21 de maio de 2012

Conversas matinais

- Pai, vamos chegar atrasados! Não vou chegar a tempo de rezar!
- Oh filha, um dia não faz mal.
- Mas eu ia rezar para tu ficares melhor!
- Oh, meu amor, farias isso pelo pai?
- Sim, eu rezo sempre a pensar em vocês. A Matilde é que é esquisita.
- É? Porquê?
- Ela reza sempre para que a crise acabe.
- ...

20 de maio de 2012

Bob o construtor

Aquele bonito momento em que eu tenho que reler as mensagens que recebo do trabalho para ter a certeza de que efectivamente foi aquilo que li:
"Chefe, não querendo assustar... Mas o pessoal da lusófona está a fazer furos com um berbequim na parede."
Pois. Esse pessoal da Lusófona nunca foi de confiança.

Genius

Repórter (dirigindo-se a um elemento da tuna que actuou no centro do relvado no Jamor) - E então, de onde é que vieram?
Gajo da tuna - ... De Coimbra ...

19 de maio de 2012

Electricity

Eu gostava de saber em que altura é que os meus funcionários se esqueceram de que me adicionaram no facebook deles, e que eu consigo ver quando estão a postar coisas durante a hora de trabalho.

18 de maio de 2012

Dog days are over

- Pai, o Link está a babar-me a camisola do Messi!
- ... Tens uma camisola do Messi vestida!? Mas nós vamos ao supermercado!
- E então?
- Filha, não vais com uma camisola do Messi às compras...
- O que é que tem? É uma camisola normal.... Do Messi.
- ...

Indeed

- Pai, nem sabes o que os miúdos do segundo ano me chamaram!
- O quê?!
- Gaja!
- ...
- Sim, disseram "onde é que vai esta gaja?!"
- E tu?
- Eu? Dei-lhes umas chapadas.
- Catarina, eles são pequeninos do segundo ano!
- Mas chamaram-me gaja!
- E tu bateste-lhes...
- Pai... Por favor. Tu sabes como é que eu sou.

Ainda o apanhamos

Já deixei de estranhar o facto de, independentemente da hora a que acorde ou saia de casa (coisa que varia entre o "estamos bem, estamos bem" ao "foda-se é tarde"), chegar todos os dias o suficientemente perto da estação para ver o comboio chegar, e depois partir. Surge logo a dúvida: corro ou não corro? Lembro-me do Carlos e do Ega, subscrevo a "teoria definitiva da existência: Com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para coisa alguma".
O comboio parte, e em seguida ouve-se o apito do comboio seguinte, e aí surge novamente a dúvida (ainda o apanho, desta vez, corro, não corro? É o lento, posso ir a ler sentado, mas por outro lado chego apenas um minuto antes do rápido seguinte...), e invariavelmente acabo por não correr.
Já algumas pessoas vão ter que perceber que as outras pessoas não são comboios e que, perdendo uma, não vem uma igualzinha pouco tempo depois, que nos leva aos mesmos sítios.

17 de maio de 2012

Pontos Cardinais

Parte-se pela manhã. Madrugada, afinal de contas, mas desta vez já é de dia. Lugar 3/16, o do costume, as coisas fazem o sentido que tu queres que elas façam, sabes tão bem como eu. iPod carregado, livro aberto no sítio certo e tudo se movimenta para que tudo fique onde realmente é suposto estar.
Trocamos de comboio como quem troca de rádio no carro, haverá sempre algo melhor do outro lado. O nosso senhor há de estar a vir, deixa tudo pronto e reza para que tenhas validado o bilhete. Trocamos o sentido norte pelo sul, os momentos deslizam por entre as mãos como a areia onde me enterro quando te pego ao colo, à beira-mar. O tempo, ali, mede-se em ondas.
Estação quase vazia, momentos de silêncio em que tudo está parado e tu aí percebes porque é que a Sophia escrevia sobre aquele sítio, percebes porquê. 
Está calor, e eu vermelho do sol, as palavras "moreno", "olhos verdes" e "giro" são repetidas até à exaustão. Por mim, tu apenas ris-te com a graça que só tu tens, quando te ris. 
Está calor, dentro e fora de portas. Água fria, quente, morna. Não há Ray LaMontagne nem XX, há um silêncio que ultrapassa qualquer música. Pernas encostadas à parede, arranjas-te para sair como só tu sabes arranjar-te (os botões de punho da camisa, os botões de punho do casaco...). Pernas que nunca mais acabam. Como as saudades, sabes? Nunca mais acabam. 
O tempo salta até às lágrimas numa sala de cinema, num filme mau em boa companhia. E depois aqueles três quilómetros a pé numa cidade adormecida, ainda é hora dos amantes passearem, ida e volta, pesadelo entre o sonho, e o sonho continua logo antes de fechares os olhos. Cheiro a morango, pernas que nunca mais acabam (já te tinha dito?)
O sonho continua, em breve.

15 de maio de 2012

Mancini? Sempre gostei

Aliás, é o meu treinador preferido de todos os tempos. E como jogador também era brilhante. E é bem parecido e tudo.
Isto? Isto não tem nada a ver com o caso, não sei sequer do que falam.

Giro, giro

É aceitar todo o trabalho que nos atiram para cima e depois perceber que ficaste de assegurar um lançamento no dia em que tens um concerto para ir. Não era má ideia começar a utilizar a agenda como deve ser.

