23 de abril de 2012

Dia Mundial do Livro



Hoje é o nosso dia. Leiam. Muito, e sempre. Leiam livros, não leiam aqueles pedaços de papel com tinta que alguém decidiu chamar de livro por uma questão de formato. Vão a livrarias. Não a lojas que vendam livros. Falem com os livreiros. Eles gostam. Mesmo que por vezes estejam cansados, chateados e sem paciência. Têm sempre, sempre, tempo para um leitor. Para "clientes" é que às vezes não.
É uma questão de amor, isto dos livros.

22 de abril de 2012

Respectiva

Sendo que não é possível prolongar determinados momentos, gostava muito de os repetir. Uma, e outra, e outra vez. E estes últimos cinco dias são um desses momentos, que conteve nele tudo de mim. Afinal existe vida, em mim. Todos os passeios. Os jantares em nenhum dos sítios em que tinha planeado. As viagens de carro nocturnas, rumo a lugares inesperados. Os sítios que fizeram de mim quem sou. Lojas com grades a meia altura. Manchas de vinho nos lençóis. Livros oferecidos. Coisas que não são preciso dizer, sentem-se. Coisas que não são preciso prometer, fazem-se. Sotaques soprados no vento, até ao coração. Fora do mercado, fora de tudo. Sono, o que é isso? Quebra de hábitos nocturnos. Pequenos-almoços na cama. Podia dizer que ficam as saudades, mas isso seria ridículo, fica mais, muito mais, ficam momentos e sentimentos muito mais importantes do que as saudades.
Por ti, risquei de vez a palavra "adeus". De vez.
Agora sim, até já.
Até já. 

21 de abril de 2012

Sábado, no Chiado

Sol, bom tempo, o indiano dos cães a cuspir num turista alemão enquanto lhe chama nazi, por este lhe ter tirado uma foto sem autorização ("fucking nazi comes to Portugal thinking he's a big shot, fuck you nazi), uma mulher que desce a rua a fugir de outra, a jurar por tudo que não conhece ("não te conheço, deslarga-me!") para depois subirem a rua de mão dada, uma delas a cantar ("you've got a frieeeeend"), Santini, vinis na Louie Louie, livreiros atrasados que não faziam ideia que o chefe ia trabalhar este sábado, é isto, um dia normal, por estas bandas.
E eu, aqui, com metade de mim noutro lado.

17 de abril de 2012

Estações de comboio semi-vazias

Parece que é assim, o estranho ofício de sentir: amanhã perco a noção de tempo e perco-me na vã certeza de que ganhei um sentido.
E um sentimento.
Até já.

Na pressa de viver o corpo quente

Bonito, bonito, é fazer um post no facebook a dizer que precisas desesperadamente de ver uma banda em Lisboa e passado dois dias é anunciado que essa banda vai tocar em Lisboa daqui a duas semanas.

16 de abril de 2012

Songs for the deaf

A despedir-me dos meus avós:
Eu - Adeus! Tenho que gritar, vocês tem a televisão demasiado alta!
Avó - O teu carro abana com o vento?!
Avô - Ele está a queixar-se que tens a televisão muito alta!
Eu - Avó, está demasiado alta!
Avó - Não ouço nada, o som está muito alto!
Eu - ...
Avô - ...

That akward moment #2

Enganares-te no destinatário de uma sms (escolhendo a irmã mais nova, por engano), e receberes como resposta a certeza de que as tuas irmãs vão gozar contigo durante algum tempo.

That akward moment #1

Quando vais no comboio e recebes uma mensagem e vês que uns putos geeks reconheceram o teu toque de mensagem e olham para ti num misto de respeito e admiração.

Respectivamente (ou de como o seu encanto feminino faz com que se quebrem aquelas promessas que fazemos a nós próprios)

Eu - Então e... Posso dizer-te isto?
Ela - Sempre que quiseres... Todos os dias. De preferência várias vezes ao dia.

15 de abril de 2012

Death magnetic


E a morte, assustada,
fugiu.

14 de abril de 2012

Letra C

A Catarina não é menina de conversar muito. Especialmente quando se puxa por ela. Por isso, venero as nossas viagens de carro em que ela, a comer um gelado ou apenas distraidamente a olhar pela janela, começa a falar. E quando eu digo começa a falar, é começa a contar tudo e mais alguma coisa, sem eu sequer perguntar nada. Ela vai falando, e falando, e vai chegando mais fundo aos pensamentos, intenções e medos dela. 
Foi numa conversa destas que ela teve a brilhante tirada "o Gonçalo é o meu namorado, mas ele não sabe disso". Medo. Por ele. É que ela é parecida com a mãe.
Hoje começou a falar de uma colega nova, da qual nunca tinha ouvido. Até que chegou a um ponto em que me perguntou quem era a Madonna. E é nestas alturas que eu baixo a música. Perguntei-lhe porquê, enquanto ia pensando em como raio explicaria quem era a Madonna, e ela contou que num dos últimos intervalos as amigas estavam todas contentes a falar da Madonna e que ela chegou perto delas e perguntou, inocentemente, quem era a Madonna. Contou-me, toda triste, que elas riram-se muito e gozaram com ela por ela não saber quem é a  Madonna. E eu já de coração partido, a ouvir a vozinha dela, quando ela se endireita e diz, toda confiante:
"E eu disse: Ai é? Ai é? E vocês não sabem quem é o Hélio! Nem o Manuel Cruz! Não quero saber da Madonna! E deixei-as lá e fui com a Carlota para o outro lado do recreio, e elas ficaram a olhar". 
É a minha pequena.



Diamonds aren't forever

Isto de ser acordado com um telefonema do local de trabalho, ao Sábado, porque, e passo a citar, "estão duas raparigas a entrevistarem-se uma à outra (?) mais uma a tirar fotografias na sala 6, o Ricardo deu autorização para isto?" é coisa para questionar se estou realmente acordado. Agora podia fazer umas piadas a descambar para o porno-literário, mas tenho sono (lá está) e há pessoas que lêem o meu vlog que iam ficar potencialmente chocadas. Portanto, poupar-vos-ei desse martírio, ide lá desfrutar do vosso sábado em paz.

13 de abril de 2012

24 - 25

Deduzes que estás a fazer algo bem quando a alma de espírito indomável do sono considera a remota de hipótese de dois ombros se tocarem, inconscientemente, a meio da noite.

