1:38 da manhã de ontem recebo uma sms da ex-mulher a lembrar que às 9:30 tinha de ir buscar as notas da nossa filha. Respondo-lhe a confirmar que está tudo controlado e que estou espantado por ela estar acordada a estas horas. Ela responde-me "virei morcego, meu amor ahahah e estou com o período pela primeira vez desde que pari, estou a esvair-me em sangue, achei importante partilhar". Eu devo ter feito mal a alguém, só pode.
21 de junho de 2012
And justice for all...
Eu tenho um fascínio pela Paula Teixeira da Cruz. É isto. Tinha que desabafar.
20 de junho de 2012
Três Tristes Tigres #1
"(...) e digo-lhe que se passa minha senhora (sim sim de senhoria e tudo, que sei quando armar ó fino) é que a senhora não sabe viver o momento e a vida torna-se-lhe deficílima ou seja que já tá muito passada pra me compreender, e responde com ua treta: se tu podes ir quando te der na rial gana, menina, que a mim ná me importa nada de nada a tua vida nem com o que fazes com o que tens entre as pernas, que isso é assunto teu e do outro e eu não tenho nada a ver com isso, de maneira que arranca pra aí quando quiseres que se faz tarde e digo-lhe, mas minha filha que enganada, mas que enganada que tu tás: quem é que te disse, digo-lhe, que o carnaval é um homem (...)"
As avós, as avós
Na clínica onde lhe afinam o aparelho auditivo:
"fui internada aos 18 anos com febre tifóide, e o hospital estava cheio de médicos novinhos, a aprenderem, e eles mexeram em tudo menos na febre, a aproveitarem-se".
As enfermeiras olhavam para mim. Eu encolhia os ombros.
19 de junho de 2012
Não havia o "Lolita"...
Aproveitei a ida a Lisboa para ir buscar um livro para ler, mas, coincidência, não havia o Lolita. Tinha chegado no fim da semana passada, e agora apenas restava o espaço vazio na estante.
Mas não vim de mãos a abanar, graças aos simpáticos senhores da Planeta:
Tinha à minha espera o novo livro do Zafón, que sai a 28 de Junho, mais o guia de Barcelona, tudo numa caixinha toda jeitosa. Nunca li nada do Zafón (sim, nem a Sombra do Vento eu li, ouvi dizer que isso, para um livreiro é uma espécie de falha inconcebível). Vamos ver se é desta.
Juventude sónica
- Vamos a Lisboa filha? Nunca foste à Sé e ao Castelo de S. Jorge, podíamos ir lá hoje.
- Boa! Há McDonalds?
- ... Sim, há McDonalds.
- Se há McDonalds eu vou a todo o lado.
- ...
- Boa! Há McDonalds?
- ... Sim, há McDonalds.
- Se há McDonalds eu vou a todo o lado.
- ...
18 de junho de 2012
Descobri a minha alma gémea
"Ele roubou-me o título", foi a primeira coisa que a cantora e escritora norte-americana Patti Smith pensou quando deu de caras com o livro Detectives Selvagens. Até ali, o nome de Roberto Bolaño era-lhe desconhecido, mas não resistiu, comprou o livro e rendeu-se de imediato à palavra e ao universo narrativo do chileno. "As suas histórias activam as minhas energias de escritora", afirmou Patti Smith numa entrevista, ontem, ao jornal ABC. A Casa da América Latina em Madrid dedicou uma semana a Bolaño e convidou a artista considerada a " mãe do punk" para encerrar o evento."Bolaño é como o rock and roll, é revolução, pecado e energia sexual" - foi com estas palavras que a cantora descreveu os livros do escritor com quem diz ter uma "relação alquímica" como já tinha com Picasso ou Rimbaud. Para Patti Smith, o livro 2666 é a "primeira obra-prima da literatura do século XXI" e, apesar de assumir que tem muita dificuldade em aprender línguas, a cantora diz que gostaria de aprender espanhol só para ler Bolaño.
17 de junho de 2012
Runs in the family
A minha irmã mais nova, na Worten: "vamos por ali que eu gosto de cheirar o interior destes frigoríficos novos".
16 de junho de 2012
Inferno de Dante (ou feira de Tires, para os leigos)
Ah, as festas de Tires. Deviam mudar o nome para "concentração de gente feia". Onde anda esta gente o ano todo? Deve ser gente que vai ao Intermarché, seguramente. Sei é que se reúnem ali em Tires, nesta altura do ano.
A Catarina andava a chatear-me há algum tempo para lá ir. Lá cedi, agora que estamos ambos de férias. Depois de um cachorro gigante e de um churro, lá andou no canguru, ganhou um peluche horrendo numa roullote manhosa, e andou nos carrinhos de choque.
Antes de ela andar nos carrinhos de choque, pus-lhe a mão no ombro, baixei-me junto dela e disse-lhe: "destrói os a todos, bate-lhes por trás que tem mais impacto na coluna, e bate preferencialmente nas duas gordas, são alvos fáceis, ah, e o miúdo mariquinhas no carro da Minnie, esse também é para abater", é muito mau?
Aparentemente, em Tires, bandeja é "bandeija", existe uma coisa chamada "CapiKids", caipirinhas para crianças, as t-shirts do Marilyn Manson são o item número um nos stands de venda, cada "atracção" ou lojinha tem a sua música pimba a tocar formando um tufão de música pimba tipo 3-D sonoro, os cãezinhos a pilhas conseguem ser mais irritantes do que nos outros sítios e os gajos com ar de índios não tocam flauta mas vendem bugigangas diversas.
Acho que volto lá hoje à noite.
Leitura de férias
Para a Catarina foi fácil: dois livros de "Uma Aventura", um "Viagens no Tempo", a Caminho e a Isabel Alçada e a Ana Maria Magalhães (aqueles dois seres indissociáveis) podem agradecer-me por carta para a morada do costume.
Já para mim, o Três Tristes Tigres (isto até escrito é coisa para enrolar um gajo) continua a agradar-me muito, mas não chegava para as férias todas. Portanto fui escolher um livro novo e ali estive a pedir opiniões. Foi difícil chegar a uma conclusão e, como é habitual, não liguei à opinião de ninguém e escolhi o primeiro volume dos contos de Tchekhov. Ainda não tinha acabado de me sentar na secretária quando toca o telefone: uma rapariga tinha vindo de propósito algures de longe só para comprar esse livro. Lá fui eu levar-lhe o livro. Espero que goste. Ranhosa.
Decidi escolher o livro quando saísse, mas era eu a começar a escolher e ao mesmo tempo uma jornalista ligada ao mundo dos livros a entrar na sala e a chamar por mim, ela, que costuma ir lá fazer entrevistas a autores, que já me entrevistou, e eu a ver a minha vida a andar para trás, ela aguardava a chegada do autor, queria companhia, mas eu queria muito escolher um livro e chegar a horas ao arraial da Catarina, e ela a falar de livros, do Hugo Mãe e do Tavares, muita conversa sobre as críticas negativas à (quase) auto-biografia do Pessoa, parece que é um desastre, nunca a tinha ouvido com tanto sotaque, curioso, e eu a dizer que tinha que ir ter com a minha filha e ela sem acreditar que eu tinha uma filha com nove anos.