14 de maio de 2012

Mísera, a glória da distância

O que é que se passa entre nós e as portas automáticas? Acho que vou sempre guardar na memória as imagens de tu a passares nas portas automáticas, a deixar o olhar (e muito mais) para trás, na hora de nos despedirmos. Eu sei, somos tremendamente bons nas despedidas. Como no resto, afinal de contas.
Qualquer dia trocamos as despedidas (ainda que poeticamente trágicas e belas) por algo melhor.
Qualquer dia viveremos à distância de um beijo. 

They only love me for my books

"Nem acreditas na coincidência, mas estava neste momento a pensar em ti. Quer dizer, não em ti propriamente dito, mas na tua livraria..."

Sete preces

Um gajo sabe que está perdido quando as pessoas começam a notar que estou a pronunciar as coisas à maneira dela. Medo.

13 de maio de 2012

O misterioso feminino #2 (ou como ela acha que tem piadinha)

Como ela aproveita o fim de telefonema complicado que depois se tornou em algo positivo, dito entre risos e sorrisos: "Estás muito bem! Muito bem. Mas ainda não estás nada moreno. E devias começar a correr com o Link. E fazer mais uns abdominais..."

Momento ex-wife do dia

"Gastaste *inserir aqui quantia obscena* euros com o cão numa semana? É sinal que o tinhas para gastar."
Isto vindo de quem anda de carrinha Bmw e mora num T3 novo em Cascais. É para eu ver que só tenho o que mereço.

12 de maio de 2012

Brainwash


Isto ficou no ecrã do comboio durante uns bons dez minutos. Eu acho que ele estava a tentar dizer-me alguma coisa.

10 de maio de 2012

Juventude Sónica


Pela primeira vez em dois anos chego a casa e não tenho um animal a saltar-me para cima na maneira suavemente brutal e selvagem de demonstrar carinho dele e assusta-me perceber que ele é uma parte maior de mim do que eu pensava, está visto que nisto de perceber sentimentos eu sou tipo Jesus na gestão do plantel, mexo pouco e acerto ainda menos. O silêncio da casa, o ficar sem perceber o que fazer em vez do habitual limpa-passeia-alimenta-ralha-brinca-ralha-passeia do costume, o levantar o olhar do portátil e pensar que ele está tão sossegado que não pode ser coisa boa e lembrar-me que ele não está cá, e a casa é só minha. Uma diferença abismal. Claro que ele está no seu hotel para cães, rijo, não ladrou nem choramingou, juro que eu também não, vai para a piscina e vai levar banho e confraternizar com outros animais que não o seu dono, deve estar a delirar com aquilo. Juro que não pensei em ligar para lá. Hoje. Amanhã, logo se vê. 
Vai daí, Casa Ocupada no gira discos, e vamos fazer a mala para a mini-escapadinha de fim-de-semana (porque domingo diz que há a comunhão da filha, vamos ter a família toda, novo filho e namorado da mãe da Catarina, parece que é desta que sim, que se junta tudo), porque o Porto não espera por mim, já eu desespero pelo Porto e parecendo que não fazer a mala às 21 horas é mais agradável do que fazê-la às 5 da manhã. iPod carregado, livro na mala, dormir é para crianças, quero ler na viagem, quero chegar rápido ao Porto, se as saudades fossem prosa eu era o Lobo Antunes.
Nisto, compram-se bilhetes para o Ritz, Diabo na Cruz e Linda Martini. E estamos despachados de concertos para Maio, parecemos putos, não temos aulas amanhã.
Até domingo, então.

Bitch, please


Menos.

9 de maio de 2012

Conversa com um vendedor

Vendedor - Este livro é sobre o casamento... Er... O casamento entre pessoas da mesma pessoa.
Eu - Hm?
Vendedor - Sabe que ali em baixo compraram cem exemplares... É que há muitos por aqui.
Eu - Hm.... Ok... Podem ser dez, então.
Vendedor - Tem a certeza? Olhe que eles gostam de vir passear para esta zona!
Eu - ...


Nunca soubemos dar nós

25 de Maio, no Ritz. Nós, os outros.



Espero te chegar...

8 de maio de 2012

The suburbs

Hoje, visto que já não tenho seguro de saúde para o cão (a sério), decidi trocar o veterinário de S. Pedro pelo veterinário ao lado da minha casa. E não estou nada arrependido. Elas foram meigas, atenciosas e muito cuidadosas. E também não trataram nada mal o cão. 116€ mais pobre, mas com a noção de que tenho um animal lindo e bem cuidado, e isso, no fundo, é que importa. 


7 de maio de 2012

Oh god why #2

"Pai, a mãe e o F. (namorado da mãe) fizeram-me um interrogatório para saber quem é o meu namorado. Eu não tenho. Mas acho muita piada ao Gonçalo, filho da Adelaide mãe da Carminho. Ele é tãaaaaaaaao fixe! Pai, nem imaginas! Ele toca guitarra e bebe Coca-cola."
Toca guitarra e bebe coca-cola? 
... 

Oh god why

Os termos "botões mamários" e "puberdade" foram usados demasiadas vezes numa conversa sobre a última ida da Catarina ao médico.

Conversas de armazém

Eu a trabalhar e a saírem estas pérolas do armazém ao lado do meu escritório, sem qualquer ordem:

"o Kama Sutra desaconselha que o homem case com uma mulher careca e com mãos suadas."
"como é que eles mediam a profundidade da vagina na Índia no tempo do Kama Sutra?"
"Courgette não, pepino!"
"Portanto a mulher elefante fica com o homem cavalo, não devia ser a mulher égua?"
"Ainda não te contei a história da pila do cavalo."
"Quando a minha mãe fez festinhas ao cavalo ele ficou com a pila até ao chão."
"A minha mãe deu festas na égua e o cavalo deu uma tareia na égua."
"Já vi foi o orgão de uma baleia. É enorme e flácida."
"Há baleia macho e baleia fêmea?"
"Não deve dar muito jeito ser baleia."