12 de abril de 2012

50/50


Crepúsculo Vermelho no Oeste

"A areia estendia-se, azul, ao luar, e os aros de ferro das carroças rolavam por entre as silhuetas dos cavaleiros em anéis cintilantes, que se inclinavam de viés e revoluteavam, claudicantes e vagamente parecidos com instrumentos de navegação, dir-se-iam astrolábios esguios, e as ferraduras polidas dos cavalos erguiam-se uma e outra vez como que movidas por dobradiças, semelhantes a uma míriade de olhos a pestanejar sobre o solo do deserto."

Há muito tempo que não demorava tanto tempo a ler um livro. Não sei se é da violência extrema, desnecessária, cruel e impiedosa. A verdade é que este "Meridiano de Sangue" nos agarra bem por dentro, em sítios que poucos livros conseguem chegar.
É curioso comparar este século XIX com o mesmo período na Europa. Temos os Vronskis e os Sanins russos a viajar pela Europa, a conhecer mulheres em bailes e estâncias termais, a discutirem cavalos e a beijar pulsos e a deixarem-se arrebatar pelas Kareninas e Gemmas da vida. E depois, do outro lado do atlântico, temos os Holdens e os Glantons, basicamente a matar e a profanar tudo o que é vivo e sagrado e passível de matar e profanar.
A grande qualidade do McCarthy é a forma estranhamente lírica e inspiradora como descreve um deserto, uma ruína, uma alma perdida. Uma morte. A morte.
A seguir a este livro irá seguir-se um enorme vazio, semelhante ao que se seguiu ao 2666 do Bolaño. Não consigo imaginar sequer o que poderei ler a seguir a isto.

11 de abril de 2012

"I got a million things that I need to do...

... But they're all secondary"
Como não podia deixar de ser, Abril acaba sempre por ser um dos meses mais loucos do ano. Efemérides, eventos que nunca mais acabam e, para finalizar em grande, a feira do livro de Lisboa. Isto significa dizer adeus às folgas, a bastante sono (não que tenha muito hoje em dia, por tão bons motivos) e a um pouco da sanidade que me resta.
Restam-me os livros, sempre, no fundo, os livros e a conjugação inevitável de verbos que quebram promessas feitas a mim próprio.
Vai ser um bom mês.

Bad boy

O facto de eu andar muito caladinho nada tem a ver com a contenda desportiva de resultado extremamente frustrante e negativo da passada segunda-feira.

8 de abril de 2012

Reptilia

Gostava de dizer que gostei de ver a família toda reunida para o baptismo, mas não houve qualquer reunião: foi o (quase) habitual deserto. Cada família (ou uma pequena representação da mesma) para seu lado (o que, tendo em conta os divórcios, é muito lado). Com certas pessoas a distância de metros da igreja parecia longos e insuperáveis quilómetros. Já a mãe, ainda a recuperar do parto, não foi.
A menina portou-se lindamente, a madrinha também (o padrinho está em Itália, o sortudo). Fez o baptismo, profissão de fé e crisma, logo de uma vez. Houvesse um mocinho jeitoso e casava-se já a rapariga, ficava tudo despachado em termos de cerimónias da igreja.

7 de abril de 2012

Sentimentalóide


Um dia percebemos que por muito que se fechem (e se tranquem e se barriquem) portas, encontram-se sempre janelas. Sempre. É por tudo o que se passou, de bom e de mau, que me encontro aqui e assim, hoje. E o mais importante é que gosto de onde me encontro, e gosto para onde estou a caminhar (não andar, caminhar: mesmo que seja pelo caminho mais longo). E não vou desistir.
Aprendo muita coisa por estes dias: a diferença entre estar a caminho de, estar a ficar, ou estar completa e irreversivelmente. 
Acho que somos mais da última hipótese, sentimentalóide. 

Cerimónia dos ritos

Ponto alto da preparação para o baptismo de hoje:
Padre: Sobem ao altar, padrinhos, e depois acendem a vela da criança na chama do círio pascal, e voltam para o vosso lugar.
Mãe: Mas... e depois quem acende a chama?
Padre: Os padrinhos, com a vela da criança.
Mãe: Sim, mas o padrinho chega lá, acende a vela, e leva a chama para junto da criança. Como é que fazem os que querem acender a seguir?
(silêncio geral)

5 de abril de 2012

Hell, MI 48169, EUA

Frase do dia: "eu vi a Mariana Monteiro toda nua no ginásio, e tem o melhor rabo que eu já vi, mesmo perfeitinho, fiquei ali assim, de boca aberta, a pensar se virava lésbica".
Frase dois do dia: "pai, porque é que estás a ver a novela comigo hoje?"

Scratch the surface

Para começar a manhã com boa disposição é só ler os comentários no Facebook das imagens da chegada do Benfica ao aeroporto. Admiro a coragem dos que tentam falar inglês quando claramente não dominam sequer o português.

4 de abril de 2012

It's not a fashion statement, it's a deathwish

A comprar na Amazon alemã, com o Google a traduzir:


"Não haverá atrasos na sua ordem. Para este inconveniente, pedimos-lhe para se desculpar". É por isto que os alemães estão mais à frente que nós.

Soares é fixe e... Wait, what?

Mário Soares apanhado pela GNR a 199 km/hora

Aposto que era o peso dele que impedia o ponteiro de bater nos 200.

Far beyond driven

Já nasceu o irmão da Catarina, ela está feliz a mostrar as fotos pelo telefone. Quando ela nasceu não haviam mms. Ou haviam? Não sei, foi no tempo em que havia telefones Alcatel, o Meteora de Linkin Park parecia muito bom e o Sporting ganhava campeonatos. Sim, foi assim há tanto tempo.

3 de abril de 2012

Slow dance

Gosto especialmente do spot da rádio Nostalgia (a única que eles apanham aqui no armazém...), em que há um senhor que diz que dançava a música "checha na bochecha". 

2 de abril de 2012

Do Porto e coiso

Como acabar em grande a visita ao Porto? Simples. Andar dez minutos de metro (eléctrico?) completamente entalado de pessoas com cachecóis e camisolas do FCP. Foi tipo um sonho, mas ao contrário. 

1 de abril de 2012

Engraçadinhas

Catarina (ao telefone): ... e o pai chorou quando fomos no avião para Paris!
(risos do outro lado do telefone)
Eu: Catarina! Diz lá que é mentira, hoje é dia das mentiras!
(mais risos)
Catarina: Não é nada! O pai ia ao colo da mãe!
Eu ...

