claramente ainda não passou pelos horrorres da maternidade, a esconder-se atrás das cadeiras e a fugir, naquela maneira patusca que só eles, pelo meio das pessoas. E eu continuava, "pft, crianças, longe". Até que a mãe apareceu e trouxe-a para mais perto do local onde eu estava, e ela estava sempre a tentar caminhar, de mão dada com a mãe, na minha direcção. E eu "shô, criança, longe". E aí a mãe pega nela para se dirigir para a saída, e a bebé mal chega ao colo da mãe acena desajeitadamente. E eu fiquei meio derretido. Meio.
O problema é que dois meios dão uma coisa inteira, pelo menos normalmente, e eu agora estou cheio de saudades da minha filha (ainda para ajudar, assim daquelas coisas que nunca esperamos, estão dois colegas da Catarina a assistir ao lançamento...) e realmente até nem me importava de ter um novo bicho em casa. Sempre era mais um para ajudar a tratar do cão. Ou dois, vá, porque para ter uma criança convém arranjar uma mulher. A não ser que faça como o Elton John. Nota-se que estou a trabalhar há demasiadas horas seguidas? Nada.

Está tudo dito...

... Em relação ao ridículo de uma situção, quando o Relvas já é usado como piada em apresentações de livros sobre curiosidades científicas. A saber, dito pelo apresentador: "as autoras dizem que através da composição da água conseguimos saber aproximadamente a  idade da terra. Portanto, é só irem à praia e tomarem um pirulito e ficam com um curso de geologia. Ei, um pirulito vale mais do que quatro cadeiras!".

25 de julho de 2012

Hard to get around the wind

Só no sítio onde trabalho é que entra alguém no nosso gabinete a dizer que há uma pessoa que deseja falar connosco e que essa pessoa é um "poeta-fadista" castiço. Lá fui conhecer o poeta-fadista, meio contrariado, confirmei a parte do castiço. O poeta-fadista queria ter um livro dele lá à venda, era para ele um sonho. Falou-me do seu livro. Tem fados e poemas, diz ele. Sozinho não tinha chegado lá. E tem um fado muito bonito contra a pedofilia, acrescentou. Medo, passemos à frente. 
Se há dias em que concretizamos pequenos sonhos há outros em que os desfazemos. E a minha frieza em termos de funcionamento institucional deixou-o derrotado, e isto custa-me, dói-me, eu, idealista, pessoa que acredita para lá do expectável. E o senhor, sempre sorridente e simpático, a oferecer-me margens na ordem dos 75%, e, mesmo perante as minhas recusas em aceitar o livro na hora, continuava a sorrir e a contar histórias da livraria e de como era o maior sonho dele ver o livro dele lá exposto. Claro que o aconselhei sobre a maneira mais fácil de o fazer, mas o facto de não o poder ajudar mais afectou-me.

True story

- Então chefe, vai sair a horas hoje?!
- Vou levar o meu cão a pastar...
- Ahahah, diga lá a sério.
- Vou levar o meu cão a pastar, a sério.
- Oh, você 'tá sempre a brincar.
- ...


24 de julho de 2012

Even flow


Fluir... De Mihaly Csikszkpofkdpokpgokpkgsdhalyi. Isto até para copiar dá pouco jeito. O senhor que recebeu o nome de letras tiradas aleatoriamente de um saco de peças do Scrabble. Desafio-vos a ir a uma livraria perguntar por este livro.
Nota-se muito que, por estarem algumas pessoas de férias, eu tenho que trabalhar com livros a sério, em vez de estar a brincar aos relatórios de gestão?

Ou bem que o mundo dá uma volta daquelas...


... Ou eu estou tramado.

22 de julho de 2012

Isto é a sério?



I feel like my heart is being touched by Christ


Viva-nos São IKEA. Embora ir ao IKEA sozinho roce o bizarro, diga-se de passagem.

Da imagem que transmitimos

Há coisas curiosas nesta vida, ou não, talvez as coisas sejam mesmo assim, talvez seja suposto ser assim, o ciclo da vida como no rei leão. Fui visitar os meus avós e ver o SLB na Benfica tv, coisa que eu não possuo vá se lá saber porquê porque estando o resto da família no Algarve, e com eles já perto dos noventa, convém alguém ir lá ver se está tudo ok.
 Enquanto lá estava tocaram à porta, eu fiquei algo surpreso, quem poderia ser a pessoa que me fazia erguer do sofá e deixar um ataque do Benfica a meio, então lá fui, contrariado, abrir a porta, e, surpresa, era a vizinha de cima, que vem cá todos os dias ver se eles estão bem. Esta vizinha de cima é uma senhora na casa dos setenta, talvez, e era uma senhora com quem eu tinha uma das piores relações na minha adolescência, nem que fosse só porque namorei com as duas netas dela, uma delas foi apenas por uns dias, acho que o encanto dos calções curtinhos falou mais alto, mas, verdade seja dita, aquilo estava condenado à partida. Já a outra, foi "a" namorada da adolescência. Nem que seja pelo facto de termos namorado três vezes (e uma delas durante dois anos, o que, para um rapazito como eu era na altura, era um facto assinalável), mais uns quantos contactos de diversa ordem em períodos de interregno entre os namoros oficiais. E além disto, eu tinha uma atitude desafiante perante os velhotes do meu bairro, era o gajo de bola de futebol debaixo do braço a jogar onde e quando não devia, era eu que levava as miúdas para sítios que não devia, ouvia a música barulhenta, na cabeça delas de certeza que fumava e fazia outras coisas que tais, era o terror das mães, menos da minha claro, que achava que eu era uma espécie de anjo na terra. Agora troquei a bola pelos livros, a música é a mesma e miúdas, bem, sem comentários.
Trocámos umas palavras e, mais uma vez, tive de ouvir qualquer coisa como "afinal és um bom rapaz". Afinal? Mas o que auguravam para a minha pessoa? Eu era bom aluno, bom miúdo apesar da aura de bad boy (que se esfumou com os anos e que era mais fama que proveito).
E é a segunda vez que ouço isto esta semana, embora neste caso tenha sido de pessoas que apenas me conhecem da vida adulta. Resta-me saber se eu um dia vou chegar à mesma conclusão.