Pois.

Desta não estava à espera

No meio de uma reunião na semana passada troquei umas bocas com um ex-livreiro meu, actual gerente, sobre canetas. E ele, altivo, afirmava que no natal tinha oferecido aos amigos uma Parker. E eu, claro, não perdi a oportunidade de lhe dizer que era bom saber que eu não me incluia nesse campo, afirmação que resvalou logo para comentários trocistas sobre cores clubistícas.
Na feira do livro ele disse que tinha comprado algo para mim: a minha primeira sugestão foi "A Bola" com a primeira capa relativa ao campeonato ganho pelo Porto.
Mas, eis senão quando hoje ele dá-me um toque para ir à porta da livraria e lá estava, uma Parker para mim. Já lhe disse que vou utilizá-la para prefaciar o romance de estreia dele.

6 de maio de 2012

Até para o ano


E termina aqui o périplo pela feira do livro, por este ano. Sinto uma nostalgia incrível, vou sentir a falta disto.
É como a criança me disse hoje, sentada no balcão, quando eu lhe dei três blocos com umas cabeças de animais, (depois de ele me perguntar se eu podia dar aquilo eu dizer-lhe "shhhhh, não contes a ninguém!"):
- A feira do livro é lindo!!!
E é puto, e é.

Alpha noir

É sempre bonito responder a um "bom dia" com um "pode confirmar", perante o ar atónito do cliente, ou dizer a outro "pode confirmar-me."

L do D

Hoje, o Livro do Desassossego a 11.25€, edição de capa dura, da Assírio, quem não vier comprar é porque é estúpido. Ou porque não pode. Ou porque não gosta. Isto há gente para tudo.

5 de maio de 2012

In and above men

Qual Pingo Doce, qual quê, deviam ver hoje a coragem das pessoas a aguentar duas horas para falarem e terem um autógrafo do José Luís Peixoto.  E dizem que os portugueses são pouco resistentes. Até tenho medo do que virá aí para a semana.

4 de maio de 2012

Meat is murder

Tenho uma relação com um pedaço de seitan. E adoro.

Headhunter

Chamem-me doravante, por favor, "senhor prospecção laboral". Tenho empregos para encontrar.

3 de maio de 2012

Reckless serenade

Já não há paciência para guerras entre empresas do sector livreiro em que absolutamente ninguém sai a beneficiar disso. As pessoas querem é ler, o resto é insignificante. 

Pára tudo, pára tudo

Morrissey? Em Cascais? Everything Is New, I love you.

Olha, foda-se

"Linda Martini tem uma triste notícia:
Fomos informados agora mesmo do cancelamento da nossa participação na SAL. De referir que a nossa vontade de voltar a tocar em Lisboa era muita e é com desagrado que somos confrontados com esta decisão.
Esta decisão é da organizaçã da SAL e é unilateral. ... Resta-nos deixar uma palavra de agradecimento a quem nos iria ver hoje e remeter quaisquer esclarecimentos adicionais para a organização do evento, uma vez que foge das nossas mãos.
Beijos,
♥"

O misterioso feminino #1 (ou como ela acha que tem piadinha)

Ela ser capaz de, numa conversa com o seu grau de seriedade, dizer, sem evitar rir, que eu já tenho "uma certa idade" e usar a chavões como "pronto, é que estás quase acabado" e "cota".

2 de maio de 2012

Black math

Catarina, na presença das tias e da avó:

Catarina - A Matilde contou-me uma anedota, é assim: a professora pede aos alunos para dizerem uma coisa que se pode chupar, e o Joãozinho responde "as cuecas!", e a professora envia um recado à mãe e mãe zanga-se e ralha com o Joãozinho e pergunta-lhe porque é que ele escreveu aquilo e ele responde: "então! Ontem à noite ouvi-te dizer ao pai "tira-me as cuecas e chupa!"
(segue-se um longo momento de silêncio profundo causado pelo espanto, em que se trocam olhares pautados pelo desconforto, na vã tentativa de tentar perceber quem é que vai dizer alguma coisa)
Catarina - O quê?! Não perceberam!?
(aqui é o choque geral)

Tempos engraçados que estão a caminho, está visto.

1 de maio de 2012

Dog protocol

Fico sempre sem saber se devo deixar o Link aproximar-se dos outros cães quando o passeio. Há donos que ficam histéricos e em pânico (oooooh meu Deus ele vai comer a minha cadela! A cabeça dele é maior que a a minha cadela! Anda ao colo da dona Pituxa!). Por outro lado, há donos que olham para mim com desdém quando eu não deixo o Link aproximar-se, do tipo "ah o teu cão é demasiado bom para se aproximar do meu?". 
Claro que há aquela cena bonita, que aconteceu há uns meses atrás, em que o Link se aproxima do Sumol, eu pergunto à dona a raça dele, ela responde que é macho, e eu digo "então não há problema, ele sai ao dono" e, antes sequer de ter tempo de acabar de falar já está o Link a tentar possuir selvaticamente o outro animal, macho. 
Enfim. Vicissitudes de ter um cão.