E ficaram as duas a rir-se de mim. Mas eu aposto que era o mais feliz dos três.

Cute, cute


"Ah, podíamos ter ido por ali afinal..."

29 de março de 2012

Doces contradições

Foi ontem, naquele momento escondido dos ponteiros fatigados com noções de tempo desacertadas: minutos que brincam como adultos e se julgam horas de prazer intermináveis.

Awesome

Recebo uma sms enquanto estou a tentar finalizar o horário da feira do livro.
"Queres ir ao Coliseu ver Ornatos em Outubro dia 14??"
Tudo aparentemente normal, não fosse o facto de eu olhar para o remetente e ler... Catarina. O que se seguiu:

Eu: Eu vou =P
Catarina: E eu?
Eu: Queres ir com o pai?
Catarina: Claro
Eu: Ok! Vamos!
Catarina: iuuuuuuupiiiiiii!! =D

Claramente não é ainda adolescente: se fosse não queria o pai por perto num concerto. É de aproveitar.

27 de março de 2012

Ciudad Juárez

Olá, chamo-me Ricardo e vivo numa novela mexicana.

25 de março de 2012

Engraçado, engraçado

É ires passear com a tua filha a Cascais, e, ao desceres a rua quando vais comprar o gelado, veres a tua filha a acenar toda feliz para um café do outro lado da estrada, e ouvires uns gritos de "minha filha!" e olhares e estar lá a tua ex-mulher e sua melhor amiga, e estar a dar The Killers na esplanada, que era coisa que se ouvia lá por casa, parece coisa de série da Fox Life, e o abraço se prolongar para além do desejado e ela estar sempre a repetir "tás tãaao giro ex-marido".
E o que é que eu respondo: "Tu estás gorda..." e aperto lhe a bochecha gorda, e digo: "e o teu filho nunca mais nasce? Já anda quase com a mão de fora". 
Isto tudo perante o espanto das restantes pessoas do café. E do meu. Estamos todos crescidinhos e saudáveis.

24 de março de 2012

Tal pai, tal filha

A Catarina anda com muita vontade de falar com os meus amigos e amigas. Então a nova descoberta dela é o chat do facebook. Hoje abriu uns quantos chats no facebook e começou a falar... E o resultado são coisas como estas:


"fala português?" Esta miúda tem futuro.

É tipo ácido nos olhos, mas pior #3


Eu: Quem te deu esse peluche do Angry Birds?
Ela: A VóGina!
Eu: Quem?
Ela: A VóGina!
Não sabia quem era a avó Gina, mas, pelo sim pelo não, ensinei-a a pronunciar a coisa de outra maneira.

I did it my way

Que nome se dá a aquela parte que é repetida vezes sem conta numa música e que, quando é boa, não nos sai da cabeça? A Time Out responde, num artigo de crítica a um CD: os "refrães". Podia agora fazer uma piada de mau gosto com "refrães" e uma parte da anatomia masculina, mas é sábado, vou poupar-vos a isso.  

23 de março de 2012

It's times like these I wish I wrote like you

A minha brisa desmanchou-se por completo, ontem.

22 de março de 2012

Ele há gente

Isto é verdade? A sério, isto é mesmo verdade? Não haverá limites para a estupidez humana? Chamar a polícia por causa de uma cantilena infantil que inclui o Benfica? Que se lixem as fracas condições do ensino, as crianças que vão para a escola sem comer, a corrupção, que se foda tudo. Cantaram uma música do Benfica a uma criança cujo pai é do Porto? Chamem já o Ministério Público.
E o comentário do FC Porto? "Ayahtollas das suas próprias preferências"? Mau demais. Mau demais. 

I wanna riot

Hoje houve confrontos com os manifestantes a escassos metros da minha loja, com feridos ligeiros e tudo. Algumas cadeiras pelo ar, uma mesa, copos e garrafas de água. Os copos de cerveja, que muita gente trazia ao subir a rua, nem vê-los. Pudera. São estúpidos mas não são parvos. Ou vice-versa.

21 de março de 2012

A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia IV

"Como se desenha uma casa
 Primeiro abre-se a porta
 por dentro sobre a tela imatura onde previamente
se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,
 a mãe para sempre morta.

Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
 iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.

Protege-te delas, das recordações,
dos seu ócios, das suas conspirações;
usa cores morosas, tons mais-que-perfeitos:
o rosa para as lágrimas, o azul para os sonhos desfeitos.

Uma casa é as ruínas de uma casa,
uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra;
desenha-a como quem embala um remorso,
com algum grau de abstracção e sem um plano rigoroso."

Manuel António Pina

A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia III

"Ontem adormeceste, ainda
tínhamos as facas todas na boca
e três por abrir.
Ficou uma pousada
em equilíbrio geométrico
na linha dos lábios.
Não sei de quem eram
esses lábios onde
o gume imóvel não deixava sair
as palavras duras
e, mais tarde, os pesadelos.
Outras o cabo na minha mão,
esqueci-a  antes da última
costela flutuante
depois do coração.

De manhã éramos só nós, frios,
e a memória das cinzas na rua.

A terceira foi como se nunca tivesse existido."


Margarida Ferra

A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia II

"Engoli
água. Profundamente: — a água estancada no ar.
Uma estrela materna.
E estou aqui devorado pelo meu soluço,
leve da minha cara.
O copo feito de estrela. A água com tanta força
no copo. Tenho as unhas negras.
Agarro nesse copo, bebo por essa estrela.
Sou inocente, vago, fremente, potente,
tumefacto.
A iluminação que a água parada faz em mim
das mãos à boca.
Entro nos sítios amplos.
— O poder de reluzir em mim um alimento
ignoto; a cara
se a roça a mão sombria, acima
da camisa inchada pelo sangue,
abaixo do cabelo enxuto à lua. Engoli
água. A mãe e a criança demoníaca
estavam sentadas na pedra vermelha.
Engoli
água profunda."

Herberto Helder

A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia

"lembra-te 

Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos"

Cesariny

20 de março de 2012

Edite Estrela

Esgotei todo o meu léxico de palavrões naqueles cinco minutos em que o Benfica mandou três bolas aos postes. Se os vizinhos do quarteirão de baixo não ouviram é porque o vento não estava de feição.

19 de março de 2012

No, I am your father




"Tu continuas a ser o melhor pai do mundo!" - Este "continuas" é claramente um sinal de que os meus índices de popularidade estão em queda acentuada, quer me parecer. É de aproveitar. Mas esta miúda é um anjo! 