19 de julho de 2012

Shelter


Xx? Não, não, isto é Slayer.

Companhia ao almoço, por estes dias

NÃO MAIS


Não mais te seguirei a um palco suburbano
como num mês incerto de setenta e três
ou mais exactamente

a ninguém seguirei
seja a que lugar for com o duvidoso
e porventura inútil desígnio do amor

Gastão Cruz, Escarpas

AdivinhaSão

Pois que ela tinha razão, e eu tinha de ir ver qual era a excitação com a padaria portuguesa que abriu no Chiado. Estava muita gente e muito calor ("ah, é normal, estão 30º na rua", dizem os defensores, eu falo-lhes de uma invenção chamada ar condicionado, mas é impossível argumentar com esta gente), mas o pão de leite é bom, parece que vamos lá mais vezes.


17 de julho de 2012

Santíssima trindade

Se tivesse que dar um título às viagens matinais de comboio durante este período de verão seria "Raparigas giras, maus livros e vestidos curtos".

16 de julho de 2012

Memorial dos impotentes

Melhor do que ir trabalhar numa segunda-feira sem grande vontade, é ficar a trabalhar numa segunda-feira sem grande vontade das 8:50 às 22:10. Isto sim é um dia bem passado. As últimas horas que passei no balcão (infelizmente cada vez mais raras, mas toma lá que é para não te queixares) deram para constatar o seguinte: 
Os espanhóis estão cada vez mais a comprar livros em português, e não são só os galegos que o fazem. Foram vários espanhóis que compraram, desde romances a livros de história. Também vendi livros em português a franceses e italianos, geralmente do Pessoa.
Um cliente inglês comprou TODOS os mapas do Algarve que nós tínhamos. Todos. Novos, antigos, tudo. Dêem-lhe dois ou três dias e ele encontra a Maddie. 
O Tony Banza continua a bombar como banda sonora das noites solitárias em livrarias antigas. 
Antes disso, acompanhadas pelo sol que se punha, duas miúdas tocavam violino e violoncelo à porta da entrada para o parque subterrâneo, música ideal de fim tarde, capaz de acalmar até pessoas que, vamos supor, estão chateadas porque não lhes apetece trabalhar doze horas. 
Um cliente não levou o primeiro volume do Em Busca de Tempo Perdido porque não tínhamos a primeira edição. É, íamos ter  a primeira edição do Do Lado de Swann à espera dele. Há gente para tudo.
Saio, está uma noite do caraças, 27º, não fosse o cão e entregava-me à Pensão Amor, mas isto de ter juízo tem que se lhe diga.

15 de julho de 2012

Trauma de infância

Em conversa com uma amiga o tema "matraquilhos" veio à baila. Fiquei em silêncio durante alguns segundos,  com imagens de dor e humilhação a passarem-me diante dos olhos humedecidos, para espanto da outra interveniente da conversa. É que matraquilhos é um assunto tabu para a minha pessoa, pois representa um trauma de infância. Durante as férias com os meus primos, fazíamos sempre uma espécie de torneio entre famílias. E o que é que sucedia invariavelmente? Gritos, muitos gritos, porque o menino Ricardo Nuno não tinha (agora tenho, porque tenho um emprego que fica pouco a dever à estiva, parecendo que não as caixas de livros ainda pesam alguns 30kg, e isto quando não andamos a acartar com móveis para os lançamentos...) força nos bracinhos frágeis de pré-adolescente. E então eu e o meu pai éramos sempre eliminados  pelas famílias adversárias. 
Acho que, se ainda passássemos todos férias juntos, ainda era gajo para tentar, na vã tentativa de uma alegria na vida ao meu pai.
O mais provável era sermos humilhados outra vez.

Halo

Acabei de mandar a minha filha com a avó para o Algarve. Ela adora e vai divertir-se muito com as tias. Sinceramente, não me consigo habituar à ideia de ser pai em part-time. Sei que já passou um ano e meio desde que ela saiu de casa mas não me consigo habituar ao tempo contado. Não sei se um dia vou conseguir. É que depois ela volta, está um fim-de-semana comigo e depois vai com a mãe de férias para fora. Torno-me insuportável. O que vale é que não tenho ninguém para me aturar. Ou então é mesmo por isso. 

14 de julho de 2012

A farewell to arms

Estava eu numa bomba de gasolina, daquelas idiotas em pré-pagamento, acho que se pode dizer muito do desenvolvimento de um local pelas suas bombas de gasolina, mas isto sou eu que também acho que se pode dizer muito de um local pela qualidade da sua loja de discos, na fila para pagar quando sou abordado por uma simpática rapariga para dar o meu nome para ser contactado e fazerem uma simulação de seguro automóvel. Declinei rapidamente com um amigável "já fui cliente. Fui.", e ela fez um olhar abatido e, como era a última pessoa na fila foi-se sentar num banco junto à entrada, com um ar abandonado. Fiquei a olhar para ela uns segundos e senti-me mal, muito mal. 
Acabo de pagar e vou a sair, quando ela olha para mim com um arzinho abandonado, mesmo a atirar ao meu coração amolecido pelo tempo e pelas mulheres. Parei, e perguntei-lhe se ela recebia por cada número que arranjasse... Ela disse que sim, esperançosa que eu lhe desse o meu. E eu dei o meu. E o da minha irmã. E de mais uns quantos amigos. 
Chego ao carro e decorre a seguinte conversa com a Catarina, que me esperava impacientemente:
- Estava aqui à tua espera há muito tempo! Quem era?
- Era uma senhora dos seg...
- Conheces?
- Não, mas el..
- Se não conheces, porque falaste com ela?
- Porque ela pediu o meu núm...
- E tu deste? Porquê?
- Porq...
- Não interessa, vamos embora.
- ...
Isto vai ser giro daqui para a frente.