Conclusão: não trouxe mais livro nenhum. Vou ter de lá ir novamente.
"Eu quero roupa da Miss Sixty"
"Eu tirei uma foto com umas modelos na Gardénia", "Quero entrar no casting para a novela nova da SIC".
Tu tem é juízo, tu tens 9 anos e gostas de dançar o malhão que eu bem te vi, de lencinho azul bebé na cabeça e sorriso de quem o mundo termina nos portões daquela escola e se esgota no som deste arraial. Ok, ok, eu bem te vi abanar a saia ao som do David Guetta, depois...
E fazer uns passos de dança mais modernos...
Mas tem juízo que tens 9 anos, e nem a quarta classe ainda tens.
14 de junho de 2012
12 de junho de 2012
Um daqueles dias
Eu já não estava particularmente bem disposto hoje (sei que não me lêem, mas as mais sinceras desculpas aos nove livreiros que tiveram que me aturar). Até ter falado com a minha ex-mulher ao telefone. Fiquei muito pior. Escrevi um texto relativamente azedo em relação à atitude da minha ex-mulher hoje. Mas decidi apagá-lo. Contei o sucedido a duas pessoas, não o farei mais. Não vai ser uma caixa de comentários cheia de frases como "tens razão", "ela é estúpida" ou "és extremamente atraente" que vão melhorar a coisa.
Ter ou não razão não muda absolutamente nada.
11 de junho de 2012
Ela cantava boleros
No último feriado levei o Link a passear ao pé da praia. Já há algum tempo que não ia com ele para esta zona. Levei o Cabrera Infante para ler, na esperança que ele se deitasse na relva, ao pé de mim, enquanto eu lia descansado e descansava os olhos no mar. Claro que rapidamente me recordei do porquê de não vir com ele para esta zona quando está bastante gente.
Não consegui ler nada. Fui interpelado por duzentas e cinquenta e três pessoas. Tive de ouvir a piadinha do "Link? Eheheh, tirou-o da Internet?" ou "Link? Porque não Download?" algumas trinta vezes. Uma hipster (essa gente do piorio) tirou-lhe uma foto com uma lomo, agora o meu cão vai ser a capa do mural da hipster, ninguém merece. Duas jovens mulheres tiveram cerca de vinte minutos a tentar meter-se com ele, enquanto eu lia. Quando, finalmente, ele lhes dá atenção, uma delas tenta fazer-lhe uma festa com a mão direita, enquanto segurava na mão esquerda um lenço de papel. Claro que o Link comeu o lenço de papel da mão dela, deixando a rapariga meio assustada, e a amiga deliciada. Resultado: ainda se sentaram mais perto de mim e não consegui mesmo ler. Depois as perguntas do costume "quanto pesa?", "come muito?", etc. Gosto particularmente da pergunta "morde?". Respondo sempre: "até hoje não, mas há sempre uma primeira vez".
10 de junho de 2012
Beautiful morning
A Catarina na missa, a cantar as músicas e a fazer a coreografia de uma delas, perante o meu olhar espantado:
- O que é?! Eu ando na escola, não sabes?!
9 de junho de 2012
Farewell and goodnight
A distância ganhou. Sem floreados desnecessários, é isto: a distância ganhou. Uma distância que, mais do que em quilómetros, terminou a ser medida em vontades. E se quando a vontade é imensa as coisas são difíceis, quando esta começa a viver à base de dúvidas torna-se completamente impossível. E assim foi.
Acabam-se as escapadelas para norte, o corpo todo torto naqueles lugares do comboio, ler e ouvir música era só para enganar, sonhar era o que se fazia durante aquelas horas. Terminou tudo, tudo o que parecia ser interminável. Apesar de saberes bem que nada o é, certo? Pois. A saudade.
Acabam-se as escapadelas para norte, o corpo todo torto naqueles lugares do comboio, ler e ouvir música era só para enganar, sonhar era o que se fazia durante aquelas horas. Terminou tudo, tudo o que parecia ser interminável. Apesar de saberes bem que nada o é, certo? Pois. A saudade.
7 de junho de 2012
Eu é mais livros
O que eu gostaria, na realidade, de ter escrito para isto:
- O Estrangeiro (Camus, Albert) - A história de um moço levado da breca que não quer saber se morre a mãe ou se a namorada quer casar com ele ou se há sentido nesta vida e depois mata um árabe e os The Cure até escreveram uma música sobre isso , e diz que o Bohemian Rapsody dos Queen também é sobre este livro mas isso eu já acho muito puxadinho. Já disse em duas ou três entrevistas que era o meu livro preferido, portanto agora tenho de manter isso, apesar de até já ter mudado de opinião.
- Meridiano de Sangue (McCarthy, Cormac) - Uma pessoa vai ler isto à espera dos índios e dos cowboys, e encontra só cowboys, porque os índios foram todos mortos pelos cowboys. Mortos e violados e tiram-lhes os escalpes para usar à cintura porque na altura não havia iphones nem óculos de massa e uma pessoa para dar nas vistas a descer o Chiado lá do sítio era assim que fazia. O José Luis Peixoto viu-me com o livro na mão e disse que era muito bom, e, apesar de isto afastar logo assim tipo toda a gente, é uma boa recomendação.
- Os Irmãos Karamázov (Dostoiesvsky, Fiodor) - Livro com o qual me revejo muito, porque é só gente muito boa e muito má, mas na mesma pessoa. Os Karamázov tanto têm acções muito bonitas como depois vão para Mokroe (deve ser tipo a Amadora lá da Rússia) com ciganas, mujiques, polacos e senhoras de índole duvidosa gastar aos três mil rublos de cada vez. E de quem é a culpa? Das mulheres, pois. O Freud e o Einstein gostaram muito, e eu também.
- Pais e Filhos (Turguenev, Ivan) - O Nabokov diz que o Turguenev é melhor que o Dostoievsky, e neste livro nós até lhe damos razão. Neste Pais e Filhos ele cria uma personagem nihilista que é o Bazarov, das personagens mais fixes de todos os tempos (personagem cujo destino final vem escarrapachado na contra-capa do livro, obrigadinho Relógio d’Água), que depois, como não podia deixar ser (por causa do amor e das mulheres) se desgraça e deixa de ser tão cool. A Maria Filomena Mónica gostou muito, e como ela andou em universidades inglesas e anda com o António Barreto ela deve saber mais do que eu, portanto vão mais pela opinião dela que pela minha. Apesar de no fundo ser a mesma.
- Detectives Selvagens (Bolaño, Roberto) - O livro mais fixe de todos os tempos (embora, e isto é uma contradição, eu tenha dificuldades em dizer porque o prefiro ao 2666, e há dias em que prefiro, e há dias em que não), porque fala de poesia e de juventude e de morte, e no fundo fala de tudo o que interessa. E fala no Eusébio e no Pessoa, lá pelo meio. Temos um puto de 17 anos que se junta “obviamente” a um movimento literário, logo para dizer que não faz ideia no que este consiste. Não fomos todos assim, um dia? Três poetas em busca de nada, pela arte, pela poesia. Um livro para leitores (sempre quis dizer isto, e agora que penso nisso não o disse lá e perdi uma boa oportunidade).
