Que nome se dá a aquela parte que é repetida vezes sem conta numa música e que, quando é boa, não nos sai da cabeça? A Time Out responde, num artigo de crítica a um CD: os "refrães". Podia agora fazer uma piada de mau gosto com "refrães" e uma parte da anatomia masculina, mas é sábado, vou poupar-vos a isso.
24 de março de 2012
23 de março de 2012
22 de março de 2012
Ele há gente
Isto é verdade? A sério, isto é mesmo verdade? Não haverá limites para a estupidez humana? Chamar a polícia por causa de uma cantilena infantil que inclui o Benfica? Que se lixem as fracas condições do ensino, as crianças que vão para a escola sem comer, a corrupção, que se foda tudo. Cantaram uma música do Benfica a uma criança cujo pai é do Porto? Chamem já o Ministério Público.
E o comentário do FC Porto? "Ayahtollas das suas próprias preferências"? Mau demais. Mau demais.
I wanna riot
Hoje houve confrontos com os manifestantes a escassos metros da minha loja, com feridos ligeiros e tudo. Algumas cadeiras pelo ar, uma mesa, copos e garrafas de água. Os copos de cerveja, que muita gente trazia ao subir a rua, nem vê-los. Pudera. São estúpidos mas não são parvos. Ou vice-versa.
21 de março de 2012
A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia IV
"Como se desenha uma casa
Primeiro abre-se a porta
por dentro sobre a tela imatura onde previamente
se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,
a mãe para sempre morta.
Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.
Protege-te delas, das recordações,
dos seu ócios, das suas conspirações;
usa cores morosas, tons mais-que-perfeitos:
o rosa para as lágrimas, o azul para os sonhos desfeitos.
Uma casa é as ruínas de uma casa,
uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra;
desenha-a como quem embala um remorso,
com algum grau de abstracção e sem um plano rigoroso."
Manuel António Pina
Primeiro abre-se a porta
por dentro sobre a tela imatura onde previamente
se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,
a mãe para sempre morta.
Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.
Protege-te delas, das recordações,
dos seu ócios, das suas conspirações;
usa cores morosas, tons mais-que-perfeitos:
o rosa para as lágrimas, o azul para os sonhos desfeitos.
Uma casa é as ruínas de uma casa,
uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra;
desenha-a como quem embala um remorso,
com algum grau de abstracção e sem um plano rigoroso."
Manuel António Pina
A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia III
"Ontem adormeceste, ainda
tínhamos as facas todas na boca
e três por abrir.
Ficou uma pousada
em equilíbrio geométrico
na linha dos lábios.
Não sei de quem eram
esses lábios onde
o gume imóvel não deixava sair
as palavras duras
e, mais tarde, os pesadelos.
Outras o cabo na minha mão,
esqueci-a antes da última
costela flutuante
depois do coração.
De manhã éramos só nós, frios,
e a memória das cinzas na rua.
A terceira foi como se nunca tivesse existido."
tínhamos as facas todas na boca
e três por abrir.
Ficou uma pousada
em equilíbrio geométrico
na linha dos lábios.
Não sei de quem eram
esses lábios onde
o gume imóvel não deixava sair
as palavras duras
e, mais tarde, os pesadelos.
Outras o cabo na minha mão,
esqueci-a antes da última
costela flutuante
depois do coração.
De manhã éramos só nós, frios,
e a memória das cinzas na rua.
A terceira foi como se nunca tivesse existido."
Margarida Ferra
A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia II
"Engoli
água. Profundamente: — a água estancada no ar.
Uma estrela materna.
E estou aqui devorado pelo meu soluço,
leve da minha cara.
O copo feito de estrela. A água com tanta força
no copo. Tenho as unhas negras.
Agarro nesse copo, bebo por essa estrela.
Sou inocente, vago, fremente, potente,
tumefacto.
A iluminação que a água parada faz em mim
das mãos à boca.
Entro nos sítios amplos.
— O poder de reluzir em mim um alimento
ignoto; a cara
se a roça a mão sombria, acima
da camisa inchada pelo sangue,
abaixo do cabelo enxuto à lua. Engoli
água. A mãe e a criança demoníaca
estavam sentadas na pedra vermelha.
Engoli
água profunda."
Herberto Helder
água. Profundamente: — a água estancada no ar.
Uma estrela materna.
E estou aqui devorado pelo meu soluço,
leve da minha cara.
O copo feito de estrela. A água com tanta força
no copo. Tenho as unhas negras.
Agarro nesse copo, bebo por essa estrela.
Sou inocente, vago, fremente, potente,
tumefacto.
A iluminação que a água parada faz em mim
das mãos à boca.
Entro nos sítios amplos.
— O poder de reluzir em mim um alimento
ignoto; a cara
se a roça a mão sombria, acima
da camisa inchada pelo sangue,
abaixo do cabelo enxuto à lua. Engoli
água. A mãe e a criança demoníaca
estavam sentadas na pedra vermelha.
Engoli
água profunda."
Herberto Helder
A primavera que se lixe, hoje é dia da Poesia
"lembra-te
Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos"
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos"
Cesariny
20 de março de 2012
Edite Estrela
Esgotei todo o meu léxico de palavrões naqueles cinco minutos em que o Benfica mandou três bolas aos postes. Se os vizinhos do quarteirão de baixo não ouviram é porque o vento não estava de feição.
19 de março de 2012
No, I am your father
"Tu continuas a ser o melhor pai do mundo!" - Este "continuas" é claramente um sinal de que os meus índices de popularidade estão em queda acentuada, quer me parecer. É de aproveitar. Mas esta miúda é um anjo!
18 de março de 2012
Os meus livreiros...
Vou ao mail do trabalho...
"Tranquilo patrão. O livreiro veio na sua folha de alface e entregou a chave nas mãos responsaveis e ageis do excelente ser humano que é o Vasco. Tudo tratado, já de antemão calculado, visto tratar-se da nata de livreiros. Sinta orgulho de nós. Vá sair e atirar-se a miudas, soltando seu cio de viver. Beijinho fofinho"
... Seriously.
17 de março de 2012
Wait... What?
Mas que raio?
O senhor quando não anda a tentar ajudar as crianças escravizadas anda a correr nu pela estrada enquanto brinca consigo próprio. Parece-me perfeitamente normal.
O senhor quando não anda a tentar ajudar as crianças escravizadas anda a correr nu pela estrada enquanto brinca consigo próprio. Parece-me perfeitamente normal.
Mommy, I'm scared
O que é que se chama a uma pessoa que te adiciona no facebook, adiciona os teus amigos do secundário, mas que tu nem nenhum deles faz a mínima ideia de quem ela é?
16 de março de 2012
A verdade acima de tudo
Hoje foi o dia em que não consegui escapar ao músico cabo-verdiano que queria vender CD's ao gerente. Bem que ando há dias a escapar-me, mas, hoje, fruto da ingénua de serviço, tive de enfrentar o multifacetado artista. Então lá tive ouvir o senhor falar dos seus méritos musicais e do seu futuro na música. Depois de lhe dizer que, enfim, não iria dar os 10€ pelo CD, ele pergunta se podíamos ter o mesmo à venda. E o que é que o vosso caro responde?
- Nós é mais livros...