McThing

O McDonalds da Abóboda deve ser alguma espécie de ponto de encontro de famílias monoparentais e de emigrantes de férias em Portugal. 

Short movies

Estava eu a arrumar o quarto quando entra a Catarina e exclama: "Pai! Tu tens DEZ livros do Gonçalo Tavares!", voltando depois para a sala, sem dizer nada, onde se senta no sofá a ver o Spongebob Squarepants, como se nada fosse. Há coisas que eu não consigo explicar. 

13 de julho de 2012

Momento WTF do dia

Estar a voltar do almoço e ver, na esquina da loja, três mulheres a fazer publicidade à ´L'oreal vestidas  apenas com algo que se assemelhava em tamanho e forma a um fato de banho (os meus conhecimentos dos nomes de peças de roupa é maravilho, seguramente que aquela peça tem um nome, mas, temos pena, "algo tipo fato-de-banho" vai ter de servir), com metade do rabo de fora, tipo Rita Pereira na Playboy mas em mais despidas.

Jesus H. Christ

Recebi a visita de uma senhora que quer fazer uma parceria no sentido de fazer uns eventos, quer usar o nosso espaço para juntar umas famílias que habitualmente vão à missa, "de altíssimo nível" diz ela, "para lerem umas para as outras, as famílias", acrescenta, e lerem o quê?, pergunto eu, no sentido de perceber se podemos fornecer os livros para esses eventos, e ela responde "Jesus, para lerem sobre Jesus", e aqui eu devo ter feito uma expressão qualquer que deixou a senhora perplexa, porque ela não perdeu tempo e acrescentou "Jesus, Jesus, uma figura história que existiu e que nós, na igreja católica, veneramos, está a ver, Jesus?". Geralmente só vejo Jesus quando vou à Catedral.

Combinação explosiva

Mulher que tu achas (apesar de parecer ser o único a achar isso..) atraente, com um ligeiro sotaque, que percebe de livros e que tem uma maneira de ser muito física, com muito toque e festas nos ombros e braços enquanto fala comigo. É o suficiente para não conseguir articular uma frase como deve ser.

12 de julho de 2012

Money Maker

Cruzei-me ontem com a Merche Romero. Eu subia a Garrett, ela descia, quiçá uma metáfora das nossas carreiras profissionais. E cruzámo-nos ali a meio, ao pé da casa da sorte. Trocámos um olhar, e eu pensei em concretizar um sonho antigo e dizer-lhe: Merches comigo. Mas achei que ela não ia perceber. E além disso ela já teve melhores dias. E eu também.

11 de julho de 2012

William, it was really nothing


Aí está um coisa que ajuda a regressar ao trabalho: receber prendas dos editores. É já o próximo.

This is the end

Frases que um livreiro e duas livreiras conseguem dizer a meio de uma conversa durante a pausa do almoço, ao meu lado, enquanto eu trabalhava:
- o meu peixe suicidou-se.
- não, porque o canário matou a canária, mas depois viveu o resto da vida deprimido.
- os dentes da coelha cresceram demasiado, era deformada, então espetaram-se na parte de cima da boca e a minha tia só reparou quando ela começou a espumar pus pelos olhos e morreu.
- a coisa mais nojenta que já tocou em mim foi a asa de uma borboleta. É mole e peçonhenta.
- o cão anda num psicólogo, acham que está deprimido.
- o papagaio enforcou-se, mas acho que foi acidental. Acho.
Eu disse enquanto trabalhava? Eu queria dizer enquanto eu tentava trabalhar. Não é possível.

10 de julho de 2012

Se podia sonhar com coisas normais...

Podia, claro, podia, seria uma possibilidade numa pessoa normal, mas em mim, aparentemente, nem por isso. Sonhei que uma colega do 7º ano de alguns conhecidos meus (ex-mulher incluída), que por acaso tenho no facebook (acho que nos cruzámos num jantar, upa, upa, quase melhores amigos), estava a morrer de uma doença grave. E morria mesmo, perto do fim do sonho. Uma morte anunciada. E eu a sonhar com isto, a sofrer por ela. Por uma pessoa com quem acho que nunca troquei uma palavra. Ela está neste momento online no chat do facebook. Estou dividido entre dizer "olá, ainda bem que estás viva" ou perguntar "então, como é que é isso aí no inferno? :|" 

O carteiro toca sempre duas vezes


Pelo menos enquanto houver dinheiro para vinis.

9 de julho de 2012

Back to work

Voltei ao trabalho, hoje, passado três semanas de férias. Cheguei meia-hora mais cedo, aparentemente o mundo está de férias, não há trânsito até à estação, o comboio vai meio vazio. Entro na loja, chefe já viu isto, percorro os corredores, chefe já viu aquilo, vejo como ficaram as obras, chefe o **** está triste porque não lhe dão trabalho, entro no meu escritório, algures ali debaixo daquele correio todo está a minha secretária, chefe a impressora não funciona.
Há um lançamento, prosa completa do Álvaro de Campos, sim, disto tenho saudade. A representante da editora tem 1,80m, pernas daqui até à Brasileira e tatuagens semi-ocultas. Pois. Vendo um livro destes, a uma senhora de idade. Ainda lhe pisquei o olho mas talvez só resulte depois de ler o livro. 
Conheço o gajo que faz as reportagens sobre tecnologia da SIC, esteve lá a filmar. Não me deu um iPad. Um gajo pode sempre sonhar. Marco mais uns lançamentos. Escolho uns livros para ler mais tarde. 
Estamos de volta.

8 de julho de 2012

Pronto, aqui vamos nós outra vez...

“De um dia para o outro, As Cinquenta Sombras de Grey tornou-se sensação entre o círculo das mães jovens e atraentes (...), com muitas a admitirem que o livro lhes despertou um desejo intenso por sexo com os companheiros.” - The Daily Mail "

“As Cinquenta Sombras de Grey, romance erótico de uma autora desconhecida, foi descrito como pornografia para mamãs" - The New York Times

 Prevejo tempos nefastos para os meus livreiros...

