11 de julho de 2012

This is the end

Frases que um livreiro e duas livreiras conseguem dizer a meio de uma conversa durante a pausa do almoço, ao meu lado, enquanto eu trabalhava:
- o meu peixe suicidou-se.
- não, porque o canário matou a canária, mas depois viveu o resto da vida deprimido.
- os dentes da coelha cresceram demasiado, era deformada, então espetaram-se na parte de cima da boca e a minha tia só reparou quando ela começou a espumar pus pelos olhos e morreu.
- a coisa mais nojenta que já tocou em mim foi a asa de uma borboleta. É mole e peçonhenta.
- o cão anda num psicólogo, acham que está deprimido.
- o papagaio enforcou-se, mas acho que foi acidental. Acho.
Eu disse enquanto trabalhava? Eu queria dizer enquanto eu tentava trabalhar. Não é possível.

10 de julho de 2012

Se podia sonhar com coisas normais...

Podia, claro, podia, seria uma possibilidade numa pessoa normal, mas em mim, aparentemente, nem por isso. Sonhei que uma colega do 7º ano de alguns conhecidos meus (ex-mulher incluída), que por acaso tenho no facebook (acho que nos cruzámos num jantar, upa, upa, quase melhores amigos), estava a morrer de uma doença grave. E morria mesmo, perto do fim do sonho. Uma morte anunciada. E eu a sonhar com isto, a sofrer por ela. Por uma pessoa com quem acho que nunca troquei uma palavra. Ela está neste momento online no chat do facebook. Estou dividido entre dizer "olá, ainda bem que estás viva" ou perguntar "então, como é que é isso aí no inferno? :|" 

O carteiro toca sempre duas vezes


Pelo menos enquanto houver dinheiro para vinis.

9 de julho de 2012

Back to work

Voltei ao trabalho, hoje, passado três semanas de férias. Cheguei meia-hora mais cedo, aparentemente o mundo está de férias, não há trânsito até à estação, o comboio vai meio vazio. Entro na loja, chefe já viu isto, percorro os corredores, chefe já viu aquilo, vejo como ficaram as obras, chefe o **** está triste porque não lhe dão trabalho, entro no meu escritório, algures ali debaixo daquele correio todo está a minha secretária, chefe a impressora não funciona.
Há um lançamento, prosa completa do Álvaro de Campos, sim, disto tenho saudade. A representante da editora tem 1,80m, pernas daqui até à Brasileira e tatuagens semi-ocultas. Pois. Vendo um livro destes, a uma senhora de idade. Ainda lhe pisquei o olho mas talvez só resulte depois de ler o livro. 
Conheço o gajo que faz as reportagens sobre tecnologia da SIC, esteve lá a filmar. Não me deu um iPad. Um gajo pode sempre sonhar. Marco mais uns lançamentos. Escolho uns livros para ler mais tarde. 
Estamos de volta.

8 de julho de 2012

Pronto, aqui vamos nós outra vez...

“De um dia para o outro, As Cinquenta Sombras de Grey tornou-se sensação entre o círculo das mães jovens e atraentes (...), com muitas a admitirem que o livro lhes despertou um desejo intenso por sexo com os companheiros.” - The Daily Mail "

“As Cinquenta Sombras de Grey, romance erótico de uma autora desconhecida, foi descrito como pornografia para mamãs" - The New York Times

 Prevejo tempos nefastos para os meus livreiros...

You may say I'm a dreamer

Nunca tenho sonhos de conteúdo ou cariz erótico / sexual. Devo ser a personificação da frase "comigo nem em sonhos". 

The perfect drug

Penso que somos todos adultos aqui e um gajo pode ser sincero nestas coisas. Esta tarde decidi fazer aquilo que um homem que vive sozinho, sem mulher, tem que fazer de quando em vez. Sim, é verdade: hoje à tarde passei a ferro.

7 de julho de 2012

Take it or leave it

Pontaria e sorte é um gajo apanhar um emaranhado de pêlo do Link no prédio e deitá-lo fora à saída do prédio e este ser levado pelo vento e entrar na janela da vizinha.

6 de julho de 2012

976-Evil

Eu ainda gostava que alguém me esclarecesse como é que o meu número de telefone privado chega a tanta gente. Estou farto de receber, durante as férias, telefonemas de editoras. E quando os telefonemas são das responsáveis de comunicação por causa de eventos, enfim, eu ainda perdoo. Agora quando recebo telefonemas dos escritórios porque vão enviar uma factura em falta para o e-mail ou outra coisa do género...   

5 de julho de 2012

Oh god why

No carro:
Catarina: Pai, já estou a usar soutien!
(quase acidente)
Eu: ...
Catarina: ahahaha, isto foi a melhor frase do dia!

Chaos A.D.

Como dizia o Bukowsky no Ham on Rye "Chaos AD, disorder unleashed, starting to burn, starting to lynch, silence means death, stand on your feet, inner fear your worst enemy", está tudo louco. Eu sei, eu sei, isto não é o Bukowsky, é o Max Cavalera no Refuse / Resist, mas dizer que se está a citar Bukowski dá melhor aspecto para as miúdas que lêem livros de jeito e que me mantém acordado à noite. A ler. As sortudas. Como seria de esperar, aprender lições não é comigo, e, mais uma vez, qualquer post que eu faça que mencione a minha ex-mulher torna-se logo numa acesa discussão em caixas de comentários, e-mails e até por sms. Estou disposto a facilitar a coisa, se quiserem também vir falar comigo pessoalmente e dar-me na cabeça com teorias que não lembram ao menino Jesus, e olhem que ele é menino para ter a sua imaginação, é irem ao concerto de Diabo na Cruz hoje e encontrarem a miúda de nove anos que está às cavalitas do pai a gritar "aaaaaaaaai é tão lindo ai é tão liiiiiiiiiiindo". E é, e é.

4 de julho de 2012

Livreiros e o facebook

Livreira: ta td fixe?
Eu: diz q sim, tirando estar sp a receber telefonemas das gajas das editoras q n conseguem ligar p a loja
Livreira: o telefone ta avariado fazemos chamadas mas nao recebemos
ola porca
nao era para si
ahahahahahah
Eu: ahahahah
quem é a porca?
hahahah
Livreira: ahahah era a minha mae...
Eu: ...
Livreira: tou  a brincar, era uma amiga!

Fim da trilogia

O post de ontem serviu assim como uma espécie de premonição diabólica, pois que o telefone toca à noite e era ela, sob mil e um pretextos, a querer saber da minha vida sentimental e amorosa, e uma pessoa por muito que queira não consegue falar de coisas que não existem, vai daí falámos de tudo e de nada, como sempre, durante demasiado tempo, ela sonhou comigo, eu estava numa orgia com mulheres mascaradas, o normal portanto, repliquei eu, ela estava ainda em choque, pediu-me repetidamente para não me meter em orgias, acho que é um conselho normal para um ex-marido, não percebo nada disto dos divórcios, parece que ela estava na esplanada da praia onde fui ontem à tarde, valha-nos o deus dos desencontros, parece que continua a dizer às pessoas que eu sou a pessoa mais íntegra que ela conhece, eu disse que é difícil ser íntegro quando nos falta um bocado de nós, ela não percebeu, eu também não sou bom a explicar-me portanto deixei passar, ela tem pena que as coisas não tenham resultado com a pessoa que me fazia viajar pelo país, não mais que eu, garanti-lhe, falámos de celulite e como as comparações eram despropositadas porque ela aos vinte e quatro já tinha sido mãe, ainda por cima agora já foi duas vezes já tá acabadinha, isto fui eu que disse, ela apenas riu-se, chamou-me parvo, parece que é uma constante nas pessoas que falam comigo, qualquer dia tiro ilações a sério disto.