A minha eloquência ficará famosa.
Pois, lá vai ter de ser
Chelsea? Havia pior, havia melhor. De qualquer forma, e estando na fase em que estamos, nunca se sabe. Aliás, se o Sporting elimina o City tudo passa a ser possível.
15 de março de 2012
A minha equipa é a melhor do mundo
Mail de hoje:
"Boa tarde senhor Ricardo Patrão.
Seria uma honra para o pó destas ancestrais prateleiras terem como companhia um deambulante senhor a que chamam e assobiam Zaratustra. Confirmei com a Torre de Babel que se alegrou, sorriu e riu com tal desejo. Devias ter ouvido as histéricas...
Sendo assim, pedia cinco exemplares do livro que se dedicou a todos e a ninguém.
Obrigado.
Com os melhores cumprimentos,
Ninguém."
"Boa tarde senhor Ricardo Patrão.
Seria uma honra para o pó destas ancestrais prateleiras terem como companhia um deambulante senhor a que chamam e assobiam Zaratustra. Confirmei com a Torre de Babel que se alegrou, sorriu e riu com tal desejo. Devias ter ouvido as histéricas...
Sendo assim, pedia cinco exemplares do livro que se dedicou a todos e a ninguém.
Obrigado.
Com os melhores cumprimentos,
Ninguém."
Modern man
No meio dos trezentos livros vendidos no lançamento de hoje, o momento alto deu-se quando eu, no meio da confusão, tive a seguinte conversa com uma senhora socialista:
Cliente - Pode passar uma factura?
Eu (tentando evitar as notas que colocavam constantemente à minha frente) - Claro, qual é o número de contribuinte?
Cliente - 21 347 61 22 (número fictício)
Eu (tiro os olhos da factura e olho para ela) - Isso é o seu número de telefone?
Cliente (alterando a expressão para algo ameaçador) - É o MEU número de CONTRIBUINTE!
Eu - ...
Claro que aqui só me apetecia rastejar para baixo da mesa. Não tenho culpa que ela não diga o número de contribuinte como as pessoas: em grupos de três digitos. E não tenho culpa que o número começasse por 21. Podia perfeitamente ter-se enganado.
Bem, era pior se ela me tivesse piscado o olho e tivesse dito que sim. Medo.
Welcome back
Eu - Gostava de não ter pena dele se ir embora. Porque ele merece sair. Mas tenho pena. É um defeito como gerente.
Ele - Fossem todos assim, os defeitos dos gerentes.
Eu - Gostava de ser capaz de deixar o gerente ganhar à pessoa.
Ele - Esquece. És pessoa há bem mais tempo do que és gerente.
13 de março de 2012
Bitch, please
Sabes que estás num dia de chefe particularmente chato quando até os clientes abordam as tuas funcionárias e apontam na tua direcção dizendo: "chatinho, ahn?"
12 de março de 2012
Tunnels
Eu perdoo-te o facto de me chamares quatro em cada cinco vezes o nome do teu namorado em vez do meu. Tudo bem, são três sílabas também e o segundo nome é igual. E aposto que também é um ser encantador como eu. É para isto que servem os amigos.
11 de março de 2012
My propeller
Aproveitando o facto de não ter a criança em casa este fim-de-semana dediquei-me a algumas limpezas. Hoje foi dia de olhar para o quarto da Catarina, e o resultado? Simples, três sacos cheios de roupa e um cheios de sapatos. Coisas que não lhe servem.
Vou dar a roupa. Portanto, se conhecerem alguém que tenha uma filha de 6 ou 7 anos (8 talvez seja já puxado...), digam qualquer coisa ali para o mail. Prefiro dar a roupa alguém conhecido (ou conhecido de alguém, pelo menos) do que entregar numa instituição. Não que tenha nada contra, mas já ouvi histórias bastante manhosas de instituições dessas.
Já tentei oferecer pessoalmente, mas a pessoa a quem ofereci (que até trabalhou comigo...) reagiu bastante mal, ficou ofendida de eu pensar que ela poderia precisar de roupa. Enfim.
Entretanto, encontram-se coisas engraçadas a arrumar um armário:
Entretanto, encontram-se coisas engraçadas a arrumar um armário:
Coisa mais linda
Houve claramente aqui um equívoco qualquer
Há coisas que tenho dificuldade em dar (mas dou) e há outras que não dou de maneira nenhuma. Se ainda tive paciência hoje vou à arrecadação ver quantos sacos de roupa (e para que idades) é que tenho para dar.
Merci pour le venin
Numa noite já a espreitar para a primavera (o verão que aguarde pacientemente, quero aproveitar os estados intermédios da vida) nada melhor do que ouvir a longa e interessante história de amor e desamor de um amigo, que envolve uma mulher e três pretendentes, onde pude ouvir frases como:
- Ela não é burra. Ela tem um bom processador e bom RAM, tem é o disco rígido vazio. Mas isso enche-se.
- É assim: tu na lua nova pensas no que queres, e quando chega a lua cheia concretiza-se! É a lei da atracção.
- Podes tirar a gaja da aldeia, mas não tiras a aldeia da gaja.
Já agora, alguém me pode explicar...
... porque raio o meu copo tinha escrito "Andreia" em cima de "Ricardo"?
10 de março de 2012
Quadratura do círculo
A sair do supermercado, vejo dois gajos com ar de quem conduz Citroen Saxo Cup rebaixados com neons por baixo a falar ao pé do meu carro, enquanto fumavam. Quando-me aproximo deles, já esperava a habitual conversa sobre a "gaja boa com os filhos ali à frente" ou sobre o "sub-woofer brutal", mas o que ouço é:
- O problema do país está na indústria primária.
- Mas tu achas que é uma evolução natural, ou achas que vem de um problema cultural mais profundo?
Os chungas de S. Domingos de Rana são especiais.
Ameaça menor
Eu: Parabéns trintona! Agora entraste na fase da tua vida que rima com a tua melhor parte: a mona. Espero que os teus trinta sejam infinitamente melhores que os meus!
Ex: Ahahahaha tens uma piada... Eu dou-te a mona no meio da mona!
Eu: Ahahaha sabes bem que anatomicamente és uma mulher endeusada.
Ex: Ahahahahah Só tu para me fazeres rir a meio de um CTG!
Eu: ... Vai parir sossegada, vai.
Ex: Ahahahahahah
Ex: Ahahahaha tens uma piada... Eu dou-te a mona no meio da mona!
Eu: Ahahaha sabes bem que anatomicamente és uma mulher endeusada.
Ex: Ahahahahah Só tu para me fazeres rir a meio de um CTG!
Eu: ... Vai parir sossegada, vai.
Ex: Ahahahahahah
I win
«Jesus é um jovem com mentalidade muito adiantada», elogia Trapattoni
Amanhã vamos ter: "Trapattoni é um garoto inteligente", afirma Manuel de Oliveira.
Amanhã vamos ter: "Trapattoni é um garoto inteligente", afirma Manuel de Oliveira.
9 de março de 2012
Wake up
Na livraria, a analisarmos o livro do Arrumadinho:
Eu - Olha a última frase do prefácio, assinado pela Pipoca: "este livro só peca pelo atraso."
Fiel de Armazém - Eu acho que ela se está a referir ao atraso dele.