Tudo o que nem se sonha, mas o Ricardo é… *

"Ele teve um carro azul menina que insiste que é azul másculo. Ele é agarrado à terra e vai mostrar-te os sítios onde cresceu com o orgulho de quem está a mostrar uma parte de si, com o brilho no olhar de quem teria imensas histórias para contar. Dizem que é frio e distante, mas, na verdade, é agarrado às pessoas, acredita nelas e gosta genuína e fielmente. É extremamente organizado, mas, se o tratares com carinho, é capaz de achar adorável a tua desorganização. Ele nem sempre dá o primeiro passo, mas controla sempre. Ele sabe o que vais dizer, sem que precises de falar. Ele fala com o olhar e congela o tempo com palavras. Ele vai dizer-te que gosta mais de dar do que de receber, e quando tu pensas que é tudo tiques de D. Juan, não se fica por palavras, mostra-te o que é dar. O genuíno dar de cuidar. De achar que tudo é pouco. De achar que ainda não fez nada. Mesmo que isso implique acordar 30 minutos mais cedo do que tu e tropeçar nas coisas que deixaste espalhadas por todo o lado. Ele vai lembrar-te do que tens para fazer. 
Vai pronunciar “tefone”, mas não te importas, porque, fora isso, trata a língua portuguesa imaculadamente. Vai marcar a tua medida na parede e escrever o teu nome ao lado. Vai beijar-te e pedir-te para que não te mexas e aí, sabe, está a gravar o teu sabor e textura. Vai provocar-te sustos de morte e não vais ter vontade de lhe bater. Só de retribuir com insultos carinhosos. Estilo parvo, estúpido e, se estiveres inspirada, idiota. Vai fazer com que sufoques a rir enquanto pretendias comer tranquilamente um pouco de pão quente. 
Vai dizer-te que adora ouvir-te cantar para ele, embora nem sequer arrisques cantar no chuveiro. Vai dizer-te que sabe que o João gosta da Ana, porque lhe dá a mão na rua e, perante o teu espanto, vai teorizar que um rapaz só faz isso quando gosta mesmo. Um dia, mais cedo do que tu pensas, vai abraçar as mãos dele nas tuas. Vai dizer-te que da próxima vez não vai querer saber: vai correr para ti e abraçar-te. Não se vai importar de fazer de GPS humano só para garantir que chegas perto dele mais cedo. É muito príncipe. Vai dizer que é capaz de te conquistar todos os dias, e, nas primeiras vezes em que diz esta e afirmações semelhantes é capaz de te preparar com um “Isto vai ser forte”. Mas também é bem homem. E é capaz de suspirar Isto é tão errado ou dizer que tem saudades das tuas partes que assentam no banco do carro… É capaz de te pôr a ouvir músicas que antes nada te diziam e a gostar. Dás por ti a trautear And when you say that you need me tonight I can’t keep my feelings in disguise. The white part of my eyeballs illuminate.
Sobretudo, sabe que ele é intenso e que não tem meias medidas. Mas tem todo o tempo do mundo. E é de uma só. Ah, e claro, não te surpreendas se quando o ouvires dizer que não te vai esquecer nunca, aconteça o que acontecer, tu já souberes – antes de acontecer, antes de o dizeres – que não o esquecerás."

* (post da exclusiva responsabilidade da minha respectiva)

30 de abril de 2012

Sleeping the day away


Necrophiliac, pois, diz que sim. Embora haja negações e acusações de ser mentiroso por sugerir tal coisa à pessoa que não admite mais do que um toque de ombro no seu sono.

As saudades do bicho


O ar extasiado do animal a olhar para a pequena dona... Não se viam há duas semanas. Foi um reencontro emocionante. Houve correrias e saltos para cima um do outro, e felicidade, muita felicidade.

That awkward moment #5

... Em que tu por mais que tentes decorar algo denominado "orientação vocacional" acabas sempre por dizer coisas do calibre de "vocação operacional", "ocupação profissional", "profissão vocacional" ou "vocação orientacional".

That awkward moment #4

... Em que te dizem que tu davas um bom escritor tipo Nicholas Sparks Pedro Paixão e coisas que tais.
E, vindo de quem vem, até aceitas isso como um elogio.

29 de abril de 2012

Proud

Foi um dia complicado. Falhou a electricidade duas vezes. As músicas do espaço começam a tornar-se insuportáveis. O aquece / arrefece / chove / não chove começa a cansar.
Há pessoas que, claramente, e não querendo ofender ninguém, não merecem o ar que respiram. Há pessoas cuja simpatia transborda em olhares, sorrisos e agradecimentos quando fazemos apenas e só o nosso trabalho. Sem grandes adornos ou toques de classe. 
Hoje, apesar da tentação, eu prometi e cumpri a difícil tarefa de sair da feira do livro sem um único livro comprado. 

28 de abril de 2012

Feira do Livro 3 - 0 Ricardo


Eu prometo que vou parar.

Nomes pronunciados em vão

Aquele abraço silencioso e amigo às dezenas de pessoas que compraram o 2666 hoje.

My chemical romance


O poster emo guiar-vos-á na feira do livro.

27 de abril de 2012

Slide to unlock

Chego a casa depois de passear o cão, ontem à noite, e recebo uma mensagem no telefone. Quando penso que sei perfeitamente quem é o remetente e olho para o telefone com a naturalidade de quem sabe o que aí vem, qual não é o meu espanto quando vejo que a mensagem vem do director de operações da minha empresa. Assustado, abro imediatamente a mensagem. E o que é que estava escrito? "Não estou doente, a sms veio enganada ;)".
Vou à caixa de saída do telefone, e vejo, maravilhado, que consegui reencaminhar a última sms que tinha recebido (com o telefone no bolso, atenção) para doze dos meus contactos, entre eles o tal director de operações, uma responsável de comunicação de uma conhecida editora, o director regional da empresa de segurança e um antigo gerente meu.
Ricardo, a conseguir embaraçar-se através de todo e qualquer meio de comunicação desde 1980.

