Foi ontem, naquele momento escondido dos ponteiros fatigados com noções de tempo desacertadas: minutos que brincam como adultos e se julgam horas de prazer intermináveis.
29 de março de 2012
Awesome
Recebo uma sms enquanto estou a tentar finalizar o horário da feira do livro.
"Queres ir ao Coliseu ver Ornatos em Outubro dia 14??"
Tudo aparentemente normal, não fosse o facto de eu olhar para o remetente e ler... Catarina. O que se seguiu:
Eu: Eu vou =P
Catarina: E eu?
Eu: Queres ir com o pai?
Catarina: Claro
Eu: Ok! Vamos!
Catarina: iuuuuuuupiiiiiii!! =D
Claramente não é ainda adolescente: se fosse não queria o pai por perto num concerto. É de aproveitar.
28 de março de 2012
27 de março de 2012
25 de março de 2012
Engraçado, engraçado
É ires passear com a tua filha a Cascais, e, ao desceres a rua quando vais comprar o gelado, veres a tua filha a acenar toda feliz para um café do outro lado da estrada, e ouvires uns gritos de "minha filha!" e olhares e estar lá a tua ex-mulher e sua melhor amiga, e estar a dar The Killers na esplanada, que era coisa que se ouvia lá por casa, parece coisa de série da Fox Life, e o abraço se prolongar para além do desejado e ela estar sempre a repetir "tás tãaao giro ex-marido".
E o que é que eu respondo: "Tu estás gorda..." e aperto lhe a bochecha gorda, e digo: "e o teu filho nunca mais nasce? Já anda quase com a mão de fora".
Isto tudo perante o espanto das restantes pessoas do café. E do meu. Estamos todos crescidinhos e saudáveis.
24 de março de 2012
Tal pai, tal filha
A Catarina anda com muita vontade de falar com os meus amigos e amigas. Então a nova descoberta dela é o chat do facebook. Hoje abriu uns quantos chats no facebook e começou a falar... E o resultado são coisas como estas:
"fala português?" Esta miúda tem futuro.
I did it my way
Que nome se dá a aquela parte que é repetida vezes sem conta numa música e que, quando é boa, não nos sai da cabeça? A Time Out responde, num artigo de crítica a um CD: os "refrães". Podia agora fazer uma piada de mau gosto com "refrães" e uma parte da anatomia masculina, mas é sábado, vou poupar-vos a isso.
23 de março de 2012
22 de março de 2012
Ele há gente
Isto é verdade? A sério, isto é mesmo verdade? Não haverá limites para a estupidez humana? Chamar a polícia por causa de uma cantilena infantil que inclui o Benfica? Que se lixem as fracas condições do ensino, as crianças que vão para a escola sem comer, a corrupção, que se foda tudo. Cantaram uma música do Benfica a uma criança cujo pai é do Porto? Chamem já o Ministério Público.
E o comentário do FC Porto? "Ayahtollas das suas próprias preferências"? Mau demais. Mau demais.
I wanna riot
Hoje houve confrontos com os manifestantes a escassos metros da minha loja, com feridos ligeiros e tudo. Algumas cadeiras pelo ar, uma mesa, copos e garrafas de água. Os copos de cerveja, que muita gente trazia ao subir a rua, nem vê-los. Pudera. São estúpidos mas não são parvos. Ou vice-versa.
21 de março de 2012
A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia IV
"Como se desenha uma casa
Primeiro abre-se a porta
por dentro sobre a tela imatura onde previamente
se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,
a mãe para sempre morta.
Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.
Protege-te delas, das recordações,
dos seu ócios, das suas conspirações;
usa cores morosas, tons mais-que-perfeitos:
o rosa para as lágrimas, o azul para os sonhos desfeitos.
Uma casa é as ruínas de uma casa,
uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra;
desenha-a como quem embala um remorso,
com algum grau de abstracção e sem um plano rigoroso."
Manuel António Pina
Primeiro abre-se a porta
por dentro sobre a tela imatura onde previamente
se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,
a mãe para sempre morta.
Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.