Eu - Olha a última frase do prefácio, assinado pela Pipoca: "este livro só peca pelo atraso."
Fiel de Armazém - Eu acho que ela se está a referir ao atraso dele.
8 de março de 2012
Une aneée sans lumiére
Eu, que sou pessoa para ser conotado com a direita social-democrata e com o Sporting (vá lá um gajo perceber estas merdas), sou no fundo um gajo de esquerda. Mas uma esquerda muito central e que toma banho todos os dias e gosta de gastar o seu dinheiro em bens que aprecia e coiso.
Assim, é sem grande espanto que ter comunistas a oferecer flores às minhas colegas causa em mim algum desconforto. Primeiro que tudo há a discussão do dia da mulher (ide ler noventa e nove por cento dos blogues femininos, que elas sabem do assunto) e da sua real importância. E depois temos a questão de que os comunistas não são gente de confiança: vejam o que eles fizeram à Rússia (aquilo parecia tão bom no tempo do Turguenev). Aposto que também começaram a dar flores, e, quando os russos deram por isso já estavam a comer criancinhas. Ao pequeno-almoço. Portanto, camaradas, subam lá a rua aos gritos como é vosso apanágio, mas deixai as mulheres trabalhar em paz.
Outro exemplo que esta gente de esquerda não é de confiança é o facto do líder de um partido de esquerda (ia dizer grande, mas isso era mentir) escolher uma multinacional fascista para lançar o seu livro, ao invés de fazê-lo na livraria onde nasceu o movimento sindical e socialista português. O vendido.
Podia alongar-me mais, mas tenho isto à espera:
7 de março de 2012
Põe tua mão na mão do teu senhor
Isto era o Padre Borba, não era? De qualquer forma, hoje lá fomos para a Renascença no âmbito do mui sagrado e concorrido lançamento do livro do Padre Marcelo Rossi. É isso aí galera. Noventa e cinco por cento de vendas a brasileiros (valeu, cara). Um dos momentos altos do fim de tarde: uma senhora, saída da sessão, já com o seu livro devidamente autografado, vê a mesa do catering, pega no telefone e diz: "Alzira?! Anda depressa, eles têm comida!".
Muito cantou e bateu palmas, aquela gente. Na minha cabeça estavam a festejar a passagem do SLB aos quartos-de-final da Champions. O que, digamos em abono da verdade, parece quase obra do senhor.
6 de março de 2012
Revival mode
Hoje percebi a diferença entre o vazio de ter e o vazio de ser. O que é óptimo na resolução de determinados problemas existenciais. Chato, mas útil. Tremendamente útil.
Isto sou eu a caminho de me tornar uma pessoa melhor. Até era uma coisa positiva, se não soubesse que, quando menos espero, vai aparecer do nada algo que me vai desviar deste caminho. A ver vamos.
5 de março de 2012
Underwater bimbos from outerspace
Este vai ser o primeiro fim-de-semana do ano sem a Catarina. Sugestões?
(convites "daqueles" só por e-mail, que isto é um blog familiar, se faz favor).
(convites "daqueles" só por e-mail, que isto é um blog familiar, se faz favor).
4 de março de 2012
Está quase!
É já amanhã que a pequena criatura faz nove anos. Foi deitar-se para o dia de amanhã chegar mais cedo. Assim, quando acordar, tem isto à espera dela no sofá:
Um peluche do Angry Birds, o vinil de PAUS e a coqueluche, uma Nintendo 3DS. É uma sortuda, mas merece.
Uma bonita experiência
15:19 - Chego à escola da Catarina, para a reunião de pais para a preparação da primeira comunhão. A Catarina vai brincar com as amigas. Sortuda.
15:20 - Estou ansioso que me perguntem pela mãe da Catarina. Adoro o ar de embaraço das pessoas quando eu digo que ela está grávida e não vem, elas dão-me os parabéns e eu digo "não, não é meu". Impagável.
15:22 - Sou o único homem na reunião, até agora. Algumas mulheres olham de lado para mim e cochicham.
15:23 - Sou abordado por uma irmã, para assinar uma folha de presença. Escapo a um sermão, pode ser que me safe.
15:24 - Lembro-me bem dos meus tempos de catequese nesta escola. Aliás, nesta mesma sala, naquele palco, apresentei, com microfone e tudo, uma festa de fim de ano da catequese. Não me lembro de nada da festa. A minha mente é capaz de a ter apagado por ser uma recordação demasiado dolorosa.
15:26 - Chegam homens à reunião, devidamente acompanhados das esposas. Sou o único homem sozinho naquele sítio.
15:27 - Algumas mães de colegas da Catarina, que conheço há seis anos, sorriem para mim. Eu estou mais preocupado com a mãe da Carminho, que, no meio da santíssima trindade das mães jeitosas, vai olhando de vez em quando. São quarenta e dois anos (não pode...) de puro deleite. E tem um carro igual ao meu carro antigo. Só pontos a favor.
15:30 - Algumas mães sorriem para mim. Nunca as vi na minha vida. O pullover verde faz mesmo efeito.
15:32 - Vai começar: uma irmã vai mudar o CD que está a tocar como música ambiente. Pode ser que seja Black Keys. Ah, não é.
15:33 - Reparo que uma das irmãs está toda de verde: consigo perceber o encanto da coisa.
15:35 - O Padre começa a falar.
15:37 - Uma mãe, completamente sozinha, ainda não percebeu que o gesto de estar constantemente a puxar a saia para tapar a perna cruzada chama muito mais a atenção do que deixar o joelho e um pouco da coxa à mostra. Ou talvez tenha percebido.
16:01 - O Padre termina de falar. A saída está iminente, não doeu nada.
16:02 - Vai falar a irmã de verde. Estou tramado.
16:04 - A irmã insiste em dizer a frase "mas eu não tenho ninguém que me venha tocar", por causa de não ter hipótese de trocar o dia da missa de preparação para um dia de semana, por não ter ninguém que toque órgão. Medo.
16:15 - Ok, estamos na parte das perguntas: não pode demorar muito.
16:17 - Facilmente percebo que há diversas facções entre as mães: as tradicionais, as modernas, as libertinas e as que se tiverem que ficar mais cinco minutos ali dão em doidas.
16:28 - Primeiro momento de histerismo: uma mãe, revoltadíssima, implora à irmã que não deixe os pais confessar-se no dia das confissões de crianças, "senão depois os pais ficam lá uma hora e meia, como já aconteceu o ano passado, e é uma vergonha!". A reacção da plateia divide-se em risos e em exclamações de horror.
16:29 - O pai que está ao meu lado está no facebook, no iPhone. Esperto.
16:40 - Surge o grande debate sobre as fotografias e o preço das mesmas. No meio do histerismo, ouve-se coisas como "estas mesquinhas" e "já se calavam, porra".
16:46 - A pergunta "as crianças têm mesmo que ir de branco?" lança o auditório num novo momento de histerismo, com, mais uma vez, as mães que se querem a ir embora a liderarem o coro de protestos. São as minhas preferidas.
17:00 - Termina a reunião, mais de uma hora e meia depois.
17:01 - Somos apanhados pela directora pedagógica. Levo um sermão por causa do telemóvel dela e por causa da mãe não ter vindo.