Aposto o que quiserem

A Fanny vai ter cinco estrelas nos testes de segurança do Euro NCAP.

18 de março de 2012

Os meus livreiros...


Vou ao mail do trabalho...

"Tranquilo patrão. O livreiro veio na sua folha de alface e entregou a chave nas mãos responsaveis e ageis do excelente ser humano que é o Vasco. Tudo tratado, já de antemão calculado, visto tratar-se da nata de livreiros. Sinta orgulho de nós. Vá sair e atirar-se a miudas, soltando seu cio de viver. Beijinho fofinho"

... Seriously.


17 de março de 2012

Wait... What?

Mas que raio?

O senhor quando não anda a tentar ajudar as crianças escravizadas anda a correr nu pela estrada enquanto brinca consigo próprio. Parece-me perfeitamente normal.

Mommy, I'm scared

O que é que se chama a uma pessoa que te adiciona no facebook, adiciona os teus amigos do secundário, mas que tu nem nenhum deles faz a mínima ideia de quem ela é?

16 de março de 2012

A verdade acima de tudo

Hoje foi o dia em que não consegui escapar ao músico cabo-verdiano que queria vender CD's ao gerente. Bem que ando há dias a escapar-me, mas, hoje, fruto da ingénua de serviço, tive de enfrentar o multifacetado artista. Então lá tive ouvir o senhor falar dos seus méritos musicais e do seu futuro na música. Depois de lhe dizer que, enfim, não iria dar os 10€ pelo CD, ele pergunta se podíamos ter o mesmo à venda. E o que é que o vosso caro responde? 
- Nós é mais livros...
A minha eloquência ficará famosa.

Pois, lá vai ter de ser

Chelsea? Havia pior, havia melhor. De qualquer forma, e estando na fase em que estamos, nunca se sabe. Aliás, se o Sporting elimina o City tudo passa a ser possível.

15 de março de 2012

Tinha-me esquecido...

... Do quanto gostava de andar à chuva.

A minha equipa é a melhor do mundo

Mail de hoje:

"Boa tarde senhor Ricardo Patrão.
Seria uma honra para o pó destas ancestrais prateleiras terem como companhia um deambulante senhor a que chamam e assobiam Zaratustra. Confirmei com a Torre de Babel que se alegrou, sorriu e riu com tal desejo. Devias ter ouvido as histéricas...
Sendo assim, pedia cinco exemplares do livro que se dedicou a todos e a ninguém.
Obrigado.

Com os melhores cumprimentos,
Ninguém."

Modern man

No meio dos trezentos livros vendidos no lançamento de hoje, o momento alto deu-se quando eu, no meio da confusão, tive a seguinte conversa com uma senhora socialista:
Cliente - Pode passar uma factura?
Eu (tentando evitar as notas que colocavam constantemente à minha frente) - Claro, qual é o número de contribuinte?
Cliente - 21 347 61 22 (número fictício)
Eu (tiro os olhos da factura e olho para ela) - Isso é o seu número de telefone?
Cliente (alterando a expressão para algo ameaçador) - É o MEU número de CONTRIBUINTE!
Eu - ... 
Claro que aqui só me apetecia rastejar para baixo da mesa. Não tenho culpa que ela não diga o número de contribuinte como as pessoas: em grupos de três digitos. E não tenho culpa que o número começasse por 21. Podia perfeitamente ter-se enganado. 
Bem, era pior se ela me tivesse piscado o olho e tivesse dito que sim. Medo.


Welcome back

Eu - Gostava de não ter pena dele se ir embora. Porque ele merece sair. Mas tenho pena. É um defeito como gerente.
Ele - Fossem todos assim, os defeitos dos gerentes.
Eu - Gostava de ser capaz de deixar o gerente ganhar à pessoa.
Ele - Esquece. És pessoa há bem mais tempo do que és gerente. 

13 de março de 2012

Bitch, please

Sabes que estás num dia de chefe particularmente chato quando até os clientes abordam as tuas funcionárias e apontam na tua direcção dizendo: "chatinho, ahn?" 

12 de março de 2012

Tunnels

Eu perdoo-te o facto de me chamares quatro em cada cinco vezes o nome do teu namorado em vez do meu. Tudo bem, são três sílabas também e o segundo nome é igual. E aposto que também é um ser encantador como eu. É para isto que servem os amigos.

11 de março de 2012

My propeller

Aproveitando o facto de não ter a criança em casa este fim-de-semana dediquei-me a algumas limpezas. Hoje foi dia de olhar para o quarto da Catarina, e o resultado? Simples, três sacos cheios de roupa e um cheios de sapatos. Coisas que não lhe servem.
Vou dar a roupa. Portanto, se conhecerem alguém que tenha uma filha de 6 ou 7 anos (8 talvez seja já puxado...), digam qualquer coisa ali para o mail. Prefiro dar a roupa alguém conhecido (ou conhecido de alguém, pelo menos) do que entregar numa instituição. Não que tenha nada contra, mas já ouvi histórias bastante manhosas de instituições dessas.
Já tentei oferecer pessoalmente, mas a pessoa a quem ofereci (que até trabalhou comigo...) reagiu bastante mal, ficou ofendida de eu pensar que ela poderia precisar de roupa. Enfim.
Entretanto, encontram-se coisas engraçadas a arrumar um armário:

Coisa mais linda

Houve claramente aqui um equívoco qualquer

Há coisas que tenho dificuldade em dar (mas dou) e há outras que não dou de maneira nenhuma. Se ainda tive paciência hoje vou à arrecadação ver quantos sacos de roupa (e para que idades) é que tenho para dar.


Merci pour le venin

Numa noite já a espreitar para a primavera (o verão que aguarde pacientemente, quero aproveitar os estados intermédios da vida) nada melhor do que ouvir a longa e interessante história de amor e desamor de um amigo, que envolve uma mulher e três pretendentes, onde pude ouvir frases como:
- Ela não é burra. Ela tem um bom processador e bom RAM, tem é o disco rígido vazio. Mas isso enche-se.
- É assim: tu na lua nova pensas no que queres, e quando chega a lua cheia concretiza-se! É a lei da atracção.
- Podes tirar a gaja da aldeia, mas não tiras a aldeia da gaja.

Já agora, alguém me pode explicar... 


... porque raio o meu copo tinha escrito "Andreia" em cima de "Ricardo"?