26 de abril de 2012

Ctrl + Alt + Del

Sabes que ainda és imaturo quando, ao estares presente num evento com uma escritora italiana, no instituto italiano de cultura, esperas que ela responda "Ho fatto l'amore con Control" a pelo menos uma das perguntas que são feitas.

A crise no mercado livreiro

Primeira frase que ouço ao entrar na livraria hoje:
"Chefe, a minha mãe viu-te a falar na RTP. Diz que gostou do que tu disseste e que falaste bem, mas o mais preocupante é que teceu considerações quanto ao teu aspecto pá, e isso é no mínimo estranho".

Escrito no ar

É ainda congelado pelo primeiro dia de feira que aqui escrevo. Demasiada chuva, pouca gente, uma noite desoladora. Espero que quando voltar o tempo esteja mais agradável.
O resto estava como sempre está: umas pessoas mais chatas que outras, livros bons em (quase) tudo o que é sítio e gente conhecida ao virar de cada esquina. Ah, esqueci-me propositadamente da música. "Ai se eu te pego"? A sério? "Sex on the beach"? Oi? "não sou mecânico mas quero ver o teu capot, tira o vestido"? Apropriadíssimo.
Para a próxima vamos é tentar trabalhar mais e comprar menos, faz favor. O saldo da conta agradece.

Feira do Livro 1 - 0 Ricardo


24 de abril de 2012

A corda do elefante sem corda

O momento da noite chega quando, depois de jantar com a filha, ficamos a ver a segunda parte do Barça - Chelsea, e ela consegue comentar uma jogada de ataque do Barça, dizendo o nome de TODOS os jogadores por quem a bola passa (Tello e Cuenca inclusive, e nem eu sei quem eles são), antes do comentador da Sporttv. 

Os detectives selvagens

Amanhã começa mais um périplo aqui do vosso caro na Feira do Livro de Lisboa, nos seus tempos livres. Um gajo trabalha com livros a semana toda e o que é que faz nas folgas e nos feriados? Vai para a Feira do Livro, pois claro.  Livros, ar livre, autores, amigos, velhos conhecidos, editores, vendedores, entrevistas, mais livros, descontos, algum cansaço, mas sempre, sempre um enorme prazer em lá estar.
E poder trabalhar sem ser o responsável da coisa, parecendo que não, parece quase que estou de férias. Isso e ir de t-shirt e de All-star.
Já amanhã, algures por lá.

Shelter

Tenho uma dor crónica aqui do lado esquerdo, na zona da distância.

23 de abril de 2012

Dia Mundial do Livro



Hoje é o nosso dia. Leiam. Muito, e sempre. Leiam livros, não leiam aqueles pedaços de papel com tinta que alguém decidiu chamar de livro por uma questão de formato. Vão a livrarias. Não a lojas que vendam livros. Falem com os livreiros. Eles gostam. Mesmo que por vezes estejam cansados, chateados e sem paciência. Têm sempre, sempre, tempo para um leitor. Para "clientes" é que às vezes não.
É uma questão de amor, isto dos livros.

22 de abril de 2012

Respectiva

Sendo que não é possível prolongar determinados momentos, gostava muito de os repetir. Uma, e outra, e outra vez. E estes últimos cinco dias são um desses momentos, que conteve nele tudo de mim. Afinal existe vida, em mim. Todos os passeios. Os jantares em nenhum dos sítios em que tinha planeado. As viagens de carro nocturnas, rumo a lugares inesperados. Os sítios que fizeram de mim quem sou. Lojas com grades a meia altura. Manchas de vinho nos lençóis. Livros oferecidos. Coisas que não são preciso dizer, sentem-se. Coisas que não são preciso prometer, fazem-se. Sotaques soprados no vento, até ao coração. Fora do mercado, fora de tudo. Sono, o que é isso? Quebra de hábitos nocturnos. Pequenos-almoços na cama. Podia dizer que ficam as saudades, mas isso seria ridículo, fica mais, muito mais, ficam momentos e sentimentos muito mais importantes do que as saudades.
Por ti, risquei de vez a palavra "adeus". De vez.
Agora sim, até já.
Até já. 

21 de abril de 2012

Sábado, no Chiado

Sol, bom tempo, o indiano dos cães a cuspir num turista alemão enquanto lhe chama nazi, por este lhe ter tirado uma foto sem autorização ("fucking nazi comes to Portugal thinking he's a big shot, fuck you nazi), uma mulher que desce a rua a fugir de outra, a jurar por tudo que não conhece ("não te conheço, deslarga-me!") para depois subirem a rua de mão dada, uma delas a cantar ("you've got a frieeeeend"), Santini, vinis na Louie Louie, livreiros atrasados que não faziam ideia que o chefe ia trabalhar este sábado, é isto, um dia normal, por estas bandas.
E eu, aqui, com metade de mim noutro lado.

17 de abril de 2012

Estações de comboio semi-vazias

Parece que é assim, o estranho ofício de sentir: amanhã perco a noção de tempo e perco-me na vã certeza de que ganhei um sentido.
E um sentimento.
Até já.