You may say I'm a dreamer

Nunca tenho sonhos de conteúdo ou cariz erótico / sexual. Devo ser a personificação da frase "comigo nem em sonhos". 

The perfect drug

Penso que somos todos adultos aqui e um gajo pode ser sincero nestas coisas. Esta tarde decidi fazer aquilo que um homem que vive sozinho, sem mulher, tem que fazer de quando em vez. Sim, é verdade: hoje à tarde passei a ferro.

7 de julho de 2012

Take it or leave it

Pontaria e sorte é um gajo apanhar um emaranhado de pêlo do Link no prédio e deitá-lo fora à saída do prédio e este ser levado pelo vento e entrar na janela da vizinha.

6 de julho de 2012

976-Evil

Eu ainda gostava que alguém me esclarecesse como é que o meu número de telefone privado chega a tanta gente. Estou farto de receber, durante as férias, telefonemas de editoras. E quando os telefonemas são das responsáveis de comunicação por causa de eventos, enfim, eu ainda perdoo. Agora quando recebo telefonemas dos escritórios porque vão enviar uma factura em falta para o e-mail ou outra coisa do género...   

5 de julho de 2012

Oh god why

No carro:
Catarina: Pai, já estou a usar soutien!
(quase acidente)
Eu: ...
Catarina: ahahaha, isto foi a melhor frase do dia!

Chaos A.D.

Como dizia o Bukowsky no Ham on Rye "Chaos AD, disorder unleashed, starting to burn, starting to lynch, silence means death, stand on your feet, inner fear your worst enemy", está tudo louco. Eu sei, eu sei, isto não é o Bukowsky, é o Max Cavalera no Refuse / Resist, mas dizer que se está a citar Bukowski dá melhor aspecto para as miúdas que lêem livros de jeito e que me mantém acordado à noite. A ler. As sortudas. Como seria de esperar, aprender lições não é comigo, e, mais uma vez, qualquer post que eu faça que mencione a minha ex-mulher torna-se logo numa acesa discussão em caixas de comentários, e-mails e até por sms. Estou disposto a facilitar a coisa, se quiserem também vir falar comigo pessoalmente e dar-me na cabeça com teorias que não lembram ao menino Jesus, e olhem que ele é menino para ter a sua imaginação, é irem ao concerto de Diabo na Cruz hoje e encontrarem a miúda de nove anos que está às cavalitas do pai a gritar "aaaaaaaaai é tão lindo ai é tão liiiiiiiiiiindo". E é, e é.

4 de julho de 2012

Livreiros e o facebook

Livreira: ta td fixe?
Eu: diz q sim, tirando estar sp a receber telefonemas das gajas das editoras q n conseguem ligar p a loja
Livreira: o telefone ta avariado fazemos chamadas mas nao recebemos
ola porca
nao era para si
ahahahahahah
Eu: ahahahah
quem é a porca?
hahahah
Livreira: ahahah era a minha mae...
Eu: ...
Livreira: tou  a brincar, era uma amiga!

Fim da trilogia

O post de ontem serviu assim como uma espécie de premonição diabólica, pois que o telefone toca à noite e era ela, sob mil e um pretextos, a querer saber da minha vida sentimental e amorosa, e uma pessoa por muito que queira não consegue falar de coisas que não existem, vai daí falámos de tudo e de nada, como sempre, durante demasiado tempo, ela sonhou comigo, eu estava numa orgia com mulheres mascaradas, o normal portanto, repliquei eu, ela estava ainda em choque, pediu-me repetidamente para não me meter em orgias, acho que é um conselho normal para um ex-marido, não percebo nada disto dos divórcios, parece que ela estava na esplanada da praia onde fui ontem à tarde, valha-nos o deus dos desencontros, parece que continua a dizer às pessoas que eu sou a pessoa mais íntegra que ela conhece, eu disse que é difícil ser íntegro quando nos falta um bocado de nós, ela não percebeu, eu também não sou bom a explicar-me portanto deixei passar, ela tem pena que as coisas não tenham resultado com a pessoa que me fazia viajar pelo país, não mais que eu, garanti-lhe, falámos de celulite e como as comparações eram despropositadas porque ela aos vinte e quatro já tinha sido mãe, ainda por cima agora já foi duas vezes já tá acabadinha, isto fui eu que disse, ela apenas riu-se, chamou-me parvo, parece que é uma constante nas pessoas que falam comigo, qualquer dia tiro ilações a sério disto.

3 de julho de 2012

To eve the art of witchcraft

O elevador a chegar e eu a dar aquele último beijo enrolado num abraço, o elevador a parar e eu a virar a esquina do corredor, o passo a acelerar, um adeus que foi um até já, a porta abre-se e sai de lá um oh o teu pai onde está?, ali, onde?, ali, e o meu passo a parar, e os passos atrás de mim e eu a virar-me para trás, e ela mais magra, os trinta ficam-lhe bem, acabada de acordar, vestiste o macacão ao contrário, ela olha para baixo confusa, ahah és tão parvo, até parece que não me conheces, conheço, boas férias, meto os óculos e dou meia volta e saio, diz que há um cão e uma casa vazia à minha espera.

