29 de fevereiro de 2012

D is for dangerous

Acabei de ler o Anna Karenina. E é nestes momentos que eu dou graças a Deus de não ter privado com os grandes russos, no século XIX: fosse eu amigo do Tolstoi, e garanto-vos que não descansava enquanto a frase final do romance não fosse "E assim, mais uma vez, as mulheres lixaram isto tudo." Vejam o "Águas de Primavera", do Turguénev, ou o "Duelo", do Tchekhov. Lá andavam os rapazitos, bem formados e com futuro, metidos na sua vida, até que chegam as mulheres e é o fim do mundo.
Dito isto, se ainda houver mulheres a ler, eu apaixonava-me mais rapidamente pela Kitti ou pela Dolli, do que pela Anna. Já nenhuma delas se apaixonava por mim. 

Well and the lighthouse

Parece que a mãe da Catarina está no hospital, parece que está perto de desovar. Ainda é cedo, não consigo evitar a preocupação. A Catarina veio cá para casa, já dorme. Naquela idade é tudo mais fácil.

28 de fevereiro de 2012

Era isto


Que viessem mais cinco horas de viagem e três a comer pó, podia ser perfeitamente no SBSR. Mas se for no Alive ninguém se chateia.

27 de fevereiro de 2012

Nem sei que título dar a isto

Hoje foi o dia em que perdi a paciência, e só o facto de estar num lançamento no Instituto Cervantes impediu que eu desligasse a chamada e ligasse imediatamente para a avó da Catarina. E ia ser o fim do mundo.
A Catarina "esqueceu-se" de me avisar que tinha teste hoje. Eu, como confio nela (e aqui aprendemos uma grande lição...), não fui ver o caderno dela. Fiquei a saber do teste através de uma sms da mãe, a meio da tarde de ontem. Estudámos pouco, o possível. 
Claro que eu devia ter visto a mochila dela. E a mãe podia ter-me avisado. Todos cometemos erros aqui. E a Catarina escolheu a semana imediatamente antes dos anos para uma brincadeira destas (ah, e não me avisou que tinha catequese no Sábado, por causa da primeira comunhão...). 
A Catarina, que é menina para ter óptimas notas (Bons e Muito Bons sempre), diz que errou todos os problemas hoje. A avó está escandalizada e então toca de ter conversas daquelas maravilhosas com a mãe da Catarina, do tipo que somos maus pais, que (e aqui é que me dá vontade de partir para agressão) nunca devia deixar que a Catarina passe os fins-de-semana todos comigo (alguém me segure), que está a pensar em vir buscar a Catarina 1 hora ao sábado e ao domingo para estudar com ela (ela que sequer me mencione isso). Mas está tudo louco? Quando ela era minha sogra, enfim, um gajo tinha que aturar. Mas, agora? Tenham paciência, mas na minha vida e da minha filha mando eu e a mãe dela. Não a avó. 
Não fosse a boa relação (e preocupação comum com o bem da Catarina) que tenho com a mãe da Catarina, e hoje tinha sido o fim da lua-de-mel do divórcio. Ainda não foi hoje. E quer me parecer que há pessoas a quem esta boa relação incomoda. Mentes pequenas fruto de vivências frustradas.
Não sou o melhor pai do mundo. Mas ando lá perto. E isso, minhas caras, ninguém me tira. Nunca. 

26 de fevereiro de 2012

That akward moment...

... em que a tua filha mete o Angry Birds no teu Facebook e bate os recordes dos teus amigos.




Solipsista dos cinco costados

A probabilidade de encontrar vizinhas e amigas de vizinhas extremamente interessantes quando vou passear o Link é inversamente proporcional ao nível da indumentária que escolhi para o momento.

25 de fevereiro de 2012

Este é o tipo de igreja que precisamos cá

"Idosas ingerem hóstias alucinogénicas e agridem padre"

Maravilhoso.

(isto não tem nada a ver com o facto de o SLB ter empatado e eu estar em negação)

In waves

Entre as peças de roupa que a mãe da Catarina enviou para ela usar no fim-de-semana vinha isto:


É caso para temer que ela se torne numa fashion blogger?

24 de fevereiro de 2012

From Autumn To Ashes

Acho que percebi finalmente porque raio (ainda) tenho um blog. 

