Como dizia o Bukowsky no Ham on Rye "Chaos AD, disorder unleashed, starting to burn, starting to lynch, silence means death, stand on your feet, inner fear your worst enemy", está tudo louco. Eu sei, eu sei, isto não é o Bukowsky, é o Max Cavalera no Refuse / Resist, mas dizer que se está a citar Bukowski dá melhor aspecto para as miúdas que lêem livros de jeito e que me mantém acordado à noite. A ler. As sortudas.
Como seria de esperar, aprender lições não é comigo, e, mais uma vez, qualquer post que eu faça que mencione a minha ex-mulher torna-se logo numa acesa discussão em caixas de comentários, e-mails e até por sms. Estou disposto a facilitar a coisa, se quiserem também vir falar comigo pessoalmente e dar-me na cabeça com teorias que não lembram ao menino Jesus, e olhem que ele é menino para ter a sua imaginação, é irem ao concerto de Diabo na Cruz hoje e encontrarem a miúda de nove anos que está às cavalitas do pai a gritar "aaaaaaaaai é tão lindo ai é tão liiiiiiiiiiindo". E é, e é.
5 de julho de 2012
4 de julho de 2012
Livreiros e o facebook
Livreira: ta td fixe?
Eu: diz q sim, tirando estar sp a receber telefonemas das gajas das editoras q n conseguem ligar p a loja
Livreira: o telefone ta avariado fazemos chamadas mas nao recebemos
ola porca
nao era para si
ahahahahahah
Eu: ahahahah
quem é a porca?
hahahah
Livreira: ahahah era a minha mae...
Eu: ...
Livreira: tou a brincar, era uma amiga!
Eu: diz q sim, tirando estar sp a receber telefonemas das gajas das editoras q n conseguem ligar p a loja
Livreira: o telefone ta avariado fazemos chamadas mas nao recebemos
ola porca
nao era para si
ahahahahahah
Eu: ahahahah
quem é a porca?
hahahah
Livreira: ahahah era a minha mae...
Eu: ...
Livreira: tou a brincar, era uma amiga!
Fim da trilogia
O post de ontem serviu assim como uma espécie de premonição diabólica, pois que o telefone toca à noite e era ela, sob mil e um pretextos, a querer saber da minha vida sentimental e amorosa, e uma pessoa por muito que queira não consegue falar de coisas que não existem, vai daí falámos de tudo e de nada, como sempre, durante demasiado tempo, ela sonhou comigo, eu estava numa orgia com mulheres mascaradas, o normal portanto, repliquei eu, ela estava ainda em choque, pediu-me repetidamente para não me meter em orgias, acho que é um conselho normal para um ex-marido, não percebo nada disto dos divórcios, parece que ela estava na esplanada da praia onde fui ontem à tarde, valha-nos o deus dos desencontros, parece que continua a dizer às pessoas que eu sou a pessoa mais íntegra que ela conhece, eu disse que é difícil ser íntegro quando nos falta um bocado de nós, ela não percebeu, eu também não sou bom a explicar-me portanto deixei passar, ela tem pena que as coisas não tenham resultado com a pessoa que me fazia viajar pelo país, não mais que eu, garanti-lhe, falámos de celulite e como as comparações eram despropositadas porque ela aos vinte e quatro já tinha sido mãe, ainda por cima agora já foi duas vezes já tá acabadinha, isto fui eu que disse, ela apenas riu-se, chamou-me parvo, parece que é uma constante nas pessoas que falam comigo, qualquer dia tiro ilações a sério disto.
3 de julho de 2012
To eve the art of witchcraft
O elevador a chegar e eu a dar aquele último beijo enrolado num abraço, o elevador a parar e eu a virar a esquina do corredor, o passo a acelerar, um adeus que foi um até já, a porta abre-se e sai de lá um oh o teu pai onde está?, ali, onde?, ali, e o meu passo a parar, e os passos atrás de mim e eu a virar-me para trás, e ela mais magra, os trinta ficam-lhe bem, acabada de acordar, vestiste o macacão ao contrário, ela olha para baixo confusa, ahah és tão parvo, até parece que não me conheces, conheço, boas férias, meto os óculos e dou meia volta e saio, diz que há um cão e uma casa vazia à minha espera.