Na pressa de viver o corpo quente

Bonito, bonito, é fazer um post no facebook a dizer que precisas desesperadamente de ver uma banda em Lisboa e passado dois dias é anunciado que essa banda vai tocar em Lisboa daqui a duas semanas.

16 de abril de 2012

Songs for the deaf

A despedir-me dos meus avós:
Eu - Adeus! Tenho que gritar, vocês tem a televisão demasiado alta!
Avó - O teu carro abana com o vento?!
Avô - Ele está a queixar-se que tens a televisão muito alta!
Eu - Avó, está demasiado alta!
Avó - Não ouço nada, o som está muito alto!
Eu - ...
Avô - ...

That akward moment #2

Enganares-te no destinatário de uma sms (escolhendo a irmã mais nova, por engano), e receberes como resposta a certeza de que as tuas irmãs vão gozar contigo durante algum tempo.

That akward moment #1

Quando vais no comboio e recebes uma mensagem e vês que uns putos geeks reconheceram o teu toque de mensagem e olham para ti num misto de respeito e admiração.

Respectivamente (ou de como o seu encanto feminino faz com que se quebrem aquelas promessas que fazemos a nós próprios)

Eu - Então e... Posso dizer-te isto?
Ela - Sempre que quiseres... Todos os dias. De preferência várias vezes ao dia.

15 de abril de 2012

Death magnetic


E a morte, assustada,
fugiu.

14 de abril de 2012

Letra C

A Catarina não é menina de conversar muito. Especialmente quando se puxa por ela. Por isso, venero as nossas viagens de carro em que ela, a comer um gelado ou apenas distraidamente a olhar pela janela, começa a falar. E quando eu digo começa a falar, é começa a contar tudo e mais alguma coisa, sem eu sequer perguntar nada. Ela vai falando, e falando, e vai chegando mais fundo aos pensamentos, intenções e medos dela. 
Foi numa conversa destas que ela teve a brilhante tirada "o Gonçalo é o meu namorado, mas ele não sabe disso". Medo. Por ele. É que ela é parecida com a mãe.
Hoje começou a falar de uma colega nova, da qual nunca tinha ouvido. Até que chegou a um ponto em que me perguntou quem era a Madonna. E é nestas alturas que eu baixo a música. Perguntei-lhe porquê, enquanto ia pensando em como raio explicaria quem era a Madonna, e ela contou que num dos últimos intervalos as amigas estavam todas contentes a falar da Madonna e que ela chegou perto delas e perguntou, inocentemente, quem era a Madonna. Contou-me, toda triste, que elas riram-se muito e gozaram com ela por ela não saber quem é a  Madonna. E eu já de coração partido, a ouvir a vozinha dela, quando ela se endireita e diz, toda confiante:
"E eu disse: Ai é? Ai é? E vocês não sabem quem é o Hélio! Nem o Manuel Cruz! Não quero saber da Madonna! E deixei-as lá e fui com a Carlota para o outro lado do recreio, e elas ficaram a olhar". 
É a minha pequena.



Diamonds aren't forever

Isto de ser acordado com um telefonema do local de trabalho, ao Sábado, porque, e passo a citar, "estão duas raparigas a entrevistarem-se uma à outra (?) mais uma a tirar fotografias na sala 6, o Ricardo deu autorização para isto?" é coisa para questionar se estou realmente acordado. Agora podia fazer umas piadas a descambar para o porno-literário, mas tenho sono (lá está) e há pessoas que lêem o meu vlog que iam ficar potencialmente chocadas. Portanto, poupar-vos-ei desse martírio, ide lá desfrutar do vosso sábado em paz.

13 de abril de 2012

24 - 25

Deduzes que estás a fazer algo bem quando a alma de espírito indomável do sono considera a remota de hipótese de dois ombros se tocarem, inconscientemente, a meio da noite.

12 de abril de 2012

50/50


Crepúsculo Vermelho no Oeste

"A areia estendia-se, azul, ao luar, e os aros de ferro das carroças rolavam por entre as silhuetas dos cavaleiros em anéis cintilantes, que se inclinavam de viés e revoluteavam, claudicantes e vagamente parecidos com instrumentos de navegação, dir-se-iam astrolábios esguios, e as ferraduras polidas dos cavalos erguiam-se uma e outra vez como que movidas por dobradiças, semelhantes a uma míriade de olhos a pestanejar sobre o solo do deserto."

Há muito tempo que não demorava tanto tempo a ler um livro. Não sei se é da violência extrema, desnecessária, cruel e impiedosa. A verdade é que este "Meridiano de Sangue" nos agarra bem por dentro, em sítios que poucos livros conseguem chegar.
É curioso comparar este século XIX com o mesmo período na Europa. Temos os Vronskis e os Sanins russos a viajar pela Europa, a conhecer mulheres em bailes e estâncias termais, a discutirem cavalos e a beijar pulsos e a deixarem-se arrebatar pelas Kareninas e Gemmas da vida. E depois, do outro lado do atlântico, temos os Holdens e os Glantons, basicamente a matar e a profanar tudo o que é vivo e sagrado e passível de matar e profanar.
A grande qualidade do McCarthy é a forma estranhamente lírica e inspiradora como descreve um deserto, uma ruína, uma alma perdida. Uma morte. A morte.
A seguir a este livro irá seguir-se um enorme vazio, semelhante ao que se seguiu ao 2666 do Bolaño. Não consigo imaginar sequer o que poderei ler a seguir a isto.

11 de abril de 2012

"I got a million things that I need to do...