23 de fevereiro de 2012

22 de fevereiro de 2012

Não disse nada, porque nada havia para dizer

O blogger devia detectar que nós escrevemos e apagámos um post mais do que duas vezes e bloquear o acesso da conta durante vinte e quatro horas para não sair merda. 
Posto isto, sinto que sou uma pergunta que nunca terá resposta. E é tudo, por hoje.

21 de fevereiro de 2012

Quando a nossa cara se gastar

Conversa filosófica com o gajo da portagem:
Ele: Bom dia.
Eu: Bom dia.
Ele (ao receber o cartão multibanco): Ei, Sonic Youth?
Eu: Sim.
Ele: Ya...
Eu: Ya... 
Ele(entrega me o cartão): Obrigado... Sonic Youth, Sonic Youth...
Eu: Pois. Obrigado.
Se me concentrar acho que consigo encontrar o sentido da vida nesta conversa.

Elevador

Considero-me uma pessoa capaz. Em vários campos. Tenho é uma capacidade incrível de ter boas ideias, geralmente nas piores alturas e sítios. 
Hoje saí mais cedo do trabalho e aproveitei para levar o Link ao parque, na vã tentativa de encontrar aquilo vazio o suficiente para o poder soltar. Porque não ir passeá-lo com calças e ténis novos? Para quê mudar para algo mais confortável? Não. Vamos assim.
Quando lá cheguei, para meu espanto, o parque estava praticamente deserto. Soltei o Link e lá corremos um bocadinho. Claro que ele rapidamente ganha vontade própria e mete-se em caminhos (já vi um ouriço-caixeiro num desses caminhos) onde eu não ouso entrar, portanto fiquei a observá-lo de longe. 
Entretanto, chegamos a um sítio (uma espécie de anfiteatro natural) onde há uns bancos de pedra. 
Pensei: "é isto mesmo, vamos saltar os dois este banco de pedra". Um ideia que qualquer pessoa normal teria. Peguei nele, direccionei para o banco, expliquei-lhe mais ou menos a táctica (já percebo o que o Jesus sentiu ontem quando estava a dar as  instruções ao Witsel antes dele entrar) e lá fomos nós. Acontece que o Link não deve ter achado boa ideia a cena do salto, então à última da hora desvia-se para evitar o banco, e bate-me nas pernas quando eu já ia a saltar. 
Resultado: ele desequilibrou-me, eu falhei o salto, e rebolei uns metros pelo anfiteatro natural abaixo. Telemóvel e chaves de casa para um lado, chaves do carro e ego para o outro. 
Primeiro pensamento: "vou-me sentar e fingir que foi uma cena propositada". Rapidamente cheguei à conclusão que era impossível, tal o aparato da coisa. Depois olhei em volta, não havia mesmo ninguém, existe a pequena hipótese de não ter sido visto por ninguém. Menos mal. Claro que também há a probabilidade de alguém estar a escrever num blog, a esta hora: "ahaha, vi um ótário mandar um tralho brutal com o cão".
Lá fui para casa, com as calças novas todas verdes do lado direito, com a firme certeza de que seria hoje que me iria cruzar com uma vizinha daquelas de perder a cabeça.
E o cão feliz da vida, a subir a rua, este pequeno Bruno Alves de quatro patas, como se não fosse nada com ele. 

20 de fevereiro de 2012

Setting fire to sleeping giants

Quando se pega num livro e se lê na contracapa que o melhor mês de vida, segundo o próprio, foi o mês passado em coma num hospital, um gajo tem que ler forçosamente mais qualquer coisa. Vitorino Nunes, conhecido como o "Dillinger português", deixou uma espécie de manual para os mestres na arte do crime, que é transcrito na parte final do livro que conta a sua história. Ficam aqui algumas das tácticas que um criminoso tem que dominar para ter sucesso na sua profissão:
- fazer uma tinta para escrita invisível em que só se consegue ler com o papel escrito debaixo de água.
- como esconder uma serra e outras pequenas coisas num boné.
- usar uma bisnaga para fins criminosos.
- usar um papagaio para passar cartas da prisão para o exterior.
- colocar agulhas no vestuário para ferir a polícia quando o prende.
- o que fazer para entreter as pessoas enquanto as rouba.
- como manter relações sexuais com uma prostituta sem lhe pagar e ainda receber dinheiro.
- a melhor maneira de matar aqueles que têm guarda-costas é matar alguém que lhe seja querido e matá-lo a ele quando for ao enterro do amigo. 
Este homem se fosse do tempo da internet tinha dominado o mundo. 