Eu sou assim, suave
"Ricardo made progress with Três Tristes Tigres on Goodreads." - Diz o meu status do facebook. Isto do "made progress" parece que estou em processo de engate e que já a levei para casa.
5 de junho de 2012
Short-term memory
Incrível como me tinha esquecido de que a minha vontade de limpar e arrumar a casa é tanto maior quanto mais em baixo me estiver a sentir. Isto de blogs é muito bonito e tal, mas agora vou limpar a cozinha.
3 de junho de 2012
No hesitation, no delay
Mais do que uma revelação, esta semana foi a confirmação de que ela é, de facto, especial.
1 de junho de 2012
Nítido Nulo
Link, à busca da mítica vizinha em topless a estender a roupa, o pobre ainda acredita nestas coisas.
31 de maio de 2012
Don't sit down 'cause I've moved your chair
Tenho que recomendar cinco livros para uma revista bonita (segundo a pessoa que me convidou), e fazer um pequeno texto a acompanhar cada livro. Daqui a uns dias mostro o resultado.
30 de maio de 2012
The bakery
Chego à padaria onde tomo o pequeno-almoço, as funcionárias estão preocupadas com o facto do edifício ter sido comprado e de não saberem nada quanto ao seu futuro, "perguntem à Maya, pensei eu", mas isto sou eu que sou mal-disposto pela manhã, logo esta padaria que é o sítio onde consigo arejar durante dez minutos durante a manhã, sabendo de antemão que me posso cruzar com a Pipoca e vê-la na padaria é mais ou menos como ver um acidente na A5, um gajo não devia mas não resiste em andar mais devagar para poder ver, e depois diz "iiih, como isto está" enquanto abana a cabeça com pesar, é o sítio onde ouço conversas (quer da minha companhia, quer dos utentes da padaria) que não lembram ao menino Jesus, onde há um gajo que fala inglês, usa blazer e umas calças de fato-de-treino da adidas e usa um rabo-de-cavalo tipo Beckham há uns anos atrás, gajo esse que me deixa perplexo porque quem é que raio usa blazer e calças de fato-de-treino e ténis adidas e anda com um ipad e com uma senhora atrás com um ar exótico que fala inglês com ele e português com os demais e também tem um ipad, e eu sinto-me info-excluído por não ter um ipad, e já pensei em perguntar-lhe "who are you, what the hell are those clothes, can you give me an ipad please?", e talvez, talvez ele seja um gajo porreiro e até dava o ipad ao gajo que geralmente bebe um ucal enquanto pensa em tudo e em nada, e nisto lembro-me como as senhoras são lentas como tudo a despachar o serviço, e ok, admito, isso irrita-me mas é da maneira que consigo espairecer mais um pouco, e também há aquela rapariga em que por mais que a vejamos nós não conseguimos decidir se é gira ou não, nunca percebemos se é do sono ou que raio, mas a verdade é que ela não gera consenso à sua passagem e isso no fundo, no fundo, até pode ser algo positivo, e a curiosidade é que os Arctic Monkeys têm uma música chamada the bakery e que, no fundo, não tem nada a ver com isto mas que toca na minha cabeça quando lá vou, e depois também há uma senhora da padaria que convidou um colega meu para um desfile de moda, e eu temo por ele porque ela tem 1,80m e deve pesar mais quarenta kilos que ele, e ele é bom livreiro e eu preciso dele na sala um, porque isto dos bons livreiros é como as boas padarias, há poucos e depois se perdemos os bons é uma chatice e depois tem que se arranjar outros e eventualmente, apesar de não nos lembrarmos dos antigos, vai-se a ver e não é a mesma coisa.
29 de maio de 2012
A minha irmã adolescente...
É neste momento a pessoa mais feliz do mundo: tem um autógrafo e tirou uma foto com o Robert Pattinson, o senhor que lhe preenche as paredes do quarto.
O meu grande abraço vai para o namorado dela que a levou lá, é preciso coragem, o puto subiu na minha consideração.
Aposto que nenhuma namorada minha me levava a ver a Helena Coelho.
28 de maio de 2012
Em nome do medo
Gostava que ela percebesse que sim, que no fundo ela é uma mulher forte e aguenta tudo isto e muito mais. A luz ao fundo do túnel é bastante mais real do que ela pode sequer imaginar.
27 de maio de 2012
The aftermath is secondary
Custa-me explicar ás pessoas que inocentemente me pedem conselhos amorosos que esse acto equivale mais ou menos a pedir conselhos sobre como fazer substituições ao Jorge Jesus. Um gajo fazer até faz, mas o timing é sempre mau, e a probabilidade de desastre é real e elevada. Além do mais, acho que o facto de ser divorciado quer dizer qualquer coisa.
Ainda assim, existe uma dúvida que me assola de forma recorrente: como amigo, devemos evitar que um amigo tropece ou apenas que ele caia? Ou apenas devemos ajudá-lo a levantar? Ou, melhor, apenas devemos apontar e rir e depois certificarmo-nos que aprenderam a lição?
As pessoas são adultas, têm idade e experiência suficiente para perceberem nas situações em que se estão a meter e nas possíveis consequências dessas situações. Deve um amigo alertar constantemente para essas consequências, caso a pessoa as ignore? Ou deve apenas referi-las, e depois deixar a pessoa agir por si própria?
Tende juízo, é o que vos digo.
26 de maio de 2012
That awkward moment...
... Em que numa saída com alguns colegas do trabalho eles equacionam a hipótese de tu teres uma vida dupla, ao encontrares num curto espaço de tempo várias pessoas conhecidas num sítio onde nunca sequer tinhas ido. Eu, a pessoa que nunca sai.
25 de maio de 2012
Novo desporto no comboio
Tentar descobrir quem, no meio daquelas trinta pessoas que ocupavam o espaço de cinco, exalava um característico cheiro a vinho de mesa do Lidl.
Sem suspeitos óbvios, a escolha foi difícil e inconclusiva.
24 de maio de 2012
Amigos da CP
Isto das filosofias de vida é tudo muito bonito mas é quando não há greves da CP durante três dias.
Tive de correr para o comboio hoje, sob pena de ficar por tempo indeterminado parado na estação. Algo que para quem, parecendo que não, ainda tem de trabalhar, é coisa para causar transtorno.
Sou a favor das greves? Ideologicamente sim. Mas andar de comboio às 19 horas num calor insuportável, com a lotação completamente ultrapassada, é algo que pouco me apraz.
Tive de correr para o comboio hoje, sob pena de ficar por tempo indeterminado parado na estação. Algo que para quem, parecendo que não, ainda tem de trabalhar, é coisa para causar transtorno.
Sou a favor das greves? Ideologicamente sim. Mas andar de comboio às 19 horas num calor insuportável, com a lotação completamente ultrapassada, é algo que pouco me apraz.