10 de março de 2012

Quadratura do círculo

A sair do supermercado, vejo dois gajos com ar de quem conduz Citroen Saxo Cup rebaixados com neons por baixo a falar ao pé do meu carro, enquanto fumavam. Quando-me aproximo deles, já esperava a habitual conversa sobre a "gaja boa com os filhos ali à frente" ou sobre o "sub-woofer brutal", mas o que ouço é:
- O problema do país está na indústria primária.
- Mas tu achas que é uma evolução natural, ou achas que vem de um problema cultural mais profundo?
Os chungas de S. Domingos de Rana são especiais.

Ameaça menor

Eu: Parabéns trintona! Agora entraste na fase da tua vida que rima com a tua melhor parte: a mona. Espero que os teus trinta sejam infinitamente melhores que os meus!
Ex: Ahahahaha tens uma piada... Eu dou-te a mona no meio da mona!
Eu: Ahahaha  sabes bem que anatomicamente és uma mulher endeusada.
Ex: Ahahahahah Só tu para me fazeres rir a meio de um CTG!
Eu: ... Vai parir sossegada, vai.
Ex: Ahahahahahah

I win

«Jesus é um jovem com mentalidade muito adiantada», elogia Trapattoni

Amanhã vamos ter: "Trapattoni é um garoto inteligente", afirma Manuel de Oliveira.


9 de março de 2012

Wake up

Na livraria, a analisarmos o livro do Arrumadinho:
Eu - Olha a última frase do prefácio, assinado pela Pipoca: "este livro só peca pelo atraso."
Fiel de Armazém - Eu acho que ela se está a referir ao atraso dele.

8 de março de 2012

Une aneée sans lumiére

Eu, que sou pessoa para ser conotado com a direita social-democrata e com o Sporting (vá lá um gajo perceber estas merdas), sou no fundo um gajo de esquerda. Mas uma esquerda muito central e que toma banho todos os dias e gosta de gastar o seu dinheiro em bens que  aprecia e coiso.
Assim, é sem grande espanto que ter comunistas a oferecer flores às minhas colegas causa em mim algum desconforto. Primeiro que tudo há a discussão do dia da mulher (ide ler noventa e nove por cento dos blogues femininos, que elas sabem do assunto) e da sua real importância. E depois temos a questão de que os comunistas não são gente de confiança: vejam o que eles fizeram à Rússia (aquilo parecia tão bom no tempo do Turguenev). Aposto que também começaram a dar flores, e, quando os russos deram por isso já estavam a comer criancinhas. Ao pequeno-almoço. Portanto, camaradas, subam lá a rua aos gritos como é vosso apanágio, mas deixai as mulheres trabalhar em paz.
Outro exemplo que esta gente de esquerda não é de confiança é o facto do líder de um partido de esquerda (ia dizer grande, mas isso era mentir) escolher uma multinacional fascista para lançar o seu livro, ao invés de fazê-lo na livraria onde nasceu o movimento sindical e socialista português.  O vendido. 
Podia alongar-me mais, mas tenho isto à espera:


Vivam as multinacionais fascistas.




7 de março de 2012

Põe tua mão na mão do teu senhor

Isto era o Padre Borba, não era? De qualquer forma, hoje lá fomos para a Renascença no âmbito do mui sagrado e concorrido lançamento do livro do Padre Marcelo Rossi. É isso aí galera. Noventa e cinco por cento de vendas a brasileiros (valeu, cara). Um dos momentos altos do fim de tarde: uma senhora, saída da sessão, já com o seu livro devidamente autografado, vê a mesa do catering, pega no telefone e diz: "Alzira?! Anda depressa, eles têm comida!". 
Muito cantou e bateu palmas, aquela gente. Na minha cabeça estavam a festejar a passagem do SLB aos quartos-de-final da Champions. O que, digamos em abono da verdade, parece quase obra do senhor.

6 de março de 2012

Revival mode

Hoje percebi a diferença entre o vazio de ter e o vazio de ser. O que é óptimo na resolução de determinados problemas existenciais. Chato, mas útil. Tremendamente útil.
Isto sou eu a caminho de me tornar uma pessoa melhor. Até era uma coisa positiva, se não soubesse que, quando menos espero, vai aparecer do nada algo que me vai desviar deste caminho. A ver vamos.



Maravilha

A Xana expressa-se em melhor português que eu.

5 de março de 2012

Underwater bimbos from outerspace

Este vai ser o primeiro fim-de-semana do ano sem a Catarina. Sugestões?
(convites "daqueles" só por e-mail, que isto é um blog familiar, se faz favor).

Ex Lives

Os melhores 32 minutos dos meus últimos tempos.


4 de março de 2012

Está quase!

É já amanhã que a pequena criatura faz nove anos. Foi deitar-se para o dia de amanhã chegar mais cedo. Assim, quando acordar, tem isto à espera dela no sofá:


Um peluche do Angry Birds, o vinil de PAUS e a coqueluche, uma Nintendo 3DS. É uma sortuda, mas merece. 