3 de julho de 2012

To eve the art of witchcraft

O elevador a chegar e eu a dar aquele último beijo enrolado num abraço, o elevador a parar e eu a virar a esquina do corredor, o passo a acelerar, um adeus que foi um até já, a porta abre-se e sai de lá um oh o teu pai onde está?, ali, onde?, ali, e o meu passo a parar, e os passos atrás de mim e eu a virar-me para trás, e ela mais magra, os trinta ficam-lhe bem, acabada de acordar, vestiste o macacão ao contrário, ela olha para baixo confusa, ahah és tão parvo, até parece que não me conheces, conheço, boas férias, meto os óculos e dou meia volta e saio, diz que há um cão e uma casa vazia à minha espera.

2 de julho de 2012

Memorial

Amanhã vou entregar a Catarina a casa da mãe, apesar de ser alguns dias antes do previsto, não sou capaz de negar a ida da filha para casa da mãe sabendo que se ela não vai uns dias mais cedo eram apenas cinco dias que se viam num mês e meio e isso é pouco, muito pouco, eu não me imagino com tão pouco tempo da minha filha na minha vida, mas é assim a realidade destas coisas, as pessoas fazem escolhas e vivem com elas, outras há que acham que vivem com as escolhas dos outros mas, na realidade, as escolhas foram nossas lá bem atrás, e eu nunca me esqueço disso, e ela hoje, pela primeira vez, confessou saudades da mãe.
Estava com ela desde dia catorze e, tal como nas férias do ano passado, a sensação que fica agora, nesta última noite (ela já dorme, a história do tubarão acompanhada com a viola faz milagres) é de que devia ser sempre assim, sempre, esta palavra que se teima em dizer mas que nunca (ironia) se concretiza, e assim num dia estou a apanhá-la na festa da escola para iniciarmos as férias, abro e fecho os olhos uma vez e pronto, está ela a dormir na véspera de se ir embora, os dias de praia, as idas ao shopping para comprar roupa e trocar cromos, as festas da rã e de tires e os arraiais e tudo o mais, desaparece tudo diante de mim e fica apenas este grande e amargo vazio, e agora vêm aí os dias em que nada parece fazer sentido, em que me vou arrastar pelo tempo, talvez pelo espaço, abrir e fechar livros, ler capítulos sem apanhar nada, a cabeça pode estar cá mas a verdade é que eu leio com a merda do coração.


Como entreter a filha antes de ir para a praia

"Escreve poesia", disse-lhe eu, já que ela estava farta da viola e da 3DS. E ela foi-se fechar no quarto. E voltou com isto:

Verão, Inverno
Outono, Primavera
Todos geniais
mas o melhor
de todos é o
Verão / praia
que até se
come uma papaia
E pronto
a história do
Verão feita
num abrir e
fechar de boca.


30 de junho de 2012

Scary monsters & nice sprites

Gravei um cd para a Catarina ouvir no carro da mãe. Reacção dela:
- Pai, quando andar de carro com a mãe e o mano, vou por Skrillex com o bass no máximo, e vou levantar o volume, até o mano vai ficar estrábico!!

Neon bible


A Catarina a fazer-se passar pela avó, num recado para a tia.

29 de junho de 2012

I win


"Das suas colaboradoras: **** e ***!"

"Viver sem livreiras. Do vosso chefe Ricardo"

28 de junho de 2012

Prémio "Ser português é isto"

«Os postes não deixaram que a Seleção fosse mais longe» - Hermínio Loureiro

Momento sexy do dia na praia

Ficar à beira-mar a apanhar a brisa enquanto a Catarina "mergulha" (vamos utilizar este termo para felicidade dela, embora apelidar aquilo que ela faz de mergulhos é de uma liberdade quase poética) a segurar na bola cor-de-rosa e azul bebé da Hello Kitty dela.

Como envergonhar a filha na praia

Gritar "Estou farto deste mundo, Bikini Bottom aqui vou eu" enquanto corro para a água e mergulho. Resulta sempre.

27 de junho de 2012

Lição de Voo

Análise das letras da música pela Catarina, no carro:
- Ele diz "não disse nada, porque nada havia para dizer". Ele podia só dizer "não disse nada". Não era preciso esclarecer porquê.


25 de junho de 2012

Hoje deu-me para isto


O título do artigo quase que podia descrever a minha vida. Tem é cinco romances a mais.
(é uma sorte ter livreiras espectaculares que, além de nos aturarem, nos enviam isto por mensagem).

24 de junho de 2012

Now I lay thee down

Aparentemente o único sítio onde não fui ontem era o sítio onde havia o bikini. A Catarina já tem o seu bikini novo todo giraço para o verão, graças à Tezenis. Tamanho, modelo e cores, tudo do agrado da pequena criatura. 

23 de junho de 2012

Alice in chains

Hoje tentei (e vamos todos por o nosso ênfase no tentei) comprar um bikini para a Catarina. Ela não gosta de fatos-de-banho, e agora vendem-se umas coisas que são 50%-bikini-50%-top-100%-feias que ela também não gosta. A questão é que corremos todas as lojas de um centro comercial (desde a Primark à Lanidor) e não havia fatos-de-banho para o tamanho dela. Ou pequenos, ou grandes. E feios, muito feios.
É para estas coisas (e para lhe secar o cabelo a seguir ao banho) que dá jeito uma mulher em casa.

Punk moda funk

Alguém me consegue explicar qual é a cena das mães sozinhas com crianças na praia, com óculos tipo aviador, biquinis desadequados para a idade e tatuagens foleiras no fundo das costas / em casos mais extremos nas mamas? Estão em franca proliferação.

22 de junho de 2012

Dream on

Ontem, a meio de um sonho em que perseguia algo que nunca conseguia alcançar, voltei a estar no sétimo andar de um prédio que aparece recorrentemente nos meus sonhos. Não faço ideia que prédio é, onde é, nada. Conheço o corredor que dá para o elevador, sei que é um sétimo andar porque é o número que aparece marcado quando ele chega. E depois carrego no zero sabendo já de antemão que o elevador faz uma espécie de queda livre até ao zero, parando mesmo no último segundo antes de bater. Na queda ele ainda oscila, a coisa vai completamente descontrolada. Nos outros sonhos em que este elevador e sétimo andar apareceram a sensação era sempre a mesma. Eu com medo de entrar no elevador e a carregar no botão, e esperar, numa ânsia brutal, que este caia violentamente. Eu depois saio do elevador, quase como se não fosse nada (a não estar em pânico por dentro, mas isso para o transeunte anónimo é indiferente).
Isto será uma metáfora para alguma coisa na minha vida? Depois estes sites sobre sonhos, é só resultados contraditórios, se uma pessoa já não pode confiar em sites manhosos brasileiros de interpretação de sonhos não sei que mundo é este em que vivemos. Se em alguns sites descer no elevador significa conquistar fortuna através de muito trabalho, já noutros é sinónimo de perder o controlo dos sentimentos ou coisas nefastas em termos profissionais. Eu acredito mais nos primeiros, parece-me gente mais séria.