... But they're all secondary"
Como não podia deixar de ser, Abril acaba sempre por ser um dos meses mais loucos do ano. Efemérides, eventos que nunca mais acabam e, para finalizar em grande, a feira do livro de Lisboa. Isto significa dizer adeus às folgas, a bastante sono (não que tenha muito hoje em dia, por tão bons motivos) e a um pouco da sanidade que me resta.
Restam-me os livros, sempre, no fundo, os livros e a conjugação inevitável de verbos que quebram promessas feitas a mim próprio.
Vai ser um bom mês.

Bad boy

O facto de eu andar muito caladinho nada tem a ver com a contenda desportiva de resultado extremamente frustrante e negativo da passada segunda-feira.

8 de abril de 2012

Reptilia

Gostava de dizer que gostei de ver a família toda reunida para o baptismo, mas não houve qualquer reunião: foi o (quase) habitual deserto. Cada família (ou uma pequena representação da mesma) para seu lado (o que, tendo em conta os divórcios, é muito lado). Com certas pessoas a distância de metros da igreja parecia longos e insuperáveis quilómetros. Já a mãe, ainda a recuperar do parto, não foi.
A menina portou-se lindamente, a madrinha também (o padrinho está em Itália, o sortudo). Fez o baptismo, profissão de fé e crisma, logo de uma vez. Houvesse um mocinho jeitoso e casava-se já a rapariga, ficava tudo despachado em termos de cerimónias da igreja.

7 de abril de 2012

Sentimentalóide


Um dia percebemos que por muito que se fechem (e se tranquem e se barriquem) portas, encontram-se sempre janelas. Sempre. É por tudo o que se passou, de bom e de mau, que me encontro aqui e assim, hoje. E o mais importante é que gosto de onde me encontro, e gosto para onde estou a caminhar (não andar, caminhar: mesmo que seja pelo caminho mais longo). E não vou desistir.
Aprendo muita coisa por estes dias: a diferença entre estar a caminho de, estar a ficar, ou estar completa e irreversivelmente. 
Acho que somos mais da última hipótese, sentimentalóide. 

Cerimónia dos ritos

Ponto alto da preparação para o baptismo de hoje:
Padre: Sobem ao altar, padrinhos, e depois acendem a vela da criança na chama do círio pascal, e voltam para o vosso lugar.
Mãe: Mas... e depois quem acende a chama?
Padre: Os padrinhos, com a vela da criança.
Mãe: Sim, mas o padrinho chega lá, acende a vela, e leva a chama para junto da criança. Como é que fazem os que querem acender a seguir?
(silêncio geral)

5 de abril de 2012

Hell, MI 48169, EUA

Frase do dia: "eu vi a Mariana Monteiro toda nua no ginásio, e tem o melhor rabo que eu já vi, mesmo perfeitinho, fiquei ali assim, de boca aberta, a pensar se virava lésbica".
Frase dois do dia: "pai, porque é que estás a ver a novela comigo hoje?"

Scratch the surface

Para começar a manhã com boa disposição é só ler os comentários no Facebook das imagens da chegada do Benfica ao aeroporto. Admiro a coragem dos que tentam falar inglês quando claramente não dominam sequer o português.

4 de abril de 2012

It's not a fashion statement, it's a deathwish

A comprar na Amazon alemã, com o Google a traduzir:


"Não haverá atrasos na sua ordem. Para este inconveniente, pedimos-lhe para se desculpar". É por isto que os alemães estão mais à frente que nós.

Soares é fixe e... Wait, what?

Mário Soares apanhado pela GNR a 199 km/hora

Aposto que era o peso dele que impedia o ponteiro de bater nos 200.

Far beyond driven

Já nasceu o irmão da Catarina, ela está feliz a mostrar as fotos pelo telefone. Quando ela nasceu não haviam mms. Ou haviam? Não sei, foi no tempo em que havia telefones Alcatel, o Meteora de Linkin Park parecia muito bom e o Sporting ganhava campeonatos. Sim, foi assim há tanto tempo.

3 de abril de 2012

Slow dance

Gosto especialmente do spot da rádio Nostalgia (a única que eles apanham aqui no armazém...), em que há um senhor que diz que dançava a música "checha na bochecha". 

2 de abril de 2012

Do Porto e coiso

Como acabar em grande a visita ao Porto? Simples. Andar dez minutos de metro (eléctrico?) completamente entalado de pessoas com cachecóis e camisolas do FCP. Foi tipo um sonho, mas ao contrário. 

1 de abril de 2012

Engraçadinhas

Catarina (ao telefone): ... e o pai chorou quando fomos no avião para Paris!
(risos do outro lado do telefone)
Eu: Catarina! Diz lá que é mentira, hoje é dia das mentiras!
(mais risos)
Catarina: Não é nada! O pai ia ao colo da mãe!
Eu ...

E ficaram as duas a rir-se de mim. Mas eu aposto que era o mais feliz dos três.

Cute, cute


"Ah, podíamos ter ido por ali afinal..."

29 de março de 2012

Doces contradições

Foi ontem, naquele momento escondido dos ponteiros fatigados com noções de tempo desacertadas: minutos que brincam como adultos e se julgam horas de prazer intermináveis.

Awesome

Recebo uma sms enquanto estou a tentar finalizar o horário da feira do livro.
"Queres ir ao Coliseu ver Ornatos em Outubro dia 14??"
Tudo aparentemente normal, não fosse o facto de eu olhar para o remetente e ler... Catarina. O que se seguiu:

Eu: Eu vou =P
Catarina: E eu?
Eu: Queres ir com o pai?
Catarina: Claro
Eu: Ok! Vamos!
Catarina: iuuuuuuupiiiiiii!! =D

Claramente não é ainda adolescente: se fosse não queria o pai por perto num concerto. É de aproveitar.