Uma bonita experiência

15:19 - Chego à escola da Catarina, para a reunião de pais para a preparação da primeira comunhão. A Catarina vai brincar com as amigas. Sortuda.
15:20 - Estou ansioso que me perguntem pela mãe da Catarina. Adoro o ar de embaraço das pessoas quando eu digo que ela está grávida e não vem, elas dão-me os parabéns e eu digo "não, não é meu". Impagável.
15:22 - Sou o único homem na reunião, até agora. Algumas mulheres olham de lado para mim e cochicham. 
15:23 - Sou abordado por uma irmã, para assinar uma folha de presença. Escapo a um sermão, pode ser que me safe.
15:24 - Lembro-me bem dos meus tempos de catequese nesta escola. Aliás, nesta mesma sala, naquele palco, apresentei, com microfone e tudo, uma festa de fim de ano da catequese. Não me lembro de nada da festa. A minha mente é capaz de a ter apagado por ser uma recordação demasiado dolorosa.
15:26 - Chegam homens à reunião, devidamente acompanhados das esposas. Sou o único homem sozinho naquele sítio.
15:27 - Algumas mães de colegas da Catarina, que conheço há seis anos, sorriem para mim. Eu estou mais preocupado com a mãe da Carminho, que, no meio da santíssima trindade das mães jeitosas, vai olhando de vez em quando. São quarenta e dois anos (não pode...) de puro deleite. E tem um carro igual ao meu carro antigo. Só pontos a favor.
15:30 - Algumas mães sorriem para mim. Nunca as vi na minha vida. O pullover verde faz mesmo efeito.
15:32 - Vai começar: uma irmã vai mudar o CD que está a tocar como música ambiente. Pode ser que seja Black Keys. Ah, não é.
15:33 - Reparo que uma das irmãs está toda de verde: consigo perceber o encanto da coisa.
15:35 - O Padre começa a falar. 
15:37 - Uma mãe, completamente sozinha, ainda não percebeu que o gesto de estar constantemente a puxar a saia para tapar a perna cruzada chama muito mais a atenção do que deixar o joelho e um pouco da coxa à mostra. Ou talvez tenha percebido. 
16:01 - O Padre termina de falar. A saída está iminente, não doeu nada.
16:02 - Vai falar a irmã de verde. Estou tramado.
16:04 - A irmã insiste em dizer a frase "mas eu não tenho ninguém que me venha tocar", por causa de não ter hipótese de trocar o dia da missa de preparação para um dia de semana, por não ter ninguém que toque órgão. Medo.
16:15 - Ok, estamos na parte das perguntas: não pode demorar muito.
16:17 - Facilmente percebo que há diversas facções entre as mães: as tradicionais, as modernas, as libertinas e as que se tiverem que ficar mais cinco minutos ali dão em doidas.
16:28 - Primeiro momento de histerismo: uma mãe, revoltadíssima, implora à irmã que não deixe os pais confessar-se no dia das confissões de crianças, "senão depois os pais ficam lá uma hora e meia, como já aconteceu o ano passado, e é uma vergonha!". A reacção da plateia divide-se em risos e em exclamações de horror. 
16:29 - O pai que está ao meu lado está no facebook, no iPhone. Esperto.
16:40 - Surge o grande debate sobre as fotografias e o preço das mesmas. No meio do histerismo, ouve-se coisas como "estas mesquinhas" e "já se calavam, porra".
16:46 - A pergunta "as crianças têm mesmo que ir de branco?" lança o auditório num novo momento de histerismo, com, mais uma vez, as mães que se querem a ir embora a liderarem o coro de protestos. São as minhas preferidas.
17:00 - Termina a reunião, mais de uma hora e meia depois.
17:01 - Somos apanhados pela directora pedagógica. Levo um sermão por causa do telemóvel dela e por causa da mãe não ter vindo.
17:02 -  A Catarina vem ter comigo com a mão esfolada, a dizer que mais valia ter ficado comigo do que esfolar as mãos. Eu sugiro que da próxima vez eu esfolo as mãos, os joelhos e a cara, e ela fica na reunião. Ela não percebe. 



Hoje deu-me para isto

Admitam lá, apanhei-vos.

3 de março de 2012

Primeira comunhão

Devido a ter ido hoje à reunião de preparação da primeira comunhão da minha filha (mais sobre isso noutro post...), e ter deixado o carro a dez metros da casa onde vivi treze anos, no centro de Cascais, voltei a sentir aquela nostalgia esmagadora de voltar ao local de origem, ao sítio onde passei a infância. 
No dia antes da minha primeira comunhão, estava nas típicas brincadeiras de puto da altura. Neste caso, a brincadeira consistia no seguinte: saltar de uma poltrona abandonada, cheia de pulgas, para um pneu preso numa corda pendurada numa árvore que iria cair a qualquer momento. Estava tudo a correr bem até um amigo meu desviar o pneu na precisa altura em que eu me lançava heroicamente na direcção deste. Conclusão: falhei o pneu e aterrei de cara numa pedra enorme o que resultou na linda figura que podem ver abaixo:

A mão no bolso denuncia logo que sou eu

Reparem nas feridas no queixo, lábio inchado, dificuldade em sorrir. Foi a desgraça para a família. Fiz a primeira comunhão, mas não levei uma vida seguindo o exemplo de nosso senhor Jesus, o Cristo. Acho que se nota.

Pronto, eu admito...


... É um grande álbum sim. Obrigado pela insistência.

Esta miúda não existe

Estava eu a terminar de almoçar, em casa da minha mãe, enquanto a minha filha brincava sozinha, no quarto. E, de vez em quando, lá gritava coisas para eu lhe responder. Coisas do tipo "a tua equipa está a perder!" ou "o Nolito foi expulso!", até que ela diz:
Ela - Pai! Agradece ao Jorge! A tua equipa está a perder por causa dele!
Eu - Obrigado Jorge!
Ela - (longo silêncio) PAI!! IRONICAMENTE!!
Eu - (longo silêncio) Obrigado... Jorge!
Ela - Obrigado pai! 
E continua a brincar

Plano de festas para o fim-de-semana

Hoje temos uma reunião para pais e crianças na escola da cria, por causa da primeira comunhão. Vou só eu e a cria, a mãe não está obviamente em condições. Aguarda-me um sermão.
Amanhã, temos missa (que entusiasmo, temo levar com umas gotas de água de benta e começar a derreter numa nuvem de fumo) e depois reunião de pais e padrinhos também por causa do baptismo. Vou só eu, a cria e a madrinha. O padrinho não está em Portugal, e a mãe vocês já sabem. Aguarda-me o segundo sermão. 
Ah, as maravilhas da paternidade!

Hoje é dia de escrever e apagar posts

Vou ter de arranjar outro blog para escrever e dizer coisas inenarráveis, uma espécie de saco sem fundo para onde verter aquela parte mais negra da alma, aquela que escondemos de nós próprios. Sinto-me traído. Sem razão, claro, mas, ainda assim... A amizade tem destas merdas.

2 de março de 2012

Ah! Mama!

"mimimimimimimi a menina não estuda com o pai"


Bom a Português, Bom - a Matemática e Muito Bom a Estudo do Meio. Só para saberem quem é que manda aqui.