2 de julho de 2012
Memorial
Amanhã vou entregar a Catarina a casa da mãe, apesar de ser alguns dias antes do previsto, não sou capaz de negar a ida da filha para casa da mãe sabendo que se ela não vai uns dias mais cedo eram apenas cinco dias que se viam num mês e meio e isso é pouco, muito pouco, eu não me imagino com tão pouco tempo da minha filha na minha vida, mas é assim a realidade destas coisas, as pessoas fazem escolhas e vivem com elas, outras há que acham que vivem com as escolhas dos outros mas, na realidade, as escolhas foram nossas lá bem atrás, e eu nunca me esqueço disso, e ela hoje, pela primeira vez, confessou saudades da mãe.
Estava com ela desde dia catorze e, tal como nas férias do ano passado, a sensação que fica agora, nesta última noite (ela já dorme, a história do tubarão acompanhada com a viola faz milagres) é de que devia ser sempre assim, sempre, esta palavra que se teima em dizer mas que nunca (ironia) se concretiza, e assim num dia estou a apanhá-la na festa da escola para iniciarmos as férias, abro e fecho os olhos uma vez e pronto, está ela a dormir na véspera de se ir embora, os dias de praia, as idas ao shopping para comprar roupa e trocar cromos, as festas da rã e de tires e os arraiais e tudo o mais, desaparece tudo diante de mim e fica apenas este grande e amargo vazio, e agora vêm aí os dias em que nada parece fazer sentido, em que me vou arrastar pelo tempo, talvez pelo espaço, abrir e fechar livros, ler capítulos sem apanhar nada, a cabeça pode estar cá mas a verdade é que eu leio com a merda do coração.
Estava com ela desde dia catorze e, tal como nas férias do ano passado, a sensação que fica agora, nesta última noite (ela já dorme, a história do tubarão acompanhada com a viola faz milagres) é de que devia ser sempre assim, sempre, esta palavra que se teima em dizer mas que nunca (ironia) se concretiza, e assim num dia estou a apanhá-la na festa da escola para iniciarmos as férias, abro e fecho os olhos uma vez e pronto, está ela a dormir na véspera de se ir embora, os dias de praia, as idas ao shopping para comprar roupa e trocar cromos, as festas da rã e de tires e os arraiais e tudo o mais, desaparece tudo diante de mim e fica apenas este grande e amargo vazio, e agora vêm aí os dias em que nada parece fazer sentido, em que me vou arrastar pelo tempo, talvez pelo espaço, abrir e fechar livros, ler capítulos sem apanhar nada, a cabeça pode estar cá mas a verdade é que eu leio com a merda do coração.
Como entreter a filha antes de ir para a praia
"Escreve poesia", disse-lhe eu, já que ela estava farta da viola e da 3DS. E ela foi-se fechar no quarto. E voltou com isto:
Verão, Inverno
Outono, Primavera
Todos geniais
mas o melhor
de todos é o
Verão / praia
que até se
come uma papaia
E pronto
a história do
Verão feita
num abrir e
fechar de boca.
Verão, Inverno
Outono, Primavera
Todos geniais
mas o melhor
de todos é o
Verão / praia
que até se
come uma papaia
E pronto
a história do
Verão feita
num abrir e
fechar de boca.
30 de junho de 2012
Scary monsters & nice sprites
Gravei um cd para a Catarina ouvir no carro da mãe. Reacção dela:
- Pai, quando andar de carro com a mãe e o mano, vou por Skrillex com o bass no máximo, e vou levantar o volume, até o mano vai ficar estrábico!!
29 de junho de 2012
28 de junho de 2012
Prémio "Ser português é isto"
«Os postes não deixaram que a Seleção fosse mais longe» - Hermínio Loureiro
Momento sexy do dia na praia
Ficar à beira-mar a apanhar a brisa enquanto a Catarina "mergulha" (vamos utilizar este termo para felicidade dela, embora apelidar aquilo que ela faz de mergulhos é de uma liberdade quase poética) a segurar na bola cor-de-rosa e azul bebé da Hello Kitty dela.
