25 de julho de 2012

Hard to get around the wind

Só no sítio onde trabalho é que entra alguém no nosso gabinete a dizer que há uma pessoa que deseja falar connosco e que essa pessoa é um "poeta-fadista" castiço. Lá fui conhecer o poeta-fadista, meio contrariado, confirmei a parte do castiço. O poeta-fadista queria ter um livro dele lá à venda, era para ele um sonho. Falou-me do seu livro. Tem fados e poemas, diz ele. Sozinho não tinha chegado lá. E tem um fado muito bonito contra a pedofilia, acrescentou. Medo, passemos à frente. 
Se há dias em que concretizamos pequenos sonhos há outros em que os desfazemos. E a minha frieza em termos de funcionamento institucional deixou-o derrotado, e isto custa-me, dói-me, eu, idealista, pessoa que acredita para lá do expectável. E o senhor, sempre sorridente e simpático, a oferecer-me margens na ordem dos 75%, e, mesmo perante as minhas recusas em aceitar o livro na hora, continuava a sorrir e a contar histórias da livraria e de como era o maior sonho dele ver o livro dele lá exposto. Claro que o aconselhei sobre a maneira mais fácil de o fazer, mas o facto de não o poder ajudar mais afectou-me.

True story

- Então chefe, vai sair a horas hoje?!
- Vou levar o meu cão a pastar...
- Ahahah, diga lá a sério.
- Vou levar o meu cão a pastar, a sério.
- Oh, você 'tá sempre a brincar.
- ...


24 de julho de 2012

Even flow


Fluir... De Mihaly Csikszkpofkdpokpgokpkgsdhalyi. Isto até para copiar dá pouco jeito. O senhor que recebeu o nome de letras tiradas aleatoriamente de um saco de peças do Scrabble. Desafio-vos a ir a uma livraria perguntar por este livro.
Nota-se muito que, por estarem algumas pessoas de férias, eu tenho que trabalhar com livros a sério, em vez de estar a brincar aos relatórios de gestão?

Ou bem que o mundo dá uma volta daquelas...


... Ou eu estou tramado.

22 de julho de 2012

Isto é a sério?



I feel like my heart is being touched by Christ


Viva-nos São IKEA. Embora ir ao IKEA sozinho roce o bizarro, diga-se de passagem.

Da imagem que transmitimos

Há coisas curiosas nesta vida, ou não, talvez as coisas sejam mesmo assim, talvez seja suposto ser assim, o ciclo da vida como no rei leão. Fui visitar os meus avós e ver o SLB na Benfica tv, coisa que eu não possuo vá se lá saber porquê porque estando o resto da família no Algarve, e com eles já perto dos noventa, convém alguém ir lá ver se está tudo ok.
 Enquanto lá estava tocaram à porta, eu fiquei algo surpreso, quem poderia ser a pessoa que me fazia erguer do sofá e deixar um ataque do Benfica a meio, então lá fui, contrariado, abrir a porta, e, surpresa, era a vizinha de cima, que vem cá todos os dias ver se eles estão bem. Esta vizinha de cima é uma senhora na casa dos setenta, talvez, e era uma senhora com quem eu tinha uma das piores relações na minha adolescência, nem que fosse só porque namorei com as duas netas dela, uma delas foi apenas por uns dias, acho que o encanto dos calções curtinhos falou mais alto, mas, verdade seja dita, aquilo estava condenado à partida. Já a outra, foi "a" namorada da adolescência. Nem que seja pelo facto de termos namorado três vezes (e uma delas durante dois anos, o que, para um rapazito como eu era na altura, era um facto assinalável), mais uns quantos contactos de diversa ordem em períodos de interregno entre os namoros oficiais. E além disto, eu tinha uma atitude desafiante perante os velhotes do meu bairro, era o gajo de bola de futebol debaixo do braço a jogar onde e quando não devia, era eu que levava as miúdas para sítios que não devia, ouvia a música barulhenta, na cabeça delas de certeza que fumava e fazia outras coisas que tais, era o terror das mães, menos da minha claro, que achava que eu era uma espécie de anjo na terra. Agora troquei a bola pelos livros, a música é a mesma e miúdas, bem, sem comentários.
Trocámos umas palavras e, mais uma vez, tive de ouvir qualquer coisa como "afinal és um bom rapaz". Afinal? Mas o que auguravam para a minha pessoa? Eu era bom aluno, bom miúdo apesar da aura de bad boy (que se esfumou com os anos e que era mais fama que proveito).
E é a segunda vez que ouço isto esta semana, embora neste caso tenha sido de pessoas que apenas me conhecem da vida adulta. Resta-me saber se eu um dia vou chegar à mesma conclusão.

19 de julho de 2012

Shelter


Xx? Não, não, isto é Slayer.

Companhia ao almoço, por estes dias

NÃO MAIS


Não mais te seguirei a um palco suburbano
como num mês incerto de setenta e três
ou mais exactamente

a ninguém seguirei
seja a que lugar for com o duvidoso
e porventura inútil desígnio do amor

Gastão Cruz, Escarpas

AdivinhaSão

Pois que ela tinha razão, e eu tinha de ir ver qual era a excitação com a padaria portuguesa que abriu no Chiado. Estava muita gente e muito calor ("ah, é normal, estão 30º na rua", dizem os defensores, eu falo-lhes de uma invenção chamada ar condicionado, mas é impossível argumentar com esta gente), mas o pão de leite é bom, parece que vamos lá mais vezes.


17 de julho de 2012

Santíssima trindade

Se tivesse que dar um título às viagens matinais de comboio durante este período de verão seria "Raparigas giras, maus livros e vestidos curtos".