Viajei com uma senhora do lado direito a dar-me com a mala nos joelhos durante toda a viagem (tipo Bruno Alves mas em versão senhora de programa de tarde da TVI), com a senhora do lado esquerdo a ler do meu livro (e lia rápido ela, eu bem que a via a lançar-me um olhar do tipo "então, já viravas a página") e, bem, a pessoa que ia atrás de mim (vamos chamar-lhe "senhora", pois eu não me virei para trás para confirmar o sexo da pessoa, mas, dado o nível de esfreganço que ali houve, vamos todos acreditar que sim, que era uma senhora, sueca de olhos verdes), com o balançar do comboio, proporcionou contactos que em certas e determinadas culturas eram coisa para obrigar a um casamento.
Greves, sim, mas vejam lá isso.
Greves, sim, mas vejam lá isso.
23 de maio de 2012
Da sorte
Estava há mais de três semanas a tentar que a empresa de manutenção eléctrica fizesse uma coisa aparentemente simples. Nunca apareceram, havia sempre imprevistos de última hora. Hoje, que levo na cabeça do meu director regional por a alteração não ter sido ainda feita, volto a ligar aos gajos. Aparecem no espaço de vinte minutos. Os gajos são de Braga. Devo tê-los apanhado no dia de ir tomar café ao Chiado ou coisa que o valha. Obviamente que ouvi o belo do "é preciso eu vir cá para tratares destas merdas".
22 de maio de 2012
21 de maio de 2012
Conversas matinais
- Pai, vamos chegar atrasados! Não vou chegar a tempo de rezar!
- Oh filha, um dia não faz mal.
- Mas eu ia rezar para tu ficares melhor!
- Oh, meu amor, farias isso pelo pai?
- Sim, eu rezo sempre a pensar em vocês. A Matilde é que é esquisita.
- É? Porquê?
- Ela reza sempre para que a crise acabe.
- ...
20 de maio de 2012
Bob o construtor
Aquele bonito momento em que eu tenho que reler as mensagens que recebo do trabalho para ter a certeza de que efectivamente foi aquilo que li:
"Chefe, não querendo assustar... Mas o pessoal da lusófona está a fazer furos com um berbequim na parede."
Pois. Esse pessoal da Lusófona nunca foi de confiança.
Genius
Repórter (dirigindo-se a um elemento da tuna que actuou no centro do relvado no Jamor) - E então, de onde é que vieram?
Gajo da tuna - ... De Coimbra ...
Gajo da tuna - ... De Coimbra ...
19 de maio de 2012
Electricity
Eu gostava de saber em que altura é que os meus funcionários se esqueceram de que me adicionaram no facebook deles, e que eu consigo ver quando estão a postar coisas durante a hora de trabalho.
18 de maio de 2012
Dog days are over
- Pai, o Link está a babar-me a camisola do Messi!
- ... Tens uma camisola do Messi vestida!? Mas nós vamos ao supermercado!
- E então?
- Filha, não vais com uma camisola do Messi às compras...
- O que é que tem? É uma camisola normal.... Do Messi.
- ...
- ... Tens uma camisola do Messi vestida!? Mas nós vamos ao supermercado!
- E então?
- Filha, não vais com uma camisola do Messi às compras...
- O que é que tem? É uma camisola normal.... Do Messi.
- ...
Indeed
- Pai, nem sabes o que os miúdos do segundo ano me chamaram!
- O quê?!
- Gaja!
- ...
- Sim, disseram "onde é que vai esta gaja?!"
- E tu?
- Eu? Dei-lhes umas chapadas.
- Catarina, eles são pequeninos do segundo ano!
- Mas chamaram-me gaja!
- E tu bateste-lhes...
- Pai... Por favor. Tu sabes como é que eu sou.
- O quê?!
- Gaja!
- ...
- Sim, disseram "onde é que vai esta gaja?!"
- E tu?
- Eu? Dei-lhes umas chapadas.
- Catarina, eles são pequeninos do segundo ano!
- Mas chamaram-me gaja!
- E tu bateste-lhes...
- Pai... Por favor. Tu sabes como é que eu sou.
Ainda o apanhamos
Já deixei de estranhar o facto de, independentemente da hora a que acorde ou saia de casa (coisa que varia entre o "estamos bem, estamos bem" ao "foda-se é tarde"), chegar todos os dias o suficientemente perto da estação para ver o comboio chegar, e depois partir. Surge logo a dúvida: corro ou não corro? Lembro-me do Carlos e do Ega, subscrevo a "teoria definitiva da existência: Com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para coisa alguma".
O comboio parte, e em seguida ouve-se o apito do comboio seguinte, e aí surge novamente a dúvida (ainda o apanho, desta vez, corro, não corro? É o lento, posso ir a ler sentado, mas por outro lado chego apenas um minuto antes do rápido seguinte...), e invariavelmente acabo por não correr.
Já algumas pessoas vão ter que perceber que as outras pessoas não são comboios e que, perdendo uma, não vem uma igualzinha pouco tempo depois, que nos leva aos mesmos sítios.
O comboio parte, e em seguida ouve-se o apito do comboio seguinte, e aí surge novamente a dúvida (ainda o apanho, desta vez, corro, não corro? É o lento, posso ir a ler sentado, mas por outro lado chego apenas um minuto antes do rápido seguinte...), e invariavelmente acabo por não correr.
Já algumas pessoas vão ter que perceber que as outras pessoas não são comboios e que, perdendo uma, não vem uma igualzinha pouco tempo depois, que nos leva aos mesmos sítios.
17 de maio de 2012
Pontos Cardinais
Parte-se pela manhã. Madrugada, afinal de contas, mas desta vez já é de dia. Lugar 3/16, o do costume, as coisas fazem o sentido que tu queres que elas façam, sabes tão bem como eu. iPod carregado, livro aberto no sítio certo e tudo se movimenta para que tudo fique onde realmente é suposto estar.
Trocamos de comboio como quem troca de rádio no carro, haverá sempre algo melhor do outro lado. O nosso senhor há de estar a vir, deixa tudo pronto e reza para que tenhas validado o bilhete. Trocamos o sentido norte pelo sul, os momentos deslizam por entre as mãos como a areia onde me enterro quando te pego ao colo, à beira-mar. O tempo, ali, mede-se em ondas.
Estação quase vazia, momentos de silêncio em que tudo está parado e tu aí percebes porque é que a Sophia escrevia sobre aquele sítio, percebes porquê.
Está calor, e eu vermelho do sol, as palavras "moreno", "olhos verdes" e "giro" são repetidas até à exaustão. Por mim, tu apenas ris-te com a graça que só tu tens, quando te ris.
Está calor, dentro e fora de portas. Água fria, quente, morna. Não há Ray LaMontagne nem XX, há um silêncio que ultrapassa qualquer música. Pernas encostadas à parede, arranjas-te para sair como só tu sabes arranjar-te (os botões de punho da camisa, os botões de punho do casaco...). Pernas que nunca mais acabam. Como as saudades, sabes? Nunca mais acabam.
O tempo salta até às lágrimas numa sala de cinema, num filme mau em boa companhia. E depois aqueles três quilómetros a pé numa cidade adormecida, ainda é hora dos amantes passearem, ida e volta, pesadelo entre o sonho, e o sonho continua logo antes de fechares os olhos. Cheiro a morango, pernas que nunca mais acabam (já te tinha dito?)