Como envergonhar a filha na praia
Gritar "Estou farto deste mundo, Bikini Bottom aqui vou eu" enquanto corro para a água e mergulho. Resulta sempre.
27 de junho de 2012
Lição de Voo
Análise das letras da música pela Catarina, no carro:
- Ele diz "não disse nada, porque nada havia para dizer". Ele podia só dizer "não disse nada". Não era preciso esclarecer porquê.
- Ele diz "não disse nada, porque nada havia para dizer". Ele podia só dizer "não disse nada". Não era preciso esclarecer porquê.
25 de junho de 2012
Hoje deu-me para isto
O título do artigo quase que podia descrever a minha vida. Tem é cinco romances a mais.
(é uma sorte ter livreiras espectaculares que, além de nos aturarem, nos enviam isto por mensagem).
24 de junho de 2012
Now I lay thee down
Aparentemente o único sítio onde não fui ontem era o sítio onde havia o bikini. A Catarina já tem o seu bikini novo todo giraço para o verão, graças à Tezenis. Tamanho, modelo e cores, tudo do agrado da pequena criatura.
23 de junho de 2012
Alice in chains
Hoje tentei (e vamos todos por o nosso ênfase no tentei) comprar um bikini para a Catarina. Ela não gosta de fatos-de-banho, e agora vendem-se umas coisas que são 50%-bikini-50%-top-100%-feias que ela também não gosta. A questão é que corremos todas as lojas de um centro comercial (desde a Primark à Lanidor) e não havia fatos-de-banho para o tamanho dela. Ou pequenos, ou grandes. E feios, muito feios.
É para estas coisas (e para lhe secar o cabelo a seguir ao banho) que dá jeito uma mulher em casa.
Punk moda funk
Alguém me consegue explicar qual é a cena das mães sozinhas com crianças na praia, com óculos tipo aviador, biquinis desadequados para a idade e tatuagens foleiras no fundo das costas / em casos mais extremos nas mamas? Estão em franca proliferação.
22 de junho de 2012
Dream on
Ontem, a meio de um sonho em que perseguia algo que nunca conseguia alcançar, voltei a estar no sétimo andar de um prédio que aparece recorrentemente nos meus sonhos. Não faço ideia que prédio é, onde é, nada. Conheço o corredor que dá para o elevador, sei que é um sétimo andar porque é o número que aparece marcado quando ele chega. E depois carrego no zero sabendo já de antemão que o elevador faz uma espécie de queda livre até ao zero, parando mesmo no último segundo antes de bater. Na queda ele ainda oscila, a coisa vai completamente descontrolada. Nos outros sonhos em que este elevador e sétimo andar apareceram a sensação era sempre a mesma. Eu com medo de entrar no elevador e a carregar no botão, e esperar, numa ânsia brutal, que este caia violentamente. Eu depois saio do elevador, quase como se não fosse nada (a não estar em pânico por dentro, mas isso para o transeunte anónimo é indiferente).
Isto será uma metáfora para alguma coisa na minha vida? Depois estes sites sobre sonhos, é só resultados contraditórios, se uma pessoa já não pode confiar em sites manhosos brasileiros de interpretação de sonhos não sei que mundo é este em que vivemos. Se em alguns sites descer no elevador significa conquistar fortuna através de muito trabalho, já noutros é sinónimo de perder o controlo dos sentimentos ou coisas nefastas em termos profissionais.
Eu acredito mais nos primeiros, parece-me gente mais séria.
21 de junho de 2012
Cruelty and the beast
1:38 da manhã de ontem recebo uma sms da ex-mulher a lembrar que às 9:30 tinha de ir buscar as notas da nossa filha. Respondo-lhe a confirmar que está tudo controlado e que estou espantado por ela estar acordada a estas horas. Ela responde-me "virei morcego, meu amor ahahah e estou com o período pela primeira vez desde que pari, estou a esvair-me em sangue, achei importante partilhar". Eu devo ter feito mal a alguém, só pode.
And justice for all...
Eu tenho um fascínio pela Paula Teixeira da Cruz. É isto. Tinha que desabafar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