1 de março de 2012

This is an anthem

Hoje foi um daqueles em que posso dizer que estive vivo. Não que tenha feito ou presenciado nada de miraculoso, mas, todos os sentimentos que senti, da forma que os senti (da única que forma que eu sei, acho eu), fizeram-me crer que hoje, especialmente hoje, não andei apenas por aí: hoje estive vivo. No bom, no mau, estive vivo.
Desde o temor irracional e avassalador relacionado com a Catarina, à conversa despreocupada com a mãe dela da parte da manhã, a afogar-me num mar de risos, a conhecer pessoas novas, a deixar a vergonha impedir que pudesse conhecer mais pessoas novas, ao Baudelaire abençoado pelo (ainda resistente) sol no largo do S. Carlos,  a alegrar-me com a chuva, a desiludir-me com a chuva, a perdoar (mesmo alguém que não mereça...), a ter a Catarina nos meus braços e a dormir em minha casa em cinco dos últimos sete dias, tudo isto contribuiu para que este dia soubesse a muitos. Mas, ainda assim, é sempre, sempre pouco.
Estar com a Catarina... Devia ser sempre assim, como já foi: todos os dias. Dar-lhe um sermão porque tirou o cinto no meio da A5, festejar com ela a conquista de uma fita nas artes marciais, desligar a música e ela dizer "SO FUCKING SING" no silêncio do estacionamento do Pingo Doce (e eu a ter de lhe explicar que isso não se diz), a ela tentar explicar-me o que são "créditos" e "mão de espada" no Tenchi (para depois dizer-me que não estou preparado para aprender, a pirralha). e ela terminar o dia com a frase, numa das nossas habituais conversas em que tenho de me concentrar para não me rir com as coisas que ela diz. "cada um sabe de si e Deus sabe de todos". 

Tu e as tuas piadinhas

Um conselho de amigo: não dizer à ex-mulher que, com a quantidade de pragas que lhe roguei, te admiras que as coisas estejam a correr tão bem para ela. Especialmente quando ela é internada umas horas mais tarde no hospital.
O que vale é que ela conhece o meu sentido de humor.

29 de fevereiro de 2012

D is for dangerous

Acabei de ler o Anna Karenina. E é nestes momentos que eu dou graças a Deus de não ter privado com os grandes russos, no século XIX: fosse eu amigo do Tolstoi, e garanto-vos que não descansava enquanto a frase final do romance não fosse "E assim, mais uma vez, as mulheres lixaram isto tudo." Vejam o "Águas de Primavera", do Turguénev, ou o "Duelo", do Tchekhov. Lá andavam os rapazitos, bem formados e com futuro, metidos na sua vida, até que chegam as mulheres e é o fim do mundo.
Dito isto, se ainda houver mulheres a ler, eu apaixonava-me mais rapidamente pela Kitti ou pela Dolli, do que pela Anna. Já nenhuma delas se apaixonava por mim. 

Well and the lighthouse

Parece que a mãe da Catarina está no hospital, parece que está perto de desovar. Ainda é cedo, não consigo evitar a preocupação. A Catarina veio cá para casa, já dorme. Naquela idade é tudo mais fácil.

28 de fevereiro de 2012

Era isto


Que viessem mais cinco horas de viagem e três a comer pó, podia ser perfeitamente no SBSR. Mas se for no Alive ninguém se chateia.

27 de fevereiro de 2012

Nem sei que título dar a isto

Hoje foi o dia em que perdi a paciência, e só o facto de estar num lançamento no Instituto Cervantes impediu que eu desligasse a chamada e ligasse imediatamente para a avó da Catarina. E ia ser o fim do mundo.
A Catarina "esqueceu-se" de me avisar que tinha teste hoje. Eu, como confio nela (e aqui aprendemos uma grande lição...), não fui ver o caderno dela. Fiquei a saber do teste através de uma sms da mãe, a meio da tarde de ontem. Estudámos pouco, o possível. 
Claro que eu devia ter visto a mochila dela. E a mãe podia ter-me avisado. Todos cometemos erros aqui. E a Catarina escolheu a semana imediatamente antes dos anos para uma brincadeira destas (ah, e não me avisou que tinha catequese no Sábado, por causa da primeira comunhão...). 
A Catarina, que é menina para ter óptimas notas (Bons e Muito Bons sempre), diz que errou todos os problemas hoje. A avó está escandalizada e então toca de ter conversas daquelas maravilhosas com a mãe da Catarina, do tipo que somos maus pais, que (e aqui é que me dá vontade de partir para agressão) nunca devia deixar que a Catarina passe os fins-de-semana todos comigo (alguém me segure), que está a pensar em vir buscar a Catarina 1 hora ao sábado e ao domingo para estudar com ela (ela que sequer me mencione isso). Mas está tudo louco? Quando ela era minha sogra, enfim, um gajo tinha que aturar. Mas, agora? Tenham paciência, mas na minha vida e da minha filha mando eu e a mãe dela. Não a avó. 
Não fosse a boa relação (e preocupação comum com o bem da Catarina) que tenho com a mãe da Catarina, e hoje tinha sido o fim da lua-de-mel do divórcio. Ainda não foi hoje. E quer me parecer que há pessoas a quem esta boa relação incomoda. Mentes pequenas fruto de vivências frustradas.
Não sou o melhor pai do mundo. Mas ando lá perto. E isso, minhas caras, ninguém me tira. Nunca. 

26 de fevereiro de 2012

That akward moment...

... em que a tua filha mete o Angry Birds no teu Facebook e bate os recordes dos teus amigos.




Solipsista dos cinco costados

A probabilidade de encontrar vizinhas e amigas de vizinhas extremamente interessantes quando vou passear o Link é inversamente proporcional ao nível da indumentária que escolhi para o momento.

25 de fevereiro de 2012

Este é o tipo de igreja que precisamos cá

"Idosas ingerem hóstias alucinogénicas e agridem padre"

Maravilhoso.

(isto não tem nada a ver com o facto de o SLB ter empatado e eu estar em negação)

In waves

Entre as peças de roupa que a mãe da Catarina enviou para ela usar no fim-de-semana vinha isto:


É caso para temer que ela se torne numa fashion blogger?

24 de fevereiro de 2012

From Autumn To Ashes

Acho que percebi finalmente porque raio (ainda) tenho um blog. 

23 de fevereiro de 2012

22 de fevereiro de 2012

Não disse nada, porque nada havia para dizer

O blogger devia detectar que nós escrevemos e apagámos um post mais do que duas vezes e bloquear o acesso da conta durante vinte e quatro horas para não sair merda. 
Posto isto, sinto que sou uma pergunta que nunca terá resposta. E é tudo, por hoje.

21 de fevereiro de 2012

Quando a nossa cara se gastar

Conversa filosófica com o gajo da portagem:
Ele: Bom dia.
Eu: Bom dia.
Ele (ao receber o cartão multibanco): Ei, Sonic Youth?
Eu: Sim.
Ele: Ya...
Eu: Ya... 
Ele(entrega me o cartão): Obrigado... Sonic Youth, Sonic Youth...
Eu: Pois. Obrigado.
Se me concentrar acho que consigo encontrar o sentido da vida nesta conversa.