O sonho continua, em breve.
15 de maio de 2012
Mancini? Sempre gostei
Aliás, é o meu treinador preferido de todos os tempos. E como jogador também era brilhante. E é bem parecido e tudo.
Isto? Isto não tem nada a ver com o caso, não sei sequer do que falam.
Isto? Isto não tem nada a ver com o caso, não sei sequer do que falam.
Giro, giro
É aceitar todo o trabalho que nos atiram para cima e depois perceber que ficaste de assegurar um lançamento no dia em que tens um concerto para ir. Não era má ideia começar a utilizar a agenda como deve ser.
14 de maio de 2012
Mísera, a glória da distância
O que é que se passa entre nós e as portas automáticas? Acho que vou sempre guardar na memória as imagens de tu a passares nas portas automáticas, a deixar o olhar (e muito mais) para trás, na hora de nos despedirmos. Eu sei, somos tremendamente bons nas despedidas. Como no resto, afinal de contas.
Qualquer dia trocamos as despedidas (ainda que poeticamente trágicas e belas) por algo melhor.
Qualquer dia viveremos à distância de um beijo.
They only love me for my books
"Nem acreditas na coincidência, mas estava neste momento a pensar em ti. Quer dizer, não em ti propriamente dito, mas na tua livraria..."
Sete preces
Um gajo sabe que está perdido quando as pessoas começam a notar que estou a pronunciar as coisas à maneira dela. Medo.
13 de maio de 2012
O misterioso feminino #2 (ou como ela acha que tem piadinha)
Como ela aproveita o fim de telefonema complicado que depois se tornou em algo positivo, dito entre risos e sorrisos:
"Estás muito bem! Muito bem. Mas ainda não estás nada moreno. E devias começar a correr com o Link. E fazer mais uns abdominais..."
Momento ex-wife do dia
"Gastaste *inserir aqui quantia obscena* euros com o cão numa semana? É sinal que o tinhas para gastar."
Isto vindo de quem anda de carrinha Bmw e mora num T3 novo em Cascais. É para eu ver que só tenho o que mereço.
12 de maio de 2012
Brainwash
Isto ficou no ecrã do comboio durante uns bons dez minutos. Eu acho que ele estava a tentar dizer-me alguma coisa.
10 de maio de 2012
Juventude Sónica
Pela primeira vez em dois anos chego a casa e não tenho um animal a saltar-me para cima na maneira suavemente brutal e selvagem de demonstrar carinho dele e assusta-me perceber que ele é uma parte maior de mim do que eu pensava, está visto que nisto de perceber sentimentos eu sou tipo Jesus na gestão do plantel, mexo pouco e acerto ainda menos. O silêncio da casa, o ficar sem perceber o que fazer em vez do habitual limpa-passeia-alimenta-ralha-brinca-ralha-passeia do costume, o levantar o olhar do portátil e pensar que ele está tão sossegado que não pode ser coisa boa e lembrar-me que ele não está cá, e a casa é só minha. Uma diferença abismal. Claro que ele está no seu hotel para cães, rijo, não ladrou nem choramingou, juro que eu também não, vai para a piscina e vai levar banho e confraternizar com outros animais que não o seu dono, deve estar a delirar com aquilo. Juro que não pensei em ligar para lá. Hoje. Amanhã, logo se vê.
Vai daí, Casa Ocupada no gira discos, e vamos fazer a mala para a mini-escapadinha de fim-de-semana (porque domingo diz que há a comunhão da filha, vamos ter a família toda, novo filho e namorado da mãe da Catarina, parece que é desta que sim, que se junta tudo), porque o Porto não espera por mim, já eu desespero pelo Porto e parecendo que não fazer a mala às 21 horas é mais agradável do que fazê-la às 5 da manhã. iPod carregado, livro na mala, dormir é para crianças, quero ler na viagem, quero chegar rápido ao Porto, se as saudades fossem prosa eu era o Lobo Antunes.
Nisto, compram-se bilhetes para o Ritz, Diabo na Cruz e Linda Martini. E estamos despachados de concertos para Maio, parecemos putos, não temos aulas amanhã.
Até domingo, então.
9 de maio de 2012
Conversa com um vendedor
Vendedor - Este livro é sobre o casamento... Er... O casamento entre pessoas da mesma pessoa.
Eu - Hm?
Vendedor - Sabe que ali em baixo compraram cem exemplares... É que há muitos por aqui.
Eu - Hm.... Ok... Podem ser dez, então.
Vendedor - Tem a certeza? Olhe que eles gostam de vir passear para esta zona!
Eu - ...
Eu - Hm?
Vendedor - Sabe que ali em baixo compraram cem exemplares... É que há muitos por aqui.
Eu - Hm.... Ok... Podem ser dez, então.
Vendedor - Tem a certeza? Olhe que eles gostam de vir passear para esta zona!
Eu - ...
8 de maio de 2012
The suburbs
Hoje, visto que já não tenho seguro de saúde para o cão (a sério), decidi trocar o veterinário de S. Pedro pelo veterinário ao lado da minha casa. E não estou nada arrependido. Elas foram meigas, atenciosas e muito cuidadosas. E também não trataram nada mal o cão. 116€ mais pobre, mas com a noção de que tenho um animal lindo e bem cuidado, e isso, no fundo, é que importa.
7 de maio de 2012
Oh god why #2
"Pai, a mãe e o F. (namorado da mãe) fizeram-me um interrogatório para saber quem é o meu namorado. Eu não tenho. Mas acho muita piada ao Gonçalo, filho da Adelaide mãe da Carminho. Ele é tãaaaaaaaao fixe! Pai, nem imaginas! Ele toca guitarra e bebe Coca-cola."
Toca guitarra e bebe coca-cola?
...
Oh god why
Os termos "botões mamários" e "puberdade" foram usados demasiadas vezes numa conversa sobre a última ida da Catarina ao médico.
Conversas de armazém
Eu a trabalhar e a saírem estas pérolas do armazém ao lado do meu escritório, sem qualquer ordem:
"o Kama Sutra desaconselha que o homem case com uma mulher careca e com mãos suadas."
"como é que eles mediam a profundidade da vagina na Índia no tempo do Kama Sutra?"
"Courgette não, pepino!"
"Portanto a mulher elefante fica com o homem cavalo, não devia ser a mulher égua?"
"Ainda não te contei a história da pila do cavalo."
"Quando a minha mãe fez festinhas ao cavalo ele ficou com a pila até ao chão."
"A minha mãe deu festas na égua e o cavalo deu uma tareia na égua."
"Já vi foi o orgão de uma baleia. É enorme e flácida."
"Há baleia macho e baleia fêmea?"
"Não deve dar muito jeito ser baleia."
Pois.
"o Kama Sutra desaconselha que o homem case com uma mulher careca e com mãos suadas."
"como é que eles mediam a profundidade da vagina na Índia no tempo do Kama Sutra?"
"Courgette não, pepino!"
"Portanto a mulher elefante fica com o homem cavalo, não devia ser a mulher égua?"
"Ainda não te contei a história da pila do cavalo."