17:02 - A Catarina vem ter comigo com a mão esfolada, a dizer que mais valia ter ficado comigo do que esfolar as mãos. Eu sugiro que da próxima vez eu esfolo as mãos, os joelhos e a cara, e ela fica na reunião. Ela não percebe.
3 de março de 2012
Primeira comunhão
Devido a ter ido hoje à reunião de preparação da primeira comunhão da minha filha (mais sobre isso noutro post...), e ter deixado o carro a dez metros da casa onde vivi treze anos, no centro de Cascais, voltei a sentir aquela nostalgia esmagadora de voltar ao local de origem, ao sítio onde passei a infância.
No dia antes da minha primeira comunhão, estava nas típicas brincadeiras de puto da altura. Neste caso, a brincadeira consistia no seguinte: saltar de uma poltrona abandonada, cheia de pulgas, para um pneu preso numa corda pendurada numa árvore que iria cair a qualquer momento. Estava tudo a correr bem até um amigo meu desviar o pneu na precisa altura em que eu me lançava heroicamente na direcção deste. Conclusão: falhei o pneu e aterrei de cara numa pedra enorme o que resultou na linda figura que podem ver abaixo:
A mão no bolso denuncia logo que sou eu
Reparem nas feridas no queixo, lábio inchado, dificuldade em sorrir. Foi a desgraça para a família. Fiz a primeira comunhão, mas não levei uma vida seguindo o exemplo de nosso senhor Jesus, o Cristo. Acho que se nota.
Esta miúda não existe
Estava eu a terminar de almoçar, em casa da minha mãe, enquanto a minha filha brincava sozinha, no quarto. E, de vez em quando, lá gritava coisas para eu lhe responder. Coisas do tipo "a tua equipa está a perder!" ou "o Nolito foi expulso!", até que ela diz:
Ela - Pai! Agradece ao Jorge! A tua equipa está a perder por causa dele!
Eu - Obrigado Jorge!
Ela - (longo silêncio) PAI!! IRONICAMENTE!!
Eu - (longo silêncio) Obrigado... Jorge!
Ela - Obrigado pai!
E continua a brincar
Plano de festas para o fim-de-semana
Hoje temos uma reunião para pais e crianças na escola da cria, por causa da primeira comunhão. Vou só eu e a cria, a mãe não está obviamente em condições. Aguarda-me um sermão.
Amanhã, temos missa (que entusiasmo, temo levar com umas gotas de água de benta e começar a derreter numa nuvem de fumo) e depois reunião de pais e padrinhos também por causa do baptismo. Vou só eu, a cria e a madrinha. O padrinho não está em Portugal, e a mãe vocês já sabem. Aguarda-me o segundo sermão.
Ah, as maravilhas da paternidade!
Hoje é dia de escrever e apagar posts
Vou ter de arranjar outro blog para escrever e dizer coisas inenarráveis, uma espécie de saco sem fundo para onde verter aquela parte mais negra da alma, aquela que escondemos de nós próprios. Sinto-me traído. Sem razão, claro, mas, ainda assim... A amizade tem destas merdas.
2 de março de 2012
Ah! Mama!
"mimimimimimimi a menina não estuda com o pai"
Bom a Português, Bom - a Matemática e Muito Bom a Estudo do Meio. Só para saberem quem é que manda aqui.
1 de março de 2012
This is an anthem
Hoje foi um daqueles em que posso dizer que estive vivo. Não que tenha feito ou presenciado nada de miraculoso, mas, todos os sentimentos que senti, da forma que os senti (da única que forma que eu sei, acho eu), fizeram-me crer que hoje, especialmente hoje, não andei apenas por aí: hoje estive vivo. No bom, no mau, estive vivo.
Desde o temor irracional e avassalador relacionado com a Catarina, à conversa despreocupada com a mãe dela da parte da manhã, a afogar-me num mar de risos, a conhecer pessoas novas, a deixar a vergonha impedir que pudesse conhecer mais pessoas novas, ao Baudelaire abençoado pelo (ainda resistente) sol no largo do S. Carlos, a alegrar-me com a chuva, a desiludir-me com a chuva, a perdoar (mesmo alguém que não mereça...), a ter a Catarina nos meus braços e a dormir em minha casa em cinco dos últimos sete dias, tudo isto contribuiu para que este dia soubesse a muitos. Mas, ainda assim, é sempre, sempre pouco.
Estar com a Catarina... Devia ser sempre assim, como já foi: todos os dias. Dar-lhe um sermão porque tirou o cinto no meio da A5, festejar com ela a conquista de uma fita nas artes marciais, desligar a música e ela dizer "SO FUCKING SING" no silêncio do estacionamento do Pingo Doce (e eu a ter de lhe explicar que isso não se diz), a ela tentar explicar-me o que são "créditos" e "mão de espada" no Tenchi (para depois dizer-me que não estou preparado para aprender, a pirralha). e ela terminar o dia com a frase, numa das nossas habituais conversas em que tenho de me concentrar para não me rir com as coisas que ela diz. "cada um sabe de si e Deus sabe de todos".
Tu e as tuas piadinhas
Um conselho de amigo: não dizer à ex-mulher que, com a quantidade de pragas que lhe roguei, te admiras que as coisas estejam a correr tão bem para ela. Especialmente quando ela é internada umas horas mais tarde no hospital.
O que vale é que ela conhece o meu sentido de humor.
29 de fevereiro de 2012
D is for dangerous
Acabei de ler o Anna Karenina. E é nestes momentos que eu dou graças a Deus de não ter privado com os grandes russos, no século XIX: fosse eu amigo do Tolstoi, e garanto-vos que não descansava enquanto a frase final do romance não fosse "E assim, mais uma vez, as mulheres lixaram isto tudo." Vejam o "Águas de Primavera", do Turguénev, ou o "Duelo", do Tchekhov. Lá andavam os rapazitos, bem formados e com futuro, metidos na sua vida, até que chegam as mulheres e é o fim do mundo.
Dito isto, se ainda houver mulheres a ler, eu apaixonava-me mais rapidamente pela Kitti ou pela Dolli, do que pela Anna. Já nenhuma delas se apaixonava por mim.
Well and the lighthouse
Parece que a mãe da Catarina está no hospital, parece que está perto de desovar. Ainda é cedo, não consigo evitar a preocupação. A Catarina veio cá para casa, já dorme. Naquela idade é tudo mais fácil.
28 de fevereiro de 2012
Era isto
Que viessem mais cinco horas de viagem e três a comer pó, podia ser perfeitamente no SBSR. Mas se for no Alive ninguém se chateia.
27 de fevereiro de 2012
Nem sei que título dar a isto
Hoje foi o dia em que perdi a paciência, e só o facto de estar num lançamento no Instituto Cervantes impediu que eu desligasse a chamada e ligasse imediatamente para a avó da Catarina. E ia ser o fim do mundo.
A Catarina "esqueceu-se" de me avisar que tinha teste hoje. Eu, como confio nela (e aqui aprendemos uma grande lição...), não fui ver o caderno dela. Fiquei a saber do teste através de uma sms da mãe, a meio da tarde de ontem. Estudámos pouco, o possível.