2 de julho de 2012

Memorial

Amanhã vou entregar a Catarina a casa da mãe, apesar de ser alguns dias antes do previsto, não sou capaz de negar a ida da filha para casa da mãe sabendo que se ela não vai uns dias mais cedo eram apenas cinco dias que se viam num mês e meio e isso é pouco, muito pouco, eu não me imagino com tão pouco tempo da minha filha na minha vida, mas é assim a realidade destas coisas, as pessoas fazem escolhas e vivem com elas, outras há que acham que vivem com as escolhas dos outros mas, na realidade, as escolhas foram nossas lá bem atrás, e eu nunca me esqueço disso, e ela hoje, pela primeira vez, confessou saudades da mãe.
Estava com ela desde dia catorze e, tal como nas férias do ano passado, a sensação que fica agora, nesta última noite (ela já dorme, a história do tubarão acompanhada com a viola faz milagres) é de que devia ser sempre assim, sempre, esta palavra que se teima em dizer mas que nunca (ironia) se concretiza, e assim num dia estou a apanhá-la na festa da escola para iniciarmos as férias, abro e fecho os olhos uma vez e pronto, está ela a dormir na véspera de se ir embora, os dias de praia, as idas ao shopping para comprar roupa e trocar cromos, as festas da rã e de tires e os arraiais e tudo o mais, desaparece tudo diante de mim e fica apenas este grande e amargo vazio, e agora vêm aí os dias em que nada parece fazer sentido, em que me vou arrastar pelo tempo, talvez pelo espaço, abrir e fechar livros, ler capítulos sem apanhar nada, a cabeça pode estar cá mas a verdade é que eu leio com a merda do coração.


Como entreter a filha antes de ir para a praia

"Escreve poesia", disse-lhe eu, já que ela estava farta da viola e da 3DS. E ela foi-se fechar no quarto. E voltou com isto:

Verão, Inverno
Outono, Primavera
Todos geniais
mas o melhor
de todos é o
Verão / praia
que até se
come uma papaia
E pronto
a história do
Verão feita
num abrir e
fechar de boca.


30 de junho de 2012

Scary monsters & nice sprites

Gravei um cd para a Catarina ouvir no carro da mãe. Reacção dela:
- Pai, quando andar de carro com a mãe e o mano, vou por Skrillex com o bass no máximo, e vou levantar o volume, até o mano vai ficar estrábico!!

Neon bible


A Catarina a fazer-se passar pela avó, num recado para a tia.

29 de junho de 2012

I win


"Das suas colaboradoras: **** e ***!"

"Viver sem livreiras. Do vosso chefe Ricardo"

28 de junho de 2012

Prémio "Ser português é isto"

«Os postes não deixaram que a Seleção fosse mais longe» - Hermínio Loureiro

Momento sexy do dia na praia

Ficar à beira-mar a apanhar a brisa enquanto a Catarina "mergulha" (vamos utilizar este termo para felicidade dela, embora apelidar aquilo que ela faz de mergulhos é de uma liberdade quase poética) a segurar na bola cor-de-rosa e azul bebé da Hello Kitty dela.

Como envergonhar a filha na praia

Gritar "Estou farto deste mundo, Bikini Bottom aqui vou eu" enquanto corro para a água e mergulho. Resulta sempre.

27 de junho de 2012

Lição de Voo

Análise das letras da música pela Catarina, no carro:
- Ele diz "não disse nada, porque nada havia para dizer". Ele podia só dizer "não disse nada". Não era preciso esclarecer porquê.


25 de junho de 2012

Hoje deu-me para isto


O título do artigo quase que podia descrever a minha vida. Tem é cinco romances a mais.
(é uma sorte ter livreiras espectaculares que, além de nos aturarem, nos enviam isto por mensagem).

24 de junho de 2012

Now I lay thee down

Aparentemente o único sítio onde não fui ontem era o sítio onde havia o bikini. A Catarina já tem o seu bikini novo todo giraço para o verão, graças à Tezenis. Tamanho, modelo e cores, tudo do agrado da pequena criatura. 

23 de junho de 2012

Alice in chains

Hoje tentei (e vamos todos por o nosso ênfase no tentei) comprar um bikini para a Catarina. Ela não gosta de fatos-de-banho, e agora vendem-se umas coisas que são 50%-bikini-50%-top-100%-feias que ela também não gosta. A questão é que corremos todas as lojas de um centro comercial (desde a Primark à Lanidor) e não havia fatos-de-banho para o tamanho dela. Ou pequenos, ou grandes. E feios, muito feios.
É para estas coisas (e para lhe secar o cabelo a seguir ao banho) que dá jeito uma mulher em casa.

Punk moda funk

Alguém me consegue explicar qual é a cena das mães sozinhas com crianças na praia, com óculos tipo aviador, biquinis desadequados para a idade e tatuagens foleiras no fundo das costas / em casos mais extremos nas mamas? Estão em franca proliferação.

22 de junho de 2012

Dream on

Ontem, a meio de um sonho em que perseguia algo que nunca conseguia alcançar, voltei a estar no sétimo andar de um prédio que aparece recorrentemente nos meus sonhos. Não faço ideia que prédio é, onde é, nada. Conheço o corredor que dá para o elevador, sei que é um sétimo andar porque é o número que aparece marcado quando ele chega. E depois carrego no zero sabendo já de antemão que o elevador faz uma espécie de queda livre até ao zero, parando mesmo no último segundo antes de bater. Na queda ele ainda oscila, a coisa vai completamente descontrolada. Nos outros sonhos em que este elevador e sétimo andar apareceram a sensação era sempre a mesma. Eu com medo de entrar no elevador e a carregar no botão, e esperar, numa ânsia brutal, que este caia violentamente. Eu depois saio do elevador, quase como se não fosse nada (a não estar em pânico por dentro, mas isso para o transeunte anónimo é indiferente).
Isto será uma metáfora para alguma coisa na minha vida? Depois estes sites sobre sonhos, é só resultados contraditórios, se uma pessoa já não pode confiar em sites manhosos brasileiros de interpretação de sonhos não sei que mundo é este em que vivemos. Se em alguns sites descer no elevador significa conquistar fortuna através de muito trabalho, já noutros é sinónimo de perder o controlo dos sentimentos ou coisas nefastas em termos profissionais. Eu acredito mais nos primeiros, parece-me gente mais séria.

21 de junho de 2012

Cruelty and the beast

1:38 da manhã de ontem recebo uma sms da ex-mulher a lembrar que às 9:30 tinha de ir buscar as notas da nossa filha. Respondo-lhe a confirmar que está tudo controlado e que estou espantado por ela estar acordada a estas horas. Ela responde-me "virei morcego, meu amor ahahah e estou com o período pela primeira vez desde que pari, estou a esvair-me em sangue, achei importante partilhar". Eu devo ter feito mal a alguém, só pode.

