25 de maio de 2012

Novo desporto no comboio

Tentar descobrir quem, no meio daquelas trinta pessoas que ocupavam o espaço de cinco, exalava um característico cheiro a vinho de mesa do Lidl.
Sem suspeitos óbvios, a escolha foi difícil e inconclusiva.

24 de maio de 2012

Amigos da CP

Isto das filosofias de vida é tudo muito bonito mas é quando não há greves da CP durante três dias.
Tive de correr para o comboio hoje, sob pena de ficar por tempo indeterminado parado na estação. Algo que para quem, parecendo que não, ainda tem de trabalhar, é coisa para causar transtorno.
Sou a favor das greves? Ideologicamente sim. Mas andar de comboio às 19 horas num calor insuportável, com a lotação completamente ultrapassada, é algo que pouco me apraz.
Viajei com uma senhora do lado direito a dar-me com a mala nos joelhos durante toda a viagem (tipo Bruno Alves mas em versão senhora de programa de tarde da TVI), com a senhora do lado esquerdo a ler do meu livro (e lia rápido ela, eu bem que a via a lançar-me um olhar do tipo "então, já viravas a página") e, bem, a pessoa que ia atrás de mim (vamos chamar-lhe "senhora", pois eu não me virei para trás para confirmar o sexo da pessoa, mas, dado o nível de esfreganço que ali houve, vamos todos acreditar que sim, que era uma senhora, sueca de olhos verdes), com o balançar do comboio, proporcionou contactos que em certas e determinadas culturas eram coisa para obrigar a um casamento.
Greves, sim, mas vejam lá isso.

23 de maio de 2012

Da sorte

Estava há mais de três semanas a tentar que a empresa de manutenção eléctrica fizesse uma coisa aparentemente simples. Nunca apareceram, havia sempre imprevistos de última hora. Hoje, que levo na cabeça do meu director regional por a alteração não ter sido ainda feita, volto a ligar aos gajos. Aparecem no espaço de vinte minutos. Os gajos são de Braga. Devo tê-los apanhado no dia de ir tomar café ao Chiado ou coisa que o valha. Obviamente que ouvi o belo do "é preciso eu vir cá para tratares destas merdas". 

Bomba canção

Roque popular, mais logo, no Ritz. E mais nada.

21 de maio de 2012

Isto é tudo dele


Chego à conclusão de que não consigo iludir o inquebrável olhar da mordaz crítica canina. 

Conversas matinais

- Pai, vamos chegar atrasados! Não vou chegar a tempo de rezar!
- Oh filha, um dia não faz mal.
- Mas eu ia rezar para tu ficares melhor!
- Oh, meu amor, farias isso pelo pai?
- Sim, eu rezo sempre a pensar em vocês. A Matilde é que é esquisita.
- É? Porquê?
- Ela reza sempre para que a crise acabe.
- ...

20 de maio de 2012

Bob o construtor

Aquele bonito momento em que eu tenho que reler as mensagens que recebo do trabalho para ter a certeza de que efectivamente foi aquilo que li:
"Chefe, não querendo assustar... Mas o pessoal da lusófona está a fazer furos com um berbequim na parede."
Pois. Esse pessoal da Lusófona nunca foi de confiança.

Genius

Repórter (dirigindo-se a um elemento da tuna que actuou no centro do relvado no Jamor) - E então, de onde é que vieram?
Gajo da tuna - ... De Coimbra ...

19 de maio de 2012

Electricity

Eu gostava de saber em que altura é que os meus funcionários se esqueceram de que me adicionaram no facebook deles, e que eu consigo ver quando estão a postar coisas durante a hora de trabalho.

18 de maio de 2012

Dog days are over

- Pai, o Link está a babar-me a camisola do Messi!
- ... Tens uma camisola do Messi vestida!? Mas nós vamos ao supermercado!
- E então?
- Filha, não vais com uma camisola do Messi às compras...
- O que é que tem? É uma camisola normal.... Do Messi.
- ...

Indeed

- Pai, nem sabes o que os miúdos do segundo ano me chamaram!
- O quê?!
- Gaja!
- ...
- Sim, disseram "onde é que vai esta gaja?!"
- E tu?
- Eu? Dei-lhes umas chapadas.
- Catarina, eles são pequeninos do segundo ano!
- Mas chamaram-me gaja!
- E tu bateste-lhes...
- Pai... Por favor. Tu sabes como é que eu sou.