Claro que eu devia ter visto a mochila dela. E a mãe podia ter-me avisado. Todos cometemos erros aqui. E a Catarina escolheu a semana imediatamente antes dos anos para uma brincadeira destas (ah, e não me avisou que tinha catequese no Sábado, por causa da primeira comunhão...).
A Catarina, que é menina para ter óptimas notas (Bons e Muito Bons sempre), diz que errou todos os problemas hoje. A avó está escandalizada e então toca de ter conversas daquelas maravilhosas com a mãe da Catarina, do tipo que somos maus pais, que (e aqui é que me dá vontade de partir para agressão) nunca devia deixar que a Catarina passe os fins-de-semana todos comigo (alguém me segure), que está a pensar em vir buscar a Catarina 1 hora ao sábado e ao domingo para estudar com ela (ela que sequer me mencione isso). Mas está tudo louco? Quando ela era minha sogra, enfim, um gajo tinha que aturar. Mas, agora? Tenham paciência, mas na minha vida e da minha filha mando eu e a mãe dela. Não a avó.
Não fosse a boa relação (e preocupação comum com o bem da Catarina) que tenho com a mãe da Catarina, e hoje tinha sido o fim da lua-de-mel do divórcio. Ainda não foi hoje. E quer me parecer que há pessoas a quem esta boa relação incomoda. Mentes pequenas fruto de vivências frustradas.
Não sou o melhor pai do mundo. Mas ando lá perto. E isso, minhas caras, ninguém me tira. Nunca.
26 de fevereiro de 2012
Solipsista dos cinco costados
A probabilidade de encontrar vizinhas e amigas de vizinhas extremamente interessantes quando vou passear o Link é inversamente proporcional ao nível da indumentária que escolhi para o momento.
25 de fevereiro de 2012
Este é o tipo de igreja que precisamos cá
"Idosas ingerem hóstias alucinogénicas e agridem padre"
Maravilhoso.
(isto não tem nada a ver com o facto de o SLB ter empatado e eu estar em negação)
Maravilhoso.
(isto não tem nada a ver com o facto de o SLB ter empatado e eu estar em negação)
In waves
Entre as peças de roupa que a mãe da Catarina enviou para ela usar no fim-de-semana vinha isto:
É caso para temer que ela se torne numa fashion blogger?
É caso para temer que ela se torne numa fashion blogger?
24 de fevereiro de 2012
23 de fevereiro de 2012
I'm out of place and I'm not getting any wiser
«Sá Pinto pode ser o Guardiola do Sporting» - Eu sabia que os polacos bebiam, mas assim tanto?
22 de fevereiro de 2012
Não disse nada, porque nada havia para dizer
O blogger devia detectar que nós escrevemos e apagámos um post mais do que duas vezes e bloquear o acesso da conta durante vinte e quatro horas para não sair merda.
Posto isto, sinto que sou uma pergunta que nunca terá resposta. E é tudo, por hoje.
21 de fevereiro de 2012
Quando a nossa cara se gastar
Conversa filosófica com o gajo da portagem:
Ele: Bom dia.
Eu: Bom dia.
Ele (ao receber o cartão multibanco): Ei, Sonic Youth?
Eu: Sim.
Ele: Ya...
Eu: Ya...
Ele(entrega me o cartão): Obrigado... Sonic Youth, Sonic Youth...
Eu: Pois. Obrigado.
Se me concentrar acho que consigo encontrar o sentido da vida nesta conversa.
Elevador
Considero-me uma pessoa capaz. Em vários campos. Tenho é uma capacidade incrível de ter boas ideias, geralmente nas piores alturas e sítios.
Hoje saí mais cedo do trabalho e aproveitei para levar o Link ao parque, na vã tentativa de encontrar aquilo vazio o suficiente para o poder soltar. Porque não ir passeá-lo com calças e ténis novos? Para quê mudar para algo mais confortável? Não. Vamos assim.
Quando lá cheguei, para meu espanto, o parque estava praticamente deserto. Soltei o Link e lá corremos um bocadinho. Claro que ele rapidamente ganha vontade própria e mete-se em caminhos (já vi um ouriço-caixeiro num desses caminhos) onde eu não ouso entrar, portanto fiquei a observá-lo de longe.
Entretanto, chegamos a um sítio (uma espécie de anfiteatro natural) onde há uns bancos de pedra.
Pensei: "é isto mesmo, vamos saltar os dois este banco de pedra". Um ideia que qualquer pessoa normal teria. Peguei nele, direccionei para o banco, expliquei-lhe mais ou menos a táctica (já percebo o que o Jesus sentiu ontem quando estava a dar as instruções ao Witsel antes dele entrar) e lá fomos nós. Acontece que o Link não deve ter achado boa ideia a cena do salto, então à última da hora desvia-se para evitar o banco, e bate-me nas pernas quando eu já ia a saltar.
Resultado: ele desequilibrou-me, eu falhei o salto, e rebolei uns metros pelo anfiteatro natural abaixo. Telemóvel e chaves de casa para um lado, chaves do carro e ego para o outro.
Primeiro pensamento: "vou-me sentar e fingir que foi uma cena propositada". Rapidamente cheguei à conclusão que era impossível, tal o aparato da coisa. Depois olhei em volta, não havia mesmo ninguém, existe a pequena hipótese de não ter sido visto por ninguém. Menos mal. Claro que também há a probabilidade de alguém estar a escrever num blog, a esta hora: "ahaha, vi um ótário mandar um tralho brutal com o cão".
Lá fui para casa, com as calças novas todas verdes do lado direito, com a firme certeza de que seria hoje que me iria cruzar com uma vizinha daquelas de perder a cabeça.
E o cão feliz da vida, a subir a rua, este pequeno Bruno Alves de quatro patas, como se não fosse nada com ele.
E o cão feliz da vida, a subir a rua, este pequeno Bruno Alves de quatro patas, como se não fosse nada com ele.
20 de fevereiro de 2012
Setting fire to sleeping giants
Quando se pega num livro e se lê na contracapa que o melhor mês de vida, segundo o próprio, foi o mês passado em coma num hospital, um gajo tem que ler forçosamente mais qualquer coisa. Vitorino Nunes, conhecido como o "Dillinger português", deixou uma espécie de manual para os mestres na arte do crime, que é transcrito na parte final do livro que conta a sua história. Ficam aqui algumas das tácticas que um criminoso tem que dominar para ter sucesso na sua profissão:
- fazer uma tinta para escrita invisível em que só se consegue ler com o papel escrito debaixo de água.
- como esconder uma serra e outras pequenas coisas num boné.
- usar uma bisnaga para fins criminosos.
- usar um papagaio para passar cartas da prisão para o exterior.
- colocar agulhas no vestuário para ferir a polícia quando o prende.
- o que fazer para entreter as pessoas enquanto as rouba.
- como manter relações sexuais com uma prostituta sem lhe pagar e ainda receber dinheiro.
- a melhor maneira de matar aqueles que têm guarda-costas é matar alguém que lhe seja querido e matá-lo a ele quando for ao enterro do amigo.
Este homem se fosse do tempo da internet tinha dominado o mundo.
19 de fevereiro de 2012
São só dois furos
Fui passear com a Catarina (ela estava desejosa de se passear com o seu fato de Carnaval). Estivemos a passear em Carcavelos, mas, como quase não se via ninguém mascarado, ela quis ir comer um gelado a outro lado.