"Quando a minha mãe fez festinhas ao cavalo ele ficou com a pila até ao chão."
"A minha mãe deu festas na égua e o cavalo deu uma tareia na égua."
"Já vi foi o orgão de uma baleia. É enorme e flácida."
"Há baleia macho e baleia fêmea?"
"Não deve dar muito jeito ser baleia."
Pois.
Desta não estava à espera
No meio de uma reunião na semana passada troquei umas bocas com um ex-livreiro meu, actual gerente, sobre canetas. E ele, altivo, afirmava que no natal tinha oferecido aos amigos uma Parker. E eu, claro, não perdi a oportunidade de lhe dizer que era bom saber que eu não me incluia nesse campo, afirmação que resvalou logo para comentários trocistas sobre cores clubistícas.
Na feira do livro ele disse que tinha comprado algo para mim: a minha primeira sugestão foi "A Bola" com a primeira capa relativa ao campeonato ganho pelo Porto.
Mas, eis senão quando hoje ele dá-me um toque para ir à porta da livraria e lá estava, uma Parker para mim. Já lhe disse que vou utilizá-la para prefaciar o romance de estreia dele.
6 de maio de 2012
Até para o ano
E termina aqui o périplo pela feira do livro, por este ano. Sinto uma nostalgia incrível, vou sentir a falta disto.
É como a criança me disse hoje, sentada no balcão, quando eu lhe dei três blocos com umas cabeças de animais, (depois de ele me perguntar se eu podia dar aquilo eu dizer-lhe "shhhhh, não contes a ninguém!"):
- A feira do livro é lindo!!!
E é puto, e é.
Alpha noir
É sempre bonito responder a um "bom dia" com um "pode confirmar", perante o ar atónito do cliente, ou dizer a outro "pode confirmar-me."
L do D
Hoje, o Livro do Desassossego a 11.25€, edição de capa dura, da Assírio, quem não vier comprar é porque é estúpido. Ou porque não pode. Ou porque não gosta. Isto há gente para tudo.
5 de maio de 2012
In and above men
Qual Pingo Doce, qual quê, deviam ver hoje a coragem das pessoas a aguentar duas horas para falarem e terem um autógrafo do José Luís Peixoto. E dizem que os portugueses são pouco resistentes. Até tenho medo do que virá aí para a semana.
4 de maio de 2012
Headhunter
Chamem-me doravante, por favor, "senhor prospecção laboral". Tenho empregos para encontrar.
3 de maio de 2012
Reckless serenade
Já não há paciência para guerras entre empresas do sector livreiro em que absolutamente ninguém sai a beneficiar disso. As pessoas querem é ler, o resto é insignificante.
Olha, foda-se
"Linda Martini tem uma triste notícia:
Fomos informados agora mesmo do cancelamento da nossa participação na SAL. De referir que a nossa vontade de voltar a tocar em Lisboa era muita e é com desagrado que somos confrontados com esta decisão.
Esta decisão é da organizaçã da SAL e é unilateral. ... Resta-nos deixar uma palavra de agradecimento a quem nos iria ver hoje e remeter quaisquer esclarecimentos adicionais para a organização do evento, uma vez que foge das nossas mãos.
Beijos,
♥"
O misterioso feminino #1 (ou como ela acha que tem piadinha)
Ela ser capaz de, numa conversa com o seu grau de seriedade, dizer, sem evitar rir, que eu já tenho "uma certa idade" e usar a chavões como "pronto, é que estás quase acabado" e "cota".
2 de maio de 2012
Black math
Catarina, na presença das tias e da avó:
Catarina - A Matilde contou-me uma anedota, é assim: a professora pede aos alunos para dizerem uma coisa que se pode chupar, e o Joãozinho responde "as cuecas!", e a professora envia um recado à mãe e mãe zanga-se e ralha com o Joãozinho e pergunta-lhe porque é que ele escreveu aquilo e ele responde: "então! Ontem à noite ouvi-te dizer ao pai "tira-me as cuecas e chupa!"
(segue-se um longo momento de silêncio profundo causado pelo espanto, em que se trocam olhares pautados pelo desconforto, na vã tentativa de tentar perceber quem é que vai dizer alguma coisa)
Catarina - O quê?! Não perceberam!?
(aqui é o choque geral)
Tempos engraçados que estão a caminho, está visto.
1 de maio de 2012
Dog protocol
Fico sempre sem saber se devo deixar o Link aproximar-se dos outros cães quando o passeio. Há donos que ficam histéricos e em pânico (oooooh meu Deus ele vai comer a minha cadela! A cabeça dele é maior que a a minha cadela! Anda ao colo da dona Pituxa!). Por outro lado, há donos que olham para mim com desdém quando eu não deixo o Link aproximar-se, do tipo "ah o teu cão é demasiado bom para se aproximar do meu?".
Claro que há aquela cena bonita, que aconteceu há uns meses atrás, em que o Link se aproxima do Sumol, eu pergunto à dona a raça dele, ela responde que é macho, e eu digo "então não há problema, ele sai ao dono" e, antes sequer de ter tempo de acabar de falar já está o Link a tentar possuir selvaticamente o outro animal, macho.
Enfim. Vicissitudes de ter um cão.
Tudo o que nem se sonha, mas o Ricardo é… *
"Ele teve um carro azul menina que insiste que é azul másculo. Ele é agarrado à terra e vai mostrar-te os sítios onde cresceu com o orgulho de quem está a mostrar uma parte de si, com o brilho no olhar de quem teria imensas histórias para contar. Dizem que é frio e distante, mas, na verdade, é agarrado às pessoas, acredita nelas e gosta genuína e fielmente. É extremamente organizado, mas, se o tratares com carinho, é capaz de achar adorável a tua desorganização. Ele nem sempre dá o primeiro passo, mas controla sempre. Ele sabe o que vais dizer, sem que precises de falar. Ele fala com o olhar e congela o tempo com palavras. Ele vai dizer-te que gosta mais de dar do que de receber, e quando tu pensas que é tudo tiques de D. Juan, não se fica por palavras, mostra-te o que é dar. O genuíno dar de cuidar. De achar que tudo é pouco. De achar que ainda não fez nada. Mesmo que isso implique acordar 30 minutos mais cedo do que tu e tropeçar nas coisas que deixaste espalhadas por todo o lado. Ele vai lembrar-te do que tens para fazer.
Vai pronunciar “tefone”, mas não te importas, porque, fora isso, trata a língua portuguesa imaculadamente. Vai marcar a tua medida na parede e escrever o teu nome ao lado. Vai beijar-te e pedir-te para que não te mexas e aí, sabe, está a gravar o teu sabor e textura. Vai provocar-te sustos de morte e não vais ter vontade de lhe bater. Só de retribuir com insultos carinhosos. Estilo parvo, estúpido e, se estiveres inspirada, idiota. Vai fazer com que sufoques a rir enquanto pretendias comer tranquilamente um pouco de pão quente.