21 de junho de 2012

Cruelty and the beast

1:38 da manhã de ontem recebo uma sms da ex-mulher a lembrar que às 9:30 tinha de ir buscar as notas da nossa filha. Respondo-lhe a confirmar que está tudo controlado e que estou espantado por ela estar acordada a estas horas. Ela responde-me "virei morcego, meu amor ahahah e estou com o período pela primeira vez desde que pari, estou a esvair-me em sangue, achei importante partilhar". Eu devo ter feito mal a alguém, só pode.

And justice for all...

Eu tenho um fascínio pela Paula Teixeira da Cruz. É isto. Tinha que desabafar.

20 de junho de 2012

Três Tristes Tigres #1

"(...) e digo-lhe que se passa minha senhora (sim sim de senhoria e tudo, que sei quando armar ó fino) é que a senhora não sabe viver o momento e a vida torna-se-lhe deficílima ou seja que já tá muito passada pra me compreender, e responde com ua treta: se tu podes ir quando te der na rial gana, menina, que a mim ná me importa nada de nada a tua vida nem com o que fazes com o que tens entre as pernas, que isso é assunto teu e do outro e eu não tenho nada a ver com isso, de maneira que arranca pra aí quando quiseres que se faz tarde e digo-lhe, mas minha filha que enganada, mas que enganada que tu tás: quem é que te disse, digo-lhe, que o carnaval é um homem (...)"

As avós, as avós

Na clínica onde lhe afinam o aparelho auditivo: "fui internada aos 18 anos com febre tifóide, e o hospital estava cheio de médicos novinhos, a aprenderem, e eles mexeram em tudo menos na febre, a aproveitarem-se". As enfermeiras olhavam para mim. Eu encolhia os ombros.

19 de junho de 2012

Não havia o "Lolita"...

Aproveitei a ida a Lisboa para ir buscar um livro para ler, mas, coincidência, não havia o Lolita. Tinha chegado no fim da semana passada, e agora apenas restava o espaço vazio na estante.
Mas não vim de mãos a abanar, graças aos simpáticos senhores da Planeta:


Tinha à minha espera o novo livro do Zafón, que sai a 28 de Junho, mais o guia de Barcelona, tudo numa caixinha toda jeitosa. Nunca li nada do Zafón (sim, nem a Sombra do Vento eu li, ouvi dizer que isso, para um livreiro é uma espécie de falha inconcebível). Vamos ver se é desta.

Juventude sónica

- Vamos a Lisboa filha? Nunca foste à Sé e ao Castelo de S. Jorge, podíamos ir lá hoje.
- Boa! Há McDonalds?
- ... Sim, há McDonalds.
- Se há McDonalds eu vou a todo o lado.
- ...

18 de junho de 2012

Descobri a minha alma gémea

"Ele roubou-me o título", foi a primeira coisa que a cantora e escritora norte-americana Patti Smith pensou quando deu de caras com o livro Detectives Selvagens. Até ali, o nome de Roberto Bolaño era-lhe desconhecido, mas não resistiu, comprou o livro e rendeu-se de imediato à palavra e ao universo narrativo do chileno. "As suas histórias activam as minhas energias de escritora", afirmou Patti Smith numa entrevista, ontem, ao jornal ABC. A Casa da América Latina em Madrid dedicou uma semana a Bolaño e convidou a artista considerada a " mãe do punk" para encerrar o evento."Bolaño é como o rock and roll, é revolução, pecado e energia sexual" - foi com estas palavras que a cantora descreveu os livros do escritor com quem diz ter uma "relação alquímica" como já tinha com Picasso ou Rimbaud. Para Patti Smith, o livro 2666 é a "primeira obra-prima da literatura do século XXI" e, apesar de assumir que tem muita dificuldade em aprender línguas, a cantora diz que gostaria de aprender espanhol só para ler Bolaño.

17 de junho de 2012

Daredevil


"Claro filha, isto é perfeitamente seguro, anda lá na mini montanha-russa" ...

Runs in the family

A minha irmã mais nova, na Worten: "vamos por ali que eu gosto de cheirar o interior destes frigoríficos novos".

16 de junho de 2012

Inferno de Dante (ou feira de Tires, para os leigos)

Ah, as festas de Tires. Deviam mudar o nome para "concentração de gente feia". Onde anda esta gente o ano todo? Deve ser gente que vai ao Intermarché, seguramente. Sei é que se reúnem ali em Tires, nesta altura do ano.
A Catarina andava a chatear-me há algum tempo para lá ir. Lá cedi, agora que estamos ambos de férias. Depois de um cachorro gigante e de um churro, lá andou no canguru, ganhou um peluche horrendo numa roullote manhosa, e andou nos carrinhos de choque.  
Antes de ela andar nos carrinhos de choque, pus-lhe a mão no ombro, baixei-me junto dela e disse-lhe: "destrói os a todos, bate-lhes por trás que tem mais impacto na coluna, e bate preferencialmente nas duas gordas, são alvos fáceis, ah, e o miúdo mariquinhas no carro da Minnie, esse também é para abater", é muito mau?
Aparentemente, em Tires, bandeja é "bandeija", existe uma coisa chamada "CapiKids", caipirinhas para crianças, as t-shirts do Marilyn Manson são o item número um nos stands de venda, cada "atracção" ou lojinha tem a sua música pimba a tocar formando um tufão de música pimba tipo 3-D sonoro, os cãezinhos a pilhas conseguem ser mais irritantes do que nos outros sítios e os gajos com ar de índios não tocam flauta mas vendem bugigangas diversas.
Acho que volto lá hoje à noite.

Leitura de férias

Para a Catarina foi fácil: dois livros de "Uma Aventura", um "Viagens no Tempo", a Caminho e a Isabel Alçada e a Ana Maria Magalhães (aqueles dois seres indissociáveis) podem agradecer-me por carta para a morada do costume. 
Já para mim, o Três Tristes Tigres (isto até escrito é coisa para enrolar um gajo) continua a agradar-me muito, mas não chegava para as férias todas. Portanto fui escolher um livro novo e ali estive a pedir opiniões. Foi difícil chegar a uma conclusão e, como é habitual, não liguei à opinião de ninguém e escolhi o primeiro volume dos contos de Tchekhov. Ainda não tinha acabado de me sentar na secretária quando toca o telefone: uma rapariga tinha vindo de propósito algures de longe só para comprar esse livro. Lá fui eu levar-lhe o livro. Espero que goste. Ranhosa.
Decidi escolher o livro quando saísse, mas era eu a começar a escolher e ao mesmo tempo uma jornalista ligada ao mundo dos livros a entrar na sala e a chamar por mim, ela, que costuma ir lá fazer entrevistas a autores, que já me entrevistou, e eu a ver a minha vida a andar para trás, ela aguardava a chegada do autor, queria companhia, mas eu queria muito escolher um livro e chegar a horas ao arraial da Catarina, e ela a falar de livros, do Hugo Mãe e do Tavares, muita conversa sobre as críticas negativas à (quase) auto-biografia do Pessoa, parece que é um desastre, nunca a tinha ouvido com tanto sotaque, curioso, e eu a dizer que tinha que ir ter com a minha filha e ela sem acreditar que eu tinha uma filha com nove anos. 
Conclusão: não trouxe mais livro nenhum. Vou ter de lá ir novamente.