Chegámos a um pequeno centro comercial. Ao passarmos em frente de uma joalharia ela diz: "Pai, quero furar as orelhas!". Eu fiquei logo desconfiado, mas decidi deixar andar. Lá andou a ver brincos, a travar relações com a senhora da loja (que, em conversa, ficou a saber que fazia anos no mesmo dia que a mãe da Catarina. "Deve ser boa pessoa!", disse a senhora, ingenuamente. "É, é", respondi eu).
A Catarina estava nervosíssima. Pediu para ver a máquina. Pediu para vê-la funcionar. Viu os brincos umas cinco vezes. Quando finalmente se decidiu, ria-se nervosamente. Quando a senhora se aproxima dela, ela tapa as orelhas com as duas mãos. Começa a rir ainda mais e a dizer "não, ai, ai, ai, não". A funcionária fá-la reparar, e bem, que há mais pessoas na loja e que é uma vergonha. O que ajudou bastante: ela começa a gritar "Vão-se embora! Vão-se embora!", enquanto indicava a saída da loja.
Por esta altura eu estava quase escondido atrás de um expositor, a pensar que isto só podia acontecer comigo. Finalmente ela chamou por mim, pediu a minha mão, e deixou a senhora furar-lhe os ouvidos. Claro que eu não fui capaz de olhar, fingi que estava a mandar uma mensagem no telefone.
Ora bem, a partir daqui foi a loucura: primeiro soltou um guincho, depois começou a rir-se histericamente, a dizer "dói!" enquanto se ria. Levantou-se para ir ao espelho enquanto reclamava mais, sempre sem parar de rir, para incredulidade da funcionária. Até que chega ao espelho, vê a orelha, pára de rir e diz, muito séria:
Ora bem, a partir daqui foi a loucura: primeiro soltou um guincho, depois começou a rir-se histericamente, a dizer "dói!" enquanto se ria. Levantou-se para ir ao espelho enquanto reclamava mais, sempre sem parar de rir, para incredulidade da funcionária. Até que chega ao espelho, vê a orelha, pára de rir e diz, muito séria:
- Não doeu nada. Outro.
E assim foi, furou a outra orelha, com o mesmo circo e o mesmo final. Porque é que estas coisas acontecem comigo? Eu tenho a certeza absoluta que a primeira vez que ela tiver o período vai estar comigo.
Já a caminho de casa, vinha toda contente:
- Com as orelhas furadas sinto-me capaz de tudo!
E depois lembrou-se:
- Eu não disse nada à mãe! Se ela não gostar tira-me os brincos à pancada.
E depois lembrou-se:
- Eu não disse nada à mãe! Se ela não gostar tira-me os brincos à pancada.
Claro que depois mandou uma mensagem à mãe, a contar o sucedido. A melhor parte foi ela dizer à mãe, quando questionada se não devia ter pedido autorização à mãe, que o pai disse que não era preciso pedir nada. Linda menina.
18 de fevereiro de 2012
Secret door
E assim se passa uma tarde. Gelados, praia (a sério, pessoal com toalhas e de fato de banho?), compras e o álbum de uma vida.
Conversa da Catarina, enquanto esperávamos pelo gelado:
Ela - Pai, uma menina do quarto ano foi mascarada de enfermeira.
Eu - Foi?
Ela - Sim. De enfermeira sexy.
Eu - ...
O que é para uma criança de 8 anos uma enfermeira sexy? Medo.
Conversa da Catarina, enquanto esperávamos pelo gelado:
Ela - Pai, uma menina do quarto ano foi mascarada de enfermeira.
Eu - Foi?
Ela - Sim. De enfermeira sexy.
Eu - ...
O que é para uma criança de 8 anos uma enfermeira sexy? Medo.
17 de fevereiro de 2012
A ganhar juízo
Quando a (leve e luminosa) convidada principal de um evento em que tu és o anfitrião parece perdida à procura de algo, agitando-se em bicos de pés tentando chamar a atenção de um funcionário que se encontrava atrás de um pequeno mar de gente, obrigatoriamente tens de lá ir ver o que se passa. E eu fui.
Eu - Precisa de alguma coisa?
Ela - Sim... Por acaso não têm uma casa-de-banho aqui?
Eu - Sinceramente... Até temos, mas está a aguardar obras. Por norma não deixamos os visitantes usá-la.
Ela - Eu não sou muito criteriosa em relação a casas-de-banho!
Eu - (em pensamento: não perguntes "e em relação a homens?", não perguntes "e em relação a homens?", não perguntes "e em relação a homens?", não perguntes "e em relação a homens?", não perguntes "e em relação a homens?") Então veja lá, pode ser que lhe agrade.
E aparentemente agradou. A casa-de-banho.
Como conquistar a filha numa frase
Mal se abre a porta da casa da avó e ela vem a correr para os meus braços, a frase "Princesa, quem é que vai trabalhar com o pai na segunda-feira?" é o suficiente para a fazer parar, dobrar deliciosamente o sorriso, e vir a correr ainda mais depressa para cima de mim. Tenho o fim-de-semana ganho.
Nostradamus
A caminho da estação, eu, que ainda não percebi se gosto de rituais ou não, cruzo-me diariamente no trânsito, paragens de autocarro, etc, com as mesmas pessoas. E ali na zona da Quinta do Marquês como quem vai para Nova Oeiras é normal deparar-me com uma jovem que vem no sentido contrário ao meu, a pé. Ontem lá vinha ela completamente preparada para o frio. Cachecol, luvas, gorro. Isto, claro, não descurando o facto de ir com o casaco aberto e um destemido decote em toda a sua glória. Pensei em abrir a janela e gritar: "tapa-te moça, que vais constipar as tuas amigas." Mas estava realmente muito frio e o meu veículo estava numa temperatura deveras agradável, não ia ser uma qualquer leviana que ia provocar alterações de temperatura no meu carro. Ou em mim. Adiante. De qualquer forma, pensei: "hás-de adoecer que é para não achares que és a Claudisabel de Sassoeiros".
Hoje, quando-me cruzo com ela, lá ia ela toda agasalhada. Mas de pacote de lenços numa mão, um lenço aberto na outra, a acabar de se assoar, com o nariz todo vermelho. Espero que ela não se tenha apercebido do meu gesto de vitória.
16 de fevereiro de 2012
Earthquake
A meio de uma reunião, em que analisávamos umas discrepâncias relacionadas no apuramento dos resultados mensais, eu estava a bater com a perna repetidamente na mesa. O meu colega do lado, bom amigo e companheiro das futeboladas, não se conteve:
Ele - Mas tu tens Alzheimer? Não paras quieto com a perna.
Eu - Meu, isso é Parkinson, não Alzheimer.
Ele - É Alzheimer porque te esqueces de parar quieto caralho!
15 de fevereiro de 2012
Ironias
"Não jogo futebol para lesionar ninguém" - Bruno Alves
Próximas entrevistas:
"Não escrevo para as pessoas lerem" - António Lobo Antunes
"Não sou médico para operar pessoas" - Eduardo Barroso
"Não cozinho para as pessoas comerem" - Henrique Sá Pessoa
Próximas entrevistas:
"Não escrevo para as pessoas lerem" - António Lobo Antunes
"Não sou médico para operar pessoas" - Eduardo Barroso
"Não cozinho para as pessoas comerem" - Henrique Sá Pessoa
Lizzie, Lizzie...