Elevador

Considero-me uma pessoa capaz. Em vários campos. Tenho é uma capacidade incrível de ter boas ideias, geralmente nas piores alturas e sítios. 
Hoje saí mais cedo do trabalho e aproveitei para levar o Link ao parque, na vã tentativa de encontrar aquilo vazio o suficiente para o poder soltar. Porque não ir passeá-lo com calças e ténis novos? Para quê mudar para algo mais confortável? Não. Vamos assim.
Quando lá cheguei, para meu espanto, o parque estava praticamente deserto. Soltei o Link e lá corremos um bocadinho. Claro que ele rapidamente ganha vontade própria e mete-se em caminhos (já vi um ouriço-caixeiro num desses caminhos) onde eu não ouso entrar, portanto fiquei a observá-lo de longe. 
Entretanto, chegamos a um sítio (uma espécie de anfiteatro natural) onde há uns bancos de pedra. 
Pensei: "é isto mesmo, vamos saltar os dois este banco de pedra". Um ideia que qualquer pessoa normal teria. Peguei nele, direccionei para o banco, expliquei-lhe mais ou menos a táctica (já percebo o que o Jesus sentiu ontem quando estava a dar as  instruções ao Witsel antes dele entrar) e lá fomos nós. Acontece que o Link não deve ter achado boa ideia a cena do salto, então à última da hora desvia-se para evitar o banco, e bate-me nas pernas quando eu já ia a saltar. 
Resultado: ele desequilibrou-me, eu falhei o salto, e rebolei uns metros pelo anfiteatro natural abaixo. Telemóvel e chaves de casa para um lado, chaves do carro e ego para o outro. 
Primeiro pensamento: "vou-me sentar e fingir que foi uma cena propositada". Rapidamente cheguei à conclusão que era impossível, tal o aparato da coisa. Depois olhei em volta, não havia mesmo ninguém, existe a pequena hipótese de não ter sido visto por ninguém. Menos mal. Claro que também há a probabilidade de alguém estar a escrever num blog, a esta hora: "ahaha, vi um ótário mandar um tralho brutal com o cão".
Lá fui para casa, com as calças novas todas verdes do lado direito, com a firme certeza de que seria hoje que me iria cruzar com uma vizinha daquelas de perder a cabeça.
E o cão feliz da vida, a subir a rua, este pequeno Bruno Alves de quatro patas, como se não fosse nada com ele. 

20 de fevereiro de 2012

Setting fire to sleeping giants

Quando se pega num livro e se lê na contracapa que o melhor mês de vida, segundo o próprio, foi o mês passado em coma num hospital, um gajo tem que ler forçosamente mais qualquer coisa. Vitorino Nunes, conhecido como o "Dillinger português", deixou uma espécie de manual para os mestres na arte do crime, que é transcrito na parte final do livro que conta a sua história. Ficam aqui algumas das tácticas que um criminoso tem que dominar para ter sucesso na sua profissão:
- fazer uma tinta para escrita invisível em que só se consegue ler com o papel escrito debaixo de água.
- como esconder uma serra e outras pequenas coisas num boné.
- usar uma bisnaga para fins criminosos.
- usar um papagaio para passar cartas da prisão para o exterior.
- colocar agulhas no vestuário para ferir a polícia quando o prende.
- o que fazer para entreter as pessoas enquanto as rouba.
- como manter relações sexuais com uma prostituta sem lhe pagar e ainda receber dinheiro.
- a melhor maneira de matar aqueles que têm guarda-costas é matar alguém que lhe seja querido e matá-lo a ele quando for ao enterro do amigo. 
Este homem se fosse do tempo da internet tinha dominado o mundo. 


19 de fevereiro de 2012

É tipo ácido nos olhos, mas pior #2


São só dois furos


Fui passear com a Catarina (ela estava desejosa de se passear com o seu fato de Carnaval). Estivemos a passear em Carcavelos, mas, como quase não se via ninguém mascarado, ela quis ir comer um gelado a outro lado. 
Chegámos a um pequeno centro comercial. Ao passarmos em frente de uma joalharia ela diz: "Pai, quero furar as orelhas!". Eu fiquei logo desconfiado, mas decidi deixar andar. Lá andou a ver brincos, a travar relações com a senhora da loja (que, em conversa, ficou a saber que fazia anos no mesmo dia que a mãe da Catarina. "Deve ser boa pessoa!", disse a senhora, ingenuamente. "É, é", respondi eu). 
A Catarina estava nervosíssima. Pediu para ver a máquina. Pediu para vê-la funcionar. Viu os brincos umas cinco vezes. Quando finalmente se decidiu, ria-se nervosamente. Quando a senhora se aproxima dela, ela tapa as orelhas com as duas mãos. Começa a rir ainda mais e a dizer "não, ai, ai, ai, não". A funcionária fá-la reparar, e bem, que há mais pessoas na loja e que é uma vergonha. O que ajudou bastante: ela começa a gritar "Vão-se embora! Vão-se embora!", enquanto indicava a saída da loja.
Por esta altura eu estava quase escondido atrás de um expositor, a pensar que isto só podia acontecer comigo.  Finalmente ela chamou por mim, pediu a minha mão, e deixou a senhora furar-lhe os ouvidos. Claro que eu não fui capaz de olhar, fingi que estava a mandar uma mensagem no telefone.
Ora bem, a partir daqui foi a loucura: primeiro soltou um guincho, depois começou a rir-se histericamente, a dizer "dói!" enquanto se ria. Levantou-se para ir ao espelho enquanto reclamava mais, sempre sem parar de rir, para incredulidade da funcionária. Até que chega ao espelho, vê a orelha, pára de rir e diz, muito séria:
- Não doeu nada. Outro.
E assim foi, furou a outra orelha, com o mesmo circo e o mesmo final. Porque é que estas coisas acontecem comigo? Eu tenho a certeza absoluta que a primeira vez que ela tiver o período vai estar comigo. 
Já a caminho de casa, vinha toda contente:
- Com as orelhas furadas sinto-me capaz de tudo!
E depois lembrou-se:
- Eu não disse nada à mãe! Se ela não gostar tira-me os brincos à pancada.
Claro que depois mandou uma mensagem à mãe, a contar o sucedido. A melhor parte foi ela dizer à mãe, quando questionada se não devia ter pedido autorização à mãe, que o pai disse que não era preciso pedir nada. Linda menina.

Rói-te de inveja, Jane Austen

O Preconceito ficou no século XIX.