19 de fevereiro de 2012

É tipo ácido nos olhos, mas pior #2


São só dois furos


Fui passear com a Catarina (ela estava desejosa de se passear com o seu fato de Carnaval). Estivemos a passear em Carcavelos, mas, como quase não se via ninguém mascarado, ela quis ir comer um gelado a outro lado. 
Chegámos a um pequeno centro comercial. Ao passarmos em frente de uma joalharia ela diz: "Pai, quero furar as orelhas!". Eu fiquei logo desconfiado, mas decidi deixar andar. Lá andou a ver brincos, a travar relações com a senhora da loja (que, em conversa, ficou a saber que fazia anos no mesmo dia que a mãe da Catarina. "Deve ser boa pessoa!", disse a senhora, ingenuamente. "É, é", respondi eu). 
A Catarina estava nervosíssima. Pediu para ver a máquina. Pediu para vê-la funcionar. Viu os brincos umas cinco vezes. Quando finalmente se decidiu, ria-se nervosamente. Quando a senhora se aproxima dela, ela tapa as orelhas com as duas mãos. Começa a rir ainda mais e a dizer "não, ai, ai, ai, não". A funcionária fá-la reparar, e bem, que há mais pessoas na loja e que é uma vergonha. O que ajudou bastante: ela começa a gritar "Vão-se embora! Vão-se embora!", enquanto indicava a saída da loja.
Por esta altura eu estava quase escondido atrás de um expositor, a pensar que isto só podia acontecer comigo.  Finalmente ela chamou por mim, pediu a minha mão, e deixou a senhora furar-lhe os ouvidos. Claro que eu não fui capaz de olhar, fingi que estava a mandar uma mensagem no telefone.
Ora bem, a partir daqui foi a loucura: primeiro soltou um guincho, depois começou a rir-se histericamente, a dizer "dói!" enquanto se ria. Levantou-se para ir ao espelho enquanto reclamava mais, sempre sem parar de rir, para incredulidade da funcionária. Até que chega ao espelho, vê a orelha, pára de rir e diz, muito séria:
- Não doeu nada. Outro.
E assim foi, furou a outra orelha, com o mesmo circo e o mesmo final. Porque é que estas coisas acontecem comigo? Eu tenho a certeza absoluta que a primeira vez que ela tiver o período vai estar comigo. 
Já a caminho de casa, vinha toda contente:
- Com as orelhas furadas sinto-me capaz de tudo!
E depois lembrou-se:
- Eu não disse nada à mãe! Se ela não gostar tira-me os brincos à pancada.
Claro que depois mandou uma mensagem à mãe, a contar o sucedido. A melhor parte foi ela dizer à mãe, quando questionada se não devia ter pedido autorização à mãe, que o pai disse que não era preciso pedir nada. Linda menina.

Rói-te de inveja, Jane Austen

O Preconceito ficou no século XIX. 

18 de fevereiro de 2012

É tipo ácido nos olhos, mas pior


Secret door

E assim se passa uma tarde. Gelados, praia (a sério, pessoal com toalhas e de fato de banho?), compras e o álbum de uma vida.
Conversa da Catarina, enquanto esperávamos pelo gelado:
Ela - Pai, uma menina do quarto ano foi mascarada de enfermeira.
Eu - Foi?
Ela - Sim. De enfermeira sexy.
Eu - ...
O que é para uma criança de 8 anos uma enfermeira sexy? Medo.

17 de fevereiro de 2012

A ganhar juízo

Quando a (leve e luminosa) convidada principal de um evento em que tu és o anfitrião parece perdida à procura de algo, agitando-se em bicos de pés tentando chamar a atenção de um funcionário que se encontrava atrás de um pequeno mar de gente, obrigatoriamente tens de lá ir ver o que se passa. E eu fui.
Eu - Precisa de alguma coisa? 
Ela - Sim... Por acaso não têm uma casa-de-banho aqui?
Eu - Sinceramente... Até temos, mas está a aguardar obras. Por norma não deixamos os visitantes usá-la.
Ela - Eu não sou muito criteriosa em relação a casas-de-banho!
Eu  - (em pensamento: não perguntes "e em relação a homens?", não perguntes "e em relação a homens?", não perguntes "e em relação a homens?", não perguntes "e em relação a homens?", não perguntes "e em relação a homens?") Então veja lá, pode ser que lhe agrade. 
E aparentemente agradou. A casa-de-banho.