"Sweet, never weep for what cannot be,
For this God has not given.
If the merest dream of love were true
Then, sweet, we should be in heaven,
And this is only earth, my dear,
Where true love is not given."
Em lista de espera, vou tentar não fazer batota. Difícil, com o livro na minha secretária, a olhar para mim.
Анна Каренина
Estou a ver o Zenit - Benfica num canal russo. Na minha mente eles estão a ler excertos do Anna Karenina.
Adenda: para a próxima vez não partir do pressuposto que o jogo dá na Sporttv, e, pelo sim pelo não, ver no canal 1 se está a dar. Obrigado Sofia.
Adenda: para a próxima vez não partir do pressuposto que o jogo dá na Sporttv, e, pelo sim pelo não, ver no canal 1 se está a dar. Obrigado Sofia.
As coincidências existem
Então lá tive de vir para casa mais cedo hoje devido à visita do técnico do esquentador. Primeiro ligam-me às 14 horas, estava eu ainda sentado no escritório, a pedir imensa desculpa mas que iam atrasar-se. A marcação era para as 15. Afinal o técnico tinha marcado para as 14. Chegou às 15:40.
O mais engraçado é que isto ficou tudo marcado para o dia em que o SLB joga às 17 horas para a Champions. Pura coincidência.
Linda era a pausa no trabalho do técnico e o olhar para fora da cozinha sempre que o cão ladrava e parecia que ia mandar abaixo a porta do quarto.
14 de fevereiro de 2012
But he couldn't care less
Estava a passear o cão, calmamente, como faço sempre que chego do trabalho. Estava a passar ao pé de umas obras (que se vão prolongar para sempre pelo andar da coisa) e ouço alguém a gritar. Tiro os fones, e percebo que me estão a tentar chamar a atenção. Olho para o último andar do prédio em construção e está um homem das obras a chamar por mim. Aparentemente os homens das obras trancaram-se no último andar e não conseguiam sair.
Então tive de encontrar um arame que me parecesse capaz de abrir uma fechadura, e conseguir atirá-lo para o último andar. Claro que, másculo como sou, consegui atirar o arame até ao último andar à primeira, e lá se ouviram os festejos dos homens.
Aí está uma bela actividade para o dia de hoje: entrar num local em obras que parece um cenário do Walking Dead e ajudar uns trolhas a arrombar portas.
Maravilha.
12 de fevereiro de 2012
E assim termina..
... o fim-de-semana das criaturas mais pequenas da casa.
Quando questionada sobre ainda usar o seu oh-oh (a fralda que a acompanha desde que nasceu) para dormir, ela responde:
- "O que é que tu queres? Alegra-me a vida."
Sempre a aprender.
Know Your Quarry
Exercício curioso, escolher as músicas mais importantes para mim no ano de 2011. E depois chegar à conclusão que quase nenhuma é efectivamente de 2011. O que vale é que hoje já conheci umas bandas novas (e contemporâneas, pasme-se) que vou ter mesmo de ouvir com atenção.
11 de fevereiro de 2012
10 A.M. automatic
Fui tomar banho a casa da minha mãe e das minhas irmãs. Elas têm, à volta da banheira, quatro boiões diferentes, mais vinte e oito embalagens dos mais variados produtos para as mais variadas coisas. O Macgyver com aqueles químicos todos faria tranquilamente uma bomba atómica, a poção da vida eterna e um bacalhau com natas. Sem grande esforço. Eu já tive duas criaturas do sexo feminino em casa, e a coisa não era assim tão dramática. Agora tenho um champô e um gel de banho. À homem. Já não ter só sabão azul e branco é uma sorte.
El caballero de la triste figura
Em termos de mulheres o Forum Sintra é como a Rua Garrett. Mas ao contrário.
Da literatura
Então dia 9 de Março lá sai o "Pista de Gelo", do Bolaño. Estou ansioso, embora saiba de antemão que este livro dele nem é dos seus melhores. Tendo em conta que li todos os outros que foram editados em português (o "2666" e especialmente o "Detectives Selvagens" são fortes concorrentes a livro preferidos de todos os tempos e mais além) e que é dos meus preferidos, entra para a categoria de imperdível.
Depois de ter assistido a um pouco da LER no Chiado, fiquei ainda mais curioso para ler Borges (uma das influências maiores do Bolaño). Tenho de arranjar tempo e lata para me sentar a ver a LER no Chiado, especialmente em ocasiões como a de ontem.
E a quantidade de pessoas que eu conheço que está a escrever um romance? Medo.
E estamos de volta
Sms da filha, a relatar a reacção da mãe ao ver um vídeo no youtube sugerido por mim:
"A mãe está perturbada com o que está a ver".
"A mãe está perturbada com o que está a ver".
8 de fevereiro de 2012
Breaking news
A TVI não me curte, decididamente. Depois de ser denominado "vendedor" (pensei, na altura, em montar uma banca na berma da estrada) numa entrevista sobre a morte de Saramago, eis que dou uma entrevista altamente interessante sobre literatura de "auto-ajuda financeira". Que aparentemente não passa em lado nenhum.
7 de fevereiro de 2012
Mal habituados
Um gajo chega à conclusão que já estava habituado ao frio quando considera que hoje está um dia bastante aprazível, tanto que vai dar um passeio dos antigos com o cão. Dei a volta pela parte de baixo da minha urbanização (onde a flora e especialmente a fauna são bastante mais interessantes) e fui até ao parque. Confesso que já sinto falta de chegar a casa do trabalho ainda de dia, e de poder demorar-me no passeio antes de jantar e ler, sentado na relva, enquanto o meu cão brinca às vacas e vai comendo a dita relva. Ou então, tal como hoje, sentar-me num banco do jardim e ficar a ouvir música, com o cão aos meus pés, numa solidão merecida e frutuosa.
Obviamente que não se vê quase ninguém na rua (aquela gente que vai de pijama e roupão ao lixo não conta, pois não?), o que é positivo: passear o Link sem ouvir "tão graaaaande" a cada vinte metros é bastante mais relaxante.
- "tão graaaande!"
- olhe que nunca tinha reparado! ...
Note to self
Não utilizar letras de músicas (ainda que extremamente boas) como títulos de post (ver post abaixo), sob pena de passarem o dia todo a cantarolar a letra só para se meterem contigo.
Seja como for, acho que mereci.
Seja como for, acho que mereci.
6 de fevereiro de 2012
Please don't tell me, you don't have to darling, I can sense
E agora, todos em uníssono: não vamos voltar a ver certos e determinados blogs.
Muito bem.
Muito bem.
Operator, please
É sempre bom receber o telefone de uma colega e ser um idoso que conta a vida toda pelo telefone, sob pretexto de encomendar uns livros.
Cliente - É que eu tenho uma vizinha que é uma cusca, e sabe a vida de todos, portanto o senhor avisa-me quando enviar os livros e eu dou-lhe o dinheiro.. Já que sabe a vida de todos e quem entra e sai e a que horas, pelo menos recebe a embalagem.
