31 de maio de 2012

Don't sit down 'cause I've moved your chair

Tenho que recomendar cinco livros para uma revista bonita (segundo a pessoa que me convidou), e fazer um pequeno texto a acompanhar cada livro. Daqui a uns dias mostro o resultado.


30 de maio de 2012

The bakery

Chego à padaria onde tomo o pequeno-almoço, as funcionárias estão preocupadas com o facto do edifício ter sido comprado e de não saberem nada quanto ao seu futuro, "perguntem à Maya, pensei eu", mas isto sou eu que sou mal-disposto pela manhã, logo esta padaria que é o sítio onde consigo arejar durante dez minutos durante a manhã, sabendo de antemão que me posso cruzar com a Pipoca e vê-la na padaria é mais ou menos como ver um acidente na A5, um gajo não devia mas não resiste em andar mais devagar para poder ver, e depois diz "iiih, como isto está" enquanto abana a cabeça com pesar, é o sítio onde ouço conversas (quer da minha companhia, quer dos utentes da padaria) que não lembram ao menino Jesus, onde há um gajo que fala inglês, usa blazer e umas calças de fato-de-treino da adidas e usa um rabo-de-cavalo tipo Beckham há uns anos atrás, gajo esse que me deixa perplexo porque quem é que raio usa blazer e calças de fato-de-treino e ténis adidas e anda com um ipad e com uma senhora atrás com um ar exótico que fala inglês com ele e português com os demais e também tem um ipad, e eu sinto-me info-excluído por não ter um ipad, e já pensei em perguntar-lhe "who are you, what the hell are those clothes, can you give me an ipad please?", e talvez, talvez ele seja um gajo porreiro e até dava o ipad ao gajo que geralmente bebe um ucal enquanto pensa em tudo e em nada, e nisto lembro-me como as senhoras são lentas como tudo a despachar o serviço, e ok, admito, isso irrita-me mas é da maneira que consigo espairecer mais um pouco, e também há aquela rapariga em que por mais que a vejamos nós não conseguimos decidir se é gira ou não, nunca percebemos se é do sono ou que raio, mas a verdade é que ela não gera consenso à sua passagem e isso no fundo, no fundo, até pode ser algo positivo, e a curiosidade é que os Arctic Monkeys têm uma música chamada the bakery e que, no fundo, não tem nada a ver com isto mas que toca na minha cabeça quando lá vou, e depois também há uma senhora da padaria que convidou um colega meu para um  desfile de moda, e eu temo por ele porque ela tem 1,80m e deve pesar mais quarenta kilos que ele, e ele é bom livreiro e eu preciso dele na sala um, porque isto dos bons livreiros é como as boas padarias, há poucos e depois se perdemos os bons é uma chatice e depois tem que se arranjar outros e eventualmente, apesar de não nos lembrarmos dos antigos, vai-se a ver e não é a mesma coisa.

29 de maio de 2012

A minha irmã adolescente...

É neste momento a pessoa mais feliz do mundo: tem um autógrafo e tirou uma foto com o Robert Pattinson, o senhor que lhe preenche as paredes do quarto.
O meu grande abraço vai para o namorado dela que a levou lá, é preciso coragem, o puto subiu na minha consideração. 
Aposto que nenhuma namorada minha me levava a ver a Helena Coelho.

28 de maio de 2012

Em nome do medo

Gostava que ela percebesse que sim, que no fundo ela é uma mulher forte e aguenta tudo isto e muito mais. A luz ao fundo do túnel é bastante mais real do que ela pode sequer imaginar. 

27 de maio de 2012

The aftermath is secondary

Custa-me explicar ás pessoas que inocentemente me pedem conselhos amorosos que esse acto equivale mais ou menos a pedir conselhos sobre como fazer substituições ao Jorge Jesus. Um gajo fazer até faz, mas o timing é sempre mau, e a probabilidade de desastre é real e elevada. Além do  mais, acho que o facto de ser divorciado quer dizer qualquer coisa. 
Ainda assim, existe uma dúvida que me assola de forma recorrente: como amigo, devemos evitar que um amigo tropece ou apenas que ele caia? Ou apenas devemos ajudá-lo a levantar? Ou, melhor, apenas devemos apontar e rir e depois certificarmo-nos que aprenderam a lição? 
As pessoas são adultas, têm idade e experiência suficiente para perceberem nas situações em que se estão a meter e nas possíveis consequências dessas situações. Deve um amigo alertar constantemente para essas consequências, caso a pessoa as ignore? Ou deve apenas referi-las, e depois deixar a pessoa agir por si própria?
Tende juízo, é o que vos digo.