"Eu quero roupa da Miss Sixty"


"Eu tirei uma foto com umas modelos na Gardénia", "Quero entrar no casting para a novela nova da SIC".


Tu tem é juízo, tu tens 9 anos e gostas de dançar o malhão que eu bem te vi, de lencinho azul bebé na cabeça e sorriso de quem o mundo termina nos portões daquela escola e se esgota no som deste arraial. Ok, ok, eu bem te vi abanar a saia ao som do David Guetta, depois...



E fazer uns passos de dança mais modernos...


Mas tem juízo que tens 9 anos, e nem a quarta classe ainda tens. 




14 de junho de 2012

"Meu Bebezinho mau e bonito:"


"Nininho", "Víbora"...
Isto é muito, muito bom.

12 de junho de 2012

Um daqueles dias

Eu já não estava particularmente bem disposto hoje (sei que não me lêem, mas as mais sinceras desculpas aos nove livreiros que tiveram que me aturar). Até ter falado com a minha ex-mulher ao telefone. Fiquei muito pior. Escrevi um texto relativamente azedo em relação à atitude da minha ex-mulher hoje. Mas decidi apagá-lo. Contei o sucedido a duas pessoas, não o farei mais. Não vai ser uma caixa de comentários cheia de frases como "tens razão", "ela é estúpida" ou "és extremamente atraente" que vão melhorar a coisa. 
Ter ou não razão não muda absolutamente nada. 

11 de junho de 2012

Ela cantava boleros

No último feriado levei o Link a passear ao pé da praia. Já há algum tempo que não ia com ele para esta zona. Levei o Cabrera Infante para ler, na esperança que ele se deitasse na relva, ao pé de mim, enquanto eu lia descansado e descansava os olhos no mar. Claro que rapidamente me recordei do porquê de não vir com ele para esta zona quando está bastante gente. 
Não consegui ler nada. Fui interpelado por duzentas e cinquenta e três pessoas. Tive de ouvir a piadinha do "Link? Eheheh, tirou-o da Internet?" ou "Link? Porque não Download?" algumas trinta vezes. Uma hipster (essa gente do piorio) tirou-lhe uma foto com uma lomo, agora o meu cão vai ser a capa do mural da hipster, ninguém merece. Duas jovens mulheres tiveram cerca de vinte minutos a tentar meter-se com ele, enquanto eu lia. Quando, finalmente, ele lhes dá atenção, uma delas tenta fazer-lhe uma festa com a mão direita, enquanto segurava na mão esquerda um lenço de papel. Claro que o Link comeu o lenço de papel da mão dela, deixando a rapariga meio assustada, e a amiga deliciada. Resultado: ainda se sentaram mais perto de mim e não consegui mesmo ler. Depois as perguntas do costume "quanto pesa?", "come muito?", etc. Gosto particularmente da pergunta "morde?". Respondo sempre: "até hoje não, mas há sempre uma primeira vez". 

10 de junho de 2012

Beautiful morning

A Catarina na missa, a cantar as músicas e a fazer a coreografia de uma delas, perante o meu olhar espantado:
- O que é?! Eu ando na escola, não sabes?!

9 de junho de 2012

Farewell and goodnight

A distância ganhou. Sem floreados desnecessários, é isto: a distância ganhou. Uma distância que, mais do que em quilómetros, terminou a ser medida em vontades. E se quando a vontade é imensa as coisas são difíceis, quando esta começa a viver à base de dúvidas torna-se completamente impossível. E assim foi.
Acabam-se as escapadelas para norte, o corpo todo torto naqueles lugares do comboio, ler e ouvir música era só para enganar, sonhar era o que se fazia durante aquelas horas. Terminou tudo, tudo o que parecia ser interminável. Apesar de saberes bem que nada o é, certo? Pois. A saudade. 

7 de junho de 2012

Eu é mais livros

O que eu gostaria, na realidade, de ter escrito para isto:

- O Estrangeiro (Camus, Albert) - A história de um moço levado da breca que não quer saber se morre a mãe ou se a namorada quer casar com ele ou se há sentido nesta vida e depois mata um árabe e os  The Cure até escreveram uma música sobre isso , e diz que o Bohemian Rapsody dos Queen também é sobre este livro mas isso eu já acho muito puxadinho. Já disse em duas ou três entrevistas que era o meu livro preferido, portanto agora tenho de manter isso, apesar de até já ter mudado de opinião.

- Meridiano de Sangue (McCarthy, Cormac) - Uma pessoa vai ler isto à espera dos índios e dos cowboys, e encontra só cowboys, porque os índios foram todos mortos pelos cowboys. Mortos e violados e tiram-lhes os escalpes para usar à cintura porque na altura não havia iphones nem óculos de massa e uma pessoa para dar nas vistas a descer o Chiado lá do sítio era assim que fazia. O José Luis Peixoto viu-me com o livro na mão e disse que era muito bom, e, apesar de isto afastar logo assim tipo toda a gente, é uma boa recomendação. 

- Os Irmãos Karamázov (Dostoiesvsky, Fiodor)  - Livro com o qual me revejo muito, porque é só gente muito boa e muito má, mas na mesma pessoa. Os Karamázov tanto têm acções muito bonitas como depois vão para Mokroe (deve ser tipo a Amadora lá da Rússia) com ciganas, mujiques, polacos e senhoras de índole duvidosa gastar aos três mil rublos de cada vez. E de quem é a culpa? Das mulheres, pois. O Freud e o Einstein gostaram muito, e eu também. 

 - Pais e Filhos (Turguenev, Ivan)  - O Nabokov diz que o Turguenev é melhor que o Dostoievsky, e neste livro nós até lhe damos razão. Neste Pais e Filhos ele cria uma personagem nihilista que é o Bazarov, das personagens mais fixes de todos os tempos (personagem cujo destino final vem escarrapachado na contra-capa do livro, obrigadinho Relógio d’Água), que depois, como não podia deixar ser (por causa do amor e das mulheres) se desgraça e deixa de ser tão cool. A Maria Filomena Mónica gostou muito, e como ela andou em universidades inglesas e anda com o António Barreto ela deve saber mais do que eu, portanto vão mais pela opinião dela que pela minha. Apesar de no fundo ser a mesma. 

