4 de abril de 2012

Far beyond driven

Já nasceu o irmão da Catarina, ela está feliz a mostrar as fotos pelo telefone. Quando ela nasceu não haviam mms. Ou haviam? Não sei, foi no tempo em que havia telefones Alcatel, o Meteora de Linkin Park parecia muito bom e o Sporting ganhava campeonatos. Sim, foi assim há tanto tempo.

3 de abril de 2012

Slow dance

Gosto especialmente do spot da rádio Nostalgia (a única que eles apanham aqui no armazém...), em que há um senhor que diz que dançava a música "checha na bochecha". 

2 de abril de 2012

Do Porto e coiso

Como acabar em grande a visita ao Porto? Simples. Andar dez minutos de metro (eléctrico?) completamente entalado de pessoas com cachecóis e camisolas do FCP. Foi tipo um sonho, mas ao contrário. 

1 de abril de 2012

Engraçadinhas

Catarina (ao telefone): ... e o pai chorou quando fomos no avião para Paris!
(risos do outro lado do telefone)
Eu: Catarina! Diz lá que é mentira, hoje é dia das mentiras!
(mais risos)
Catarina: Não é nada! O pai ia ao colo da mãe!
Eu ...

E ficaram as duas a rir-se de mim. Mas eu aposto que era o mais feliz dos três.

Cute, cute


"Ah, podíamos ter ido por ali afinal..."

29 de março de 2012

Doces contradições

Foi ontem, naquele momento escondido dos ponteiros fatigados com noções de tempo desacertadas: minutos que brincam como adultos e se julgam horas de prazer intermináveis.

Awesome

Recebo uma sms enquanto estou a tentar finalizar o horário da feira do livro.
"Queres ir ao Coliseu ver Ornatos em Outubro dia 14??"
Tudo aparentemente normal, não fosse o facto de eu olhar para o remetente e ler... Catarina. O que se seguiu:

Eu: Eu vou =P
Catarina: E eu?
Eu: Queres ir com o pai?
Catarina: Claro
Eu: Ok! Vamos!
Catarina: iuuuuuuupiiiiiii!! =D

Claramente não é ainda adolescente: se fosse não queria o pai por perto num concerto. É de aproveitar.

27 de março de 2012

Ciudad Juárez

Olá, chamo-me Ricardo e vivo numa novela mexicana.

25 de março de 2012

Engraçado, engraçado

É ires passear com a tua filha a Cascais, e, ao desceres a rua quando vais comprar o gelado, veres a tua filha a acenar toda feliz para um café do outro lado da estrada, e ouvires uns gritos de "minha filha!" e olhares e estar lá a tua ex-mulher e sua melhor amiga, e estar a dar The Killers na esplanada, que era coisa que se ouvia lá por casa, parece coisa de série da Fox Life, e o abraço se prolongar para além do desejado e ela estar sempre a repetir "tás tãaao giro ex-marido".
E o que é que eu respondo: "Tu estás gorda..." e aperto lhe a bochecha gorda, e digo: "e o teu filho nunca mais nasce? Já anda quase com a mão de fora". 
Isto tudo perante o espanto das restantes pessoas do café. E do meu. Estamos todos crescidinhos e saudáveis.

24 de março de 2012

Tal pai, tal filha

A Catarina anda com muita vontade de falar com os meus amigos e amigas. Então a nova descoberta dela é o chat do facebook. Hoje abriu uns quantos chats no facebook e começou a falar... E o resultado são coisas como estas:


"fala português?" Esta miúda tem futuro.

É tipo ácido nos olhos, mas pior #3


Eu: Quem te deu esse peluche do Angry Birds?
Ela: A VóGina!
Eu: Quem?
Ela: A VóGina!
Não sabia quem era a avó Gina, mas, pelo sim pelo não, ensinei-a a pronunciar a coisa de outra maneira.

I did it my way

Que nome se dá a aquela parte que é repetida vezes sem conta numa música e que, quando é boa, não nos sai da cabeça? A Time Out responde, num artigo de crítica a um CD: os "refrães". Podia agora fazer uma piada de mau gosto com "refrães" e uma parte da anatomia masculina, mas é sábado, vou poupar-vos a isso.  

23 de março de 2012

It's times like these I wish I wrote like you

A minha brisa desmanchou-se por completo, ontem.

22 de março de 2012

Ele há gente

Isto é verdade? A sério, isto é mesmo verdade? Não haverá limites para a estupidez humana? Chamar a polícia por causa de uma cantilena infantil que inclui o Benfica? Que se lixem as fracas condições do ensino, as crianças que vão para a escola sem comer, a corrupção, que se foda tudo. Cantaram uma música do Benfica a uma criança cujo pai é do Porto? Chamem já o Ministério Público.
E o comentário do FC Porto? "Ayahtollas das suas próprias preferências"? Mau demais. Mau demais. 

I wanna riot

Hoje houve confrontos com os manifestantes a escassos metros da minha loja, com feridos ligeiros e tudo. Algumas cadeiras pelo ar, uma mesa, copos e garrafas de água. Os copos de cerveja, que muita gente trazia ao subir a rua, nem vê-los. Pudera. São estúpidos mas não são parvos. Ou vice-versa.

21 de março de 2012

A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia IV

"Como se desenha uma casa
 Primeiro abre-se a porta
 por dentro sobre a tela imatura onde previamente
se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,
 a mãe para sempre morta.

Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
 iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.

Protege-te delas, das recordações,
dos seu ócios, das suas conspirações;
usa cores morosas, tons mais-que-perfeitos:
o rosa para as lágrimas, o azul para os sonhos desfeitos.

Uma casa é as ruínas de uma casa,
uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra;
desenha-a como quem embala um remorso,
com algum grau de abstracção e sem um plano rigoroso."

Manuel António Pina

A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia III

"Ontem adormeceste, ainda
tínhamos as facas todas na boca
e três por abrir.
Ficou uma pousada
em equilíbrio geométrico
na linha dos lábios.
Não sei de quem eram
esses lábios onde
o gume imóvel não deixava sair
as palavras duras
e, mais tarde, os pesadelos.
Outras o cabo na minha mão,
esqueci-a  antes da última
costela flutuante
depois do coração.

De manhã éramos só nós, frios,
e a memória das cinzas na rua.

A terceira foi como se nunca tivesse existido."


Margarida Ferra

A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia II

"Engoli
água. Profundamente: — a água estancada no ar.
Uma estrela materna.
E estou aqui devorado pelo meu soluço,
leve da minha cara.
O copo feito de estrela. A água com tanta força
no copo. Tenho as unhas negras.
Agarro nesse copo, bebo por essa estrela.
Sou inocente, vago, fremente, potente,
tumefacto.
A iluminação que a água parada faz em mim
das mãos à boca.
Entro nos sítios amplos.
— O poder de reluzir em mim um alimento
ignoto; a cara
se a roça a mão sombria, acima
da camisa inchada pelo sangue,
abaixo do cabelo enxuto à lua. Engoli
água. A mãe e a criança demoníaca
estavam sentadas na pedra vermelha.
Engoli
água profunda."

Herberto Helder