Eu - Pois... Mas só lhe posso dizer o valor total depois da minha colega ir aos correios.
Cliente - Muito bem, muito bem, então agradeço que depois me ligue para ir dar o dinheiro à velha. Obrigado.
Amoroso, o senhor. Se ele era idoso, que idade teria a "velha"?
Melhor que isto só o CV que tinha em cima da minha secretária. Era de uma rapariga cuja foto, captada da cintura para cima, evidenciava o que seriam seguramente os dois melhores atributos dela. Juntem a isso os comentários escritos a caneta pelos alentejanos da sala 1 e 2, e temos um CV digno de ser visto.
Certeza do dia
Eu não dava para fashion blogger. Aparentemente a camisa com riscas azuis não fica bem com o pullover verde.
5 de fevereiro de 2012
Carnaval
Todos os anos, desde que ela anda na escola, é o drama no carnaval. Porque nunca se arranja o fato que a menina quer, e porque isto e porque aquilo (razões de mulher, vocês, mulheres, percebem o que quero dizer). Portanto, este ano, decidi eu tratar disso e comprar logo, com uma assinalável antecedência, o raio do fato que a miúda quisesse. E ela quis isto:
Frankie Stein, das Monster High. Quem, perguntam vocês? Não sei, respondo eu. Não faço ideia. Mas é isto que ela queria, era isto que andava a pedir para vestir no carnaval, aqui está. As freiras vão adorar.
Agora, não posso esconder que tenho saudades disto:
Frankie Stein, das Monster High. Quem, perguntam vocês? Não sei, respondo eu. Não faço ideia. Mas é isto que ela queria, era isto que andava a pedir para vestir no carnaval, aqui está. As freiras vão adorar.
Agora, não posso esconder que tenho saudades disto:
Conversa à mesa
Em tom perfeitamente casual:
Filha - Pai, onde é que joga o Fábio?
Eu - Coentrão?
Filha - Sim.
Eu - Real Madrid. Joga com o Di Maria.
Filha (a cantar) - Lalalalalala Di Maria! Lalalalalala Di Maria!
Eu - Como é que te lembras disso ainda? Temos de ir ao estádio!
Filha - Sim. Mas porque é que o Fábio foi para o Real Madrid?
Eu - Oh, filha, é o melhor clube do mundo...
Filha - Eu pensei que era o Benfica o melhor do mundo...
Filha - Pai, onde é que joga o Fábio?
Eu - Coentrão?
Filha - Sim.
Eu - Real Madrid. Joga com o Di Maria.
Filha (a cantar) - Lalalalalala Di Maria! Lalalalalala Di Maria!
Eu - Como é que te lembras disso ainda? Temos de ir ao estádio!
Filha - Sim. Mas porque é que o Fábio foi para o Real Madrid?
Eu - Oh, filha, é o melhor clube do mundo...
Filha - Eu pensei que era o Benfica o melhor do mundo...
4 de fevereiro de 2012
3 de fevereiro de 2012
Dois anos
Hoje o animal faz dois anos. Se há dois anos e uns meses me dissessem que hoje, no dia 3 de Fevereiro de 2012, iria estar a morar sozinho com um pónei cão de 50kg, que me destrói a casa e me conserta o coração, eu diria que essa pessoa era louca.
E, no entanto, aqui estamos.
2 de fevereiro de 2012
Tudo faz sentido nesta imagem
Eu, parado no trânsito, "no cars go" escrito no rádio. E os comboios ali do lado esquerdo (não se vê na imagem, pois corria o risco que a pessoa do carro ao lado pensasse que lhe estava a tirar fotos) a passarem, como se não fosse nada, como se a greve que eles andaram a apregoar em papéis colados em tudo quanto é sítio, não fosse nada com eles. Vai uma pessoa de carro, porque não há comboios, para depois ficar parado no trânsito a fazer o quê? A ver os comboios passar. Se isto não é ironia não sei o que é.
Catarina Maria
Tinha acabado de entrar no carro e ligar o rádio quando toca o meu telefone. Pensei logo: "pronto, acabei de descer o Chiado, sentar-me no carro, aposto que é o meu chefe". Mas não, era a minha filha. Atendi, e ela estava com uma vozinha desanimada. Lá consegui que ela falasse (curioso não é? Um ser do sexo feminino que, quando se pergunta o que se passa, responde: nada. Nunca antes visto) e ela diz-me, naquela vozinha dela:
"pai, como é que eu faço para fazer desaparecer os pesadelos?"
O que é que se responde a isto? Tive vontade de seguir directamente para casa da mãe dela e pegar nela e só largá-la quando estivesse a dormir na sua cama, depois de ouvir uma história, com o livro do Tintin debaixo da almofada (diz que lhe dá sorte e que afasta os pesadelos...). Isto de ser pai às prestações dá cabo de mim. Tudo o que seja menos do que sempre é pouco, manifestamente pouco.
Claro que me fiz de forte, e disse para ela dormir com o puffle preferido dela (chamado Nolito. O facto de ela ser sócia do SLB desde que nasceu não tem nada a ver com o caso). Ela lá aceitou a sugestão, mas continuou com a tal vozinha. Voltei a insistir. Parece que não conseguiu um cinturão azul no Ten-chi (trocou o ballet pelas artes marciais, o que, tendo em conta que ela está quase adolescente, me parece totalmente apropriado e me deixa mais descansado como pai), porque "estava demasiado nervosa quando tinha que atirar uma bola contra um miúdo".
Consegui convencê-la facilmente de que iria ter sucesso na próxima tentativa. Não custa nada: eu sei que vai.
1 de fevereiro de 2012
A terceira classe é para meninas
Muito Bom a matemática e a estudo do meio, Bom a português. Merece que lhe compre as famosas "coisas". O Bom a português não é um Muito Bom porque desta vez não estudou com o pai. E foi a mãe que o disse.
Ainda há cavalheiros
A minha única preocupação a descer a Rua do Alecrim à chuva era que a Anna Karenina não se molhasse.
You are creating all the bubbles at night
Saí da loja hoje a meio da tarde para ir comer qualquer coisa. E o Chiado estava como tem estado: frio e acinzentado. Apetecia-me (acima de tudo acho que precisava, não sei bem, não sou bom a reconhecer essas coisas) apanhar ar fresco.
Logo à saída, ao som do violoncelo que o gajo impecavelmente bem vestido costuma estar a tocar, vejo um outro gajo (isto após desviar-me, no momento what the fuck da tarde, de uma bola de sabão gigante que vinha na minha direcção) sentado nas escadas da igreja a ler "Os Passos em Volta", do Herberto Hélder. Ele olhou para mim e eu fiz-lhe o olhar de quem aprovava a escolha literária e ele parece que acena com a cabeça do tipo "eu sei que tu sabes que eu estou a ler um livro do caraças" e continuou a ler ao som do violoncelo.
Entretanto lá fui comer, apanhei todo o ar de que precisava e voltei para baixo. Enquanto-me desviava das pessoas que tiravam fotos à estátua do Pessoa, cheguei à conclusão de que me sinto demasiado em casa naquele sítio. Uma sensação avassaladora de pertença.
E eu que tinha prometido a mim mesmo que não me afeiçoava a mais nada.
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