- Detectives Selvagens (Bolaño, Roberto) - O livro mais fixe de todos os tempos (embora, e isto é uma contradição, eu tenha dificuldades em dizer porque o prefiro ao 2666, e há dias em que prefiro, e há dias em que não), porque fala de poesia e de juventude e de morte, e no fundo fala de tudo o que interessa. E fala no Eusébio e no Pessoa, lá pelo meio. Temos um puto de 17 anos que se junta “obviamente” a um movimento literário, logo para dizer que não faz ideia no que este consiste. Não fomos todos assim, um dia? Três poetas em busca de nada, pela arte, pela poesia. Um livro para leitores (sempre quis dizer isto, e agora que penso nisso não o disse lá e perdi uma boa oportunidade).

Eu sou assim, suave

"Ricardo made progress with Três Tristes Tigres on Goodreads." - Diz o meu status do facebook. Isto do "made progress" parece que estou em processo de engate e que já a levei para casa. 

5 de junho de 2012

Short-term memory

Incrível como me tinha esquecido de que a minha vontade de limpar e arrumar a casa é tanto maior quanto mais em baixo me estiver a sentir. Isto de blogs é muito bonito e tal, mas agora vou limpar a cozinha.

3 de junho de 2012

No hesitation, no delay

Mais do que uma revelação, esta semana foi a confirmação de que ela é, de facto, especial.

1 de junho de 2012

Nítido Nulo


Link, à busca da mítica vizinha em topless a estender a roupa, o pobre ainda acredita nestas coisas.

31 de maio de 2012

Don't sit down 'cause I've moved your chair

Tenho que recomendar cinco livros para uma revista bonita (segundo a pessoa que me convidou), e fazer um pequeno texto a acompanhar cada livro. Daqui a uns dias mostro o resultado.


30 de maio de 2012

The bakery

Chego à padaria onde tomo o pequeno-almoço, as funcionárias estão preocupadas com o facto do edifício ter sido comprado e de não saberem nada quanto ao seu futuro, "perguntem à Maya, pensei eu", mas isto sou eu que sou mal-disposto pela manhã, logo esta padaria que é o sítio onde consigo arejar durante dez minutos durante a manhã, sabendo de antemão que me posso cruzar com a Pipoca e vê-la na padaria é mais ou menos como ver um acidente na A5, um gajo não devia mas não resiste em andar mais devagar para poder ver, e depois diz "iiih, como isto está" enquanto abana a cabeça com pesar, é o sítio onde ouço conversas (quer da minha companhia, quer dos utentes da padaria) que não lembram ao menino Jesus, onde há um gajo que fala inglês, usa blazer e umas calças de fato-de-treino da adidas e usa um rabo-de-cavalo tipo Beckham há uns anos atrás, gajo esse que me deixa perplexo porque quem é que raio usa blazer e calças de fato-de-treino e ténis adidas e anda com um ipad e com uma senhora atrás com um ar exótico que fala inglês com ele e português com os demais e também tem um ipad, e eu sinto-me info-excluído por não ter um ipad, e já pensei em perguntar-lhe "who are you, what the hell are those clothes, can you give me an ipad please?", e talvez, talvez ele seja um gajo porreiro e até dava o ipad ao gajo que geralmente bebe um ucal enquanto pensa em tudo e em nada, e nisto lembro-me como as senhoras são lentas como tudo a despachar o serviço, e ok, admito, isso irrita-me mas é da maneira que consigo espairecer mais um pouco, e também há aquela rapariga em que por mais que a vejamos nós não conseguimos decidir se é gira ou não, nunca percebemos se é do sono ou que raio, mas a verdade é que ela não gera consenso à sua passagem e isso no fundo, no fundo, até pode ser algo positivo, e a curiosidade é que os Arctic Monkeys têm uma música chamada the bakery e que, no fundo, não tem nada a ver com isto mas que toca na minha cabeça quando lá vou, e depois também há uma senhora da padaria que convidou um colega meu para um  desfile de moda, e eu temo por ele porque ela tem 1,80m e deve pesar mais quarenta kilos que ele, e ele é bom livreiro e eu preciso dele na sala um, porque isto dos bons livreiros é como as boas padarias, há poucos e depois se perdemos os bons é uma chatice e depois tem que se arranjar outros e eventualmente, apesar de não nos lembrarmos dos antigos, vai-se a ver e não é a mesma coisa.

29 de maio de 2012

A minha irmã adolescente...

É neste momento a pessoa mais feliz do mundo: tem um autógrafo e tirou uma foto com o Robert Pattinson, o senhor que lhe preenche as paredes do quarto.
O meu grande abraço vai para o namorado dela que a levou lá, é preciso coragem, o puto subiu na minha consideração. 
Aposto que nenhuma namorada minha me levava a ver a Helena Coelho.

28 de maio de 2012

Em nome do medo

Gostava que ela percebesse que sim, que no fundo ela é uma mulher forte e aguenta tudo isto e muito mais. A luz ao fundo do túnel é bastante mais real do que ela pode sequer imaginar. 

27 de maio de 2012

The aftermath is secondary

Custa-me explicar ás pessoas que inocentemente me pedem conselhos amorosos que esse acto equivale mais ou menos a pedir conselhos sobre como fazer substituições ao Jorge Jesus. Um gajo fazer até faz, mas o timing é sempre mau, e a probabilidade de desastre é real e elevada. Além do  mais, acho que o facto de ser divorciado quer dizer qualquer coisa. 
Ainda assim, existe uma dúvida que me assola de forma recorrente: como amigo, devemos evitar que um amigo tropece ou apenas que ele caia? Ou apenas devemos ajudá-lo a levantar? Ou, melhor, apenas devemos apontar e rir e depois certificarmo-nos que aprenderam a lição? 
As pessoas são adultas, têm idade e experiência suficiente para perceberem nas situações em que se estão a meter e nas possíveis consequências dessas situações. Deve um amigo alertar constantemente para essas consequências, caso a pessoa as ignore? Ou deve apenas referi-las, e depois deixar a pessoa agir por si própria?
Tende juízo, é o que vos digo.

26 de maio de 2012

That awkward moment...

... Em que numa saída com alguns colegas do trabalho eles equacionam a hipótese de tu teres uma vida dupla, ao encontrares num curto espaço de tempo várias pessoas conhecidas num sítio onde nunca sequer tinhas ido. Eu, a pessoa que nunca sai.

25 de maio de 2012

Novo desporto no comboio

Tentar descobrir quem, no meio daquelas trinta pessoas que ocupavam o espaço de cinco, exalava um característico cheiro a vinho de mesa do Lidl.
Sem suspeitos óbvios, a escolha foi difícil e inconclusiva.