26 de maio de 2012

That awkward moment...

... Em que numa saída com alguns colegas do trabalho eles equacionam a hipótese de tu teres uma vida dupla, ao encontrares num curto espaço de tempo várias pessoas conhecidas num sítio onde nunca sequer tinhas ido. Eu, a pessoa que nunca sai.

25 de maio de 2012

Novo desporto no comboio

Tentar descobrir quem, no meio daquelas trinta pessoas que ocupavam o espaço de cinco, exalava um característico cheiro a vinho de mesa do Lidl.
Sem suspeitos óbvios, a escolha foi difícil e inconclusiva.

24 de maio de 2012

Amigos da CP

Isto das filosofias de vida é tudo muito bonito mas é quando não há greves da CP durante três dias.
Tive de correr para o comboio hoje, sob pena de ficar por tempo indeterminado parado na estação. Algo que para quem, parecendo que não, ainda tem de trabalhar, é coisa para causar transtorno.
Sou a favor das greves? Ideologicamente sim. Mas andar de comboio às 19 horas num calor insuportável, com a lotação completamente ultrapassada, é algo que pouco me apraz.
Viajei com uma senhora do lado direito a dar-me com a mala nos joelhos durante toda a viagem (tipo Bruno Alves mas em versão senhora de programa de tarde da TVI), com a senhora do lado esquerdo a ler do meu livro (e lia rápido ela, eu bem que a via a lançar-me um olhar do tipo "então, já viravas a página") e, bem, a pessoa que ia atrás de mim (vamos chamar-lhe "senhora", pois eu não me virei para trás para confirmar o sexo da pessoa, mas, dado o nível de esfreganço que ali houve, vamos todos acreditar que sim, que era uma senhora, sueca de olhos verdes), com o balançar do comboio, proporcionou contactos que em certas e determinadas culturas eram coisa para obrigar a um casamento.
Greves, sim, mas vejam lá isso.

23 de maio de 2012

Da sorte

Estava há mais de três semanas a tentar que a empresa de manutenção eléctrica fizesse uma coisa aparentemente simples. Nunca apareceram, havia sempre imprevistos de última hora. Hoje, que levo na cabeça do meu director regional por a alteração não ter sido ainda feita, volto a ligar aos gajos. Aparecem no espaço de vinte minutos. Os gajos são de Braga. Devo tê-los apanhado no dia de ir tomar café ao Chiado ou coisa que o valha. Obviamente que ouvi o belo do "é preciso eu vir cá para tratares destas merdas". 

Bomba canção

Roque popular, mais logo, no Ritz. E mais nada.

21 de maio de 2012

Isto é tudo dele


Chego à conclusão de que não consigo iludir o inquebrável olhar da mordaz crítica canina. 

Conversas matinais

- Pai, vamos chegar atrasados! Não vou chegar a tempo de rezar!
- Oh filha, um dia não faz mal.
- Mas eu ia rezar para tu ficares melhor!
- Oh, meu amor, farias isso pelo pai?
- Sim, eu rezo sempre a pensar em vocês. A Matilde é que é esquisita.
- É? Porquê?
- Ela reza sempre para que a crise acabe.
- ...

20 de maio de 2012

Bob o construtor

Aquele bonito momento em que eu tenho que reler as mensagens que recebo do trabalho para ter a certeza de que efectivamente foi aquilo que li:
"Chefe, não querendo assustar... Mas o pessoal da lusófona está a fazer furos com um berbequim na parede."
Pois. Esse pessoal da Lusófona nunca foi de confiança.