Ainda o apanhamos

Já deixei de estranhar o facto de, independentemente da hora a que acorde ou saia de casa (coisa que varia entre o "estamos bem, estamos bem" ao "foda-se é tarde"), chegar todos os dias o suficientemente perto da estação para ver o comboio chegar, e depois partir. Surge logo a dúvida: corro ou não corro? Lembro-me do Carlos e do Ega, subscrevo a "teoria definitiva da existência: Com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para coisa alguma".
O comboio parte, e em seguida ouve-se o apito do comboio seguinte, e aí surge novamente a dúvida (ainda o apanho, desta vez, corro, não corro? É o lento, posso ir a ler sentado, mas por outro lado chego apenas um minuto antes do rápido seguinte...), e invariavelmente acabo por não correr.
Já algumas pessoas vão ter que perceber que as outras pessoas não são comboios e que, perdendo uma, não vem uma igualzinha pouco tempo depois, que nos leva aos mesmos sítios.

17 de maio de 2012

Pontos Cardinais

Parte-se pela manhã. Madrugada, afinal de contas, mas desta vez já é de dia. Lugar 3/16, o do costume, as coisas fazem o sentido que tu queres que elas façam, sabes tão bem como eu. iPod carregado, livro aberto no sítio certo e tudo se movimenta para que tudo fique onde realmente é suposto estar.
Trocamos de comboio como quem troca de rádio no carro, haverá sempre algo melhor do outro lado. O nosso senhor há de estar a vir, deixa tudo pronto e reza para que tenhas validado o bilhete. Trocamos o sentido norte pelo sul, os momentos deslizam por entre as mãos como a areia onde me enterro quando te pego ao colo, à beira-mar. O tempo, ali, mede-se em ondas.
Estação quase vazia, momentos de silêncio em que tudo está parado e tu aí percebes porque é que a Sophia escrevia sobre aquele sítio, percebes porquê. 
Está calor, e eu vermelho do sol, as palavras "moreno", "olhos verdes" e "giro" são repetidas até à exaustão. Por mim, tu apenas ris-te com a graça que só tu tens, quando te ris. 
Está calor, dentro e fora de portas. Água fria, quente, morna. Não há Ray LaMontagne nem XX, há um silêncio que ultrapassa qualquer música. Pernas encostadas à parede, arranjas-te para sair como só tu sabes arranjar-te (os botões de punho da camisa, os botões de punho do casaco...). Pernas que nunca mais acabam. Como as saudades, sabes? Nunca mais acabam. 
O tempo salta até às lágrimas numa sala de cinema, num filme mau em boa companhia. E depois aqueles três quilómetros a pé numa cidade adormecida, ainda é hora dos amantes passearem, ida e volta, pesadelo entre o sonho, e o sonho continua logo antes de fechares os olhos. Cheiro a morango, pernas que nunca mais acabam (já te tinha dito?)
O sonho continua, em breve.

15 de maio de 2012

Mancini? Sempre gostei

Aliás, é o meu treinador preferido de todos os tempos. E como jogador também era brilhante. E é bem parecido e tudo.
Isto? Isto não tem nada a ver com o caso, não sei sequer do que falam.

Giro, giro

É aceitar todo o trabalho que nos atiram para cima e depois perceber que ficaste de assegurar um lançamento no dia em que tens um concerto para ir. Não era má ideia começar a utilizar a agenda como deve ser.

14 de maio de 2012

Mísera, a glória da distância

O que é que se passa entre nós e as portas automáticas? Acho que vou sempre guardar na memória as imagens de tu a passares nas portas automáticas, a deixar o olhar (e muito mais) para trás, na hora de nos despedirmos. Eu sei, somos tremendamente bons nas despedidas. Como no resto, afinal de contas.
Qualquer dia trocamos as despedidas (ainda que poeticamente trágicas e belas) por algo melhor.
Qualquer dia viveremos à distância de um beijo. 

They only love me for my books

"Nem acreditas na coincidência, mas estava neste momento a pensar em ti. Quer dizer, não em ti propriamente dito, mas na tua livraria..."

Sete preces

Um gajo sabe que está perdido quando as pessoas começam a notar que estou a pronunciar as coisas à maneira dela. Medo.

13 de maio de 2012

O misterioso feminino #2 (ou como ela acha que tem piadinha)

Como ela aproveita o fim de telefonema complicado que depois se tornou em algo positivo, dito entre risos e sorrisos: "Estás muito bem! Muito bem. Mas ainda não estás nada moreno. E devias começar a correr com o Link. E fazer mais uns abdominais..."