24 de maio de 2012

Amigos da CP

Isto das filosofias de vida é tudo muito bonito mas é quando não há greves da CP durante três dias.
Tive de correr para o comboio hoje, sob pena de ficar por tempo indeterminado parado na estação. Algo que para quem, parecendo que não, ainda tem de trabalhar, é coisa para causar transtorno.
Sou a favor das greves? Ideologicamente sim. Mas andar de comboio às 19 horas num calor insuportável, com a lotação completamente ultrapassada, é algo que pouco me apraz.
Viajei com uma senhora do lado direito a dar-me com a mala nos joelhos durante toda a viagem (tipo Bruno Alves mas em versão senhora de programa de tarde da TVI), com a senhora do lado esquerdo a ler do meu livro (e lia rápido ela, eu bem que a via a lançar-me um olhar do tipo "então, já viravas a página") e, bem, a pessoa que ia atrás de mim (vamos chamar-lhe "senhora", pois eu não me virei para trás para confirmar o sexo da pessoa, mas, dado o nível de esfreganço que ali houve, vamos todos acreditar que sim, que era uma senhora, sueca de olhos verdes), com o balançar do comboio, proporcionou contactos que em certas e determinadas culturas eram coisa para obrigar a um casamento.
Greves, sim, mas vejam lá isso.

23 de maio de 2012

Da sorte

Estava há mais de três semanas a tentar que a empresa de manutenção eléctrica fizesse uma coisa aparentemente simples. Nunca apareceram, havia sempre imprevistos de última hora. Hoje, que levo na cabeça do meu director regional por a alteração não ter sido ainda feita, volto a ligar aos gajos. Aparecem no espaço de vinte minutos. Os gajos são de Braga. Devo tê-los apanhado no dia de ir tomar café ao Chiado ou coisa que o valha. Obviamente que ouvi o belo do "é preciso eu vir cá para tratares destas merdas". 

Bomba canção

Roque popular, mais logo, no Ritz. E mais nada.

21 de maio de 2012

Isto é tudo dele


Chego à conclusão de que não consigo iludir o inquebrável olhar da mordaz crítica canina. 

Conversas matinais

- Pai, vamos chegar atrasados! Não vou chegar a tempo de rezar!
- Oh filha, um dia não faz mal.
- Mas eu ia rezar para tu ficares melhor!
- Oh, meu amor, farias isso pelo pai?
- Sim, eu rezo sempre a pensar em vocês. A Matilde é que é esquisita.
- É? Porquê?
- Ela reza sempre para que a crise acabe.
- ...

20 de maio de 2012

Bob o construtor

Aquele bonito momento em que eu tenho que reler as mensagens que recebo do trabalho para ter a certeza de que efectivamente foi aquilo que li:
"Chefe, não querendo assustar... Mas o pessoal da lusófona está a fazer furos com um berbequim na parede."
Pois. Esse pessoal da Lusófona nunca foi de confiança.

Genius

Repórter (dirigindo-se a um elemento da tuna que actuou no centro do relvado no Jamor) - E então, de onde é que vieram?
Gajo da tuna - ... De Coimbra ...

19 de maio de 2012

Electricity

Eu gostava de saber em que altura é que os meus funcionários se esqueceram de que me adicionaram no facebook deles, e que eu consigo ver quando estão a postar coisas durante a hora de trabalho.

18 de maio de 2012

Dog days are over

- Pai, o Link está a babar-me a camisola do Messi!
- ... Tens uma camisola do Messi vestida!? Mas nós vamos ao supermercado!
- E então?
- Filha, não vais com uma camisola do Messi às compras...
- O que é que tem? É uma camisola normal.... Do Messi.
- ...

Indeed

- Pai, nem sabes o que os miúdos do segundo ano me chamaram!
- O quê?!
- Gaja!
- ...
- Sim, disseram "onde é que vai esta gaja?!"
- E tu?
- Eu? Dei-lhes umas chapadas.
- Catarina, eles são pequeninos do segundo ano!
- Mas chamaram-me gaja!
- E tu bateste-lhes...
- Pai... Por favor. Tu sabes como é que eu sou.

Ainda o apanhamos

Já deixei de estranhar o facto de, independentemente da hora a que acorde ou saia de casa (coisa que varia entre o "estamos bem, estamos bem" ao "foda-se é tarde"), chegar todos os dias o suficientemente perto da estação para ver o comboio chegar, e depois partir. Surge logo a dúvida: corro ou não corro? Lembro-me do Carlos e do Ega, subscrevo a "teoria definitiva da existência: Com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para coisa alguma".
O comboio parte, e em seguida ouve-se o apito do comboio seguinte, e aí surge novamente a dúvida (ainda o apanho, desta vez, corro, não corro? É o lento, posso ir a ler sentado, mas por outro lado chego apenas um minuto antes do rápido seguinte...), e invariavelmente acabo por não correr.
Já algumas pessoas vão ter que perceber que as outras pessoas não são comboios e que, perdendo uma, não vem uma igualzinha pouco tempo depois, que nos leva aos mesmos sítios.

17 de maio de 2012

Pontos Cardinais

Parte-se pela manhã. Madrugada, afinal de contas, mas desta vez já é de dia. Lugar 3/16, o do costume, as coisas fazem o sentido que tu queres que elas façam, sabes tão bem como eu. iPod carregado, livro aberto no sítio certo e tudo se movimenta para que tudo fique onde realmente é suposto estar.
Trocamos de comboio como quem troca de rádio no carro, haverá sempre algo melhor do outro lado. O nosso senhor há de estar a vir, deixa tudo pronto e reza para que tenhas validado o bilhete. Trocamos o sentido norte pelo sul, os momentos deslizam por entre as mãos como a areia onde me enterro quando te pego ao colo, à beira-mar. O tempo, ali, mede-se em ondas.
Estação quase vazia, momentos de silêncio em que tudo está parado e tu aí percebes porque é que a Sophia escrevia sobre aquele sítio, percebes porquê. 
Está calor, e eu vermelho do sol, as palavras "moreno", "olhos verdes" e "giro" são repetidas até à exaustão. Por mim, tu apenas ris-te com a graça que só tu tens, quando te ris. 
Está calor, dentro e fora de portas. Água fria, quente, morna. Não há Ray LaMontagne nem XX, há um silêncio que ultrapassa qualquer música. Pernas encostadas à parede, arranjas-te para sair como só tu sabes arranjar-te (os botões de punho da camisa, os botões de punho do casaco...). Pernas que nunca mais acabam. Como as saudades, sabes? Nunca mais acabam. 
O tempo salta até às lágrimas numa sala de cinema, num filme mau em boa companhia. E depois aqueles três quilómetros a pé numa cidade adormecida, ainda é hora dos amantes passearem, ida e volta, pesadelo entre o sonho, e o sonho continua logo antes de fechares os olhos. Cheiro a morango, pernas que nunca mais acabam (já te tinha dito?)
O sonho continua, em breve.

15 de maio de 2012

Mancini? Sempre gostei

Aliás, é o meu treinador preferido de todos os tempos. E como jogador também era brilhante. E é bem parecido e tudo.
Isto? Isto não tem nada a ver com o caso, não sei sequer do que falam.

Giro, giro

É aceitar todo o trabalho que nos atiram para cima e depois perceber que ficaste de assegurar um lançamento no dia em que tens um concerto para ir. Não era má ideia começar a utilizar a agenda como deve ser.