And justice for all...

Eu tenho um fascínio pela Paula Teixeira da Cruz. É isto. Tinha que desabafar.

20 de junho de 2012

Três Tristes Tigres #1

"(...) e digo-lhe que se passa minha senhora (sim sim de senhoria e tudo, que sei quando armar ó fino) é que a senhora não sabe viver o momento e a vida torna-se-lhe deficílima ou seja que já tá muito passada pra me compreender, e responde com ua treta: se tu podes ir quando te der na rial gana, menina, que a mim ná me importa nada de nada a tua vida nem com o que fazes com o que tens entre as pernas, que isso é assunto teu e do outro e eu não tenho nada a ver com isso, de maneira que arranca pra aí quando quiseres que se faz tarde e digo-lhe, mas minha filha que enganada, mas que enganada que tu tás: quem é que te disse, digo-lhe, que o carnaval é um homem (...)"

As avós, as avós

Na clínica onde lhe afinam o aparelho auditivo: "fui internada aos 18 anos com febre tifóide, e o hospital estava cheio de médicos novinhos, a aprenderem, e eles mexeram em tudo menos na febre, a aproveitarem-se". As enfermeiras olhavam para mim. Eu encolhia os ombros.

19 de junho de 2012

Não havia o "Lolita"...

Aproveitei a ida a Lisboa para ir buscar um livro para ler, mas, coincidência, não havia o Lolita. Tinha chegado no fim da semana passada, e agora apenas restava o espaço vazio na estante.
Mas não vim de mãos a abanar, graças aos simpáticos senhores da Planeta:


Tinha à minha espera o novo livro do Zafón, que sai a 28 de Junho, mais o guia de Barcelona, tudo numa caixinha toda jeitosa. Nunca li nada do Zafón (sim, nem a Sombra do Vento eu li, ouvi dizer que isso, para um livreiro é uma espécie de falha inconcebível). Vamos ver se é desta.

Juventude sónica

- Vamos a Lisboa filha? Nunca foste à Sé e ao Castelo de S. Jorge, podíamos ir lá hoje.
- Boa! Há McDonalds?
- ... Sim, há McDonalds.
- Se há McDonalds eu vou a todo o lado.
- ...

18 de junho de 2012

Descobri a minha alma gémea

"Ele roubou-me o título", foi a primeira coisa que a cantora e escritora norte-americana Patti Smith pensou quando deu de caras com o livro Detectives Selvagens. Até ali, o nome de Roberto Bolaño era-lhe desconhecido, mas não resistiu, comprou o livro e rendeu-se de imediato à palavra e ao universo narrativo do chileno. "As suas histórias activam as minhas energias de escritora", afirmou Patti Smith numa entrevista, ontem, ao jornal ABC. A Casa da América Latina em Madrid dedicou uma semana a Bolaño e convidou a artista considerada a " mãe do punk" para encerrar o evento."Bolaño é como o rock and roll, é revolução, pecado e energia sexual" - foi com estas palavras que a cantora descreveu os livros do escritor com quem diz ter uma "relação alquímica" como já tinha com Picasso ou Rimbaud. Para Patti Smith, o livro 2666 é a "primeira obra-prima da literatura do século XXI" e, apesar de assumir que tem muita dificuldade em aprender línguas, a cantora diz que gostaria de aprender espanhol só para ler Bolaño.

17 de junho de 2012

Daredevil


"Claro filha, isto é perfeitamente seguro, anda lá na mini montanha-russa" ...

Runs in the family

A minha irmã mais nova, na Worten: "vamos por ali que eu gosto de cheirar o interior destes frigoríficos novos".

16 de junho de 2012

Inferno de Dante (ou feira de Tires, para os leigos)

Ah, as festas de Tires. Deviam mudar o nome para "concentração de gente feia". Onde anda esta gente o ano todo? Deve ser gente que vai ao Intermarché, seguramente. Sei é que se reúnem ali em Tires, nesta altura do ano.
A Catarina andava a chatear-me há algum tempo para lá ir. Lá cedi, agora que estamos ambos de férias. Depois de um cachorro gigante e de um churro, lá andou no canguru, ganhou um peluche horrendo numa roullote manhosa, e andou nos carrinhos de choque.  
Antes de ela andar nos carrinhos de choque, pus-lhe a mão no ombro, baixei-me junto dela e disse-lhe: "destrói os a todos, bate-lhes por trás que tem mais impacto na coluna, e bate preferencialmente nas duas gordas, são alvos fáceis, ah, e o miúdo mariquinhas no carro da Minnie, esse também é para abater", é muito mau?
Aparentemente, em Tires, bandeja é "bandeija", existe uma coisa chamada "CapiKids", caipirinhas para crianças, as t-shirts do Marilyn Manson são o item número um nos stands de venda, cada "atracção" ou lojinha tem a sua música pimba a tocar formando um tufão de música pimba tipo 3-D sonoro, os cãezinhos a pilhas conseguem ser mais irritantes do que nos outros sítios e os gajos com ar de índios não tocam flauta mas vendem bugigangas diversas.
Acho que volto lá hoje à noite.