Protege-te delas, das recordações,
dos seu ócios, das suas conspirações;
usa cores morosas, tons mais-que-perfeitos:
o rosa para as lágrimas, o azul para os sonhos desfeitos.
Uma casa é as ruínas de uma casa,
uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra;
desenha-a como quem embala um remorso,
com algum grau de abstracção e sem um plano rigoroso."
Manuel António Pina
A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia III
"Ontem adormeceste, ainda
tínhamos as facas todas na boca
e três por abrir.
Ficou uma pousada
em equilíbrio geométrico
na linha dos lábios.
Não sei de quem eram
esses lábios onde
o gume imóvel não deixava sair
as palavras duras
e, mais tarde, os pesadelos.
Outras o cabo na minha mão,
esqueci-a antes da última
costela flutuante
depois do coração.
De manhã éramos só nós, frios,
e a memória das cinzas na rua.
A terceira foi como se nunca tivesse existido."
tínhamos as facas todas na boca
e três por abrir.
Ficou uma pousada
em equilíbrio geométrico
na linha dos lábios.
Não sei de quem eram
esses lábios onde
o gume imóvel não deixava sair
as palavras duras
e, mais tarde, os pesadelos.
Outras o cabo na minha mão,
esqueci-a antes da última
costela flutuante
depois do coração.
De manhã éramos só nós, frios,
e a memória das cinzas na rua.
A terceira foi como se nunca tivesse existido."
Margarida Ferra
A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia II
"Engoli
água. Profundamente: — a água estancada no ar.
Uma estrela materna.
E estou aqui devorado pelo meu soluço,
leve da minha cara.
O copo feito de estrela. A água com tanta força
no copo. Tenho as unhas negras.
Agarro nesse copo, bebo por essa estrela.
Sou inocente, vago, fremente, potente,
tumefacto.
A iluminação que a água parada faz em mim
das mãos à boca.
Entro nos sítios amplos.
— O poder de reluzir em mim um alimento
ignoto; a cara
se a roça a mão sombria, acima
da camisa inchada pelo sangue,
abaixo do cabelo enxuto à lua. Engoli
água. A mãe e a criança demoníaca
estavam sentadas na pedra vermelha.
Engoli
água profunda."
Herberto Helder
água. Profundamente: — a água estancada no ar.
Uma estrela materna.
E estou aqui devorado pelo meu soluço,
leve da minha cara.
O copo feito de estrela. A água com tanta força
no copo. Tenho as unhas negras.
Agarro nesse copo, bebo por essa estrela.
Sou inocente, vago, fremente, potente,
tumefacto.
A iluminação que a água parada faz em mim
das mãos à boca.
Entro nos sítios amplos.
— O poder de reluzir em mim um alimento
ignoto; a cara
se a roça a mão sombria, acima
da camisa inchada pelo sangue,
abaixo do cabelo enxuto à lua. Engoli
água. A mãe e a criança demoníaca
estavam sentadas na pedra vermelha.
Engoli
água profunda."
Herberto Helder
A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia
"lembra-te
Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos"
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos"
Cesariny
20 de março de 2012
Edite Estrela
Esgotei todo o meu léxico de palavrões naqueles cinco minutos em que o Benfica mandou três bolas aos postes. Se os vizinhos do quarteirão de baixo não ouviram é porque o vento não estava de feição.
19 de março de 2012
No, I am your father
"Tu continuas a ser o melhor pai do mundo!" - Este "continuas" é claramente um sinal de que os meus índices de popularidade estão em queda acentuada, quer me parecer. É de aproveitar. Mas esta miúda é um anjo!
18 de março de 2012
Os meus livreiros...
Vou ao mail do trabalho...
"Tranquilo patrão. O livreiro veio na sua folha de alface e entregou a chave nas mãos responsaveis e ageis do excelente ser humano que é o Vasco. Tudo tratado, já de antemão calculado, visto tratar-se da nata de livreiros. Sinta orgulho de nós. Vá sair e atirar-se a miudas, soltando seu cio de viver. Beijinho fofinho"
... Seriously.
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