14 de maio de 2012

Mísera, a glória da distância

O que é que se passa entre nós e as portas automáticas? Acho que vou sempre guardar na memória as imagens de tu a passares nas portas automáticas, a deixar o olhar (e muito mais) para trás, na hora de nos despedirmos. Eu sei, somos tremendamente bons nas despedidas. Como no resto, afinal de contas.
Qualquer dia trocamos as despedidas (ainda que poeticamente trágicas e belas) por algo melhor.
Qualquer dia viveremos à distância de um beijo. 

They only love me for my books

"Nem acreditas na coincidência, mas estava neste momento a pensar em ti. Quer dizer, não em ti propriamente dito, mas na tua livraria..."

Sete preces

Um gajo sabe que está perdido quando as pessoas começam a notar que estou a pronunciar as coisas à maneira dela. Medo.

13 de maio de 2012

O misterioso feminino #2 (ou como ela acha que tem piadinha)

Como ela aproveita o fim de telefonema complicado que depois se tornou em algo positivo, dito entre risos e sorrisos: "Estás muito bem! Muito bem. Mas ainda não estás nada moreno. E devias começar a correr com o Link. E fazer mais uns abdominais..."

Momento ex-wife do dia

"Gastaste *inserir aqui quantia obscena* euros com o cão numa semana? É sinal que o tinhas para gastar."
Isto vindo de quem anda de carrinha Bmw e mora num T3 novo em Cascais. É para eu ver que só tenho o que mereço.

12 de maio de 2012

Brainwash


Isto ficou no ecrã do comboio durante uns bons dez minutos. Eu acho que ele estava a tentar dizer-me alguma coisa.

10 de maio de 2012

Juventude Sónica


Pela primeira vez em dois anos chego a casa e não tenho um animal a saltar-me para cima na maneira suavemente brutal e selvagem de demonstrar carinho dele e assusta-me perceber que ele é uma parte maior de mim do que eu pensava, está visto que nisto de perceber sentimentos eu sou tipo Jesus na gestão do plantel, mexo pouco e acerto ainda menos. O silêncio da casa, o ficar sem perceber o que fazer em vez do habitual limpa-passeia-alimenta-ralha-brinca-ralha-passeia do costume, o levantar o olhar do portátil e pensar que ele está tão sossegado que não pode ser coisa boa e lembrar-me que ele não está cá, e a casa é só minha. Uma diferença abismal. Claro que ele está no seu hotel para cães, rijo, não ladrou nem choramingou, juro que eu também não, vai para a piscina e vai levar banho e confraternizar com outros animais que não o seu dono, deve estar a delirar com aquilo. Juro que não pensei em ligar para lá. Hoje. Amanhã, logo se vê. 
Vai daí, Casa Ocupada no gira discos, e vamos fazer a mala para a mini-escapadinha de fim-de-semana (porque domingo diz que há a comunhão da filha, vamos ter a família toda, novo filho e namorado da mãe da Catarina, parece que é desta que sim, que se junta tudo), porque o Porto não espera por mim, já eu desespero pelo Porto e parecendo que não fazer a mala às 21 horas é mais agradável do que fazê-la às 5 da manhã. iPod carregado, livro na mala, dormir é para crianças, quero ler na viagem, quero chegar rápido ao Porto, se as saudades fossem prosa eu era o Lobo Antunes.
Nisto, compram-se bilhetes para o Ritz, Diabo na Cruz e Linda Martini. E estamos despachados de concertos para Maio, parecemos putos, não temos aulas amanhã.
Até domingo, então.

Bitch, please


Menos.

9 de maio de 2012

Conversa com um vendedor

Vendedor - Este livro é sobre o casamento... Er... O casamento entre pessoas da mesma pessoa.
Eu - Hm?
Vendedor - Sabe que ali em baixo compraram cem exemplares... É que há muitos por aqui.
Eu - Hm.... Ok... Podem ser dez, então.
Vendedor - Tem a certeza? Olhe que eles gostam de vir passear para esta zona!
Eu - ...


Nunca soubemos dar nós

25 de Maio, no Ritz. Nós, os outros.



Espero te chegar...

8 de maio de 2012

The suburbs

Hoje, visto que já não tenho seguro de saúde para o cão (a sério), decidi trocar o veterinário de S. Pedro pelo veterinário ao lado da minha casa. E não estou nada arrependido. Elas foram meigas, atenciosas e muito cuidadosas. E também não trataram nada mal o cão. 116€ mais pobre, mas com a noção de que tenho um animal lindo e bem cuidado, e isso, no fundo, é que importa. 


7 de maio de 2012

Oh god why #2

"Pai, a mãe e o F. (namorado da mãe) fizeram-me um interrogatório para saber quem é o meu namorado. Eu não tenho. Mas acho muita piada ao Gonçalo, filho da Adelaide mãe da Carminho. Ele é tãaaaaaaaao fixe! Pai, nem imaginas! Ele toca guitarra e bebe Coca-cola."
Toca guitarra e bebe coca-cola? 
... 

Oh god why

Os termos "botões mamários" e "puberdade" foram usados demasiadas vezes numa conversa sobre a última ida da Catarina ao médico.

Conversas de armazém

Eu a trabalhar e a saírem estas pérolas do armazém ao lado do meu escritório, sem qualquer ordem:

"o Kama Sutra desaconselha que o homem case com uma mulher careca e com mãos suadas."
"como é que eles mediam a profundidade da vagina na Índia no tempo do Kama Sutra?"
"Courgette não, pepino!"
"Portanto a mulher elefante fica com o homem cavalo, não devia ser a mulher égua?"
"Ainda não te contei a história da pila do cavalo."
"Quando a minha mãe fez festinhas ao cavalo ele ficou com a pila até ao chão."
"A minha mãe deu festas na égua e o cavalo deu uma tareia na égua."
"Já vi foi o orgão de uma baleia. É enorme e flácida."
"Há baleia macho e baleia fêmea?"
"Não deve dar muito jeito ser baleia."

Pois.

Desta não estava à espera

No meio de uma reunião na semana passada troquei umas bocas com um ex-livreiro meu, actual gerente, sobre canetas. E ele, altivo, afirmava que no natal tinha oferecido aos amigos uma Parker. E eu, claro, não perdi a oportunidade de lhe dizer que era bom saber que eu não me incluia nesse campo, afirmação que resvalou logo para comentários trocistas sobre cores clubistícas.
Na feira do livro ele disse que tinha comprado algo para mim: a minha primeira sugestão foi "A Bola" com a primeira capa relativa ao campeonato ganho pelo Porto.
Mas, eis senão quando hoje ele dá-me um toque para ir à porta da livraria e lá estava, uma Parker para mim. Já lhe disse que vou utilizá-la para prefaciar o romance de estreia dele.

6 de maio de 2012

Até para o ano


E termina aqui o périplo pela feira do livro, por este ano. Sinto uma nostalgia incrível, vou sentir a falta disto.
É como a criança me disse hoje, sentada no balcão, quando eu lhe dei três blocos com umas cabeças de animais, (depois de ele me perguntar se eu podia dar aquilo eu dizer-lhe "shhhhh, não contes a ninguém!"):
- A feira do livro é lindo!!!
E é puto, e é.