16 de julho de 2012

Memorial dos impotentes

Melhor do que ir trabalhar numa segunda-feira sem grande vontade, é ficar a trabalhar numa segunda-feira sem grande vontade das 8:50 às 22:10. Isto sim é um dia bem passado. As últimas horas que passei no balcão (infelizmente cada vez mais raras, mas toma lá que é para não te queixares) deram para constatar o seguinte: 
Os espanhóis estão cada vez mais a comprar livros em português, e não são só os galegos que o fazem. Foram vários espanhóis que compraram, desde romances a livros de história. Também vendi livros em português a franceses e italianos, geralmente do Pessoa.
Um cliente inglês comprou TODOS os mapas do Algarve que nós tínhamos. Todos. Novos, antigos, tudo. Dêem-lhe dois ou três dias e ele encontra a Maddie. 
O Tony Banza continua a bombar como banda sonora das noites solitárias em livrarias antigas. 
Antes disso, acompanhadas pelo sol que se punha, duas miúdas tocavam violino e violoncelo à porta da entrada para o parque subterrâneo, música ideal de fim tarde, capaz de acalmar até pessoas que, vamos supor, estão chateadas porque não lhes apetece trabalhar doze horas. 
Um cliente não levou o primeiro volume do Em Busca de Tempo Perdido porque não tínhamos a primeira edição. É, íamos ter  a primeira edição do Do Lado de Swann à espera dele. Há gente para tudo.
Saio, está uma noite do caraças, 27º, não fosse o cão e entregava-me à Pensão Amor, mas isto de ter juízo tem que se lhe diga.

15 de julho de 2012

Trauma de infância

Em conversa com uma amiga o tema "matraquilhos" veio à baila. Fiquei em silêncio durante alguns segundos,  com imagens de dor e humilhação a passarem-me diante dos olhos humedecidos, para espanto da outra interveniente da conversa. É que matraquilhos é um assunto tabu para a minha pessoa, pois representa um trauma de infância. Durante as férias com os meus primos, fazíamos sempre uma espécie de torneio entre famílias. E o que é que sucedia invariavelmente? Gritos, muitos gritos, porque o menino Ricardo Nuno não tinha (agora tenho, porque tenho um emprego que fica pouco a dever à estiva, parecendo que não as caixas de livros ainda pesam alguns 30kg, e isto quando não andamos a acartar com móveis para os lançamentos...) força nos bracinhos frágeis de pré-adolescente. E então eu e o meu pai éramos sempre eliminados  pelas famílias adversárias. 
Acho que, se ainda passássemos todos férias juntos, ainda era gajo para tentar, na vã tentativa de uma alegria na vida ao meu pai.
O mais provável era sermos humilhados outra vez.

Halo

Acabei de mandar a minha filha com a avó para o Algarve. Ela adora e vai divertir-se muito com as tias. Sinceramente, não me consigo habituar à ideia de ser pai em part-time. Sei que já passou um ano e meio desde que ela saiu de casa mas não me consigo habituar ao tempo contado. Não sei se um dia vou conseguir. É que depois ela volta, está um fim-de-semana comigo e depois vai com a mãe de férias para fora. Torno-me insuportável. O que vale é que não tenho ninguém para me aturar. Ou então é mesmo por isso. 

14 de julho de 2012

A farewell to arms

Estava eu numa bomba de gasolina, daquelas idiotas em pré-pagamento, acho que se pode dizer muito do desenvolvimento de um local pelas suas bombas de gasolina, mas isto sou eu que também acho que se pode dizer muito de um local pela qualidade da sua loja de discos, na fila para pagar quando sou abordado por uma simpática rapariga para dar o meu nome para ser contactado e fazerem uma simulação de seguro automóvel. Declinei rapidamente com um amigável "já fui cliente. Fui.", e ela fez um olhar abatido e, como era a última pessoa na fila foi-se sentar num banco junto à entrada, com um ar abandonado. Fiquei a olhar para ela uns segundos e senti-me mal, muito mal. 
Acabo de pagar e vou a sair, quando ela olha para mim com um arzinho abandonado, mesmo a atirar ao meu coração amolecido pelo tempo e pelas mulheres. Parei, e perguntei-lhe se ela recebia por cada número que arranjasse... Ela disse que sim, esperançosa que eu lhe desse o meu. E eu dei o meu. E o da minha irmã. E de mais uns quantos amigos. 
Chego ao carro e decorre a seguinte conversa com a Catarina, que me esperava impacientemente:
- Estava aqui à tua espera há muito tempo! Quem era?
- Era uma senhora dos seg...
- Conheces?
- Não, mas el..
- Se não conheces, porque falaste com ela?
- Porque ela pediu o meu núm...
- E tu deste? Porquê?
- Porq...
- Não interessa, vamos embora.
- ...
Isto vai ser giro daqui para a frente.

McThing

O McDonalds da Abóboda deve ser alguma espécie de ponto de encontro de famílias monoparentais e de emigrantes de férias em Portugal. 

Short movies

Estava eu a arrumar o quarto quando entra a Catarina e exclama: "Pai! Tu tens DEZ livros do Gonçalo Tavares!", voltando depois para a sala, sem dizer nada, onde se senta no sofá a ver o Spongebob Squarepants, como se nada fosse. Há coisas que eu não consigo explicar. 

13 de julho de 2012

Momento WTF do dia

Estar a voltar do almoço e ver, na esquina da loja, três mulheres a fazer publicidade à ´L'oreal vestidas  apenas com algo que se assemelhava em tamanho e forma a um fato de banho (os meus conhecimentos dos nomes de peças de roupa é maravilho, seguramente que aquela peça tem um nome, mas, temos pena, "algo tipo fato-de-banho" vai ter de servir), com metade do rabo de fora, tipo Rita Pereira na Playboy mas em mais despidas.