Leitura de férias

Para a Catarina foi fácil: dois livros de "Uma Aventura", um "Viagens no Tempo", a Caminho e a Isabel Alçada e a Ana Maria Magalhães (aqueles dois seres indissociáveis) podem agradecer-me por carta para a morada do costume. 
Já para mim, o Três Tristes Tigres (isto até escrito é coisa para enrolar um gajo) continua a agradar-me muito, mas não chegava para as férias todas. Portanto fui escolher um livro novo e ali estive a pedir opiniões. Foi difícil chegar a uma conclusão e, como é habitual, não liguei à opinião de ninguém e escolhi o primeiro volume dos contos de Tchekhov. Ainda não tinha acabado de me sentar na secretária quando toca o telefone: uma rapariga tinha vindo de propósito algures de longe só para comprar esse livro. Lá fui eu levar-lhe o livro. Espero que goste. Ranhosa.
Decidi escolher o livro quando saísse, mas era eu a começar a escolher e ao mesmo tempo uma jornalista ligada ao mundo dos livros a entrar na sala e a chamar por mim, ela, que costuma ir lá fazer entrevistas a autores, que já me entrevistou, e eu a ver a minha vida a andar para trás, ela aguardava a chegada do autor, queria companhia, mas eu queria muito escolher um livro e chegar a horas ao arraial da Catarina, e ela a falar de livros, do Hugo Mãe e do Tavares, muita conversa sobre as críticas negativas à (quase) auto-biografia do Pessoa, parece que é um desastre, nunca a tinha ouvido com tanto sotaque, curioso, e eu a dizer que tinha que ir ter com a minha filha e ela sem acreditar que eu tinha uma filha com nove anos. 
Conclusão: não trouxe mais livro nenhum. Vou ter de lá ir novamente.

"Eu quero roupa da Miss Sixty"


"Eu tirei uma foto com umas modelos na Gardénia", "Quero entrar no casting para a novela nova da SIC".


Tu tem é juízo, tu tens 9 anos e gostas de dançar o malhão que eu bem te vi, de lencinho azul bebé na cabeça e sorriso de quem o mundo termina nos portões daquela escola e se esgota no som deste arraial. Ok, ok, eu bem te vi abanar a saia ao som do David Guetta, depois...



E fazer uns passos de dança mais modernos...


Mas tem juízo que tens 9 anos, e nem a quarta classe ainda tens. 




14 de junho de 2012

"Meu Bebezinho mau e bonito:"


"Nininho", "Víbora"...
Isto é muito, muito bom.

12 de junho de 2012

Um daqueles dias

Eu já não estava particularmente bem disposto hoje (sei que não me lêem, mas as mais sinceras desculpas aos nove livreiros que tiveram que me aturar). Até ter falado com a minha ex-mulher ao telefone. Fiquei muito pior. Escrevi um texto relativamente azedo em relação à atitude da minha ex-mulher hoje. Mas decidi apagá-lo. Contei o sucedido a duas pessoas, não o farei mais. Não vai ser uma caixa de comentários cheia de frases como "tens razão", "ela é estúpida" ou "és extremamente atraente" que vão melhorar a coisa. 
Ter ou não razão não muda absolutamente nada. 

11 de junho de 2012

Ela cantava boleros

No último feriado levei o Link a passear ao pé da praia. Já há algum tempo que não ia com ele para esta zona. Levei o Cabrera Infante para ler, na esperança que ele se deitasse na relva, ao pé de mim, enquanto eu lia descansado e descansava os olhos no mar. Claro que rapidamente me recordei do porquê de não vir com ele para esta zona quando está bastante gente. 
Não consegui ler nada. Fui interpelado por duzentas e cinquenta e três pessoas. Tive de ouvir a piadinha do "Link? Eheheh, tirou-o da Internet?" ou "Link? Porque não Download?" algumas trinta vezes. Uma hipster (essa gente do piorio) tirou-lhe uma foto com uma lomo, agora o meu cão vai ser a capa do mural da hipster, ninguém merece. Duas jovens mulheres tiveram cerca de vinte minutos a tentar meter-se com ele, enquanto eu lia. Quando, finalmente, ele lhes dá atenção, uma delas tenta fazer-lhe uma festa com a mão direita, enquanto segurava na mão esquerda um lenço de papel. Claro que o Link comeu o lenço de papel da mão dela, deixando a rapariga meio assustada, e a amiga deliciada. Resultado: ainda se sentaram mais perto de mim e não consegui mesmo ler. Depois as perguntas do costume "quanto pesa?", "come muito?", etc. Gosto particularmente da pergunta "morde?". Respondo sempre: "até hoje não, mas há sempre uma primeira vez". 

10 de junho de 2012

Beautiful morning

A Catarina na missa, a cantar as músicas e a fazer a coreografia de uma delas, perante o meu olhar espantado:
- O que é?! Eu ando na escola, não sabes?!

9 de junho de 2012

Farewell and goodnight

A distância ganhou. Sem floreados desnecessários, é isto: a distância ganhou. Uma distância que, mais do que em quilómetros, terminou a ser medida em vontades. E se quando a vontade é imensa as coisas são difíceis, quando esta começa a viver à base de dúvidas torna-se completamente impossível. E assim foi.
Acabam-se as escapadelas para norte, o corpo todo torto naqueles lugares do comboio, ler e ouvir música era só para enganar, sonhar era o que se fazia durante aquelas horas. Terminou tudo, tudo o que parecia ser interminável. Apesar de saberes bem que nada o é, certo? Pois. A saudade. 

7 de junho de 2012

Eu é mais livros

O que eu gostaria, na realidade, de ter escrito para isto:

- O Estrangeiro (Camus, Albert) - A história de um moço levado da breca que não quer saber se morre a mãe ou se a namorada quer casar com ele ou se há sentido nesta vida e depois mata um árabe e os  The Cure até escreveram uma música sobre isso , e diz que o Bohemian Rapsody dos Queen também é sobre este livro mas isso eu já acho muito puxadinho. Já disse em duas ou três entrevistas que era o meu livro preferido, portanto agora tenho de manter isso, apesar de até já ter mudado de opinião.

- Meridiano de Sangue (McCarthy, Cormac) - Uma pessoa vai ler isto à espera dos índios e dos cowboys, e encontra só cowboys, porque os índios foram todos mortos pelos cowboys. Mortos e violados e tiram-lhes os escalpes para usar à cintura porque na altura não havia iphones nem óculos de massa e uma pessoa para dar nas vistas a descer o Chiado lá do sítio era assim que fazia. O José Luis Peixoto viu-me com o livro na mão e disse que era muito bom, e, apesar de isto afastar logo assim tipo toda a gente, é uma boa recomendação. 