Alpha noir

É sempre bonito responder a um "bom dia" com um "pode confirmar", perante o ar atónito do cliente, ou dizer a outro "pode confirmar-me."

L do D

Hoje, o Livro do Desassossego a 11.25€, edição de capa dura, da Assírio, quem não vier comprar é porque é estúpido. Ou porque não pode. Ou porque não gosta. Isto há gente para tudo.

5 de maio de 2012

In and above men

Qual Pingo Doce, qual quê, deviam ver hoje a coragem das pessoas a aguentar duas horas para falarem e terem um autógrafo do José Luís Peixoto.  E dizem que os portugueses são pouco resistentes. Até tenho medo do que virá aí para a semana.

4 de maio de 2012

Meat is murder

Tenho uma relação com um pedaço de seitan. E adoro.

Headhunter

Chamem-me doravante, por favor, "senhor prospecção laboral". Tenho empregos para encontrar.

3 de maio de 2012

Reckless serenade

Já não há paciência para guerras entre empresas do sector livreiro em que absolutamente ninguém sai a beneficiar disso. As pessoas querem é ler, o resto é insignificante. 

Pára tudo, pára tudo

Morrissey? Em Cascais? Everything Is New, I love you.

Olha, foda-se

"Linda Martini tem uma triste notícia:
Fomos informados agora mesmo do cancelamento da nossa participação na SAL. De referir que a nossa vontade de voltar a tocar em Lisboa era muita e é com desagrado que somos confrontados com esta decisão.
Esta decisão é da organizaçã da SAL e é unilateral. ... Resta-nos deixar uma palavra de agradecimento a quem nos iria ver hoje e remeter quaisquer esclarecimentos adicionais para a organização do evento, uma vez que foge das nossas mãos.
Beijos,
♥"

O misterioso feminino #1 (ou como ela acha que tem piadinha)

Ela ser capaz de, numa conversa com o seu grau de seriedade, dizer, sem evitar rir, que eu já tenho "uma certa idade" e usar a chavões como "pronto, é que estás quase acabado" e "cota".

2 de maio de 2012

Black math

Catarina, na presença das tias e da avó:

Catarina - A Matilde contou-me uma anedota, é assim: a professora pede aos alunos para dizerem uma coisa que se pode chupar, e o Joãozinho responde "as cuecas!", e a professora envia um recado à mãe e mãe zanga-se e ralha com o Joãozinho e pergunta-lhe porque é que ele escreveu aquilo e ele responde: "então! Ontem à noite ouvi-te dizer ao pai "tira-me as cuecas e chupa!"
(segue-se um longo momento de silêncio profundo causado pelo espanto, em que se trocam olhares pautados pelo desconforto, na vã tentativa de tentar perceber quem é que vai dizer alguma coisa)
Catarina - O quê?! Não perceberam!?
(aqui é o choque geral)

Tempos engraçados que estão a caminho, está visto.

1 de maio de 2012

Dog protocol

Fico sempre sem saber se devo deixar o Link aproximar-se dos outros cães quando o passeio. Há donos que ficam histéricos e em pânico (oooooh meu Deus ele vai comer a minha cadela! A cabeça dele é maior que a a minha cadela! Anda ao colo da dona Pituxa!). Por outro lado, há donos que olham para mim com desdém quando eu não deixo o Link aproximar-se, do tipo "ah o teu cão é demasiado bom para se aproximar do meu?". 
Claro que há aquela cena bonita, que aconteceu há uns meses atrás, em que o Link se aproxima do Sumol, eu pergunto à dona a raça dele, ela responde que é macho, e eu digo "então não há problema, ele sai ao dono" e, antes sequer de ter tempo de acabar de falar já está o Link a tentar possuir selvaticamente o outro animal, macho. 
Enfim. Vicissitudes de ter um cão.

Tudo o que nem se sonha, mas o Ricardo é… *

"Ele teve um carro azul menina que insiste que é azul másculo. Ele é agarrado à terra e vai mostrar-te os sítios onde cresceu com o orgulho de quem está a mostrar uma parte de si, com o brilho no olhar de quem teria imensas histórias para contar. Dizem que é frio e distante, mas, na verdade, é agarrado às pessoas, acredita nelas e gosta genuína e fielmente. É extremamente organizado, mas, se o tratares com carinho, é capaz de achar adorável a tua desorganização. Ele nem sempre dá o primeiro passo, mas controla sempre. Ele sabe o que vais dizer, sem que precises de falar. Ele fala com o olhar e congela o tempo com palavras. Ele vai dizer-te que gosta mais de dar do que de receber, e quando tu pensas que é tudo tiques de D. Juan, não se fica por palavras, mostra-te o que é dar. O genuíno dar de cuidar. De achar que tudo é pouco. De achar que ainda não fez nada. Mesmo que isso implique acordar 30 minutos mais cedo do que tu e tropeçar nas coisas que deixaste espalhadas por todo o lado. Ele vai lembrar-te do que tens para fazer. 
Vai pronunciar “tefone”, mas não te importas, porque, fora isso, trata a língua portuguesa imaculadamente. Vai marcar a tua medida na parede e escrever o teu nome ao lado. Vai beijar-te e pedir-te para que não te mexas e aí, sabe, está a gravar o teu sabor e textura. Vai provocar-te sustos de morte e não vais ter vontade de lhe bater. Só de retribuir com insultos carinhosos. Estilo parvo, estúpido e, se estiveres inspirada, idiota. Vai fazer com que sufoques a rir enquanto pretendias comer tranquilamente um pouco de pão quente. 
Vai dizer-te que adora ouvir-te cantar para ele, embora nem sequer arrisques cantar no chuveiro. Vai dizer-te que sabe que o João gosta da Ana, porque lhe dá a mão na rua e, perante o teu espanto, vai teorizar que um rapaz só faz isso quando gosta mesmo. Um dia, mais cedo do que tu pensas, vai abraçar as mãos dele nas tuas. Vai dizer-te que da próxima vez não vai querer saber: vai correr para ti e abraçar-te. Não se vai importar de fazer de GPS humano só para garantir que chegas perto dele mais cedo. É muito príncipe. Vai dizer que é capaz de te conquistar todos os dias, e, nas primeiras vezes em que diz esta e afirmações semelhantes é capaz de te preparar com um “Isto vai ser forte”. Mas também é bem homem. E é capaz de suspirar Isto é tão errado ou dizer que tem saudades das tuas partes que assentam no banco do carro… É capaz de te pôr a ouvir músicas que antes nada te diziam e a gostar. Dás por ti a trautear And when you say that you need me tonight I can’t keep my feelings in disguise. The white part of my eyeballs illuminate.
Sobretudo, sabe que ele é intenso e que não tem meias medidas. Mas tem todo o tempo do mundo. E é de uma só. Ah, e claro, não te surpreendas se quando o ouvires dizer que não te vai esquecer nunca, aconteça o que acontecer, tu já souberes – antes de acontecer, antes de o dizeres – que não o esquecerás."

* (post da exclusiva responsabilidade da minha respectiva)