Vai dizer-te que adora ouvir-te cantar para ele, embora nem sequer arrisques cantar no chuveiro. Vai dizer-te que sabe que o João gosta da Ana, porque lhe dá a mão na rua e, perante o teu espanto, vai teorizar que um rapaz só faz isso quando gosta mesmo. Um dia, mais cedo do que tu pensas, vai abraçar as mãos dele nas tuas. Vai dizer-te que da próxima vez não vai querer saber: vai correr para ti e abraçar-te. Não se vai importar de fazer de GPS humano só para garantir que chegas perto dele mais cedo. É muito príncipe. Vai dizer que é capaz de te conquistar todos os dias, e, nas primeiras vezes em que diz esta e afirmações semelhantes é capaz de te preparar com um “Isto vai ser forte”. Mas também é bem homem. E é capaz de suspirar “Isto é tão errado” ou dizer que tem saudades das tuas partes que assentam no banco do carro… É capaz de te pôr a ouvir músicas que antes nada te diziam e a gostar. Dás por ti a trautear And when you say that you need me tonight I can’t keep my feelings in disguise. The white part of my eyeballs illuminate.
Vai dizer-te que adora ouvir-te cantar para ele, embora nem sequer arrisques cantar no chuveiro. Vai dizer-te que sabe que o João gosta da Ana, porque lhe dá a mão na rua e, perante o teu espanto, vai teorizar que um rapaz só faz isso quando gosta mesmo. Um dia, mais cedo do que tu pensas, vai abraçar as mãos dele nas tuas. Vai dizer-te que da próxima vez não vai querer saber: vai correr para ti e abraçar-te. Não se vai importar de fazer de GPS humano só para garantir que chegas perto dele mais cedo. É muito príncipe. Vai dizer que é capaz de te conquistar todos os dias, e, nas primeiras vezes em que diz esta e afirmações semelhantes é capaz de te preparar com um “Isto vai ser forte”. Mas também é bem homem. E é capaz de suspirar “Isto é tão errado” ou dizer que tem saudades das tuas partes que assentam no banco do carro… É capaz de te pôr a ouvir músicas que antes nada te diziam e a gostar. Dás por ti a trautear And when you say that you need me tonight I can’t keep my feelings in disguise. The white part of my eyeballs illuminate.
Sobretudo, sabe que ele é intenso e que não tem meias medidas. Mas tem todo o tempo do mundo. E é de uma só. Ah, e claro, não te surpreendas se quando o ouvires dizer que não te vai esquecer nunca, aconteça o que acontecer, tu já souberes – antes de acontecer, antes de o dizeres – que não o esquecerás."
* (post da exclusiva responsabilidade da minha respectiva)
30 de abril de 2012
Sleeping the day away
Necrophiliac, pois, diz que sim. Embora haja negações e acusações de ser mentiroso por sugerir tal coisa à pessoa que não admite mais do que um toque de ombro no seu sono.
As saudades do bicho
O ar extasiado do animal a olhar para a pequena dona... Não se viam há duas semanas. Foi um reencontro emocionante. Houve correrias e saltos para cima um do outro, e felicidade, muita felicidade.
That awkward moment #5
... Em que tu por mais que tentes decorar algo denominado "orientação vocacional" acabas sempre por dizer coisas do calibre de "vocação operacional", "ocupação profissional", "profissão vocacional" ou "vocação orientacional".
That awkward moment #4
... Em que te dizem que tu davas um bom escritor tipo Nicholas Sparks Pedro Paixão e coisas que tais.
E, vindo de quem vem, até aceitas isso como um elogio.
29 de abril de 2012
Proud
Foi um dia complicado. Falhou a electricidade duas vezes. As músicas do espaço começam a tornar-se insuportáveis. O aquece / arrefece / chove / não chove começa a cansar.
Há pessoas que, claramente, e não querendo ofender ninguém, não merecem o ar que respiram. Há pessoas cuja simpatia transborda em olhares, sorrisos e agradecimentos quando fazemos apenas e só o nosso trabalho. Sem grandes adornos ou toques de classe.
Hoje, apesar da tentação, eu prometi e cumpri a difícil tarefa de sair da feira do livro sem um único livro comprado.
28 de abril de 2012
Nomes pronunciados em vão
Aquele abraço silencioso e amigo às dezenas de pessoas que compraram o 2666 hoje.
27 de abril de 2012
Slide to unlock
Chego a casa depois de passear o cão, ontem à noite, e recebo uma mensagem no telefone. Quando penso que sei perfeitamente quem é o remetente e olho para o telefone com a naturalidade de quem sabe o que aí vem, qual não é o meu espanto quando vejo que a mensagem vem do director de operações da minha empresa. Assustado, abro imediatamente a mensagem. E o que é que estava escrito? "Não estou doente, a sms veio enganada ;)".
Vou à caixa de saída do telefone, e vejo, maravilhado, que consegui reencaminhar a última sms que tinha recebido (com o telefone no bolso, atenção) para doze dos meus contactos, entre eles o tal director de operações, uma responsável de comunicação de uma conhecida editora, o director regional da empresa de segurança e um antigo gerente meu.
Ricardo, a conseguir embaraçar-se através de todo e qualquer meio de comunicação desde 1980.
Vou à caixa de saída do telefone, e vejo, maravilhado, que consegui reencaminhar a última sms que tinha recebido (com o telefone no bolso, atenção) para doze dos meus contactos, entre eles o tal director de operações, uma responsável de comunicação de uma conhecida editora, o director regional da empresa de segurança e um antigo gerente meu.
Ricardo, a conseguir embaraçar-se através de todo e qualquer meio de comunicação desde 1980.
26 de abril de 2012
Ctrl + Alt + Del
Sabes que ainda és imaturo quando, ao estares presente num evento com uma escritora italiana, no instituto italiano de cultura, esperas que ela responda "Ho fatto l'amore con Control" a pelo menos uma das perguntas que são feitas.
A crise no mercado livreiro
Primeira frase que ouço ao entrar na livraria hoje:
"Chefe, a minha mãe viu-te a falar na RTP. Diz que gostou do que tu disseste e que falaste bem, mas o mais preocupante é que teceu considerações quanto ao teu aspecto pá, e isso é no mínimo estranho".
Escrito no ar
É ainda congelado pelo primeiro dia de feira que aqui escrevo. Demasiada chuva, pouca gente, uma noite desoladora. Espero que quando voltar o tempo esteja mais agradável.
O resto estava como sempre está: umas pessoas mais chatas que outras, livros bons em (quase) tudo o que é sítio e gente conhecida ao virar de cada esquina. Ah, esqueci-me propositadamente da música. "Ai se eu te pego"? A sério? "Sex on the beach"? Oi? "não sou mecânico mas quero ver o teu capot, tira o vestido"? Apropriadíssimo.
Para a próxima vamos é tentar trabalhar mais e comprar menos, faz favor. O saldo da conta agradece.
24 de abril de 2012
A corda do elefante sem corda
O momento da noite chega quando, depois de jantar com a filha, ficamos a ver a segunda parte do Barça - Chelsea, e ela consegue comentar uma jogada de ataque do Barça, dizendo o nome de TODOS os jogadores por quem a bola passa (Tello e Cuenca inclusive, e nem eu sei quem eles são), antes do comentador da Sporttv.