Genius

Repórter (dirigindo-se a um elemento da tuna que actuou no centro do relvado no Jamor) - E então, de onde é que vieram?
Gajo da tuna - ... De Coimbra ...

19 de maio de 2012

Electricity

Eu gostava de saber em que altura é que os meus funcionários se esqueceram de que me adicionaram no facebook deles, e que eu consigo ver quando estão a postar coisas durante a hora de trabalho.

18 de maio de 2012

Dog days are over

- Pai, o Link está a babar-me a camisola do Messi!
- ... Tens uma camisola do Messi vestida!? Mas nós vamos ao supermercado!
- E então?
- Filha, não vais com uma camisola do Messi às compras...
- O que é que tem? É uma camisola normal.... Do Messi.
- ...

Indeed

- Pai, nem sabes o que os miúdos do segundo ano me chamaram!
- O quê?!
- Gaja!
- ...
- Sim, disseram "onde é que vai esta gaja?!"
- E tu?
- Eu? Dei-lhes umas chapadas.
- Catarina, eles são pequeninos do segundo ano!
- Mas chamaram-me gaja!
- E tu bateste-lhes...
- Pai... Por favor. Tu sabes como é que eu sou.

Ainda o apanhamos

Já deixei de estranhar o facto de, independentemente da hora a que acorde ou saia de casa (coisa que varia entre o "estamos bem, estamos bem" ao "foda-se é tarde"), chegar todos os dias o suficientemente perto da estação para ver o comboio chegar, e depois partir. Surge logo a dúvida: corro ou não corro? Lembro-me do Carlos e do Ega, subscrevo a "teoria definitiva da existência: Com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para coisa alguma".
O comboio parte, e em seguida ouve-se o apito do comboio seguinte, e aí surge novamente a dúvida (ainda o apanho, desta vez, corro, não corro? É o lento, posso ir a ler sentado, mas por outro lado chego apenas um minuto antes do rápido seguinte...), e invariavelmente acabo por não correr.
Já algumas pessoas vão ter que perceber que as outras pessoas não são comboios e que, perdendo uma, não vem uma igualzinha pouco tempo depois, que nos leva aos mesmos sítios.

17 de maio de 2012

Pontos Cardinais

Parte-se pela manhã. Madrugada, afinal de contas, mas desta vez já é de dia. Lugar 3/16, o do costume, as coisas fazem o sentido que tu queres que elas façam, sabes tão bem como eu. iPod carregado, livro aberto no sítio certo e tudo se movimenta para que tudo fique onde realmente é suposto estar.
Trocamos de comboio como quem troca de rádio no carro, haverá sempre algo melhor do outro lado. O nosso senhor há de estar a vir, deixa tudo pronto e reza para que tenhas validado o bilhete. Trocamos o sentido norte pelo sul, os momentos deslizam por entre as mãos como a areia onde me enterro quando te pego ao colo, à beira-mar. O tempo, ali, mede-se em ondas.
Estação quase vazia, momentos de silêncio em que tudo está parado e tu aí percebes porque é que a Sophia escrevia sobre aquele sítio, percebes porquê. 
Está calor, e eu vermelho do sol, as palavras "moreno", "olhos verdes" e "giro" são repetidas até à exaustão. Por mim, tu apenas ris-te com a graça que só tu tens, quando te ris. 
Está calor, dentro e fora de portas. Água fria, quente, morna. Não há Ray LaMontagne nem XX, há um silêncio que ultrapassa qualquer música. Pernas encostadas à parede, arranjas-te para sair como só tu sabes arranjar-te (os botões de punho da camisa, os botões de punho do casaco...). Pernas que nunca mais acabam. Como as saudades, sabes? Nunca mais acabam. 
O tempo salta até às lágrimas numa sala de cinema, num filme mau em boa companhia. E depois aqueles três quilómetros a pé numa cidade adormecida, ainda é hora dos amantes passearem, ida e volta, pesadelo entre o sonho, e o sonho continua logo antes de fechares os olhos. Cheiro a morango, pernas que nunca mais acabam (já te tinha dito?)
O sonho continua, em breve.