- Os Irmãos Karamázov (Dostoiesvsky, Fiodor)  - Livro com o qual me revejo muito, porque é só gente muito boa e muito má, mas na mesma pessoa. Os Karamázov tanto têm acções muito bonitas como depois vão para Mokroe (deve ser tipo a Amadora lá da Rússia) com ciganas, mujiques, polacos e senhoras de índole duvidosa gastar aos três mil rublos de cada vez. E de quem é a culpa? Das mulheres, pois. O Freud e o Einstein gostaram muito, e eu também. 

 - Pais e Filhos (Turguenev, Ivan)  - O Nabokov diz que o Turguenev é melhor que o Dostoievsky, e neste livro nós até lhe damos razão. Neste Pais e Filhos ele cria uma personagem nihilista que é o Bazarov, das personagens mais fixes de todos os tempos (personagem cujo destino final vem escarrapachado na contra-capa do livro, obrigadinho Relógio d’Água), que depois, como não podia deixar ser (por causa do amor e das mulheres) se desgraça e deixa de ser tão cool. A Maria Filomena Mónica gostou muito, e como ela andou em universidades inglesas e anda com o António Barreto ela deve saber mais do que eu, portanto vão mais pela opinião dela que pela minha. Apesar de no fundo ser a mesma. 

- Detectives Selvagens (Bolaño, Roberto) - O livro mais fixe de todos os tempos (embora, e isto é uma contradição, eu tenha dificuldades em dizer porque o prefiro ao 2666, e há dias em que prefiro, e há dias em que não), porque fala de poesia e de juventude e de morte, e no fundo fala de tudo o que interessa. E fala no Eusébio e no Pessoa, lá pelo meio. Temos um puto de 17 anos que se junta “obviamente” a um movimento literário, logo para dizer que não faz ideia no que este consiste. Não fomos todos assim, um dia? Três poetas em busca de nada, pela arte, pela poesia. Um livro para leitores (sempre quis dizer isto, e agora que penso nisso não o disse lá e perdi uma boa oportunidade).

Eu sou assim, suave

"Ricardo made progress with Três Tristes Tigres on Goodreads." - Diz o meu status do facebook. Isto do "made progress" parece que estou em processo de engate e que já a levei para casa. 

5 de junho de 2012

Short-term memory

Incrível como me tinha esquecido de que a minha vontade de limpar e arrumar a casa é tanto maior quanto mais em baixo me estiver a sentir. Isto de blogs é muito bonito e tal, mas agora vou limpar a cozinha.

3 de junho de 2012

No hesitation, no delay

Mais do que uma revelação, esta semana foi a confirmação de que ela é, de facto, especial.

1 de junho de 2012

Nítido Nulo


Link, à busca da mítica vizinha em topless a estender a roupa, o pobre ainda acredita nestas coisas.

31 de maio de 2012

Don't sit down 'cause I've moved your chair

Tenho que recomendar cinco livros para uma revista bonita (segundo a pessoa que me convidou), e fazer um pequeno texto a acompanhar cada livro. Daqui a uns dias mostro o resultado.


30 de maio de 2012

The bakery

Chego à padaria onde tomo o pequeno-almoço, as funcionárias estão preocupadas com o facto do edifício ter sido comprado e de não saberem nada quanto ao seu futuro, "perguntem à Maya, pensei eu", mas isto sou eu que sou mal-disposto pela manhã, logo esta padaria que é o sítio onde consigo arejar durante dez minutos durante a manhã, sabendo de antemão que me posso cruzar com a Pipoca e vê-la na padaria é mais ou menos como ver um acidente na A5, um gajo não devia mas não resiste em andar mais devagar para poder ver, e depois diz "iiih, como isto está" enquanto abana a cabeça com pesar, é o sítio onde ouço conversas (quer da minha companhia, quer dos utentes da padaria) que não lembram ao menino Jesus, onde há um gajo que fala inglês, usa blazer e umas calças de fato-de-treino da adidas e usa um rabo-de-cavalo tipo Beckham há uns anos atrás, gajo esse que me deixa perplexo porque quem é que raio usa blazer e calças de fato-de-treino e ténis adidas e anda com um ipad e com uma senhora atrás com um ar exótico que fala inglês com ele e português com os demais e também tem um ipad, e eu sinto-me info-excluído por não ter um ipad, e já pensei em perguntar-lhe "who are you, what the hell are those clothes, can you give me an ipad please?", e talvez, talvez ele seja um gajo porreiro e até dava o ipad ao gajo que geralmente bebe um ucal enquanto pensa em tudo e em nada, e nisto lembro-me como as senhoras são lentas como tudo a despachar o serviço, e ok, admito, isso irrita-me mas é da maneira que consigo espairecer mais um pouco, e também há aquela rapariga em que por mais que a vejamos nós não conseguimos decidir se é gira ou não, nunca percebemos se é do sono ou que raio, mas a verdade é que ela não gera consenso à sua passagem e isso no fundo, no fundo, até pode ser algo positivo, e a curiosidade é que os Arctic Monkeys têm uma música chamada the bakery e que, no fundo, não tem nada a ver com isto mas que toca na minha cabeça quando lá vou, e depois também há uma senhora da padaria que convidou um colega meu para um  desfile de moda, e eu temo por ele porque ela tem 1,80m e deve pesar mais quarenta kilos que ele, e ele é bom livreiro e eu preciso dele na sala um, porque isto dos bons livreiros é como as boas padarias, há poucos e depois se perdemos os bons é uma chatice e depois tem que se arranjar outros e eventualmente, apesar de não nos lembrarmos dos antigos, vai-se a ver e não é a mesma coisa.

29 de maio de 2012

A minha irmã adolescente...

É neste momento a pessoa mais feliz do mundo: tem um autógrafo e tirou uma foto com o Robert Pattinson, o senhor que lhe preenche as paredes do quarto.
O meu grande abraço vai para o namorado dela que a levou lá, é preciso coragem, o puto subiu na minha consideração. 
Aposto que nenhuma namorada minha me levava a ver a Helena Coelho.