27 de março de 2012

Ciudad Juárez

Olá, chamo-me Ricardo e vivo numa novela mexicana.

25 de março de 2012

Engraçado, engraçado

É ires passear com a tua filha a Cascais, e, ao desceres a rua quando vais comprar o gelado, veres a tua filha a acenar toda feliz para um café do outro lado da estrada, e ouvires uns gritos de "minha filha!" e olhares e estar lá a tua ex-mulher e sua melhor amiga, e estar a dar The Killers na esplanada, que era coisa que se ouvia lá por casa, parece coisa de série da Fox Life, e o abraço se prolongar para além do desejado e ela estar sempre a repetir "tás tãaao giro ex-marido".
E o que é que eu respondo: "Tu estás gorda..." e aperto lhe a bochecha gorda, e digo: "e o teu filho nunca mais nasce? Já anda quase com a mão de fora". 
Isto tudo perante o espanto das restantes pessoas do café. E do meu. Estamos todos crescidinhos e saudáveis.

24 de março de 2012

Tal pai, tal filha

A Catarina anda com muita vontade de falar com os meus amigos e amigas. Então a nova descoberta dela é o chat do facebook. Hoje abriu uns quantos chats no facebook e começou a falar... E o resultado são coisas como estas:


"fala português?" Esta miúda tem futuro.

É tipo ácido nos olhos, mas pior #3


Eu: Quem te deu esse peluche do Angry Birds?
Ela: A VóGina!
Eu: Quem?
Ela: A VóGina!
Não sabia quem era a avó Gina, mas, pelo sim pelo não, ensinei-a a pronunciar a coisa de outra maneira.

I did it my way

Que nome se dá a aquela parte que é repetida vezes sem conta numa música e que, quando é boa, não nos sai da cabeça? A Time Out responde, num artigo de crítica a um CD: os "refrães". Podia agora fazer uma piada de mau gosto com "refrães" e uma parte da anatomia masculina, mas é sábado, vou poupar-vos a isso.  

23 de março de 2012

It's times like these I wish I wrote like you

A minha brisa desmanchou-se por completo, ontem.

22 de março de 2012

Ele há gente

Isto é verdade? A sério, isto é mesmo verdade? Não haverá limites para a estupidez humana? Chamar a polícia por causa de uma cantilena infantil que inclui o Benfica? Que se lixem as fracas condições do ensino, as crianças que vão para a escola sem comer, a corrupção, que se foda tudo. Cantaram uma música do Benfica a uma criança cujo pai é do Porto? Chamem já o Ministério Público.
E o comentário do FC Porto? "Ayahtollas das suas próprias preferências"? Mau demais. Mau demais. 

I wanna riot

Hoje houve confrontos com os manifestantes a escassos metros da minha loja, com feridos ligeiros e tudo. Algumas cadeiras pelo ar, uma mesa, copos e garrafas de água. Os copos de cerveja, que muita gente trazia ao subir a rua, nem vê-los. Pudera. São estúpidos mas não são parvos. Ou vice-versa.

21 de março de 2012

A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia IV

"Como se desenha uma casa
 Primeiro abre-se a porta
 por dentro sobre a tela imatura onde previamente
se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,
 a mãe para sempre morta.

Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
 iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.

Protege-te delas, das recordações,
dos seu ócios, das suas conspirações;
usa cores morosas, tons mais-que-perfeitos:
o rosa para as lágrimas, o azul para os sonhos desfeitos.

Uma casa é as ruínas de uma casa,
uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra;
desenha-a como quem embala um remorso,
com algum grau de abstracção e sem um plano rigoroso."

Manuel António Pina

A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia III

"Ontem adormeceste, ainda
tínhamos as facas todas na boca
e três por abrir.
Ficou uma pousada
em equilíbrio geométrico
na linha dos lábios.
Não sei de quem eram
esses lábios onde
o gume imóvel não deixava sair
as palavras duras
e, mais tarde, os pesadelos.
Outras o cabo na minha mão,
esqueci-a  antes da última
costela flutuante
depois do coração.

De manhã éramos só nós, frios,
e a memória das cinzas na rua.

A terceira foi como se nunca tivesse existido."


Margarida Ferra

A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia II

"Engoli
água. Profundamente: — a água estancada no ar.
Uma estrela materna.
E estou aqui devorado pelo meu soluço,
leve da minha cara.
O copo feito de estrela. A água com tanta força
no copo. Tenho as unhas negras.
Agarro nesse copo, bebo por essa estrela.
Sou inocente, vago, fremente, potente,
tumefacto.
A iluminação que a água parada faz em mim
das mãos à boca.
Entro nos sítios amplos.
— O poder de reluzir em mim um alimento
ignoto; a cara
se a roça a mão sombria, acima
da camisa inchada pelo sangue,
abaixo do cabelo enxuto à lua. Engoli
água. A mãe e a criança demoníaca
estavam sentadas na pedra vermelha.
Engoli
água profunda."

Herberto Helder

A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia

"lembra-te 

Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos"

Cesariny

20 de março de 2012

Edite Estrela

Esgotei todo o meu léxico de palavrões naqueles cinco minutos em que o Benfica mandou três bolas aos postes. Se os vizinhos do quarteirão de baixo não ouviram é porque o vento não estava de feição.