Os detectives selvagens
Amanhã começa mais um périplo aqui do vosso caro na Feira do Livro de Lisboa, nos seus tempos livres. Um gajo trabalha com livros a semana toda e o que é que faz nas folgas e nos feriados? Vai para a Feira do Livro, pois claro. Livros, ar livre, autores, amigos, velhos conhecidos, editores, vendedores, entrevistas, mais livros, descontos, algum cansaço, mas sempre, sempre um enorme prazer em lá estar.
E poder trabalhar sem ser o responsável da coisa, parecendo que não, parece quase que estou de férias. Isso e ir de t-shirt e de All-star.
Já amanhã, algures por lá.
23 de abril de 2012
Dia Mundial do Livro
Hoje é o nosso dia. Leiam. Muito, e sempre. Leiam livros, não leiam aqueles pedaços de papel com tinta que alguém decidiu chamar de livro por uma questão de formato. Vão a livrarias. Não a lojas que vendam livros. Falem com os livreiros. Eles gostam. Mesmo que por vezes estejam cansados, chateados e sem paciência. Têm sempre, sempre, tempo para um leitor. Para "clientes" é que às vezes não.
É uma questão de amor, isto dos livros.
22 de abril de 2012
Respectiva
Sendo que não é possível prolongar determinados momentos, gostava muito de os repetir. Uma, e outra, e outra vez. E estes últimos cinco dias são um desses momentos, que conteve nele tudo de mim. Afinal existe vida, em mim. Todos os passeios. Os jantares em nenhum dos sítios em que tinha planeado. As viagens de carro nocturnas, rumo a lugares inesperados. Os sítios que fizeram de mim quem sou. Lojas com grades a meia altura. Manchas de vinho nos lençóis. Livros oferecidos. Coisas que não são preciso dizer, sentem-se. Coisas que não são preciso prometer, fazem-se. Sotaques soprados no vento, até ao coração. Fora do mercado, fora de tudo. Sono, o que é isso? Quebra de hábitos nocturnos. Pequenos-almoços na cama. Podia dizer que ficam as saudades, mas isso seria ridículo, fica mais, muito mais, ficam momentos e sentimentos muito mais importantes do que as saudades.
Por ti, risquei de vez a palavra "adeus". De vez.
Agora sim, até já.
Até já.
21 de abril de 2012
Sábado, no Chiado
Sol, bom tempo, o indiano dos cães a cuspir num turista alemão enquanto lhe chama nazi, por este lhe ter tirado uma foto sem autorização ("fucking nazi comes to Portugal thinking he's a big shot, fuck you nazi), uma mulher que desce a rua a fugir de outra, a jurar por tudo que não conhece ("não te conheço, deslarga-me!") para depois subirem a rua de mão dada, uma delas a cantar ("you've got a frieeeeend"), Santini, vinis na Louie Louie, livreiros atrasados que não faziam ideia que o chefe ia trabalhar este sábado, é isto, um dia normal, por estas bandas.
E eu, aqui, com metade de mim noutro lado.
17 de abril de 2012
Estações de comboio semi-vazias
Parece que é assim, o estranho ofício de sentir: amanhã perco a noção de tempo e perco-me na vã certeza de que ganhei um sentido.
E um sentimento.
Até já.
Na pressa de viver o corpo quente
Bonito, bonito, é fazer um post no facebook a dizer que precisas desesperadamente de ver uma banda em Lisboa e passado dois dias é anunciado que essa banda vai tocar em Lisboa daqui a duas semanas.
16 de abril de 2012
Songs for the deaf
A despedir-me dos meus avós:
Eu - Adeus! Tenho que gritar, vocês tem a televisão demasiado alta!
Avó - O teu carro abana com o vento?!
Avô - Ele está a queixar-se que tens a televisão muito alta!
Eu - Avó, está demasiado alta!
Avó - Não ouço nada, o som está muito alto!
Eu - ...
Avô - ...
Eu - Adeus! Tenho que gritar, vocês tem a televisão demasiado alta!
Avó - O teu carro abana com o vento?!
Avô - Ele está a queixar-se que tens a televisão muito alta!
Eu - Avó, está demasiado alta!
Avó - Não ouço nada, o som está muito alto!
Eu - ...
Avô - ...
That akward moment #2
Enganares-te no destinatário de uma sms (escolhendo a irmã mais nova, por engano), e receberes como resposta a certeza de que as tuas irmãs vão gozar contigo durante algum tempo.
That akward moment #1
Quando vais no comboio e recebes uma mensagem e vês que uns putos geeks reconheceram o teu toque de mensagem e olham para ti num misto de respeito e admiração.
Respectivamente (ou de como o seu encanto feminino faz com que se quebrem aquelas promessas que fazemos a nós próprios)
Eu - Então e... Posso dizer-te isto?
Ela - Sempre que quiseres... Todos os dias. De preferência várias vezes ao dia.
Ela - Sempre que quiseres... Todos os dias. De preferência várias vezes ao dia.
15 de abril de 2012
14 de abril de 2012
Letra C
A Catarina não é menina de conversar muito. Especialmente quando se puxa por ela. Por isso, venero as nossas viagens de carro em que ela, a comer um gelado ou apenas distraidamente a olhar pela janela, começa a falar. E quando eu digo começa a falar, é começa a contar tudo e mais alguma coisa, sem eu sequer perguntar nada. Ela vai falando, e falando, e vai chegando mais fundo aos pensamentos, intenções e medos dela.
Foi numa conversa destas que ela teve a brilhante tirada "o Gonçalo é o meu namorado, mas ele não sabe disso". Medo. Por ele. É que ela é parecida com a mãe.
Hoje começou a falar de uma colega nova, da qual nunca tinha ouvido. Até que chegou a um ponto em que me perguntou quem era a Madonna. E é nestas alturas que eu baixo a música. Perguntei-lhe porquê, enquanto ia pensando em como raio explicaria quem era a Madonna, e ela contou que num dos últimos intervalos as amigas estavam todas contentes a falar da Madonna e que ela chegou perto delas e perguntou, inocentemente, quem era a Madonna. Contou-me, toda triste, que elas riram-se muito e gozaram com ela por ela não saber quem é a Madonna. E eu já de coração partido, a ouvir a vozinha dela, quando ela se endireita e diz, toda confiante:
"E eu disse: Ai é? Ai é? E vocês não sabem quem é o Hélio! Nem o Manuel Cruz! Não quero saber da Madonna! E deixei-as lá e fui com a Carlota para o outro lado do recreio, e elas ficaram a olhar".
É a minha pequena.
.
Diamonds aren't forever
Isto de ser acordado com um telefonema do local de trabalho, ao Sábado, porque, e passo a citar, "estão duas raparigas a entrevistarem-se uma à outra (?) mais uma a tirar fotografias na sala 6, o Ricardo deu autorização para isto?" é coisa para questionar se estou realmente acordado. Agora podia fazer umas piadas a descambar para o porno-literário, mas tenho sono (lá está) e há pessoas que lêem o meu vlog que iam ficar potencialmente chocadas. Portanto, poupar-vos-ei desse martírio, ide lá desfrutar do vosso sábado em paz.
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