16 de agosto de 2012

Hand of reason

Chamaram-me para falar com um cliente que queria fazer uma encomenda avultada. Eu já conhecia o processo, portanto, na ânsia de não perder esta venda, saltei da cadeira e acompanhei a livreira até ao dito senhor. Vou eu todo lançado, apresento-me e estendo a mão na direcção da mão direita do cliente quando, a meio do movimento, vejo que ele tem um braço postiço. Aqui começa tudo a desenrolar-se em câmara lenta, eu a ver que não consigo impedir o movimento do braço, a olhar para o braço postiço e a pensar que tipo de movimento poderia fazer para que aquilo parecesse casual e que eu não tinha reparado que o senhor tinha uma prótese, era tarde demais, pensei eu, até que o cliente com a mão oposta apanha a minha em pleno movimento e nós damos o aperto de mão mais embaraçoso e estranho de que há memória, mão esquerda com mão direita. 
Claro que depois passei a conversa toda a pensar que não podia dizer frases como "o colega entregou-me isto em mãos" ou "o seu processo está em boas mãos". 

2 comentários:

. disse...

E conseguiste? Porque há um ditato apropriado para isso... "Ao menino e ao borracho, põe sempre Deus a mão por baixo". Ou será que isto teve mesmo dedo (e restante mão) de outro alguém? ;)

Ted

Ricardo disse...

Consegui, sou um mestre na arte do auto-controlo.